quinta-feira, 30 de maio de 2019

Resenha: Sanrio Danshi - Fujoshi meets Sanrio


Segue imagens de minha mesa enquanto escrevo. A própria fujoshi super vendida.

Olá, caros colegas!

Vim aqui hoje para trazer a resenha de um anime que gostei muito e que maratonei com gosto. Como todos sabem, eu sou adepta da filosofia de que kawaii é justiça e não poderia deixar de assistir a este anime cheio de, uh, justiça. E muitos, muitooos personagens fofinhos da Sanrio no caminho. E bishounen. E BL... Opa, me adiantei demais. Senhoras e senhores, Sanrio Danshi, do japonês "garotos que gostam de garotos e da Sanrio". (Talvez. Provavelmente. Aposto.)        

Animado pelo estúdio Pierrot (Naruto, Bleach, Akatsuki no Yona [resenha]), Sanrio Danshi é um anime em 12 episódios com roteiro original que conta a história de um grupo de garotos, estudantes de colegial, que guardam um segredo terrível. Eles... *trovões* gostam de personagens da Sanrio. Tipo, muito. Mesmo. São literalmente otakus de Sanrio e tal. E é com esta premissa bobinha a la Otomen ou Gekkan Shoujo Nozaki-kun [resenha] que começa um dos animes que eu mais gostei de assistir nos últimos anos.       

O anime-propaganda da Sanrio conta a história (HAHAHA, história... em Sanrio Danshi... muito boa a sua piada, hein, Chell?) de um humilde garoto chamado Kouta Hasegawa, que tem uma paixão inconfessada pelo Pompompurin, um cachorro amarelo da marca Sanrio. Ele tem um passado trágico (tm) e tem basicamente um objeto transicional no seu Pompompurin de pelúcia, e até aí tudo bem. Mas um dia, uma série de eventos o levam a conhecer uma criança que lhe dá um produto do Pompompurin de presente em agradecimento por ter salvado a sua encontrado a sua mãe, e então Kouta se lembra do quanto o personagem era representativo em sua vida... snif. A partir deste enredo terrivelmente comercial, temos então a sequência de episódios em que Kouta conhece outros rapazes que também tem sentimentos especiais por personagens da Sanrio, e eles viram amigos.

Começou ruim? É porque não te contei das cenas vagamente pedófilas no primeiro episódio, nem das altíssimas vibes de Boys Love ao longo do anime inteiro. Para quem curte um BL, que nem eu, muito que bem. Adoro um BL casual e Sanrio Danshi tem os clichês. Fanservice para as fangirls e fujoshis não falta. Mas e se você não é esse tipo de pessoa perturbada, qual é o atrativo de Sanrio Danshi para você? Sequer teria algum atrativo para você? Talvez esteja se perguntando, e a minha resposta é: sim, claro, vários. Vamos então dissecar por que um anime-propaganda da marca Sanrio, com sério fanservice para as fujoshi e um enredo praticamente nulo pode ainda assim entreter qualquer otaku médio como um simples Slice of Life feel-good.

O enredo começa então a se desenvolver quando o menino Kouta faz amizades com Yuu, o bishounen aparentemente mulherengo e sem grandes aspirações (tm) que adora a My Melody; o Shunsuke, que é o amigo delinquente do Yuu e fã do Cinnamoroll; o Ryou, que é o shota loiro da história e fã de Twin Little Stars e por fim o Seiichirou que é o representante de classe nerd, e fã da Hello Kitty também. Todos estes personagens tão bishounen quanto estereotipados são fãs confessos de personagens da Sanrio, e ensinam o protagonista Kouta que não é feio gostar de coisas femininas ou infantis - o que obviamente é a mensagem que a marca Sanrio desejava passar - mas também o ensinam sobre amizade, confiança, companheirismo e essencialmente o fazem superar o seu Trauma do Passado (tm) e se divertir com eles.

Se você é que nem eu e adora um bom shoujo sobre como É Legal Ter Amigos, obviamente que Sanrio Danshi é muito legalzinho, porque os garotos literalmente tem aquela atração de imediato e se identificam entre si por gostarem de personagens da marca. Eles vão passear na Puroland e fazem coisas fofas e divertidas, eba!. E estudam juntos, e, uh, participam de uma peça de teatro envolvendo crossdressing e... prosseguindo. E aí vão se conhecendo e vendo que tem muito em comum, apesar das diferenças. Para os fãs de shoujo com personagens masculinos sendo protagonistas e fazendo coisas bobinhas normalmente reservada s a personagens femininas, é um anime legal exatamente porque os personagens são todos uns fofos. O Shunsuke é um tsundere gracinha, o Yuu é o tipão narcisista, o Ryou é o menino riquinho, mas é engraçado de quando em quando, e até o Seiichirou que teve menos tempo de desenvolvimento não chega a ser irritante, a meu ver. Nenhum chega a ser enjoativo, também, porque os estereótipos não são nunca forçados além de um certo limite tolerável. E todos tem aquele jeito de Friends Before Hos que a premissa pede. Até os amigos do protagonista que ficam para trás são tratados com um certo esmero e consciência de que existe o estereótipo do amigo que vira terciário, e ele é meio que subvertido - eles se tornam um alívio cômico importante e tem papel relevante no final da história.

Nesse sentido, talvez o anime que mais se aproxima de Sanrio Danshi seja Ouran Host Club. Dadas as devidas proporções, porque o desenvolvimento de um mangá de 20 volumes adaptado em 26 episódios vai ser quase sempre melhor que de um anime-propaganda original em 13 episódios, mas a maneira de satirizar e de subverter alguns dos estereótipos de shoujo e até estereótipos de gênero através de personagens masculinos, como valorizar a amizade acima de romance. O diferencial que ambos compartilham é a capacidade de fazer isto sem deixar de ter um lado que é abertamente shoujo padrão - inclusive com fanservice para fujoshi - e sem ser meramente uma paródia. E, no mesmo sentido, a mensagem de Sanrio Danshi é: goste do que você quiser (e se forem nossos personagens, quanto melhor, a propaganda funcionou).

O visual é bem moderninho e a animação, apesar de não ser aquelas coisas, também não é desagradvável. As cores levinhas são uma delícia, e o character design é copiado da única coisa que presta em Diabolik Lovers [resenha] bem OK. A abertura - com a música Seishun Interlude, bem lindinha e muito bem interpretada pelos seiyuu de alto nível não salarial, porque todos são zé-ninguém que fizeram um ou outro anime para fujoshi do anime - é um exemplo da identidade visual do anime. Aliás... Melhor dizer, o visual não tenta esconder a que veio - entreter a garotas jovens, é seu propósito. Não é para ser profundo. Mas, ao que se preza, é legalzinho! E eu admito que a mim, me serviu para deixar um pouco mais alegre e com açúcar na boca, inspirar artisticamente e cof, shippar personagens então diria que cumpre bem seu propósito. E nem 1% a mais.

Enfim, espero que tenham gostado dessa breve resenha e que se animem para assistir a esse anime! É bobinho, não vou negar. Mas não vai apagar nenhum neurônio da sua cabeça, pode ficar tranquilo. Até a próxima! ♥

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