domingo, 29 de janeiro de 2017

Jogo: Femicom, retrogaming e jogos com estéticas maravilhosamente kawaii!


A ideia do post de hoje surgiu por três motivos. O primeiro deles: a existência da tríade; "Que tríade, Chell?" A minha tríade pessoal de jogos de Super Nintendo worth living forEien no Filena (que, ironicamente, eu já li o Let's Play mas nunca joguei)Angelique e Sailor Moon Another Story. Essa é pra você, Nat! - a única pessoa que realmente vê o que eu vejo. ILU. O segundo são os vários posts que eu li no Medium esses dias falando sobre mulheres e videogames, sendo que eu coincidentemente postei um desabafo sobre isso também semana passada. (O lançamento de Final Fantasy XV pode ou não ter sido mera coincidência...). O terceiro é que eu tenho me dedicado ao meu hobby de retrogaming mais que o normal (afinal, nada melhor para se inspirar a fazer jogos do que jogar jogos, né?), somado com um hype geral de "queria um PS4" graças aos iminentes Final Fantasy VII e Persona 5 e uma vontade mais realista porém bem mais idiota de comprar um Saturn em pleno 2017.

Enfim, foram essas coisas que me levaram a escrever sobre algumas das minhas descobertas e reflexões recentes sobre a polêmica discussão "mulheres e videogames", e de quebra falar sobre a história dos jogos de garota (vulgo otome games) e fazer minhas recomendações pessoais. Mas por que alguém deveria se importar? Calma, vou começar por aí.

Começarei dizendo que eu não sou nenhuma gamer, mas eu já gostei muito de videogames. E com "eu já gostei muito de videogames" quero dizer a ponto de ter jogado vários clássicos desde o Atari até a geração 16-bit em emulador, colecionar revistas, ter feito parte de sites e basicamente era tudo que eu fazia quando era pequena. Eu jogava jogos desde Barbie Magic Hairstyler até Sonic (meu preferido) e Tomb Raider, com assiduidade tremenda, e minha obsessão com os jogos de Pokémon vem desde aquela época. Sempre soube que eu era um pouco estranha no ninho, apesar de nunca ter entendido o porquê, e ficava super feliz quando fazia amizade com outras garotas que também jogavam. Então, apesar de eu não ser nem de longe gamer atualmente (eu joguei um total de... 2 jogos em 2016? E um deles era Mystic Messenger [resenha]) eu já joguei muita coisa e provavelmente vou saber conversar sobre jogos lançados até o começo dos anos 2000 numa boa.

O que aconteceu? Eu parei de jogar videogames porque não gosto mais? Não é isso. Na verdade, foi querer jogar Final Fantasy XV e não poder uma das coisas que me motivaram a escrever esse post. Primeiramente, porque videogames são um hobby que requer que você despenda de muito tempo livre e dinheiro, coisas que eu meio que fui deixando de ter. Mas nenhuma criança ou adolescente que joga videogames, via de regra, tem o seu próprio dinheiro. (Eu admito que quis trabalhar na adolescência para comprar videogames, e sei que tem adolescente que efetivamente fez e faz isso, mas...) Em geral, elas ganham videogames através dos pais... e aí começa. Videogames são um hobby de menino ou de menina?

Até meados da década de 80, ambos. Eu sei, até o núcleo familiar da minha mãe (composta por uma mãe chefona, um pai alcoólatra e duas filhas mulheres pouco tech-savvy) tinha um Atari. Videogames foram muito lucrativos até o chamado videogame crash nos anos 80, quando deixaram de ser e as empresas começaram a ter que investir em marketing pesado para fazer esse hobby tornar a ser financeiramente vantajoso. Foi aí que videogames começaram a visar o público masculino jovem, que segundo pesquisas de mercado jogava com maior frequência. É isso que explica esse maravilhoso artigo em inglês no Polygon. Não vamos entrar em detalhes dos motivos, mas é suficiente dizer que a maioria dos jogos eram feitos por homens (as diferenças de gênero em STEM já existiam...) visando seus próprios "eus" infantis. É claro que o intuito nunca foi reduzir o público consumidor, mas sim focar em um público para garantir ao menos um mercado para a sua sobrevivência, digamos assim. E deu certo. De lá para cá os videogames foram se fechando progressivamente mais em certos estereótipos e ideologias de gênero, e foi assim que terminamos com o que temos hoje...

Longo suspiro.

Eu não preciso descrever com palavras o que o mercado de videogames se tornou, preciso? Jogos de tiro sobre jogos de tiro, jogos de briga, jogos de delinquência juvenil, o eventual Just Dance ou Guitar Hero, mais jogos de pessoas se atacando, jogos violentos e mencionei FPS hoje?, não raro com muita misoginia envolvida. Pessoalmente, foi por isso que eu me afastei do hobby. Porque eu deixei de ser o público, e é aquilo: Mystic Messenger não é videogame, otome game de portátil não é videogame, Pokémon praticamente não é videogame, retrogaming também não... então, videogame mesmo é só esse grupo seleto de jogos caros de consoles de última geração repletos de estereótipos de gênero que parecem ser um cópia do outro? Aquilo que é validado por homens cis brancos heterossexuais etc., em geral que escrevem matérias de propaganda e se consideram gamers de verdade porque cresceram com games. Por quê? Porque homem como queria o marketing, porque conivente com estereótipos de masculinidade arbitrários ("violência é legal" ou "ver peitos balançando é legal" não poderiam ser pensamentos mais homem cis heterossexual) e porque economicamente privilegiado. As coisas se construíram dessa forma e não temos como voltar atrás nem ignorar o real motivo de termos o que temos hoje em termos de videogames.

Acontece que a manutenção dos estereótipos ruins é um treco totalmente subjetivo e deliberado, em outras palavras, é causada por um "girls have cooties" adulto da parte dessa galera. Basta ver essa lista dos 15 mais vendidos desde 2010 para entender. Eu vivi o declínio da empresa Sega e na mesma época o surgimento de games como Dead or Alive Xtreme Beach Volleyball, o surgimento do Xbox clássico como o console voltado para jogos de violência e misoginia (sério, foi o console da propaganda do parto-gunshot...), vi os RPGs virarem a Galinha Pintadinha do universo gamer, vi o quanto aquelas pessoas com quem eu conversava normalmente sobre videogames viraram progressivamente mais focadas em estereótipos de gênero que já não deviam existir mais há muito tempo porque já basta receber salários menores e lidar com tetos de vidro e violência sexual eu odeio estereótipos de gênero :). Também sofri bullying e até hoje qualquer tentativa estúpida de deixar claro que eu gosto de jogar é correspondida com reações que só posso resumir como silenciamento: "ah, mas eu...", "você não consegue". Tem ainda o outro lado do "sua vagina deve ser de ouro" que promove silenciamento alheio e é igualmente ruim - não, gente, eu só tive o privilégio de não ser criada como subgênero. Não tem absolutamente nada de mérito nisso, vamos superar visões pré-históricas.

Enfim, o principal motivo de eu ter deixado de ser o público é que eu não tenho dois mil reais para torrar em um console e jogar só dois ou três títulos, não mais que 300 horas de diversão no total, honestamente. Felizmente eu não sou obrigada a ser um público periférico de um público periférico, nem a me sentir triste por não poder usar minha voz no modo online. Com tudo isso, mas tendo também crescido com videogames de certa forma (o que é um privilégio, não nego, e sei o quanto eu chupei o dedo com vontade de vários jogos e consoles!) eu acabei indo pro lado não-gamer. Quem lê o blog sabe que eu adoro jogos indies, jogos educativos, otome games e tudo que há de divertido e "não-gamer". Eu ainda adoro o que eu já adorava, mas se tornou inviável esperar por jogos comerciais caros que me consideram uma pessoa de verdade, aquele "um por ano", e foi assim que eu resolvi dar uma atenção ao que existe longe da caixinha gamer padrão e descobri lá um monte de gente que assim como eu deixou de se sentir representada pelos videogames comerciais populares.



Espero que essa introdução terrivelmente longa tenha vos interessado um pouco mais no real assunto aparentemente banal e sem graça desse post. Que é... "Gamergate? Anita Sarkeesian?!", gritam os guardiões da heterossexualidade apavorados. Não galera, games.  Ou não-games, se você quiser usar essa definição.


Foi assim que eu comecei a me interessar por outras coisas, coisas frequentemente mais simples e simplesmente divertidas do que essas séries de games modernas que são totalmente distantes da minha realidade. E uma dessas coisas que me fascinam são os jogos eletrônicos voltados para garotas. No meio de todos esses acontecimentos históricos, conforme jogos foram se tornando coisas de garotos, é claro que também surgiam eventuais investidas especificamente para garotas que visavam ampliar o mercado. Apesar de pensarmos normalmente em jogos como Style Savvy quando pensamos em jogos "exclusivos" para meninas, na verdade foi o Japão pioneiro nesses jogos; Eien no Filena não é um exemplo disso (eu... só incluo na tríade porque é um RPG bizarro com uma heroína e sua concubina e é incrível), mas Sailor Moon Another Story e Angelique são dois casos interessantes de se analisar.

Angelique é o primeiro otome game - no sentido de visual novel ou dating sim de romance para o público feminino - de que se tem notícia. Lançado em 1994 para Super Nintendo e nunca traduzido sabe-se lá por que, conta a história de Angelique, uma garota que foi escolhida para ser a próxima rainha (porque ela era uma princesa renegada ou sei lá o que), e precisava... hã, repopular o planeta. E pra isso ela precisava arrumar um príncipe, basicamente. Apesar de uma história meio "hã", prometo que a jogabilidade em si era super interessante. A estética super colorida mas com mais tons de rosa que um Super Mario World era super atraente, e o jogo é simplesmente bem feito para a sua época, como esperado da gigante Koei.



O outro é Sailor Moon Another Story, um dos primeiros RPGs que eu zerei. Conta uma história original baseada na série Sailor Moon, e tem uma jogabilidade de RPG eletrônico bem tradicional da época - e mais que isso, de um bom RPG eletrônico tradicional da época. Apesar de alguns erros aqui e ali em termos de curva de dificuldade e grinding excessivo, o jogo é realmente bastante divertido, tem gráficos lindinhos e lhe permite realmente imergir no universo de Sailor Moon - mais que os jogos de luta e puzzle, que não eram ruins e tinham uma estética "feminina" parecida, mas falhavam em realmente se parecer com a série.








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Duas séries bastante diferentes em muitos sentidos, certo? Um RPG e outro adventure/visual novel, uma original e outra baseada em uma série infantil já existente. O que tinham em comum era simplesmente o fato de serem jogos de Super Nintendo abertamente promovidos para garotas crianças e jovens, totalmente na contramão dos jogos para garotos adolescentes que compunham a maior parte da biblioteca do Super Nintendo. Angelique foi o fundador de todo um gênero de jogos que hoje a gente conhece como otome game, que vai passando por Princess Debut [comentários], até Amor Doce, Mystic Messenger e muitos jogos de celular da atualidade. Já Sailor Moon era um de muitos jogos lançados para promover uma série pré-existente para meninas - outras séries shoujo como Magical Knight Rayearth e Marmalade Boy também receberam jogos ótimos para Super Famicom, por exemplo. Aliás, séries populares no Ocidente como Barbie também recebiam muitos jogos em vários sistemas, então isso não era nem algo exclusivo no Japão. Em toda parte, os jogos passaram a ser vendidos para garotos e assim surgiu o gênero periférico dos "jogos para garotas", a contraparte quase que danosa (afinal, estereótipos de gênero são reducionistas) dessa tendência por um lado, mas por outro, talvez devamos a essa contraparte o fato de até hoje mulheres jogarem tanto quanto homens. Podem não ser "videogames de verdade", mas são videogames - e são lucrativos.

Outro exemplo do interesse de expandir esse mercado com jogos de garotas foi o console Casio Loopy, uma tentativa da marca Casio de vender um console para meninas uma vez que o mercado para meninos estava mais que saturado com as console wars da época. Na verdade, apesar de "para meninas" ter se tornado quase que um qualificativo ruim para videogames por motivos supracitados, o Casio Loopy era bem legalzinho: tinha uma impressora de purikura que imprimia adesivos que podiam ser colados no diário, por exemplo. A ideia era boa mas a execução era péssima, e com "a execução era péssima" quero dizer que a biblioteca com uma dúzia (literalmente) de jogos da Casio não empolgava ninguém já naquela época. Eu adoraria um console para jogar otome games, mas quando ele tem gráficos inferiores e uma biblioteca bem mais limitada que qualquer console genérico, bem... ficaria com um Super Famicom também.

Enfim, bottom line aqui é que jogos para garotas nunca foram inerentemente piores em termos de qualidade. Mas eles eram meio que a contramão das intenções dos fabricantes de consoles, e com isso foram meio que jogados para escanteio. Simultaneamente, sempre existiram jogos para PC voltados para meninas ou sem nenhuma intenção de gênero, mas com o foco crescente nos consoles, os jogos também passaram a se moldar a esses novos parâmetros ou ficarem simplesmente fora do rótulo de "jogos", limitando-se ao lugar de "jogos casuais que não são exatamente jogos". Por isso, eu considero inadequado rotular que tudo que não é de um console ou PC de última geração, comercial e preferencialmente de tiro como não-gamer; por definição, esses não-games são sim games e alguns são inclusive bem divertidos e estimulantes.



Continuando na história, depois de Angelique surgiram muitos outros otome games, ou visual novels para garota. O próprio jogo de Marmalade Boy lançado em 1995 para Super Famicom é um exemplo de visual novel para o público feminino. Outros exemplos muito populares são o spin-off Tokimeki Memorial Girls' Side lançado em 2002 para PS2, possivelmente a série de otome games mais popular da geração PSX-PS2, e Sotsugyou M, lançado em 1997 também para PSX e que eu já resenhei aqui. Esse gênero ganhou destaque nos portáteis, especialmente no PSP e no PS Vita, mas também no PC. Eu gostei especialmente do TokiMemo GS, pessoalmente, mas sei que todos esses jogos são merecedores da popularidade que tem. Os jogos de celular foram ganhando popularidade e tomando o espaço dos jogos de console e PC, de forma que hoje em dia são até mais jogados. Apesar de serem mais simples por questões de espaço e limitações de recurso dos aparelhos, seria injusto dizer que são inerentemente piores só por isso, especialmente porque muito do que um otome game precisa ter é simplesmente um bom roteiro - Mystic Messenger é um ótimo exemplo de otome game maravilhoso para celular.

Mas apesar de ter se convencionado chamar esse tipo de jogo de romance e dating sim para mulheres de "otome game", existem muitos outros tipos de jogos feitos para garotas. Outros tipos muito populares são os jogos como Style Savvy, Princess Debut, por que não Cooking Mama e outros jogos de simulação em variados níveis de "implicações infelizes" que podem ser encontrados sobretudo na seção de Nintendo DS de qualquer loja de games. Esses jogos de simulação - gênero desde sempre muito popular com o público feminino, aliás, segundo pesquisas - são dos mais diversos tipos e em alguns casos chegam a se aproximar dos gêneros adventure point-and-click e RPG, como Long Live The Queen e outros da Hanako Games, ou ainda Kisekae Monogatari, respectivamente para PC e para Gameboy. Um outro exemplo de jogo popular nos anos 90 feito em solo norte-americano para o público feminino é Barbie Super Model, um jogo de plataforma (ou quase) para Sega Genesis. Sim, esses jogos surgiram já naquela época, como uma resposta a essa crescente descaso com as mulheres no mercado de games e ao surgimento, portanto, de um mercado "secundário" que respondesse a esse público.

Propaganda de Kisekae Monogatari para Game Boy retirada da revista shoujo Ribon, edição 10 de 1997.

Infelizmente, hoje em dia parecem existir poucos jogos com essa estética - a propaganda de que "jogos são coisas de homens ou de alguma forma masculinas" venceu, e é esperado que as garotas que jogam videogames saibam apreciar - ao menos também - uma estética não-feminina. Consoles como o Playstation 3, Playstation 4 e evidentemente o Xbox One são completamente dominados por jogos de tirinho com uma estética mais sóbria com um nada de cor-de-rosa, sem nenhum título especificamente voltado para o público feminino. Há consoles mais abertos a jogos femininos ou mesmo com uma pegada família como o Wii, Wii U, e por que não o Xbox 360 com sua biblioteca bem variada (Eternal Sonata, quero até hoje...). De fato, os consoles mais abertos costumam ter jogos que ao menos lhe permitem optar por jogar com personagens homem ou mulher, o que também se tornou popular desde que os jogos passaram a ter uma maior capacidade de armazenamento na geração dos anos 90 e 2000. Enfim, via de regra os jogos femininos tem ficado restritos aos portáteis, que costumam ter um melhor custo-benefício tanto para os designers quanto para as jogadoras e não requerem tanta dedicação ao hobby. O PS Vita se destaca pelos seus dating sims e visual novels no Japão, e o Nintendo 3DS tem se mostrado um bom sucessor do Nintendo DS em termos de jogos para garotas em inglês.

Eu admito que gosto muito de todos esses jogos, como qualquer um que conhece os meus projetos de jogos sabe. Não só pela estética definitivamente diferenciada, mas também porque tem muitos jogos divertidos nesse meio - e admito que adoro usar jogos femininos em japonês para praticar meu japonês. *^_^* Existe inclusive um projeto chamado Femicom (Female Computer Museum - trocadilho engenhoso!) que se propõe a catalogar estes jogos. Eu recomendo fortemente o site, e que você colabore com títulos e participe das eventuais gamejams propostas por ele caso seja designer de jogos com um interesse nessa estética.

O que vocês acham desses jogos? Já deram uma chance? Talvez tenha algum jogo "de garota" que você jura de pés juntos que não gosta, apesar de já ter terminado várias vezes por pura "falta do que fazer"...? Principalmente, esses jogos  deviam ou não deviam existir, o que poderia substituí-los? A opção de escolher o gênero do seu personagem é uma boa? Vocês levam esses tipos de jogos "a sério" ou não, e se não, que outros jogos vocês não levam a sério? Essas são algumas das perguntas que tenho a quem leu até aqui! Espero que vocês tenham gostado do post e desse pequeno pedaço de cultura que compartilhei com vocês, e deixem aí nos comentários suas respostas. ^_^ Sensatez sempre, certo? Até mais!~

5 comentários:

  1. EU VIM VER JOGOS VELHOS E RECEBI UMA CRÍTICA SOCIAL adorei, aliás, continue, enfim, de volta à programação normal

    Nunca sei se eu deveria dar oi no começo de um comentário ou não, comparado com a minha blogomania de três anos atrás eu não saio mais comentando em tudo que vejo, enfim, guardo minhas frases mal formuladas para textos que realmente me interessam, e como eu disse, não esperava uma crítica que me levasse a reflexão mental da minha vida não-gamer. Começando com: Eu era o tipo de pessoa que jogava e assistia coisas de meninas sem contar a ninguém por causa do medo de apanhar dos amiguinhos (de novo) por causa de toda a minha feminilidade inexistente. Eu adorava o jogo da Barbie do qual ela viajava pelos EUA, andando a cavalo, desfilando e tirando fotos. Porém algo sempre me faltou nos jogos voltados para meninas, a dificuldade. Por mais que eu não seja um "gamer" (termo esse do qual odeio), eu gosto de uma certa dose de dificuldade, nada em excesso mas algo que me motivasse, o que acabou me tornando no típico Nintendo boy - fã da Capcom. Eu sempre prefiri a estética feminina, ela me agradava visualmente, mas não em jogabilidade, já perdi as contas de quantas vezes zerei Metroid, não pela protagonista ser mulher, e sim pela sua dificuldade (até porque, mesmo sendo uma protagonista feminina, o teu desempenho influenciar no quanto de roupa ela veste no fim de cada jogo indica exatamente que público eles buscavam). Porém, essa minha "necessidade" por um ar feminino nas coisas me influencia até hoje no que eu jogo, em Oblivion, a minha personagem é do sexo feminino, uma cortadora de cabeças demoníacas, mas uma mulher acima de tudo, afinal, quando fora de dungeon, ela está com algum vestido comum em sua residência. Nos games de luta que tanto adoro, meus principais personagens de jogo são do sexo feminino, sou totalmente apaixonado pela Sakura e queria que a história dela tivesse um foco maior. Enfim, tudo isso parece relato de um nerd pervertido, mas é uma necessidade de balancear o que me agrada ao que me prende, afinal, esse desejo se aplica na minha vida como um todo. Enfim, é isso, eu acho que, mesmo denominado como "para menina", ele poderia balancear para ser tão grandioso quanto um jogo dito como "para homem tri macho tiros morte".

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    1. (O comentário teve de ir em duas partes, odeio limite de caracteres e vou matá-lo)

      Eu não joguei boa parte dos jogos citados por causa da barreira de idioma da maioria, até porque, eu joguei mais em SNES real do que no emulador em si, se na época que o SNES era novidade já tinha dificuldade de achar cartuchos de jogos assim, na época que eu joguei eram mais raros ainda, PORÉM, tive a chance de jogar o port do arcade para SNES do beat'em up de Sailor Moon, enjoativo, curto e desbalanceado, mas um entretenimento tão bom quanto poucos, afinal, mesmo com a dificuldade desbalanceada, as pernas da Mars alcançavam até mesmo as hitbox mais distantes. O Another Story eu só tive o prazer de jogar depois de velho em emulador como recomendação de um amigo, eu nem sabia que ele existia, e me impressionei como ele balanceou essas coisas que citei acima, eu adoro grinding, adoro gastar horas a fio trabalhando para ter habilidades super fortes e altos nívels de velocidade e ataque, e esse jogo me deu isso, com uma estética linda e a melhor Sailor conhecida como Sailor Mars (Fobos e Deimos concordam comigo). Enfim, creio que não tenho muito mais o que falar além disso.
      Respondendo algo, gosto da opção de escolher gênero, desde que isso modifique o enredo de alguma forma, ninguém merece escolher o gênero feminino e ser forçado a ver diálogos insinuando que tenho um órgão sexual masculino e uma careca (ouviu Bethesda?), e tem jogos que fazem essa mudança, como Persona 3 (a versão de PSP que esqueci o nome, FES ou algo assim)e o meu queridinho Fable 3, que faz uma mudança total na estética de jogo.

      Enfim, este foi meu comentário, desculpe caso eu tenha quase competido com o tamanho da introdução.
      (Não tem problema querer um Saturn, eu ainda quero meu Gamecube desde o lançamento dele)

      P.S: OLHA AQUI -n, okay, por mais que eu não seja digno de satisfação, eu fiquei bem preocupado quando teu twitter simiu do nada eu pensei tudo de ruim antes de refletir de verdade só isso mesmo.
      P.S²: Foi até meio nostálgico ler a postagem ao som de Oyasumi Paradox, fazia um tempão que não escutava, deu até saudade (não fiz aquela playlist de Soutaiseriron por vergonha).

      Então, é isso por agora, acho, espero não ter falado porcaria demais, caso se ofenda com algo mesmo que sem querer deixe em mente que as vezes nem mesmo eu entendo o que eu quero dizer. até a próxima <3

      Nippan -
      http://into-the-next-night.blogspot.com/
      (não precisa nem perguntar, o link é spam mesmo)

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    2. Antes de mais nada vou admitir que li seu comentario super rindo junto a esse tal de Gustavo, essa pessoa misteriosa com um relato tao legal e identificavel... ai eu me toquei que era vc, NOSSA GU, AVISA QUANDO FOR MUDAR DE BLOG ;; <3 !

      Nossa, nem fala. Achei o maximo seu relato porque eu nao tinha medo de apanhar dos amiguinhos (obviamente) mas eu tambem gostava super do jogo da Barbie e uns outros hahah e achava esses jogos inferiores por causa da dificuldade, ate perceber que nao tem nada de errado com uma dificuldade menor (nem em todos mind you) e admiti pra mim mesma que eu gostava desses jogos especialmente por estetica mesmo, eles sao super coloridos e frequentemente tem menus e etc mais bonitos que jogos genericos. Mas foi um processo mais longo do que quem me conhece toda Team Femicom imagina, entao eu precisava fazer essa defesa sincera pra quem nao passou por isso e tal.
      E sabes que eu sou louca por Persona, e a grande bosta eh que muitas mulheres sao porque alem de ser fantastica a serie PRESTA ATENCAO em jogadoras mulheres, aesthetic etc mas ai a serie vira coisa de mulherzinha, o que eh: bosta. Lamento os fps-gueimers que perdem a oportunidade de jogar um PerKKKKKKK MENTIRA SO RIO MESMO...

      ...parei. Mas realmente, eh incrivel e digno de reflexao como os fatores genero, estetica e mensagem permeiam os videogames. E como nao devia e eh 2017 e a galera ja devia ter superado isso, lol.

      Enfim, super obrigada por sua visita e por ter comentado! <3 (E eu estou no celular, entao desculpa a falta de acentos e amanha comento melhor!)

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    3. Eu larguei em todas as redes sociais possíveis, mas a senhorita já tinha sumido antes que eu notasse, e eu me odiaria se eu viesse só para falar "Oiiiiii eu mudei de blog > w < me visite lá terá muita depressão, melancolia e cringe sz sz sz", aí eu esperei algo que me desse vontade de comentar para "vou sorrateiramente deixar meu link aqui ufufufufufufu".
      A falta de dificuldade não é um problema, mas é algo que me desliga do jogo, tenho sérios problemas para manter a atenção e o foco e realmente preciso de um incentivo, seja ele algum colecionável cancerígeno ou níveis de dificuldade que me façam pensar "Eu preciso passar disso senão irei ter um colapso".
      Ela de fato presta a atenção, mas ainda não gosto do protagonista masculino sair passando o rodo em várias meninas como se a história delas não importasse (o da Chihiro não importa mesmo -n).
      Esse tipo de assunto permea pelos joguinhos desde o primeiro jogo pornô no Atari, essa misoginia ou assédio relacionado a isso sempre esteve presente, mas espero que, pelo menos aos poucos, esse cenário mude e nasça jogos que realmente possa agradar a todos sem precisar apelar para algum dos lados (e que não tenha crianças endeusando Kojima como se fosse o super game creator).
      Não precisa agradecer, venho tanto que me já me sinto de casa -n
      (Não se preocupe com os acentos, o importante é entender //até porque eu sou um erro ortográfico cintilante).

      Nippan -

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