quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Filme: Kimi no Na wa. - O hype se faz justificado


Olá, gente!

A resenha da vez vai ser em um esquema um pouco diferente. Eu - Chell - e Gus moramos em cidades diferentes e fomos assistir a Kimi no Na wa. no cinema nessas sessões especiais da Cinemark em nossas respectivas cidades. E então viemos escrever nossas resenhas assim de sopetão e bem nada-planejado, e acabou que cada um escreveu sua resenha sem ver a do outro e fizemos depois uma espécie de veredito final.

Para quem não está sabendo, a Cinemark está exibindo Kimi no Na wa em diversas cidades. Basta conferir na lista se sua cidade está lá. É uma oportunidade única de ver um filme de animação japonesa não-Ghibli em uma cidade para quem não mora em uma grande capital. Então, vem conferir as nossas impressões e ver se vale a pena ir assistir aí na sua cidade!


Resenha da Chell


 Eu escutei falar de Kimi no Na wa quando era 2016 e todos estavam falando do filme - especialmente aqueles que estavam no Japão ou nos Estados Unidos ou algum outro lugar em que ele estivesse sendo exibido. Que dizer? Makoto Shinkai e RADWIMPS, duas coisas que sempre considerei superestimadas - já falei sobre Kotonoha no Niwa [resenha] - e estavam sendo um pouco mais superestimadas que de costume, então deixei passar. "Quem sabe em 2025", pensei.

Nunca pensei que viraria fã.

Kimi no Na wa tem uma premissa simples, correto? Pessoas trocando de corpo não é nenhuma novidade em anime, de To LOVE-Ru a Kokoro Connect [resenha]. Viagens temporais? Na verdade, tão batidas que a temporada de Verão de 2016 - de Orange, Rewrite e Re:Life - tinha muita gente comentando no quanto o tema tinha ficado batido. Corrigir erros? Felizmente não é Full Metal Alchemi- ok, peguei pesado. Apesar da premissa pouco inovadora, e da expectativa de roteiro Shinkai ser uma porcaria (com respeito aos fãs mas roteiros de Shinkai e os amores não-correspondidos não me ganham), mas Genki Kawamura mudou uma coisinha e pronto: sucesso. De bilheteria, internacional, da crítica... determine um tipo de sucesso e Kimi no Na wa fez. É merecido?

Na minha opinião, é sim. Vamos começar falando do óbvio: a qualidade visual é a esperada. Algumas cenas são realmente maravilhosas; desde os sketches dos cenários passando pelos locais em si, como a cratera ou a representação de Tóquio e os enormes arranha-céus, mas especialmente as cenas de transição e de outros momentos especiais são lindas e não dClannad e Fate/Stay Night UBW, mas com a riqueza de detalhes e a fluidez de animação - e, bem, as cenas chuvosas - que só Shinkai consegue dirigir.
evem a animação alguma. Os jogos de luzes e brilhos lembram séries como

E a musical igualmente, aliás. RADWIMPS que eu conheço há uma década fez a trilha sonora e eu quase não acreditei que uma trilha j-pop animadinho! (tm) dessas poderia encaixar tão bem em um filme tão denso em sentimentos quanto Kimi no Na wa. Mas encaixa; a música-tema é uma melodia emocionada que faz juz aos sentimentos deles, enquanto é impossível não se arrepiar com a bucólica Sparkle depois de ver o filme, e pararia aí só porque não quero mencionar a maravilhosa Yumetourou ou a já consagrada Zenzenzense. Quero rever, choro.


Enfim, a apresentação passa bem. Mas não só de apresentação se faz qualquer filme; Kimi no Na wa não é diferente e não se sustentaria como um grande sucesso sem um roteiro digno. É aquilo: mesmo usando temas aparentemente batidos, uma história consegue ser incrível e quebrar barreiras se fizer aquele 1% que ninguém fez ainda. Mitsuha é uma sacerdotisa de uma cidade paradíssima que só queria ser um garoto bonito em Tóquio. (TMJ, amiga.) Taki é o tal garoto bon... ok, talvez não, talvez só um garoto relativamente normal em Tóquio. Ela costura e faz rituais em que sofre bullying de garotas modernas, enquanto ele trabalha super exaustivamente, tem um kataomoi por uma veterana do trabalho e joga basquete. Possivelmente uma dupla que não poderia ter vidas mais diferentes. E aí um passa a viver no corpo do outro de vez em quando.

Imagina que máximo. Eu se fosse um ikemen de Tóquio? Piraria. E é exatamente o que nossa sacerdotisa faz, e ela acaba agindo de uma maneira super feminina e que acaba cativando os amigos involuntariamente. Eu sinceramente me enxergo agindo exatamente como ela - não é todo dia que dá para se identificar com uma sacerdotisa, suponho. Com complexo de Kuma Miko [comentários], ela se encanta com a vida exuberante de Tóquio. E o rapaz, bem, se encanta com ter seios. Não, sério. Muito para o incômodo da irmãzinha dela, aliás.

 Tudo corre bem até começar a não correr, claro. É quando o rapaz percebe que ele teria feito uma coisa muito errada com um desfecho trágico - no melhor estilo Toki wo Kakeru Shoujo diga-se de passagem, outro clássico do cinema japonês - que ele começa a correr atrás de consertar as coisas. Ele procura um milagre e deixo no ar se ele consegue. Uma coisa acontece atrás da outra de maneira muito dinâmica e chega a ser confusa de tão rápida em um ou outro momento em que coisas se perdem principalmente na tradução, mas nunca incompreensível. A mudança de tom na metade do filme é bem vinda, sem jamais perder a característica slice-of-life deliciosa com os personagens realistas de vidas tão normais porém mágicas através da lente-Shinkai. Eu nunca pensei que diria isso, mas o dia chegou enfim. Shinkai se redimiu comigo aparentemente. Também nunca pensei que viveria para ver um sucessor espiritual de Toki wo Kakeru Shoujo na telona, mas o ano é 2017 e eu felizmente estou.

Eu tive o privilégio de assistir ao filme em uma tela enorme e uma sessão em que o pessoal foi muito respeitoso, apesar de uns berros eventuais, todos ficaram quietos e rolou até aplauso no final do filme. Então posso dizer que foi uma experiência simplesmente mágica que recomendo a todos.



Resenha do Gus

Eu já assisto os filmes do Makoto Shinkai já faz algum tempo e quase sempre termino suas obras com um gosto azedo, ele faz um ótimo trabalho como diretor, isso é fato, porém, suas histórias falham muito em se desenvolver, tanto pela repetida tentativa dele de usar os mesmos temas e também por não ser tão bom em finalizar suas histórias, todas com um tom de inacabadas, como se não soubesse o que fazer com elas, então ele só as deixa, falta um climax nelas, e foi por essa taxa de reprovação pessoal que eu demorei para assistir Kimi no Na Wa, então quando as sessões no Cinemark apareceram, bem, eu pensei: "Por que não?".

Kimi no Na Wa usa como premissa inicial uma "troca de corpos" não explicada, já é uma temática bem usada tanto em animes quanto em filmes mesmo de fora do Japão, então isso teria que ser bem utilizado para realmente justificar tamanha popularidade, e nossa, eu fui pego de surpresa totalmente. A premissa de troca de corpos é apenas um gancho para o resto do enredo, ele é sim o catalisador principal porém ele não é o foco, os personagens não precisam ficar o tempo todo: "Ah eu troquei - Troquei de novo", as mudanças são sutis e fáceis de entender, evitando o repetimento.

O roteiro usa de muitas licenças poéticas para seu enredo, deixando de lado algumas informações que poderiam muito bem causar problemas de roteiro, mas essa licença poética é tão sutil quanto sua direção, fazendo a audiência comprar a ideia facilmente, o que na minha opinião é o que o roteiro deve fazer, alguns furos ou estranhas coincidências não são problema quando são bem feitas, e nesse caso são muito bem feitas. Quando o filme estava perto do seu final o gosto azedo de final Shinkai já estava subindo, eu realmente estava esperando um daqueles finais abertos terríveis dele, porém não foi o que eu esperava, um final suficiente e bom, aberto porém completo da sua forma, não deixando aquele gosto azedo de história inacabada, mesmo que talvez não seja o final mais perfeito do mundo.

A direção de cena que o Shinkai fez dessa vez não foi muito diferente do padrão porém ele deu realmente um grande trabalho aos animadores, o simples ato de deslizar a câmera de um ponto que foca uma posição do personagem até um outro ponto que utiliza uma posição diferente do mesmo é realmente difícil de animar com consistência, afinal, entre uma posição em outra tem várias posições diferentes, o simples ato de fazer isso demanda bastante trabalho, esse tipo de animação fluída não acontece o tempo todo, mas acontece nos momentos certos.

Os cenários são típicos do Shinkai porém eles tem suas peculiaridades, não foram usadas tantas cores quanto é normalmente, isso dá um ar menos vívido mas mais realista, o uso das cores, mesmo mais discreto, ainda é importante para o ambiente, e o pouco uso de cores faz o cometa parecer uma grande aurora boreal, com ela de fato dando um toque de irrealidade, como se fosse um sonho, o que creio eu que era exatamente o que o Shinkai queria transmitir, um evento tão grandioso que parece sonho.
A trilha sonora é tão discreta quanto seus cenários, mostrando novamente a veia de editor de AMVs que o Shinkai tem, pois quando é para ter uma trilha sonora, ela precisa ser o foco, de certa forma dizer algo sobre o momento, com músicas vocais do grupo RADWIMPS com Kimi no Na Wa ao fundo, o que soa um tanto estranho, porém, soa mais como uma transição de mini-arcos que o filme apresenta, dando um toque sonoro emocional, o que é bom, porém, nada diferente do que ele já fazia como diretor anteriormente.

Enfim, Kimi no Na Wa é um ótimo filme em todos seus parâmetros, ele não é único em tudo mas em tudo que ele faz ele é excepcional, ele fica mais como uma ótima experiência para se passar, ele desperta vários sentimentos no seu decorrer, ele é leve e prende muito bem quem assiste com uma narrativa realmente interessante, faz muito bem o seu trabalho como entretenimento e como obra em si, sendo para mim de longe a melhor obra do Shinkai até agora, a mais prazerosa de assistir.



 Vereditos finais 

No final das contas nós gostamos de Kimi no Na wa apesar de termos birras passadas com a direção de Makoto Shinkai e sobretudo alguns clichês do diretor, desde os amores não-correspondidos até os finais abertos. O filme subverteu alguns clichês dele e acabou por despedaçar até as expectativas de quem pensava que sabia exatamente o que viria pela frente e não tinha nenhuma expectativa boa para o filme, no caso, nós.

Visualmente, a impressão de sonho é o que se destaca na apresentação. Em termos de som é inegável que as músicas ficam muito atreladas a "arcos" específicos do filme o que é legal para aqueles com boa memória auditiva - leia-se, vai pagar micão chorando sim. Concordamos que o filme é dinâmico e as reviravoltas ajudam, por mais que acabemos nos perdendo um pouco. Concordamos que valeu a entrada - por mais que pensássemos o contrário antes. Concordamos que queremos mais Makoto Shinkai assim. Palavras de alguém que não aguentou ficar acordada em Byousoku 5 CM, supostamente sua magnum opus prévia. 

Concordamos que você deveria estar assistindo Kimi no Na wa. Confira o horário e dia da sessão no Cinemark mais próximo, boa sorte. (Propaganda 100% gratuita, prometo.) 

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