quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Comentários: Inuyashiki [EP 1] - Ação, explosões e um cachorro latindo.



Inuyashiki é um mangá do mesmo autor de Gantz, não tem nem um décimo de sucesso que o mesmo porém, ainda é um mangá que tem seu destaque. Não faz muito que a Panini começou a publicar o mangá (que não é coincidência eles estarem lançando tão próximo do lançamento do anime), e desde então eu venho colecionando ele. Então como eu tenho certa base porém não tão adiantada, eu acho que é uma boa ideia falar sobre a animação proveniente dele, MAS, antes vamos discutir um pouco seus conceitos e história para termos uma base para comentarmos.

O mangá conta a história do velho senhor Inuyashiki, que parece muito mais velho do que realmente é, não tem um poder aquisitivo tão grande, é ignorado ou pressionado pela própria família e é constantemente desrespeitado. O protagonista da história em si já é bastante diferente do que costumamos ver, tanto que foi isso que me levou a comprar o mangá antes mesmo de saber que teria um anime, afinal, o autor de Gantz, por mais talentoso que seja, precisamos concordar que ele não é nenhum gênio da produção de mangás e é constantemente criticado por suas escolhas de enredo. O fato é que, o ponto catalisador do enredo desse mangá é a morte do senhor Inuyashiki, enquanto ele passeava com seu shiba ele sem querer foi morto por alienígenas, que remontaram ele com equipamentos bélicos apenas para disfarçar o vacilo. Logo Inuyashiki descobre que não é mais humano, e a primeira coisa que ele pensa é: Abandonar sua família por não ser mais um humano e não tem mais que sustentar eles (o que obviamente todos pensaríamos), mas, nosso protagonista com um forte senso de justiça e dever acaba salvando pessoas, e elas fazem ele se sentir humano novamente, e então ele vai salvando pessoas para satisfazer sua autoestima robótica.
Na contraparte temos um adolescente, que por acaso estava no mesmo local que o senhor Inuyashiki, e que por acaso virou também um androide perigoso, porém, como um adolescente imaturo com forte senso de "haha eu quero me divertir e fazer futilidades", ele se torna um perigo, e começa a causar problemas para se sentir humano novamente e agradar o seu ego eletrônico. Então basicamente estamos trabalhando com dois lados da mesma finalidade, e é óbvio que isso irá resultar em intensas lutas entre robôs altamente destrutivos.
E basicamente é esse o contexto inicial (e completo) do mangá, ele não é nenhuma história altamente profunda nem nada, ele está aqui para ser diferente, apenas isso, o que não é lá algo tão bom para a maioria das obras, mas nesse caso em especial funciona bem se você quiser entretenimento, e não profundidade (que é o erro que a maioria comete ao ler esse mangá).

O anime está sendo produzido pelo estúdio MAPPA, que no geral é um bom estúdio em questão técnica, e Inuyashiki em si tem dois diretores trabalhando em conjunto, Yabuta Shuuhei, tem bastante esperiência com CG3D, com destaque em Shingeki no Kyojin e Koutetsujou no Kanebari na posição de diretor de 3D, dois animes que são bem bonitos no geral, e o outro diretor é Keiichi Satou, que tem bastante experiência com direção de animação, com destaque em Gundam Unicorn na posição de diretor de animação, então ao meu ver eles meio que se complementam pelo menos na questão visual, e na questão de adaptação do original não deve ter muitos problemas considerando que Inuyashiki já é um mangá com história fechada e o seu maior destaque é exatamente a parte visual, a arte e sua ação, o resto agora é só esperar boas escolhas de corte e câmera, de forma que amarre o anime para ter um pacing legal. Mas esses são os comentários gerais, agora vamos para o primeiro episódio em si.

O anime começa direto pela abertura, e concordemos, que bela abertura, muito bem editada e a música combina bem com as sequências, ela segue um padrão parecido com alguns animes seinen mais recentes, como Parasyte e Tokyo Ghoul, então deve cair no gosto do pessoal que assistir o anime. Logo no começo temos uma cena do senhor Inuyashiki chegando em casa, e é um tanto estranha porque logo na primeira cena ele já aparece em CG 3D mesmo que não precisasse a utilização, porém, o CG é muito bonito, ele passa quase despercebido e só entrega sua presença porque a fluidez do 3D é totalmente diferente da animação 2D padrão, dando um sentimento inicial de estranheza porém ele não incomoda nem nada, é só essa frequente mudança de fluidez de animação que deixa um pouco estranho. O anime segue a história do mangá certinho, cortando alguns diálogos que eram realmente desnecessários pelo bem do pacing do anime, pouco antes da metade do episódio já temos o evento catalisador da obra e o início do mesmo de fato, engraçado que eles cortaram o quadro específico que ele fala "Já que eu não sou humano eu não preciso mais sustentar minha família", porque é de fato um quadro que chega a ser engraçado de tão bobão. Nessa exata cena o anime mostra o motivo do uso de tanto CG, as partes robóticas de Inuyashiki, no mangá são incrivelmente detalhadas e um tanto complexas, e o anime as representou muito bem com o CG, ficando realmente bonito e tudo mais, o que era que eu tinha mais medo que ficasse ruim, afinal, é uma das coisas que mais irá aparecer na animação daqui pra frente.

E agora vamos falar do ponto alto do anime nesse episódio, o ponto onde nosso velhinho resolve salvar um homem sendo ameaçado na rua, isso já mostra o quão impulsivos são os adolescentes dessa obra, com seu senso de justiça retorcido e meio perdido, é impossível não remeter isso ao filme Uma Noite de Crime, onde os adolescentes fazem algo bastante parecido com o que acontece, porém, o ponto alto é o visual nessa cena específica, em uma mistura homogênea perfeita entre direção e animação, o senso de profundidade dos mísseis atingindo o seu alvo é incrivelmente belo, e dá o toque necessário para prender alguém que gosta de boa ação, é como o ponto onde o anime mostra para o que veio: Ser uma grande ação com explosões e ficção científica, ou seja, um ótimo entretenimento.

E no fim, boa parte das coisas que eu citei sobre adaptação se mostraram verdades até agora, a direção não seria tão difícil tendo uma história de ação já terminada, então o trabalho mais pesado seria com a animação, e que tem se saído bem, o design é bonito e respeita o do mangá, deixando-o nos padrões para animar, claro. Será um bom anime se seguir essa fórmula e tudo indica que ele fará bem, ainda não foi anunciado o número de episódios que o anime terá, mas eu chuto que terá uns 11 episódios, considerando que no primeiro eles adaptaram o primeiro volume inteiro, e que o que vá se estender seja as batalhas mais densas da história, então nos resta acompanhar se essa qualidade toda irá se manter e se, em todo caso, a adaptação será bem feita, isso tudo enquanto eu leio o mangá na mesma velocidade.


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