domingo, 11 de março de 2018

Cosplay: Experiências com Cosplays

xD Outras garotas no banheiro passam batom no lábio eu passo batom no rosto kk xD  

Olá, pessoal! A postagem da vez é para falar um pouco sobre minhas experiências como cosplayer. Sim, eu já escrevi sobre fazer cosplays, sobre economizar dinheiro em cosplays, dicas e truques, sobre o quanto eu gosto do hobby e várias outras dicas para iniciantes. No entanto, o da vez é para conversar um pouco sobre experiências e afetos em relação à comunidade - coisas de vital importância, mas que nem sempre damos a devida atenção - e também um pouco sobre aprendizados que só consegui na prática, e que gostaria que servissem de atalhos para aqueles que estão começando no hobby agora. Então, espero que gostem e fiquem no aguardo de outros posts!

Como já comentei, eu comecei a querer ser cosplayer no começo dos anos 2000. Naquela época, o evento que bombava não era nem Anime Friends, nem Anime Dreams, muito menos Comic Con; era AnimeCon, onde pessoas usavam perucas ou de carnaval, de nylon, ou, se fosse riquíssimo, naturais; onde pessoas costuravam sozinhas ou em costureiras regulares, que não fazem ideia do que é um seifuku, e cosplay era pra poucos. E ainda assim já tinha a velha cosputaria mas prossigamos... 

Enfim, acabou que eu não era do seleto grupo de pessoas que podiam pagar por ou fazer um cosplay, e então minha fantasia (trocadilho não-intencional!) de fazer cosplay de Sailor ficou para 2016. Meu primeiro cosplay foi em 2010, quando fiz um cosplay literalmente de armário da Minako, vulgo protagonista de Persona 3 Portable, com grande auxílio da minha mãe que costurou o que podia. Era um casaco de couro com fitas grudadas e uma sainha preta aleatória, sapatos caríssimos (bem, quando 50 reais era caríssimo para uma estudante de ensino médio padrão) que ainda possuo, meias de esportista que demorei décadas até achar e meu próprio cabelo preso e com grampos de cabelo pintados a mão. Estava péssimo, absolutamente ninguém reconheceu, mas fui feliz.


No mesmo evento, havia uma garota aparentemente um pouco mais velha vestida de Miku dançando em um Pump It Up, quando Pump ainda era legal. A garota chamava a atenção por sua roupa brilhosa ser super bonita e em algum momento eu provavelmente pensei - estou feliz, mas estaria ainda mais se meu cosplay fosse que nem o dela e eu agisse tão in-character quanto ela. E foi provavelmente aí que comecei a pensar nos cosplays que viria a fazer como criações que podem e devem sempre ser aperfeiçoadas, não por competição, mas por causarem impressões estéticas que grudam às pessoas que apreciam. Uma boa apresentação do seu personagem favorito gruda na cabeça tanto quanto uma boa música ou quadro, e animam nos momentos difíceis. E tem pouca coisa tão gratificante quanto fazer uma homenagem a um personagem ou autor que gosta, e também ter a felicidade de tocar outras pessoas com ela! E aí está para mim o ponto-chave do cosplay: Esteja feliz!

É por essas e outras que eu pessoalmente considero cosplay uma expressão artística perfeitamente válida, e que deveria ser respeitada. É por essas também que eu tenho pouco respeito por gente que usa cosplay de maneira a exibir o corpo, se sobressair sobre o coleguinha ou qualquer outro motivo torpe. Respeita o hobby!

Vamos agora a minha historia. Eu já falei que tenho uma história longa com cosplay que começou com amigas cosplayers, e que meu primeiro cosplay foi um cosplay da Minako.  Depois de algum tempo passado o cosplay da Minako consegui aprender a costurar e aí veio o segundo, costurado em 2014: Rei Ayanami, Evangelion. Eu demorei um pouco até vesti-lá mas o uniforme feminino de Evangelion costurado com um trapo de roupa de cama - admito sim - foi uma das peças de cosplay que eu fiz com maior esmero de todas, passei semanas calculando direitinho e especialmente porque o trapo era pequeno e quase não daria o que desafiou minha expertise de total iniciante mas valeu muito a pena. Comprei uma polo bonitinha e quase um ano depois estreei-o. Eu entrei efetivamente no meio porque tinha uma máquina de costura e panos em casa, e eu não conseguia me concentrar em coisas lógicas e passava muito mal sempre em determinada época da minha vivência. Cosplay foi arteterapia, mas também carreira conquanto vendi um ou outro artigo de cosplay e também paixão e expressão.

Depois vieram alguns cosplays de armário como May de Ghost Suburb [resenha], Nico Yazawa de Love Live! [comentários], Nana Ozaki de NANA e logo o cosplay de Touko que ja postei. Eu não sabia comprar coisas e paguei 20 reais em um boné branco em um momento de desistência. Nadinha foi costurado, totalmente colado. Super basicão, roupas modificadas e sapatos pintados ... mas já usei uma wig e modifiquei peças então beleza.

Depois o de Kumiko Oumae [resenha de Hibike! Euphonium] que já comentei nesses cantos que foi o terceiro "oficial". Comprei tricoline e me pus a fazer o primeiro seifuku  sobre uma base de blusa de algodão e depois de ver tutoriais gravados. Ficou maravilhoso? Não, mas eu aprendi a fazer golas e saias de colegial em um tecido muito bom o que me ajudou para sempre. Foi um pote de tinta de tecido branca, a pintura ficou tão questionável que agora só uso fitas e não recomendo a ninguém ir sem peruca... mas foi, e Tuba-kun ficou bonitinho. ♡

Daí vieram outros, como o de Hanayo de Love Live, feito em uma semana de "adoro LLSIF, por que não?" bem na véspera do evento, que foi uma semana de ensaios de dança ridícula contínuo (gente... eu danço muito... mal) ; Mikoto Yutaka muitíssimo mal costurado por mãos inabilidosas que queriam simultaneamente praticar costura de cosplay e lolita e não deu nem um nem outro ; Mirai Kuriyama que acabou evoluindo de "cosplay péssimo feito de retalhos" ao que eu considero um dos melhores que já fiz e assim vai. Cosplay é imprevisível. Mas gratificante.  

O primeiro cosplay dos sonhos que tentei costurar então foi o de Rahzel Anadis. Realmente dos sonhos, era meu sonho de adolescência e eu ficava fantasiando com o quanto não podia ser tão difícil costurar a mão um top amarelinho e um vestido branco daquela forma... mas eu não sabia costurar ao contrário da personagem, e carreguei aquela minha fantasia (metafórica, trocadilho acidental!) por quase uma década até fazer o cosplay no Anime Friends de 2016. Eu já falei sobre ele, mostrei o processo. Fiz muito cautelosamente e mesmo assim não ficou maravilhoso, mas por ter feito com restos de panos que tinha aí achei até muito bom e com certeza quero fazer uma versão diferente da Rahzel no futuro.

Depois veio o segundo cosplay que esteve nos sonhos por anos antes de eu conseguir faze-lo: Ema Skye de Ace Attorney. É um cosplay fácil mas com muitas peças, sendo que algumas teriam modificações e outras foram totalmente costuradas. E então eu resolvi que ia tentar costurar o máximo possível, e assim foi. Foi o segundo melhor que já fiz na minha opinião pessoal, mas infelizmente eu perdi o prendedor de cabelo no dia de vesti-lo no Anime Friends 2017. Por outro lado, eu acabei achando um elástico lá e sinto que não mandei tão mal no desfile graças a ele! Eu optei também por colar fitas nas meias ao invés de pintar, o que foi deliberado porque queria utilizá-las em outros cosplays, mas menos deliberado foram os objetos vazando e sujando tudo, ou os bottons bem pobrezinhos. Bem, foi o possível, né? Mas quero vestir novamente e dessa vez fazer bem feito.  

Antes dele até, porém, eu estreei o de Chie Satonaka de Persona 4; um cosplay feito de última hora para duplinha com a Patty no Anime Friends 2016 mas que acabou não rolando infelizmente. Acabei vendendo o cosplay por precisar do dinheiro, mas principalmente porque ficou bem apressado e acabei fazendo bottons e sainha bem porcos. Moral dessa historia: ficou péssimo. Mas eu exijo muito de um cosplay dos sonhos!

Depois disso, comecei a trabalhar na Aerith que não terminei até agora. É um cosplay dos sonhos também, mas eu acabei fazendo uma versão as pressas para um evento de anime que mudou de dia, era gratuito, foi de última hora mesmo. Apesar de ter achado uma ideia boa e criativa a de colocar as flores em uma bolsa com aspecto de cesta, a maioria das coisas foram meros acidentes que deram errado e ainda preciso refazer com urgência.

A Utena também não foi tão bem feita assim. Na verdade, foi uma ideia um pouco de sopetão e eu sabia que precisaria me aperfeiçoar muito antes de conseguir faze-lo bem. A ideia inicial era comprar um usado mas não deu. Tentei fazer uma coisa parecida, mesmo que trash, e... deu naquilo. Bem. Bom. Eu me diverti fazendo a homenagem mas acabei dando-o porque achei o resultado bem feinho. Acabou sendo um bom aprendizado.

 Nesse ano eu acabei usando três cosplays: Sailor Neptune, Tamako e Trish. A Tamako foi uma ideia que tinha a ver com uma apresentação muito por achar a abertura uma fofura e acabou que não podia me apresentar sem um ajudante, e como não tenho amigos acabei então estreando em um desfile - em que ganhei até um prêmio ☆ - e passando adiante. Por fim, Sailor Neptune que já falei extensivamente sobre e Trish que foi também de brincadeira. O da Trish deveria ter levado muito a sério mas acabou não rolando, porque cetim é super chato, mas a ideia era basicamente a de fazer um cosplay com brilho extra com o que tinha em casa, que incluía uma peruca de nylon brilhoso e bem adequada. Passei glitter nas asas e até na maquiagem. Ficou bonitinha, não fossem os sapatos arrebentando assim que entrei no evento o que me rendeu boa conversa com as serventes locais e até conheci uma staff super legal e ficamos cantando.

Cosplay, para mim, se resume nas histórias ótimas e diversão. Não sou de competir mesmo, apesar de gostar de me apresentar vez ou outra quando tenho tempo de preparar uma apresentação, mas para mim competição nenhuma, likes ou lucro de prints de biquini dizendo que é versão praia de ciclano (sério, só parem) compensam a história e diversões que o hobby me proporciona. Então, esse foi o meu manifesto em que eu explico por que eu gosto muito de cosplay mesmo não tendo interesse algum em treta, competição e cosputaria. Tem muitas coisas muito legais e eu espero que vocês possam deixar aí nos comentários algumas breves histórias!

E é por essas que eu escrevo também essas coisas que são até um pouco pessoais demais e eu não gosto de trazer a pegada de diário e relatos no meu blog mas eu creio ser importante ter relatos de pessoas que tem a paixão por cosplay, e colocar que nós existimos - nós que fazemos cosplay por paixão por um hobby criativo, por zoeira inocente e não por competição e nem por algum valor estético falsamente percebido. Querendo ou não, cosplay é apenas cosplay e continuará sendo apenas cosplay, ainda que alguns se profissionalizem. E deveria ser respeitado assim.  

Obrigada por lerem, e até ~ *^_^*   

3 comentários:

  1. Lendo sua postagem lembrei de algumas situações da época que eu ia em eventos, o último que fui tem 5 anos.
    Assim que comecei a frequentar, por volta de 2008, eu ficava doido com os cosplays, achava incrível, mas os cosplayers sempre tinham um quê de arrogância, eu sempre percebi o olhar de "sou melhor do que você, você deveria pagar por eu tirar uma foto contigo".
    Os anos foram passando e eu continuei com essa mesma percepção, até que teve um evento que tinha um rapaz de cosplay de Ed, do Fullmetal, e estava muito bacana, tinha o automail do braço e tudo. Pedi para tirar foto, tiramos e, depois, fui perguntar para ele sobre o cosplay, como fez e tal. E ele foi super grosseiro comigo, praticamente me ignorou e foi embora.
    Outro caso que rolou foi na época que eu tinha vontade de fazer cosplay e tinha um casal que fazia cosplay que era colega meu de curso. Era colega deles antes de saber que eram cosplayers, quando descobri isso, conversamos sobre e eu perguntei se eles tinham costureira e onde era, porque eu já tinha procurado e não encontrei nenhuma. Eles disseram que tinha uma costureira, só que era longe. Eu disse que tudo bem, que não tinha problema com distância. Eles me enrolaram e não me deram o endereço. No outro dia, fiz a mesma pergunta, eles me enrolaram e não me contaram. No terceiro dia, mesma coisa. Foi aí que me toquei: eles não querem me dar o endereço. Como eram colegas, demorei pra chegar nessa conclusão. O único motivo que vejo para não terem me dado o contato da costureira é que eles queriam exclusividade e não queriam que ninguém soubesse quem fazia os cosplays.

    Resumindo minha experiência com cosplayers, que durou uns 5 anos, que foi o tempo que eu frequentei eventos: quase todos os cosplayers que eu conheci eram arrogantes, desagradáveis e escondiam com mil chaves tudo que envolvesse a confecção do cosplay.

    Perguntando muito na boa: a maioria dos cosplayers são assim? Se sim, por que isso acontece? Isso tudo foi falta de sorte minha, que só conheci os ruins?
    Mas acho meio difícil ser falta de sorte porque foram 5 anos de eventos, sendo que tinha uma frequência bem alta neles. Ah, todos os eventos foram no Rio de Janeiro.

    Como você está falando de cosplay de forma meio geral, achei válido fazer essa pergunta.

    Valeu o/

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  2. Oi, Muragami! Primeiramente, obrigada por sua visita e seu comentário! ♥

    Ó, na minha experiência, realmente tem muito cosplayer arrogante e é por essas que eu escrevo sobre cosplay com tanta frequência: porque eu quero que as pessoas entendam que cosplay é simplesmente uma diversão e que existem práticas lamentáveis no meio mas resta lamentar e não generalizar. O problema é geralmente a forma que a pessoa encara. Conheço gente que faz cosplay e se sente a última bolacha do pacote por receber ibope, sendo que o ibope na realidade é da personagem e não da pessoa. Quando muito, da costureira deles.

    O negócio é que cosplay é um hobby relativamente trabalhoso, então os cosplayers costumam ter uma mentalidade de "eu tive trabalho então vou valorizar meu trabalho ao máximo" que faz até um pouco da diversão se perder se for desmedido. Aí criam panelinhas, hierarquias inúteis e se distanciam da realidade. A pessoa às vezes se esconde por trás da fantasia, também, para descontar nos outros a forma com que sente ser tratada no cotidiano.

    Mas obviamente eu estou generalizando. Claro que também tem muita gente muito legal no meio. Como eu disse, gente que faz cosplay com família e amigos, que faz por homenagear personagens, ou desestressar de cotidianos estressantes, que participa de campanhas beneficentes - a coisa mais legal de fazer cosplay de desenho infantil ♥ - e que faz oficinas e transmitem aos outros a diversão que é fazer seu cosplay.

    Como qualquer coisa cosplay tem gente muito legal e gente muito tosca envolvida, resta reconhecer e se posicionar. Entender que é só uma diversão e que uma pessoa não é melhor que ninguém porque ganhou um concurso, e que o trabalho deverá ser recompensado com reconhecimento e não pisando em cima de outras pessoas. E que uma fantasia é só uma fantasia e não diz muito sobre a pessoa, que poderá fazer fantasias melhores ou piores no futuro, e que obviamente as pessoas também misturam muito nisso o fator dinheiro afinal cosplay tende a ser custoso ; ;

    Eu sou praticamente um ponto fora da curva no sentido de que gosto de a) fazer cosplays b) de personagens desconhecidos c) com materiais baratos d) sem me envolver na comunidade e) e nem competir, então eu acabo analisando e entendendo o seu ponto. Espero ter ajudado, e até ~ ♥

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  3. Fico feliz que você não tenha levado minha pergunta a mal ^^
    Muitas pessoas não gostam de receber críticas aos hobbys que praticam e acabam ficando com raiva de quem criticou.

    Na minha experiência foi uma sucessão de situações não agradáveis com cosplayers, até que chegou ao ápice com esse caso do cosplayer de Ed. Isso fez com que eu me afastasse dos cosplayers, depois desse caso, nunca mais fui falar ou tirar foto com eles.
    Não é nem questão de generalização, é que eu tomei uma patada, duas, três, até que cansei disso e resolvi não interagir mais com cosplayer. Uma sequência de situações ruins acabam por afastar as pessoas.
    É uma pena que isso aconteça porque acaba afastando as pessoas do hooby. Por exemplo, alguém que tenha vontade de fazer cosplay e vai conversar com algum cosplayer, se em diversas situações ela for mal recebida, tem grandes chances disso fazê-la desistir de entrar para esse universo.

    Obviamente existem exceções, como você, por exemplo. Já leio suas postagens tem um tempinho e você é sempre bem aberta a conversar e ajudar as pessoas.

    Ajudou sim, essa é uma pergunta que eu sempre quis fazer mas tinha medo de perguntar e alguém escrever meu nome no Death Note xD
    Valeu o/

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