sábado, 23 de julho de 2016

Handa-kun 1 e 2 - De zero a cem bem rapidamente.



Olá, gente! Como eu havia prometido que essa temporada iria fazer posts semanais sobre o anime que fosse escolhido, estou aqui finalmente com os posts sobre os episódios 1 e 2 de Handa-kun.

Como eu já comentei no meu post de primeiras impressões da temporada, eu inicialmente não tinha gostado de Handa-kun a metade do que achei que gostaria, porque realmente não tem nada a ver com Barakamon [resenha]. Apesar de ter também o Handa, claro, nesses dois episódios quem mais aparece não é nem ele, mas sim os personagens à sua volta, as bizarras pessoas que estudam na escola do poderoso, glorioso e famoso Handa. Que, aliás, não é popular pela sua caligrafia, mas sim pelo fato de que ninguém na sua classe entende sua personalidade excêntrica.

Então, vamos do começo. Handa-kun conta a história desse rapaz, chamado - advinhem - Handa, que para quem não sabe é o protagonista da série maravilhosa de slice-of-life chamada Barakamon. Handa, em Handa-kun, ainda é apenas um estudante de ensino médio, muito dedicado nos seus estudos de caligrafia - e que por isso não parece ter interesse em se conectar com ninguém na escola. Enquanto todos estão preocupados com questões da adolescência, como romance e popularidade, Handa só quer saber da sua vida e dos seus estudos de caligrafia. Isso faz com que ele, inadvertidamente, pareça muito cool para seus colegas da escola, quando na verdade ele é só um sujeito qualquer que tenta de todas formas se proteger contra bullying, responsabilidades extras e qualquer outra coisa que possa perturbá-lo na escola.

Coisas hilárias acontecem a partir daí. E digo "coisas hilárias", claro, só depois de ver os dois primeiros episódios e entender que o começo do episódio 1 foi só uma invenção do anime que não tem muito a ver com o resto da história baseada no mangá, nem com nada.

O episódio 1 começa com eventos pouco promissores: dez ou quinze minutos de um grupo de garotos desconhecidos que se auto-intitula a "Força Handa", e eles estão completamente revoltados porque vai sair um anime de Handa-kun e eles não foram informados. O que significa que Handa-kun começa com dez ou quinze minutos de piadinhas auto-referenciais quebrando a quarta parede, sem Handa e com muita propaganda do estúdio que anima a série, e só depois disso temos o começo do primeiro capítulo do mangá.

O que dizer desse começo do primeiro episódio? Sinceramente, para mim foi arrastado e não teve muita graça, mas sei que é "ame ou odeie": vi que teve gente que amou, e gente que odiou tanto quanto ou mais que eu. O começo tem um humor escrachado e cheio de referências, bem diferente do resto da série e mais diferente ainda de Barakamon. Se houvesse uma "escala de comprometimento com a realidade" para julgar o humor de uma série, Barakamon e o começo desse episódio estariam em lados opostos. E como eu sou fã de Barakamon, obviamente... bem, não curti muito.

A minha questão: qual é a graça, afinal, de começar um episódio com personagens que não conhecemos quebrando a quarta parede? A graça de quebrar a quarta parede, em teoria, é mostrar personagens que já estamos acostumados a ver como "personagens", com personalidades fictícias claras e etc. entendendo mais do nosso universo do que suporíamos, não? Mas o estúdio optou por simplesmente começar o anime assim. Mais que bizarra, achei a escolha fraca e apelativa. Esse tipo de humor é muito popular entre otakus, reconheço, assim como referências gratuitas a outras séries - que também teve nesse começo. Vi ainda gente falando que esse começo lembrou Gintama, que é outra série que - desculpa aos fãs - não ligo nem um pouco pro humor.

Mas depois disso Handa-kun simplesmente se tornou outra coisa, e essa coisa perdura até o episódio 3, o que me leva à conclusão de que aquilo no episódio 1 foi só uma escolha diretorial bizarra mesmo. Então, bem... pelo que dá para apostar até agora, o resto dos episódios terá um humor menos chamativo, menos escrachado, e com um público mais bem definido.


O lado bom desse comecinho bizarro foi, primeiro, poder perceber o nível de influência absurdamente grande que essa personalidade chamada Handa exerce sobre os colegas de escola em primeiro lugar - o que é realmente importante para entender a série - e depois, poder conhecer alguns dos personagens que a gente vai acompanhar no resto da série. Essa tal "força Handa" é o grupo de garotos mais fortemente admiradores do Handa, e os primeiros capítulos da série - que serão os primeiros episódios do anime - são justamente para apresentar as histórias de como eles desenvolveram suas paixões platônicas ou não, vai de perspectiv-- pelo Handa.

Ah, o Handa. Suspiro.

Handa é aquele estudante de ensino médio que causa uma impressão forte para todo mundo na classe, mas na verdade é tudo mero acidente e o que ele quer mais é sumir. Na segunda metade do primeiro episódio, que enfim conta a história do primeiro capítulo do mangá, ficamos conhecendo mais sobre esse personagem venerado: as pessoas da escola vivem olhando para ele e pensando no quanto ele é incrível, enquanto ele olha para as pessoas e pensa no quanto elas querem destruí-lo, destroçá-lo, jogá-lo na sarjeta e arruinar sua maravilhosa carreira de calígrafo. Basicamente. Não é preciso dizer, então, por que ele é muito popular: ele é extremamente cauteloso, muito político, escorregadio que nem quiabo. Mas, quando surge alguma coisa da qual ele não pode desviar, a comédia acontece.

No primeiro episódio, a garota mais popular da classe, Maiko, fica pensando em como deve se declarar para ele. O rumor de que ela gosta do Handa se espalha, e a classe toda fica comentando sobre isso, afinal, que power couple, né? Tudo poderia ser muito fácil, se Handa não fosse essa pessoa extremamente insegura a ponto de achar que a garota que "quer falar com ele depois da aula" não estava querendo se declarar, mas sim pegá-lo na saída. No sentido... não-romântico.

Ao receber uma carta na sua gaveta de sapatos, Handa começa inicialmente a pensar na tragédia que é fazer inimigos até mesmo no ensino médio, e ficamos sabendo que desde o ensino fundamental ele já recebia muitas cartas... de correntes. Ele achava que era uma daquelas cartas de corrente, do tipo "se você receber isso terá que reenviar para dez pessoas ou coisas horríveis acontecerão a você". Mas e se não for uma letra de corrente, o que poderia ser? Handa pensa, e chega à conclusão de que é... uma carta chamando para briga, claro! E amassa a carta. Nesse momento, a melhor amiga de Maiko, Juri, vai falar pessoalmente com ele, e ele pensa que se meteu em mais problemas ainda, já que amassou a carta na frente de quem a enviou. Claro que Juri só está muito brava por ele ter feito isso com a cartinha de declaração da amiga, mas Handa tem absoluta certeza de que elas só querem fazer bullying com ele.

Depois disso, Handa decide que precisa escrever uma carta para Maiko para evitar essa briga, mas ele nem se lembra do seu nome. Ele decide, então, perguntar o nome para Juri. Ao tentar chamar a atenção de Juri no meio da aula para perguntar, ela, com um raciocínio totalmente oposto ao de Handa, quer acreditar que ele está tentando chamar sua atenção pois está apaixonado por ela. Handa escreve uma letra para Juri perguntando o nome de Maiko, e como ela não entende nada da sua caligrafia complexa, conclui que ele queria dizer: "Juri, eu amo você e não a Maiko".

Juri, que é uma garota feinha e inocente, começa então a ter pensamentos demais sobre como esconder de sua melhor amiga que é sua "rival no amor", mas quando Maiko diz a Juri que gosta dela porque "não quer ter amigas mais bonitas que ela", uma treta inesperada se inicia: Juri compra a briga de ser a rival no amor de Maiko. E é isso que acontece no final do episódio: três pessoas se encontram no ginásio - um Handa que acredita que não conseguiu evitar uma briga, uma Juri certa de que ele está apaixonado por ela, e uma Maiko prestes a se declarar. E claro, além dos três, a escola inteira que quer assistir o nascimento da power couple. E que Handa não tem muita certeza se só estão lá porque também querem quebrar sua cara, ou só para ver a tal briga.

Nesse meio tempo, Handa fica tão concentrado em seus pensamentos e distraído que começa a praticar caligrafia no meio da aula, a despeito da represália do professor, e quando o professor o chama para responder uma questão, Handa escreve na lousa com o pincel de caligrafia. O que Handa faz por distração, todos interpretam como uma atitude de rebeldia ou amor pela Maiko, acham lindo e tiram fotos. É esse o nível de mal entendidos pelos quais Handa passa.

O resultado disso tudo só se dá no episódio 2: Juri diz que quer proteger Handa da personalidade horrível de Maiko antes que ela possa se declarar, e as duas começam a brigar entre elas. Handa começa a não entender absolutamente nada, até que Juri diz: "você mandou a carta para mim porque ficou com dó de eu ser a sombra da Maiko sempre, certo?". Não entendendo nada, Handa decide simplesmente seguir o conselho de Juri e cair fora, para os "oooh" (quem nunca?) de toda a turma da escola, mas não sem antes deixar um conselho: que elas parem de brigar e sejam amigas, porque amigos são uma raridade. O que ele disse provavelmente pela sua dificuldade de fazer amigos foi interpretado por todos com mais "oooh", e por fim, Maiko corre atrás dele para entregar sua carta... e tudo que ele diz é: "caligrafia feia". E vai embora.

No fim dessa história, Maiko e Juri decidem trabalhar juntas como melhores amigas "e rivais no amor" para arrumarem seus defeitos. E, pelo que deu para ver no restante do episódio 2, isso resume o efeito que Handa tem nas vidas de todo mundo que encontra: ele não entende nada, todo mundo o interpreta errado e resolve se esforçar para se tornar uma pessoa melhor, e ele continua sendo ele.

O episódio 2 tem ainda mais duas histórias, de dois membros da "força Handa": Aizawa e Reo. Aizawa é o megane-character que se orgulha de ser uma pessoa com "habilidades de liderança" e tudo mais, e que luta para ser o representante de classe... até que ele conhece a pessoa chamada Handa. Quando acontece a votação para decidirem quem será o representante de classe, metade da sala escolhe Handa, e outra metade escolhe Aizawa. Por que Handa? Bem, porque além de ser popular, ele não está em nenhum clube - já que ele sempre volta para casa cedo para estudar caligrafia - e todo mundo supõe que ele tem muito tempo livre. Mas é claro que Handa pensa que é porque querem empurrar a árdua e chata tarefa de ser representante de classe para ele. Além disso, ele demonstra que sente pena do outro rapaz que também foi escolhido para essa árdua tarefa.

Aizawa, por outro lado, sente absoluta necessidade de ser representante de classe, e pensa que Handa sente pena dele porque ele "obviamente merece perder". Dada a sua personalidade, Aizawa fica entusiasmado pela possibilidade de disputar uma posição com o super popular e influente Handa, o que o deixa ainda mais inflamado para competir pela posição de representante de classe. Enfim, como Handa simplesmente não quer chamar nenhuma atenção, ele finge que topa a disputa, com toda intenção de perder de qualquer forma. Enquanto isso, Aizawa tem toda intenção de ganhar. Parece óbvio o resultado dessa disputa, não?

Quando Handa percebe que os interesses de ambos estavam alinhados, ele tenta levantar sua voz - o que ele sempre evita fazer - e ceder o posto para Aizawa... que o interrompe, grita na sua frente, e diz que eles devem disputar honestamente pelo merecimento! Como os dois acabam empatando no voto popular, fica decidido que o representante será definido pelo jogo de jankenpon, vulgo pedra-papel-tesoura, já que "sorte também é um talento". Basicamente, tudo vai se encaixando de uma forma perfeitamente natural, mas que não beneficia nenhum dos dois, já que Aizawa quer ganhar de forma honesta, e Handa só quer sair da disputa de qualquer jeito.

Para Handa, a saída é dizer o que ele vai jogar, de modo que Aizawa ganhe sem dificuldades. E ele diz: "vou jogar pedra". A classe toda faz mais "oooh" com esse desafio, obviamente. Aizawa, então, começa a pensar demais sobre isso: seria uma forma de Handa demonstrar que sente pena da sua situação ridícula? Ou será que é só uma armadilha? E então ambos começam a criar argumentos mentais, no melhor estilo L vs Light, para tentar descobrir o que o outro vai jogar. Da primeira vez, Aizawa desconfia de Handa e perde. Muito chateado, ele suplica por uma melhor de três. Ele ganha a segunda, já que Handa diz "vou jogar pedra" e ele joga papel. Na terceira, ele começa a duvidar de Handa de novo... e perde. E o que Aizawa conclui? Claro, que Handa queria ensiná-lo uma lição sobre honestidade, e que por isso ele é o merecedor do posto de representante de classe. Handa, por outro lado, resolve essa situação toda dizendo que não quer ficar com o posto, que pensou melhor e concluiu que não vai ter tempo para isso... e volta para casa.

No dia seguinte, ele descobre que Aizawa fez um discurso e ele acabou saindo como "vencedor" da "disputa" pelo posto de representante de classe. Reviravolta maior do que a sua tristeza, só a sua pergunta: "mas o que o representante de classe faz, afinal?".

Depois, temos a história de Reo, um modelo profissional super popular com as garotas... mas não mais que Handa, claro. Quando ele pergunta a elas quem elas preferem, elas dizem que: claro que Reo é mais bonito, afinal é um modelo profissional, mas Handa tem um charme que vai além da aparência. Reo se revolta, e começa a considerar Handa seu rival... como basicamente todo mundo que conhece Handa, claro. E então ele começa a perseguir Handa, na tentativa de descobrir seu segredo para ser um rapaz charmoso. O que esse jovem simplório tem para competir com um modelo, afinal?

O que ele descobre seguindo Handa é o que todo mundo já sabia: que ele não tem nada de especial além da sua mística aura incrível. Handa anda pela rua conversando com gatinhos como digno de um personagem da Disney (sinceramente, nesse momento até eu o achei lindinho e fiquei "nhonhonho *-*". Aliás, a alergia de gatos do pobre coitado faz uma aparição aqui também!), e Reo toma nota até do espirro dele, mas nada deixa muito claro qual é o segredo dele. Reo passa por algumas garotas que não o notam, mas notam a presença de Handa, que se esquiva e desaparece.



Reo continua procurando-o, e acaba chegando em um distrito muito cheio das tendências da moda, a la Harajuku; um desses distritos japoneses com vários olheiros de modelos e afins. E então ele pensa: se algum olheiro, sobretudo da empresa dele, vir Handa... acabou a sua carreira, porque obviamente todo mundo vai gostar muito mais de Handa do que dele. É claro que é exatamente isso que acontece - os olheiros da sua empresa o sentem de longe, e vão correndo atrás dele com uma roupa extravagante para que ele vista. Isso tudo acontece na frente de Reo, que desesperado com o sucesso do rival, se joga na sua frente e suplica para pararem com isso.

Handa não reconhece seu colega de classe, mas além disso, ao vê-lo com a roupa toda suja - já que ele esteve seguindo-o o tempo todo, se escondendo atrás de moitas e afins - conclui que o rapaz só poderia ser um maltrapilho, e que por isso ele "merece mais estas roupas do que eu". É assim que ele deixa Reo ficar com as roupas de maltrapilho, e sai andando, justificando que não tem nenhum interesse nas roupas ou na carreira de modelo.

E é assim que Reo conclui que Handa é um homem com um coração extremamente puro, e se junta à Força Handa, assim como Aizawa. Fim dos dois primeiros episódios!

Bem, como deve ter dado para perceber mesmo por quem não viu os episódios em si: a história de Handa-kun não tem nada de complexa, e nada de parecido com um Barakamon. A piada recorrente de Handa-kun é uma que gira em torno do quão incrível Handa é, e do quanto todo mundo o interpreta errado - achando que ele é muita coisa que ele realmente não é. Ele não é incrível porque tenta desesperadamente ser, mas sim porque todo mundo o interpreta errado. No fim das contas, o quanto você vai curtir o humor de Handa-kun, a julgar por esses dois episódios, parece depender exclusivamente do quanto você gosta dessa piada: todo mundo quer cuidar da vida de Handa, ele cuida exclusivamente da sua vida, e coisas hilárias acontecem. E acho que uma das coisas engraçadas de Handa-kun é isso: o estereótipo é real, mas pouco explorado.

Afinal, não é a toa que a série se chama Handa-kun: é porque a comédia toda gira em torno do quão incrível esse rapaz é para os outros. E não dá para evitar aqui as comparações com Sakamoto desu ga, porque a premissa soa realmente idêntica. Ainda é cedo para dizer o quanto as séries se parecem, mas uma diferença fundamental é que, se em Sakamoto desu ga o personagem título realmente é perfeito, uma paródia exagerada de um estereótipo de personalidade, em Handa-kun o estereótipo é muito mais realista, e a comédia gira muito mais em torno de um exagero das situações pelas quais esse tipo passa.

Eu pessoalmente gosto desse tipo de piada, em primeiro lugar porque já conheço o personagem Handa de outros carnavais e seria forçado demais se fosse um pouquinho menos realista que isso, e em segundo lugar porque é de fácil identificação para qualquer pessoa que sofre ou já sofreu com ansiedade social. Tem algo de engraçado em ver de fora uma pessoa sofrendo por coisas que os outros não estão realmente pensando quando você consegue se identificar com isso. (Er... exceto se for nível-Watamote, mas vamos deixar esse assunto para outro post.) Depois, é especialmente engraçado porque Handa-kun se passa no ensino médio, e um ótimo resumo de qualquer bom ensino médio para quem já passou por isso é "um monte de jovens com histórias e pensamentos diferentes não se comunicando efetivamente". Apesar de todo mundo parecer muito retardado e não fazer ideia do que seria óbvio, a realidade tende a ser a mesma coisa de uma forma menos exagerada.

Como eu já tinha comentado, a piada é simples e não é escrachada, é sempre tratada com muita leveza. Além desse piada, o que dizer do restante da série? História, até o momento, não parece ter muita; estamos conhecendo os personagens da força Handa, por enquanto. E os personagens? Um fator que promete em Handa-kun é que, apesar de ser sim, como eu tinha mencionado, uma comédia um pouco vazia a la Tanaka-kun wa Itsumo Kedaruge ou Sakamoto desu ga, é um pouco mais slice-of-life do que esses. Em outras palavras: as situações são igualmente exageradas, mas você consegue entender as motivações dos personagens por trás e identificar alguns tipos comuns de toda escola, então a personalidade deles acaba sendo mais interessante do que simplesmente estereótipos. Sinto que esse cuidado com personalidades é um traço da autora, e se você gostar do estereótipo do personagem, mesmo que a sua personalidade em si seja superficial, acredito que você deverá gostar dele, ou no mínimo se divertir com suas piadas.

Eu pessoalmente gostei do Reo, por exemplo, porque ele é um estereótipo de personagem vaidoso e frívolo bem único de anime e que eu costumo achar muito engraçado, mas é aquilo: nenhum deles tem uma personagem super bem desenvolvida, mas todos tem personalidades muito bem definidas. Ou seja, todos são incríveis como estereótipos, mas não são apaixonantes como os personagens de Barakamon. Não sei se é porque eu já o conheço de Barakamon ou não, mas o único lá que mostrou ter uma mentalidade menos "vaca de presépio", até agora, foi justamente o Kawafuji, esse aí do lado, que não apareceu por mais que alguns minutos nesses dois episódios, sempre se perguntando o que raios seu amigo aprontara desta vez.

Visualmente, até o momento o anime não tem muita graça, mas a gente já sabia disso. O estúdio Diomedea (Akuma no Riddle [comentários], Mayoiga) não tem exatamente um portifólio assombroso de bom - ou, em outras palavras, rola uma falta de orçamento. A arte é claramente barata e não tem nada de extremamente vistoso aos olhos. Em compensação, os tons de cores pasteis escolhidos, na minha opinião, são bonitinhos e reminiscentes de séries de comédia leve e similares recentes, como Tanaka-kun wa Itsumo Kedaruge, Danshi Koukousei no Nichijou, entre tantas outras.

O mesmo a respeito de "não ser impressiva" pode ser dito a respeito de música até agora, já que a música não tem nada de especial - apesar de a abertura me lembrar de Sakamoto desu ga, e eu ter ouvido falando muito bem, a música da série em si não é notável - e uma coisa que eu senti falta, obviamente, como fã local do Daisuke Ono, é o fato de que a voz de Handa não está mais sendo feita por ele, mas sim por Nobunaga Shimazaki. Que é um dublador ótimo, mas... não é OnoD. Desconheço o motivo, mas chuto que orçamento ou incompatibilidade de agendas mesmo, o que me deixa chateada mas vida que segue.

Agora, depois de assistidos dois episódios e feitas todas essas reflexões, eu concluo que não vai ser ruim acompanhar mais uma comédia simples e leve nessa temporada, e que não vai ser difícil escrever sobre Handa-kun, entre outros motivos, porque a série realmente está sendo tão envolvente quanto Barakamon. Pensando aqui, nos primeiros episódios de Barakamon eu também não dei uma mínima, mas depois de todos os episódios se tornou possivelmente minha série favorita de 2014, e olha que eu vi muitas séries naquele ano. Porque Barakamon vai te conquistando aos poucos, e eu sinto que isso é o que a série mais divide com Handa-kun. Porque ainda que os personagens, temas e propósitos sejam diferentes, diria que também existem algumas semelhanças. Destaco a leveza, o destaque para os personagens (a obsessão do Handa com caligrafia e sua alergia por gatos, por exemplo, não mudaram nada!) e essa capacidade de envolver aos poucos quem é o público, digamos assim.

O primeiro episódio de Handa-kun começa meio fraco das pernas, com/quinze minutos/ de propaganda vazia do estúdio Diomedea. Depois desse começo, porém, quando eles começam a realmente focar na história - que deve ser a história do mangá - a coisa começa a ficar mais interessante, e depois desses dois episódios somente eu já estava empolgada para ver mais. A punchline do fim do episódio 2, mostrando o Handa desejando o mal de uma senhorinha que o atrapalha na fila do ônibus, realmente me ganhou! E sinto que vai ficar ainda mais divertido quando tivermos mais do Kawafuji (já disse que eu sou suspeita porque o adorava em Barakamon, certo? Ok então.) e quando conhecermos melhor a tal "força Handa", então estou ansiosa pelos próximos episódios.

Como o 3 já saiu, para não me estender demais, vou terminando esse post atipicamente longo por aqui. Como é uma série de comédia, vou tentar escrever menos que o normal sobre ela (prometo). Espero que tenham gostado dos comentários, e até o post do episódio 3! ^_-

2 comentários:

  1. Olá, Chell!
    Você comenta lá no blog e eu decidi dar uma passada aqui, e devo dizer que concordo com tudo o que você falou sobre Handa-kun.
    Eu acho o anime bem interessante, e fiquei meio "WUT!" quando os personagens não estava nem entendendo o que estava acontecendo, mas decidiram mudar por contra própria (e pela "influência" do protagonista, que só quer sumir dali e estudar caligrafia).
    É uma série de situações que fazem com que o anime fique engraçado e aprazível (bem, ao menos ao meu ver, né LOL).
    Tentarei comentar aqui mais vezes. Adorei a matéria! o/

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    1. Oi, Tamao!! :D Tudo bem? Como vai?
      Que bom que você gostou do post e que não fui só eu quem ficou meio "wtf" com as reações dos personagens em geral, hahah! Acho que a ironia das situações cotidianas é mesmo a graça de Handa-kun, mas é pra quem vê, né... eu também gosto desse tipo de humor e de um bom SoL, então estou curtindo. :D
      Muito obrigada mesmo, vou passar lá nos seus posts no Anime21 mais vezes também! ♡ Até mais!

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