sábado, 28 de janeiro de 2017

Pessoa: Diretor - Tsuneo Tominaga


Todo dia é um bom dia pra rever Cipher the Video. Favor pular pro final pra ver Tominaga falando!

Às vezes a vida te dá coisas que você não esperava. Não esperava nem saber o que é na vida, quanto menos gostar.

Anime pode ter sido uma dessas coisas para muita gente. Aqui nesse blog eu já falei de muitas coisas assim para mim: Pose Dolls, wafuku, Glasslip. Às vezes o motivo não é nem tão racional assim. A gente justifica dizendo que é algo de vidas passadas, mas talvez seja só o lado triste do nosso gosto querendo falar mais alto que todo bom senso.

O post de hoje é sobre uma dessas coisas. É sobre um diretor de anime chamado Tsuneo Tominaga.

Quem é Tsuneo Tominaga? Adianto: não é um Satoshi Kon nem um Hayao Miyazaki, nem mesmo um Shouji Kawamori. Uma olhada na sua lista de produções não vai revelar muita coisa para muita gente. Uma participação em Cardcaptor Sakura e Naruto Shipudden ali, uma direção de Cinderella Boy (quem lembra? Passava no Toonami!) acolá, um ou outro filme de JoJo ou Initial D... e mais um monte de nomes desconhecidos. É, não é uma powerhouse.

Pensam vocês.

Eu conheci esse grande sensei da animação japonesa muito por acaso, quando era uma noite, véspera ou época de Natal qualquer como hoje e parecia legal ver OVAs e filmes aleatórios de Natal, e então eu decidi ver um OVA chamado Carol. Eu não resenhei Carol aqui. Isso porque até hoje eu não conheço palavras capazes de descrever Carol, que tem diálogos existenciais profundos com uma árvore.



Mas eu não me liguei muito na época na genialidade do sujeito que criou essa obra em cima de um livro infantil genérico. Eu só aceitei e vida que seguiu. 

E aí chegamos no Dia dos Namorados 2016, no qual eu publiquei esse post aqui no qual eu falei muito bem da obra de arte chamada Cipher the Video. Se você não sabe o que é Cipher the Video, é algo que tem potencial para mudar sua vida. Se você acha que 2016 foi chato e quer aquela guinada, eu vou te dar a chave do universo, nirvana, pedra de Rosetta moderna (- Nathalia, 2016). Mas use com cuidado porque a overdose pode ser fatal. Eu sofro os efeitos da overdose de Cipher até hoje. Estejam avisados: os efeitos alucinógenos são reais, pior que iDoser - Torres gêmeas. Stop, walk. Footlose japonês. Incesto gay. Baseado em um shoujo bem mediano-bom. Essas são apenas algumas palavras capazes de descrever Cipher, e eu não estou só jogando essas palavras.


E claro que depois de me apaixonar perdidamente eu fui conferir quem era o diretor dessa obr... não não, mentira, o diretor aparece falando sobre coisas nos últimos 10 minutos do OVA. O destino não me deu nem a opção de ficar no mistério e não conhecer o criador dessa masterpiece, ele só jogou. E então eu fui pesquisar sobre o criador dessas duas obras que atingem um nível de "wow, tosco" tão intenso que dão um 180º e viram obras profundas e conceituais. Tominaga está para diretor assim como Jun Kumagai está para scriptwriter: uma m...

Tsuneo Tominaga (冨永恒雄) é um senhor que trabalha na indústria de anime há 33 anos, atualmente. Começou sua carreira com alguns episódios nas primeiras adaptações animadas dos clássicos - respectivamente, shoujo e shounen - Glass Mask e City Hunter; de lá foi para mais obras incríveis, como Rainbow Samurai - da qual participou Akitarou Daichi de quem ele claramente foi mentor - They Were Eleven e, por que não, Cipher the Video. (Resposta: Porque não, só... não, galera) Então como ele foi parar depois de tudo isso fazendo só OVAs hentai de quinta aos seus 50 e muitos anos de idade, 30 de carreira? Digno de uma lista do Buzzfeed de "onde foram parar esses atores ou subcelebridades?", Tsuneo Tominaga é uma pessoa realmente misteriosa. Não menos incrível é saber que ele usa diversos pseudônimos em obras hentai, que são provavelmente... as únicas obras em que ele ainda consegue emprego, as únicas que ele não precisaria esconder do seu currículo.

Eu gostaria de ter encontrado um texto extenso em japonês falando sobre a ascensão e queda desse diretor, mas como não encontrei vim escrever esse texto baseado nas minhas observações. Notem que absolutamente tudo aqui pode estar errado, exceto as minhas impressões dessas obras. Elas foram muito reais, tipo quando uma coisa fica gravada na sua memória de tão chocante que é... super reais. Eu sei que vocês assim como eu ficaram extremamente curiosos a respeito dessa criatura exótica, e por isso resolvi compartilhar tudo que sei sobre ele. Talvez eu faça mais posts sobre diretores, ou talvez não...

Então Tominaga, depois de Glass Mask, partiu em muito para outras obras shoujo, dentre as quais também Boyfriend, e Super Gals... e Might Gaine, Gulkeeva e então Da Garn. Em resumo, provavelmente houve um esforço de alguém na indústria pra manter ele pra que ele dirigisse várias séries de estilos muito diferentes, e certamente dirigiu mais shoujo que a média. (Talvez tenha sido porque geralmente o orçamento de shoujo é menor então o prejuízo é menor? Talvez.) Ele também dirigiu muito mecha, um ou outro shounen de ação e basicamente todos os gêneros. Ele tem um extenso currículo.

A estreia dele como diretor de hentai, que é o que ele faz hoje, foi aparentemente com o primeiro OVA de Rance; ele dirigiu também o de Canvas e o de Izumo. O que significa que ele pegou até mesmo o melhor do hentai pra adaptar. E não satisfeito, foi convidado a dirigir um OVA de Angelique - que eu mencionei no último post que é o criador do gênero otome game. Não dá pra ser muito mais cotado que isso fazendo bomba atrás de bomba.

Aparentemente, absolutamente todos os ventos confluíram na carreira de Tsuneo Tominaga. Agora, a coisa que eu não entendo mas acho muito interessante é como um diretor vai de obras renomadas dos mais diversos gêneros, em tamanho ecleticismo consegue ter tantas notas horríveis no MyAnimeList, e começa a fazer hentai nível Elf Hime Nina.

Enfim, bizarro.

Vi Princess Memory pela ciência, mas admito que não vi mais que três minutos; três minutos foi o suficiente para entender que tipo de obra era aquela. Spoilers: não, nem os hentai que ele dirige são bons ou bonitos. Mas ele tem esse estômago para ir de incesto gay a pornozão com plot (à la Inshitsu Otaku, cujas imagens promocionais já me deixam com ânsia de vômito) em pouco tempo e realmente se dedicar (ou ao menos fingir bem). Há de ser seu grande talento e segredo para permanecer na indústria a tanto tempo, depois de uma bomba atrás de outra - ele se dedica a fingir, e a bater em muitas portas pra entregar seu extenso currículo porque ele passou por muitos estúdios. Não sei explicar de nenhuma outra forma. Em anos recentes, ele participou de Buddyfight, Momokuri, Psi Nan, Osomatsu-san e Gakkougurashi - que, convenhamos, não são bombas. Ele é um senhor experiente e maduro agora, certo?

Vamos ver agora algumas resenhas das obras desse mestre da direção japonesa:
Oh, Genma Wars. This has to be one of the absolute worst anime to every be released to the public. It gets a resounding 1 in almost everything. The story in nonsensical, the animation is so poor that people teleport instead of walking. It's just bad, bad, bad.
E continua.
Do you remember Hunchback of Notre Dame? Well, do you remember Hunchback of Notre Dame 2?
If you did watch that sequel, then expect the same quality in this sequel. Galaxy Railways 2 dropped its quality so low that Skrillex would be in awe. It basically took out all the life that the first season had--the characters are incredibly bland, the art and animation is deader than George Washington, it shifted to a more episodic approach. Each episode lends nothing to the main plot, and some are filled with senseless gags and poor attempts at comedy.
Há algumas gentis, como a de Trouble Chocolate.
I only watch 4 episodes of it, and so far it's plot is in the Zatch Bell level (sadly...), and I am hungry for more.
Enfim, incríveis resenhas.

Tominaga aparentemente brilha em um único gênero: anime de carros. Ele trabalhou em Speed Racer X, e também em Wangan Midnight e em um dos filmes de Initial D com melhores notas. Coincidência, sorte? Os padrões de fãs de anime de carro são realmente baixos (spoilers: são)? Talvez. Ademais, Souten Koro tem notas OK, mas estamos falando de uma animação Madhouse baseada em um mangá GAR que aborda Japão histórico de forma subversiva e hipster - deveria ter notas maravilhosas sob qualquer direção. Em resumo, ele nunca dirigiu sozinho um anime com notas maravilhosas. É incrível. Depois disso, eu fui ver algumas obras desse gênio da animação japonesa para avaliar por mim mesma o que se passa.

  • Cinderella Boy - Eu achava ruinzinho em 2005, e eu gostava de Love Hina.
  • Carol - Dialogo existencial sobre uma árvore na neve entre um doido e uma garotinha não é o bastante?
  • Cipher The Video - Literalmente a minha paixão atual. É sério, meu nível de paixão é tanto que minha amiga (beijos, Nat!) me deu um artbook de Cipher quando eu estava basicamente na bad por ter perdido um leilão de um LaserDisc de Cipher, e ele está na seção de preciosidades da minha coleção. Eu amo Cipher.
  • Princess MemoryTrês minutos foram o bastante para mim, então não sei o que dizer.
  • Grey: Digital Target - O melhor ripoff de Mad Max versão anime, provavelmente. E considero que não exista nenhum outro; se existir, bem. Mas o começo é até divertido, e acredito que sejam os carros e o character design legalzinho. Muita gente morre em 5 minutos, depois rola uma transa sem censura com a única sobrevivente bem digna de um hentai. Admito que a única parte que me fez assistir mais que dez minutos foi a passada de mão do token gay character na perna do Grey, porque a mão dele era super bonita e o movimento tinha um nível Ai no Kusabi [comentários] de fluidez. Consegui entender seu sucesso com hentai vendo dez minutos disso.
  • Angelique - Começa com uma abertura digníssima de Uta no Prince-sama em pleno 2006; um visionário, realmente. Me arrepiei com o número de clichês. Não sei de quem foi a ideia de fazer o Lumiale parecer uma mulher e o Olivie parecer uma drag queen, subvertendo totalmente o gênero bishounen de otoge, mas funcionou bem. Diria até que ele foi o precursor do gênero "pega anime de otoge e coloca no lixão". Tominaga imita a indústria ou a indústria imita Tominaga?
  • Majocco Club - Subversivo, intenso, conceitual. Não me lembro muito porque dormi na metade, mas tenho certeza de que o final e o começo foram ótimos, daquele jeitinho Evangelion, aquele jeitinho "não entendi absolutamente nada do que aconteceu mas sei que houve uma quebra de quarta parede". Mas o que é a quarta parede? Para Tominaga, inexistente.

Enfim, depois dessa breve maratona eu precisei dormir. Concluí que Tominaga é pra ser aproveitado em doses homeopáticas, mas nessas doses é realmente... uma experiência. Adorei o que assisti e incluí-o na minha lista de "diretores pra convidar a dirigir um OVA quando eu ganhar 100 milhões na Mega Sena" junto com Anno e Ikuhara. Obrigada, indústria da animação japonesa, por essas joias da humanidade. Obrigada por Cipher. Obrigada, mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário