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terça-feira, 14 de junho de 2016

Anime: Owari no Seraph - Uma resenha admitidamente tendenciosa para o bem.



Disclaimer: Assim como OwaSera não nega sua natureza de "quero ser épico", eu não vou nem tentar negar o quão fangirl eu sou nesse post.

Oi, gente! Venho aqui hoje para trazer uma resenha de um anime cuja resenha eu estou devendo há muito tempo. "Estou devendo", eu digo, porque foi de longe meu preferido nas temporadas em que ele passou. Não por ser excepcionalmente original, bem produzido ou por ter mudado minha vida, não. Mas por ser excepcionalmente divertido, misteriosamente envolvente, e ter slash pra dar e vender. (´・ω・`)

Senhoras e senhores: Owari no Seraph, que merecia post nesse blog há muito tempo para eu poder proclamar meu apreço.

Owari no Seraph é uma série split-cour com um total de 24 episódios, produzida em 2015 pelo Wit Studio (Shingeki no Kyojin, Rolling Girls [comentários], mais ShingekKotetsujou no Kabaneri). É baseada em um mangá serializado na Jump SQ, vulgo "minha revista shounen favorita" revista shounen que publica também mangás como Claymore e Ao no Exorcist. (Que por acaso, não, não são seinen.)

A série foi traduzida para o inglês como Seraph of the End: Vampire Reign, e só por aí, mesmo que você não tenha nenhuma ideia do que se trata o anime pelo título original, já dá pra ter uma vaga ideia de que é um anime sobre vampiros. Mas não que nem Diabolik Lovers [resenha] ou Vampire Knight, em que os vampiros meio que só são vampiros por propósitos estéticos, nem como Shiki, que segue à risca muitos clichês de histórias de vampiros ocidentais; Owari no Seraph pega clichês de anime shounen, como a destruição do mundo e a salvação de poucos, contratos /人◕ ‿‿ ◕人\, equipes fardadas, amigos de infância que se tornam inimigos, espíritos saindo de corpos, bishounen homoafetivos e reviravoltas insanas, mistura isso tudo com o conceito clássico de vampiro, e admito - me fez agradecer por estar viva em 2015.

A história é: Yuuichirou e Mikaela, vulgos Yuu e Mika, são amigos de infância que crescem juntos em um orfanato, em um universo que fora tomado por Forças Do Mal™. "Forças do Mal?" Basicamente, um vírus misterioso se alastrou por toda a população adulta, e apenas as crianças com menos de 13 anos permaneceram humanas saudáveis e tal. Aproveitando-se da situação, vampiros que viviam escondidos naquele universo começam a emergir e forçar o restante da população a viver sob o seu domínio. Sim, esses vampiros vão atrás até mesmo das crianças. Para completar este cenário já horrível, um grupo de crianças que organiza um plano para fugir do orfanato é pego, e essas crianças são levadas embora e tem os fins mais trágicos.

Mika era uma dessas crianças, e Yuu era revoltado demais para ser uma dessas crianças. É assim que eles acabam separados pelo destino, e essa se torna uma história de como Yuu quer acabar com os vampiros e reencontrar seu amigo... até descobrir que Mika se tornou um deles. Dun dun dun.

Explicada essa premissa, eu vou admitir que não me lembrava de tudo isso, ou comecei a ignorar em algum momento no meio da série. Porque, sinceramente, no meio de todos os eventos que acontecem, a premissa pouco original feita de clichês jogados sem muita conexão e os clichês subsequentes que acontecem não são a parte mais atraente do anime. Sim, você espectador fica sabendo logo no começo que eles vão ser inimigos, isso não é nenhum spoiler, e depois disso muita coisa que também não é exatamente imprevisível acontece, mas nem por isso a série deixa de ser uma montanha russa de emoções. OwaSera é o seguinte tipo de anime: no começo, a premissa é meio que nada de especial; você acompanha o desenvolvimento, e ele continua sendo nada de especial, mas é um "não especial" misteriosamente envolvente, e quando você vê, já viciou. É daquelas séries de causar sentimentos de "o que eu faço da minha vida agora que esse anime", mas no que você viciou, mesmo?


Respostas possíveis: um microcosmo bem construído e crível, melodrama sentimentaloide de fácil identificação, ships incansáveis, músicas excelentes, bom character design, frases de efeito maravilhosas, fanservice não-exagerado para todos os gostos, e, enfim, entretenimento, entretenimento puro. 

A história, apesar de às vezes beirar o bobo e forçado, tem alguns elementos que facilmente envolvem o espectador desde o começo: temos um universo paralelo no qual catástrofes ocorreram, envolto em mistérios como novos vírus e vampiros que ninguém tinha certeza de que existiam, e no meio de toda a catástrofe e sentimentos tristes surgem jovens que são grandes amigos e dependem uns dos outros, formando uma equipe que luta por um bem maior. Ao mesmo tempo, o anime não deixa de lado um ambiente escolar, amizades e brincadeiras próprias da adolescência, e volta e meia temos memórias do passado feliz e os personagens falando dos sonhos e medos que eles têm. A cereja no topo desse bolo são as inúmeras frases ótimas e extremamente "citáveis" da série. Se você, como eu, é facilmente ganhado por boas citações, já pode dar o braço a torcer.

Aliás, falando nos personagens, eles são extremamente doces. Em todos os sentidos: desde os seus visuais, cujo character design me empolgou desde as imagens promocionais, passando pelas personalidades bem definidas de cada um - sobretudo dos protagonistas, que nos são escancarados logo no começo da série através de um determinado arco em que eles "enfrentam seus demônios" - até no sentido de que eles se amam demais. Da mesma forma, eles se odeiam demais às vezes. Sim, é uma daquelas séries com adolescentes com sentimentos intensos à flor da pele. É por isso também que, por mais que eu goste, sei que não estou gostando tanto quanto a fanbase obsessiva imensa que se formou entre os mais jovens - essa pesquisa mostra como, na média, OwaSera foi a série da sua temporada que angariou mais fãs adolescentes e jovens adultos de ambos os sexos.






Mesmo reconhecendo defeitos, dos quais eu vou falar mais pro final desse post, OwaSera ainda é o tipo de anime que me faz suspirar e falar "que anime, galera, é por isso que eu gosto de anime". Para quem é novo aqui, disclaimer: meu anime favorito desde sempre é Code Geass [comentários], e eu já fiz resenhas positivas de séries como Zetsuen no Tempest [resenha]Se você já sabia disso, mas ainda tinha alguma dúvida de que eu sou louca por uma boa e velha "montanha-russa de sentimentos adolescentes" em anime, não tenha, eu sou. Então, independentemente de questões mais objetivas, o sentimento mais pervasivo que eu tenho quanto a Owari no Seraph é uma felicidade por ser uma série ao mesmo tempo tão emotiva e tão atual, e quase meio ano depois de terminá-la, restam em mim impressões de momentos marcantes e "épicos", de ação intensa e amor fraternal, muito mais do que de outras séries que eu até considerei mais bem feitas. Assim, por mais que eu evite ser tendenciosa aqui como em qualquer outra resenha, tenha certeza de que eu falo de OwaSera com paixão.

Mas ei, até aí, existem várias outras séries com essas características - inclusive, as más línguas dizem que Owari no Seraph foi pensado para ser o próximo Shingeki no Kyojin e não deu certo. Por que eu pessoalmente gostei tanto dessa série mais do que a média dessas séries adolescentes repletas de entretenimento e dinamismo? Qual é o seu diferencial?


"Mas, Shinoa. Se abandonarmos nossa família em um mundo bagunçado como esse, qual a razão que temos para vivermos e amarmos?"








Em duas palavras, caracterização e sentimentos. Assim como séries como Full Metal Alchemist, D. Gray-man ou mesmo Code Geass, Owari no Seraph é uma série shounen de ação sobre uma luta contra um grande mal e blablabla, mas no fundo é mais uma série sobre como "amigos são a família que a gente escolhe pra gente" do que qualquer outra coisa. De fato, eu pensava desde o começo que um dos temas centrais em Owari no Seraph seria "família", e o final da segunda temporada deixou essa minha aposta explícita no discurso. Desde o começo, o fato de todos no orfanato serem uma grande família era o ponto central do discurso do "herói" Yuuichirou, e no final, esse é o mesmo discurso para defender seus amigos. Ike-style. Tudo é muito fofo sem ser diabético; é apenas uma história em que os personagens realmente lutam para defender seus amigos, e tudo culmina em discursos de como os vampiros são um lixo, mas, no fim das contas, humanos não são tão melhores assim. Eu não disse que dava pra misturar anime e vampiros, e formar um discurso comum coerente e ótimo? Tá aí.

Inclusive, o primeiro episódio da segunda temporada tem uma frase especialmente marcante, que me fez pensar em como a série se aproxima da nossa realidade emocional: "Num mundo como o nosso não está mais claro quem está do nosso lado e quem não está". Eu fiquei refletindo a partir daí, pensando em escrever essa resenha, sobre como isso é muito... a gente, ser humano contemporâneo. É o tipo de história que acaba sendo envolvente por ter a ver com as necessidades atuais. E que por isso provavelmente não vai durar tanto tempo assim, mas por enquanto, é maravilhosa.

Aliás, o mais legal disso tudo é que quando o protagonista fala em "defender a família", ele não quer dizer o da esquerda, mas sim o da direita.


10/10 em defesa da familia tradicional do jeitinho que eu gosto.

Enfim. Além disso, todos os personagens meio que se conhecem e tem opiniões uns dos outros, então a série tem desencontros e reencontros que são realmente emocionantes. Levando tudo isso em conta, as dinâmicas de relacionamento são mais complexas que, digamos, a média dos shounen de ação, e os personagens acabam sendo realmente cativantes, cada um com seus traços de personalidade mais marcantes e bem definidos.


Além disso, o que mais é bom em OwaSera? A produção do Wit Studio (Shingeki no Kyojin, Kotetsujou no Kabaneri) não deixa a desejar. Como disse, os character designs são legais como poucos recentes - como não adorar o uniforme? - e também achei o estilo visual, com cores bem saturadas e fofo de modo geral, bastante único e gostoso de assistir. A animação é boa, também. Em termos de música, vou admitir que achei a maior parte da OST apenas funcional, apesar de ser do do compositor super popular (e que eu pessoalmente adoro há eras) Hiroyuki Sawanomas as aberturas parecem que tem crack, de verdade. Em especial a primeira, X.U., que é em inglês, então eu meio que decorei a letra no primeiro dia em que assisti esse anime e desde então ela simplesmente ficou na minha cabeça.






Feitos esses elogios, não que tudo em OwaSera sejam flores. OwaSera não peca pouco em enredo; de fato, o que provavelmente o distanciará a longo prazo desses clássicos shounen que eu mencionei é o fato de ter um enredo um tanto mais sem eixo. Aliás, um fato engraçado é que as resenhas do MyAnimeList falam muito mal do anime como narrativa, mas é muito comum ler "eu assisti tudo pelo personagem tal e tal". Porque existe algo de cativante em histórias que parecem guiadas mais pelos personagens do que pelo enredo, mas existe um limite para que tudo não pareça só corrido e jogado, e se você (diferentemente, tipo, de mim) não gostar demais do resto, OwaSera ultrapassa esse limite. O final da segunda temporada, mesmo tendo sido escrito pelo mangaká original, foi objetivamente corrido e pareceu jogado, rolou uma síndrome de Tokyo Ghoul forte. Pra mim, como todo o resto, foi um grande "não sei o que dizer, só sentir".

Enfim, é por conta desse tipo de erro primário, somado com o hype inicial de "novo SnK", que parece difícil pra muita gente falar bem de OwaSera. Como me ganhou, eu prefiro não falar mal aqui. A mim, é um certo carisma somado com o fato de estar sempre acontecendo alguma coisa o que torna, para mim, esse tipo de série dinâmica e envolvente. E admito: gostei demais, entendo totalmente os fãs jovens totalmente emocionalmente envolvidos (eu provavelmente seria um deles se já não tivesse visto anime demais na vida!), acho que não é a toa que ganhou e continua a ganhar vários especiaisOVA e continuações afins já agendadas. Eu, pessoalmente, quero assistir tudo que sair. E espero que continue assim: muito divertido, com muito drama e muitas emoções. Se me der isso, continuarei adorando.

Em suma, fica aí a recomendação para quem gosta de um bom "shounen emotivo", feijão com arroz, com boas frases e destaque para a caracterização. Para quem não gosta, segue em frente, tem outros animes por aí.

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