sábado, 28 de abril de 2018

Mangá: Revista LaLa


Olá, gente ~

Conforme bem sabem eu estou com um problema gravíssimo chamado falta de tempo que tem deixado meu website com menos atualizações do que nunca - o que confesso que me deixa chateadíssima porque eu prometi que ia conseguir equilibrar os pratos e estou falhando porém shh ´ A ` )

Sendo assim resolvi fazer uma série de postagens tapa-buracos para falar sobre revistas de anime shoujosei uma vez que tenho muitas em casa e nem todas as pessoas entendem sobre revistas de anime, mas muitas gostariam e não sabem bem onde procurar já que falta conteúdo do gênero na Internet lusófona. Muita gente tem revistas mas não comenta sobre elas. A postagem poderia ser 1 só, mas eu estou optando por postagens individuais para cada revista a fim de encher linguiça porque falta tempo me aprofundar nos pormenores delas.

Sendo assim, vou começar falando da revista LaLa, uma das maiores revistas de shoujosei no Japão e a minha favorita pessoal, que completou 40 anos em 2016 - o que também a torna uma das mais antigas em atividades, apesar de nem tantos comentarem-na. Sem mais demora, vamos lá ~


A revista LaLa é publicada pela editora Hakusensha desde 1976, sendo assim sua segunda revista. A editora Hakusensha também publica outras revistas, mas as incursões significativas no mercado de mangás por parte da empresa se dá verdadeiramente nos gêneros shoujosei - além da LaLa, também publica a líder Hana to Yume desde 1973, além da HanaMaru e a HanaMaru BLACK, de josei e BL respectivamente, e já publicou outras revistas shoujo como a Moe e a Melody, e também a josei Silky.

   

A revista começou na realidade com o nome Hana to Yume LaLa, conforme as fotos, mas passou em 1977 a ser uma revista bimestral própria. Na época custava 290 ienes e sua primeira série foi Hana no Seitachi (花の精たち) de Kumi Morikawa. Mais tarde passou a ser mensal - e atualmente é sempre publicada no dia 24 - e ganhou uma irmãzinha chamada... 

LaLa DX. Tardou 6 anos até que a revista ganhasse um suplemento próprio chamado LaLa DX - abreviação para Deluxe - que a princípio nem nome tinha, mas ganhou no ano de 1985 e virou uma revista-irmã que atualmente ainda existe e publica séries do naipe de Vampire Knight: Memories e outras de grandes autoras. Com a separação da DX a revista LaLa passou a publicar seus especiais nas LaLa Club e nas Lunatic LaLa nos anos 1990, nas LaLa Special nos anos 2000, e ainda nas edições Kuro e Shiro LaLa em 2011 e Aka e Ao LaLa em 2012. Atualmente os especiais são publicados nas revistas online Hana LaLa e LaLa Melody, o que talvez se relacione à diminuição geral das tiragens e uma escolha da editora em priorizar os meios virtuais. 

De 2013 a 2017 tivemos ainda a Ane LaLa, o spin-off josei da LaLa que publicou séries ousadas e foi descontinuado para nossa infelicidade. É chute meu mas acredito que tenha sucedido as LaLa Cindy e Wendy lançadas na década de 80. Acredito também que a novíssima LaLa Begin venha a ser uma tentativa de substituição dessas.  

Por falar em grandes autoras, talvez vocês não saibam que a LaLa foi lar de muitas autoras. Matsuri Hino de Vampire Knight e MeruPuri, além dos também lançados no Brasil Wanted e Destino Cativo publicou seu primeiro mangá, Junshin ni Akuma Teki Ni na LaLa em 1995. Além dela, outra famosa que fez carreira na LaLa foi a Bisco Hatori de Ouran Host Club e Millenium Snow. Sakura Tsukuba de Penguin Revolution, Sorata Akizuki de Akagami no Shirayukihime [resenha] e Hiro Fujiwara de Kaichou wa Maid Sama? Todas da LaLa.  

Mas talvez não esteja exagerando ao dizer que quem popularizou a revista não foi, não senhores não, nenhuma dessas. Foram Ryouko Yamagishi e Toshie Kihara, do 24gumi, o celebrado grupo de Ikeda e outras mangakás shoujo que revolucionaram o gênero e criaram os gêneros BL, GL e josei sem sequer perceberem. Por falar nisso, Hagio Moto - de They Were Eleven e Thomas no Shinzo - também publicou na revista LaLa. Na época a revista era essencialmente experimental e quase uma revista de nicho, e apesar do cenário mudar, algumas coisas permanecem ainda iguais.    

A revista se tornou bastante popular nos anos 80 a 90 na geração de Minako Narita, minha favorita pessoal e talvez a primeira autora realmente popular que fez lar na revista - uma vez que as outras publicavam indiscriminadamente na Hana To Yume e na LaLa - na época do logotipo de surfista de 1990 que combinava com as séries ocidentalizadas e 2cool4HanatoYume. Basicamente o equivalente hipster das revistas de mangá shoujo existentes, publicou nessa época séries de Narita mas também séries como Kareshi to Kanojo no Jijyou que talvez tenha marcado a virada para a próxima era da revista, que no final dos anos 1990 passa por outra mudança de logotipo e de atitude.

Logotipo da LaLa DX utilizado a partir de meados de 2000.   

As dos anos 2000 em diante vocês provavelmente já conhecem bem: Vampire Knight, Ouran Host Club, Kaichou wa Maid-Sama. Talvez o seu período áureo, foi também o período em que eu virei fã da revista - graças a Ouran Host Club e Merupuri, amorzinhos de 2006 - e me lembro de ver referências à revista no nono episódio de Angel Beats. Enfim, a revista foi popular nessa época e trazia um conteúdo mais clichê, açucarado, romantizado. Esqueça a rebeldia dos anos 70 a 80 ou mesmo a experimentação dos anos 80 e 90, e dê oi às bolhinhas e brilhinhos em 2000. Clichês bombando ou... seria correto dizer que a revista criava os clichês?

Por fim temos a adaptação dos anos 2010 às séries diversificadas que vinham fazendo sucesso em outras revistas, como Gakuen Babysitters com seus protagonistas masculinos fofinhos ou mesmo Akagami no Shirayukihime, que mistura clichês de shoujo com apelo a qualquer tribo. Mas uma coisa que precisa ser notada é que a demografia da LaLa difere em que a maioria das leitoras são, na realidade, mulheres adultas. Ué? São leitoras que cresceram com a revista e continuam gostando das historinhas fofas e inocentes, mas que não se vendem de maneira que as repele. Diferentemente de uma Nakayoshi que, conforme comentarei em outro dia, mudou o foco para smutty ou mesmo de uma Margaret que se esforça em se manter bastante popular, com vários clichês pré-adolescentes, a LaLa sempre foi uma revista que aborda temas polêmicos, questões de gênero, e acaba talvez sendo o mais próximo do josei que se encontra nos shoujo. É shoujo, é inegavelmente fofinho, mas não tenta ser estúpido.

Talvez a estupidez seja a grande questão que faz algumas pessoas rotularem shoujo - afinal, o quão ingênuo você precisa ser para imaginar que irá encontrar o amor em um sujeito que abusa de ti - e não se identificarem mas, de maneira geral, as revistas da Hakuensha e sobretudo da LaLa acabam fugindo um pouco disso. Tem uma coisa de reconhecimento de contraculturas que você não encontra em qualquer revista shoujo, aquele shout-out a coisas e estéticas populares em nichos. E talvez por isso eu sinta que valha mais a pena ler uma LaLa que uma Margaret até hoje. Nada contra Margaret, tenho até amigos que curtem mas açúcar não ressoa comigo. E, bem, adoro poder faer recomendações diversificadas.  

Por hoje era só isso! Espero que tenham gostado da postagem e que tenha elucidado algumas coisas. Aguardem nos próximos findis aí outras atualizações sobre revistas japonesas. Até a próxima!  : *  

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