quinta-feira, 23 de novembro de 2017

J-fashion: Gyaru - História, subestilos e opiniões


Finalmente eu me pus a escrever o tal post sobre Gyaru que prometi há muito tempo quando falei de Agejo. O que era pra ser um postzinho falando sobre como eu conheci gyaru e dando uma geralzona acabou virando um post enorme pra explicar de uma forma bem geral o que é Gyaru, porque eu senti que faltavam fontes com expertise e pouco viés na Internet brasileira em geral, e daí deu nisso aí. Se vocês gostarem, talvez depois eu escreva alguns outros individualizados sobre alguns dos meus subestilos favoritos. Por hora, espero que curtam a Gyaru Bible que eu escrevi! Talvez - provavelmente - você tenha menos de 18 anos se nunca ouviu falar em gyaru, porque é um estilo que teve seu auge no início dos anos 2000 - na época da Gwen Stefani Harajuku e anime de Super Gals! e tal - e depois praticamente su-miu. Ué, por quê? Vem ler o post que você descobre o que raios é gyaru, por que sumiu e várias outras coisas que vão te fazer querer aderir ao estilo!

Gostaria inclusive de observar antes de iniciar que eu realmente não seria a melhor pessoa no planeta para escrever a postagem porque a) não sou japonesa nem descendente, b) não tenho um entendimento firme de história e cultura japonesa além da cultura popular - admito! - e c) não sou gyaru. Com o aviso, quero deixar claro que o que fiz foi apenas traduzir alguns artigos e fazer algumas associações com o que eu conheço e gosto. É difícil também explicar as nuances porque o que parece perfeitamente normal na nossa sociedade - encurtar saias? Ué - é extremamente rebelde e desafiador em uma sociedade tão conservadora quanto a sociedade japonesa dos anos 70, como podem imaginar, e as pessoas que viviam esses estilos de vida eram completamente desviantes dos padrões da sociedade japonesa - talvez mais até, em certo sentido, que os criminosos. Dessa forma, eu tento apenas transmitir o que sei nesse post. Espero que ajude e sintam-se livres para me corrigir ali nos comentários - se você se considerar a melhor pessoa no mundo (ou ao menos no país, estado, sei lá) para falar sobre o assunto, por favor deixe um comentário me corrigindo e sinta-se livre para escrever um post. Eu até apago esse aqui ou linco o seu, sério. É uma história muito interessante e muito difícil de encontrar qualquer material sobre em português.

Uma última observação - Muitas informações foram tiradas de sites que infelizmente nem existem mais como o maravilhoso Galaxy 109 e outras foram tiradas da minha memória, então carecem de muitas fontes, mas garanto que são fidedignas e espero que essa série ajude quem está querendo conhecer sobre Gyaru e entrar nesse mundo maravilhoso agora ou mesmo quem quer expandir os conhecimentos acerca do estilo. Sejam bem vindos! Divirtam-se e vamos lá ~

Primeiramente, o que são as Gyaru? De tanto que o estilo caiu na boca do povo e na cultura popular japonesa, talvez seja fácil explicar com imagens do que tentando descrever; de uma forma bem leiga e resumida, Gyaru são as patricinhas japonesas. O equivalente japonês daquelas meninas com casacos de pêlo, esmalte brilhoso e cachorrinhos no colo, sem necessariamente tirar nenhum desses - a depender do sub-estilo - mas com uma história deveras interessante. Fãs de mangá e especialmente de shoujos lançados no Brasil talvez reconheçam o estilo de séries como Peach Girl, ou as séries Bijojuku, Bijinzaka e Galism da Mayumi Yokoyama. De resto, só o pessoal mesmo que curtia uma Ayumi Hamasaki ou uma Namie Amuro no começo dos anos 2000, provavelmente, ou ainda o pessoal que curtia Super Gals!, ou fãs de j-fashion e decoden e afins no Tumblr ou no Youtube. De qualquer forma, o estilo é super popular e apesar de ter passado por altos e baixos ao longo dos tempos continua extremamente reconhecível visualmente - longas unhas e cabelos tingidos, maquiagem pesadas, longos cílios postiços.


O que é Gyaru?

Gyaru (ギャル - palavra derivada do inglês gal; ao contrário do que muitos pensam, não de "girl" mas sim de uma marca de jeans chamada "gals"!) é um estilo de moda japonesa proeminente em distritos como Harajuku e - especialmente - Shibuya, de maneira similar a outros. A origem é bem peculiar - advem de uma marca de jeans americana chamada gals a qual tinha o slogan "Nao consigo viver sem homens", o que fez com que as garotas "baladeiras" e fas de moda e similares da época passassem a ser chamadas dessa maneira por algumas revistas de moda - pense em clubbers ou similares. De alguma forma, a giria acabou se modificando ao longo dos anos até passar a denominar grupos de garotas adolescentes que pareciam descompromissadas com os conceitos de feminilidade e tradições japonesas, ligadas em moda e rebeldes.
 
A história começou a mudar graças a revistas que começaram a utilizar o termo "gal" para se referirem a essas garotas baladeiras e "in" - uma delas, a própria Popteen, que por muito tempo foi uma referência na moda gyaru. Algumas outras eram a Gal's Life, Carrot Gals e Elle Girl. Tratavam-se de revistas para garotas mais "descoladas" e menos mimadas. Talvez daí então tenha surgido o conceito associado até hoje ao estilo gyaru: garotas que tentam ser descoladas e modernas, bem adaptadas às então novas realidades do Japão, sexualmente mais livres que a maioria das mulheres japonesas e rebeldes de um jeito feminino e ocidentalizado. Não são necessariamente yankis mas é um estilo mais delinquente do que tradicional, digamos - e muitos ícones gyaru incluso Ayumi Hamasaki admitiram ser yanki no passado. Ademais, como já comentei aqui no post sobre a história do estilo Lolita, nos anos 70 e especialmente começo dos anos 80, Harajuku era um grande centro de compras de roupas DC, ou "designer and character" - roupas com personalidade e estilos bem definidos, produzidas industrialmente e portanto mais baratas que as roupas manufaturadas de antes, mas ainda assim relativamente caras. No entanto, não eram essas roupas divulgadas em revistas e seguidas pela maioria das garotas as preferidas das garotas ricas delinquentes que são as protagonistas do estilo de que tratamos, mas sim as roupas de fast-fashion e sobretudo de marcas ocidentais vendidas em Shibuya, o "centro da juventude" - a verdadeira Augusta japonesa. Shibuya era um grande centro de compras nos anos 80, e também um grande centro de atividades para os jovens - baladas, por exemplo, frequentadas pelas "gals" que em geral eram garotas jovens no mercado de trabalho (OL, office ladies). Era também um local em que se vendia roupas de patricinhas ocidentais, com lojas de marcas americanas. Essas roupas eram preferidas por essas adolescentes japonesas de classe média, no lugar das roupas DC que queriam fazê-las "engolirem", da mesma forma que preferiam os relatos picantes das revistas mencionadas anteriormente às vidas maquiadas de uma olive ou Cancan.
 
O que conhecemos por gyaru, porém, tem origem em outra realidade: a realidade das kogyaru. "Ko" (), criança, ou literalmente miniaturas de gal. Quem cresceu em épocas em que baladas ainda eram populares conhece o tipo: meninas de 13 anos que se metem no meio das garotas do ensino médio ou mesmo faculdade, que adiantam algumas fases da vida por assim dizer em nome de serem "descoladas". Afinal, as tais "gals" ou como quer que fossem chamadas aquelas garotas tinham vidas particulares e não tinham a mesma tendência a formarem "cliques" nem a se juntarem para dar risadinhas com revistas que relatavam vidas sexuais - que elas já tinham normalmente - que garotas de ensino médio bastante tryhard. Elas queriam ser fofas e bonitinhas e atraírem homens - verdadeiras patricinhas - e por fim namorar os caras um pouco mais velhos, e começaram a formar uma tribo que se identificava por coisas verdadeiramente inofensivas - uso de pagers, saias encurtadas, meias folgadas, caretas nas fotografias ou até (*gasp!*) cabelos tingidos. Hardcore. Para as meninas, utilizar palavrões ou terem atitudes menos castas em relação a sexo - afinal, até falar de sexo naquela sociedade pegava mal para as mulheres - era pouco mais que uma reação às hipocrisias da sociedade japonesa, uma pequena diversão. Perfeitamente compreensível, se me perguntar, considerando a grande contradição entre marcas americanas invadindo o território japonês e uma cultura imutável em termos de desigualdade de gênero e hipocrisias em geral. Poucas coisas jogavam em favor das garotas jovens, e especialmente das garotas jovens mais pobres - e não a toa elas protagonizaram o próximo "segmento" de gyaru de que tratarei mais a frente. Por enquanto, vamos focar apenas nas kogyaru de classe média que queriam ser descoladas e diferentonas e bonitinhas tanto quanto 90% das adolescentes em todo o mundo industrializado desde 1900.

Acontece que elas tiveram sucesso, tanto sucesso no objetivo de serem bonitinhas e atraírem rapazes que os próprios homens mais velhos começaram a prestar atenção nessas garotas - e com prestar atenção eu quero dizer escrever artigos em revistas masculinas sobre o quanto essas garotas de ensino médio eram atraentes. Ao mesmo tempo, as pessoas e a mídia começavam a dizer coisas sobre o quanto essas garotas eram terrivelmente subversivas e abalavam a sociedade japonesa com seus palavrões, gírias, comportamentos ruins. Talvez a fina ironia dessa história seja justamente que revistas como a Popteen e outras que mencionei acima foram trucidadas por mostrarem explicitamente histórias de sexo, sendo que revistas masculinas faziam igual se não pior - mas foi justamente a Popteen que contornou a situação, manteve-se firme, e acabou se tornando um grande manual das kogyaru no começo dos anos 90. Um grande "parece que o jogo virou não é mesmo", um após outro, é o que realmente caracteriza as gyaru. Não é à toa que nos anos 90 elas eram "legaizonas" - elas eram espontâneas e adaptadas, naturalmente, ao novo lifestyle. Segundo relatos, na realidade a rebeldia das gyaru só passou a ser caracterizada como "rebeldia" quando a sociedade efetivamente passou a colocar barreiras e dizer, ei, elas estão ultrapassando. Para as jovens, o comportamento era relativamente normal - e não seria exagero dizer que as gyaru substituíram as yanki ao longo dos anos 90, sendo uma forma mais aceitável de rebeldia para a sociedade japonesa da época talvez por serem mais femininas e menos agressivas.

De qualquer forma, sobre homens, foi assim também que começou-se a associar o estilo gyaru com enjou kosai, e é por isso também que dependendo da fonte ou do veículo trarão informações e números muito diferentes a respeito da porcentagem de gyaru que realmente se prostituía, efetivamente, ou chegava às vias de fato em algum tipo de favor sexual - as gyarus maquiariam para menos, a mídia vasta, para mais. É claro que sendo sexualmente menos castas - e mais cientes da manipulação que ocorria na sociedade - elas se sentiriam mais confortáveis para ganhar dinheiro para suas roupas vendendo lingerie usada, trocando mensagens eróticas, ou outras coisas que livrassem seus próprios corpos. Por outro lado, há ainda a porcentagem de meninas que efetivamente trabalhava na indústria do sexo, de hostesses, passando por atrizes pornô, às garotas que praticavam enjou kosai. Eu realmente acredito que o mangá Super Gals! seja muito ilustrativo nesse sentido - as gyaru formavam essa espécie de tribo muito bem definida que tinha algumas regras implícitas de como ser "legal"; enquanto para algumas meninas um pouco melhores socioeconomicamente falando era mais uma questão de atitude rebelde, para outras - especialmente as mais pobres ou de lugares afastados e que ficavam sabendo das novidades de Tóquio através de revistas, e às vezes se mudavam idealizando uma vida... - teria a ver com as roupas ou as coisas que elas consumiam, por exemplo. Não é difícil imaginar que um pager seria muito mais acessível para uma garota que morava nas vizinhanças perto de Shibuya do que uma menina recém-chegada de subúrbios. Apesar de obviamente haverem as exceções à esse recorte de classe, a mudança do estilo de fato tinha muito a ver com essas diferenças sociais. Nesse sentido, eu pessoalmente imagino algo como NANA - lançado em 2000, aliás, uma época em que as gyaru começavam a sair de moda - sendo bem próximo da realidade vivida por muitas garotas daquela época, mas é chute.

Sucede que o estilo gyaru passou por essa mudança intensa no final dos anos 2000, por uma série de motivos - o principal sendo, claro, o fato de que as kogyaru estavam crescendo e a sociedade japonesa nunca foi de perdoar os desviantes depois de certa idade. As jovens legaizonas de Tóquio se tornavam qualquer coisa, de mulheres bem-sucedidas e casadas - especialmente as de classe mais elevada - a artistas a OLs a vendedoras de Shibuya 109 a trabalhadoras do sexo. Assim, uma nova geração de gyaru vinha - com essa admiração crua que temos de quem assiste de longe e não tem muita certeza do que se trata, mas tem algum conhecimento mínimo, e quer causar. Não só de Shibuya se faziam as novas gyaru - muitas eram realmente de locais mais afastados onde as revistas já chegavam, e elas vinham com a mentalidade de serem mais extremas que as "irmãzonas". Afinal, ser apenas rebelde não adiantava - era preciso chocar ainda mais. Foi aí que o gyaru se estabeleceu efetivamente como uma subcultura e, ao mesmo tempo, deixou de ser sobre "parecer bonitinha" e passou a ser sobre "parecer mais". O próprio machismo já citado da sociedade japonesa acaba formando uma sociedade bastante homosocial, no sentido de que as garotas não precisavam mais impressionar os homens. A questão para essa tribo, agora, é impressionar a elas mesmas e se divertirem entre si.

É por isso talvez que o estrangeiro médio não gosta tanto de ganguro, porque não faz nenhuma idéia da história por trás e só vê que não são tão bonitas assim. O valor, porém, não era ser bonito mas sim ser chocante. Por que chocante? Espero ter ajudado a esclarecer. As garotas que queriam parecer bonitinhas apenas já estavam ficando velhas, ou já estavam crescendo horrorizadas com a rebeldia das gyaru; claro que ainda existiam gyaru roots, mas a maioria das garotas que chegavam na subcultura eram garotas que já sabiam bem da sua má reputação e mesmo assim curtiam. Não é difícil entender então por que o ganguro levava ao extremo tudo aquilo que as gyaru faziam - fossem o cabelo tingido de uma cor clara e a pele bronzeada, as unhas postiças, a maquiagem, os cílios ou as roupas extravagantes, coloridas e ousadas, o intuito era realmente chocar. Chocou tanto, aliás, que chocou os próprios homens que popularizaram as gyaru em revistas antes de as próprias ganharem notoriedade por si. Talvez tenha sido o boicote dos homens que tenha feito essas "descendentes" das kogyaru desaparecerem tão rápido - há relatos de mulheres adultas, mas principalmente de homens adultos, que se horrorizaram com essas garotas extremas no lugar das garotas bonitinhas das revistas eróticas ou não. É claro que antes disso elas se tornaram populares e fizeram surgir uma série de outras variantes, dentre as quais as manba e romanba, yamanba, banba, kuronba e as tsuyome, com a pele mais escura, e as kuro gyaru mais proeminentes atualmente que são as Black Diamond.

Enfim, o que eu particularmente considero interessante para ser analisado a partir de um prisma sociológico a respeito das ganguro e outras gyaru com pele bronzeada são as associações inconscientemente racistas feitas. É claro que eu não tenho absolutamente nenhuma propriedade - porque além de não ser descendente de asiática eu sou branca, que ironia - mas os ocidentais costumam ver essas garotas por um prisma racial que a princípio elas não tinham em absoluto, mas como a própria rebeldia das primeiras gyaru foi surgindo imputada pela sociedade japonesa como um todo. Havia uma coisa um pouco inconsciente de ver essas garotas como as primas pobres das gyaru - um preconceito surgido da combinação da pele escura e da realidade mais difícil de muitas delas, que não eram de Shibuya. As garotas, por sua vez, quando muito eram fãs de Janet Jackson. Quando muito. Eu não vou me aprofundar, até porque sou mais do agejo que do ganguro como já cansei de falar, mas recomendo a leitura desse e outros artigos em inglês para entender. Mais interessante ainda, creio eu, seria alguém com mais propriedade vir falar sobre os estilos que imitam a "cultura black" americana - as b-gals e bibinbas, por exemplo - ou as rasuta gyaru que apropriam-se do visual rastafari, ou ainda as latinas j-chola. A própria Alisa Ueno já foi alvo de comentários por se apropriar de culturas latinas visualmente. Se for para problematizar modas, problematizemos não o ganguro que é uma estética de pele bronzeada mas sim essas modas que se apropriam daquilo que a mídia de outros países vende como cultura de "raça X" ou "raça Y" - ei, eu sou fã de Block B, eu sei que isso acontece muito. Enfim, uma discussão enorme para quem sabe outro dia. Voltemos!

Ainda no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 surgiram também os primeiros gyaru-o, ou homens gyaru. Em um raro exemplo de moda feminina que foi incorporada à população masculina e não o contrário, os gyaru-o adotam de certa forma um estilo próximo dos mauricinhos ocidentais. Eu não sei quase nada de gyaruo mas sei que o tipão foi popular em séries de anime e mangá naquela época, ao menos - alguns personagens que me vem à mente são o Jin Tendou de Tokimeki Memorial Girls' Side e , mas se puxarem pela memória com certeza se lembrarão de outros.

Com certa dissolução do gyaru na mídia após o declínio desses subestilos extremos, é seguro dizer que o que era chamado de gyaru foi incorporado à moda normal das japonesas jovens. Aquelas adolescentes que se vestiam de um jeito mais ocidentalizado, ousado e fast-fashion com alguns acessórios mais caros e estilosos tornaram-se praticamente a norma nos anos 2000. Atualmente, o termo "gyaru" é assim bastante usado para definir qualquer moda que incorpora esses traços gyaru mais notáveis - a maquiagem forte e feminina, os cílios e unhas postiços, os decoden etc. - em outros estilos mais heterogêneos. Amekaji (ou "estilo americano"), himegyaru/himekaji, onee gyaru, rokku gyaru - um tipão comum nos shows de visual kei - e mode gyaru são alguns estilos comuns atualmente, para não citar as marinheiras, as kigurumin, as ora-ora, as bohemian, as shiroi gyaru, as biker, as yanki, as oyaji gyaru, as haady - criadas pela Egg - e as psyche, entre outras. A moral da história é que atualmente virtualmente qualquer coisa pode se tornar gyaru, e claro, com o aval das revistas que estão cada vez mais "light" em seus estilos e que acabam criando e divulgando esses estilos como uma forma de manter a pequena chama da cultura gyaru ainda acesa. Interessadas em saber mais sobre os estilos, recomendo esse post do Exalando Purpurina. Há ainda os estilos que "descendem" de gyaru mas tomam certa existência própria como é o caso do próprio agejo que eu comentei anteriormente. Ademais, as gaijin gyaru também são uma modinha de nicho desde os anos 2000, e nos anos 2010 não tem sido diferente - e é adorável perceber que são as estrangeiras que mantemos em grande parte essa cultura ainda viva.

  Modelos e revistas

Não seria um exagero da minha parte dizer que Ayumi Hamasaki e Namie Amuro foram algumas das maiores ídolas das gyaru por um bom tempo. Especialmente a Amuro inspirou o uso de botas ridiculamente chamativas por algum tempo, e gerou todo um subestilo de gyaru chamadas "amura", enquanto acredito que a Ayu tenha muito a vez com as modas de decoden, himegyaru e afins. Deixei as modelos abaixo para terem uma ideia. No post, ainda coloquei imagens da Yumachi, Harutamu, Kaoru Watanabe e Aina Tanaka para os curiosos de plantão que querem ver essas modelos. No ocidente, gosto da Violet Le Beaux, da Lizzie Bee, da Burrito Princess e da Evilchocobunny, para não mencionar a controversa Dakota Rose.
Resultado de imagem para Oyajigyaru

Acima: Kumicky, Nana Suzuki, Tsubasa Masukawa, Kurumi e Nemo Yayo, algumas das modelos gyaru mais bem sucedidas.

Em termos de revistas as tradicionais Popteen é praticamente a única que sobreviveu às inumeras mudanças. A Ranzuki existia até outro dia, não sei se ainda existe; sei que a JELLY segue firme e forte com muito k-pop e afins. De resto, a Cawaii deixou de existir no Japão, mas a S Cawaii ainda existe. A Happie Nuts deixou de ser publicada ano passado, a Egg - pasmem - e a BLENDA e a I LOVE MAMA em 2014, a PopSister durou quase nada, igualmente Soul Sister, e eu não sei se a Ageha ainda está em publicação porque estava um "acaba não acaba" até pouco tempo. Moral da história: são tempos difícil para o mercado editorial de revistas de gyaru, por motivos óbvios. Se são tempos difíceis para o mercado de revistas em geral, imaginem as revistas de um estilo que deixou de ser legalzão em 2005.

Enfim, ainda aceito de bom grado.

Marcas de gyaru 

Gyaru na atualidade - e desde o surgimento na realidade, apesar de que o cenário mudou bastante na época dos estilos mais extremos, quando marcas deixaram de importar... - depende bastante de marcas para ser efetivamente gyaru. O curioso é que muitas marcas de gyaru são nada mais nada menos que marcas de conglomerado - Juge Etta, Liz Lisa e Tralala são da Vent International - sendo que vendem-se para gyarus de 28 a 13 anos, aproximadamente, seguindo a ordem - enquanto Runway Channel tem a EMODA, a Laguna Moon e a Murua - todas bem mode gal geralmente - entre várias outras, e me Jane, Mars e Princess Melody também são de um mesmo conglomerado. Todas as marcas citadas são em grande parte sinônimos de gyaru em seus diferentes subestilos.

Para citar então algumas das mais importantes - a cultura gyaru surgiu em grande parte com a Alba Rosa que era na realidade uma marca de "surfistas", à la moda californiana americana. Já em 1998 surgiu a Cocolulu, a crista da onda gyaru, para gyuarus - e deu certíssimo. Não à toa fala-se em Cocogyaru e Arubaka - são as gyaru que se definiam nos anos 90 por utilizarem apenas essas marcas.

Há ainda as marcas como Jesus Diamante, Chocomint e La Parfait que se voltam para himegyaru e também costumam ser associadas a lolita. La Parfait seria para Jesus Diamante o que Bodyline é para Angelic Pretty. Não é uma Brastemp mas... Outras populares que seguem o estilo kawaii mas também bateriam nas gyaru são Dreamv (antiga Yumetenbo), Ank Rouge e Swankiss. Eu pessoalmente gosto de todas essas marcas porque tem bastante relação com Larme kei, mas sei que também mencionam-nas em posts de gyaru. A própria Angelic Pretty chega a convergir um pouco com gyaru - ou chegava até 5 anos atrás.

Falando em estilos que eu gosto, além da óbvia MA*RS a Golds Infinity também é popular em agejo. Agejo também usa as marcas citadas acima mas tende a um pouco mais... sexy? Enfim, adoro, aprecio.

As rokku gyaru usavam brands como Vivienne Westwood e Ghost of Harlem até outro dia, sendo que esta já fechou. Sex pot Revenge provavelmente ainda existe, mas não me perguntem se ainda é relevante... vi muita gente que usa tutuha em termos de rokku. Falando em legaizonas, a Gilfy também deixou saudades. Era uma marca grande popular entre b-gal e estilos afins, aparentemente, mas fechou. Chutaria que porque o estilo ficou muito próximo da D.I.A. que é a marca de escolha das Black Diamond até onde sei.

Um outro estilo genérico que eu identifico é o das marcas maduras. Snidel, me Jane, Titty & Co e Lily Brown parecem ser populares, mas eu não saberia dizer porque é bem não a minha praia pessoalmente. Ainda nessa onda mais moderninha e adulta eu creio que CECIL Mc Bee sej de longe a marca popular da década, o que torna o rebrand dos últimos meses para se distanciar de gyaru ainda mais irônico, e sei que a EGOIST também é popular há bastante tempo mas sinceramente não entendo bem a marca - e acredito que grande parte disso seja porque EGOIST foi em uma onda de tentar ficar mais mode e menos original. Eu não conheci antes então não sei dizer sobre a marca.

Por fim há marcas como a Galaxxxy e a já encerrada JSG que seguiriam a linha Cocolulu - roupas mais coloridas e divertidas que combinam com alguns estilos como b-gal às vezes, nem sempre. Acredito que em termos de maquiagem as maracas sejam genéricas - Dolly Wink, há muito associada com gyaru, provavelmente também quer se desvincular. Compreensível. (Em nota, acabei de lembrar que tenho uma resenha em vídeo de maquiagens japonesas a fazer... Manda Ajuda Ft. Confere Lá

Enfim, levando em conta todas essas marcas é claro que ser gyaru não é a coisa mais fácil do universo, mas também longe de ser a mais difícil. Na realidade, a maioria das gaijin gyaru não são apegadas a marcas, o que faz com que seja muito mais fácil de entrar nesse universo - meio que basta ter bom gosto e conhecimentos do estilo, e com interesse, é possível achar peças até nas lojas de fast-fashion da sua cidade. Claro que alguns puristas preferem roupas de marcas japonesas e nesses casos sempre há as comunidades de Facebook, como Otome Sales, J-Fashion BR e J-Fashion Sales. Ainda é possível encontrar coisas em comunidades similares como a Lolita Sales, ou ainda no MercadoLivre, OLX, Enjoei e similares. Infelizmente não tenho conhecimentos para recomendar lojas brasileiras de importadoras ou costureiras focadas em gyaru, mas se conhecerem, favor comentar!

A moral da história que eu queria deixar é que gyaru é um estilo com muita história, nem sempre conhecida, e muito acessível. É um estilo muito mais de atitude que de possessões, e talvez por isso esteja em tão franco declínio. É seguro dizer que o que conhecemos por gyaru está se tornando um nicho similarmente ao visual kei e afins, mas é também seguro dizer que mudou a cultura pop japonesa quiçá para sempre. 

No próximo post eu pretendo falar um pouco mais sobre estilos que estão em alta atualmente no Japão, então por favor fiquem ligados e aguardem ansiosamente as novidades! Ou não tão novidades a essa altura, mas... (aceitem que sou uma senhora e para mim coisas do ano passado ainda são novidades!) Espero que tenham gostado desse! ^_- ~

Fontes:

  • http://neojaponisme.com/2012/02/28/the-history-of-the-gyaru-part-one/
  • http://universal-doll.com/2013/05/gyaru-university-japanese-gyaru-clothing-brands/
  • https://thetokyogirl.com/category/fashion-gyaru 
  • https://tokyogirlsupdate.com/tag/gyaru
  • https://medium.com/@TokyoFashion/japanese-street-fashion-10-things-you-need-to-know-in-2016-59221ab241ee
  •  http://www.hellodamage.com/top/2009/03/19/kogal-interview/
  • http://the-toast.net/2016/06/01/the-brush-off-a-look-at-gyaru-ganguro-and-manba/



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