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domingo, 21 de agosto de 2016

Handa-kun 4 e 5 - Não É Culpa Minha Que Eu Não Sou Popular, estrelando Sei Handa.



Olá, pessoal! Depois de quase um mês, estamos aqui com mais comentários de Handa-kun. Como eu tinha prometido que comentaria sobre dois episódios cada semana, até segunda devo trazer os comentários dos episódios 6 e 7, fiquem tranquilos... apesar do leve descompasso. (´・ω・`)

Os episódios 4 e 5, ao contrário do que eu imaginava, só elevaram Handa-kun no meu conceito, me fizeram rir horrores, e me tornar ainda mais fã de Handa-kun como uma série totalmente a parte do que foi Barakamon [resenha]. Apesar de todas as diferenças, e apesar de eu não ser fã de todo tipo de comédia escrachada, tenho gostado muito do que venho assistindo. Então, vamos falar sobre os episódios 4 e 5 de Handa-kun?

O episódio 4 começa introduzindo a figura de Kei Hanada, um sujeito tão parecido com Sei Handa quanto o seu nome. Aliás, se você não sacou a piada vagamente perdida na tradução, "Kei Hanada" é um nome muito mais comum e "básico" do que Sei Handa. E Kei é assim: Ele tem o mesmo cabelo do Handa, usa o mesmo uniforme por estudar na mesma escola, mas é uma pessoa simples, é dentuço,  não particularmente bonito e aparentemente sem grandes dotes além de ser stalker do Handa. Mas ele acredita que deveria estar onde o Handa está. Essa é a base de toda a sua história, e é por isso que ele finge ser Handa logo no começo do episódio 4.



Fingir ser Handa não é uma tarefa fácil. Kei é um stalker ativo do Handa que supõe saber tudo sobre ele, e então tenta imitá-lo. No momento em que ele coloca uma máscara de gripe para esconder seus dentes e começa a fingir ser Handa, um monte de "garotas carnívoras" (leia-se: piranhas) correm atrás dele, e depois mais uma multidão de garotas corre atrás da multidão esperando ver ninguém menos que Handa. E ele, que não possui a tal da "barreira Handa", se aproveita disso e começa a ser jogado pro ar... até que a máscara cai, e revela um rosto não tão perfeito quanto o do incrível e popular Handa. Diante da revelação do "falso Handa", todos vão embora, enquanto Kei se lamenta por não ter estudado-o o bastante e não entender realmente o Handa.

Como ninguém entende, naturalmente.

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontece, Handa se encontra com uma garota misteriosa, e um rumor se espalha pela escola de que ele teria uma namorada. No dia seguinte, Handa chega na aula e encontra um imenso "死ね" - que significa "morra" ou "morrer" - rabiscado na sua carteira, em mais uma piada vagamente perdida na tradução. Handa como sempre não se importa muito; na verdade, a coisa que ele mais nota é que a caligrafia é "razoável". Por outro lado, a Força Handa fica obviamente devastada com tamanho desrespeito com seu ídolo, e começa a investigar quem pode ter feito isso. Todos começam interpretando, obviamente, que algum vândalo queria mandar Handa morrer. No entanto, depois de analisar um pouco, o megane Aizawa nota que aquilo podia ser um aviso de suicídio. É então que ouvem uma garota gritando que vai se jogar do prédio da escola.

A garota se chama Miyoko Kinjo, uma garota popular e bem-sucedida na escola que quer cometer suicídio porque sua vida começou a piorar desde que ela pegou a borracha do Handa em um episódio anterior. Ela demonstrou ter se apaixonado pelo Handa depois do episódio da borracha, e as coisas escalaram tão rápido que agora ela está prestes a cometer um suicídio passional pelo ídolo da escola. É claro que, enquanto a escola toda está reunida ouvindo os gritos da garota, Handa está cuidando dos seus afazeres e não fazendo ideia do que acontece. E aí a Miyoko começa a cantar uma música chamada "Eraser boys", simplesmente hilária e com um forte quê de "eu não esperava um musical sério no meio do meu anime" no melhor estilo Kurenai ou filme da Disney. Aliás, eu jurava que a dubladora dela era a Yui Horie por uma semelhança incrível com a voz dela em Immoralist, mas é a dubladora novata Kaede Hondo! Enfim, depois disso, Miyoko começa a mostrar sua verdadeira personalidade. Diz que queria prender Handa, e começa a enlouquecer porque obviamente Handa estava só brincando com suas fãs quando fazia coisas heroicas (leia-se: as coisas que os outros interpretavam como heroicas) uma vez que ele tem uma namorada. Ah, sim: um boato se espalhou de que Handa tem uma namorada. Então, ela quer cometer suicídio para se certificar de que nunca mais amará ninguém e coisa e tal.

A dramática heroína de musical só titubeia na sua decisão quando Handa vai até a sala de aula, na janela bem atrás dela. Ela começa a se perguntar por que ele estaria lá, quando Handa pega sua carteira - para Miyoko, a carteira na qual ela escreveu a "nota de suicídio"; para Handa, apenas a sua carteira com a altura perfeita para os seus esquemas de treinar caligrafia no meio da aula. E Handa começa então a fazer uma dedicatória à carteira: pede desculpas por não ter dado a devida atenção a ela enquanto podia, e diz que agora cuidará bem dela. Como de praxe, Miyoko (Fato engraçado: em um ato falho incrível, eu quase escrevi "Miyokichi". Nota de suicídio? Check. Louca sem limites? Check. Acho que tem mais semelhanças que diferenças aí.) acredita que aquilo foi para ela e acaba desistindo do suicídio, pensando em como Handa obviamente queria que ela vivesse enciumada por ele. Todas as pessoas na escola que queriam salvá-la ficam aliviadas, e todos os seus amigos ficam felizes, enquanto Handa simplesmente sai com sua carteira.

E então ela conclui que é importante amar sem esperar nada em troca, e que vai superar o fato de Handa ter uma namorada. Mas quem é essa namorada? Ou melhor, quem é essa mulher que Miyoko confundiu com a namorada de Handa? Na verdade, é ninguém menos que sua mãe, que Handa inclusive menciona ser "extremamente bela e com uma aparência jovem" em Barakamon. Por coincidência, ela acaba se aproximando de Miyoko para perguntar onde é a reunião de pais e mestres, e é aí que as coisas "clicam" para Miyoko.

Falando na reunião, o Handa fica triste pois acredita que nela sua mãe vai descobrir o quão odiado seu filho é na escola. O professor explica que Handa é "pouco sociável", e sua mãe diz que ele não era assim antigamente, como bem sabemos. Handa diz que não precisa ser sociável pois a escola é um lugar onde se vai para estudar, e então o professor, cedendo, pede apenas para que ele se esforce para falar um pouco mais, com o que a mãe concorda. É aí que começa o drama de Handa, e a terceira e última grande piada do episódio 4: Handa-kun tentando bater um papo com os amiguinhos.

Ele acredita plenamente que é odiado na escola, e é extremamente forçoso tentar conversar com as pessoas. Ele decide então que deve puxar papo sobre o clima com alguém que senta perto dele, e é claro que ele acaba tentando puxar papo com sua vizinha de carteira... Miyoko. Miyoko, a louca obsessiva que acredita cegamente que Handa fez algo por ela. Ela mesma. Vendo que o assunto não ia muito pra frente, Handa começa a tentar puxar papo com outras pessoas, como os membros da Força Handa. Todo mundo fica babando de alegria quando Handa puxa papo, mas claro que ele acha que isso tudo é ódio. E é muito bonitinho e engraçado o quanto ele tenta e mesmo assim faz tudo errado.

Como ele acaba puxando assunto justamente com os membros da Força Handa, é claro que eles reagem de formas tão exageradas que Handa passa a ter certeza absoluta de que tentar conversar com pessoas nunca dará certo. Quando ele tenta com o Yukio, o "senhor normal da turma", o resultado é especialmente engraçado por conta do quanto ele gagueja e sofre para falar simplesmente: "o Japão é um lugar legal, né?". E ele fala isso como se fosse a coisa mais incrível, claro. Yukio tenta simplesmente continuar a conversa, já que ele é especialista em "continuar interações normais de um jeito normal, claro", e o Handa simplesmente se apaixona por ele, o único cara que admite que não entende-o nem um pouco, nem faz questão de entender. Toda essa sequência do "Japão é um lugar legal" é ótima. No final, a mãe do Handa ainda não ajuda o filho a socializar.

Uma coisa notável desse episódio - além do quanto eu ri na terceira sequência - é que o "x = 12" do episódio 2 continua na lousa, intocado. Aliás, esses pequenos detalhes que permanecem dão uma sensação de desenvolvimento à história de Handa-kun, de que a série não é simplesmente uma comédia exagerada vazia, mas sim uma exageração de fatos bem plausíveis e que tem uma continuidade que culminará em Barakamon. Isso se intensifica nos próximos episódios, mas prossigamos!

Se o episódio 4 foi bom, o 5 foi ainda melhor. No quinto episódio surgem ainda mais personagens novos. O episódio começa com uma "ouji" muito louca que parece saída de um musical do Takarazuka. Sabe aquele estereótipo de dansou (um tema que eu preciso falar no blog, aliás...) que fica extremamente bonita tanto no uniforme masculino quanto no feminino, e tem um monte de fãs mulheres, muito comuns em alguns yuri, Utena e afins? Ela é uma paródia desse tipo de garota. Seu nome é Tennouji - "tennou", que significa imperador, mais "ouji", que significa príncipe - e ela tem como missão transformar a escola em um paraíso para as damas porque "a era dos machos acabou" e etc. Ela, assim como Handa, tem um monte de fãs apesar da sua personalidade questionável, ou talvez por causa dela.

Aliás, falando em traduções, vale abrir um parênteses aqui para notar que muitos fansubs usaram a palavra "feminismo", que nunca foi usada no episódio. A zoeira é exatamente com esse femismo exacerbado e alguns fansubs obviamente traduziram como bem entendem sem compromisso com fatos, como sempre. Feminismo é um movimento social que (sobretudo no Japão, onde o feminismo é bem diferente daquele ocidental mais individualista, e foca principalmente no bem-estar social assim como a primeira onda do feminismo ocidental) não tem nada a ver com essa tendência das "garotas-príncipe", que tem muito mais a ver com aquele machismo cultural que forçava mulheres a se fingirem de homens no passado e é um clichê antigo de shoujos que teve efeitos na realidade, etc. Resumo desse "no one cares" que eu poderia facilmente fazer um post para falar sobre é o seguinte: são duas realidades culturais totalmente diferentes e a piada fica bastante distorcida quando você traduz seja lá o que ela disse (que eu não me lembro agora, mas sei que não era feminismo) como "feminismo". Mas vamos que vamos continuar espalhando informação errada e deixando os fãs de anime ainda mais ignorantes sobre cultura japone--

*cof* Voltando! Então tem a Tennouji, que é doidinha e popular, e decide que o Handa é seu inimigo porque quando ele passa as garotas esquecem o feminismo e vão pro oposto do "será que meu cílio postiço está bem colocado?" - "mandris no cio", segundo a Tennouji. É óbvio que ele não dá a mínima, mas ela não faz a menor ideia e compra essa guerra do "Stupid Girls vs Quero Te Dar", usando todo o seu arsenal. Lembra das "garotas carnívoras" que foram atrás do Handa no episódio 4? Descobrimos que elas tem conexões entre si, e a Tennouji faz um acordo para que elas seduzam o Handa. Parte da piada que se perde na tradução é como ela se opõe à sexualidade feminina como "objeto de exploração", mas ela é quem mais aproveita para explorar essas garotas, e os fãs adoram esse jeito contraditório dela. Enfim, as duas vão atrás do Handa.

Escondidas, elas ficam observando Handa para descobrirem a melhor hora para atacar - e é aí que ele começa a fazer um imenso discurso. Diz que as gatas não devem ir atrás dele, e se lamenta por tudo mas reconhece que sua carne é muito venenosa e elas não podem comer. Todo um discurso ambíguo que só vendo para rir muito. Eu confesso que ri muito nesse momento. É claro que as garotas achavam que Handa tinha descoberto-as e que isso era com elas, mas na verdade era com os gatinhos de rua que Handa alimenta. Com o típico mal entendido da vez, as garotas se apaixonam por Handa e desistem de tentar pegá-lo em uma emboscada.

Sem acreditar no fato de que suas armas, as "garotas que nunca haviam se apaixonado", tinham enfim se apaixonado pelo famoso Handa pica-de-ouro, a Tennouji, com apoio dos seus vários ídolos, decide ir pessoalmente atrás dele junta aos seus seguidores. Todos saem correndo atrás do Handa, decididos de que ele tem que... vestir um uniforme de garota durante um ano. E assim surge uma sequência com um monte de garotos e garotas correndo atrás de Handa para que ele vista um uniforme de garoto como eu não via desde Princess Princess. Handa foge desesperadamente com medo do que diriam dele se ele fosse pego vestindo um uniforme de garota (e aliás, é hilário como na sua imagem mental ele vê só um monte de pessoas sem cara rindo e Kawafuji na frente de todos - ele literalmente não reconhece a existência de mais ninguém na escola!).

Enfim, para infelicidade do Handa, até os membros da Força Handa não o protegem porque... todo mundo quer ver o Handa vestindo o uniforme de garota. E é assim que ele é perseguido em prol da sua "estreia histórica de saia", até se deparar com a Tennouji no final das escadas que ele iria descer. Encurralado pela garota que segura uma saia e manda-o aceitar seu destino, Handa acaba sendo empurrado e caindo escada abaixo junto com o grandalhão, a Tennouji e mais um monte de gente em uma cena de comédia pura. Vemos então alguns flashbacks de como Tennouji se tornou essa maníaca. Ela sofria muito bullying por conta de não ser "menininha" o bastante, e por isso decidiu que queria criar um mundo no qual "fêmeas reinassem absolutamente" pra não ter que lidar com isso. Depois, vemos apenas Tennouji acordando e perguntando o que aconteceu - e as garotas explicam que ela caiu da escada, e acabou "tendo sua queda amortecida pelo Handa" - obviamente sem querer, mas ela chega à conclusão de que ele é um príncipe e acaba se apaixonando e ficando extremamente menininha, para a decepção de todas as suas ídolas. ("Você está agindo como uma menina, presidente!" "Mas ela é uma menina!" - comedy gold.)

Esse arco todo... eu pessoalmente achei meio clichê - piada com femista louca é uma coisa velha tanto no Japão quanto no Brasil, então eu só suspiro e penso "vamos lá". Eu também não gosto desse estereótipo, então desde o começo do episódio achei sem graça, mas da mesma forma que fiquei com outros arcos e episódios e acabei rindo no final. Aliás, a história da Tennouji? Relatable.




Enfim, o fato é que depois da queda o Handa fica meio "quem sou eu", e depois, advinhem - ele perde a memória, e começa a agir de uma forma totalmente diferente. Em mais uma referência ao episódio 4, o Handa começa a falar - super naturalmente, sem nem gaguejar nem nada! - sobre como o clima está bom, e coisas do tipo. E é aí que todo mundo percebe: ele enlouqueceu. Porque Handa falando naturalmente é algo que simplesmente não acontece, e vai daí para pior. Handa não só fica totalmente simpático como também começa a se despersonalizar em outros sentidos: usando estojo e canetas de glitter - nada a ver com os seus acessórios normalmente sóbrios, e a seriedade dos instrumentos de caligrafia! - e outras coisas nonsense assim. Os membros da Força Handa obviamente são os mais preocupados com tudo isso, e os poucos que sabem a verdade de tudo que aconteceu. O "falso Handa" do episódio 4, Kei, sai chorando quando vê o estado do seu ídolo - é esse o nível da coisa. Aliás, é muito bom vê-lo falando sobre como ele parece um modelinho de quinta (que nem Reo, que capta na hora a indireta) e que sua "estética Handa" não aguenta isso.

O próprio Handa não faz ideia de tudo que está acontecendo com ele; ele não sabe mais quem ele é, mas tudo que ele consegue concluir pela forma que a Força Handa o tieta é que ele deve ser muito popular. Super popular, e que isso é super legal - vamos lembrar sobre como o Handa-pré-Kawafuji era na verdade um garoto bem simpático e normal? E como ele de fato se sente solitário e sem amigos? Bem, aí ele se torna, segundo os membros da Força Handa, "irritante" por aceitar isso numa boa e agir de forma super simpática com o pessoal da escola e coisa e tal. Enquanto seus "amigos" se deprimem, ficam preocupados e tristes - Tsutsui chega a considerar não ir mais para a escola, já que o seu motivo se foi! - e pensam em formas de fazê-lo voltar ao normal, Handa vai andar pela escola e aproveitar seu status de garoto popular.

Quando esse Handa diferente aparece para o público da escola, as coisas se tornam ainda mais confusas, e por "confusas" eu quero dizer "hilárias" porque ele se torna o maior moleque piranha. Handa realmente começa a agir um tanto como o Reo, se achando o bishounen do ano e dando em cima de garotas aleatórias, o que chega a render um comentário muito engraçado do Yukio que, ao passar por ele encostando em uma garota na parede, pensa natural e sobriamente que só pode ser mais um Handa falso. Depois de assediar uma pobre garota, Handa anda mais um pouco pela escola e as notícias se espalham: de que Handa agora é "aproximável" e "simpático". As inúmeras fãs de Handa ficam obviamente muito felizes com isso, a princípio, e em um dado momento várias delas se acumulam em cima dele e começam a perguntar coisas como "então nós pessoas comuns podemos falar com você agora?" ou "me dá um autógrafo?". É claro que o novo Handa, cúmulo da simpatia, começa a responder e dar a maior bola para todos. E aí ele resolve não só dar como distribuir dar beijos em todo mundo.

A que conclusão todos chegam? Claro, de que esse só pode ser mais um Handa falso, porque "o Handa de verdade nunca se rebaixaria assim". E então todos vão embora. Com isso, ReoHanda começa a se perguntar o que ele fez de errado, afinal as pessoas normalmente ficariam felizes com um ídolo distribuindo beijos, não? E essa é a prova de nem com memória, nem sem memória ele é minimamente bom em lidar com as pessoas, o que é hilariantemente doce. E aí ele começa a achar que popularidade não importa e refletir profundamente sobre a vida como Handa sempre faz. No meio de tudo isso, tivemos ainda: Miyoko descobrindo que Handa está distribuindo beijos, correndo atrás dele para conseguir um, e o alívio da Força Handa ao ver que algumas coisas não mudam e que mesmo sem memória Handa tem medo de Miyoko.

Enfim, lendo um livro mangá, Aizawa descobre que tudo que é preciso fazer para salvar Handa é aplicar o mesmo nível de choque que causou a perda de memória. E é assim que o objetivo da Força Handa passa a ser dar uma pancada na cabeça de Handa para que ele volte ao normal. E é isso que eles começam a fazer: correr atrás de Handa com a intenção de bater nele. É claro que eles ficam muito chorosos de ter que fazer isso, e é claro também que o desajeitadíssimo e socialmente inepto Handa passa a ter certeza absoluta de que na verdade ele não é popular, mas sim, é odiado. Quer dizer, o gigantão do Tsutsui chegou querendo meter a porrada nele, até eu teria certeza disso. Handa sai correndo chorando de medo porque "não quer morrer", e enquanto é perseguido acaba sendo encurralado novamente na escada. Ele sente uma dor de cabeça, mas não fala sobre isso - e então temos um momento End of Evangelion em que ele fala que sua cabeça parece que vai se dividir e logo cai escada abaixo. Artístico.

E então funcionou, certo? Ele voltou ao normal, certo? Bem, mais ou menos. Ele se machuca todo e coisa e tal, e então... continua sem memória. Conclusão implícita: mangás não são fontes confiáveis de fatos verídicos! A questão é que ele está sentindo tanta dor, e com tanta certeza de que ele é completamente odiado, que ele acaba voltando ao seu estado normal de mau humor e de tentar manter as pessoas afastadas. E é claro que como sempre ocorre um mal entendido, e como Handa sempre odeia todo mundo, a Força Handa conclui que: ele voltou ao normal!! Eba!

E nessa punchline genial termina o arco.

No final do episódio, no dia seguinte, o Kei chega todo felizinho com as boas notícias de que o Handa teria voltado ao normal, põe a mão no ombro do seu ídolo e... leva a mais séria e honesta das caras de "vou te matar" que ele já viu. E afinal, só o Handa de verdade faria uma cara dessas! Nada faz sentido, tudo é hilário e todo mundo está comemorando muito o fato de Handa ter voltado ao normal. O que ele não voltou. E assim termina o episódio.

Eu preciso confessar que eu ri que nem idiota com toda essa sequência extremamente out-of-character da segunda parte do episódio 5. Preciso confessar também que queria tanto que a Tennouji tivesse aparecido nessa hora que ele resolve virar pegador, porque as chances de ela dar um murro na cara dele eram grandes. É algo bom que eu já chegue a ponto de sentir falta de um personagem secundário, no quinto episódio, não? Acho que isso diz muito da boa caracterização de Handa-kun. Por falar nisso, Kawafuji apareceu muito pouco nesses dois episódios; na verdade, ele não apareceu em nenhum lugar além da memória do Handa, e eu senti bastante falta porque pessoalmente gosto dele. O lado bom é que ele aparece bastante no episódio 6, mas eu vou deixar isso para o post seguinte.

No mais, acho que o mais engraçado desse arco foi notar o quanto Handa de fato se sente solitário com ou sem memória. É engraçado como mesmo tentando parecer super simpático e popular, Handa simplesmente não sabe lidar com pessoas. Nesse episódio, descaracterizado e sem a "barreira", ele acaba virando a versão masculina da Tomoko de Watamote - desesperado por atenção, desajeitado e cringeworthy nas suas conclusões, como "ser popular deve fazer as pessoas me invejarem e por isso todos me odeiam". Sim, Handa-amnésico. Não é porque você empurra garotas na parede, é por isso.


Enfim, o fato é que mesmo sendo uma série de comédia, às vezes Handa-kun me faz pensar de verdade. E com "às vezes" eu quero dizer "quase sempre". Sempre que eu escrevo um post sobre Handa-kun, eu acabo parando para refletir sobre como de fato toda a nossa socialização se baseia muito em estereótipos. Desculpa pelo ranço de TCC, mas nossa sociedade é baseada em imagens e a gente espera uma certa estabilidade nas coisas que as pessoas nem sempre tem, mas são forçadas a terem. Handa-kun me lembra muito essa discussão pelo fato de que a comédia toda consiste em expôr o quão bobos são esses estereótipos, mas esse episódio ainda mais, pois todo mundo só reconhece o Handa como sendo o Handa se ele for alguém extremamente rígido, fechado e com um certo ar de superioridade. Eu já falei sobre isso, mas identifico um pouco do meu eu na escola com o Handa e sou o tipo de pessoa que às vezes sempre se pega pensando "como eu me meti nisso?", então eu acho engraçadíssimo observar isso e adoro ver a realidade nesses estereótipos da série. Ninguém acredita que o Handa poderia ser tão diferente se uma única memoriazinha fosse mudada, no caso, o trauma causado pelo Kawafuji. E se ele mudasse isso, ele não seria mais o Handa solitário, e aí... etc.

Esses dois episódios também permitiram, ao nos aproximar da metade da série, entender um pouco melhor como ela funciona. Temos sempre sequências de piadas - que lembram especialmente o formato 4-koma, apesar de a série original não ser nesse formato! - com uma ou duas punchlines em um episódio, e em geral, apesar de.. enfim. Adoro poder observar coisas genuínas assim a partir de uma comédia tão simples quanto Handa-kun. Que é ótima desse jeito: no fim das contas não é mesmo uma comédia vazia, mas é simples, não é pretensiosa. Acho uma comédia bem equilibrada e bem feita, e talvez eu não percebesse esses detalhes consistentemente bons se não fosse por essas resenhas.

Encerrando por aqui esse post, queria pedir desculpas pela demora excessiva - eu realmente não tive desculpa além do fato de que eu tenho uma preguiça horrível de tirar screenshots manualmente. É sério, não tem realmente outro motivo para esse post ter atrasado tanto. O post dos episódios 6 e 7 já está sendo escrito, então espero poder publicar os próximos no ritmo esperado. m(_ _)m Muito obrigada a quem leu até aqui, espero que tenham gostado do post! Deixem nos comentários o que acharam, e até mais!~ 

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