segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Anime: Princess Tutu - Fábulas de uma bailarina ousada


Eu preparei essa resenha há alguns meses para ser postada no Suco de Mangá, mas acabou não acontecendo então por favor não reparem no formato estranho! ^_^;

Uma série de mahou shoujo e balé de 2004 conquistou público e crítica, e se tornou uma espécie de clássico cult pela sua originalidade e as temáticas apresentadas. Assim como muito se compara Ghost in the Shell e Matrix, ou Paprika e A Origem, também são feitas muitas comparações entre essa serie e outro clássico do cinema contemporâneo, Cisne Negro. Já deu pra sacar o potencial da serie que e tema dessa resenha? Se você ainda acha que Mahou Shoujo Madoka Magica é o ápice da desconstrução do gênero mahou shoujo, apresento-lhe a ponta do iceberg que irá lhe mostrar o contrário: Princess Tutu.

Princess Tutu é uma série de anime lançada em 2004, cuja primeira temporada tem 13 episódios de 24 minutos, e a segunda tem 25 eps de 12 min. Dirigida pelo mestre dos mahou shoujos Junichi Sato (Kaleidostar, Amanchu!!), a série rompe com uma série de estereótipos e expectativas logo nos seus primeiros episódios. No começo, temos uma simpática garota chamada Ahiru - um nome que significa "pato" - que faz aulas de balé com uma turma de pessoas-animais no melhor estilo Animal Crossing - tem uma humana, um monte de animais, e tudo OK. Toda a estética é no melhor nível Shoujo Kakumei Utena, mas já começamos em uma nota mais sórdida, até, e realista: Ahiru sabe que gatos não são professores, e que tem algo errado com o encantamento que a transforma em um pato e todas as coisas bizarras que acontecem.

Os amigos de classe são igualmente... realistas, de jeitos ruins, diria. Como em toda boa aula de dança, há uma menina que desponta como a mais talentosa e exemplar: Rue, uma garota que anda com um vestido preto destoante e uma super expressão de bitch, sou-boa-demais-pra-uma-aulinha. Ela namora Mytho, outro rapaz muito talentoso e que também é da aula avançada; ambos são julgados como o príncipe e a princesa das aulas de balé; basicamente, são aquela power couple que todo mundo almeja ser. Mas como toda power couple tem os seus segredos, Mytho e Rue também tem suas esquisitisses. Um terceiro rapaz importante nessa história toda é Fakir, um bailarino que divide quarto com Mytho. Desde o começo vemos Fakir abusando física e moralmente de Mytho, e o anime faz um ótimo trabalho em nos deixar com raiva de Fakir - afinal, o rapaz perfeito que atura a Rue e fica sempre quieto e dança bem poderia ter algum defeito tão grave? - e ao mesmo tempo despertar esse mistério: por que tanta raiva e abuso?

Sem mais spoilers, vale dizer que nada é como a gente pensa. Bem como na vida real, e também em Cisne Negro, Rue, Mytho e Fakir possuem seus segredos, enquanto Ahiru é, à la Utena, a garota mágica que por ser extremamente inocente acaba sendo pivô de todo um desenrolar de tragédias e reviravoltas. As coisas começam a acontecer à sua volta, e a cínica e perigosa figura de Drosselmeyer - deliberadamente inspirado no bruxo do balé O Quebra-Nozes de Tchaikovsky, sim - vai guiando-a por esses eventos... ou deveria dizer tirando-a de seu caminho? Os caminhos envolvem uma série de pessoas-animais que são colegas de classe com diferentes problemas, como inveja ou paixões avassaladoras e que transmitem mensagens morais de formas sutis.

O ar de mistério que permeia toda a série é provavelmente a razão para que ela seja considerada uma obra tão única, com um feeling tão diferente mesmo entre obras de garotinhas mágicas sofrendo mahou shoujo "desconstruidores". É um ar que lembra os contos de fadas da era medieval, em que todo um universo mágico e lindo poderia repentinamente mudar para um tom muito crítico, mas sempre com uma mensagem moral e lições de vida no final. Não é de forma alguma um anime com uma mensagem negativa (ok, talvez depressiva, não negativa), mas tem uma boa dose de realismo e é preciso ter estômago.


Além de todo o clima de fábula, os personagens profundos e bem-desenvolvidos são certamente um ponto forte de Princess Tutu. O quarteto de protagonistas se destaca nesse aspecto, sempre com várias camadas de motivação e muitos segredos e partes mal-contadas de suas histórias, que vamos descobrindo junto com Ahiru. Conforme cada uma dessas camadas se desfaz, vamos descobrindo personagens progressivamente mais interessantes. Ao contrário de muito anime em que uma máscara cai para revelar apenas uma personalidade de inimigo vil e clichê, os personagens principais são profundos e instigantes. É um anime demasiadamente humano, e não é pra todo mundo, mas é muito pra quem gosta.

Em meio a tudo isso, temos uma trilha sonora de muitas músicas marcantes - de Tchaikovsky, evidentemente, passando por Gymnopedie até várias originais incríveis. Os fãs de balé não vão se decepcionar com o repertório, e é um pouco de cultura para quem não é; as danças e passos também são muito interessantes, e você pode conferir um pouco nesse AMV (nota: contém spoilers, então recomendaria apreciar apenas se você não planeja assistir, ou consegue esquecer depois de assistir o video! ^_^;)


Levando em conta que é um anime de 2004, a sua produção é definitivamente boa. Ainda que a animação não seja nenhum primor para os dias de hoje, se destacam as cenas de danças e a ambientação geral, com cenários normalmente sóbrios e escuros com uma paleta fantástica, reminiscente de séries como Gankutsuou ou D. Gray-man.

No geral, minha recomendação para esse anime é feita muito de coração. Se você é fã de contos de fadas subversivos, histórias com um quê de passado mas sempre atuais no sentido de serem muito humanas (não me julguem por não estar comentando Rakugo Shinjuu, vá...), com personagens bem desenvolvidos e coisas incríveis acontecendo a todo momento, mas detesta forçação de barra... assista Princess Tutu. Agora. É sério.

Enfim, espero que tenham gostado da resenha de hoje! Esse anime me cativou bastante e se tornou um favorito de gente a quem eu recomendei, então só posso recomendar de coração a quem se interessou. Deixem aí nos comentários se viram esse anime, o que acharam, e se minha resenha conseguiu ao menos deixá-los curiosos. ^_^  Até a próxima! ~



2 comentários:

  1. Escritora muito feliz por ter falado de "Princess Tutu", um shoujo que vale a pena conferir e se encantar com Ahiru e companhia. Sei que não devia me gabar, acontece que esta pessoa é aquela que escreveu a resenha de "Clannad" que tanto gostou, lá no Animecote. Normalmente, uso este nickname.

    Já sabia da existência do anime quando em um site que participava, deram a indicação e fui assistir,mas, não fora em boa época: houve muitos links de downloads fora do ar e não deu pra terminar de ver. Aí, uns anos mais tarde, um dos sites de downloads de animes que acompanho, trouxe e gravei tudo, voltando a me encantar e emocionar com o andamento da história e personagens. Com isto, "Princess Tutu" entrou na minha listinha de shoujos favoritos, ao lado de Sakura; "Hanasakeru Seishounen"; "Itazura na Kiss" e "Hana Yori Dango", fora que posso acrescentar "KareKano" como a cereja do bolo.
    Resumo o anime com a mistura de balé, música clássica e contos de fadas. Não o enxergo como mahou shoujo, porque mesmo tendo alguns destes elementos, não é necessariamente um em sua plenitude. Sobre a quantidade de episódios, o anime tem 26 na versão DVD, onde vi; estes 38 é por causa de terem dividido a segunda metade da série, onde ao invés de 13 virou 26, deve ter sido quando foi exibido.

    E sim, esperava suas análises de "Shouwa Rakugo",mas, tudo bem. Tem outro blog que tá fazendo e tem como acompanhar. Se não puder, ao menos, dê suas impressões finais do anime. Só é uma sugestão...
    Até a próxima e parabéns pela postagem.

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    1. Olá! E aí, tudo bem com você? ^_^ Eu gostei de verdade de Clannad e daquela resenha, que bom que acabei fazendo uma que você gostou também!
      Ó que nem era pra eu ter falado de Princess Tutu! Aconteceu de o Bellan me convidar a postar sobre atividades físicas e tal na época das Olimpíadas, e eu escrevi metade desse texto sobre um anime que eu adorei quando assisti (há bem uns 9 anos, hahah) e deixei. Foi muito bom mesmo mas eu não escreveria aqui justamente por fazer tanto tempo, e nunca reassisti o anime.
      É incrível, não? Eu nunca assisti Itazura na Kiss (apesar de adorar as músicas...) nem Hanasakeru Seishounen, mas também gostei de Karekano e Hanadan quando assisti naqueles tempos e respeito bastante até hoje. Espero que você resenhe um desses algum dia também!

      Hum, mesmo? A Wikipedia divide da forma que coloquei aqui, o MyAnimeList também. Mas eu também baixei assim quando assisti - 26 episódios, sendo que as histórias da segunda metade eram "cortadas". Eu realmente não sei qual a real, mas o tempo para assistir (pra quem não pode ter o DVD :P) é o mesmo de 26 episódios de qualquer forma, então optei por explicar conforme a Wikipedia. Hmm...

      Ah, obrigada! Que bom que mais algum visitante se interessava por Rakugo Shinjuu. :) Eu gostei de coração da primeira temporada e vou postar provavelmente amanhã minhas impressões até agora dessa temporada. Só não tenho conseguido fazer os posts semanais, mas estou acompanhando e adorando.

      Super obrigada por sua visita e seu comentário! Até a próxima! ~

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