sábado, 11 de março de 2017

Filme: Kotonoha no Niwa - O jardim das palavras ou "pedofilia é crime"



Olá, galera!

Queria mostrar um pouco das minhas experiências com Kotonoha no Niwa, filme lançado em 2013 com apenas 43 minutos de duração, animado por CoMix Wave Films (Vozes de uma Estrela Distante, Kanojo to Kanojo no Neko, 5 centímetros por segundo) e dirigido por Makoto Shinkai (famosíssimo por todos os filmes supracitados, ok). Eu tinha o filme na minha Plan to Watch há 3 anos, até que descobri que tem na Netflix e resolvi curtir um dia (no Chromecast, aliás; pessoas com Crunchyroll Premium e Chromecast devem curtir bastante, percebi, inclusive). Agora, eu preciso falar uma coisa...

Ô pedância é Makoto Shinkai.

Pronto, te fiz abrir o post com a clickbait, certo? Desculpa, não era a minha intenção. Bom, até era. Eu realmente não engulo algumas coisas de Makoto Shinkai, e com algumas coisas eu quero dizer 90% das coisas. A animação bonita é legal... e é por aí mesmo.

Acontece que Makoto Shinkai faz geralmente filmes que falam sobre romance - e que são, preciso notar, extremamente românticos. O Japão é uma nação que acredita piamente no romance, e Makoto Shinkai é um típico sujeito japonês. Acontece que a mensagem do filme é simplesmente deprimente. Romance é deprimente. Prossigamos com comentários.

Takao - também referido por seu sobrenome, Akizuki - é um jovem estudante de colegial, 15 anos de idade, na flor da idade e bla. Yukino Yukari é uma mulher de 27 anos, cabeça formada e coisa e tal. Yukino e Takao sempre se sentam em um jardim de flores coberto nos dias de chuva; o jardim é bem tranquilo, e é assim que eles se conhecem - se refugiando em conturbados momentos chuvosos, uma grande metáfora. Ele faz sapatos; ela tem um problema ortopédico ou coisa parecida, talvez. E aí ela resolve puxar conversa com ele um dia: ela lê um livro e acreditava que ele ia reconhecê-la através do livro. O livro significava a profissão da mulher; não darei spoilers, mas bem resumidamente, o garoto não percebeu e começou a puxar assunto casual e distraidamente com uma inocência ~que dói~ que só um estudante de colegial teria. Ele faz sapatos, ambos conversam, e apesar da diferença de idade, da situação complicada e da imaturidade da mulher e dos problemas do rapaz, lentamente ambos vão se aproximando e encontrando paz e tranquilidade em suas vidas conturbadas.

Ah, que lindo. Poderia ser, até porque o jardim é visualmente maravilhoso (sério, definição de eyegasm o filme) e incrível, e o filme transmite uma paz sensacional. Em termos de emoções definitivamente me emocionou demais, ao contrário dos outros filmes de Makoto Shinkai que eu assisti.

Mas é aquilo que Kanon nos diz: Amor é sempre súbito e diarréia também o é.

Eu não vou dar spoilers pra quem quiser ver, mas se não, queira ler. De repente, o garoto diz que se apaixonou por ela. E ela, que tem planos, diz que não tem como correspondê-lo. Ela tem circunstâncias concretas que a fazem querer ir embora, ela achava que ele sabia que ela era a professora que trabalhava na escola dele mas foi afastada por ser "louca", - burnout efetivamente acontece demais no Japão, né - e ele evidentemente se sente ludibriado. E o que acontece então é que a história se transforma em um dramalhão com um final bastante inconclusivo.

O problema não é aí. O problema é que a história inteira é um build-up pra uma amizade, romance ou relacionamento que termina na conclusão de que talvez tenhamos errado em conversar afinal, e o meu grande problema com filmes do Shinkai é que eu sempre termino pensando "ok, e ai?". A solução me parece ser não conversar, o que não exatamente soluciona alguma coisa mas com certeza é conteúdo ótimo pra otaku se sentir contemplado. O filme poderia tirar conclusões ou discorrer sobre problemas no trabalho, família e vários problemas da sociedade japonesa e no mundo em geral que atravessam fortemente a narrativa, mas prefere se resumir em "aí ele ficou chateado e a culpada é ela, feijoada". Não entendam mal, achei um filme super sensível e interessante - diferentemente... dos outros do Shinkai - mas me deixa aquele gosto de "a solução é não ter solução" que me faz bocejar vagamente. E me lembrar por que eu efetivamente dormi quando assisti 5 Centimetros por Segundo.

O filme chega a ser problemático porque nunca discorre sobre as expectativas de bosta que um ou outro tem (ela achou que ele saberia, ele se apaixonou, sério?), nem os reais problemas (por exemplo, bullying e burnout) que fazem com que ambos só se sintam confortáveis na presença um do outro. Acaba ficando uma sensação de "eba, romance entre professor/aluno" que é uma síntese péssima pra um filme efetivamente tão interessante. Eu sei que filmes - sobretudo curtas - não precisam ter mensagens explícitas. Eu tirei conclusões. Pessoalmente, me fez refletir sobre ser madura, sobre não ser pedófila? Ok, felizmente eu não precisava dessa lição compromissos emocionais tácitos e tal, mas eu tenho 90% de certeza que o único sentimento que o filme procurou evocar era "deita de boa, Netflix and chill que é melhor que ver gente". É até deprimente.

Enfim, de resto... ótimo filme. Lindo. Visualmente, um êxtase. Delicioso pra ver em um dia solitário e pensar "podia piorar, eu podia ser a professora" ou "obrigada por morar no Brasil". Socialmente, um desserviço. Ok, eu até gostei, vai. Não é nem perto de um Kill la Kill de desserviço, mas eu confesso que não curti tanto quanto a maioria das pessoas. Desculpem-me, maioria. Em síntese: ótimo filme, 1/10. Ou, assistam mas não procurem se identificar com os personagens. Eba!

6 comentários:

  1. Yoooo chell o/

    Sabe, eu também não sou tão pilhada com os filmes dele... Okss, que eu assisti bem pouca coisa, mas tipo mesmo que 5 Centímetros por segundo tenha sido legal, tenha tido um romance que me agradou com uma baita vibe sofrência e tenha, por algum motivo eu não consegui me apegar aos personagens. Eu não sei explicar direito, mas achei eles tão... Sem gracinha!? Não que eu tenha desgostado de 5 centímetros por segundo, achei o filme bem bonito, mas não chega a ser um dos meus favoritos. É algo: ok, legal, bacaninha. E com Kotonoha no Niwa foi o mesmo, eu pensei que o filme iria para um lado, sei lá discutir sobre a diferença de idades dele, ou falar melhor sobre a situação no trabalho da professora, porque até onde eu lembro a barra tava meio pesada com ela e com os alunos, sei lá, fosse dar uma filosofadas sobre a vida e o significado dela, mas pelo que eu me lembro ele não chegou a fazer isso. Faz tempo que eu vi esse filme, mas pelo que eu me recordo ele descobre que ela era professora, fica na bad, mas aí acho que ele vai visitar ela no apartamento e rola uns papos e depois que ele sai a mulher corre atrás dele e pelo visto tudo se resolve '-' Sei lá, eu imaginava que rolaria mó treta, umas loucuras. Enfim, mas não que eu não goste dos filmes dele, acho que consegui aproveitá-los mais do que você, achei legal, muito belo, sensível, mas teve algo que não me fez ter aquele mega apego, não consegui ficar pilhada de verdade.

    Bem, agora foi lançado o Kimi no Na Wa, nesse eu confesso que fiquei super pilhada, e consegui me apegar muito aos personagens, achei eles mais vivos, enérgicos. O enredo tem um plot bem doido (bem, pelo menos eu não esperava por tais revelações), e o romance é muito bonitinho e sem feels exagerados. Mas, talvez essa minha empolgação toda seja apenas o meu lado shoujeira encantada com um romance kawaii-desu e personagens queridinhos :v

    Kiss

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    1. Oi, Hinata! o/ Obrigada por visitar *^_^*

      Que bom que você concorda, eu não consigo deixar de sentir a mesma coisa e uma amiga minha também, mas eu passei anos achando que eu era a chata diferentona que não curtia tanto o Shinkai. É morno... e é, exatamente o que eu disse, tinha muita coisa legal pra desenvolver e terminou no recalque. A professora que tinha uma situação tão complicada foi jogada pra escanteio e o garoto cresce adolescente-em-sofrência (tm), pra mim que não curto é tão... se eu quiser ver bosta acontecendo eu não preciso ver anime LOL. Mas concordo que são belos e é totalmente pessoal o que eu sinto.

      Ah, já assistiu?! Eu gostei do que eu li por aí mas ainda não baixei, parece bem interessante e agora que você falou bem quero assistir... não tinha me empolgado pelos motivos supracitados, grata por me pilhar pra ver LOL

      Enfim, super obrigada por sua visita e comentário (e desculpa se minha resposta parece pouco empolgada, eu tô um pouco esquisita q)! Até uma próxima (ノ◕ヮ◕)ノ*: ・゚✧

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  2. Falando sinceramente, eu gosto de sofrer depois de assistir alguma coisa, basicamente é o que move minha vida (já que 75% do tempo eu não faço nada de produtivo). Mas esse filme, puta merda, eu fiquei olhando a tela esperando brotar mais pelo menos uns 30 minutos de cenas. Por isso, eu só inventei um final na minha cabeça que resolve tudo e pra mim, ele é oficialissimo.
    Takao depois de uns 7 anos se vê trabalhando fazendo o que tanto queria, ele era um rapaz esforçado, então eu vejo ele no futuro, sem perder o amor por desenhar sapatos e sendo recompensado por isso. E a experiencia com a professora do antigo colégio não é algo exatamente recente em sua mente, mas ele não pode deixar de admitir que foi marcante, depois desses anos aceitou perfeitamente a "separação", e entendeu exatamente qual era o problema entre uma professora se relacionar com um aluno. Sim, ele poderia ter continuado apaixonado por todos aqueles anos, e um belo dia chuvoso ela-que também continuou apaixonada por ele- entra na loja e eles vivem um romance maravilhoso.
    Mas eu acho isso tão absurdamente clichê e fora de nexo, gosto de pensar que ele pode entender seus próprios sentimentos e aceitar que um grande apreço por alguém não é obrigatoriamente amor. Sou muito crente em amizades que surgem de forma inesperada e que te ajudam a se sentir melhor em relação à sua vida. Então, quando eles finalmente se veem novamente, estão felizes por verem como cada um conseguiu uma forma de seguir agradavelmente com a vida.

    Eu dei muita atenção a esse filme, porque quando eu tinha uns 15 anos o chefe da minha irmã mais velha resolveu que eu era a pessoa ideal pra ele casar, e eu adolescente idiota super carente, fui levada a crer que gostava dele, fui apoiada ainda pelos meus pais, que achavam que meu objetivo de vida era só casar. Eu saí disso sozinha(de um jeito super dramático), percebendo que não queria casar nova e nem com aquele cara que ficou dando em cima de uma menina 9 anos mais nova que ele. Foi uma coisa que me obrigou muito a sair da minha zona de conforto e tomar minhas próprias decisões. Me senti muito relacionada com o plot desse filme por causa disso, me sinto muito melhor pensando nenhum deles tomou uma decisão precipitada irreversível, mas sim que depois se descobriram como bons amigos.

    ps; eu cheguei a namorar de forma nao oficial quase um ano com esse cara e quando terminei com ele, uns dois meses depois ele começou a namorar minha vizinha da frente(que tinha a casa no mesmo lote) e depois de uns 3 meses eles casaram. Eu realmente me livrei de um cara que não estava interessado em mim e sim na ideia de casar.

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    1. Olá! Tudo certo?
      Eu entendo, realmente tinham muitas coisas que poderiam acontecer e não aconteceram, é decepcionante. Eu acredito que o seu final tem sentido mas sua visão de mundo é muito mais bonita, eu também penso que não havia necessidade nenhuma de colocar um romance. O momento forte de conexão deles teria muita graça se fosse tratado como um simples acontecimento sem interpretação na minha opinião. Mas eu sei que muita gente vai discordar de mim.

      Ah... sinceramente, pêsames. -o- Essas histórias de "casamentos por dotes" parecem sempre tão historicamente distantes, mas eu sempre encontro gente dizendo que passou e sofreu com essas coisas e me sinto mal porque eu geralmente não reconheço meu privilégio. Realmente, pensando por aí o enredo de Kotonoha no Niwa é até inspirador em termos de repensar algumas escolhas. No Japão não é tão diferente e tem tanto anime que endorsa esses relacionamentos, que chega a ser uma brisa de ar fresco, com todas as minhas ressalvas.

      Enfim, super obrigada mesmo por sua visita e seu comentário inspirador! Até a próxima! *^_^*

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  3. Eu demorei uma semana dessa vez desculpa eu tava ocupado perdendo minha vida com Metroid de novo eu não posso jogar aquilo.
    VIM DAR MUITO HATE PORQUE EU GOSTO DO MAKOTO SHINKAI mentira nem tanto assim mas eu curto Byousoku 5 Centimeter desculpa
    Enfim, Makoto Shinkai é aquela coisa, ele se esforça pra te fazer acreditar no amor sendo que nem ele mesmo acredita, chega a ser cômico, a visão dele de romance é tão simplista e novelista, parece que eu to lendo um livrinho de João e Maria onde o João se apaixona pela Bruxa mas na verdade a bruxa é homossexual futurista, algo do nível. Eu não tenho tanto problema com "ai meu deus vai forçar pedofilia/incesto de novo", mas sim que é um filme que começa legal e ele vira um nada (?), eu queria que tivesse uma amizade, CARA PODIA ACABAR SEM CLÍMAX NENHUM, tipo, eles descobrem que são professora aluna, ele faz sapatinhos show pra ela, ela tem uma vida melhor, eles são amiguinhos e se dão bem pra sempre, SEM ROMANCE, CORTA FORA O ROMANCE ELE TÁ DESNECESSÁRIO AÍ, e pode cortar o foot fetish do moleque também, só faltou ele colocar uma coroa no dedão e chamar de feeto-sama (okay, eu to forçando um pouco já, mas eu sou um pouco exagerado mesmo), mas enfim, ele pelo menos rendeu alguns papéis de paredes lindões, dá até gosto ficar olhando o desktop no meio da bagunça de ícones.
    VOU DAR MUITO HATE PORQUE EU GOSTO DE KILL LA KILL, ele é forçado, feio e cheio de idiotismo mas eu gosto é um entretenimento legal pra mim eu tenho a cabeça ruim desculpa destruir suas (zero) expectativas.
    Bom, totalmente fora de contexto porém eu acho que o Makoto deveria ficar com direção de arte só sabe, tem Kimi no Ni Wa pra vir ainda e ele tá cuspindo hype como um dragão cospe fogo, se ele não for a masterpiece do Makoto Shinkai eu aposento de vez a minha vida de ver romance, eu já não suporto shoujo de romance adolescente, agora um com poetismo forçado por trás de um enredo simples é triste também, até porque eu não sou nenhum acreditão do amor verdadeiro pois ele não existe e essa coisa de amor predestinado me dá no saco, mas é possível que eu esteja sendo cínico, de novo pra variar.

    Enfim, desculpa a demora novamente, Meus vícios sempre tomam conta de mim e eu só não esqueço de respirar porque se eu não respirar eu não jogo mais, okay, eu enrolo demais. Até a próxima postagem, isso se tu conseguir arranjar um tempo entre dormir e cantar karaokê uhasduhasd (Isso são risos eu estou fazendo uma piada finja que é engraçada e ria comigo pra não ficar cringe pro meu lado).


    Nippan -

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    1. Oi, Gu, muito obrigada por aparecer novamente por essas terras! Não precisa botar pressão não, mas eu adoro trocar uma ideia contigo então agradeço a dedicação *^_^* (Por exemplo, "Parece que eu to lendo um livrinho de João e Maria onde o João se apaixona pela Bruxa mas na verdade a bruxa é homossexual futurista". Eu admito que estou rindo com a sua criatividade. )
      Mas é, exatamente o que eu penso também. Pô, tanto caminho pra história seguir e segue o da sofrência ad eternum (tm). São essas as coisas que me irritam nos filmes do Shinkai: muito recalque de forever alonisse e poucos finais felizes.
      E eu sei que gosta, desculpa, eu detesto LOL mas tá ok, eu não julgo, Tenho Até Amigos Que Curtem etc.
      Não diria que não existe amor verdadeiro ou predestinado mas penso que não é pra todos e pra mim com certeza não, então me dá nos culhões esses filmes sentimentalóides (╯°□°)╯︵ ┻━┻ Mas na verdade eu adoro alguns filmes de romance (Toki wo Kakeru Shoujo me vem à mente e por que não Tamako Love Story, etc), meu negócio é com a visão particular do Shinkai mesmo. Se pah "não quero ver sofrência em anime bonito se fosse pra ver sofrência eu ia viver" é minha opinião. LOL
      Enfim, relaxa! E PÔ, FALANDO ASSIM PARECE QUE EU SÓ CANTO E DURMO, mal sabem que eu também jog-- enfim. (Tá, zoeira) Geralmente não consigo mas eu vou tentar aparecer mais vezes em Março! Enfim, super obrigada por visitar e posta no teu também pra eu comentar lá! (ノ◕ヮ◕)ノ*: ・゚✧

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