sexta-feira, 19 de julho de 2019

Aquela postagem inevitável sobre incêndio no KyoAni






Bem, como vocês sabem, Kyoto Animation é um estúdio de anime. E por acaso ou não, um favorito meu. Pelas histórias cheias de ternura, pelas roteiristas super competentes como Naoko Yamada ou animadoras como Shoko Ikeda, pelas séries incríveis com animações de altíssimo padrão ou mesmo por todas essas coisas, é tão claro quanto desejável que ele seja hoje um dos estúdios de animação japoneses mais rentáveis e populares entre todos os públicos e demografias. E ele, como alguns devem já estar sabendo, foi incendiado ontem. E com o incêndio dezenas de vidas e talentos muito criativos foram destruídos, e as famílias arrasadas. Inclusive, é claro, a própria família de funcionários do estúdio, que entre xingamentos de fãs de anime moe que tiveram xingamentos por serem moe demais e depois por não terem continuação e perderem espaço para os anime de manservice e correrias pra animar Haruhi Suzumiya e aquela flopada monstruosa de Munto e a perda da parceria super rentável da KeyAni e muitos outros baques provavelmente pensavam que era a hora da bonanza, mas desde a era Gainax a gente tem aquele miasma de que nada é tão triste na indústria de anime que não possa ter um otaku louco querendo piorar. 

Eu, como muitos sabem, sou KyoAnizeira de carteirinha e não tenho palavras para expressar minha gratidão por todas as coisas felizes que me deram nestes dez anos desde Haruhi Suzumiya ou as minhas sinceras condolências às famílias e pessoas envolvidas; desde Hare Hare Yukai, o estúdio representa parte bem significativa da minha trajetória nessa Terra e do meu crescimento pessoal, mesmo. Não posso contar nos dedos de uma mão quantas vezes as histórias cheias de emoção me permitiram ressignificar a minha vida, reescrever as minhas tristezas cotidianas com um pouco de magia e tentar ser um pouco melhor amanhã. Talvez por essas me senti perdendo um ente ao abrir as notícias e me deparar com a tragédia: porque perdi mesmo, de uma vez, 30 pessoas que muito provavelmente fizeram mais parte da minha vida do que poderia imaginar. Que estavam comigo em alguns dos meus momentos mais difíceis até mais do que pessoas da minha família ou do meu convívio e que me deram esperança de que as coisas iam melhorar. Só por essas, eu não poderia deixar de vir postar um pouco sobre o estúdio, não fazer um histórico porque já tem muito disso na Internet e nem fazer um top porque eu fiz um em 2017, apesar de já estar bem desatualizado. Mas sim falar de cada uma das series que comento acima, com links para as resenhas - que eu escrevi de quase todas ^_^ ; ; ; - e de que maneiras elas me impactaram e coisa e tal. E, concluindo, o impacto que causa a todos nós os eventos recentes.

A primeira vez que o conheci, não gostei. O ano era 2006 e Haruhi era a grande sensação. A Haruhi que eu não gostava, claro, não a que eu gostava. E daí eu pensava que era o novo estúdio sensação dos otakus de Akiba amantes de moe e que eu não queria nada com aquilo. Até que eu me rendi aos charmes da menina Haruhi e especialmente do Itsuki e do seu dublador Daisuke Ono, que homem e até novels fui ler. Se eu dissesse que não baixei Endless Eight assim que saíram, ao menos a maioria, eu estaria mentindo. E só depois eu vim a descobrir que já o conhecia, se não de nome, ao menos o seu trabalho através de Air, uma favorita de muitos amigos meus - e que eu francamente tive que tentar assistir 3 vezes até gostar, e ô se hoje não gosto das lutas e de Tori no Uta um grande tanto.

Na era de Lucky Star, eu nem era tão anti e não só assisti - admito: gostava do diretor inicial e do Akira Channel até o 6 - como fiz um tutorial de Motteke Sailor Fuku e era  fã a ponto de mudar o meu nickname, que era Miyu, para Miyu Takara em homenangem à nossa querida Miyuki. Na mesma época assisti Clannad, e diferentemente de Lucky Star, Clannad realmente me marcou muito - eu gostava que nem La Vita E Bella, primeiro pela comédia até legal, vai, passável, e depois totalmente apaixonada pelos personagens e chorando com todos pelas suas perdas. Li as traduções da BakaTsuki e inclusive o final do Sunohara fiz AMVs, vi muitos AMVs, até que eles foram ficando seriamente repetitivos - um AMV sem aquele cenário do jardim de girassóis, alguém? - mas até hoje Clannad é a série da minha vida e não a toa, porque me fez ter mais catarse que qualquer terapia.          

Em seguida vieram os fuwa fuwa times [resenha]. E novamente eu comecei a ver bem nothing to nipah about mas os amigos gostam e acabei me apaixonando mais que eles. Mugi is laifu Ritsu is waifu e novamente meu username era hokagoteatime e eu fui fã. Lembrete do meu manifesto feminista pós-moderno com K-On. Depois veio o meu hiato de anime por uns 2 anos, e no retorno eu tratei de assistir Hyouka [resenha] e Kyoukai no Kanata [resenha] e, como não poderia faltar, Free! [resenha]. Hyouka é um anime que muita gente nem tchum mas eu admito que gostei, nem que fosse por comentários sarcásticos a la Kyon. Já Kyoukai no Kanata eu achei bem sem graça a princípio, mas depois de algum tempo estava fã - Daisy é uma boa síntese do quanto a série é apaixonante, e como não se identificar com a excluída, fofíssima e amaldiçoada Mirai? Muito uma de nós e tal. Enfim a Mirai me ganhou de tal forma que fiz até cosplay dela! ♥ E então eu me apaixonei pela história do casal. Depois, como não poderia deixar de ser, veio Free!. Mas eu não vou falar porque já falei demais de Free neste blog por uns 3 anos e não é segredo para ninguém o quanto adoro estes garotos e o quanto sou do fandom, que já li, escrevi, fiz AMV, fiz dakimakura, sou muito esposinha do Makotão. Husbando 4 lyf.

Depois, a série do tal do eufônio [resenha]. Que ei, foi muito divertido cosplayar a protagonista, que foi uma das que me transformaram muito. O amor das duas me deu muitas coisas, Oh Wonder, enfim, só tenho muito a agradecer. Naquela época houve também Tamako Market [resenha] que foi outra série que eu fiz cosplay da protagonista e que me transformou de uma maneira positiva e eu sinto muitas saudades do Dera Mochimazui e tal. Ah, e o que dizer da melhor Love Story desde Clannad? Enfim depois vieram os parques brilhantes [resenha], que foram especialmente divertidos, e o melhor enredo para um harém porcaria. (Desculpa aos fãs de shounen harém porcaria.) E depois aquela série de fantasmas que não deve ser mencionada [resenha] e as peripécias da melhor dragoa e sua mamãe programadora [resenha no Suco de Mangá], o melhor dos modelos de personagem realista e ao mesmo tempo incrível. Já mencionei o empoderamento das personagens hoje o quanto as personagens desse estúdio me inspiraram? Até voltar a tentar a aprender a programar tentei. Eu já falei também sobre Tsurune [resenha] e o quanto aquela flecha acertou right in my kokoro quando assisti. E a tristeza só se torna maior quando lembro, enfim, que a segunda temporada talvez não venha tão cedo - até porque o estúdio precisará de séries bastante rentáveis para tentar se reerguer - e que alguns dos talentos grandiosos que animaram as flechadas e cabelos a que me refiro na resenha... simplesmente não estão mais conosco.

Não consigo escrever sem dor sobre o fato de que algum maníaco possivelmente bastante otaku e machista - duvidam? Eu não - resolveu acabar com as vidas de 30 pessoas que trabalhavam noite em dia em um trabalho de alta qualidade e mal remunerado - o estúdio é famoso por remunerar bem os animadores o que no Japão significa acima da linha da escravidão - para gente que nem eu consumir e se divertir e apreciar que é o que estive fazendo nesses 13 anos sendo grande fã do estúdio, vendo e analisando a maioria das obras e, enfim ... Complicado, mas talvez por essas eu me sinta com a propriedade de não só reafirmar o quanto o estúdio é importante para muita gente e o quanto é uma perda não somente para o estúdio mas também para a indústria de anime de forma geral. Vocês podem ir ler nas resenhas mas a síntese seria: Que outro estúdio quebra tantos paradigmas? Talvez não seja um exagero dizer que foi o estúdio que mais quebrou paradigmas nos anos 2000, tanto pelo moe que virou assinatura de uma década, quanto pelos investimentos humanos nas produções extremamente sensíveis, ou pela habilidade de cativar as mulheres sem esquecer dos homens, as crianças sem se esquecer dos velhos, enfim, todas as demografias e públicos com maestria. Mesmo hoje, é difícil citar um estúdio com mais hype - estúdios como A1 e Trigger tem fãs fiéis, mas talvez não a mesma diversidade de conteúdos e de demografias alcançados. E ainda não tivemos e nem sei se teremos um segundo Endless Eight ou comercial de bishounen tornado anime de sucesso, ou um anime de comédia do naipe de Nichijou, enfim, os marcos. Só quem é da época KeyAni vai lembrar o que foi assim como só quem foi do Hare Hare Yukai vai lembrar de toooodo um hype da Aya Hirano ou só quem foi do Free! vai lembrar do que foi o susto do anime de fujoshi bem feito in this anime household? e assim vai. Assim eu concluo, segura de que este ataque foi terrorista. À própria indústria de forma geral. Porque foi um ataque a um dos estúdios famosos por serem relativamente democráticos e progressistas e que tem uma legião de fãs leais demasiadamente afetados. E, dessa maneira, me assusto. Ao estúdio, só posso expressar as minhas condolências e esperar para ver de que maneira vão tentar se reerguer, e estar no processo seja comprando os produtos e me mantendo na divulgação - e o projeto de visitar o local quando for ao Japão tá lá de pé cem por cento - e ajudando através do tal do fundraiser e de outras oportunidades que eventualmente surgirão. Por tudo o que me fizeram e me ajudaram sempre que precisei me reerguer, eu espero retribuir nesse momento. Ao estúdio e aos animadores:  Obrigada por tudo. #PrayforKyoAni  

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