quinta-feira, 30 de março de 2017

Anime: Aoi Hana - "Seus sentimentos não são apenas coisas que podem ser desligadas quando quiser."


Vamos falar de Aoi Hana. É um anime da temporada de verão de 2009 que, pasmem, eu queria ver naquela época; mas eu acabei vendo o "concorrente" Sasameki Koto, outro GL do ano de 2009 mas com um tom bastante diferente - enquanto os fãs de histórias sentimentais e maduras preferiram Aoi Hana, os fãs de comédias românticas leves preferiam Sasameki Koto, - e deixei passar. Anos se passaram até que eu pudesse assistir Aoi Hana. Finalmente! E aí, o que eu achei dessa série no fim das contas? Em uma palavra: Maravilhosa, e outras: delicada e sensível.

A série animada pelo estúdio J.C. Staff (Flying Witch [resenha], Kaichou wa Maid-sama, Bakuman) e adaptada do mangá da autora Shimura Takako (de Hourou Musuko, também designer de personagens de Aldnoah Zero e Battery, entre outros - saque o naipe) começa contando a história de duas meninas que vivem suas vidas em paralelo e aparentemente não se conhecem. Uma delas é Fumi Manjoume, uma garota de cabelos negros que gosta de ler e de mergulhar no mundo da fantasia e etc., - bem yamato nadeshiko, semelhante ao que eu comentei na minha postagem prévia sobre yuri e garotas "lésbicas na adolescência" no Japão - e a outra é a Aachan, vulgo Akira Okudaira, uma garota com uma família amável e um irmão com um complexo de oniichan terrível de verdade. Enfim, essas garotas estudam em colégios diferentes e eventualmente se conhecem; acabam concordando em ir juntas à escola e descobrem que estudaram juntas no passado quando as mães delas se encontram e tal. É assim que as amigas delas nesses colégios também se conhecem e todos se conhecem e são felizes, eba! ...


Só que nem um pouco. Na verdade, a Fumi já estava sofrendo por uma paixão não-correspondida por uma mulher mais velha, do que a Aachan não sabia. A mãe da Fumi não entende por que a filha tem sofrido tanto depois do casamento da amiga, a Fumi fica de coração partido e chorosa no seu momento eu me apaixonei pela pessoa errada, e assim começam as aventuras amorosas e sentimentais de Aoi Hana: Fumi acaba se encantando por uma menina da escola de Aachan, e situações complicadas se desenrolam, porque a menina também tem problemas. Em conclusão, todos tem problemas wow wow, que realista né  e muito drama acontece também.

Mas a parte boa do anime não é simplesmente acontecerem coisas chatas, claro. A parte incrível é que os dramas que se desenrolam são tratados com uma pureza de sentimentos verdadeiros tão linda e incrível que deixa não só muito yuri mas também muito anime em geral no chinelo. O ar da série é todo um ar de Hibike! Euphonium [resenha] ou ainda MariMite, "bom tédio", academia feminina japonesa - que aliás parecem ser a coisa mais entediante e "nada acontece" de um jeito bom, do mundo inteiro, se a gente for acreditar em anime - mas ao mesmo tempo as turbulências emocionais das personagens são intensas e bastante realistas pra garotas adolescentes procurando descobrir quem são e o que desejam. Uma se apaixona por um professor e sofre por conta da diferença de idade, e também por não conseguir se conectar com outras pessoas por ser rica e perfeitinha; a outra se apaixona pelo irmão da amiga, e demonstra coragem ao se declarar, e assim vai.

Assim, a caracterização é mesmo a parte importante de Aoi Hana. Aoi Hana é um anime que tem por ponto forte a caracterização consistente de meninas que estão simplesmente existindo com outras meninas e tentando entender o que fazer; nesse sentido, é delicioso de assistir se você é mulher, lésbica ou não, e precisa daquele up de "sentimentos são importantes", porque algumas vezes é difícil organizar sentimentos e ideias. Uma história artisticamente sensível tem a capacidade de mostrar caminhos criativos e explicar os sentimentos através da identificação, e Aoi Hana é esse estilo de história com capacidade de evocar sensibilidades adormecidas.

Ademais, a apresentação de Aoi Hana é muito delicada. A arte se utiliza de tons pasteis - reminiscentes de um Hourou Musuko, Honey and Clover ou mesmo Isshuukan Friends. [resenha] - que fazem juz à estética delicada do resto da série. As músicas de abertura e encerramento também são super delicadas e até melancólicas, e o design das personagens é tão importante quanto a caracterização em si. A trilha sonora também é agradável e a apresentação em geral faz questão de parecer muito sensível - porque é. Algumas cenas de simbolismos e paralelos são incríveis e tocantes, e algumas imagens são bem marcantes (exemplificando, as pinturas da personagem Kyouko, as protagonistas gentilmente dando as mãos, as 3 meninas que se divertem com a Fumi e tem aparências bem distintas, a biblioteca, as flores azuis do título e etc.) - outra coisa bem típica do yuri e do josei.

Enfim, sem dar spoilers é difícil falar de Aoi Hana exatamente por ser uma história que se baseaia na sensibilidade e nos sentimentos. Mas mesmo dando spoilers é difícil explicar com palavras a ternura que é obrigatoriamente sentida; a adaptação animada certamente fez grande honra ao mangá, e os movimentos lentos ao som das músicas doces são experiências estéticas incríveis. Eu assisti Aoi Hana sem perceber o tempo passar e sem nenhuma vontade de dormir apesar da falta de eventos passíveis de descrição, e quando terminou fiquei com gostinho de quero mais, porque parecia que as coisas estavam só começando.
É um pouco reminiscente de Suki-tte ii na yo. [resenha], no sentido de que tem vários personagens com histórias e sentimentos profundos que existem paralelamente, e encontrando um ao outro os acontecimentos levam os sentimentos a se desenvolverem e culminar em fatos. A pessoa que curte sentimentos profundos e caracterização consistente certamente vai gostar da experiência de acompanhar os personagens de Aoi Hana, mas ao mesmo tempo a falta de eventos é incrível. Não tem muita coisa acontecendo; no anime inteiro, acontecem um musical, uma viagem e um casamento, e é por aí apenas. O que acontece efetivamente são sentimentos e relacionamentos enrolados. Se não for o seu negócio, nem pense em assistir Aoi Hana. Se for, vá em frente e não irá se arrepender.

2 comentários:

  1. Faz tempo que não vejo uma boa postagem. Assistirei o anime. É triste que há poucos Yuris em animes e a gente tem que recorrer a mangás ou até novels mesmo.

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    1. Olá, Josie! Eu recomendo mesmo. Realmente, não tem; e parece que tem cada vez menos, porque yuri tem virado muito fanservice e especialmente pra homens. É estranho pensar nisso mas é bizarro o quanto tinhamos mais yuri (e BL, também...) em 2000s ou até 90s do que atualmente.
      Enfim, obrigada por sua visita e seu comentário! Até a próxima! *^_^*

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