quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Anime: Prince of Stride - "Pensar não é ruim", eles disseram.

"Qual o motivo dessa imagem de topo, Chell?" Eu gosto muito do Heath. Esse é todo o motivo.

Olá, gente! Enfim, o post para falar sobre Prince of Stride: Alternative. Sim, aquela série do começo do ano que vocês me pediram para resenhar episódio a episódio, e eu não consegui.

Por que eu não consegui? Porque tentei, mas realmente não me envolvi. Peço desculpas sinceras, mas Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu [comentários] me envolveu tanto com seu drama e sua complexidade que eu não pude deixar de ficar lamentando o quão simples e direto Prince of Stride é em comparação, e consequentemente desistir de acompanhar. Mas, depois de serem lançados todos os episódios, e depois que eu vi tudo e pude julgar o geral... não é que esse anime é até legalzinho? É... OK.

Infelizmente, essa resenha não vai ter muitos elogios. Eu tenho plena consciência de que é chato o fato de que estou devendo resenhas aqui e ainda por cima volto trazendo uma com tom negativo, mil desculpas, galera. (´・ω・`) Prometo que vou tentar trazer uma recomendação de algo que eu gostei na próxima. Então, vamos falar sobre Prince of Stride?

Como eu já comentei no post de resenha dos dois primeiros episódios, Prince of Stride é um anime em 12 episódios do estúdio Madhouse (Death NoteHunter x Hunter [2011]), baseado em uma série de jogos, drama CDs e afins homônima. Digo "homônima" porque aparentemente a história do anime não segue a risca a do jogo, e aí começam os problemas: de um lado, temos séries de anime como Free! [comentários] para comparar com Prince of Stride. De outro, temos um jogo que é popular, e que como qualquer jogo popular deve receber muitos xingamentos quando adaptado para anime. Apesar de ser animado pelo renomado estúdio Madhouse, a série estava fadada a ser comparada com muitas outras produções. Um fardo pesado.

E ela começa maravilhosamente. O primeiro episódio traz algumas promessas entusiasmantes: uma abertura animada e vibrante, um esporte extremamente ativo e que realmente dá vontade de jogar - afinal, é basicamente Parkour com corrida de revezamento, muita tecnologia e bishounen. Em teoria, não tem como dar errado, tem? - e uma personagem feminina que não é chatíssima. De fato, o conteúdo do anime é rico e promissor. Tem tudo que é preciso para um anime ser bem divertido, a começar pelo esporte, Stride. E... que mais?

Mais nada, é isso aí. Infelizmente, apesar dos diversos elementos promissores, o enredo - ou falta de - estragou muito do que poderia ter sido uma experiência perfeitamente divertida para muita gente. Pode olhar essas resenhas que eu linkei. Eu não estou exagerando quando digo que não tem mais nada a comentar extensivamente, infelizmente. É uma coisa ser clichê, e inclusive tem muitos animes perfeitamente bons que são clichefests - eu poderia citar Owari no Seraph que eu já resenhei aqui, ou meu favorito pessoal Code Geass [comentários], por exemplo. Às vezes os clichês tocam bem naquilo que atiça nosso imaginário, e afinal, o que é original em ficção é uma discussão complexa. E bem... bishounen e anime de esportes com fangirl bait não procuram atiçar exatamente imaginários, concordam comigo?

Prince of Stride já começa com uma premissa um tanto clichê: clube que sofre risco de deixar de existir por falta de membros corre desesperadamente atrás de novos membros. Esse clube é de um esporte fictício que era tradicionalíssimo naquela escola, e exceto pela parte de ser o esporte tradicional "fictício", não tem nada de novo aí. E ok, o fato do esporte ser fictício é legal e cheio de potencial - ao menos para ser ridículo se tudo mais falhasse...? - mas a completa falta de uma explicação de como funciona esse esporte logo no primeiro episódio já devia ter nos deixado mais céticos pelo que viria pela frente. Sério, por que você tem o conceito de um esporte tão legal e nem se dá ao trabalho de explicá-lo?

O esporte só começa a fazer sentido conforme progridem os episódios. Trata-se mesmo de um parkour com corrida de revezamento e shenanigans tecnológicos, mas a grande sacada é o sistema de "relationing". Há uma metáfora nesse esporte, que é o fato de que os participantes precisam estar perfeitamente sincronizados para que a passada de bastão seja correta. E é em cima disso que são criadas todas as outras metáforas para relacionamentos, crescimento pessoal, superação e todas aquelas coisas de anime de esporte com tendências homoeróticas em Prince of Stride. Ah, e todas aquelas coisas de shipping também, porque né? Mais sincronizado que nado sincronizado, só parkour sincronizado, aparentemente.

Enfim, só uma enrolada pra apresentar o esporte ou uma premissa pouco inovadora não seriam o bastante para arruinar um anime. No entanto, o que faltou foi exatamente desenvolver um enredo. Assim como muitas outras séries baseadas em jopouco coesa com isso, que envolve uns dramas familiares, uma competição mundial obrigatória no final, e um esporte bem legal em teoria - e possivelmente bem legal de se jogar! - mas que no anime acaba parecendo genérico e soando como uma palestra motivacional. Que é, de fato, a parte mais notável do anime. Prince of Stride acaba passando a mesma sensação que uma grande sessão de coaching, e se no final da série você não tiver alguns termos como "sincronia", "perfeita" e "corra" na cabeça, é um sinal de que você possivelmente dormiu assistindo, porque a mensagem é jogada na sua cara o tempo todo.

Isso é ruim? Não necessariamente. Para falar a verdade, eu fiquei bem entretida assistindo por conta dessa mensagem. Desde a abertura, passando pelas necessidades e desafios que os personagens precisam enfrentar para ficarem o mais sincronizados possível, tudo grita "dê um pouco mais que o seu melhor". Você gosta de palestras motivacionais? Eu gosto, e reconheço que isso é um gosto 100% pessoal. Imagina então uma palestra motivacional bem pouco velada, com um monte de bishounen colorido correndo e uma produção de anime decente. Soa interessante? Então Prince of Stride deve, ao menos, lhe entreter.

No mais, os personagens são... quem são eles, mesmo? Infelizmente, nenhum personagem em Prince of Stride me ganhou. Não que eles fossem horríveis; de fato, os dubladores são muito interessantes, eles são bonitos e as personalidades deles tem até bastante potencial, mas claramente nem tentaram desenvolver esse potencial. Heath é um amorzinho com voz do Daisuke Ono, o que é sempre algo ótimo no meu conceito; para os fãs de shota, Kohinata é um dos menos enjoados que eu já vi como não-fã, e com voz do Kensho Ono de cereja do bolo. Takeru é uma cópia infeliz de Haruka Nanase. O Shizuma tem um dos melhores cabelos de todo o mundo dos animes (e essa foi uma das poucas coisas que se destacaram para mim em PoS, de coração!). A protagonista também não é insuportável. Acontece que todo mundo é bem mediano, alguns personagens tem histórias com bastante potencial que nunca chegam a evocar alguma emoção de verdade porque tudo é corrido (trocadilho não intencional!) e no fim das contas, você já viu todos esses estereótipos em algum lugar e a produção sabe disso e nem tenta esconder o fato.

Anime baseado em otome game normalmente é ruim. Eu tentei superar isso e ser menos crítica, eu tentei resenhar vários aqui nos últimos anos, mas... eu acho que tenho que ceder um pouquinho ao preconceito de algumas pessoas. Preconceitos não são legais e eu sempre procuro ter esperanças, mas realmente é difícil que um anime de otome game seja bom; assim como anime BL, como eu já fiz esse post falando sobre, infelizmente esse tipo de gênero não recebe investimento. Parece que esse tipo de anime com "female gaze" (um tema de post futuro aqui!) fica bem em segundo plano - ou terceiro - na lista de prioridades da maioria dos estúdios, a produção simplesmente não se envolve e dá nisso. É porque não tem público? Free! mostra que provavelmente não. Então...? É, assunto para post futuro. Enfim, aqueles que são razoáveis é porque o otome game é tão respeitável que a produção não conseguiu estragar, tipo Hakuouki. Eu já mencionei aqui que o jogo de Hakuouki é respeitável pra caramba? E que o Okota Souji é meu husbando ete*COF* voltando.

E no meio desse cenário triste de qualidades que variam entre Kamigami no Asobi [resenha] e Diabolik Lovers [resenha], tem Prince of Stride. Prince of Stride é perfeito? Não, não é perfeito. Mas é bom. É realmente como um Free! com uma animação do estúdio Madhouse de 2016 - ou pelo menos a melhor opção enquanto Yuri!!! on Ice não termina e a gente evita tirar conclusões! - mas um pouco mais de misoginia (porque, né? Otome game e misoginia são como Romeu e Julieta) e um pouco mais "anime de esportes padrão", com mensagens motivadoras, gente correndo muito e ação e animação insanas. Talvez um pouco menos de fanservice do que gostaríamos, apesar da tensão sexual mal resolvida forte entre os protagonistas masculinos, que é ainda um pouco mais do que os fanboys toleram.

O que significa que não foi um hit com nenhum desses dois públicos.



É interessante, como disse, se você gosta de animes de esportes com mensagens motivadoras, especificamente do subgênero anime de esportes com eyecandy para os fãs de bishounen. Porque é morno, não horrível. Prince of Stride tem inclusive referências diretas a outras séries como Prince of Tennis (e pasmem, eu só saquei agora a referência direta até no nome) e Free! (olhando para você, episódio 7!) e se reconhece muito bem como o que é: uma série que vai em uma onda muito bem estabelecida de séries de esporte com fanservice para as fujoshis. E é isso: "vocês queriam shoujo anime de esportes com BL e anime de otoge, agora comprem". Recomendo para quem é o público porque o público tende a ter padrões baixos pela falta de oferta de anime, não mangá, nesse estilo. De resto, se você estiver super a fim de assistir um anime colorido com muita animação, talvez seja legal. Palavra-chave: talvez.



Eu não queria soar muito rude e reconheço que minha paciência em baixo, o calor e o fato de que eu terminei esse anime há alguns meses influenciaram negativamente na minha resenha, mas a impressão geral que ficou não muda: Prince of Stride é morno, bem direcionado para um público e ficou abaixo das expectativas. Outra verdade é que eu adoro muito anime universalmente considerado morno e que o lixo de um homem é o tesouro de outro, e eu reconheço que teria uma impressão bem mais favorável de Prince of Stride se não tivesse expectativas altas quando saiu o anúncio. Infelizmente, Prince of Stride não foi o anime que chegou para desconstruir os baixos parâmetros de qualidade do gênero "anime de otoge". Mas quem sabe na próxima, né...?

Enfim, super obrigada por lerem esse post, e por favor deixem aí nos comentários o que acharam, se discordaram de algo que eu falei e coisa e tal! Até mais!~

2 comentários:

  1. Eu fiquei feliz com esse anime no inicio porque ele vem de um otome game, e a Mc não é chata, mas eu não consegui ver kkkk achei meio sem motivação.
    Prince Of tenis tem otome game também, mas é um Dating sim, estilo Tokimemo, mas bem mais difícil, quer dizer eu tenho os dois deles mas não entendi como jogar ainda.

    Eu concordo com você o anime é bem fraco, até é divertido de ver se você não tiver nenhuma outra coisa para ver, eu ainda vou terminar ele, só não sei quando.

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    1. Pois é!! Eu também estava super empolgada achando que ia ser o máximo, e acabou que foi aquela coisa que a gente viu - meio sem sal, meio meio... né. Talvez a palavra seja essa mesmo: sem motivação, inspiração. Eu gosto muito de histórias inspiradas e que "have heart", como se diz no inglês? Não foi o caso aqui.
      Eu sei! Eu conheço os de DS de TeniPuri, mas não sei se existem outros. (Inclusive os títulos são uma piada... Doki Doki Survival in the Beach and the Mountains, sério?) Eu terminei me arrastando muito e o final foi OKzinho, mas não salvou o resto para mim, até porque eu gostei muito mais dos personagens secundários que dos protagonistas.
      Enfim, muito obrigada pela visita e pelo comentário, e até mais! :*

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