sexta-feira, 11 de março de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 9 - Reviravoltas, suicídio moral e descendo a ladeira.

Ou, em outras palavras: "NÃO TÔ BEM".

Ainda não estou bem. Nem um pouco, nada bem, porque esse episódio teve... muita coisa. Muita, muita coisa. Eu peço desculpas pela proporção que esse post tomou, mas quem já assistiu o episódio sabe que é mais do que merecido.

Além de visualmente maravilhoso e muito especial, foi um episódio repleto de conteúdo, no qual muitas das nossas perguntas foram respondidas, e outras tantas ainda ficaram no ar. Eu obviamente adorei, e quero falar sobre cada um dos pontos aqui. Então, vamos falar sobre o episódio 9 de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu?

A gente sabe que o episódio vai ser bom logo pelo começo: ele não tem abertura, já se inicia com cenas, assim como o episódio 1 - apesar de que obviamente não foi tão longo, teve duração de um episódio um pouco mais longo, apenas.  A primeira cena é uma marola no escuro, presumidamente o cenário do lado de fora - mas é também uma cena que pode nos remeter ao famoso rakugo do título do anime. Essa cena vai se repetir muitas vezes ao longo do episódio. Do lado de dentro da associação dos mestres de rakugo, está havendo uma cerimônia: é exatamente a cerimônia de celebração da passagem para shin'uchi de Sukeroku e Kikuhiko, antecipada pelos espectadores há pelo menos dois episódios, mas por eles, certamente por muito mais tempo. Ao saírem do palco onde ocorre a cerimônia, Sukeroku e Kikuhiko conversam - ou, para ser mais exata, discutem como sempre. Ou, para ser ainda mais exata, Kikuhiko dá uma bronca no Sukeroku, como sempre. Sukeroku diz que vai sentir falta das chateações de Kikuhiko, afinal, como havia ficado combinado no episódio anterior, eles passariam a não mais morar juntos.




Na cena seguinte, Kikuhiko e Sukeroku estão fazendo uma reverência para agradecer ao presidente atual da associação dos artistas de rakugo pela promoção. O mestre diz que a cerimônia foi impressionante, e que não se vê audiências assim todo dia - mostrando que, de fato, os dois artistas dessa geração de rakugo são muito queridos pelo público - e que ele está feliz em poder promover shin'uchis... mas não sem dizer que não tinha outra opção, e que na verdade não era a favor da promoção deles, querendo dizer realmente que não era a favor da promoção de Sukeroku. Intervalo para curiosidade!: shin'uchi significa, literalmente, "[...] 'um dos verdadeiros valores' ou 'aquele que atinge o coração'. O nome veio por causa de seu verdadeiro valor como um contador de histórias para mover os corações do público." (Fonte: Site Alfabeto Japonês). E bem, verdadeiros valores, atingir o coração... Sukeroku realmente não demonstra ter todo esse respeito pelos valores e tradições dos mestres do rakugo. ^_^; Enfim, o fato é que o presidente nunca deu moral para o Sukeroku, apesar do seu rakugo popular.

Sukeroku, que nunca faz sequer um esforço para fingir que está interessado no que seus mestres falam, apenas escuta a tudo de olhos fechados e com a maior cara de tédio, até o momento em que o presidente pergunta seu nome. "Sukeroku", ele diz, e o outro responde que nunca ouviu esse nome, sinalizando que não só ele menospreza o Sukeroku pelo seu comportamento, como ele não conheceu sequer o Sukeroku anterior. O velho - que agora provavelmente já se tornara ultrajante para o Sukeroku, como todos os outros - continua falando; diz que só os promoveu para não decepcionar Kikuhiko, e que não aprova o jeito do Sukeroku. Enquanto o amigo escuta, Kikuhiko só olha para ele com a maior cara de "eu avisei que os velhos não gostavam de você". O presidente conclui: "o que está feito, está feito, mas por favor se esforce pra ser diligente". E o Sukeroku só responde um "claro" seco e nada conformado, que faz com que o presidente reclame perguntando que tipo de resposta foi essa. Ele não fica satisfeito até Sukeroku fazer um gesto de promessa (que eu confesso que até então não conhecia, e não sei se é específico dos artistas de rakugo) colocando a mão no peito.

Depois, eles vão para um outro recinto, e Sukeroku começa a esbravejar contra o presidente, obviamente. Dizendo que ele não podia ter feito isso num dia de celebração como esse, e Kikuhiko - que está fumando, aliás; alguém sabe que tipo de cigarro é esse? - conclui que Sukeroku e o presidente realmente não se misturam. Sukeroku diz então que vai mostrar a ele seu valor com seu rakugo... nesse momento ainda não sabemos o que está por vir. Kikuhiko pergunta que rakugo Sukeroku preparou para o dia de hoje, e Sukeroku diz que "ainda está decidindo". Ficamos sabendo, então, que Sukeroku ensaiou (será que ensaiou mesmo? Nunca saberemos...) diversos rakugos diferentes para apresentar nos vários dias de comemoração. Kikuhiko diz que não acredita que ele vai realmente fazer isso, e ele responde: "o que? Eu sou um gênio, afinal". ^_^ Kikuhiko, apagando seu cigarro, diz que ele é um idiota, mas Sukeroku (já muito acostumado com esses "elogios" do amigo) só diz que esperava que ele fizesse o mesmo - que quebrasse a tradição, ainda que soubesse que o amigo-irmão não é de quebrar tradições.

Então, ele começa a perguntar se Kikuhiko se recusou "pelo bem do mestre", o que me leva a entender, na minha ignorância sobre rakugo, que tradicionalmente eles deveriam apresentar apenas um rakugo, mas Sukeroku - como sempre - queria inventar moda. Sukeroku critica esse conformismo de Kikuhiko aos padrões para agradar os mestres, enquanto Kikuhiko o chama de rei do egocentrismo, criticando toda a sua postura exagerada... Sukeroku, com um ar de cansaço e indiferença - aquele olhar que realmente diz "nem ouço mais as críticas" - diz que o público gosta, e com a mesma confiança inabalável, sobe ao palco. O público aplaude entusiasmadamente o Sukeroku que se senta para apresentar seu rakugo.

Ele abre sua performance dizendo, com um ar muito casual, que enfim o tão aguardado shun'ichi chegou para apresentar, já arrancando risos de todo mundo. Isso lembra aquilo que ele fez no episódio 2, parabenizando quem tinha aguentado o rakugo do Kikuhiko, que já arrancou uns risos do pessoal. Sim, uma de suas sacadas geniais é justamente se valorizar comicamente, e já começar o rakugo em um tom casual e próximo do público através da identificação. Ele começa, então, o rakugo que é sobre, bem, distritos de prostíbulos, também chamados de "distritos da luz vermelha".

Ele diz, em seu rakugo, que nesses locais há um ranking para os clientes. Os mais altos são os clientes que não vão a bordeis. No meio estão aqueles que entram e saem na mesma tarde. Abaixo estão aqueles que passam a noite, e cada vez mais abaixo, aqueles que ficam por períodos de tempo mais longos. Enquanto ele fala (sobre um universo que ele provavelmente conhece por experiência...) o pessoal sorri, e Kikuhiko, nos bastidores, fica chocado ou até mesmo ofendido: esse rakugo, Inokori Saheiji, é a especialidade do presidente. Sim, aquele com quem ele tretou lá no começo do episódio, e Kikuhiko não se conforma porque Sukeroku nem mesmo treinou com o presidente. Na verdade, quando ele disse que "ia mostrar seu rakugo para o presidente", era isso que ele queria.

No rakugo, um homem, Saheiji, chama seus amigos dizendo que "quer deixar sua marca no mundo", e diz que eles não vão para o sul há um tempo. "Para o sul? Para Shinagawa?" um deles pergunta, e Saheiji diz que sim, porque "prostituição não existe só em Yoshiwara" - levando a entender que eles viviam perto de e frequentavam Yoshiwara, que era um dos maiores distritos de prostíbulos do Japão. Ele diz: "cada um me dê 1 ryo (leia-se: grana), e o resto eu arranjo". Enquanto Sukeroku conta esse rakugo, Kikuhiko o narra nos bastidores: Saheiji é um cara que age como um líder para os seus amigos, mas come e bebe mais do que pode pagar; que fica para trás para trabalhar para os amigos, e faz os clientes felizes; que mente para o proprietário para juntar o dinheiro... enquanto ele narra tudo isso, a animação mostra as diferentes expressões de Sukeroku - que é praticamente o Saheiji da associação de rakugo, não? O fato é que Saheiji é um personagem com várias expressões diferentes, e Kikuhiko diz que, se ele fizer bem esse rakugo, ele pode fazer tudo. "O quão longe ele pode chegar?", Kikuhiko se pergunta. Bem. O rakugo termina com muitas risadas e aplausos, e Sukeroku sai correndo nos bastidores para abraçar Kikuhiko, muito feliz por ter conseguido. Sukeroku o abraça forte, dizendo que foi ótimo, e Kikuhiko, visivelmente corado, o abraça de volta.





A cena corta para a noite - não sei, novamente, dizer se o Kikuhiko apresentou depois e não vimos ou se ele só não apresenta nos mesmos dias que Sukeroku, enfim. Sukeroku propõe que eles saiam para beber juntos, mas o mestre o pega na saída, dizendo que quer falar com Sukeroku e acabando com seus planos. "Sim, sim, sim, sim, sim...", ele vai dizendo, passando sua irritação para o mestre. O mestre grita com ele, e então sorri polidamente para falar com Kikuhiko  - sim, ele muda a expressão bruptamente assim - perguntando se ele está indo para casa. Kikuhiko responde que sim,  e o mestre diz que ele precisa descansar pois o dia seguinte será longo, e Kikuhiko responde que "sim" com um olhar extremamente cansado - e, por sinal, nada complacente. De fato, a real é que Sukeroku acaba obedecendo e indo falar com o mestre, mas ironicamente Kikuhiko vai, depois de tanto tempo, visitar a Miyokichi.

Miyokichi fica surpresa com a visita, e pede desculpas por não ter ido à apresentação de Kikuhiko, que ela sabia pois viu em um panfleto - mas ela obviamente não foi porque está magoada. Quem não se lembra das cenas de novela mexicana do episódio anterior? Kikuhiko  também procura justificar sua ausência, dizendo que estava ocupado com a apresentação, como se quisesse passar uma borracha no que aconteceu. Miyokichi, então, toma a frente e começa a dizer que não queria que ele rompesse com ela, e por isso não queria vê-lo - pois acreditava que, se ele fosse encontrá-la, seria para anunciar isto. Kikuhiko então se ajoelha em sua frente, e diz: "grite comigo o quanto quiser. Eu vim preparado para ouvir a noite toda". Com a ponta de seus dedos, Miyokichi toca seu rosto cansado, e pergunta se pode fazer o que quiser, ao que ele responde: "me bata se quiser". Na real, nesse momento ele só parece extremamente masoquista, e eu confesso que achei sua resolução súbita, combinada com o rosto corado ao abraçar Sukeroku, um tanto suspeita - possivelmente o momento mais suspeito do anime quanto à sexualidade do Kikuhiko, mas enfim.

Ela, no entanto, nega. Diz que nunca faria isso pois ama seu rosto. Durante esse diálogo, uma música melosa (que aliás, agora eu sei que o nome é Konatsu no Omoi! ^_^ Para quem ainda não baixou essa OST maravilhosa, o que está esperando? E, aproveitando, já ouviu a abertura inteira? Ô músicas lindas desse anime) toca ao fundo. Miyokichi, então, começa a contar seus próprios problemas. Ela diz que a casa de geishas irá fechar por causa da lei anti-prostituição - o que significa que o ano agora deve ser aproximadamente 1958 - para se tornar um restaurante, e que ela está sendo forçada a sair da profissão por conta da sua idade. Ela pergunta, melancolicamente: o que eu faço?... Kikuhiko, em um tom de voz áspero, responde que ela devia se tornar uma cantora, mas ela recusa pois considera trabalhoso demais. Ela diz então que pretende voltar para o campo, "mesmo sozinha, sem família" - e, conhecendo a Miyokichi, diríamos que ela está tentando manipular Kikuhiko para ir com ela. Ela diz que poderia sobreviver como uma amante de homens velhos, e Kikuhiko, cansado de seus jogos, diz: "você está me testando de novo...". Vendo isso, ela se vira para Kikuhiko, segura suas mãos sem mais restrições, e implora: por favor, fuja comigo.

Neste momento, Kikuhiko  coloca sua própria mão no ombro dela, e diz que ela precisa se tornar autossuficiente o bastante para viver sozinha, porque se ela sempre depender de outros, não vai ter o que fazer quando eles a abandonarem. Eu já falei que Kikuhiko é o rapaz mais feminista do Japão, né? Enfim, ele diz que são esses os tempos que estão por vir: tempos nos quais homens e mulheres viverão sós. É como se diz no inglês, "it's a dog eats dog world", sabemos que isso é verdade. De fato, a) as mulheres conquistaram (em teoria) direitos iguais aos homens depois da Segunda Guerra Mundial, como já havia acontecido em outras partes do mundo, e b) realmente o Japão entrou em uma crise econômica forte na segunda metade do século. Sabemos também que nessa situação, se não sobrar dinheiro para prostitutas, bem, fazer o que. Então todo o discurso do Kikuhiko é extremamente racional e verdadeiro, tem tudo a ver com as mudanças daquela época - as mudanças de uma sociedade que passa a valorizar cada vez menos mulheres como a Miyokichi, com uma vida fora dos moldes cada vez mais rígidos. E Miyokichi, entendendo esse discurso, grita: "não me rebaixe! Esse é meu modo de viver! E você nem sabe meu nome verdadeiro...".

E é aí que Kikuhiko joga na cara a real: ela também não sabe o dele. De fato, os dois tiveram passados muito complicados, e os dois são artistas. Eles nem mesmo sabiam o nome um do outro. E eu queria abrir um parênteses aqui para falar sobre o machismo no Japão, e como eu acho cada vez mais que essa é uma questão propositalmente importante para Rakugo Shinjuu, sim, porque vejam: temos dois órfãos, dois artistas. Kikuhiko começou a fazer rakugo, uma coisa que ele não gostava, mas eventualmente lhe trouxe conforto e ele aprendeu a gostar. O grande problema de Kikuhiko em relação a isso é que ele faz rakugo erótico, porque foi esse o lugar que lhe coube - aparentemente ele é melhor, na opinião do público, interpretando mulheres e fazendo papeis sensuais. Isso se explica de certa forma pelo seu histórico, ele foi criado com geishas (e sendo maltratado por elas, aliás) então ele sabe por experiência como se comportar. De outro lado, temos a Miyokichi, que apesar de ter um passado semelhante, sua melhor pedida na vida foi se prostituir. É esse o seu papel social. Apesar de ser uma artista talentosa como geisha, ela vende seu corpo também, e quando surge a lei anti-prostituição, ela não tem mais nada para ser dentro da sua concepção de mundo.




Então, eu já tinha sentido isso em episódios anteriores, mas acho que nesse episódio ficou muito claro o papel que a revolta que a Miyokichi sentia pela sua condição teve nas tragédias todas, que acabaram com toda uma geração de artistas de rakugo. Não era pouca revolta e não era sem motivo. Para uma mulher que tinha conseguido sobreviver vendendo seu corpo em uma sociedade extremamente machista com papeis de gênero extremamente engessados - e Kikuhiko sabia disso porque sentia isso na pele, então obviamente isso devia revoltá-la ainda mais - sua grande esperança na vida era se casar com um homem e ir embora daquela realidade, constituir família, enfim, se tornar uma "esposa normal". E conforme a sociedade começa a mudar, e o papel social de "esposa normal" parece cada vez mais insuficiente, a Miyokichi começa a ser também ainda mais insuficiente, porque o melhor que ela podia fazer aos olhos da sociedade passava a ter cada vez menos valor. Compare e contraste com o caso do Kikuhiko, que era reconhecido entre os mestres do rakugo, e bem ou mal - ainda que fosse valorizado pelo seu comportamento dócil, ainda que rakugo não fosse aquelas coisas e a sociedade tivesse muito preconceito com artistas, ainda que fosse popular por rakugo erótico... - era respeitado pelos mestres e tinha um futuro promissor como shin'uchi. Então, né? Dava para falar muito mais sobre isso, provavelmente - sobre Rakugo Shinjuu como uma história que discute papeis de gênero, como aliás o Fábio do Anime21 já tinha comentado no post do episódio anterior! - mas deixo para falar com mais propriedade disso para depois que o anime terminar.



Voltando à história, Miyokichi, muito revoltada por ter sido rejeitada mais uma vez, fica revoltada. E com ares de monstro, diz apenas - em um tom de voz frio enquanto uma música dramática toca - "eu vou me vingar. Talvez morra e venha te assombrar". Kikuhiko olha espantado, e ela continua falando com a voz trêmula e muito movida por várias emoções (e aliás, parabéns para a dubladora veterana Megumi Hayashibara pela interpretação maravilhosa!): "que foi? Isso é tão engraçado assim? Pare, isso é irritante!". O Kikuhiko só olha para ela com um rosto assustado, mas um que não se envolve nas suas emoções e nem tenta pará-la. Ele apenas parece analisá-la, um tanto distante. Nessa hora, fiquei pensando que ele também há de ser muito ressentido pelo que as geishas o fizeram no passado, e talvez ele nunca quisesse se envolver emocionalmente com uma geisha por conta disso também, em algum nível. Essa cena tem várias interpretações possíveis, por favor comentem o que acharam aí! Enfim, Miyokichi conclui dizendo: "a próxima vez que eu vê-lo, será no inferno". E então temos o clipe do mar desfocado durante a noite, o mesmo do começo do episódio; uma noite com cores que combinam com a noite que entra pela janela do quarto, e que, lembrando, remete ao rakugo do título do anime.

Nas próximas cenas, em tons mais vivos, vemos um chinelo virado, uma mesa farta, e Sukeroku comendo daquele jeito totalmente desleixado dele. O mestre quer falar com ele sobre sua performance. Diz que estava muito assustado por ele ter feito a especialidade do presidente, e que até já pediu desculpas ao presidente em nome de Sukeroku. Este no entanto se justifica dizendo que apenas queria fazer um grande trabalho que não podia fazer como futatsume, "só isso". O mestre o chama de idiota, dizendo que se era só isso (como sabemos, não era...) ele deveria fazer isso numa apresentação qualquer, não na sua estreia como shin'uchi. No entanto, Sukeroku diz que a audiência adorou, e que a audiência não se importa com as formalidades ou aparências - eles apenas querem rir, e aí fica evidente por que Sukeroku insiste que quer fazer rakugo "para as pessoas", não é mesmo? Enfim, nada tira da cabeça dele que ele fez o certo, e o mestre apenas suspira resignadamente.

Sukeroku então diz que gosta mais da versão do mestre dessa história, e diz que queria ter feito que nem ele. O mestre, vendo a puxa-saquisse de longe, se afasta e lembra que Sukeroku nem mesmo foi ensaiar com ele. Este procura se justificar dizendo que ia sempre vê-lo no palco, no entanto, e que ele memorizou o rakugo de tanto vê-lo fazendo. Me engana que eu gosto, Sukeroku. Enfim, o mestre então puxa uma conversa muito franca, dizendo que queria defender o rakugo do Sukeroku, afinal ele é seu último aprendiz, mas rakugo precisa ser "algo harmônico, protegido por todos da associação" - algo que Sukeroku claramente não tem feito. O mestre começa a dar um discurso apaixonado, falando sobre como rakugo é bonito porque é um ensinamento oral passado de geração para geração, em troca de nada, que busca apenas fazer as pessoas rirem. E é mesmo. 





No entanto, Sukeroku, igualmente franco - mas um tanto mais pessimista - pergunta: "E você quer que eu fique sentado enquanto vejo algo tão bonito morrer?". Em um gole, ele bebe seu álcool, e diz que pode ver o dia em que as pessoas deixarão de ir ao teatro, afinal o Japão está cada vez mais diferente. De fato o Japão está cada vez mais valorizando uma cultura importada, e cada vez mais se esquecendo das suas belas tradições - é esse o cenário da segunda metade do século XX, e Sukeroku também tinha lá sua razão em suas críticas. Nesse momento, é feito um jogo de imagens com o copo vazio, que é virado e deixa de refletir o mestre para refletir o Sukeroku, aquele que provavelmente está mais sintonizado com a realidade dos novos tempos. Esse episódio é cheio de jogos de imagens e simbolismos, o que é bem interessante, não é? Enfim, o mestre pergunta se ele quer dizer que rakugo não presta mais, e Sukeroku diz entusiasmado que "absolutamente não", mas que eles precisam fazer algo se não querem que o rakugo morra. O mestre diz que isso é basicamente a mesma coisa, mas Sukeroku insiste que não, e tenta explicar seu ponto de vista.

Sukeroku diz que é preciso fazer um rakugo novo, que não esteja preso aos antigos padrões extremamente formais - basicamente a mesma coisa que ele tinha falado para o Kikuhiko no bar, naquela outra noite. A tensão vai aumentando. O mestre acha que Sukeroku quer destruir a tradição do rakugo, e Sukeroku defende que ele quer reformá-la. O mestre - que como eu tinha dito antes, de fato é um defensor das tradições e tem uma personalidade mais alinhada à do Kikuhiko - diz que é a mesma coisa, e nada de bom surge ao quebrar os padrões, e Sukeroku então, com toda a sua honestidade, bate na mesa e... diz que "é por isso que seu rakugo é velho e chato". Ops, ele mandou a real. O mestre fica muito decepcionado, e aí Sukeroku vê que falou besteira, mas já é tarde demais.

E então é a vez de o mestre mandar a real. Ele pergunta se Sukeroku não tem dito às pessoas que vai se tornar o yakumo da 8ª geração, com os olhos trêmulos - demonstrados em seu ponto de vista trêmulo. Sukeroku o olha temeroso, e então o mestre diz que nem ferrando ia passar seu nome para o Sukeroku. Ele vai passar para o Kiku, o que já sabemos desde o primeiro episódio, mas agora ficamos sabendo como isso realmente se deu: foi mais uma briga de egos do que qualquer coisa, e Kikuhiko era apenas "o terceiro" para quem o mestre fugiu após uma disputa ideológica com seu discípulo mais hábil. Então, de fato já era para ter sido ele o yakumo, mas não exatamente por seu mérito. Sukeroku, horrorizado, olha para o mestre com os olhos mareados, e ele continua falando. Diz que já até conversou com a associação, e todos concordaram - o que muito provavelmente não é verdade, mas com certeza eles concordariam por causa da reputação do Sukeroku. E mais: diz que "é claro" que ele nunca daria seu nome para um "zé-ninguém" como o Sukeroku.



Nisso o Sukeroku, sentindo muita raiva, agarra o braço do mestre com violência. E é aí que o jogo vira, e não só vira como toma rumos até então imprevistos. Até poucos minutos antes, Sukeroku dizia que adorava o rakugo do mestre e o mestre dizia que queria defender Sukeroku dos maus comentários, e toda aquela bajulação. Mal a bebida acabou, Sukeroku resolveu contar para o mestre como ele achava que devia ser do futuro do rakugo,  e a coisa desandou. A coisa precisava ter desandado? A bem da verdade, não, mas todo mundo - tanto daqui do mundo real, quanto da associação do rakugo lá do anime - sabia que a personalidade do Sukeroku, impulsiva e inovadora, era uma bomba-relógio no Japão tradicional de meados do século XX, em um meio extremamente tradicional como era o do rakugo. A bomba explodiu enfim, e nesse momento, o mestre - esbravejando porque Sukeroku tocou nele violentamente - o expulsa de sua casa e diz: "se você quer ficar livre tanto assim, você está expulso!".

Essa cena é uma pancada no coração de todos nós, com toda a certeza, e especialmente no do Sukeroku. Para quem não se lembra muito bem, ele falou no episódio anterior que seu sonho de vida - a única meta daquela criança abandonada, mesmo - era se tornar um yakumo com o nome Sukeroku, para honrar o primeiro Sukeroku, aquele velhinho que fez com que ele se apaixonasse por rakugo durante sua infância como um órfão no teatro. Pois, afinal, "um yakumo com nome de Sukeroku seria algo irônico". Só Kikuhiko sabe dessa história da sua boca, além, é claro, de nós espectadores. Por isso, ele quis se tornar yakumo, adotou o nome Sukeroku - que, conforme notei hoje, o mestre nunca usou; ele insistiu desde sempre em Hatsutaro, provavelmente por se lembrar muito bem do primeiro Sukeroku! - e se tornou o grande artista que é hoje...

E em uma tacada só, por conta de um momento impulsivo, ele perdeu o título de yakumo e foi expulso de casa - exatamente o mesmo destino do primeiro Sukeroku, exatamente aquilo que ele mais temeu sua vida toda. Todos os seus sonhos de uma vida, que parecia que iriam finalmente se realizar graças aos seus esforços, foram destroçados em uma única noite pela autoridade do mestre; autoridade essa que era justamente o que ele mais rejeitava no rakugo. Um destino ridículo, simbolizado na imagem do Sukeroku em um espaço preto e vazio. Essa cena é extremamente doída. E nesse momento, mais uma vez aparece a cena do mar à noite que simboliza o rakugo do título. Abro um parênteses aqui para apontar que, além do começo do episódio, até agora essa cena apareceu nos dois momentos do episódio em que personagens com seus destinos muito bem definidos, com interesses muito claros desde sempre, vêem seus destinos destruídos justamente por personagens que representam "a tradição", ou a dura realidade das coisas. Kikuhiko basicamente diz a Miyokichi "você não vai ser a esposa do homem que ama", e o mestre diz a Sukeroku "você não vai ser o yakumo Sukeroku". E ponto final, porque no fim das contas, a  realidade é que esses destinos dependiam da decisão deles.



Sukeroku sai pela rua à noite com um rosto severo. E é aí que ele ouve uma voz familiar. Ele dá um SHAFT headtilt (desculpa, não resisti) vira o rosto e encontra ninguém menos que Miyokichi que, com a mesma elegância de sempre, ainda que um pouco mais distante, elogia as belas flores do local e pergunta se ele não é Sukeroku de Hanakawado. Ela, creio eu que sempre muito esperta e plena de certeza de que Sukeroku é "um tipo bonzinho" que vai escutá-la (e quiçá não pagar uma noite com ela?) segura a mão de Sukeroku e leva seu braço até seu próprio rosto, que começa a lacrimejar. Ela se prepara então para contar o que aconteceu: "Kiku me rejeitou". Sukeroku, que também se sente particularmente frágil nesse momento, a abraça, e a metáfora da água turbulenta à noite se completa com as cenas que mostram o abraço refletido na água. No abraço, Miyokichi sorri com ares de malícia, pergunta se algo aconteceu e diz que "vai ouví-lo"... É, pois é.

Não sabemos bem o que aconteceu depois disso. Na próxima cena, Kikuhiko já está posando para fotos, sentado no palco em seu kimono em uma manhã qualquer. "Você não pode sorrir um pouco?", pergunta o fotógrafo, e ele pergunta então - assim como no episódio 2 - como ele poderia sorrir quando não está se divertindo. É interessante notar como ele diz isso nesse momento em que Sukeroku não está mais fisicamente por perto, e esse paralelo certamente foi proposital. Enfim, depois disso, vemos Kikuhiko estudando no vestiário, e um crítico literário começa a importuná-lo para fazer uma entrevista com ele. Primeiro, Kikuhiko diz que crianças não podem entrar no vestiário, mas ele continua insistindo, e o outro já sem paciência diz: "vá direto ao ponto". E é engraçado lembrar que, apesar de Kikuhiko ter sido condecorado pelo fato de sua personalidade ser menos pior que a de Sukeroku na visão dos mestres, sua personalidade ainda é... bem ruim. (´・ω・`)

O crítico começa então a entrevistá-lo, indiferente ao seu cansaço. Ele começa com a pergunta formal, perguntando se as coisas estão diferentes agora que ele foi promovido a shin'uchi - e obviamente estão, já que até então era difícil até mesmo para ele apresentar, e agora ele é até mesmo convidado para entrevistas e não para de estudar. Sua resposta, no entanto, é: "eu não mudei nada, mas agora tenho mais pessoas como você me importunando". Sincero e direto. Ele diz então que, seja lá o que aconteça, ele fica feliz apenas por poder apresentar seu rakugo, e sobre isso eu acho que ele ficou ainda mais político também. O entrevistador aproveita o momento para puxar saco, dizendo que seu rakugo é uma obra de arte ainda que ele seja tão jovem e coisa e tal, e Kikuhiko aproveita para lembrar que "se você quer falar de idade, tem outro idiota da minha geração em algum lugar por aí". O entrevistador reconhece: "Sukeroku, né? É uma pena...". Ficamos sabendo então que as notícias de que ele foi expulso pelo mestre e jogado para fora da associação já correram soltas. Aliás, abro um parênteses aqui para dizer que: em meados do século XX já tinha escândalo de artistas que tinham suas reputações destruídas por motivos idiotas no Japão? Incrível, negócio atemporal isso aí.

Enfim, o entrevistador começa então a falar sobre Sukeroku, que não tem conseguido nem mesmo se apresentar por conta da sua reputação destruída. Ele tenta puxar saco de Kikuhiko colocando defeitos no rakugo de Sukeroku: diz que seu rakugo era muito idiossincrático, e ele não era nem bom, "só falava rápido e com força, o que ele fazia não podia sequer ser chamado de rakugo". Bem... já ficamos sabendo aqui de que tipo de gente da mídia o Kikuhiko adotou o discurso negativo que ele usou lá no episódio 1, né? Enfim, Kikuhiko - que nessa época ainda se reconhecia como fã do rakugo de Sukeroku - começa a ficar ofendido de verdade com as colocações do entrevistador. É engraçado notar que enquanto ele estava reclamando e chamando-o de criança, era meio da boca para fora, mas quando ele vai falar mal de Sukeroku, Kikuhiko se ofende de verdade, se levanta e pede para ele se retirar pois "não quer falar com gente que não entende de performance". ^_^



Após a entrevista interrompida, vemos apenas um pedaço do rakugo que Kikuhiko apresenta. Interpretando uma mulher, Kikuhiko diz: "É mesmo? Não sabia que você era o tipo de pessoa que faria uma coisa dessas, Shin... Você também é inocente. Enquanto o marido dela está fora, ela é o tipo que arranja um homem mais novo para si...". Nesse momento, o Sukeroku, que estava assistindo de longe, já foi embora, como Kikuhiko percebe com seus olhos de raposa. Sim, ele sabia que Sukeroku estava ali, ainda que ele estivesse escondido. É interessante perceber também que o rakugo que ele interpretava tinha como personagem um Shin, que é o nome do Sukeroku. Eu infelizmente não consegui descobri que rakugo era esse, mesmo procurando na Wikipedia em japonês, mas talvez fosse um em que a mulher quer fugir com um homem, muito como a Miyokichi. Por isso, gostaria muito de saber mais; se alguém achar alguma referência falando disso, ou mesmo conhecer algum Animenano da vida em japonês, por favor manda para eu pesquisar!




Enfim, depois disso, a cena passa para um funeral: o falecimento da esposa do mestre Yuurakutei. Assim como a personagem - silenciosa e aparentemente pouco relevante, ironicamente; mais um caso de denúncia de machismo? - é o funeral. Kikuhiko comparece, assim como o mestre e membros da associação, mas não Sukeroku, obviamente. Depois, Kikuhiko e o mestre estão juntos em casa, e este diz: "enfim sozinhos". De fato, agora são só os dois... e suas personalidades não muito fáceis de se lidar. O mestre pergunta como vai Miyokichi, e diz que na sua idade "começa a se sentir uma falta louca de uma mulher assim" - ele quer dizer uma prostituta. Kikuhiko, o último feminista do Japão, diz: "ela é uma pessoa também". Desconversando, o mestre diz apenas que Kikuhiko é uma pessoa séria, e por isso que ele o escolheu. É então que o mestre considera uma boa hora para contar a notícia de promovê-lo a yakumo... (Sério, mestre? Ê tato!)

Sem cerimônias, ele diz: "eu vou passar meu nome a você". Kikuhiko fica em choque, mas o mestre apenas continua falando. Diz que todos já concordaram, e que ainda que demore um pouco, até lá Kikuhiko com certeza já terá desenvolvido seu estilo próprio - sinalizando que para ele Kikuhiko ainda não tinha um, ainda que ele mesmo provavelmente achasse o contrário. Ele já dissera anteriormente que faria rakugo para si mesmo e mais ninguém. De qualquer modo, igualmente sem cerimônias mas formalmente, Kikuhiko diz: "eu recuso". Ele diz que não tem a habilidade para isso, e que Sukeroku é quem merece o título. O mestre, provavelmente um tanto surpreso com a reação que ele não esperava do seu discípulo subserviente, diz que Kikuhiko não pode falar o que ele deve ou não fazer com o nome da sua família, mas Kikuhiko insiste por um motivo muito lógico e óbvio para qualquer pessoa: ele não pode fazer isso, porque sabe o quanto Sukeroku se esforçou por esse título. E o mestre diz que sim, sabe, mas "e daí? Isso não é nada em que se basear uma decisão".

Esse momento, já dá primeira vez que eu o vi, me fez pensar em muitas coisas, especialmente sobre a cultura do Japão. Abrindo um parênteses aqui, assim como, por exemplo, no Japão existe uma cultura de achar que o pessoal da França é caloroso e beijoqueiro, etc. (e o brasileiro é só samba e carnaval) acho que o estereótipo do japonês para boa parte do mundo é de uma pessoa fria. Acho que as novas gerações, por conta da Internet e tudo mais, estão bem ou mal se desfazendo desse tipo de estereótipo cultural absoluto e generalizante, mas os estereótipos são dados que também tem motivos para existirem. O mestre, que é uma pessoa que valoriza as tradições, é extremamente rigoroso e até frio porque ele coloca (ou ao menos finge colocar; se o nome Sukeroku pesou ou não na sua decisão, não sabemos) os valores em primeiro lugar. E daí que o Sukeroku apresenta um bom rakugo, e tinha como meta de vida ser o próximo yakumo? E daí se ele só estava lá entre eles por causa desse sonho? Aqui, uma escolha assim provavelmente seria carregada de culpa e vergonha porque nos parece egoísta, até pela tradição cristã, etc. Mas naquele contexto, ainda que o Kikuhiko fosse contra - porque né, eles eram praticamente irmãos - era totalmente OK fazer isso, porque além da vontade do mestre, que é detentor do nome e portanto tem todo o direito, devia ser pesada a vontade da associação, que também odiava o comportamento anti-tradições do Sukeroku. O que eu quero dizer com isso é que, por exemplo, se essa história se passasse aqui no Brasil, provavelmente seria muito diferente, né? Parei de divagar sobre isso, mas acho que, de fato, um drama como Rakugo Shinjuu só seria possível no Japão não apenas por causa do rakugo, mas também por causa de vários valores. E acho que isso explica por que um fã de anime pode não gostar tanto de outros meios, né? Dica pra gente tentar explicar pros amigos! (◡‿◡✿)

Voltando a Rakugo Shinjuu, então, Kikuhiko insiste para que o mestre veja seu rakugo, porque ele "mostra o tipo de pessoa que ele é". Bem como o entrevistador falou: idiossincrático. O mestre, no entanto, bate na mesa antes que ele possa terminar, e muito bravo pergunta se ele estaria sugerindo que ele não tem olhos para um bom rakugo. Kikuhiko, naturalmente, abaixa a cabeça. O mestre continua insistindo que ele é o mais merecedor, mas ele continua com a cabeça baixa, recusando-se a encarar o mestre. O mestre, então, como um verdadeiro pai, estica a mão e a passa na cabeça de Kikuhiko, perguntando se ele acha que não tem habilidades como contador de histórias. E diz: "claro que você tem, você é meu filho afinal". Ele, que provavelmente sempre se identificou mais com Kikuhiko, reconhece-o dessa forma. Kikuhiko, no entanto, continua cabisbaixo com uma expressão destruída, e insiste: por favor, deixe de lado a expulsão do Sukeroku. O mestre, então, parece começar a se arrepender do que fez. Tirando a mão da cabeça de Kikuhiko, diz que "deu um tempo a ele" e que, como ele não é mais criança, ele que deve decidir o que será do seu futuro. Será que ele vai insistir e voltar? Ou será que a resolução dele é tão fraca que ele vai desistir de vez? O mestre diz que, pela associação, Kikuhiko também precisa esfriar a cabeça e pensar um pouco. E aqui, novamente, diferenças culturais: quais as chances de um "dar um tempo" tão sincero assim em uma cultura mais "cabeça quente" como a nossa?

O problema é que Sukeroku, que é um sujeito cabeça quente por si só, não está pensando. Ele está jogado numa cama depois de beber muito. Não fica claro onde fica essa cama - um quarto? - mas a Miyokichi logo chega trazendo "mais" álcool. Ele agradece, pois "já estava acabando", e ela diz que está cansada depois do dia de hoje. Ela chega desamarrando o obijime - e eu confesso que nessa hora fiquei confusa com a roupa dela, porque aparentemente ela saiu de casa usando só um obijime sem obi? Enfim, ela diz que teve que contar para todo mundo que estava deixando seu trabalho, e que isso foi trabalhoso... na frente de Sukeroku, como uma mulher casada mesmo, ela desamarra o cabelo e abre o kimono, mostrando seu corpo. Depois disso, mais confortável, ela literalmente se joga em cima de Sukeroku, de modo que seu decote fica visível. Ele, como uma verdadeira criança assustada, diz: "eu consigo vê-los...", querendo dizer seus seios, e ela diz com o maior olhar de "como você é idiota", enquanto continua mostrando seus seios: "é, é essa a ideia".





Deitada em Sukeroku, ela aproxima seu rosto do dele e diz que Kikuhiko nunca a deixou fazer isso, perguntando com a maior honestidade: "ele sequer gosta de mulheres?". Sukeroku, sorrindo um sorriso cínico, responde que "ele também é lascivo, pois é um artista de rakugo, afinal". E Miyokichi então sorri e beija seus lábios. Ainda que aparentemente num nível superficial o que Sukeroku queria dizer aqui é "eu sou lascivo, cala a boca e me beja", acho que esse é só um dos níveis de interpretação na história. O outro nível seria o da crença do Sukeroku, e como já disse aqui, eu tenho a teoria do elefante branco no meio da sala. Ele podia estar tentando acobertá-lo ou só tentando fazer Miyokichi esquecê-lo, do tipo "o problema era com você mesmo", para responder assim ao invés de admitir que não sabe. Ou por outro lado, a autora poderia estar tentando dizer através do Kikuhiko que ele é lascivo tanto quanto Sukeroku, só não demontra - como ele faz com basicamente tudo, né? Enfim, eu fiquei literalmente confusa quanto ao que eu devia entender, então por favor comentem aí o que vocês entenderam!

Depois de beijar Sukeroku, Miyokichi começa a sonhar acordada, dizendo que seus lábios eram "como os de uma garota": pequenos, finos e delicados... lembrando que no Japão, beleza é um atributo feminino. E grita que sente saudades de Kikuhiko enquanto se joga de novo em Sukeroku. Ele, que ironicamente ainda está embaixo dela e abraçando-a, olha assustado, provavelmente se dando conta de que ela também não bate muito bem. Enfim, Sukeroku pede para que ela ao menos não fale do outro enquanto está em cima dele, e diz que isso está fazendo com que ele se lembre... e ela diz, muito direta: "me faça esquecer, e eu nunca vou te lembrar de novo". Sukeroku, firmando a mão na sua cintura, diz que sempre pensou que ela fosse mais puritana do que isso ("que isso" quer dizer... só um pouquinho puritana, né?) e ela manda mais uma vez a real, dizendo que era assim com Kikuhiko porque ele gostava, mas como ela acha que Sukeroku não gosta de mulheres com classe, não é assim com ele.

E é basicamente isso, ponto. Sukeroku concorda, afinal é verdade, ele provavelmente prefere mulheres lascivas. E ela diz: "se alguém gosta de mim e me quer, eu posso ser o que a pessoa quiser". Nesse momento, Sukeroku - que também é bem astuto - diz com um olhar sofrido: "o que quiser... e se eles não te quiserem, está tudo acabado". Bem, esse é o grande momento desse episódio cheio de grandes momentos. Com a fala de Sukeroku, aquelas cenas tomam totalmente um outro rumo. Começa então a tocar uma música dramática, e a luz azul da noite entra pela janela dando às próximas cenas um tom azulado reminiscente das cenas com água, novamente remetendo ao rakugo do título. Sim, ele estava provavelmente se referindo ao rakugo do título, no qual uma prostituta pensa em cometer suicídio depois de ficar velha demais para os clientes a quererem. E quem está nessa situação?... Miyokichi, que é uma mulher inteligente, percebendo a mudança de humor súbita de Sukeroku primeiramente reclama: "ah não, pensando em rakugo de novo?". Depois, ela se lembra do rakugo que assistiu, e parece assustada também.



No entanto, com toda a intenção de manter o prazer recém-encontrado, Miyokichi diz apenas: "deixe disso, ou vai acabar enlouquecendo". Ela começa então a contar de seus planos, dizendo que vai ganhar dinheiro honesto assim que puder (ela que recusou a sugestão de Kikuhiko de ganhar a vida como artista? Pois sim...) e então vai comprar as passagens para eles fugirem juntos. Pensando no paralelo, a fuga seria muito literalmente o suicídio duplo do rakugo. Sukeroku apenas ouve a tudo isso com um olhar triste, quase como um boneco morto, enquanto ela pega sua mão e a move do seio até a barriga. Ela diz que "quer viver uma vida fácil, uma que também faça aquele dentro dela feliz". Gasp. E Sukeroku, ainda com olhar de peixe morto, diz que "sim, isso mesmo, eu vou onde você quiser que eu vá". Durante essas cenas, há ainda um peixinho aparentemente simbolizando Sukeroku, o peixe morto que "nada" nesse mar metafórico de Miyokichi, mas eu gostaria de ler as interpretações...

Bem... é. Esse é o grande momento desse episódio cheio de grandes momentos. É o momento em que a um só tempo sabemos das intenções de Miyokichi, que nunca escondeu que tinha como objetivo fugir com um homem, e que literalmente arranjou o primeiro homem destruído que encontrou na rua para isso (e como ela já tinha um plano de vingança do Kikuhiko, bem, as coisas saíram legais para ela...); que ficamos sabendo que ela já está grávida, e apesar de nunca ficar explícito de quem, presumimos que há de ser de Sukeroku; que ela quer que Sukeroku esqueça o rakugo, e a faça esquecer o Kikuhiko, e comecem uma nova vida juntos; que ficamos sabendo também mais sobre essa relação turbulenta e complicada dos dois, que Kikuhiko sempre rejeitara... e, bem, ficamos sabendo de todos os sonhos que ela planejara concretizar, basicamente. E também um pouco do lado de Sukeroku, mas depois eu volto nisso.

Depois disso, o anime volta para Kikuhiko, enquanto a chefe da casa de geishas fala com Kikuhiko nos bastidores de um espetáculo. Ela pergunta a ele se ele sabe de Miyokichi, e ele diz que não, pois não a vê desde a primavera. Ela então diz que a casa de geishas fechou, e parece que... Miyokichi fugiu com o dinheiro que elas tinham juntado. (Bem honesto, realmente, Miyokichi...) Kikuhiko fica assustado, e a geisha explica que o endereço para o qual ela disse que iria não tinha nada, e ela simplesmente não sabe o que fazer. Kikuhiko diz que se ficasse sabendo de algo a informaria, e sai pela rua até sua casa pensando sobre isso. Ao chegar na porta de casa, então, vê uma pedra rolando no chão e se assusta: há mais alguém ali. Ele se vira, e encontra ninguém menos que Sukeroku, fumando agachado no chão.



Kikuhiko pergunta então o que foi, muito amigavelmente, obviamente sem saber de nada do que se passou e provavelmente imaginando que o amigo vai voltar para casa. Kikuhiko pede para ele entrar, batendo na sua cabeça com sua bengala, e continua tratando-o como o irmão que ele sempre foi. Enquanto comem, reclama que Sukeroku foi assistí-lo no teatro muitas vezes, mas nunca conversou com ele, e pergunta o que ele queria então. Sukeroku explica que, se ficasse muito tempo, a associação poderia notá-lo, falar sobre o quão inútil ele era e criticá-lo ainda mais, e ele obviamente não queria isso. Ele tenta então pegar mais um cigarro (e parece que o jogo dos cigarros também virou desde o começo do episódio, não é mesmo...) mas o cartucho não tem mais nenhum, e então ele joga o lixo no chão - como que metaforicamente - e diz: "acho que isso que é ser expulso, né".

É claro que Kikuhiko lembra que ele pode reverter isso se pedir desculpas para o mestre, mas Sukeroku recusa veementemente. Kikuhiko, ainda aparentemente sem suspeitar de nada, pergunta então por que Sukeroku foi vê-lo, e diz que não vai dar dinheiro se é isso que ele quer. Ele responde, com um tom de voz um pouco irritado, que sabe disso, o que faz Kikuhiko mudar sua expressão de vez. Como um cão sem dono, Sukeroku faz uma expressão aterrorizada quando o outro vai até ele com os braços cruzados, pára na sua frente, e então, como se finalmente suspeitasse de algo que até então estava rejeitando em sua mente, cheira o seu cachecol. E então, com a cara mais cínica do mundo, manda a pergunta: "você está com a Miyokichi, não é?". A verdade é que emocionalmente, ainda que retraído e confuso, Kikuhiko não é nenhum idiota: ele sabe que Sukeroku era louco pela Miyokichi; sabe também que quando ela disse "vou me vingar" não tinha mesmo as melhores intenções, e sabe do quão esperta e sedutora ela é.

Por outro lado, Sukeroku, que apesar de muito decidido não enxerga tão longe e provavelmente não tinha intenção de contar nada além de "vou fugir com uma mulher" (que nem no rakugo ^_^;) ou qualquer coisa do tipo, fica assustado e começa a gaguejar. "Como você sabe?", ele pergunta, e Kikuhiko com o maior sorriso cínico de "já peguei" responde: pelo cheiro. Como se já não estivesse deitado e rolando na posição superior que as condições lhe oferecem, Kikuhiko diz que não está em posição de falar nada, e diz para Sukeroku fazer o que quiser. Bem... o engraçado é que nessa cena, o Kikuhiko se comporta mesmo como uma mãe repreendendo o filho por uma decisão sua ou algo do tipo. Ele diz "faça o que quiser" para Sukeroku, mas implorou para o mestre aceitá-lo de volta, não sossegou até o mestre dizer que estava só "dando um tempo" para ele, e logo ao recebê-lo em casa, diz que ele pode reverter essa situação se pedir desculpas pro mestre. Apesar do quão óbvia é a sua vontade de que Sukeroku deixe isso de lado e volte para o rakugo - e, claro, para a vida que eles levavam - e apesar de ele deixar tudo pronto para que "o filho retorne ao lar", seu discurso, sempre na posição autoritária de "mãe", diz: "faça o que quiser".

Mas ao invés de dizer que sim, claro, quer voltar, Sukeroku, cabisbaixo, confessa as suas intenções iniciais: "eu vim dizer adeus. Eu vou embora de Tóquio". Kikuhiko pergunta: "que?", e ele continua explicando as circunstâncias atuais. Diz que Miyokichi vai ter um bebê e quer que ele nasça no campo, e ele vai junto porque ela "não pode ficar sozinha, você sabe disso, não sabe?". Exatamente ao contrário do que Kikuhiko fez quando Miyokichi pediu para que eles fugissem juntos - dizendo que ela precisava aprender a se virar sozinha, e tomar a decisão dele, a bem da verdade, sem nenhuma vergonha pelo seu egoísmo - Sukeroku decide que o que ele deve fazer é ceder às vontades de Miyokichi e fazer companhia a ela, abandonando seu próprio sonho. Fato é que nem eles devem saber se a Konatsu é ou não filha biológica do Sukeroku, mas ele sempre teve a intenção de criá-la e para todos os efeitos ser seu pai. Ele, sempre muito intenso, provavelmente se sentia responsável e encarou aquilo como uma tarefa que ele, como homem, devia cumprir.






Kikuhiko começa, então, a ficar trêmulo. "E o rakugo?", pergunta, e Sukeroku diz com o mesmo desleixo e indiferença com a vida de sempre, agora estendidos até mesmo para o rakugo: "não sei, não pensei". É aí que Kikuhiko começa a esbravejar com ele, lembrando-o dos sonhos pelo quanto batalhou, do título de yakumo. No entanto, Sukeroku continua frio e indiferente, dizendo que pode ficar com ele. É aí que começamos a perceber o quão profundos são os sentimentos de ressentimento de Sukeroku, até então pouco explorados: ele diz que Kikuhiko pode ficar com o título porque é ele "o pequeno garoto precioso do mestre, afinal". Sukeroku diz isso usando pejorativa e raivosamente a palavra bocchan, que como comentei anteriormente, conota um garotinho mimado. A animação mostra apenas sua boca se movendo com raiva, quase que cuspindo as palavras, e o olhar de Kikuhiko é apenas um de horror, e cada vez mais horror com as palavras que escuta.



Nessa hora, Kikuhiko - que em nenhum outro momento foi violento, lembremos - agarra o cachecol de Sukeroku num movimento brusco, e mesmo ofegante, não consegue dizer nada. Sukeroku continua então seu discurso do mais puro e honesto ressentimento: "eu sempre tive inveja de você", ele confessa, chorando. Porque Kikuhiko, o Bon, era mimado e amado. Porque o mestre fazia tudo para ele, e nas palavras de Sukeroku, ele era "apenas um vira-latas que ele abrigou, não um aprendiz como você". Ele diz isso com uma voz de pura e honesta raiva, e nós, espectadores, que assistimos o anime inteiro do ponto de vista de Kikuhiko, ficamos muito solidários ao olhar chocado e aos olhos mareados dele porque nós estamos na mesma. É o olhar de uma pessoa que não sabe de onde veio isso tudo.

Ver os sentimentos do outro lado é sempre um tapa na cara. Até então, Sukeroku parecia apenas uma pessoa muito indiferente aos sentimentos, quase anti-social, como se só ligasse pro rakugo. De repente ele joga na mesa o seu ponto de vista, e ei, são sentimentos totalmente compreensíveis. inda que Kikuhiko não gostasse de ser mimado, ainda que ele não gostasse de sua fragilidade, e recusasse esses aspectos em si, ele ainda era aquilo também - e, ironicamente, era aquele seu ponto cego que causava inveja em Sukeroku. Exatamente a mesma intensidade de sentimentos de inveja e ressentimento que Kikuhiko sentia por um lado, Sukeroku sentia por outro.

Kikuhiko, que até então o segurava com raiva, pára de exercer força sobre Sukeroku, que então o empurra e se vira de costas para chorar. A cena do mar aparece de novo, mostrando o distanciamento entre eles, e então ouvimos a narração do velho Kikuhiko, o Yakumo, desse momento:
"eu que sempre, sempre olhara para aquelas costas querendo sê-las, agora queria chutá-las, agarrá-las, bater nos seus ombros. Com esse frenesi indescritível de sentimentos dentro de mim, eu olhei para elas e..."
E ele segura os ombros de Sukeroku, deita seu rosto em suas costas, e diz mais uma vez, com uma voz fraca (ai ai ai, Akira Ishida... ♡_♡) mas agora muito mais sincera: "faça o que quiser, só não desista do rakugo!". Impassível, com o mesmo rosto destruído, mas igualmente sincero, Sukeroku responde: "eu não sei o que eu devo fazer".

E assim se encerra o episódio 9, vulgo "o episódio mais desgraçado até agora de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu". E sabe o que é pior? A gente sabe que daqui para frente vai ser só desgraça.






Bem, por onde começar? Vou tentar começar falando do fácil e do visivelmente notável: além das músicas ótimas, esse episódio deu grande destaque para as metáforas imagéticas, e também para o uso de ângulos e enquadramentos ainda mais diversos do que de costume. O trabalho do estúdio DEEN continuou brilhante aqui, e eu finalmente me dei conta do quão bom é o trabalho do diretor de fotografia, Shigemitsu Hamao, que não parece muito experiente mas também atuou em Sakura Trick, o que me leva a me perguntar se esse é um pseudônimo porque ele é bom, enfim. Nada de novo nos ângulos e nas metáforas, mas acho que nesse episódio, para transmitir sua intensidade emocional, eles foram abusados. Nada nível Shaft, um nível aceitável, bem legal.

Depois, para falar do texto - e do subtexto - os focos desse episódio foram certamente muito mais o Sukeroku e a Miyokichi do que o narrador Kikuhiko. É aí que a história começa a ser de fato sobre eles, que encontram um ao outro totalmente quebrados, como comentei. Com seus sonhos destruídos, eles se unem, e eu preciso dizer como adulta que sou (?? acho ??) que acredito muito naquela história de "se complete ao invés de procurar alguém para te completar". Essas histórias de gente se juntando no momento mais difícil da vida geralmente dão bosta, se eu fosse o Kikuhiko já ia avisando isso, mas enfim. Ainda que as intenções da Miyokichi não fossem lá as mais nobres - afinal, ela disse que queria "vingança", o que por si só não faz um vilão e pode muito bem ser característica de mocinho - ela também não merece, na minha opinião, os ares de vilã que ela provavelmente toma na narrativa do Kikuhiko.

Esse episódio é muito elucidativo sobre a personalidade de Miyokichi, porque é o primeiro episódio em que ela é realmente honesta sobre seu íntimo, coisas para além de como se comporta ou o que gosta de fazer. Já sabíamos de sua história: ela é uma geisha, e se prostitui para sobreviver, porque foi abandonada. De uma forma cruel, pelas circunstâncias da vida. Já sabíamos também que seu sonho era se casar com o mestre ou Kikuhiko, duas pessoas que nunca a consideraram "para casar", e levar uma vida mais normal. Mas é quando ela vê seu sonho destruído pelas palavras de Kikuhiko que ela começa a mostrar sua verdadeira personalidade. Ela é definitivamente muito vingativa, muito passional, muito... muito. Ela certamente vive uma vida muito intensa, com muitas dificuldades e situações extremas, mas o fato é que suas intenções de largar tudo isso e viver uma vida mais tranquila e rigorosa não são tão honestas assim. Ela quer se sustentar, mas não quer trabalhar como artista; ela quer um homem rico, mas decide fugir com o primeiro mendigo que encontra na rua e se virar a partir daí; ela diz que vai trabalhar honestamente, mas rouba a casa de geishas...

Por outro lado, falando com o Sukeroku, ela é muito honesta: o que ela faz de melhor, ao seu ver, é ser aquilo que quem a deseja quer que ela seja. Por exemplo, ainda que ela diga gostar de artes, especialmente para o Kikuhiko que gosta de mulheres assim, ela não se enxerga como artista. Isso por si só dá muita discussão sobre a personalidade dela, mas o fato é que ela é definitivamente, como cortesã, hábil naquilo que faz. E isso a leva inevitavelmente ao paralelo com a prostituta de Shinagawa Shinjuu, "a rejeitada", que ela mesma evita. No mais, seu sonho de criar uma criança no campo, longe de tudo, ao menos parece honesto até então. É claro que eu posso estar muito enganada, mas o que eu quero dizer é que o fato de ela querer esquecer de Kikuhiko, e querer que Sukeroku esqueça do rakugo - entendendo isso como as coisas que os destruíram para além do quão tristes já eram... - e tenham uma vida feliz no campo por si só não é tão absurdo e vilanesco. Sim, ela prometeu vingança, mas não sabemos se ela vai efetivamente cumprir, ou se isso é só mais um mal entendido nessa história. Mas né, ela é a Capitu da história do Kikuhiko-Bentinho. Claro que toma ares de vilã.

E por falar em Capitu e Bentinho, vamos falar também do Escobar, vulgo Sukeroku. Aliás, é dele que eu mais quero falar nesse post, porque apesar de não ter sido realmente o momento mais importante do episódio, eu fiquei muito chocada com o desabafo dele para o Kikuhiko. Muito. Muito. Mesmo sabendo que Rakugo Shinjuu é uma narrativa em primeira pessoa, geralmente não ouvimos o velho Kikuhiko narrando, e dá para se perder facilmente nos eventos. Mas o fato é que tudo ainda é narrado da sua ótica muito pessoal, e é claro que nisso perdemos o íntimo de Sukeroku. Por bem ou por mal, sendo referências ruins ou boas, Kikuhiko cresceu com referências na casa de geisha. Fosse ofendendo-o ou fosse dizendo que ele era delicado, ele tinha uma personalidade definida pela sua socialização com os outros. Mas Sukeroku... tendo crescido no teatro, parece que ele nunca teve realmente uma oportunidade de desenvolver uma personalidade, psicologicamente falando. E é assim que ele se vê no seu íntimo, meio como Miyokichi provavelmente se vê no seu íntimo também: um nada, um vira-latas, alguém que necessitou da compaixão dos outros meramente para sobreviver.

Esse ponto de identificação com a Miyokichi, precisamente o ponto baixo, é a grande sacada da história deles. Tudo provavelmente teria corrido bem se Miyokichi fosse apenas mais uma cortesã com quem Sukeroku passava a noite, mas além de ser justamente "a" cortesã "do" homem que ele invejava, ela e Sukeroku, no fundo, no fundo, sofrem bem da mesma síndrome de cachorro abandonado. É essa identificação, e essa necessidade mútua de apoio vindo de qualquer lugar que faz com que eles se juntem, e como Miyokichi mesma tinha dito em episódios anteriores, Sukeroku é bonzinho e até inocente para coisas como relacionamentos. Ainda mais para seu infortúnio, ele gosta facilmente de mulheres bonitas, e a Miyokichi é uma. O resultado é que ele fica parecendo um cachorrinho com ela. Ela dá álcool e sexo, e faz literalmente tudo que ela quer - e ainda tem a sensação de estar cuidando de alguém, para variar um pouco... - e ele aceita tudo sem reclamar, porque ele também se vê nessa posição de sempre depender dos favores de outra pessoa.

Então, voltando a Sukeroku, é lógico que toda a sua revolta contra Kikuhiko faz muito sentido, o fato é que nunca tinhamos visto muito o lado dele. Ele pega justamente o ponto fraco do Kikuhiko, que é o quão mimado, frágil e dependente ele aparenta ser, e diz que sente inveja, espreme e joga um sal ali na ferida. É violento, aliás, o quanto os dois se complementam. Kikuhiko é também a única pessoa que admite que Sukeroku é um artista fantástico, e torce por ele, e dá o reconhecimento pessoal (e aquela mãozinha de "mãe"...) de que Sukeroku, talvez sem perceber, necessita. O fato é que eles cresceram juntos e muito sozinhos, então um acabou se tornando dependente - e complementar - demais em relação ao outro, e é essa profundidade psicológica uma das características mais fascinantes de Rakugo Shinjuu, com certeza. Com certeza Sukeroku também fazia um esforço grande para esconder essa inveja de Kikuhiko, que realmente nunca suspeitou de nada. A relação superficial deles é uma em que o Sukeroku depende do Kikuhiko (para basicamente ser um ser social) mas, no fundo, subjetivamente falando, eles dependem muito um do outro.

O fato é que ver algumas vezes e analisar esse episódio me fez deixar de resistir bravamente e shippar os dois, confesso. Não sei se era essa a intenção da autora, mas cedi. Porque é muito doído ver o quanto o Sukeroku se vê como um vira-latas, e portanto age como tal, e sendo assim, o quanto a Miyokichi destrói ele inadvertidamente; e então comparar essa situação com o quanto ele estava bem com o Kikuhiko... é muito doído. O fato é que ele, que nunca se viu como alguém de valor - bem o contrário de Kikuhiko - não sabia o que fazer naquela situação, mas a Miyokichi sabia muito bem o que queria que ele fizesse. E o Kikuhiko também, mas nunca se manifestou quanto a isso, sempre dando espaço para o Sukeroku. O problema é que, não importava quanto espaço ele dava, Sukeroku nunca se decidia quando o assunto era relativo a ele próprio. E culmina nisso.

Da primeira vez que eu vi o episódio, escrevi brincando: "Kikuhiko é o Kaworu do Shinji do Sukeroku". Explico esse ultraje: Kikuhiko é basicamente quem salva ele do desvalor, dando a ele todo o valor que de fato ele merece, mas a sociedade teima em não dar. Ele existe meio que nem um anjo que está sempre ali pra dar água, comida, experiências divertidas, carinho e apreciação para Sukeroku. (Nessa comparação boba, obviamente a Miyokichi é a Asuka e o fim está próximo.) E repito o que eu já dizia no episódio 1: Haruko Kumota, sua fdp, tinha que me deixar frustrada até com josei? Gente, que raiva. Mas tudo bem, eu vou superar!!

Enfim, o preview do episódio 10, que sai amanhã, promete... barracos, imprevistos, falta de Sukeroku, problemas em geral. Muitos problemas mesmo, não sei nem como eu vou ter estômago depois de um post desses.

 

Por fim, desculpa pela demora para publicar esse post! Ficou gigante, fiquei com dor na coluna, mas eu precisava escrever isso tudo simplesmente para... conversar, mas também para aceitar esse episódio, porque nossa. Que baque, hein? Perdoem minha tese, eu vou mesmo tentar ser mais sucinta nos próximos. ^_^; (Vou conseguir? Fica o mistério.) Muito obrigada mesmo a quem leu um pouquinho do post, porque eu não culpo ninguém que não leu inteiro, e muitíssimo obrigada (sério, te devo algo) a quem aguentou ler tudo.

Por favor, deixem aí nos comentários suas opiniões e reflexões sobre o episódio também! E vamos fazer uma corrente de bons pensamentos pelos próximos episódios, OK? Porque eles prometem não ser fáceis pros nossos corações ;; Mais uma vez, muito obrigada, e até a próxima! ☆彡

16 comentários:

  1. Escrevi um comentário tão grande que o Blogger não aceita. Sério, eu teria que dividi-lo em pelo menos QUATRO partes, =P

    Isso me levou a pensar em escrever um ARTIGO no meu blog só com esse comentário, mas como não sei o que pensa disso (deslocaria parte dos comentários para outro blog, afinal), escolhi o neutro e sem sistema de comentários Pastebin: http://pastebin.com/aruStf2q

    (pensando bem, eu poderia escrever como artigo e fechá-lo para comentários, e aí não teria problema de deslocar comentários ... mas agora já fiz colei lá no Pastebin, o que está feito está feito)

    Responda por aqui mesmo, conforme achar razoável! Eu é que não fui razoável escrevendo tudo isso, comentar quando estou com os dedos loucos para escrever dá nisso, hehe.

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    1. HAHAHAH estou rindo alto aqui com o quanto a gente abusou das palavras com esse episódio! Sério, eu escrevi ~10400 palavras. 10 mil!! 5 episódios desse eu já batia a meta do Nanowrimo bem dentro do prazo. Ou seja, o que é ser razoável?

      Enfim, agradeço demais a sua paciência e seu comentário, e vou respondendo aqui aos poucos! Pode fazer o que quiser com ele, hahah, penso que seria bem legal se você quisesse postar suas reflexões no seu blog também. Afinal, o que já foi publicado são palavras ao vento, pode fazer o que quiser. :P

      Sim, acho que é cigarro normal mesmo. Eu achei a embalagem peculiar (é verde...?) mas depois fui ler e descobri que os cigarros japoneses eram fabricados pelo governo até poucas décadas atrás. Acho que você está certo. (E rindo do "elegante"... rs, pior que se bobear, é mesmo.)

      Humm, mas o Sukeroku quis dizer que ensaiou vários especificamente para esse período (semana, talvez) de celebração da passagem para shin'uchi, não? Quanto à comparação com o teatro, acho válida, mas o sistema de rakugo em si é um pouco mais complicado que isso; pelo que eu pesquisei, existem coletâneas de histórias tradicionais que foram transmitidas oralmente ao longo dos séculos, e aí tem os rakugos modernos, que são mais originais. Mas em geral parece ser um esquema de "storytelling", mesmo; algumas vezes eles até falam que aprenderam alguns rakugos vendo os outros fazerem. Pessoalmente me lembra mais trovadorismo, por exemplo. Não sei se eu consegui passar o que eu penso direito, mas a impressão pessoal que eu tenho de rakugo é de que, apesar de ser uma forma de arte que se apresenta num palco, e apesar de lembrar muito stand up comedy, seu significado e sua tradição são mais como os de histórias orais passadas de geração pra geração. Mas eu sou tão nova nesse universo quanto você, então posso estar enganada.

      Ah... você quer dizer que ele disse isso porque ele realmente estava com planos de dar um ponto final no lance dele com a Miyokichi, então. Faz sentido! Eu só achei muito... confuso... porque no episódio anterior ele tinha saído todo "não fale mais comigo, adeus", e nesse ele voltou falando "desculpa, pode me bater". Mas pensando agora, é mesmo, é o Yakumo, ele não ia simplesmente deixar uma ponta solta assim. (´・ω・`) E sim, você tem razão, acho que é bem isso de auto-estima baixa, mesmo.

      É, então. Mas isso tem motivos. Eu vou começar a divagar aqui porque tenho contato com japonesas e etc, então peço desculpas se for muito longe. Apesar de ser sabidamente machista (como, hã, o mundo todo) o Japão tem uma tradição de papeis sociais, nisso inclusos papeis de gênero, muito rigorosos e estritos. Como você disse, ser dona de casa lá é muito diferente de ser aqui, lá elas são literalmente donas de casa - cuidam da casa, dos filhos, do que mais couber. Ao homem cabe o mundo social, do trabalho. O homem que trabalha fora deixa o dinheiro para elas, para que administrem as compras e tudo mais. Aqui muitos casais nem mesmo dividem o dinheiro, o que é de cada um, é de cada um. Depois, não que elas trabalhem e estudem para arranjar marido, é mais para cumprir o papel social de filhas e etc, e depois elas largam tudo quando se casam e tem filhos para assumirem esse papel de dona de casa. Mas o que eu acho interessante (e que me faz pensar muito sobre como na prática o Japão é menos machista que o Brasil, mesmo que ligue mais para papeis de gênero) é que é um papel legítimo. A mulher não é inferior, não é "só" dona de casa, ela é dona de casa. Aqui não; se formos pegar a vasta maioria da população, sobretudo de classes baixas e com menos instrução de uns anos atrás (já que isso tem mudado rápida e radicalmente por motivos óbvios: (cont)

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    2. esse esquema não se sustenta) as mulheres trabalham, cuidam da casa e dos filhos a um só tempo (ou tentam) enquanto os maridos vêem futebol, e "tudo bem porque homem é assim mesmo". Só as mais ricas tem o privilégio de serem "só" donas de casa. Pensando assim, a rígida educação japonesa e a educação brasileira frouxa tem seus fundos sociais também. Dito isso, eu não sei o que pensar dos divórcios. Sei que os divórcios japoneses são relativamente poucos e são tranquilos, via de regra, sem grandes disputas judiciais. Acredito que por conta dessa tradição, mesmo, haja muita proteção social para as mulheres, mas isso é chutômetro em nível elevado. Enfim, dito tudo isso, a verdade é que mesmo assim - talvez graças ao consumismo exacerbado que se instaurou no Japão nas últimas décadas, pelos estilos de vida importados e etc., talvez por outros motivos... - cada vez mais mulheres estão optando (ou ao menos tentando optar, e até se opondo às expectativas familiares para isso) por continuar trabalhando fora, daí o declínio nas taxas de natalidade, e em alguns casos nem se casar, mas isso é mais complicado. É bem mal visto, não é tanto uma "escolha ok", é menos ok ainda do que aqui. Aliás, no site de intercâmbio de línguas que eu participo, conheci muitas japonesas que queriam aprender línguas para se mudarem de país, justamente para terem vidas mais livres dessas amarras sociais. Bem complicado. Enfim... fim da interrupção no Rakugo Shinjuu para um momento sociologia japonesa 101! :P

      Exato, não foi só "a verdade" naquelas circunstâncias, foi um chute bem dado na cara mesmo, né? E é... eu acho que o que ela sente é um orgulho sim, mas é mais uma máscara de orgulho para se proteger, meio como o Sukeroku. Sukeroku que sempre se mostrou inabalavelmente orgulhoso, mas sempre teve inveja de Yakumo, é o que eu quero dizer.

      E nossa, nem fala!! Eu ainda não fui comentar lá porque dormi e agora estou respondendo aqui, mas só vi o título e falei, poxa, concordamos de novo que ela é sensacional. ヽ(゜∇゜)ノ Também adoro a música de abertura, e a interpretação dela nesse episódio foi fantástica!

      Sim, é verdade, bem como um fantasma. Eu também só não tive esse medo porque sabia que o quarto era baixo, hahah. Essa cena - da mulher com cabelos negros na frente da janela, à luz do luar... - também me lembra alguma coisa clássica, mas eu não sei apontar o que. E sim, sim, que genial sua comparação! Acho que é uma boa interpretação, quanto às ondas que vão passando... Para falar da mesma coisa no mesmo meio, séries de anime do Ikuhara, e Ouran Host Club (que herda isso dele) também usam muito esse recurso da cena que se repete para mostrar uma progressão de ideias. Quanto às pétalas, geralmente indicam maturação. Você viu Chihayafuru, lembra do poema que inicia o karuta? "Na baía de Naniwa, as flores adormecem durante o inverno. Agora é primavera e aquelas flores estão desabrochando"... em Chihayafuru a imagem das flores de cerejeira é muito usada como metáfora para a maturação dos personagens. Talvez aqui também tenha a ver com a maturação das circunstâncias que levariam ao tal suicídio duplo, mesmo, mas estou chutando. E talvez não tenha a ver com nada, só pra sinalizar que era primavera, já que depois o Yakumo diz que não vê Miyokichi desde a primavera ^_^; (quais as chances?)

      Aah, achei sim, mas só depois da segunda vez que eu vi! Porque já sabia que o clima tinha mudado muito do nada. Não que o Sukeroku não vá assistir rakugo por paixão, acredito que vá sim, mas interpretei aquilo como um "adoro sua versão, agora não me pergunta mais porque eu não posso falar que minha intenção era mostrar pro presidente mesmo"!

      Caramba, sério?? Eu sou bem ruim com essas pistas visuais, em geral, mas gosto muito de ler a interpretação de outras pessoas. Por favor, posta aqui quando tiver feito! ☆彡Ah, e fico feliz que não tenha se incomodado com o link! (cont)

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    3. Ah sim, primeiro, acho que você tem toda razão: pessoas falam bobagens o tempo todo, especialmente quando estão nervosas, quando bebem, e quando bebem e estão nervosas, hahah. Então sim, ele com certeza disse aquilo num impulso. E sim, pode ter sido um impulso de dizer o que os outros pensam do rakugo do mestre, não o que ele sente. Mas o fato é que no episódio 1 vimos que o Yotaro também não gostava muito do rakugo do Yakumo, porque preferia o do Sukeroku. E pensando nos paralelos Yotaro-Sukeroku e Yakumo-mestre em termos de personalidade, eu interpretei como... talvez o Sukeroku também preferisse o rakugo do primeiro Sukeroku do que o dos mestres, e talvez rejeitasse eles por isso. Mas isso foi uma interpretação muito livre, por conta desses paralelos. Eu acho que as duas possibilidades são muito válidas, na verdade, mas estou tentando explicar aqui meu ponto de vista.

      Mesmo? Hum, pensando assim, você tem toda a razão. Ele disse que não foi fácil e que ele já tinha conversado sobre tudo, pode ter muito bem conversado sobre isso também. Pensando agora, acho que faz sentido. Hahah e sim, isso definitivamente é um dos pontos fortes de Rakugo Shinjuu! Ambiguidade de intenções é algo muito realista, que só uma série com personagens complexos consegue alcançar, né?

      Sim, o que eu quero dizer é que, com o público geral, Yakumo não faz nenhuma questão de ser simpático. A Miyokichi era uma amiga por quem ele tem carinho, e ele tem respeito pelos mestres. No trabalho ele também não tinha muita opção, tinha que ser cortês. Mas quando ele tem a opção de demonstrar ser alguma coisa para a sociedade, ele é bem cavalo e egoísta - afinal, essa foi a resolução dele lá no episódio 6, ele é assim porque quer e tem plena consciência do que transmite. Não digo isso como algo ruim, é algo que enriquece o personagem com certeza, e também sabemos que ele é um tanto diferente na velhice. Mas o que eu quero dizer é que nenhum dos dois tem lá uma personalidade calorosa, bem comportada, equilibrada. Eles são dois extremos, infortúnio do mestre, e claro que para a obra isso é incrível. ❤

      E nossa, com certeza.

      O 4chan? Alguém falava sobre esse rakugo lá?

      Sim, é isso. Como você mesmo disse, a sociedade japonesa é muito mais tradicionalista, por isso penso que as coisas correriam de uma forma diferente. Mas sim, concordo que a sociedade brasileira também é bastante familiar, de um jeito até ruim. E eu acho que em muitos pontos o Brasil tem uma cultura parecida com a do Japão sim (e diferente, por exemplo, daquelas dos EUA ou da Europa) apesar de os estereótipos dizerem o contrário. ^_^; É que as diferenças sociais gritantes aqui realmente fazem a diferença.

      Eu... não consigo acreditar muito nessa interpretação, apesar de ser a mais óbvia, porque ele sabe muito bem que o Yakumo nem tchum com a Miyokichi, nem com ninguém, nem aceitava ir nos bordeis com ele, então não é estranho? Ia ser meio hipócrita se ele realmente achasse isso do Yakumo, mas sei lá. Também não acho que ele poderia "saber" de algo, mas ainda acredito um pouco na teoria de todos "acharem" algo de estranho nele (afinal, com certeza, 20 ou 30 anos de convívio não é pouco!) e ninguém abrir o jogo, mesmo. Mas sim, isso é 100% teoria, interpretose!

      Não é?? Habilidosa com as palavras, essa Miyokichi. Confesso que ri aqui com a cara de pau dela.

      Sim, acho que sim! O aspecto meio "unidimensional" da imagem também me lembrou aquele estilo de gravuras antigas, então não foi só viagem minha. (Em nota, seu comentário me fez cair na besteira de procurar "old pornogaphy japan" no Google Images, porque na minha inocência eu achava que imagens da Wikimedia de "história da pornografia no Japão" iam aparecer antes de "Japanese, old man free porn". Não recomendo.) Sim, eu gosto dessa interpretação. A Miyokichi também estava tentando escapar, veja só que ironia, largando a vida de prostituta e se casando com um bom homem. Mas ela acaba ficando com um homem que... (cont)

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    4. não é exatamente o "bom homem", e prefere prostitutas. Também faz muito sentido nessa linha de raciocínio.

      Sim, entendi assim. Mesmo? Mas gente, a Konatsu "se lembra" do Yakumo matando seu pai, o que provavelmente também é distorcido porque ela era muito novinha. Mas sim, isso ainda deve demorar aí uns aninhos. No começo do anime eu pessoalmente acreditava muito em um assassinato sim, mas a essa altura? Eu não acho nem que ela tem jeito de assassina; é um "suicídio duplo", afinal. Enfim, estou contigo nessa, não acho que isso deve acontecer, mas posso estar enganada (será que os rumores são por causa do mangá? Eu ia ficar bem chateada).

      HAHAH não sabia, não. O peixe parece importante, porque se repete algumas vezes, mas eu não consegui abstrair nada. Mas acho sim que ele devia representar o Sukeroku!

      Que bom que você não pensa assim! É que o que a gente vê, em geral, é o ponto de vista do Yakumo: ela agarrando ele quando ele quer distância, sendo uma chata, tendo sonhos fúteis. É verdade, ela não é flor que se cheire, mas ela teve uma vida bem ruim com certeza. Eu concordo com sua opinião sobre ela, ela é tão humana quanto qualquer um ali. Se o Yakumo a vê como vilã é outra história, que acho que depende muito dos rumos que a história vai tomar. Ainda não sabemos, mas ele fala dos dois com muito ressentimento no presente. Naquela época, ele provavelmente ainda era um tanto encantado por ela, ainda que fosse mais esperto do que o Sukeroku... E nossa, depois me passa as suas referências, porque eu quero ler e rir disso aí, HAHA. "Jura?" Pois é, né, gente... ler o texto é pra poucos... ah, sabe o que mais é engaçado e eu estou rindo? Eu joguei "Dom Casmurro Notloli" no Google, porque eu tinha certeza de que tinha feito outras referências a Dom Casmurro nesse blog. E fiz mesmo, duas: uma no post de Death Parade e outra no de Death Billiards. Aí mais embaixo vi o seu, justamente em Death Parade. Death Parade, quase um Machado de Assis moderno HAHAH. Bizarra coincidência!

      Não sei, estava pensando em termos de teorias mesmo. Acho que eu comentei que sou formada em Psicologia e por isso estudei várias teorias, mesmo aquelas que eu não gosto ou não concordo pessoalmente... há quem defenda (caham, psicanálise) que os traumas e etc. que definem a personalidade surgem já na primeira infância, com as interações com as primeiras figuras, a figura materna, etc. O Sukeroku nunca teve muitas figuras em quem se espelhar, se apoiar, amar ou odiar, não? Até onde sabemos, todos eles são ferrados, mas o Sukeroku provavelmente era o mais, e Yakumo o menos. Bem ou mal, Yakumo passou a infância com sua mãe, Sukeroku nem isso. E mais importante, ele era um vira-latas porque era mesmo; Yakumo teve alguém que tinha conhecimentos e o levou para ser adotado pelo mestre, mas Sukeroku teve que ir atrás como um vira-latas mesmo. Acho que essa comparação é bem óbvia.

      Enfim, para terminar, MUITO obrigada mesmo pela paciência!! Estou me sentindo mal aqui porque você não conseguiu escrever o post de Grimgar. De verdade, juro que não culpo ninguém que não lê 10000 palavras, esteja avisado que se o próximo for igual você pode muito bem bater o olho e só comentar o que achou do episódio, e já vou ficar muito grata. ^_^; Mas se estiver com tempo sobrando e quiser ler, fico mais ainda. Enfim, muito obrigada mesmo pela visita e pelo (ENORME) comentário, como sempre!!

      E desculpa pela resposta gigante, foi tão grande quanto a sua, HAHAH. Eu acabei comentando aqui mesmo, para ficar mais fácil, e também porque essa discussão toda foi bem legal e eu gostaria que não fosse perdida, e mais pessoas possam ler! E que mais pessoas possam ler nossos posts, também, rs. Até a próxima!~

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  2. E vamos começar a comentar feito loucos de novo? Chell me perdoe, mas vamos sim!

    >> Quanto à comparação com o teatro, acho válida, mas o sistema de rakugo em si é um pouco mais complicado que isso;

    Sim, não discordo de você. Só tentei colocar a coisa de forma que alguém que viva na nossa cultura entenda. É uma comparação imprópria, não é que as artes comparadas em si sejam parecidas, mas sim que as situações podem ser comparadas.

    >> Como você disse, ser dona de casa lá é muito diferente de ser aqui, lá elas são literalmente donas de casa

    Eu ia entrar nesse ponto, mas considerei que já estava começando a desviar muito e nem sabia onde ia parar, principalmente porque falava de algo que conheço tão pouco. Há vantagens e desvantagens nisso - é mais difícil para uma mulher assim se livrar de um homem abusivo, só para dar um exemplo bem óbvio (e que é um ponto importante na construção do mundo em BokuMachi, não sei se está assistindo também). Mas enfim, conheço realmente muito pouco. Não, é tão pouco que nem me atrevo a dizer que "conheço". Tem coisa ou outra que eu sei, e é isso.

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    1. Olá, Fábio! HAHAH não tem problema não!! Desculpa se eu me estender de novo... :P

      Sim, sim, você tem razão. Concordo que tem semelhanças também. Aliás, foi você que comentou que ia ter uma apresentação de rakugo em São Paulo? E eu comentei que adoraria ver, porque o estilo é bem diferente de tudo que a gente tem aqui.

      Sim, exatamente. Há vantagens e desvantagens nisso, e eu pessoalmente diria que mais desvantagens. Era comum no começo do século passado que isso acontecesse aqui no Brasil mesmo, e por isso, com a Guerra Fria, a ascensão do capitalismo e tudo mais, as coisas mudaram. E relaxa, eu também entrei demais justamente porque vejo essas vantagens e desvantagens. Mas não estou acompanhando BokuMachi, então não estou tão sensibilizada! (De verdade, não tive estômago para passar do episódio 1 TT) (cont)

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    2. Olá, Fábio! HAHAH não tem problema não!! Desculpa se eu me estender de novo... :P

      Sim, sim, você tem razão. Concordo que tem semelhanças também. Aliás, foi você que comentou que ia ter uma apresentação de rakugo em São Paulo? E eu comentei que adoraria ver, porque o estilo é bem diferente de tudo que a gente tem aqui.

      Sim, exatamente. Há vantagens e desvantagens nisso, e eu pessoalmente diria que mais desvantagens. Era comum no começo do século passado que isso acontecesse aqui no Brasil mesmo, e por isso, com a Guerra Fria, a ascensão do capitalismo e tudo mais, as coisas mudaram. E relaxa, eu também entrei demais justamente porque vejo essas vantagens e desvantagens. Mas não estou acompanhando BokuMachi, então não estou tão sensibilizada! (De verdade, não tive estômago para passar do episódio 1 TT) (cont)

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  3. >> Também adoro a música de abertura, e a interpretação dela nesse episódio foi fantástica!

    Tem a ver com:

    >> Acho que é uma boa interpretação, quanto às ondas que vão passando...

    Hoje fiz download e percebi (o que não tinha ouvido pela versão do Youtube) que há um tic-tac no fundo da música. Tempo passando, tempo correndo, tempo acabando. Uma excelente musica por si só, mas que tematicamente também é excelente.

    >> E talvez não tenha a ver com nada, só pra sinalizar que era primavera, já que depois o Yakumo diz que não vê Miyokichi desde a primavera

    É verdade, pode ter sido só marcação de tempo, principalmente porque o anime está sempre dando tantos saltos. Isso sozinho já é importante. E se a cena for homenagem ou referência externa, as pétalas podem ser simplesmente importadas. Maturação do fim? Não sei, mas pode ser.

    >> "adoro sua versão, agora não me pergunta mais porque eu não posso falar que minha intenção era mostrar pro presidente mesmo"

    Isso faz um bocado de sentido, hehe, e é algo que ele não poderia mesmo dizer para o mestre. Se bem que em seguida ele diz coisa até pior que não poderia dizer, né... =P

    >> Eu sou bem ruim com essas pistas visuais

    Eu acho que não sou bom também, e isso só me faz ficar ainda mais fascinado quando percebo. Acho então que sou parecido com você nisso? Hehe.

    >> O 4chan? Alguém falava sobre esse rakugo lá?

    Comentavam justamente sobre o episódio =) Eu peguei o episódio em inglês, vi como estava escrita a legenda e pesquisei por ela. Japonês não entendo, se tivesse transcrito pesquisaria, mas não acho que vou encontrar, então inglês é o idioma com mais potencial.

    >> não consigo acreditar muito nessa interpretação, apesar de ser a mais óbvia, porque ele sabe muito bem que o Yakumo nem tchum com a Miyokichi

    Ele teve namoradas antes, não dá para supôr que um homem de 30 anos é virgem, né? Bom, dar, dá, mas a história se passa em um intervalo de décadas, mais coisa acontece sem que vejamos do que conosco vendo. Talvez ele até tenha ido (uma ou duas vezes, não consigo conceber mais do que isso =D) com o Sukeroku a um bordel? E a Miyokichi diz que o Yakumo nunca a deixou fazer uma coisa em específico, não que nunca fizeram nada. E no fundo, por mais habilidade que ele tenha, por mais que tenha ouvido os outros e treinado, você acha que alguém poderia ser BOM em contar histórias eróticas sendo virgem...? Hehehe. Como o mestre dele insinua mais tarde talvez ele não tenha um estilo próprio bem definido ainda, mas ele certamente já é reconhecido como um bom contador de histórias - pelo público inclusive, ainda que ele não se importe com ninguém.

    >> Habilidosa com as palavras, essa Miyokichi.

    Uma habilidade adquirida de forma trágica, mas, como dizem, foi essa a limonada que ela aprendeu a fazer dos limões da vida...

    >> O aspecto meio "unidimensional" da imagem

    Unidimensional! É isso! É exatamente por isso que me lembra de ilustrações antigas. Tem algo na posição também, mas é essencialmente por ser unidimensional e com trajes típicos japoneses. Perfeito, obrigado por ler minha mente, quando nem eu mesmo consegui =D E desculpe pela busca que sem querer te levei a fazer no Google, LOL. E tem razão, a Miyokichi, a seu modo, queria escapar também. Ela só não queria fazer isso sozinha da forma como o Yakumo sugeriu que ela fizesse. Depois de uma vida inteira cansada de agradar homens pelo arroz de cada dia, ela deve muito querer ficar sossegada em casa, sendo um pouco cuidada, pra variar.

    >> (será que os rumores são por causa do mangá? Eu ia ficar bem chateada)

    Eu também. Além de tudo seria uma brutal crueldade com a Konatsu, uma criança inocente.

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    1. Sim, eu tinha notado o tic-tac, é uma das coisas que eu adoro também! O que eu nunca tinha visto era a letra, só entendia um pedaço ou outro, até que ontem bateu a curiosidade. É de arrepiar, porque é bem algo que a Miyokichi cantaria, diria que no episódio 10 até. Mais uma coisa incrivelmente bem montada no anime. ♡

      Sim, penso que pode ter sido também. E sim, pode ter sido um cenário ou alguma outra referência cultural que a gente não consegue entender...

      E pois é... eu realmente acho que foi isso, mas aí depois ele estragou tudo com a impulsividade incorrigível dele. E quando ele se deu conta, só falou "mestre...", mas aí já tinha cutucado o leão com vara curta...

      Sim, eu sou bem assim também, hahah!

      Entendi, que ótima ideia a sua! Caramba, eu não achei nada até hoje, também. Não procurei em japonês porque ia dar um trabalho, imaginei que alguém fosse postar, mas não... vou ver se procuro depois!

      Bom, é verdade, coisas que não vemos (e, pensando na questão da primeira pessoa, coisas que ele não narraria pras suas "crianças"...) também se passaram aí. E eu confesso que, se não soubesse que eles tinham se beijado, por exemplo, podia até arriscar que ela estava falando que "os lábios dele eram macios" pra fazer inveja, mas a gente sabe que não. Então talvez você tenha razão, e poxa, isso também é bem ambíguo, né? Acho incrível como esse anime conta tudo e não joga nada na mesa, HAHAH (... apesar que essa do ser bom em contar histórias eróticas, sei lá, conheço tanta garota de 13 anos que escreve fanfic erótica que nem profissional que acredito nisso sim)

      Sim, verdade. ^_^

      Sim, isso mesmo! Não li, é que eu também me ligo nessas gravuras, hahah. A anatomia também é um pouco bizarra, tudo lembra um pouco mesmo. Achei que tivesse sido coisa minha quando vi, que bom que você também notou, pois isso significa que deve ter sido de propósito. E com certeza, ainda mais porque ela nunca teve outra escolha na vida, né? A bem da verdade, a vida dela estava longe de ser "fácil".

      É! E nem só isso, eu acho que ia ficar realmente ofendida porque bem, eu defendo que a Miyokichi não é realmente vilanesca como alguns personagens pintam. Mas se ela fizesse isso, né...

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    2. Sim, eu tinha notado o tic-tac, é uma das coisas que eu adoro também! O que eu nunca tinha visto era a letra, só entendia um pedaço ou outro, até que ontem bateu a curiosidade. É de arrepiar, porque é bem algo que a Miyokichi cantaria, diria que no episódio 10 até. Mais uma coisa incrivelmente bem montada no anime. ♡

      Sim, penso que pode ter sido também. E sim, pode ter sido um cenário ou alguma outra referência cultural que a gente não consegue entender...

      E pois é... eu realmente acho que foi isso, mas aí depois ele estragou tudo com a impulsividade incorrigível dele. E quando ele se deu conta, só falou "mestre...", mas aí já tinha cutucado o leão com vara curta...

      Sim, eu sou bem assim também, hahah!

      Entendi, que ótima ideia a sua! Caramba, eu não achei nada até hoje, também. Não procurei em japonês porque ia dar um trabalho, imaginei que alguém fosse postar, mas não... vou ver se procuro depois!

      Bom, é verdade, coisas que não vemos (e, pensando na questão da primeira pessoa, coisas que ele não narraria pras suas "crianças"...) também se passaram aí. E eu confesso que, se não soubesse que eles tinham se beijado, por exemplo, podia até arriscar que ela estava falando que "os lábios dele eram macios" pra fazer inveja, mas a gente sabe que não. Então talvez você tenha razão, e poxa, isso também é bem ambíguo, né? Acho incrível como esse anime conta tudo e não joga nada na mesa, HAHAH (... apesar que essa do ser bom em contar histórias eróticas, sei lá, conheço tanta garota de 13 anos que escreve fanfic erótica que nem profissional que acredito nisso sim)

      Sim, verdade. ^_^

      Sim, isso mesmo! Não li, é que eu também me ligo nessas gravuras, hahah. A anatomia também é um pouco bizarra, tudo lembra um pouco mesmo. Achei que tivesse sido coisa minha quando vi, que bom que você também notou, pois isso significa que deve ter sido de propósito. E com certeza, ainda mais porque ela nunca teve outra escolha na vida, né? A bem da verdade, a vida dela estava longe de ser "fácil".

      É! E nem só isso, eu acho que ia ficar realmente ofendida porque bem, eu defendo que a Miyokichi não é realmente vilanesca como alguns personagens pintam. Mas se ela fizesse isso, né...

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  4. >> E nossa, depois me passa as suas referências, porque eu quero ler e rir disso aí, HAHA.

    Foi no tópico sobre o episódio no MAL: http://myanimelist.net/forum/?topicid=1488124

    >> Death Parade, quase um Machado de Assis moderno HAHAH. Bizarra coincidência!

    Bom, o primeiro episódio de Death Parade é muito ambíguo quanto a mulher ter ou não traído o marido, e isso em português tem só uma tradução possível: Dom Casmurro. E nos dois casos os fãs se dividem entre os que acreditam em adultério e os que não acreditam. Além de tudo, são duas histórias trágicas. Eu pessoalmente não acredito em adultério em nenhum dos casos, e estou curioso com sua opinião =)

    >> Acho que eu comentei que sou formada em Psicologia e por isso estudei várias teorias

    Sim, e agora entendi o que quer dizer. Quando eu leio "personalidade" eu não posso evitar pensar em "comportamento", em como a pessoa parece ser e agir. Pelo seu parágrafo agora entendo que você quis dizer (e deve ser o correto, pensando bem) que é muito mais do que isso, e no seu texto se referiu à figura de referência mesmo, uma pessoa (quase sempre pai ou mãe). E aí sim, o Yakumo era "o filho" do mestre (e o próprio diz isso nesse episódio, para não sobrar dúvidas), enquanto o Sukeroku era o cachorro de rua que dormia no quintal.

    >> Enfim, para terminar, MUITO obrigada mesmo pela paciência!!

    Muito obrigado pelos bons artigos e pela diversão acompanhando e escrevendo sobre esse excelente anime =) O artigo de Grimgar já está no ar, já fiz quase tudo o que deveria ter feito hoje (er.. ontem), não se preocupe mesmo, como já disse noutro artigo seu, meu tempo está melhor usado aqui do que vadiando pela internet =)

    O que eu não comentei é porque concordo completamente com você (a maioria dos casos) ou porque acabaria só repetindo o que já disse (é coisa subjetiva, depende de interpretação e não tenho mesmo o que acrescentar). E mesmo excluindo tudo isso, mais uma boa leva de comentários para você, espero que não esteja te incomodando, hehe.

    Até a próxima!

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    1. Ah, sim. Depois que eu perguntei pensei que devia ter sido no MAL, porque lá surge cada chorume... ( ̄□ ̄;)

      Sim, é verdade! Eu cheguei a escrever aqui sobre o episódio 1 de Death Parade. Era para eu ter acompanhado semanalmente também, mas acabei ficando com a agenda apertada, além de não ter estômago... acredito que Dom Casmurro é perfeitamente ambíguo, mas em Death Parade, tinha entendido que a traição tinha ficado subentendida. Mas confesso que também não me lembro tão bem para opinar!

      Ah, sim! Sim, exatamente isso. Personalidade seria algo mais abstrato e menos adaptável que o comportamento. Tem mais a ver com temperamento, motivação e etc. E aí tem teorias como a psicanálise, que eu pessoalmente não compactuo de todo, mas que defendem muito a influência (e necessidade) da figura materna/paterna etc. Sukeroku teve no máximo pistas de figuras paterna (Sukeroku) e materna (a esposa do mestre) na vida, e a coisa pra Yakumo foi diferente, foi o que eu quis dizer.

      Fico feliz, também adoro conversar sobre esse anime maravilhoso! :) (Nossa, jura? rs) Ainda bem que deu para recuperar esse atraso! E imagine, não incomoda mesmo, agradeço a atenção e é sempre bom poder conversar! ^_^ É por isso que eu tenho um blog, afinal, rs. Não se preocupe mesmo, eu que peço desculpas se às vezes demorar para responder. Mais uma vez, muito obrigada pela visita e pelos comentários, e até mais! ☆彡

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  5. Olá o//

    >> Aliás, foi você que comentou que ia ter uma apresentação de rakugo em São Paulo?

    Foi não. Bem que o Festival do Japão poderia ter um desses nesse ano...

    >> Mas não estou acompanhando BokuMachi, então não estou tão sensibilizada! (De verdade, não tive estômago para passar do episódio 1 TT)

    Que pena! Outro dos melhores da temporada, embora tenha caído um pouco nos episódios mais recentes (ainda muito bom, só não tão bom quanto antes, mais ou menos a curva oposta de Rakugo Shinjuu, suponho). E tem a melhor ending da temporada! Quero escrever um artigo só sobre aquela ending, mas conseguir uma tradução decente vai dar trabalho D= Por que parou? Não gosta de mortes e essas coisas? Algum escritor de mistério na era de ouro já disse que os únicos mistérios que importam são os assassinatos, hehe.

    >> O que eu nunca tinha visto era a letra, só entendia um pedaço ou outro, até que ontem bateu a curiosidade. É de arrepiar, porque é bem algo que a Miyokichi cantaria, diria que no episódio 10 até.

    O clipe da música também é bom, mas é apenas lateralmente relacionado à Rakugo Shinjuu, embora bastante forte também.

    >> apesar que essa do ser bom em contar histórias eróticas, sei lá, conheço tanta garota de 13 anos que escreve fanfic erótica que nem profissional que acredito nisso sim

    Ok, falando apenas em termos estatísticos sempre existirá alguém. E talvez no anime o Yakumo seja esse "alguém" (protagonistas sempre são ALGUÉM). Tem razão.

    >> em Death Parade, tinha entendido que a traição tinha ficado subentendida. Mas confesso que também não me lembro tão bem para opinar!

    Quando escrevi o artigo eu achei que ela tivesse traído (se você ler, é o que está escrito, hehe). Mas isso meio que foi uma conclusão que eu tirei depois de ver ela sendo condenada - se foi condenada, tem que ter feito algo errado, certo? Mas conforme o anime segue vemos que não é bem assim (ainda que quase sempre seja assim). Terminei o anime achando que ela não havia traído, que ele que vivia desconfiando dela desde que ouviu as amigas dela fofocando no banheiro e ela se sentia mal com isso. Se ressentia disso e guardou para si, no interior de sua alma - exatamente o que o Decim julgava.

    Terminando por hoje, ainda não vi o episódio 10, espero que não tenha sido muito devastador ainda, hehe. Vamos continuar conversando de qualquer jeito, obrigado pela atenção =)

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    1. Olá, Fábio! Peço desculpas pela demora, estive fazendo algumas coisas esses dias e acabei me esquecendo de responder aqui! TT m(_ _)m

      Eu concordo, acho que seria super legal! Teve de karuta, não teve? Eu gostaria de ir assistir a um rakugo...

      Hum, mesmo? Eu ouvi muita gente falar muito bem, uma pena que esteja caindo agora no final! Eu não gosto, meu estilo é bem o contrário (tipo Tamako Market, no caso, rs).

      E verdade, o clipe da música também tem uma estética bem interessante! :') Realmente um trabalho que dá gosto de ver, né?

      E é... é sempre possível, hahah! Eu acho que isso potencialmente tornaria o personagem dele mais interessante por conta desse paradoxo, mas isso sou só eu.

      Humm, entendi! Então, eu acho que foi a essa conclusão que eu cheguei também, lá quando vi o episódio. Provavelmente passei exatamente pela mesma coisa que você, e como não terminei a série, não tive a oportunidade de desconstruir esse pensamento. Ah, e cuidado com spoilers! (Isso é uma coisa que eu sempre tenho que dizer pra mim mesma, também, porque eu sempre acabo dando spoilers sem querer... OTL)

      A propósito, o episódio 10 foi fúnebre, então admito que estou enrolando para escrever sobre ele rs. Mas o episódio 11 promete ser incrível pelo preview, cheio de revelações e drama (adoro!) então estou bem ansiosa.

      Enfim, como sempre, muito obrigada pela visita e pelo comentário!~ *^_^* Até a próxima!

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  6. Como assim não assistiu Death Parade até o final? Uma das sequências animadas mais bonitas do ano passado inteiro está em Death Parade, você precisa assistir =O Bom, ainda bem que acabei não dando nenhum spoiler do anime então, ufa.

    E já assisti o episódio 10. Na verdade acho que assisti no dia seguinte ao comentário que fiz aqui, hahaha. E já tinha aparecido na prévia no final do 9 que seria fúnebre, né. O 11 e o 12 vão ser incríveis, com certeza. O 13 eu não sei, pode ser só uma coisa pra fechar as pontas, uma volta ao presente, etc.

    Obrigado pela resposta, o meu artigo do episódio sai hoje (quarta-feira) mesmo, estou ansioso pelo seu =)

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