quinta-feira, 21 de abril de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 13 - Mais Casos de Família no próximo capítulo!


Olá! Enfim, com mais de uma semana de atraso, o post do décimo terceiro episódio de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu. Foi atrasado? Muito, eu sei. Desculpa, desculpa, desculpa. Mas, enfim, saiu! E eu estou super feliz em poder fazer a conclusão dessa temporada já sabendo que haverá uma outra para cobrir o restante do mangá, porque essa história merece mais.

Como eu já falei no post do episódio passado, a minha experiência vendo Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu foi basicamente a de ver um Evangelion dos josei. Eu não me envolvi com os personagens apenas porque eles são muito carismáticos, mas também porque cada um meio que representa um arquétipo social, porque a série tem várias críticas pertinentes, e culmina basicamente em "por que humanos tem que ser tão tolos?". É uma série que, mais do que tudo, traz críticas pertinentes até hoje à sociedade, usando o Japão das décadas de 20 a 70, mais ou menos. No final desse post, vou trazer minhas impressões dessa primeira temporada. E aguardemos mais!

Então, vamos lá às impressões do episódio final da primeira temporada!

O episódio 13 começa com uma cena simplesmente doída: Konatsu e Kikuhiko andando com urnas em suas mãos, e no meio dos dois vai Matsuda, com um pedaço de tecido preto em seu braço. Eles andam por um jardim de lavandas, provavelmente onde as cinzas serão sepultadas. É claro que eu fui pesquisar na página de hanakotoba o significado da flor de lavanda para os japoneses, e lá estava escrito que significa "fidelidade" - fidelidade a Sukeroku e Miyokichi, seria? Em um determinado momento, Matsuda começa a falar e os três param de andar. Matsuda diz a Kikuhiko que não acredita no que aconteceu, enquanto Kikuhiko continua com um olhar frio e triste. Ele diz que crianças jovens morrerem deixando crianças é muito triste e frustrante, e chora; Kikuhiko só faz uma cara feia olhando para ele, e diz que a polícia virá para perguntar sobre tudo para acalmá-lo. O comportamento dele aqui, a propósito, é deveras diferente daquele que ele mostrou no episódio do velório de seu pai - bem menos nobre, porém igualmente sóbrio, estóico e, por que não, frio.

Com a mesma frieza e sobriedade com que diz isso e pede desculpas a Matsuda pelo acontecido - algo extremamente cordial, mas ele ironicamente deve se sentir um pouco culpado também? - ele se vira para Konatsu, e afirma que eles irão para Tóquio. Ela se recusa, e d
iz que não há motivos para ir à Tóquio agora sem o seu pai. No entanto, Kikuhiko friamente diz que ela não tem com quem ficar, e por isso ele será seu cuidador agora. Ela, sempre persistente, diz que não vai obedecê-lo, mas ele diz que não se importa contanto que ela vá à escola, como uma boa criança deve fazer; e diz ainda que ela vai se arrepender por ser insolente. Ela começa a chorar vertiginosamente. enquanto Kikuhiko sai andando com as cinzas em mãos e um olhar de cansaço e impaciência, e Matsuda acaricia sua cabeça pedindo para que "chore com tudo". O notável disso aqui é que tudo é como um grande momento de uma nova recém-formada família, que saiu muito diferente do que Kikuhiko esperava. Ele esperava que a família fosse formada por ele, Konatsu, Miyokichi e Sukeroku, e eles morariam pacificamente, mas nada saiu como ele esperava.

Depois desse momento, vemos um agitado cenário urbano de Tóquio, e a cena corta para uma casa tradicional onde estão o presidente da associação de rakugo e Kikuhiko. O velho senhor que conversa com ele diz que, como Kikuhiko ainda é jovem, "seu fardo será ainda mais pesado" - e sabemos que ele não podia estar mais certo. Ele diz que mais e mais teatros estão fechando as portas, e como os shin'uchi estão velhos e há cada vez menos aprendizes, ele não sabe até quando poderá continuar. Kikuhiko ouve a tudo com um olhar pesaroso, e então ele continua falando, dizendo que Kikuhiko é, agora, o único de sua geração... Todo esse discurso que o incumbe de uma responsabilidade tremenda é também um desabafo do velho. Ele faz todo um discurso nostálgico, de como os jovens não fumam mais cachimbo e lembrando do período Edo, olhando para fora, enquanto os passarinhos cantam. Ele diz que ele tem que ser yakumo, e Kikuhiko, enfim interrompendo-o, diz: "se me permite, não adianta tentar parar o fluxo do tempo. Não podemos controlar o que o público quer".

O fato é que, por mais que Kikuhiko fosse muito bem adepto às tradições e às coisas típicas, ele é um jovem e sempre teve um espírito que aceitava algumas mudanças - não foi a toa que brincamos aqui que ele era "o último feminista do Japão", e coisas assim. Porque ele realmente via um futuro, e talvez visse na figura do Sukeroku também um futuro brilhante para o rakugo. O fato é que, quando o velho pergunta o que ele vai fazer de agora em diante, suas mãos tremem, e ele começa a lembrar de Sukeroku fazendo seu discurso do episódio 8: dizendo que tem que se adequar sempre ao gosto das pessoas. Kikuhiko lembra disso enquanto suas lágrimas começam a cair, e após lembrar que "esse é seu trabalho, fazer um rakugo que nunca mude", imagens de Sukeroku dependurado aparecem. O rakugo que nunca mais mudará?

Após essa sequência de flashbacks dramáticos, vemos um Kikuhiko olhando para uma chaminé de uma fábrica, com pesar - me perguntei se nessa hora ele não poderia ter lembrado de quando ele trabalhava na fábrica; de como tudo poderia ter sido diferente, ou refletindo sobre a atualidade... E então ele diz, em seu monólogo, para Sukeroku: "Parta para a eternidade e leve o nome yakumo [...] sou o único que pode deixá-lo descansar em paz". E, com lágrimas nos olhos, ele se curva e pede ao presidente para herdar esse nome. O presidente simplesmente acena com a cabeça, concordando em condecorá-lo com o título. Toda essa sequência é extremamente dramática e dolorosa, e talvez mais por sabermos da culpa que Kikuhiko carrega.

Dessa sequência vamos para uma nova casa, que creio ser a casa em que ele reside atualmente, com Matsuda pregando uma placa na porta, e uma pequena Konatsu aparentemente brincando. O velho Kikuhiko narra que vendeu a casa do mestre para comprar essa pequena casa em Asakusa  - que, pelo que eu pesquisei rapidamente, parece ser um distrito de rakugo. Depois, vemos a pequena Konatsu deitada no chão, chorando e cantando a música do seu rakugo preferido, o Nozarashi: "Quando aquele estranho sino soa, a maré virá para o sul"... Vemos então o Kikuhiko, já de óculos mas ainda sem cabelos brancos, dizendo: Konatsu, pare de fazer rakugo. E ela se levanta do chão apenas para dizer: "cale a boca, imbecil". Então, foi aí que toda a birra entre os dois - que sempre existiu, mas ficou séria depois da era Sukeroku! - começou.

Kikuhiko, pergunta quem a ensinou a ser desagradável assim, e ela diz que foi seu pai. Kikuhiko diz que "se quiser continuar, saia daqui, isso não vai te levar a lugar nenhum". Ela se vira para ele e grita "seu cabeça dura!", e ele então a chama de criança insolente, diz que está cansado de todo o barulho, e ordena que o deixe em paz. Ela diz, com uma frieza que mal se contém em uma garotinha tão pequena: "não se preocupe, não vou embora, porque um dia vou te matar, com um olhar frio e raivoso e uma voz vingativa". Ele faz um olhar vagamente assustado, e a pergunta quem a ensinou a falar assim, ao que Konatsu responde: minha mãe.

Que sequência.

Nesse momento, Kikuhiko lembra-se da cena de Miyokichi dizendo estas palavras, e diz: "então me mate, caso isso te satisfaça". Sim, ele diz isso para uma criancinha, tamanho o seu desespero com o que aquelas circunstâncias criaram. E sai andando, e então Konatsu se joga no chão, sentada naquela "varanda", exatamente da mesma forma que hoje, recitando o mesmo rakugo rebeldemente, gritando o rakugo com raiva.

Depois, vemos um local sob chuva. Kikuhiko sai do carro, com Matsuda segurando seu guarda-chuva, e ele diz que, a partir de então, finalmente estava a sós. Nem Konatsu se importava mais, nem Sukeroku e nem Miyokichi estavam mais ali; restava apenas Matsuda, subservientemente desempenhando o papel social que lhe foi incumbido. E ele estava, novamente, sozinho - mas agora não só metaforicamente. Ele diz: "eu sentia no meu âmago que era a única forma que eu podia sobreviver a isso".

Ensaiando o rakugo, Kikuhiko olha com um olhar pesaroso e diz: "Que árvore grande. Talvez eu me enforque, daí não vou mais precisar de dinheiro". E o velho yakumo continua narrando os eventos daquela época solitária, dizendo que agora seu nome é Yakumo Yuurakutei, e que se esqueceu há muito tempo seu "nome verdadeiro". Vamos lembrar que seu "nome verdadeiro" nunca foi dito no anime, e aí provavelmente se evidencia novamente a importância do narrador em primeira pessoa. Vemos nesse momento uma imagem de yakumo, naqueles tempos, andando do escuro para uma porta com luz, que representa o palco, indicando que ele de fato se esquecera "dele". Exatamente como tínhamos analisado anteriormente.

E termina o flashback.

Na cena seguinte, temos Yotaro (lembram-se dele?) num barbeiro. O barbeiro diz: "Yota, acorde!"; ele acorda olhando para um espelho seu novo corte, e o barbeiro, animadamente, diz que é uma comemoração e que ele finalmente virou barbeiro como ele queria. Ele diz que não é idiota a ponto de não pagar por um trabalho bem feito. Ele diz que não "já" virou shun'ichi, ele finalmente" virou shun'ichi, virando-se para o barbeiro e lançando um ar pretensioso . Todos na barbearia dão parabéns, e o vemos se curvando, desconcertado, da janela, enquanto o carteiro passa. A janela que mostra o cenário de fora nos mostra também que a vida "moderna", do período Shouwa Genroku, de fato não parece nada sofrida - sobretudo se comparada à vida do início do período Showa - e nesse momento novamente se evidencia o enfoque sociológico do anime.

Na cena seguinte, vemos uma apresentação. No palco, lê-se o nome "Yotaro Yuurakutei". Um homem levanta-se e grita: "ali está o shun'ichi no palco!", e ouve-se uma outra voz dizendo "parabéns pela promoção, Yota! Quando que será a revelação?". Essa cena me fez pensar sobre como agora os fãs de rakugo são como que uma panelinha, provavelmente, com muitas pessoas mais velhas e onde todos se conhecem; todos ali são provavelmente como a nova família do Yota. É interessante ver como ele também se "esqueceu" quem ele era, um ex-yakuza. Ele diz que vê vários rostos conhecidos, e um homem então grita "mestre Yotaro!" devido à sua promoção. Yotaro diz para parar com isso de mestre, desconsertado, e diz que é burro, porque isso não devia ser de conhecimento público ainda. Apesar de isso ainda não ter sido divulgado, todos ali já sabem, e então ele diz: "não contem a ninguém, ok? O que eu faço quando o mestre descobrir? Vejam só, estou arrepiado! Por isso raspei a cabeça de antemão", brinca. Cheio de expressões fofas, fazendo esse improviso, ele realmente é muito diferente tanto de Sukeroku quanto do Kikuhiko, mas ele tem a mesma paixão e alegria jovens de Sukeroku. O pessoal ri, e ele começa seu rakugo de súbito. Não vemos muito de seu rakugo por enquanto, mas é um rakugo sobre barbeiros, e daí sua introdução falando do corte de cabelo - ou será que ele escolheu na hora? Sendo shin'uchi, acredito que ele já seja capaz de improvisar bem. De qualquer forma, tudo é muito alegre e fofo quando o Yotaro sobe no palco, e o pessoal claramente já o adora! ^_^

Depois, vemos Yotaro pedindo licença para entrar em casa. Ele pede ao mestre desculpas pela demora, mas não tem resposta. Quando ele pergunta pelo mestre e Matsuda, encontra apenas Konatsu que lhe diz que o mestre já saiu. Ela pergunta o que houve com seu cabelo, e ele diz que o cortou. Ele chama ainda o velho de malvado, e logo então começa a se queixar com Konatsu, perguntando por que ela contou da promoção para todos, gritando no seu ouvido. Konatsu diz que só contou à senhora; no entanto, a senhora contou para outro e outro e agora todos sabem. Matsuda insiste que é culpa dela, afinal, mas ela diz que é uma coisa boa e todos estavam felizes com a notícia, deixando isso de lado, e pergunta se ele está feliz. Yotaro responde que sim, e ela continua parabenizando-o, dizendo que ele decorou 100 histórias, aguentou a rigidez do velho que proibia álcool, não o deu um minuto de liberdade, e enfim chegou onde chegou. E Yotaro, com uma pequena lágrima nos olhos, apenas diz humildemente que sim. Ele tenta se segurar, dizendo que é cedo demais para chorar, e ela ri, dizendo que ele é um homem crescido, e então pede para que "Yota", como o chama, saia para comemorar. Ela o manda fazer um chá, e eles brindam o parabéns na varanda.

Sentados juntos, Yotaro pergunta: "Você tem certeza?" Certeza de que? Konatsu começou a morar sozinha, segundo ele, mas ainda trata a casa do mestre como se fosse sua. Ela diz que tudo bem, afinal é "praticamente a casa de sua família", e, bebendo o chá, diz que está gostoso com uma auspiciosa cara triste. Ela pede então para Yotaro fazer um rakugo para ela; ele se queixa, dizendo que até futatsumes são profissionais, mas acaba cedendo, e quando pergunta a ela qual rakugo, ela diz: Nozarashi. Ele ri, e então faz um Nozarashi... muito empolgado, que certamente lembra o de seu pai. Ela só ouve com a cabeça virada para outra direção, com um sorriso no rosto, até que uma lágrima cai de seu rosto na parte da música que ela tanto gostava. Ao ver isso, Yotaro para, assustado, e ela diz totalmente de súbito: "Eu estou grávida". E ele, ainda mais assustado, até derruba o leque.

E é aí que ela explica que é por isso que está morando lá de novo, e que o "velho", como chama Kikuhiko, e Matsuda, já sabem. Ela diz que não é mais criança, e que disse que criaria o filho sozinha, mas Matsuda insistiu que ela ficasse por lá. Yotaro pergunta - assustado e gaguejando, enquanto Konatsu lacrimeja - quem é o pai. Ela diz que não vai falar disso, mas Yotaro continua perguntando quem é o pai, e ela continua dizendo que não vai dizer; Yotaro continua perguntando se ela não pode ficar com o rapaz por algum motivo, e Konatsu, então, grita que não vai dizer. Diz que não vai casar, com toda essa assertividade, e que tudo bem pois "não nasceu para isso", mas que ainda assim queria um filho pois "não quer que o sangue de Sukeroku morra". A força dessa garota é realmente surpreendente.

O Yotaro pergunta a ela, então, o que isso quis dizer, e ela diz curiosamente que não sabe; ela realmente faz as coisas pelo que ela sente, e ela é incrível. Diz que contou porque são praticamente família, mas que não tem direito de deixá-lo preocupado com ela, e por isso não quer que ele se preocupe. E é aí que Yotaro manda essa: pergunta se ele pode ser pai dessa criança. Diz que sabe que ela o considera menos que um verme, mas que isso é o melhor que ele pode dizer nesse momento, e que podem ser um casal melhor do que ela espera... a cara de Konatsu vai ficando progressivamente mais irritada e brava - e eu me pergunto, ele realmente quis dizer o que eu quis dizer? Sobre eles serem um casal, ele quis dizer de mentira ou...? - e então Yotaro dá um pulo para atender o telefone que começa a tocar. É Matsuda. Ele pergunta se o mestre está com ele, e pede para que Konatsu espere, mas ela o ignora e sai pela porta, e Matsuda acha que é com ele, e todos se confundem, e Yotaro tem que voltar atrás... A cena é hilária, e me fez pensar sobre como Yotaro deverá ser um personagem cômico e muito divertido na próxima temporada.

Na cena seguinte vemos o mestre com um buquê de flores nos braços, rezando em frente a um túmulo. Matsuda chega com água, dizendo que o "Yota" virá - sim, ele também o chama assim! - e tira a jaqueta do mestre - muito, aliás, como o próprio Kikuhiko tirava a jaqueta de Sukeroku. Kikuhiko, então, diz que precisa encomendar uma veste de shin'uchi para Yotaro, e sabendo que todos já sabem da notícia de que ele havia virado shin'uchi antes da divulgação oficial, pergunta-se: "um idiota desses conseguiu virar shin'uchi... onde o mundo vai parar?". ^_^; Ele diz que o mestre teria sido totalmente contra sua nomeação, e quanto ao mestre, a cena seguinte mostra "Sepultura de gerações Yuurakutei" escrito em uma pedra na qual Kikuhiko joga água, e eu confesso que não faço ideia do que se trata essa tradição; cheguei a pesquisar bastante e não achar, mas acredito ser um rito de purificação, assim como o jogar sal.

Kikuhiko diz ainda: "a propósito, a associação pediu que eu assumisse como presidente". Matsuda fica empolgado, e diz que fica feliz de ter recebido a notícia no aniversário de morte do 7ª geração. Kikuhiko, no entanto, se lamenta dizendo que "sente que eles estão se preparando para a sua morte", e colocando a flor no túmulo, diz: "minha posição não muda, muito embora eu mude". Confesso que fiquei confusa com o significado dessa frase, mas eu acredito que tenha a ver com o fato de ele continuar como yakumo, naquela posição que lhe coube. Matsuda responde acenando com a cabeça, e nesse momento Kikuhiko pergunta quantos anos Matsuda tem. Ele responde que 72, e então Kikuhiko diz: a diferença entre nós é pouca, não é? Nós dois ficamos muito velhos.  Matsuda faz um rosto triste, e pergunta se é hora de ficar dizendo isso, pois ainda há muitas coisas que Kikuhiko deve fazer; e se lamenta pois antes havia muitos teatros na cidade - exatamente o mesmo discurso de quando o Kikuhiko foi nomeado yakumo, ironicamente; as reclamações não mudaram, apesar de as circunstâncias terem mudado bastante ^_^; - e que agora só tem um; que só se ouve falar de mortes, e que o mundo do rakugo anda muito desanimado. E diz: "e tem a moça". E é aí que Matsuda, colocando o braço no rosto, começa a chorar. Sempre muito manteiga derretida, né? 


Quanto à Konatsu, a perspectiva de Matsuda é de que sabe que ela passou por muita coisa desde pequena, mas que isso é uma desonra, e diz isto chorando. Kikuhiko apenas vira o rosto para Matsuda, com um sorriso, dizendo "aquela menina levada nunca faz o que ele diz". Diz que ficou mais surpreso é por Matsuda ter ficado tão irritado com ela, e ele diz que claro, pois ela também é como uma filha muito querida para ele - aw! - e que ele tem que fazê-la revelar o nome do "pai desalmado", e "pegá-lo de jeito para fazê-lo virar homem". Levantando-se, Kikuhiko diz que também o entende e também sente isso, mas que esse é um jeito antiquado de se pensar, pois foi isso que ela quis. E diz ainda: "Mulheres são livres para fazerem o que quiserem, assim como homens". O último feminista do Japão está de volta, pessoal!

Vemos então a fogueira queimando, e Kikuhiko rezando. Em determinado momento, ele ergue o rosto, olhando para trás, e pergunta: "então você também veio?". Vemos a imagem de Sukeroku olhando para ele, e ele começa a conversar com a imagem. Diz que é muita audácia sua vir visitá-lo assim, e pergunta: "você sabe, né? Que vai ser avô". E diz que Konatsu não é como "nenhum deles"; que não sabe a quem ela puxou, mas que ela é uma menina forte. Eu penso que o Kikuhiko e sua personalidade austera certamente a influenciaram muito durante o crescimento. Kikuhiko, então, bate no peito da imagem de Sukeroku, que se materializou, e diz que ele é "um contador de histórias, não?" preciso confessar que esse momento me lembrou muito uma fanfic que eu escrevi de Sakamichi no Apollon, mas isso é curiosidade de fujoshi fanfiqueira. Sukeroku ri então, e Kikuhiko pergunta se ele está rindo de como eles ficaram velhos. Ele o segura pela gola, coloca a cabeça em seu peito, e pergunta se Sukeroku está bravo com ele pelo modo que tratou sua filha, ou pelo modo que tratou o rakugo. Com isso, a imagem apenas some, sem dizer nada ou responder a qualquer uma de suas perguntas.

Ouvimos então um "mestre!". Kikuhiko, suando, acorda de seu transe e encontra Yotaro. Se aproximando, Kikuhiko diz que ele "virou um yotaro de verdade", e que deve ser difícil fazer rakugo, e ele deve estar triste, mas então Yotaro diz: "não, mestre, é o nome que você me deu; ser humano significa mudar de forma de acordo com o nome que você tem". Ah, sim, mais uma frase reflexiva, agora vinda da boca de alguém que é unanimamente considerado um idiota, mas não é que faz sentido? ^_^; Kikuhiko, de olhos fechados e sorrindo, pergunta: "ah, é mesmo?", e pergunta se Yotaro já encontrou seu rakugo, ao que ele responde que ainda está procurando. E diz, ainda, que tem algo que quer pedir-lhe a muito tempo. O velho Kikuhiko pergunta o que, e a resposta: "deixe-me ter o nome Sukeroku". Kikuhiko olha espantadíssimo, e nesse cliffhanger se encerra o episódio.

Em nota, o episódio se encerra com um encerramento diferente, com os velhos Matsuda e Kikuhiko, Konatsu com um bebê e Yotaro sozinhos numa platéia de rakugo, e na prévia, Yotaro apresenta um rakugo dizendo que "esse não é o fim da história do mestre e eu"; "o primeiro ato acabou", ele diz, e parece que o segundo será sobre ele, não é mesmo?



E assim se encerrou o 13º episódio de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu, e, imaginamos, o primeiro ato do anime. E é muito bom escrever esse post com a certeza de que terá mais, porque é horrível quando um anime muito bom com um mangá que já foi além daquele ponto termina e você não sabe se vai ter uma segunda temporada ou não. A confirmação veio logo no último episódio, e eu não tenho absolutamente nada a reclamar do encerramento, que deixou espaço para imaginarmos o que virá na próxima temporada: Yotaro sendo shin'uchi - e possivelmente muitos rakugos dele!, - Konatsu e seu filho, Kikuhiko como presidente da associação, possivelmente muito drama e tragicidade, e que mais? Então, aguardemos ansiosamente! 

Demorei para escrever esse post porque, além da análise do último episódio da primeira temporada, eu também queria fazer uma breve análise do que tivemos até aqui. Eu falei muito sobre isso no podcast que gravei semana passada com o pessoal do Portal Tanaka, que são pessoas incríveis que me convidaram novamente para gravar um podcast com eles! ^_^ Eu já gravei o podcast sobre Free! com eles, e essa foi mais uma experiência incrível; assim que sair o cast, eu divulgo aqui, ok?


Por enquanto, o que tenho a falar sobre essa temporada? Foi uma montanha russa, com certeza. Começamos sem muita certeza do que viria - deduzir pelo título estava difícil; "Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu", ou suicídio duplo de amantes do período Shouwa Genroku. Quem são esses amantes? Que parte da série exatamente se passará no período Shouwa Genroku? Quando veio o segundo episódio: Quanto tempo durará esse flashback? Para nós que não tivemos acesso ao mangá, tudo estava ainda muito confuso. E logo descobrimos, ao menos, as respostas para essas perguntas: a primeira temporada não se trata da história que vemos no primeiro e no último episódios, com Konatsu adulta e Yotaro, mas sim da história do passado; história das turbulências em meio às quais nasceu Konatsu, e sobretudo de como as pessoas são tolas. Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu é chamado de Rakugo Shinjuu, e não é a toa que essas duas são as partes mais importantes do título: Rakugo Shinjuu trata-se de um suicídio duplo que tem a ver com a arte do rakugo, e a história dessa primeira temporada é exatamente a história de dois artistas no mundo do rakugo que acabam se envolvendo em um "suicídio duplo"; cabe a nós investigarmos as circunstâncias em que ocorreram o suicídio duplo a que o título se refere ao longo dos doze episódios que nos levam até ele.

Então, Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu trata de pessoas que se levam a um suicídio duplo. O que temia no começo - que isso tivesse a ver com um triângulo amoroso - infelizmente também é verdade: tem a ver com o triângulo amoroso Miyokichi-Sukeroku-Kikuhiko, sendo que Miyokichi é o pivô de todas as confusões. Problemático? Sim, mas isso não significa que Rakugo Shinjuu também não tenha um lado forte de crítica ao papel da mulher; ao machismo, sobretudo na sociedade japonesa daquela época, e, enfim, a várias dessas coisas problemáticas que acontecem nesse período. Rakugo Shinjuu, antes de ser uma historinha de romance, é uma história de profunda análise sociológica a que eu chamo de "Evangelion dos josei" - os personagens são incrivelmente densos, as análises sobre a sociedade estão jogadas em todos os lugares - sutilmente, como no caso das partes que discutem machismo, como as possibilidades de sobrevivência que a vida deu à prostituta Miyokichi ou às partes que tratam do rakugo que a Konatsu é capaz de fazer; ou não, como no caso das análises de como o rakugo teve um declínio por conta da ocidentalização do Japão, dos "tempos difíceis" prenunciados por Kikuhiko, e assim por dianteNão deixa de ser um josei sobre arte e romance, mas também nem por isso deixa de ser denso, reflexivo e certamente merecedor de todos os prêmios que recebeu.

A história trata inicialmente sobre dois artistas: Kikuhiko, com voz do maravilhoso do Akira Ishida (Kaworu de Evangelion, Gaara de Naruto, Fish Eye de Sailor Moon) e Sukeroku, cuja voz foi concedida por Kouichi Yamadera (Kaji de Evangelion. Togusa de Ghost in the Shell, Kotarou de Gintama, Kouichi de Lupin III). Ou seja, dublados por dois experientes dubladores, capazes de reproduzirem o mais fidedignamente possível as emoções expressadas na arte do rakugo; uma arte de interpretação corporal japonesa muito peculiar, aliás, que certamente interessou muitas pessoas apesar de sua idade e de ser, hoje, considerada "antiquada". O fato é que o rakugo que é apresentado no anime é exatamente como o tradicional, sem invenções shounenzescas, mas em alguns momentos são usados efeitos visuais, jogos de luz e cores, imagens de planos de fundo diferentes, e outros recursos para demonstrar as emoções do personagem, por exemplo, que fazem a arte parecer tão bonita quanto a original, ainda que a animação não seja sempre tão minuciosa quanto os movimentos de um ator real.

Então, assim como séries como Chihayafuru [resenha] ou Yamishibai [resenha], Rakugo Shinjuu foi uma série que conseguiu trazer para a animação japonesa uma prática japonesa tradicional e "antiquada", e fazê-la parecer extremamente interessante e divertida. Sendo uma série histórica, pudemos ainda aprender sobre uma variedade de outros temas: wafuku, tradições em velórios, a modernização e a ocidentalização da sociedade japonesa, guerra (apesar de a série ter um foco bem pequeno, na realidade, apesar de se passar entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais!) e assim por diante. Sendo assim, Rakugo Shinjuu é, antes de mais nada, uma série cheia de ensinamentos culturais. Cheias, e mais ainda para o público não-japonês. (Dica de mangá para as editoras trazerem para cá!) Depois, Rakugo Shinjuu é uma série que tem revivido a arte do rakugo. Eu confesso que me encantei por ela, e como eu, muitos espectadores.

Rakugo Shinjuu é emotivo, sim. Quem não chorou em algumas cenas, como os órfãos do episódio 2, o episódio da grande decisão de Kikuhiko, o rakugo do shinigami de Kikuhiko, as cenas do episódio 11 - leia-se: a calmaria antes da tempestade - ou o desfecho triste da história dos três, que atire a primeira pedra. De fato, quase todos os episódios, acredito, teve algo de sentimental ou triste demais, algo de melancólico, algo de novela mexicana. Mas isso não significa que não tenham tido reflexões no meio. A todo momento o anime nos convida a refletir sobre os motivos dos personagens, e não raro somos tão cegos quanto os próprios; quem esperava, por exemplo, aquela revelação do Sukeroku sobre ter inveja de Kikuhiko? Ou que o mestre já soubesse de tudo quanto ao nome Sukeroku? Algumas mensagens são óbvias e diretas - como "a natureza humana é tola"... - mas outras serevem realmente como tapas na cara muito práticos pro espectador. Quer dizer, você não percebeu isso, mas estava sempre ali. Quanta coisa é assim na vida, não é? E não é esse o maior erro de Kikuhiko? Não é isso que faz com que tudo termine em desgraça, desgraça óbvia para nós e nada óbvia para o iludido Kikuhiko?

Enfim, Rakugo Shinjuu é uma série reflexiva. É daquelas séries que lembram que josei pode, sim, ser extremamente reflexivo sobre a natureza humana. Para quem não conhece bem o gênero josei, trata-se de mangás feitos para o público feminino adulto; ou seja, tendem a ser "shoujos maduros", mais sentimentais e com maior complexidade de emoções. No entanto, muitas das adaptações para anime de josei em anos recentes tem sido de séries com personagens mais jovens, como é o caso das próprias Chihayafuru ou Sakamichi no Apollon, ou séries como Natsuyuki Rendezvous, que parecem ter um compromisso maior com a arte do que o conteúdo. Por isso, sinto que muitas pessoas que não são da minha geração - de séries que vão desde ParaKiss, passando por Antique Bakery, até Honey & Clover - tem uma relação com josei que não condiz com tudo que a demografia abrange. Eu pessoalmente adoro até hoje várias séries josei que pouca gente conhece (como as da minha lista maravilhosa de músicas boas de josei!), e estava no aguardo de um bom josei há alguns anos. Não fiquei nada decepcionada. Josei é uma demografia que merece, sim, mais atenção em termos de adaptações para anime. (Disclaimer: eu gosto de josei, BL e anime - imaginem minha frustração na vida!)

Eu só tenho a agradecer a série. Por tudo: pelo revival da demografia josei, sim, mas também pelos ensinamentos, lições de cultura japonesa, lições sobre a natureza humana. Por permitir que mais uma vez o Studio Deen salvasse a indústria de anime mais uma vez. Pela trilha sonora maravilhosa que eu não vou enjoar tão fácil. Também não vou esquecer tão fácil dessa série. Eu acho que tem muita coisa ainda a ser dita sobre o quão ótima essa série é. Mas vou deixar para uma resenha mais completa a ser feita no final da segunda temporada. Por hora, só quero dizer muito obrigada e que venha mais!

Nesse meio tempo, a propósito, eu li um post incrível no Anime News Network chamado "Como Convencer seus amigos a ver Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu?". O post não tem tradução, mas eu deixo aqui o link pra vocês que quiserem convencer os amigos que sabem inglês. Vale super à pena, não?~

Outros blogs da Iniciativa da Blogosfera Otaku BR, que eu tenho comentado aqui semanalmente, também resenharam essa série ótima, como o Anime21, que também comentou semanalmente a série, e veio aqui no Not Loli! toda semana para comentarmos, discutirmos e nos aprofundarmos nas nossas compreensões desse anime maravilhoso - muito obrigada de verdade, Fábio! - e também de blogs como os parceiros Netoin! e Intoxicação Animentar; confiram nesses blogs outras impressões dessa série talvez menos enviezadas que minha opinião de fã assumida.

Muito obrigada a quem acompanhou esses posts, assistindo ou não a série! Espero que tenham gostado, e que estejam tão ansiosos para mais quanto eu. ^_^ Até a próxima!

10 comentários:

  1. Olá =)

    Não se preocupe com atraso não porque dessa vez até eu atrasei epicamente meu artigo de Rakugo Shinjuu. Meu último artigo da temporada passada. E comentando agora o seu artigo, sinto que finalmente a temporada de janeiro acabou. Eu vivo a vida assim: uma temporada de cada vez. É um novo Renascimento com um novo lema: Carpe Tempore. E eu ainda preciso descobrir sobre o que escrever na próxima temporada...

    E que artigo grande hein? Oh, seus artigos sempre são grandes, eu sei, é que no caso desse último episódio eu fiquei tão frustrado, e ver que você tem tanto a escrever dá a impressão que você ficou tão animada com esse episódio quanto com qualquer outro. O episódio definificamente não foi ruim, eu só esperava um pouco mais do passado, esperava ver o que aconteceu imediatamente após a morte, a reação da Konatsu, etc. Eu queria saber essas coisas. Agora só poderei especular. E na volta para o presente quem está sob holofotes é o Yotaro, que eu gosto, é um personagem divertido, mas por motivos óbvios (não participou da história até agora) me causa estranhamento que ele tenha tido tanto destaque. Eu sei, ele é o novo contador de histórias e isso é natural, mas é difícil me desapegar dos personagens antigos. Não que eu esperasse que o Kikuhiko, agora oficialmente Yakumo, continuasse protagonista. Mas, ei, olha a Konatsu ali! Tudo bem que ela teve o seu grande momento de revelação também, mas por mais que ela seja forte (e ela é), que eu reconheça que ela é forte, que você reconheça, que o Yakumo reconheça, ver que todo o desenvolvimento dela foi engravidar, sem mais detalhes, e a perspectiva assustadora de que ela se torne "apenas uma mãe" na próxima temporada me entristece um pouco. Bom, eu lamentei tudo isso no meu artigo já, deixe-me comentar o seu, como de costume =)

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    1. Olá, Fábio! Eu sei disso, hahah. Ri tão escandalosamente aqui com seu "Carpe Tempore" que até compartilhei no meu Twitter. Que conceito! :P E essa temporada já está... 1/3 passada. E eu ainda não sei sobre o que escrever também.

      E sim, eu sei! É que eu quis escrever também uma resenha parcial, da qual eu vou postar ainda uma versão um pouco mais completa no Suco de Mangá. Não é que eu tenha achado esse episódio o máximo, mas eu não achei tão frustrante. Eu gostei de ter uma conclusão com o pós-flashback. Eu confesso que queria ter visto as reações do Yotaro e da Miyokichi ao flashback, por exemplo, ou como o Yotaro chegou a virar shin'uchi, mas o fato de não ter isso também não fez o episódio ruim para mim. Ademais, eu gostei muito do final do flashback também. Então eu achei um episódio decente, apesar de não ter sido tanto quanto eu queria. E sim, como ele deve ser o personagem principal na segunda temporada, acho que eles queriam adiantar isso. ^_^ Quanto à Konatsu, só posso concordar com você em gênero, número e grau: queria maior destaque para ela. Queria que ela não fosse "só uma mãe". Queria, enfim, que ela pudesse ser uma contadora de histórias. Mas, a essa altura, não sei se isso vai acontecer.

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  2. >> minha experiência vendo Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu foi basicamente a de ver um Evangelion dos josei

    Dado que o Hideaki Anno estava deprimido enquanto produzia Evangelion e isso influiu decisivamente no rumo da história, e que ele até hoje está insatisfeito com o resultado (daí o Rebuild), creio que Evangelion seja assim tão interessante por razões bem mais acidentais do que Rakugo Shinjuu. Enfim, Evangelion e especialmente seus bastidores são muito interessantes, mas não vou me prolongar sobre isso aqui =D

    >> É claro que eu fui pesquisar na página de hanakotoba

    Obrigado! Sempre vejo personagens falando sobre flores em diversos animes, daí que deduzo a importância cultural dos significados das flores para os japoneses, mas e quando as flores apenas aparecem e eles não comentam? Significados podem estar ocultos nessas cenas e eu já pesquisei, mas nunca tinha encontrado a linguagem das flores segundo os japoneses. Esse link será muito útil! Aliás, o tema poderia render um artigo, fica a dica =)

    >> O comportamento dele aqui, a propósito, é deveras diferente daquele que ele mostrou no episódio do velório de seu pai

    Kikuhiko pareceu muito mais abalado com a morte do Sukeroku do que ficou com a morte de seu mestre. Há várias razões para isso, desde a intimidade dele com o irmão de criação, seu sentimento de culpa e até o fato de ser natural que os mais velhos morram, mas uma tragédia quando morrem os jovens, como lembrou o Matsuda.

    >> Kikuhiko olhando para uma chaminé de uma fábrica

    É um crematório. O Kikuhiko estava se lembrando da cremação do Sukeroku.

    >> aguentou a rigidez do velho que proibia álcool, não o deu um minuto de liberdade

    Curioso que o mestre dele não pareceu ter sido tão rígido assim com ele e Sukeroku. Talvez ele tema que por isso Sukeroku se tornou o que se tornou?

    >> E é aí que Yotaro manda essa: pergunta se ele pode ser pai dessa criança

    E eu me pergunto se a relação entre Sukeroku e Miyokichi de repente não se tornou mais séria em um momento semelhante. Seria uma pena porque daí a Konatsu talvez deixasse de ser filha do Sukeroku, como já especulamos, e torna inútil o esforço dela para manter o sangue do "pai" vivo. Acho que não é o caso, mas que os dois começaram uma relação por impulso, do nada, ah isso começaram. Como é que você gosta de dizer? "Pessoas são tolas"? Pois é. Ninguém aprende e todo mundo comete os mesmos erros.

    A raiva dela deve ter a ver com isso. Suponho que ela saiba o suficiente da história do pai para saber que ele arruinou a carreira quando preferiu ao invés escolher uma mulher e uma família (o mestre o havia "expulsado" mas ainda esperava que ele voltasse para pedir desculpas, e sem a Miyokichi acho provável que isso acontecesse). Ela viu o Yotaro se esforçando por anos para se tornar um contador de histórias, e um que se inspira em seu pai ainda por cima. E que, não mais que de repente, é capaz de se oferecer para assumir uma responsabilidade completamente diferente que não lhe diz respeito a troco de nada.

    >> a cena seguinte mostra "Sepultura de gerações Yuurakutei" escrito em uma pedra na qual Kikuhiko joga água, e eu confesso que não faço ideia do que se trata essa tradição

    Não sei nada também, mas é comum ver em animes as pessoas limparem os túmulos dos seus parentes. É mais ou menos como o Dia de Finados aqui, só que como eles são japoneses, suponho que eles tenham rituais muito mais precisos.

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    1. E quanto à depressão, bem, tenho certeza que Haruko Kumota não estava no seu estado de espírito mais corriqueiro quando resolveu escrever um josei ao invés de um BL. :P não duvide nunca do que dá na cabeça dessas escritoras de yaoi loucas. (Eu sei, sou uma delas.)

      Nossa, eu acho hanakotoba incrível. Conheci o tema graças ao personagem Jun, de Persona 2. Eu evito posts sobre cultura japonesa aqui para não fugir muito do tema, mas agora vou ter que passar a pesquisá-los para incluir nas minhas aulas de japonês, então quem sabe não publico aqui também? ^_^

      Sim, com certeza, e por isso mesmo ele não se conteve. Pudera: não foi só de Sukeroku, foi das duas pessoas que ele mais amava. Apenas estava pontuando exatamente isso.

      Ahhh! Agora fez sentido. Achei que a fábrica fosse um retorno poético àquele flashback, mas me pareceu bem aleatório. Muito obrigada! Vou editar aqui!

      Ele não foi, mesmo. E com certeza o Kikuhiko foi porque 1) ele é o Kikuhiko, cara; ele é chato, rígido, difícil. E o Sukeroku se tornou quem ele se tornou porque, bom, ele era o Sukeroku. :P mas é claro que o Kikuhiko queria evitar um outro Sukeroku na vida dele em termos de ser parasita do seu trabalho, acredito, então ele deve ter sido duplamente rígido com Yotaro.

      Não, pelo que a Miyokichi falou, Sukeroku era mesmo o pai. E sim, esse é um bom ponto, mas não é o caso. E não sou eu que gosta de dizer, é o Kikuhiko! Mas eu confesso que ri com essa frase dele.
      Eu acho que... não sabemos a relação que eles tem ainda para tirar nenhuma conclusão dessa história, mas acho que ela ficou brava justamente com esse lado impulsivo mesmo. A Konatsu, apesar de ser uma mulher desprivilegiada em uma sociedade japonesa e rígida, talvez por causa do velho Kikuhiko e do trauma com os pais, é de fato uma pessoa muito severa e séria. Nada mais natural do que ficar irritada com a impulsividade e estupidez do Yotaro, aliás, acho que eles devem ter bem essa relação de "irmãos briguentos". :P

      Sim, no caso ele diz que era o aniversário de morte do Sukeroku. Mas achei curioso o ritual, não conhecia e continuei sem conhecer. :P Rakugo Shinjuu me ensina demais sobre cultura japonesa, é incrível.

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    2. E quanto à depressão, bem, tenho certeza que Haruko Kumota não estava no seu estado de espírito mais corriqueiro quando resolveu escrever um josei ao invés de um BL. :P não duvide nunca do que dá na cabeça dessas escritoras de yaoi loucas. (Eu sei, sou uma delas.)

      Nossa, eu acho hanakotoba incrível. Conheci o tema graças ao personagem Jun, de Persona 2. Eu evito posts sobre cultura japonesa aqui para não fugir muito do tema, mas agora vou ter que passar a pesquisá-los para incluir nas minhas aulas de japonês, então quem sabe não publico aqui também? ^_^

      Sim, com certeza, e por isso mesmo ele não se conteve. Pudera: não foi só de Sukeroku, foi das duas pessoas que ele mais amava. Apenas estava pontuando exatamente isso.

      Ahhh! Agora fez sentido. Achei que a fábrica fosse um retorno poético àquele flashback, mas me pareceu bem aleatório. Muito obrigada! Vou editar aqui!

      Ele não foi, mesmo. E com certeza o Kikuhiko foi porque 1) ele é o Kikuhiko, cara; ele é chato, rígido, difícil. E o Sukeroku se tornou quem ele se tornou porque, bom, ele era o Sukeroku. :P mas é claro que o Kikuhiko queria evitar um outro Sukeroku na vida dele em termos de ser parasita do seu trabalho, acredito, então ele deve ter sido duplamente rígido com Yotaro.

      Não, pelo que a Miyokichi falou, Sukeroku era mesmo o pai. E sim, esse é um bom ponto, mas não é o caso. E não sou eu que gosta de dizer, é o Kikuhiko! Mas eu confesso que ri com essa frase dele.
      Eu acho que... não sabemos a relação que eles tem ainda para tirar nenhuma conclusão dessa história, mas acho que ela ficou brava justamente com esse lado impulsivo mesmo. A Konatsu, apesar de ser uma mulher desprivilegiada em uma sociedade japonesa e rígida, talvez por causa do velho Kikuhiko e do trauma com os pais, é de fato uma pessoa muito severa e séria. Nada mais natural do que ficar irritada com a impulsividade e estupidez do Yotaro, aliás, acho que eles devem ter bem essa relação de "irmãos briguentos". :P

      Sim, no caso ele diz que era o aniversário de morte do Sukeroku. Mas achei curioso o ritual, não conhecia e continuei sem conhecer. :P Rakugo Shinjuu me ensina demais sobre cultura japonesa, é incrível.

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  3. >> é horrível quando um anime muito bom com um mangá que já foi além daquele ponto termina e você não sabe se vai ter uma segunda temporada ou não

    Concordo, mas nesse caso a segunda temporada terá uma história totalmente diferente, com protagonistas diferentes, não será uma simples continuação. Tem ainda muita coisa que eu queria saber mais, entender mais, sobre o que já aconteceu. Sobre o Kikuhiko/Yakumo e sobre a Konatsu, principalmente.

    >> cabe a nós investigarmos as circunstâncias em que ocorreram o suicídio duplo

    E esse tal "suicídio duplo" ainda não tem interpretação definitiva, né? A Miyokichi queria se suicidar e "suicidar" o Kikuhiko junto com ela, mas o Sukeroku os impediu e ela caiu por acidente, e daí ele pulou atrás dela. O próprio pulo já pode ser interpretado como um suicídio apesar de ter sido um reflexo no calor do momento, como você mesma bem colocou em artigo anterior, mas independente disso o Sukeroku com certeza se entregou para a morte em seguida, ao soltar a mão do Kikuhiko - que estava disposto a cair junto, se não conseguisse segurá-los! Enquanto a Miyokichi tremia, provavelmente morrendo de medo e não querendo morrer. O que exatamente no meio de tudo isso chamaríamos de "O Suicídio Duplo" de Rakugo Shinjuu? E até aqui falei só do significado denotativo. Se formos interpretar como uma metáfora pode ser tanta coisa (o próprio mundo do rakugo não estaria cometendo suicídio ao escolher a tradição ao invés da mudança?).

    >> Ou seja, dublados por dois experientes dubladores

    "Maldade" sua não ter citado a Megumi Hayashibara, dubladora de Miyokichi, e também, sem surpresa nenhuma, parte do elenco de Evangelion. =P

    >> muito obrigada de verdade, Fábio!

    Que nada, obrigado você =)

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    1. Sim, será diferente. Mas não é porque o Yotaro é o protagonista que os demais personagens vão ser esquecidos e descartados, aliás, acho que muito pelo contrário. Rakugo Shinjuu sempre tem muitas coisas acontecendo em meio ao rakugo, que é a parte mais paradona. Tenho certeza de que pelo menos da Konatsu e de seu filho veremos ainda muitas boas histórias.

      Olha, objetivamente, a interpretação definitiva do "suicídio duplo" é o Shinagawa Shinjuu. Toda a metáfora visual (do suicídio na noite, uma queda, uma sacada...) tem a ver com o rakugo do Shinagawa Shinjuu, cuja história era: uma prostituta "passada da idade" convida um homem tolo que gostava dela para se matar com ela. A Miyokichi tentou fazer exatamente isso com o Kikuhiko. A ironia da situação é que no fim das contas quem morreu foi o homem tolo, Sukeroku, e a prostituta Miyokichi. A única outra interpretação que eu vejo é que o Kikuhiko era a cortesã que escapou da morte e deixou os dois morrerem, mas isso aí é cinismo demais. :P

      Ah, eu só citei os dois para falar do rakugo, mesmo; as vozes deles certamente contribuíram muito para dar emoção ao rakugo. A Miyokichi não fazia nenhum rakugo, mas é claro que a dubladora dela é incrível, e não é a toa que cantava a abertura. Aliás, todo o elenco de dubladores é incrível - o do Yotaro também, o do mestre, enfim. Eu só não quis me estender muito, mas não pense que estou desmerecendo-a!

      Muito obrigada pelo comentário, e até uma próxima!

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    2. Sim, será diferente. Mas não é porque o Yotaro é o protagonista que os demais personagens vão ser esquecidos e descartados, aliás, acho que muito pelo contrário. Rakugo Shinjuu sempre tem muitas coisas acontecendo em meio ao rakugo, que é a parte mais paradona. Tenho certeza de que pelo menos da Konatsu e de seu filho veremos ainda muitas boas histórias!~

      Olha, objetivamente, a interpretação definitiva do "suicídio duplo" é o Shinagawa Shinjuu. Toda a metáfora visual (do suicídio na noite, uma queda, uma sacada...) tem a ver com o rakugo do Shinagawa Shinjuu, cuja história era: uma prostituta "passada da idade" convida um homem tolo que gostava dela para se matar com ela. A Miyokichi tentou fazer exatamente isso com o Kikuhiko. A ironia da situação é que no fim das contas quem morreu foi o homem tolo, Sukeroku, e a prostituta Miyokichi.

      Ah, eu só citei os dois para falar do rakugo, mesmo; as vozes deles certamente contribuíram muito para dar emoção ao rakugo. A Miyokichi não fazia nenhum rakugo, mas é claro que a dubladora dela é incrível, e não é a toa que cantava a abertura. Aliás, todo o elenco de dubladores é incrível - o do Yotaro também, o do mestre, enfim. Eu só não quis me estender muito, mas não pense que estou desmerecendo-a!

      Muito obrigada pelo comentário, e até uma próxima!

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  4. Saudações


    Agradeço pela citação ao meu post, nobre.
    Mas é como tu já comentará lá no N! e expandiu aqui em vosso post: Showua Rakugo é um anime semi-poético, de vislumbre emocional e que atinge em cheio a sociedade japonesa de uma determinada época.

    Infelizmente, uma obra trabalhada desta maneira acaba não sendo do agrado do grande público consumidor de animes. Mas não creio que isto desmereça a grandeza da mesma, sendo este um ponto no qual concordo muito contigo, Chell.

    No mais, é aguardar pela segunda temporada e ver o que ela poderá nos reservar.

    Digno.


    Até mais!

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    1. Olá, Carlílio!

      Por nada, e sim, é verdade. Para quem não tem interesse em anime histórico, por exemplo - o que é... bastante gente que eu conheço - já não é atraente. Para quem não curte josei, creio que também dê para ter uns preconceitos e por isso não assistir. Então, realmente, talvez Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu nunca venha a ser uma obra super popular entre os brasileiros. Falei sobre o mangá brincando (afinal, a Newpop é uma editora que volta e eia traz uns títulos mais alternativos!) mas a verdade é que eu acho difícil vir. Mas fico feliz que você tenha gostado também, Carlilio, e aguardemos a segunda temporada! ^_^

      Até mais!

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