sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Anime: Watashi ga Motete Dousunda - É sobre querer ver príncipes se beijando

O ship é livre e o cockblock também

E enfim terminou um dos meus favoritos dessa temporada: Watashi ga Motete Dousunda. O anime é uma espécie de Ouran Host Club da década, e para quem não sabe, Ouran Host Club é uma das séries de anime que eu mais gostei na vida. Acompanhei com fervor quando saiu, e achei que nunca ia ver nada parecido depois da minha decepção com Aoharu x Kikanjuu.

Até Watashi ga Motete Dousunda surgir.

Agora que terminou eu posso dizer com certeza que é um dos meus favoritos da temporada. Não, não é nada super único nem especial, é uma comédia do seu tempo meio como Baka to Test [comentários], Bokura wa Minna Kawaisou [resenha] e outras que já comentei aqui. Mas como o que é, é totalmente único e muito divertido mesmo - especialmente se você for uma fujoshi irremediável como eu. Então, vamos comentar sobre essa série divertidíssima da temporada de Outono? 💗

Watashi ga Motete Dousunda (vagamente, algo como "E agora que eu virei popular?!"; qualquer semelhança no título com o outro WataMote pode ou não ser mera coincidência!) conta a história de Serizuma, uma garota que não é nada popular na sua escola, é obesa e é uma fujoshi de carteirinha. De verdade, ela com certeza tem algumas carteirinhas de fã clubes de bishounen e círculos de doujinshi. Ela fica na fila de toda Comiket com uma lista de compras e tem um altar pro seu bishounen. Ela é dessas. (E com "dessas" quero dizer "das nossas".)


Acontece que um belo dia seu husbando morre. E de tanto ficar só chorando sem comer durante uma semana inteira em casa, ela acaba... emagrecendo muitos quilos. Ao voltar para a escola, a menina começa a ser tietada por um monte dos caras bonitos que ela ficava só observando e shippando. Todos eles querem saber de onde surgiu aquela gracinha de garota. É uma aluna nova ou...? E é então que eles descobrem que aquela é a mesma garota obesa. O negócio é que ela não mudou nada, não foi um caso de makeover mágico para agradar garotos nem nada, foi só um caso de falta de saúde por causa do seu husbando. Logo no começo do anime, os garotos vão à casa dela. Ela faz um esforço para esconder os pôsteres e merch em geral, mas o problema é que ela não consegue esconder sua paixão. Eventualmente eles descobrem o altar, os doujinshis e toda a piração, e o resto é história. "Como eu virei uma protagonista de otome game?!" ela se pergunta, enquanto os garotos tentam se aproximar dela cada vez mais, a despeito de todas as suas pirações de otaku.

Por sinal, eu mencionei que ela fez um altar para o husbando? Helga G. Pataki dos 2D, eu mesma

A história do anime parecia que seria repetitiva pelos primeiros episódios, mas logo as coisas começam a dar uma agitada. Além dos quatro garotos que inicialmente gostaram dela e formaram o seu harém pessoal de seguidores escravocetas, outras pessoas acabam se juntando a eles, como a bifauxnen Nishina e o professor pedófilo Kazuma, irmão de um dos quatro garotos. Apesar de inserir personagens para causar conflitos ser um artifício muito comumente usado em anime, especialmente shoujo e slice of life como é o caso de Watashi ga Motete Dousunda, o artifício nunca é utilizado à exaustão como em outras séries. Na verdade, a Nishina acaba fazendo parte do harém - e ouço dizer, parte essencial (shippei, não nego) e os dois são quase que "os personagens inseridos depois porque a história estava muito hetero e fujoshi não quer ver hetero". (Funcionou.) Não, eles também não ficam jogados, tranquilo que tudo se encaixa bem.


Apesar de não ser um anime BL, o BL é jogado por todo o anime. A protagonista é versada nos termos de fandom, conhece todo o canon das séries que gosta e discute aos berros quem é uke, seme e flex. A nova amiga é uma escritora de doujinshi que se fez por causa dos seus complexos por ser uma garota rica, e sua dedicação a levou a se tornar uma grande artista e muito popular, e também a gastar horrores em produtos de anime que causam inveja em qualquer fujoshi real ou fictícia. A outra amiga, apesar de disfarçar melhor o status, também não fica muito atrás. Os rapazes não entendem muito, mas acabam entrando um pouco nesse universo e acabam até estrelando em doujinshi sem autorização. Eventualmente, descobre-se que um deles assiste um certo mahou shoujo toda semana com sua irmã e acaba estrelando em uma peça. Por aí vai. Além disso, é um anime de referências de respeito, como qualquer bom anime de cultura otaku. Sim, você vai ver referências às séries que você gosta, desde cosplay de Shingeki no Kyojin [comentários], passando por cenas à la JoJo's Bizarre Adventures [comentários], até uma releitura das cenas clássicas de Shoujo Kakumei Utena ("ao invés de uma princesa eu quero ser..." um príncipe? Não, uma princesa que observa das sombras os príncipes se beijando ♡). Pode comemorar!

O mais interessante de tudo isso é que eu realmente não consigo pensar em nenhum outro anime tão amigável com fujoshi quanto Watashi ga Motete Dousunda; na verdade, eu não sei se existe. Muito anime de fujoshi passa uma mensagem implícita de que ou fujoshis são a escória do planeta (WataMote) ou são só garotas bonitinhas com um neurônio meio furado (OreImo, Haganai), e as séries com fujoshis interessantes e relativamente realistas as tem como personagens secundárias (Kuragehime, Ouran Host Club) - provavelmente porque não tem muita graça um anime sobre desenhar e escrever fanfic, enfim. Nesse ano, Fudanshi Koukou Seikatsu e Watashi ga Motete Dousunda parece que vieram quebrar de vez com esse paradigma e mostrar a realidade tenebrosa de que garotas otaku são só garotos otaku, mas com ppk. Assim, todo esse anime acaba sendo uma grande aventura indulgente para você que é fujoshi (ou fudanshi, ou qualquer tipo de otaku mesmo) de carteirinha e não dispensa isso.


Paralelamente, o que se desenvolve é um harém reverso bem básico. Cada personagem tem suas qualidades e defeitos, e tem momentos em que brilham mas nunca ofuscam o brilho do outro, sendo que cada um subverte vagamente seu estereótipo (tsundere, shota, etc.) por serem mais complexos do que vemos a princípio. Também não precisa se preocupar com shipping wars nem nada - eles já dão trabalho o bastante um ao outro, se auto-sabotando e coisa e tal. Apesar de ter seus momentos românticos, não chega a ser realmente um anime de romance. É mais para um anime de momentos shippy e muita diversão; menos Ouran Host Club que Gekkan Shoujo Nozaki Kun [resenha], digamos. Se romance não é o seu negócio, pode se tranquilizar, porque o mais interessante nessa parte é observar nos diferentes estilos de declaração e poses comuns a personalidade de cada pretendente a casal BL, afinal se você pretende escrever fanfic é importante saber.

Em suma, é excelente como a comédia a que se propõe ser, bastante superficial e leve e de quebra tem alguns momentos fluffy. Por outro lado, eu não seria minimamente atraída pela estética que não se leva nem um pouco a sério, mas foi o enredo que me prendeu e me fez superá-la. A animação do estúdio Brains Base (Kamigami no Asobi [resenha], Isshuukan Friends. [resenha]) com o colorido bem saturado que lhe é típico é bem razoável, e a abertura e o encerramento são pouco notáveis porque não tem nada de original, mas eu confesso que o encerramento Dokidoki no Kaze tem umas imagens legaizinhas e ficou na minha cabeça um tempo! No fim das contas, toda a estética é bem "shoujo felizinho" e apesar de não ser notável, é o que tem para hoje.

Enfim, era isso que eu tinha para comentar sobre essa série. Se você se interessou e não se importa muito com esse fato, tenho boas notícias: Watashi ga Motete Dousunda já está totalmente disponível no CrunchyRoll. Caso queira assistir, meios legais, temos. Bom isso, né? Espero que tenham gostado desse post, e até a próxima resenha! ~

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