segunda-feira, 12 de junho de 2017

Anime: Kyousougiga - Uma bagunça carismática



Cerca de dois anos atrás eu fiz uma postagem endeusando Kyousougiga, era um anime que eu gostava bastante desde o seu lançamento em 2013. Eu resolvi que eu deveria tentar de novo falar sobre ele com um pouco mais de propriedade, afinal, ele não é perfeito, mas na sua imperfeição ele fez uma história cativante como poucas.



O ano de 2013 foi um ano difícil para animações nipônicas, afinal, cada ano tinha um boom diferente, Steins;Gate em 2011, Sword Art Online em 2012, diversos animes populares e, até hoje, bem lembrados pelo público, e 2013 precisaria fazer uma dose de animes melhores ou no mínimo, tão bons quanto. E o que tivemos? Uma leva ridiculamente gigante de títulos super famosos, entre eles o próprio Shingeki no Kyojin, que é um dos últimos títulos a causar um boom mundial que cativou até os que não costumam acompanhar animes.
Um ano tão bom também traria seus pesares, algumas animações realmente boas acabaram ficando na sombra de títulos mais populares, e um deles foi a adaptação de TV de Kyousougiga, anime que andava devagar desde seu piloto em 2011, passando por alguns ONAs em 2012 até a chegada de 2013 onde a história finalmente teria sua apresentação e desenvolvimento.
Estando sob comando da grande, velha e um pouco ultrapassada, Toei Animation, Kyousougiga consiste de 10 episódios de história, um episódio recapitulando os ONAs (conhecido como episódio 0) um episódio recapitulando todos os 10 episódios (provavelmente pra encher a grade da televisão onde normalmente entraria um anime de 12/13 episódios), além de um episódio especial que é apenas um extra onde os dubladores dos personagens visitam as localidades que serviram de base para alguns cenários do anime (é interessante para quem se interessa em ver como esse tipo de produção funciona).
E dando seguimento, vamos para uma sinopse inicial da obra:
"Um bizarro mundo que é Tokyo e ao mesmo tempo não é, chamado de Tokyo do espelho, um mundo onde ninguém nasce e ninguém morre, apenas existe. Por muito tempo manteve sua rotina incomum, isso até a chegada de Koto, uma menina que colocou mudou os andares de Tokyo do espelho, assim como seus habitantes".





Sinceramente, eu odeio sinopses, ela nunca diz o que deveria dizer ou fala pouco demais, vamos começar aumentando um pouco isso. Koto aparece sem aviso nessa Tokyo do Espelho com um grande martelo colorido e seus dois irmãos. Antes da chegada dela, haviam habitantes eternos que não cresciam ou envelheciam, e portanto, não morriam. Essa grande metrópole bizarra tem como principais pilares o trio de irmãos igualmente bizarros:
Myoue é o aparentemente mais normal, usa roupa de sacerdote e vive no templo desse "mundo", ele vive tranquilamente cuidando do templo e namorando uma mulher que não envelhece, cresce, muda ou morre, uma união ironicamente estável. Após a chegada de Koto, começa a revelar um lado que facilmente se estressa, assim como o de uma pessoa comum. Briga constantemente com sua irmã.



Yase é uma menina de língua afiada, nascida da pintura de um demônio, e como tal, um demônio também. Muito ligada a sua mãe e incrivelmente forte. Na atual Tokyo do espelho é uma socialite que vive fazendo festas do chá (uma possível referência ao chapeleiro maluco).
Eu pessoalmente adoro os olhos dela.


Sua face quieta, paciente e gentil escondem sua verdadeira personalidade, Kurama, um tipo de mago sábio que manipula e controla todos através da sua fala calma, bola planos para manter todos sob controle e normalmente é quem aparta as brigas entre Myoue e Yase. Também coordena uma agência de inteligência que visa manter a normalidade na cidade (e com normalidade nós queremos dizer: "Impeça a Koto de destruir a cidade inteira").





E bem, falamos de três dos principais personagens, creio que seja válido falar da Alice dessa história, afinal, ela é o centro de tudo.

Koto é uma típica molecona, adora correr, adora pular, adora bater e adora aprontar. Destrói metade da Tokyo do espelho sempre que fica entediada e resolve brincar pela cidade. Veio à Tokyo do espelho para buscar um coelho, ninguém vê e ninguém sabe exatamente qual coelho é esse. Myoue acabou sendo o escolhido para "apadrinhar" a menina, dando a ela abrigo, comiga e sermão.
Além da protagonista e centro da bagunça, minha personagem favorita.


Esse é o momento em que começarei a falar sobre a história de verdade, não terá spoilers, mas desde já fica o aviso: Descarte tudo que sabe sobre tempo e espaço, esse enredo não usa nada disso em sua base e o que aconteceu ontem pode ter acontecido anos atrás e o que um dia viveu lá pode nunca ter vivido, e até mesmo uma pessoa pode não ser quem ela pensa ser, é confuso de fato, mas tudo se explica, talvez.

Vamos montar uma pequena timeline aqui que facilita as coisas:
O tempo do enredo pode ser dividido em 4 partes de timeline, sendo elas:
1 - Pré- Tokyo do espelho: é o começo de tudo, de como a "mãe" e o "pai", junto de seus "filhos", foram morar na Tokyo do espelho, um mundo criado pelo sacerdote do templo da Tokyo real, como o nome diz, um reflexo da Tokyo como conhecemos.
2 - Passado da Tokyo do espelho: A jornada de crescimento e convivência deles no novo mundo, e posteriormente, o adeus do "pai" e "mãe", abandonando o trio de irmãos para comandar a Tokyo do espelho e terem uma vida pacífica.

3 - O presente da Tokyo do espelho: É o tempo no qual o anime se passa e o seu enredo se desenvolve.

4 - Só deus sabe que timeline é essa: É o tempo-espaço fora do mundo da Tokyo do Espelho, se passa ao mesmo tempo em que o trio de irmãos crescem já sem seu "pai" e "mãe" mas ao mesmo tempo não, nem eu entendo exatamente o que se passa nesse universo.

Lembrando que essa divisão não existe realmente e provavelmente é loucura da minha cabeça, mas é melhor pra explicar a história. O anime se desenrola de uma forma bastante confusa, a todo momento mesclando flashbacks da linha 2 ou da linha 4 quando se trata da Koto. O objetivo do trio sempre foi encontrar seus pais, enquanto Koto procura pelo coelho. Com o tempo o passado deles vai se desvendando e os seus futuros se emendando, criando conexões entre a procura de um e outro. Porém, é tudo de forma bem devagar, entre inteirações da Koto com o resto do elenco, como já dito, tudo gira em torno dela, a presença dela que faz as engrenagens andarem nesse mundo. Os flashbacks da Koto mostram seu tempo com um homem mascarado que ela chama de "Sensei", homem esse que ela deseja encontrar, e daqui pra frente é isso, toda a bagunça se mantém até perto do final, várias pontas soltas que se ligam apenas quando a timeline 1, 2 e 3 estiverem totalmente construídas. Então, depois de ter os acontecimentos interligados, temos o clímax. É uma forma bem crua de se analisar, mas é basicamente assim que a história corre, ela não é nada inovador ou diferente, é até bem comum, mas a forma como é feita é totalmente diferente, em nenhum momento é entregue o ouro mas em todos lugares há referências que só serão notadas depois de já saber o que virá a acontecer, é quase uma experiência diferente assistir o anime da primeira vez e assistir ele novamente em seguida. Mas claro, isso só vai funcionar se os personagens forem cativantes, e isso eles são e muito, é fácil gostar bastante de alguns deles, são personalidades não tão diferentes assim mas carismáticas, e com o desenvolver deles o espectador começa a se importar com o que acontece com eles. Porém, se quem assiste não chega a gostar dos personagens, a história cai por chão, afinal a mesma também não é nada que segure alguém o suficiente para mostrar o clímax, que de fato é o ponto importante e grandioso do enredo. Não vou dizer que todos personagens são bons, alguns são até sem graça demais, mas os que precisam ser desenvolvidos são desenvolvidos com um cuidado especial (exceto o Kurama, ele é um manipulador o tempo todo).
Outro ponto que ajuda a manter os olhos na tela prestando a atenção são os cenários belíssimos, todos eles uma releitura hiper colorida da Tokyo real, contraste esse que existe pois cada tela e linha de visão são pintadas separadamente como layers, e esse contorno dá um charme extra, como se fosse uma tela com as imagens coladas, e eu acho que dá um tom muito bonito para essas cenas de planos de fundo. E acrescentando, mesmo com esse tom totalmente colorido e saturado, dificilmente um personagem parece não pertencer ao seu plano de imagem, acontece bastante com o Myoue aliás pois de longe ele é o que tem o design menos colorido e anormal de toda animação, porém, quando ele tá em ambientes fechados e no próprio templo, já que são planos mais escuros e o personagem se acentua melhor.

A animação em si não é nada impressionante, segue um fluxo suficiente para uma boa cena, o anime não exige tanto das cenas onde há realmente grande movimentação, então ela faz bem o seu trabalho. 
A direção dos quadros e de posição de câmera são bem normais a maior parte do tempo, mas raramente (muito raramente) o diretor arrisca um ângulo mais perigoso, não são os melhores quadros mas dão uma diferenciada boa para os momentos mais parados.

A trilha sonora é um caso a parte, vezes boa, mas a maior parte do tempo só está lá como complemento, tanto que boa parte dela raramente é lembrada. A música de abertura, Koko cantada por Tamurapan, é um triste alegre (?), sobre procurar um lugar para pertencer, condizendo totalmente com a mensagem do anime que é basicamente a mesma. O encerramento é de uma banda que até hoje não emplaca nada chamada Teppan, a música em si é um j-rock bom até, nada impressionante mas agradável, o ponto forte dela é a introdução em guitarra que o anime adora usar nos ganchos para o próximo episódio, é uma técnica simples mas eficaz, eu pessoalmente gosto desse tipo de direção. 

Kyousougiga é sobre procurar coisas, ter objetivos, pertencer e evoluir. Nada parece fazer muito sentido mas as peças se ligam e em conjunto com o carisma dos personagens, um enredo (meio) conciso se forma, e com as pontas ligadas e personagens sendo importantes para o espectador, uma conclusão é apresentada finalizando o enredo com a resolução do que eles aprenderam até aqui (com aquele clímax que vai deixar todos aflitos, como já é de praxe). É um anime realmente gostoso de assistir, e mesmo com todos os problemas e confusões que ele faz, é bom, algo bom não precisa ser necessariamente impecável.

Novamente venho tagarelar aqui no final.
Eu creio que eu devia achar um modo de deixar claro desde o começo de que é eu escrevendo (?), sei que a dash do blogger mostra o autor que publicou porém, alguém realmente lê isso? Afinal, nem fica em forma de link como é o nome do blog, essas coisas de identidade são complicadas.

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