terça-feira, 8 de novembro de 2016

Anime: Ore Monogatari!! - Shoujo, demasiadamente shoujo.


E aqui, uma resenha que estou devendo para esse blog já há uns bons meses, de um dos shoujos mais populares dos últimos tempos, e que foi também considerada uma das séries de anime mais populares do ano passado. Falo aqui de Ore Monogatari!!, que, a despeito de sua classificação demográfica - shoujo - conquistou públicos bastante diversos com seu romance açucarado, sua comédia levinha e seus traços de fácil identificação. Lógico que eu quis resenhá-lo desde que terminou, mas acabei adiando bastante esta resenha; enfim, aqui estamos!

A popularidade se justifica facilmente: OreMono, como vou chamá-lo aqui, é um shoujo de romance escolar, com todos os clichês e encantos que todo shoujo de romance escolar que se preza deve ter - tais como personagens extremamente meigas, um romance adolescente tão confuso quanto adorável, episódios de praia e dia dos namorados, enfim, a grande maioria dos clichês das séries de romance shoujo escolar. Nesse sentido, aliás, OreMono é sim bem clichê. Mas com um diferencial, do qual provavelmente adveio sua grande popularidade inesperada, e o grande público que acabou curtindo demais a série: O protagonista masculino da série é um personagem "ogro". Ele é muito maior que todos os seus colegas de classe, e além disso, ele é o estereótipo do grandalhão com coração de ouro.

Ore Monogatari!! é baseado em um manga shoujo da autora Kazune Kawahara, que já era muito popular graças ao clássico dos anos 2000 Koukou Debut e, não satisfeita, lançou a série OreMono - como é chamada - e suas sequências nos anos 2010. Sendo um anime baseado em manga shoujo, parecia ter um público já muito bem definido (a famosa galera que "vocês queriam shoujo então comprem", "shoujo não vende" e etc.) mas surpreendentemente acabou conquistando muito mais gente. Qual é a desse shoujo que extrapolou o que até então parecia ser uma barreira para muitos outros do gênero - como eu já comentei no post de demografias, sobre shoujo se limitar ao público feminino mesmo no Japão? É qualidade narrativa, é o traço, é o que?

O motivo principal é provavelmente o fato de que sua premissa é de fácil identificação para muitos garotos fãs de shoujo. A maioria dos shoujos populares retratam um garoto muito belo, com uma personalidade não raro igualmente idealizada e perfeita, que se apaixona por uma garota mediana, muitas vezes tímida ou preguiçosa e, enfim, simples. Esse clichê define o gênero shoujo para muita gente que não tenta dar uma segunda chance para o gênero, porque afinal é isso que vende. E então temos Ore Monogatari!, a história de uma moça gentil e fofa (e feminina, bonitinha, que faz bentous entre outras coisas que rapazes tendem a procurar nas parceiras) e um cara que a gente chama de "fora dos padrões", mas o pessoalzinho em idade escolar como os colegas deles chamam de, bem... "ogro".

Takeo não é um "ogro" porque ele é uma pessoa horrível, mas sim porque ele é um cara enorme (especialmente para a sua idade!), nada belo, nada delicado, nada magrinho - a verdadeira antítese do típico bishounen de shoujo! - e sem sensibilidade para lidar com qualquer assunto. E então Takeo e Rinko se conhecem logo no começo do anime, e começam a se sentir cativados um pelo outro, e então... se apaixonam.

Eu acho que só por essa descrição já ficou claro por que muitos garotos (e garotas) que não são fãs de shoujo acabaram dando uma chance e curtindo Ore Monogatari!. Do ponto de vista de alguém que se identifica mais com a parte masculina de um casal de shoujo, certamente é um enredo mais identificável do que garoto-popular-bonitão-Gary-Stu-se-apaixona-por-menina-preguiçosa. Você pode argumentar que é porque a idealização do romance não está no parceiro, mas sim no romance em si, em como eles desafiam expecativas e ficam juntos apesar dos empecilhos na comunicação, preconceitos e todas as dificuldades causadas por serem um casal inusitado... o que é exatamente a mesma coisa que tem em muito shoujo genérico de "garoto popular se apaixona por garota sem sal", mas ao contrário.

Nesse sentido, e como alguém que não é nem de longe fã hardcore de shoujo colegial, mas assistiu bastantes na vida, afirmo que Ore Monogatari não é nada tão especial quanto se tem dado crédito. É mais um shoujo de romance colegial, com todos os clichês do gênero, que, no entanto, cativou muita gente nessa pequena subversão; e creio que também em muito pelo fato de que, assim como shounen cativou as garotas no passado, agora também homens tem procurado conhecer o gênero shoujo -período fortuito para que surgisse um shoujo com um protagonista "feio" e com aspecto grosseiro, mas muito amado pela protagonista. E agora que tirei esse meu comentário entalado na garganta do meio do caminho e deixei claro que eu não me sinto mais o público de Ore Monogatari do que me sinto de qualquer shoujo de romance genérico (desculpa, fãs!), vamos à resenha!

O melhor de tudo é o fato de que o desenvolvimento desse romance acontece de uma forma sólida, extremamente doce e lenta, certa de cativar qualquer fã hardcore de shoujo-romance-colegial à la Kimi ni Todoke. Sem querer soar excessivamente crítica mas, seja isso uma vantagem ou uma desvantagem, é incrível o tanto de nada que acontece nesse anime. Acredito que para mim esse ritmo lento tenha sido realmente o maior ponto fraco de Ore Monogatari, e o real motivo de eu não ter gostado da série tanto assim. Entendo que séries lentas e doces de shoujo tenham seu apelo para um público grande, mas sei que também tem gente como eu - que, como disse, não sou o público e não gosto de KnT! - que não curte esperar 20 episódios por uma declaração e mais 40 por um beijo, o que é basicamente o ritmo de Ore Monogatari. Em muitos momentos o enredo do anime gira em torno do conflito de "será que ele gosta de mim tanto quanto eu gosto dele?" - resposta: sim, ele gosta, durr! - e a coisa foi ficando tão previsível e cansativa que eu acabava ficando entediada. Certamente bonitinha para quem se cativou pelo casal, mas para quem, como eu, não foi tão impressionado por essa pequena subversão, o ritmo é lento e um pouco entediante.

A mim, confesso que o casal principal não me agradou tanto quanto um personagem secundário: Suna, melhor amigo de Takeo. Suna é basicamente um personagem feito pra agradar um outro público que também não é exatamente o de manga shoujo colegial típico, leia-se, o das fujoshis. Isso porque Suna é o melhor amigo de infância de Takeo, aquele amigo brother que esta junto em todos os momentos, que apoia o amigo em tudo, que é o ombro quando o amigo briga com a namorada, e tudo aquilo mais que faz as fujoshis pirarem, tipo ser o conselheiro e dormir na casa dele e coisa e tal. Ele lembra um pouco o _ de Isshuukan Friends [resenha], inclusive, que também era meu personagem favorito naquela série... é, acho que já deu para entender por que eu gosto dele. ^_^; O problema é (spoilers!) Suna desenvolve sentimentos pelo Takeo, ponto que só é endereçado diretamente no fim do anime. E aí, o que já era digno de ship vira canon, pra abalar o coração de qualquer fujoshi que estava shippando os dois alegremente.

Outra personagem incrivel é a Yukika, uma fofa que admira profundamente o Suna. Ela o admira a ponto de ser muito perceptiva e sensível em relação aos seus sentimentos, e eles acabam se aproximando. É uma personagem daquele estereótipo "tímida e sem graça porém sensível" que normalmente seria a protagonista sem sal do shoujo médio, mas ainda assim consegue não ser enjoativa, porque ela é inteligente e totalmente chill com as coisas. Claro que também tem alguns personagens mais comédia, a "bitch" do rolê e vários outros estereótipos de shoujo. Embora esses dois tenham sido os personagens que mais se destacaram na minha visão, eu devo dizer que todos os personagens que rodeiam os protagonistas servem bem ao propósito de nos tirar um pouco desse marasmo que é a história dos dois.

Assim, a graça de Ore Monogatari está muito em como seus personagens subvertem um certo padrão muito típico (quase clichês) dos shoujos populares, trazendo outros estereótipos para o ambiente tradicional do romance shoujo colegial. Os personagens não subvertem seus estereótipos em si - pelo contrário, muitas vezes reivindicam estes estereótipos! - mas nem por isso deixam de ser personagens interessantes e, no meu conceito, um grande brilho do anime.

A animação é bem razoável. Na parte visual, se destaca o uso de um colorido intenso que faz uso de muitas cores leves, um pouco reminiscente de séries como Isshuukan Friends ou Hourou Musuko. É mesmo um aspecto muito "feliz" que agrega muito ("agrega" ainda é uma piada, né?) à série. A música, confesso, me prendeu mais do que eu normalmente esperaria. A abertura é fofíssima e o encerramento não fica muito atrás; as músicas de fundo são notáveis, e harmonizam bem com essa estética delicada e bem feita do anime. Talvez "harmonia" seja mesmo a palavra para definir a apresentação de OreMono, que é sólida e serve bem ao seu propósito.

A apresentação, essa pequena subversão e as personagens secundárias são, ao meu ver, as características mais marcantes desse anime cujo enredo é, no máximo, monótono. Assim, acho que o anime teria sido mais interessante se tivesse um ritmo um pouco mais rápido, ou se fosse encurtado pra 1 cour. Acredito que todo o desenvolvimento que ocorreu nesses dois trimestres poderia ter muito bem ocorrido em um só, sem perder nenhuma dessas vantagens. Mas ritmo lento é algo um tanto comum em shoujo e que alguns fãs provavelmente apreciam, então acho que eu devo me conformar com o fato de que eu só não sou o público. Ainda assim, a avaliação que faço de OreMono é positiva. Me entreteu enquanto durou, às vezes menos, às vezes mais. Não morro de amores, não; mesmo em termos de shoujo de romance colegial, não entrou para o meu top 5, digamos. Mas valeu.



Enfim, era isso que eu tinha para comentar sobre Ore Monogatari!! Espero que ninguém tenha se ofendido com a resenha pois, como disse, reconheço os motivos pelos quais Ore Monogatari com sua simplicidade conseguiu conquistar públicos muito diversos, alguns bem distantes da sua demografia. Eu gostei do que assisti, apenas não achei tão especial quanto muita gente pelos motivos citados. *^_^* Enfim, espero que tenham gostado da resenha! Deixem aí nos comentários o que acharam, por favor! Até mais! (ノ◕ヮ◕)ノ*: ・゚♡

4 comentários:

  1. Eu devo ser anormal mas eu acho o takeo belo principalmente o corpo, o rosto dele podia ser melhor trabalhado mas ainda assim eu acho ele bonitão ele é bem masculino eu gosto disso.
    Eu não terminei de ver esse anime ainda porque desanimei nos dois ultimos episodios, eles ate estão aqui no pc, talvez quando eu animar eu vejo de novo, mas resumindo eu gostei do estilo dele de quebrar esses clichês da beleza e tal mas ainda assim Takeo é bonitão, ainda mais por ele ser meigo e fofo isso fecha todo o conteúdo, <3... Lembrei dele trabalhando num bar agora kkkk
    bjs

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    1. Oi, Taina! Primeiramente, desculpa a demora para responder! m(_ _)m
      A Ohno de Genshiken concordaria contigo!! Ele é bem masculino mas a graça e o que o faz ser "ogro" é o seu nariz e feições grosseiras, acredito. Essa é a zoeira do anime. Eu sou "fujoshi típica" e prefiro bishounen, tipo o Suna, mas gosto do Takeo por ser um personagem engraçado e subversivo e, claro, meigo e fofo. :'D
      Super obrigada por vir comentar, até mais!~ *^_^*

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  2. Hey!
    Cara, adorei a forma como você resenhou. Defendendo todos os seus pontos de vista e tals. Gostei de verdade shuasha' E concordo com muitaa coisa que escreveu. Só que eu achei, comparado a outros shoujos, que o casal ficou junto muito rápido. Sem enrolação, sabe? Logo já estavam namorando e juntos, o que eu achei ótimo. Odeio toda aquela demorada de 300 episódios só pra descobrirem que um ama o outro. Achei isso um ponto muito positivo. Mas, e depois? Depois que eles ficam juntos que começa a ficar extremamente entediado, não acontece nada e eu acabei parando de assistir.
    Teve aquelas intrigas clichês de casal e Zzzzz... Muito chato -q
    Eu tinha me interessado pela história exatamente por ser um romance diferente e engraçado, eu ri muito nos primeiros episódios. Achei uma pena a história não ter ganhado um rumo depois. Podia ter sido bem melhor.
    Basicamente, eu concordo com você hsuasha
    Até mais!

    Zona Neutra ❣

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    1. Oi, Storm! Tudo bem? Prazer!
      Fico feliz de verdade que tenha gostado do post. Tem razão. Existem muitos shoujos sem enrolação pra engatar o namoro, mas que levam muitos episódios para rolar um beijo ou encontro. Eu costumo gostar de animes em que muita coisa acontece, então também perdi a paciência com OreMono, mas concordo que a sua premissa é diferente e engraçadinha.
      Super obrigada pela sua visita e seu comentário! Até mais! *^_^*

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