domingo, 12 de fevereiro de 2017

Desculpe o transtorno, preciso falar de webdesign de terceira geração.


Parece que, pra sempre, ele vai fazer falta. 



Conheci ele na infância. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar uma criança de 8 anos dando entrevista em uma maratona de programação, falando sobre como seu sonho é ver sua start-up ser bem sucedida e estudar no MIT aos dezoito anos. Mas a infância em questão era aquela com internet dial-up só depois da meia noite que todas as crianças de classe média com famílias impacientes adoravam nos anos 2000 – onde se entrava no site da Turma da Mônica, buscador Yahoo, email do iG e site do HPG. Ele estava nos sites do HPG. Minha prima tinha site no HPG. Eu não tinha site no HPG mas ia fuçar os sites no HPG. Ele estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era algum midi fácil de achar no Kazaa.

Quando a página era fácil de navegar, era preta e branca e feia que dói. Quando a fonte ficava colorida, o fundo a tornava ilegível. Quando colocavam um fundo escuro, trombavam com uma font face ilegível. Os iframes, sempre imensos e multicoloridos, deixavam claro que eles não faziam ideia do que estavam fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.

Passamos algumas madrugadas conversando no Front Page ao som de Weird Al e Prozzak. De lá, migramos pro Notepad. Do Notepad pro Beauty HTML, do Beauty pro editor de websites, do editor pro Dreamwidth.

Começamos a namorar quando ele tinha 11 e eu 12, mas parecia que a vida começava ali. Editamos todas as petpages no Neopets. Alguns várias vezes. Fizemos todas as possibilidades existentes de posicionamento de iframe, de splash pages, de menus ao lado com textos no meio. Extrapolamos alguns limites de hospedagem porque a conversa estava boa. Escolhemos domínios sem pesquisar se permitiam redirecionamento. Escrevemos juntos blogs pessoais, fansites, portifolios. Fizemos uma dúzia de estilos novos e junto com eles sites de teste no Freewebs. Estudamos mais de 50 novas diretrizes CSS4 e HTML5 no W3Schools só nós dois — acabei de contar. Sofremos com a massificação criativa dos layouts nos anos 2010, rimos com a migração do usuário comum para longe do Internet Explorer. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete eu ouvi gracas ao algoritmo então inovador do YouTube. As outras três foi ele que me mostrou no autoplay de algum site aleatório. Aprendi o que era hiperlink e também o que era stylesheet, back end, ux ui, foco no usuário, compatibilidade retroativa e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ele.

Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que quando faltava luz sem salvar. Mais que quando a pagina só não funcionava no Internet Explorer 6. Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ele? Parece que, pra sempre, ele vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse feito carreira na área, eu penso. Levaria pra sempre ele comigo.

Essa semana, pela primeira vez, vi o layout do Blogspot que a gente fez juntos — não por acaso cheio de efeitos especiais antiquados. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num site — e em tantas screenshots, Wayback machines e paginas da Internet. Não falta nada.



Aviso aos navegantes e novos leitores: A postagem sarcástica acima se refere ao término desse layout no modelo atual do Blogger que eu estou fazendo desde julho passado e prometendo há muitos meses porque eu não entendo esses códigos novos nem posso contratar alguém pra fazer, portanto fiquei enrolando. Agora temos layout no modelo atual adaptado pra mobile e com comentários menos bugados - espero. Aproveitem que é domingo e comemoremos virando uma garrafa de cerveja ou fazendo uma maratona de BL, vai da preferência. Atenciosamente, a direção.

8 comentários:

  1. Maratona de BL: Dependendo do artista, tô dentro.

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    1. A propósito, bom texto sobre essa sua "relação" tão duradoura e cheia de contratempos, ha.

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    2. Oi, Erick! Primeiramente, obrigada por sua visita e agradeça o texto ao Gregório Duvivier HAHAH.
      Opa, nessas terras é só convidar pra maratona de BL que nós estamos lá. Tem rolado Yoneda Kou, Sakyou Yozakura e Akino Shiina na minha vivência recente, mas aceitamos sugestões. (̶O̶U̶:̶ ̶m̶a̶n̶d̶a̶ ̶o̶s̶ ̶n̶o̶m̶e̶s̶ ̶q̶u̶e̶ ̶a̶ ̶g̶e̶n̶t̶e̶ ̶l̶ê̶ ̶e̶ ̶r̶e̶s̶e̶n̶h̶a̶ ̶e̶m̶ ̶3̶ ̶d̶i̶a̶s̶ ̶ú̶t̶e̶i̶s̶)̶ ̶

      Tá bom, parei. Obrigada por visitar e comentar (coisa que eu estou devendo, né...) e até! :D

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    3. Ha, nem tinha conhecimento desse texto que citou logo abaixo, só agora fui pesquisar o original - mas ainda vale pela criatividade nas mudanças.

      Meu lance é mais com traps, depois vem shota e em seguida personagens mais velhos dependendo da arte usada - mas me interessei pelas capas dos mangás dos dois primeiros autores que citou, quando possível tentarei ler algo deles.

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    4. Aliás, Chell, só vi isso agora, mas o Animecote não se encontra na área de parceiros. Aconteceu alguma coisa?

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    5. Conhecimento memético brasileiro é com a gente mesmo, hue.

      Kou Yoneda é autora de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu mas ela se destaca por mangás BL mesmo. Ela tem personagens adultos mas infelizmente pra gente cancela obras ótimas sem aviso. Sakyou Yozakura é a de Blood Honey publicado no Brasil na Newpop, mas também escreveu Room Share (que li recentemente) e Fudanshi Baby com o mesmo casal. Eu achei bobinhos mas vai ver é porque eu não curto shota e ela curte :P

      Ah, ainda bem que você viu. Aconteceu sim, eu troquei o layout pro modelo novo e ele perdeu os parceiros. =A=;; Fui pegar na Wayback Machine mas a última página salva ainda não tinha o Animecote e talvez tenha perdido mais por isso, então estou esperando o pessoal vir comentar. Já editei, grata por notar!

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  2. Entrei no post pensando que veria alguma crítica sobre webdesign de hoje em dia, comecei a ler o post achando que leria algo sobre a nostalgia da internet de antigamente, cheguei na metade achando que era um desabafo sobre um grande amor e terminei descobrindo que o post se tratava sobre o layout do blog..... Enfim, esse post teve mais plot twist do que muito anime que eu já vi! hsuashaushuashuahua

    Enfim, só nas comemorações que eu fiquei me sentindo rejeitada, pois não bebo e mesmo curtindo umas viadagi, ultimamente estou procurando maratonar purpurinas shoujo ;-;

    P.s: AMEI O CABEÇALHO <3 Tá muito engraçadinho e divo <3

    Kiss

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    1. Oi, Hinata, saudades! ♡ Obrigada por tirar um tempo pra visitar e comentar aqui! Imagino que você esteja atarefada com a faculdade e eu também, desculpas sinceras por comentar pouco ;;)

      Era pra ser uma piada interna com a matéria do Gregório Duvivier "Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice", achei que todos iam sacar mas agora estou achando que ficou muito aleatório ~A~

      Aww! Eu tenho feito muitas leituras de shoujo muito legais lançados no Brasil que eu vou resenhar que nem os da Wataru Yoshimizu e da Mayumi Yokoyama, então comecei a ler BL pra superar a overdose de shoujo, mas chama daqui a uma semana que eu aceito também!

      E AWN super obrigada mesmo, que ótimo que vc gostou! Achei que geral ia achar bizarro mas coloquei lá pensando "eu vou gostar então whatever", não esperava ler um comentário positivo tão logo HAHAH super obrigada!! :'D (Queria fazer layouts lindinhos como os seus mas não consigo, então vai um banner espalhafatoso né)

      Novamente, obrigada e até! (ノ◕ヮ◕)ノ*: ・゚✧

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