quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Handa-kun 11 e 12 [final] - Não É Minha Culpa Que Eu Sou Super Popular


Ok, demoramos, demoramos bastante. Eu não negarei, tá? Era pra eu ter postado isso há uns 5 meses, especialmente porque eu queria muito comentar esses episódios assim que assisti, mas não estava com ânimo ou tempo para assistir novamente os anteriores e escrever sobre, e os comentários ficaram guardados.

Handa-kun terminou. E não, não foi tão incrível quanto um Barakamon [resenha], e nem tão ruim quanto os fãs de Barakamon pregam a bem da verdade. Como série de comédia shounen, foi mediana ou até boa. Mas os últimos episódios em especial foram excelentes, e eu acabei reconsiderando a série inteira e... não é que foi até bem divertido? Eu recomendo e espero que vocês também curtam a série!

O episodio 11 de Handa-kun trouxe-nos o já tradicionalíssimo Festival Cultural, que acontece em escolas japonesas (e algumas brasileiras...) e fez parte de muitas séries de Ouran Host Club a Hyouka [resenha], mas é claro que na escola Hai ele não é tão tradicional e simples quanto estamos acostumados. O episódio começa com a Tennouji - a presidente bizarra do episódio 5 - falando sobre o Festival Cultural, que é o evento mais importante do ano escolar e blabla, e que ela elegeu que nesse ano o festival terá o nome de Festival... Seishuu. Sim, o sobrenome de Handa, porque ele merece a homenagem segundo ela.

Sabendo das notícias, Aizawa naturalmente faz o seu pronunciamento, dizendo que a classe do Handa precisa obviamente vencer a competição de melhor atração do Festival Cultural. E então vamos à clássica cena das sugestões de cada aluno a respeito do que devem fazer para o festival. Reo crê que deveriam fazer um maid cafe simplesmente porque ele deseja se vestir de Julieta porque é lindo; Tsutsui vota por um originalíssimo fight cafe; e Yukio, por uma casa mal assombrada. É claro que Handa só queria saber mesmo de fugir, mas a classe acaba decidindo dar o poder de escolha ao representante, vulgo ele próprio. O dilema do Handa é que nenhuma das 3 opções na lousa o agrada - Romeu e Julieta não porque não sabe atuar, Maid Cafe não porque ele crê que ninguém quer vê-lo vestido de mulher (HAHAHA, sabe de nada, inocente) e Casa Mal Assombrada não porque é o Handa. Então há uma quarta opção que Aizawa colocou: caligrafia. Ele evidentemente queria escolher caligrafia mas seria muito óbvio, então é claro que Aizawa queria mesmo era encurralá-lo e fazer todos criticarem-no por preferir caligrafia.

É aí que o recém-descoberto salvador Yukio, vendo-o em apuros, ativa o seu instinto protetor falho e diz: "você gosta de musicais, né?". Pressionado, Handa acaba dizendo que quer o maid café - e claro que todos piram porque ele vai se vestir de mulher, e então ele sai correndo porque todos são loucos. Stay Handa. Longe de todos, ele começa a pensar no seu dilema. Escolher o óbvio ou não? Enquanto ele reflete, Tennouji chega dizendo que está com problemas - com um penteado bizarro de gueixa que ela crê ser atraente para o calígrafo Handa mas que só o faz pensar continuamente "que raios...?", mas enfim. Ela diz que queria que ele se encarregasse da caligrafia do festival, se transforma em fã deredere louca, e Handa aceita dar um autógrafo para a maluca que o inspirou. Enquanto ela sai correndo e rindo maniacamente (é hilário, sério) ele volta correndo para a classe com sua ideia fascinante! ... E encontra a lousa com caligrafia riscada; Aizawa diz que para evitar dúvidas, excluíram caligrafia - afinal, não queriam dar trabalho extra ao grandioso Handa! - e misturaram as outras opções, e assim o Handa participaria de um maid café de terror com atuação. Fantástico, exceto para Handa que tem absoluta certeza de que só querem ferrar com ele. Handa vai se encontrar com Kawafuji na saída do colégio, e começa a se lamentar e dizer que queria ser como ele; sempre rodeado de amigos e sem ser perseguido...

No dia seguinte, Handa vai à escola mentalizando coisas positivas: o sucesso do festival e... e então, ele encontra um monte de bullies tentando atacar um rapaz. Tsutsui aparece exatamente nesse momento, e então Handa, aliviadíssimo, começa a sinalizar para Tsutsui atacá-los. Acontece que Tsutsui acredita que Handa é forte demais, e claro que ele acabaria com aqueles fracotes em um só soco, né? Mal sabes, Tsutsui. Enfim, Handa se pergunta por que Tsutsui não foi bater neles assim que os viu, e começa a perceber a estranheza da sua atitude... como se Tsutsui estivesse esperando por uma ordem sua!

Eu tenho certeza de que o céu se abriu nesse momento em alguma dimensão no anime. A primeira suspeita de Handa... ah, que momento. Tsutsui quebra os caras com naturalidade, e Handa continua se perguntando por que ele não foi antes... mas, enfim, problema resolvido.

Já na classe, a Eraser Girl e as outras meninas disputam para tirar as medidas de Handa para a fantasia. Handa, sendo otokorashii, diz que irá se esforçar e desempenhar um bom papel (mesmo sem vontade)... e então as garotas piram, claro. Handa pergunta então a Reo e Yukio o que deveria fazer, e recebe um "senta lá Claudia", e ele continua jurando que não é pra poupá-lo mas sim fazê-lo se sentir inútil. Handa começa a perceber então que, apesar de sempre ser ignorado dessa forma, talvez tenha até uma estima na bizarra Eraser Girl levando um lanchinho e outros pequenos mimos que ele recebe... finalmente se tocou. Acontece que enquanto tem esses pensamentos ternos, Handa acaba dormindo, e quando se dá conta, a sala de aula foi apagada e ele ficou dormindo. Voltando a noite para casa, ele reclama... e aí os caras que Tsutsui atacou surgem. Ou quase surgem. Antes disso, a Força Handa (exceto Yukio, claro) surge, claro. Handa retorna normalmente à sua casa, e começa a trabalhar na caligrafia da faixa do Festival. Ele pensa então que deveria fazer uma faixa menos autoral e mais padronizada, afinal o Festival não é dele (hahaha novamente), e acaba fazendo uma faixa com uma caligrafia discreta.

E vai se aproximando o dia do Festival. Na véspera, Aizawa apresenta a escalação do teatro e convida todos a praticarem os diálogos - feitos pela única outra pessoa normal do anime além de Handa, a bibliotecária, que reconhece que fez apesar de nem ser da classe. Tsutsui é Julieta, e Reo é Romeo (trocadilho possivelmente intencional). Reo se queixa, mas claramente sua situação ainda não é tão péssima quanto a de Tsutsui, que segundo Aizawa terá que fazer dieta se não quiser pagar micão. E aí Aizawa explica que queria que todos na classe tivessem papéis importantes, e então a peça virou Romeo, Julieta e uma galera. Yukio acaba ficando empolgado com a ideia de ser um personagem import...não, ele é só um personagem sem falas mesmo. Já a fantasia do personagem de Handa é tão grande que ainda não foi completada, e ele tem um pressentimento de que vai dar ruim, afinal foram 10 episódios em que deu ruim pro Handa, por que seria diferente agora.

E chega o grande dia. Handa se depara com uma coroa de flores em volta da faixa que ele preparou, e começa a pensar que talvez devesse abrir seu coração para a classe... até que a faixa é vandalizada por Reo, Yukio e Tsutsui, que acreditam que Handa merecia uma faixa mais autoral e escrevem "Festival do Handa". Handa é uma montanha russa de decepções com as pessoas. A classe de Hanada tem um Salão de Disfarces de Handa, e a classe de Kawafuji... é a única classe que tem aulas de caligrafia. Kawafuji sente um pouco de dó de Handa, mas bem pouco mesmo afinal é Kawafuji. Acompanhamos então ele, que vai conferir o que a classe de Handa fez (ou, nas suas palavras, o que obrigaram Handa a fazer), e é aí que ele chega no incrível maid-café-mal-assombrado-com-peça-de-teatro.

A peça é simplesmente incrível e palavras não descrevem o quanto eu ri. A história começa bem simples: Reo é um lindo Romeo que atrai muitas fãs, e se declara para a belíssima Julieta... ou, Tsutsui que não fez dieta. O que significa que o Romeu e Julieta normal virou um em que Julieta quebra a costela de Romeo quando o abraça. Depois, o momento em que o "povo" se pronuncia é feito pelos estudantes que estão escondidos no escuro em volta das mesas do café. E aí de repente todos começam a dançar porque a peça é um musical. Nesse momento, Kawafuji inocentemente acreditou que Handa não deveria estar participando, afinal não é do seu feitio uma atração dessas.

E piora. Ou melhora, né; Aizawa surge de frade e dramas loucos acontecem; Eraser Girl reclama que Tsutsui não emagreceu e acaba com o resto de roteiro; todos no café parecem estar se divertindo, exceto Kawafuji... até que detrás de cortinas surge uma Elizabeth II em um trono. Sim, ele mesmo. Handa olha na direção de Kawafuji, que olha na direção de Handa. Os amigos trocam um olhar de compreensão, Kawafuji se pergunta o que Handa está fazendo, e Handa... pergunta o mesmo sobre si mesmo. Ao ver seu amigo lacrimejar, provavelmente porque a essa altura ele já estava sentindo uma culpinha por acabar com o seu amigo, Handa-Elizabeth tenta minimizar o estrago dizendo que irá sacar as tropas destruidoras. E então, o que era apenas uma tristeza e culpa para Kawafuji virou uma convicção de que ele estava enxergando cenas lamentáveis.

Um bonito momento, tocante momento.

Eu só não tenho palavras; o episódio inteiro foi maravilhoso mas a peça me fez rir de gargalhar, de dar dor no estômago. É simplesmente incrível. Handa mostra aí que a sua melhor qualidade é realmente o humor baseado no nonsense e no conhecimento dos estereótipos dos personagens, nas situações e na criatividade brilhante da autora. Eu confesso que fiquei com vontade de conferir um maid café mal assombrado com musical, porque parece uma ideia realmente divertida!

Outro ponto interessante desse episódio foi que Handa começou a perceber que não é normal ser seguido dessa forma; não apenas perseguido, mas seguido e até protegido. Depois de 10 episódios, mas ok. E o episódio 12 não trata só da parte final do Festival, mas também do desenvolvimento dessas descobertas.

A parte final do Festival Cultural começa com o clube de bishoujo vendendo mangás. Enquanto eles vendem doujinshi na humildade, uns delinquentes chegam querendo quebrar as caras deles. Eles são supostamente do colégio vizinho, o colégio Kuro ("preto", com uniforme preto e basicamente o oposto do colégio Shiro, que significa "branco") que é um colégio de delinquentes barra pesada e coisa e tal. Alguns estudantes da escola Hai que estão sangrando vão procurar então a força Handa, que conta com gente do naipe de Tsutsui, e explicam que os delinquentes que fizeram isso, atrapalhando o treino deles e coisa e tal. Durante o Festival, a escola fica aberta para visitantes e é assim que os problemas acontecem.

Sucede que Handa é lendário até mesmo na escola vizinha, e os delinquentes querem saber onde está Handa. É claro que Hanada faz um disfarce de forma que todos se parecessem Handa, e os delinquentes continuam a procurar o verdadeiro. Hanada chora e diz que nunca contará o paradeiro do famoso Handa!... Até que Dash-kun surge e diz, sem querer, "vamos ver Handa na sala tal". Os delinquentes descobrem assim onde Handa está, mas não conseguem ir até lá sem outros empecilhos que surgem no caminho deles, dentre os quais a vidente do episódio - melhor personagem na minha opinião, sério - a Eraser Girl e coisa e tal... e o colégio Kuro enfrenta um longo caminho até chegar no líder do colégio Hai, que é...

Handa, vestido pateticamente de Elizabeth II  e refletindo sobre como está feliz por estar lá, afinal é um papel bem digno, mas ainda assim ele permanece sentado, mas talvez ele devesse aprender com os outros... ser ou não ser amigo dos colegas de classe, eis a questão. É um papel importante mas ele permanece sentado. E então ele começa a pensar na importância de dar e mostrar o seu melhor, e ser grato pelo papel que lhe foi concedido. Enquanto isso, a escola Kuro está do outro lado da cortina, procurando-o. O líder deles diz que quer que Tsutsui apareça para quebrá-lo e ter o domínio do território ou qualquer coisa de banchou assim, quando de repente... o colégio Shiro surge. A Força Handa vai correndo para lá, afinal o top fofoqueiro Aizawa logo conclui que o triângulo Kuro-Shiro-Handa tem um grande potencial explosivo.

E é claro que ele não está errado. Treta se desenrola entre os colégios Kuro e Shiro até que a força Handa chegue, e nesse momento... Handa, concentradíssimo, sai de trás da cortina gritando "parem de brigar!". Todos olham chocados, e ele conclui que errou o timing da cena e volta envergonhadíssimo porque desonrou seu papel, enquanto todos celebram o grito de paz do grande Handa e resolvem se tornar amigos. A piada já ficou clichê, mas ainda assim a cena de Handa-Elizabeth gritando "parem de brigar" é hilária. Temos então um heart-to-heart do colégio Kuro falando sobre como a fama de delinquentes e fortes deles acabou graças a Handa e seu poder imensurável, e então todos se entendem e ficam amiguinhos e tal.

E então temos a comemoração do final do Festival. Na frente de todos os alunos do colégio Hai, a presidente os parabeniza pelo bom trabalho, e sobretudo a Handa que instituiu a paz e coisa e tal. Handa se vê cercado de gente bizarra, e lançando um olhar na direção do seu amigo Kawafuji, pensa que é incrível que ele esteja sempre cercado de gente normal e conversando... afinal, Handa é tão solitário e impopular... (hahaha, novamente.) Quanto à competição de melhor atração, é claro que a classe ganhadora foi a de Handa, porque sinceramente nada derrota um maid café mal assombrado com Handa vestido de rainha Elizabeth em um musical e até eu duvidaria de outro resultado. O temeroso e tímido Handa, no entanto, decide não acreditar e manda Aizawa ir receber no seu lugar, mas é claro que ele responde num tom de "chega de humildade!" e manda Handa subir ao palco e receber o prêmio. Handa tem certeza de que vai pagar micão, afinal nunca foi diferente, mas vai.

O prêmio é um elmo, um daqueles capacetes de armaduras. Subitamente, uma objeção. Kawafuji levanta a sua mão e grita que não concorda com o prêmio, porque ele quer aquele elmo. Ele sobe então ao palco e diz que Handa o dará porque são muito amigos... né? Handa não é contra dar a ele a elmo, mas fica em pânico com a situação inusitada... e nesse momento ocorre a rebelião do povo, que não admite que esse zé-ninguém esteja falando com o grandioso Handa, afinal querer todos querem mas só Handa pode e etc. A presidente grita pedindo que todos se acalmem, e quando se dão conta, a Handa Wall virou um negócio gigante e tem uma multidão aclamando Handa e jogando um boneco seu para o alto. É.

De todas as pessoas possíveis, é Handa que pergunta a Kawafuji se ele se sente bem. Kawafuji, então, diz: coloque a coroa em mim. E ao ver a rebelião ele confessa seu segredo: que Handa nunca foi odiado; na verdade, é até muito popular e está sendo protegido. Aww! Handa faz então um discurso inusitado ao ver o tumulto que se formou por sua causa, e diz que a glória do Festival são todos os presentes que o fizeram acontecer e tal, bem politicão mesmo. O momento hilário é endorsado por Aizawa, o politicão-local, e que ele abandonou a honra e conquistou a multidão e etc. Lágrimas da presidente, do Aizawa, dos politicão e todos os demais envolvidos.

Handa diz que não entende e Kawafuji concorda, mas diz que tem certeza de uma coisa: de que Handa é muito amado. Handa lembra Kawafuji do que ele disse na escola secundária - de que todos o odiariam - e Kawafuji diz que "se esqueceu disso", e então Handa percebe que no fundo seu grande problema era um sonho piração total... ou não, já que de repente o boneco de Handa entra em chamas e Aizawa observa e comenta que é "lindo". Handa pergunta a Kawafuji o que fazer, já que nunca se viu em uma situação de ser aclamado, e Kawafuji diz que ele deveria apenas ser ele mesmo. Aw! E depois desse grande Omedetou Handa-kun, termina a série.



E é assim que termina o fantástico e subestimado Handa-kun. Diria que Handa-kun começou especialmente medíocre e foi melhorando, com um ou outro episódio que se destacou e um final digníssimo - sério, Handa-Elizabeth zerou o anime. Não tenho outra palavra que descreva o que senti ao ver Handa gritando "parem de brigar" senão "fantástico". Claramente me converti em uma membra da Força Handa no final dessa jornada, e só atrasei mesmo os posts por preguiça, confesso. (Eu ainda não escrevi sobre Utena nem Evangelion apesar de prometer desde 2014. Não foi falta de apreço, certamente.) Mas foi uma jornada bem melhor do que as resenhas por aí dizem, ao menos na minha opinião.

O paralelo com Evangelion que me surgiu na cabeça me fez perceber por acaso que Handa-kun é quase uma paródia de Evangelion. Explico os paralelos: Shinji e Handa são rapazes normais e identificáveis que querem fazer amigos, mas não conseguem. O motivo se resume no dilema do porco-espinho; acontece que, enquanto em Evangelion o dilema é válido e Shinji acaba tendo que optar entre acreditar que o mundo o odeia ou que todos tem problemas e no fundo todos são uns bostas (dramático, existencialista, profundo), em Handa ele era realmente admirado por todos e o dilema era ele perceber "ok, eu sou bosta, mas os outros não são tão diferentes de mim". Eu considero o paralelo engraçadissimo porque a realidade é quase sempre a do escrachado Handa-kun, não a do psicológico Evangelion. Leitor anônimo: o mundo provavelmente não te odeia e nem te ama, mas talvez te considere especial por X, Y ou Z. Sem problemas. Eu cheguei a comentar que era um pouco Handa na adolescência, porque era a nerdzona excluída com hobbies que ninguém entendia, e lembro claramente de quando comecei a me tocar que talvez o rapaz que queria ficar comigo não estivesse só me zoando, nem a menina que elogiou meu cabelo... oh. E tenho a crença plena de que a maioria das pessoas - sobretudo as jovens, tímidas e japonesas - passam por momentos de Handa; momentos em que pensam que todos só querem te arruinar, e o mundo parece estar contra ti, mas na verdade é no máximo uma tentativa dos outros de te conhecer melhor. E... momentos de só confiar no Kawafuji também, enfim.

Nesse sentido, Handa-kun é quase terapêutico em sua comédia, porque te faz rir dessa tragicomédia que é a condição humana; creio que a sua única semelhança com Barakamon em um nível profundo é que ambas as séries mostram situações exageradamente cômicas que fazem o leitor refletir e espantar uma visão deprimente sobre determinado assunto. Em Barakamon, é "fugere urben": em Handa-kun, o dilema do porco-espinho. Nesse sentido, eu considero Handa-kun tão genial quanto Barakamon, de coração, ainda que muito menos (aparentemente) pretensioso e com notas consideravelmente piores. (Superem Barakamon, sério.)

De resto, algumas coisas particulares a respeito do universo de Barakamon me ganharam em Handa-kun. Eu comentei a maioria ao longo das semanas, mas vamos começar falando sobre Kawafuji, o amigo bizarro e cretino de Handa. Eu sou fã da cretinisse do Kawafuji desde Barakamon, mas percebo agora a síndrome de Estocolmo no meu apreço, porque amigo-Kawafuji é horrível. Depois, já que eu sou a regra nessa bagaça, preciso compartilhar que me bateu um fundinho de questionamento de que o Handa fosse um personagem canonicamente gay. (Quero dizer que confesso que pesquisei a autora em sites japoneses até confirmar que ela não tem pseudônimos (conhecidos) de mangaka BL.) O "repartimento fujoshi" no meu cérebro grita "ué, autora" sempre que ele se apavora com a possibilidade de ser chamado de frutinha ou semelhante. O slash corre solto em Barakamon, então fiquei curiosa depois de ver a sua juventude mas... sei lá. Talvez não.

De qualquer forma, depois de terminar Handa-kun eu posso dizer com certeza que sou apaixonada por essas séries e que foi legal poder comentar sobre e compartilhar minhas impressões. ^_^ Espero que vocês tenham gostado e que eu tenha conseguido apresentar uma visão positiva de Handa-kun ao constrário de muitas resenhas. Enfim, espero que tenham gostado dessa série de posts, e fiquemos no aguardo de uma segunda temporada de Barakamon! Até a próxima!

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