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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Filme: Brave Story - Honrando a parte da bravura do seu título.


Brave Story é um daqueles filmes que ficaram na minha Plan to Watch por bem uns 10 anos ou quase isso. Eu assisti recentemente graças a uma conversa com o pessoal da Blogosfera Otaku, especificamente o Diego do É Só Um Desenho que tem resenhado vários filmes de anime, e não podia deuixar de comentar porque eu gostei muito. A vontade de assistí-lo surgiu pela primeira vez quando ouvi a música tema, Ketsui no Asa ni, do Aqua Timez. Ouvi-la jogando um dos Taiko no Tatsujin de DS, me apaixonei, me apaixonei mais ainda pela versão instrumental e lá fui eu procurar saber de onde era. Descobri que era de um filme com uma arte muito fofinha e fanarts muito shippy, então deixei na minha Plan To Watch e adivinha se ele não acabou preso lá?

Não merecia. Queria ter visto naquela época, e revisto, e revisto.


O filme de crianças e com arte fofinha e um clima de conto de fadas engana os desavisados, sério. Não estava dando nada por um filme com uma carinha de "quero ser Ghibli", uma história da bravura de crianças (crianças, bravas?) em um mundo de fantasia e temas até bem clichês e sem graça, mas olhando agora, é um filme tão especial que não deixou de ser atual em pleno 2017. Apesar de eu ter achado que era um original, aliás, Brave Story foi livro, depois light novel e mangá antes mesmo de virar filme animado pelo estúdio Gonzo (Rosario to Vampire, Afro Samurai acreditem) em 2006. É daquelas histórias que são quase atemporais por tocarem bem fundo em uma ferida, e não à toa foi tão comentado (e bem comentado) na época do lançamento.

Brave Story conta a história de dois garotos: o protagonista Wataru Mitani e o estudante transferido Mitsuru Ashikawa. Mitsuru foi transferido no meio do ano para a escola de Wataru, e na mesma época começam a circular rumores de que haveria um fantasma em um prédio próximo à escola; provavelmente por ele ser novo na escola, acabou sobrando para Mitsuru a culpa pelo rumor, e ele está prestes a ser atacado por bullies quando... acontecem coisas mágicas. Wataru, que tinha a intenção de ajudá-lo, acaba se envolvendo no incidente e aparentemente os fantasmas eram reais afinal; Mitsuru é uma espécie de bruxo capaz de abrir um portal para outra dimensão, mas ele não revela isso a Wataru em um primeiro momento. Wataru crê que foi tudo um sonho, mas ele e Mitsuru acabam se aproximando por ter tentado ajudá-lo. No entanto, em pouco tempo a vida de Wataru começa a desmoronar: seu pai abandona o lar por uma amante, e a mãe se torna extremamente amargurada. Wataru, como muitas crianças revoltadas fariam, sai correndo e chorando de casa. Quando ele retorna, sua mãe havia cometido suicídio.

... ou não. Teria acontecido exatamente isso mas, quando Wataru se vê sem qualquer esperança, Mitsuru surge na sua forma de bruxo e pergunta a Wataru se ele quer mudar seu destino. Wataru naturalmente aceita, e juntos eles partem para um mundo paralelo em que Wataru tem a oportunidade de ir em uma jornada de herói para reverter o futuro horrível que viu. É assim que ele começa uma jornada em uma terra mística; seu objetivo é coletar cinco pedras preciosas, chegar à Torre do Destino e lá ter um único desejo atendido. Ao mesmo tempo em que batalha para salvar seu destino, ele vai fazendo amigos e inimigos e descobrindo quem ele é e a força que possui.

A arte do filme é extremamente fofa, uma coisa bem Gonzo nos tempos áureos, reminiscente do estilo do Kyoto Animation mas um pouco mais sóbrio e menos refinado e tal. É gostosa de assistir até hoje, e o clima de magia está totalmente nos cenários; o passeio de gôndola por uma espécie de Veneza é tão memorável quanto o castelo ou a torre em que ocorrem as lutas. Já mencionei a trilha sonora também, mas vale repetir que ela é ótima - Ketsui no Asa ni foi minha go-to música de deprê por muito tempo, e outras músicas da trilha sonora também encantam por um forte clima de fantasia, sem no entanto ser pedante.

Sem spoilers aqui, apesar de ser um filme com crianças e uma arte fofinha e apesar de todo o clima de contos de fadas, eu chorei convulsivamente quando o filme acabou. O filme não exagera na dramatização dos sentimentos; no melhor estilo Ghibli ou similar, é à primeira vista uma história de crianças fofinhas sendo fofinhas em um mundo mágico. A questão que o torna único é que os temas são muito identificáveis, e as crianças tem que lutar por motivos reais; a tristeza e drama não advêm de uma crueldade, de uma entidade mística que pratica o mal por esporte ou qualquer outra coisa, mas sim de situações e vivências tristes que muitas crianças reais passam; entender o universo dos adultos não é fácil nem pra gente, e lidar com algumas situações são aprendizados. O filme é também sobre o quanto a gente tende a subestimar crianças, e no fundo todos somos crianças e todos temos que lutar, então chega a ser um tearjerker injusto.

Mas falando sério, eu adorei. Explicar sem spoilers é difícil, mas só queria recomendar para todo mundo que gosta de uma boa história fofa. Não vá esperando Ghibli pois não é; é um tearjerker, na minha opinião, muito mais intenso. Recomendo profundamente para aqueles momentos da vida em que você procura uma boa sacodida em forma de anime.

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