sexta-feira, 25 de março de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 11 - Burlei o mandamento do "não shipparás os personagens masculinos do josei da autora de BL".


Olá!~ Enfim, estou de volta com mais um post sobre Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu, agora para falar sobre o episódio 11, que é por acaso o antepenúltimo episódio. E verdade seja dita, quando esse anime acabar eu vou sentir uma falta tão absurda dele que já comecei a tentar me acalmar aqui vendo e lendo outras coisas.

Porque eu vou sentir uma falta absurda. Disse e repito que Rakugo Shinjuu é pra mim o melhor anime da temporada, e tem risco de ser o melhor do ano. Não é jabá não, é a mais pura verdade: Eu adoro demais esse anime.

Então vamos lá.

O episódio 11 começa com a pequena Konatsu comendo soba em uma caneca, sentada em uma mesa junto com Kikuhiko, que acha o jeito barulhento que ela come... indelicado, para dizer o mínimo. Sim, ele continua agindo que nem uma criança com ela, assim como no episódio anterior! Ele diz que está enjoado por conta da viagem, e quando ela o chama de "velho chato", ele simplesmente vai embora e deixa a conta para a pequena Konatsu pagar. Enquanto ele vai saindo do bar, no entanto, a atendente o interrompe e pergunta se ele não é aquele artista famoso de rakugo, explicando que já foi para Tóquio vê-lo e que "se lembra muito dele", que é "muito bonito e mais bonito ainda de perto". Detalhe que a mulher é casada, mas enfim, ela não poupa Kikuhiko de elogios. ^_^ Acontece que, quando ela fala isso, os olhos de Konatsu brilham e ela começa a gaguejar, mudando totalmente o seu tratamento com Kikuhiko: "O-o-o-o-o senhor é um artista de rakugo?", ela pergunta, e então se agarra no seu jaleco! Ele, suspirando, pergunta o que houve afinal com toda aquela hostilidade de antes. É uma cena incrivelmente fofa, e que dá o tom para toda a fofura que está por vir nos próximos minutos desse episódio. ♡

Eles então andam até a casa de Sukeroku juntos, e Kikuhiko vai contando as histórias de quando seu pai era mais jovem. "É mesmo? Papai era famoso assim em Tóquio?" Konatsu pergunta, empolgada, e ela diz que sempre achou mesmo que o rakugo do seu pai fosse o "melhor do Japão", melhor até do que o que ela ouvia no rádio... o problema, no entanto, é que ele só faz rakugo para ela, e ela não pode contar para mais ninguém disso. Abaixando a cabeça, ela se queixa disso, afinal ele poderia conseguir muito dinheiro com o rakugo, mas há um porém... Kikuhiko, que vai ouvindo, só nesse momento vira a cabeça para perguntar: por que, afinal, Sukeroku não pode mais apresentar seu rakugo? O rakugo que ele, aliás, tanto gostava e tanto achava bom. E a pequena Konatsu explica, então, que a sua mãe não deixa. Que quer que ele trabalhe normalmente, mas seu pai odeia trabalhar. Por isso, quem trabalhava em sua casa era sua mãe, Miyokichi, mas era "trabalho ruim", nas suas palavras: dançar e beber com homens velhos em roupas estranhas.

Konatsu vai contando tudo isso para um estranho, com a naturalidade de uma criança solitária que também passou por situações difíceis, claramente; a mesma naturalidade com que diz: "e então, ela nos deixou". Nesse momento, Kikuhiko pára de andar, surpreso; virando-se para a pequena Konatsu, pergunta onde sua mãe está, ela responde que não sabe, pois sua mãe os abandonou, e que e é por isso que ela, mesmo pequenininha, está dando duro no rakugo: para que seu pai não fique sem comer. Conhecendo o Sukeroku, é claro que Kikuhiko (e a gente) acredita nessa história logo de cara. Ele, suspirando, se vira e continua a andar. Quando Konatsu e Kikuhiko chegam na casa humilde e extremamente bagunçada, a pequena vai correndo até seu pai, Sukeroku, que dorme em um futon. Ela corre até ele, e, sacudindo-o, tenta acordá-lo para que possa falar com o homem que está na porta que foi lá só para falar com Sukeroku, vulgo Kikuhiko.

Kikuhiko, que está de braços cruzados na porta, começa então a berrar. Ele começa gritando alto: "Sukeroku!", e continua gritando um sermão: perguntando como ele pode gastar tempo dessa criança tentando te acordar, dizendo que andou muito para vê-lo, e que ele tem que "parar de ser preguiçoso e mostrar sua cara feia agora mesmo". Ouvindo esses berros, a reação de Sukeroku é... bem, não vemos, mas ouvimos o grito de uma Konatsu aparentemente atropelada por seu pai, e a sua cara no vão da porta, surpreso, gritando: "Bon!". Ele, então, sai correndo em sua direção...

E aí Kikuhiko dá com a sua maleta na sua cara.

É um momento deveras romântico, só que não. Não facilmente intimidado, como sempre, Sukeroku continua gritando seu nome pessoal, e pula para abraçá-lo com suas pernas, mesmo com o rosto inchado. Esse é um momento mais romântico. ^_^; Kikuhiko, também chamando-o pelo seu primeiro nome pessoal - e não o profissional - "Shin", o segura e dá alguns tapinhas em suas costas, dizendo: faz muito tempo, né? Faz. Faz sim. Cinco anos, para ser mais exata. Esse reencontro é um dos muito momentos extremamente fofos e felizes desse episódio, e eu confesso que aí minhas anteninhas de shipping já se ativaram. E voltariam a se ativar em muitos momentos do episódio.

Sukeroku, então, convida Kikuhiko a entrar. Ele diz que não tem muito, mas pede para que Kikuhiko se sirva; Kikuhiko, no entanto, se recusa - afinal sabe da sua situação financeira - e pergunta como é que Sukeroku pode viver num lugar "assim", bagunçado do jeito que está. Para o maníaco por limpeza Kikuhiko, com certeza isso é horrível, mas Sukeroku apenas explica que tem estado assim desde que "ela" foi embora, e que Kikuhiko veio em má hora. Em uma posição triste e resignada, ele diz que ela "provavelmente vai voltar logo", e que não deve ter ido tão longe, mas Kikuhiko sabe que ela é exatamente como Sukeroku a descreve: faz o que quer, na hora que quer... inclusive ir embora de casa. Kikuhiko, entendendo qual é a dele, pede para Sukeroku parar com as justificativas, e manda a real do porquê de ele ter ido lá, sobre o título de yakumo, e pede para que ele volte para Tóquio para fazer rakugo.

Com a mesma sinceridade que Kikuhiko faz o pedido, Sukeroku se recusa obstinadamente. Se jogando no futon, diz que não, de jeito nenhum, e diz que Kikuhiko "sabe como essas coisas são: você perde 1 dia, precisa estudar 3". Sukeroku diz que não vai se lembrar, que se fizer vai ouvir reclamações, e pior: que nem sabe se isso é mais certo para ele, porque toda hora que sobe no palco não se sente mais vivo. Diz que está cansado de rakugo. Kikuhiko, no entanto, não desiste fácil, e diz a frase que ele mesmo ouvira de Sukeroku lá no passado: "Se as pessoas querem te ouvir, não tem jeito", para justificar que seu destino é apresentar rakugo. Sukeroku, no entanto, se vira e se pergunta: "Quem liga para eles?". Diz que se cansou das pessoas do rakugo, que as audiências também se esqueceram dele, que não quer mais fazer, que está cansado. E bate o pé para justificar por que não quer voltar para o rakugo que ele tanto gostava, nunca.

Kikuhiko pergunta então se ele se lembra da história do primeiro Sukeroku, que ele mesmo contou, e diz que "Yakumo e Sukeroku parecem ser nomes profundamente conectados, afinal" (para o Fábio do Anime21, sobre o que estávamos conversando na semana passada, "será que o Kikuhiko se importa com esse 'destino' ou não?": parece que se importa afinal! ^_^ E diria mais, diria ainda que sendo uma pessoa extremamente estoica e fincada na cultura oriental, não é a toa que ele repete o discurso de destino duas vezes nesse episódio); além disso, diz ainda que não consegue pensar em um jeito melhor, para Sukeroku, de honrar a memória do velho do que tornando-se yakumo. E pergunta, então, se isso não é o que ele sempre quis - que é realmente todo argumento que ele precisava, não é mesmo?

Sukeroku, nessa hora, se cansa de ouvir aos argumentos - fortes, porém egoístas - de Kikuhiko e o joga contra a parede violentamente, ordenando que vá embora. E repete, por três vezes, "vai embora!". Kikuhiko diz que não vai embora de jeito nenhum sem ele, mas Sukeroku diz que não se importa mais com o seu rakugo, e pergunta para Kikuhiko por que ele ainda se importa, afinal. É aí que Kikuhiko admite: é porque eu quero o seu rakugo. O rakugo que ele, Kikuhiko, teve que ouvir desde criança; que ele imitou, aspirou, invejou... diz que as vezes queria tanto o que ele tinha que o seu coração "queimava com ressentimento", e às vezes ele também amava. E que quando as coisas estavam dificeis, ele também ouvia. Kikuhiko faz esse discurso exato, sim, com essas mesmas palavras a Sukeroku. E admite, enfim, que o seu rakugo lhe deu todo o tipo de emoções imagináveis, e por isso "não consegue ficar sem ele".

Kikuhiko termina todo esse discurso do fundo do coração dizendo que quer que Sukeroku vá com ele, não pela audiência ou pela associação, mas por ele. Que tapa na cara, não é mesmo? Ao mesmo tempo, esse é um outro momento que chega a soar romântico entre os dois, e a coisa nesse episódio é daí para baixo. Sucede que Kikuhiko diz isso com um sorriso malicioso de quem admite plenamente seu egoísmo, e Sukeroku, por vez, o solta e sorri desconsertado, perguntando o que aconteceu a ele durante sua ausência, pois que nas suas palavras "está parecendo um shinigami". Referência ao famoso rakugo do shinigami que Kikuhiko recitou ou mera coincidência? É um mistério. ^_^; Nesse momento, a Konatsu, que estava ouvindo atrás da porta escondida, se arrepia... e então Kikuhiko sai pela porta para assustar de vez a pequena garota, que sai correndo enquanto Kikuhiko sai pela porta, e então ele diz que tem que ter uma conversinha com ela. Com essas palavras do assustador artista de rakugo viajante, Konatsu vai correndo para o colo de seu pai.

A tal conversa que Kikuhiko quer ter na sacada é avisar que ele vai ficar lá com os dois até que Sukeroku concorde em ir para Tóquio, e fazer alguns planos para aquela família solitária em uma situação difícil. Ele pergunta se Sukeroku está endividado; Sukeroku responde fazendo uma cara orgulhosa e rindo, dizendo que não é para ele simplesmente ir pensando nessas coisas, mas Konatsu olha para ele com uma cara feia, e então Kikuhiko pergunta mais uma vez: "Você está ou não está?"... e aí, Sukeroku é obrigado a admitir que está. ^_^; Kikuhiko joga, então, uma carteira para Konatsu, e diz que ela deve usar o dinheiro para pagar as dívidas. Sim, ela e não seu pai - provavelmente porque ele sabe que, se der para Sukeroku, o dinheiro todo vai em álcool! Aproveitando o momento, Sukeroku diz para Konatsu que ele é "legal, né?", para ver se a convence de que seu amigo no fundo não é tão assustador, mas mesmo assim Kikuhiko diz para ele se arrumar e ir procurar trabalho, porque ele quer esse dinheiro de volta. É, parece que Kikuhiko não é (mais) tão bonzinho. E que, se Sukeroku não quer fazer rakugo, que pegue outros trabalhos. Quanto à ele, diz que vai ajudar a comprar o dinheiro das passagens fazendo rakugo por aí, já que não tem teatros naquela vila rural.

Konatsu, nesse momento, muito autêntica e cheia de iniciativa diz que também quer ajudar, que também quer trabalhar para ganhar dinheiro e em troca quer ir para Tóquio com eles, ver seu pai em um teatro. E, com essa iniciativa da pequena Konatsu, Kikuhiko diz: "temos uma meta em comum", enfim se entendendo com a pequena Konatsu em um ponto. Mais um momento ridiculamente fofo!

Após isso, temos vários flashbacks deles trabalhando. Enquanto Sukeroku cata coisas do chão, trabalhando em "subempregos" de limpeza, Kikuhiko apresenta seus rakugos em restaurantes; o vemos, por exemplo, apresentando um rakugo sobre tofu num restaurante que provavelmente é de tofu. Não sei se isso era algo que realmente acontecia, ou se isso foi o caminho que Kikuhiko encontrou ali para se virar, mas achei essa cena interessante. Por fim, vemos então uma cena dos dois andando de mãos dadas com Konatsu, que pula entre as cerejeiras. E ela que toma a iniciativa de segurar a mão dos dois. ^_^ Kikuhiko olha meio atônito, mas segura também, e eles seguem. Eu avisei que esse episódio era diabético. Em um belo dia no qual Kikuhiko está apresentando seu rakugo em um restaurante, um dono de uma espécie de hotel ou algo do tipo chega e pede para que Kikuhiko vá com ele até um hall em seu hotel no qual geishas praticavam. Chegando lá, ele pergunta por que Kikuhiko não faz seu rakugo lá, já que é como um pequeno teatro, assim arrumando um espaço para ele naquela pequena vila.

Na cena seguinte, Sukeroku e Kikuhiko estão limpando uma casa de banho juntos, e subitamente Sukeroku pede para que Kikuhiko vá tomar um banho com ele. Kikuhiko diz para ele "parar de ser preguiçoso" enquanto continua a limpar o chão, e depois que vê o amigo deitado confortavelmente na banheira... não é que Kikuhiko acaba cedendo? Sukeorku comenta que nos velhos tempos ele teria recusado incessantemente; no entanto, Kikuhiko não pode deixar de ao menos dizer que isso é estúpido, já que eles não estão ganhando um único yen naquela banheira. ^_^ Essa cena é muito legal porque, além de ser um paralelo direto com a outra cena do episódio 7, é também um paralelo com a cena em que eles se conheceram, no episódio 2, que Sukeroku não pode deixar de mencionar. Sukeroku pergunta se Kikuhiko se lembra do dia em que eles se conheceram, quando ele chorou numa banheira, e Kikuhiko diz que "até parece que ele vai se lembrar de uma coisa assim" (mas eu aposto que ele lembra sim e se envergonha, hahah). Sukeroku, no entanto, faz questão de lembrá-lo, e olhando para fora da banheira, diz que nunca vai esquecer porque foi a única vez que o viu chorar. E pergunta então: "Bon, por que você nunca reclama?".

É aí que temos o segundo desabafo extremamente pessoal de Kikuhiko nesse episódio, e Kikuhiko botando coisa para fora é um negócio tão extremamente raro que eu tenho certeza que choveu canivete nesse dia. Enfim, Kikuhiko responde que sempre pensou em reclamar como algo que ele não podia fazer. Diz que está se divertindo agora como nunca se divertiu antes, ao fazer rakugo em pequenos estabelecimentos, mas como artista de rakugo, sempre achou que devia pensar maior do que isso. Sukeroku, no entanto, diz que ele está feliz agora pois consegue ver a audiência nesses pequenos espaços, e que tudo bem querer ficar sozinho, mas "quando a audiência realmente o quer, quando você realmente consegue ver um ao outro, dê a melhor performance que pode a eles, e uma boa troca emocional". Sim, ele veio de novo com esse discurso para o Kikuhiko. ^_^ E Kikuhiko, então, diz: "se você entende tão bem, por que não faz isso?". Sukeroku, por sua vez diz que é porque ele não pode ver os rostos da audiência.

Na cena seguinte, vemos a pequena Konatsu tentando pendurar as roupas. Kikuhiko diz que o dia é bom para dormir, afinal é domingo, mas ela continua trabalhando enquanto ele só a segue com os olhos. Ela então pára e ele nota que seu cabelo está muito longo, e ela explica que é porque sua mãe não está por ali, e por isso não tem quem corte, pois sua mãe que fazia isso. Kikuhiko fica em silêncio e, ainda fumando, diz que vai cortar seu cabelo. Simples assim, sem nem perguntar sua opinião. :P Ele, então, começa a cortá-lo; eu acho interessante lembrar que existe uma simbologia forte quanto a cortar cabelo na antiguidade, que persiste nos doramas e na cultura popular japonesa em geral, por causa do corte de cabelo dos samurais que simbolizava sua derrota. Não que não exista essa tradição aqui, mas lá é bem forte. Pois bem, Kikuhiko cortando o cabelo da pequena Konatsu lá nos anos 70 parece ser algo bem forte, provavelmente para simbolizar não só as mudanças que estão por vir, mas também, é claro, a recém-encontrada proximidade deles.

Enquanto ele faz o corte, Konatsu começa a perguntar quando é que eles vão poder ir para Tóquio... ele diz que ainda precisam de dinheiro, mas Konatsu não para de fazer perguntas: ela pergunta se Kikuhiko veio ver a sua mãe, pois o rumor que se espalhou pela cidade é de que um artista de rakugo veio ver sua mãe, e Kikuhiko então ri... Konatsu, como uma mocinha muito esperta, está sabendo de todos os rumores, e diz que é para Kikuhiko deixar sua mãe em paz porque seu pai está mais feliz sem ela. Ao ouvir isso, Kikuhiko ri e diz que isso é algo horrível de se dizer, especialmente sobre sua mãe, mas Konatsu continua falando: que sua mãe é horrível porque ela não deixou seu pai fazer rakugo, e por causa disso, seu rakugo foi ficando ruim; que o rakugo de seu pai é a única coisa de que ela precisa. E diz mais: diz que também queria fazer rakugo, e sua mãe também não deixava...

Ela vai esbravejando até que, nessa hora, Kikuhiko levanta sua cabeça e, olhando-a de cima, diz que nenhuma criança deve falar assim sobre sua mãe. Diz que sua boca suja vai fazer sua beleza ser gasta, ainda por cima, e que também ficaria bravo com uma garota fazendo rakugo, como nós bem já sabemos. ^_^ Ela pergunta por que ele ficaria bravo, e ele explica que seria difícil para uma garotinha entender, mas se arrisca: diz que as mulheres são as motivações dos homens para fazer rakugo, pois no teatro, um lugar "confortável para ir com um yukata", uma bela mulher com um cabelo bem arrumado faz o teatro brilhar, e seu perfume faz os artistas fazerem um rakugo ainda melhor do que antes... (saudades do último feminista do Japão nesse momento, confesso.) Enfim, limpando o corte feito em Konatsu, diz que "é esse o poder que as mulheres tem".

A esperta Konatsu, que ouviu a tudo atentamente, pergunta então se é bonita. Sentando-se na sua frente e sorrindo gentilmente, Kikuhiko diz que sim, e então ela diz: "se sou bonita, faça um rakugo para mim! É assim que funciona, né?". É... ela é muito esperta, e ele diz que ela o venceu, não tendo como recusar. ^_^ Com um pulo, ela pede para ele fazer Nozarashi, mas ele diz que não é bom com esse tipo de história. Ela no entanto continua a insistir, dizendo que "adora a parte da música", e ele acaba tendo que ceder. Ela o aplaude, e então ele começa a apresentar.

Ele começa devagar, e ela, empolgada e batendo palmas, pede para ir mais rápido. Ele começa, como em uma apresentação, com a introdução, o que faz a pequena Konatsu reclamar batendo palmas. Ele no entanto diz que precisa lembrar da história, que claramente não é das suas favoritas, e ao lembrar enfim começa a contar. O tal rakugo começa com um homem batendo na porta do seu vizinho, a quem ele chama de "sensei", que provavelmente é seu mestre em pescaria. O homem diz que viu o vizinho andando por aí à noite, e ele diz que "se você viu, não há como esconder", e conta a história completa: no dia anterior, pegou sua vara de pesca e foi pescar no lugar de sempre, Mukojima, mas não pegou nada. Estava ficando escuro, e não tinha ninguém em volta; e então, ele ouviu um barulho em suas orelhas... Kikuhiko, como um bom contador de histórias de terror (a bem da verdade, a maioria dos rakugos que ouvimos dele são de terror, então acho que apesar de ter se especializado em rakugo erótico, ele também faz muitas de terror...) imita o barulho, que é uma espécie de barulho de um sapo, mas faz um barulho tão grave que a pequena Konatsu até treme. Eu tremeria.


O homem pergunta se era um fantasma, mas o vizinho diz que só viu um corvo. Ainda assim, parecia errado para um corvo estar retornando ao seu ninho. Assim, ele voltou por curiosidade, e então viu uma caveira e um corpo. Sentindo-se mal pelo corpo despejado em qualquer lugar, fez uma espécie de reza. Mais coisas acontecem, mas eu vou resumir dizendo que o rakugo que ele conta para a pequena garota é um rakugo fúnebre. Muito, muito fúnebre, e imaginem agora esse rakugo na voz mais fúnebre do Akira Ishida. É terrível, em resumo, e ela já está toda arrepiada quando chega a sua parte favorita: a música. Acontece que Kikuhiko se esqueceu da música, e Konatsu já ia ficar triste, quando Sukeroku chega por trás de Kikuhiko e, fazendo "shh" para que Konatsu não abra a boca, começa a balançar suas costas e cantar com uma voz incrível, realmente incrível. ^_^ Ele canta alto e em bom tom, animadamente, como ele provavelmente sempre faz quando canta para ela, e então a pequena Konatsu começa a cantar junto. E, então, Konatsu finalmente começa a rir ouvindo seu rakugo favorito.

Kikuhiko sorri um sorriso resignado de quem obviamente perdeu essa e, enquanto Sukeroku canta, começa a fazer o papel da moça que encontrou o pescador. Konatsu fica empolgada enquanto eles começam a fazer um excepcional rakugo a dois. Essa parte toda é muito interessante. Basicamente, quem está conversando é uma moça morta e um pescador, e eles começam a flertar um com o outro, o que faz com que a Konatsu fique encabulada e faça aquela carinha que vimos no preview do episódio. Preciso dizer que quando eu vi o preview eu pensei comigo "olha aí o que vocês fazem na frente da menininha...", e eu acertei. :P Enfim, a moça interpretada por Kikuhiko puxa a bochecha do pescador-Sukeroku, e o rakugo, que até então era dramático, torna-se cômico. Ao final, Konatsu já está rindo muito empolgada, dando gargalhadas incríveis, e os dois se curvam ao final de Nozarashi. A Konatsu, muito empolgada, aplaude gritando "papai!", e Kikuhiko suplica a Sukeroku: "por favor, peque o nome yakumo e vá para Tóquio, mostre a essa menininha um bom rakugo, vá em estádios maiores e faça-a feliz." Sukeroku, tremendo, apenas fala seu nome...

Na cena final do episódio, vemos Miyokichi na janela da casa de um homem. O homem, conversando com ela, diz que soube de uma apresentação de rakugo pois as moças que ele conhece estão bem interessadas, apesar de rakugo não ser nem mais popular.. Quem vai fazer, ele diz, é Yuurakutei. Ouvindo isso, Miyokichi pede para ver, dizendo: "meu marido idiota ainda está fazendo essa porcaria?". Quando ela pega o panfleto, no entanto, tanto ela quanto nós nos surpreendemos. É um par de nomes que está lá: Kikuhiko e Sukeroku. Vemos somente as lágrimas de Miyokichi caindo em cima do panfleto, e dizendo "Kiku-san, você finalmente veio...", ela se joga em cima do panfleto.

E assim se encerra o episódio 11 de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu.

O que dizer desse episódio? Muitas, muitas coisas, tantas que eu nem sei por onde começar. Para começar, preciso dizer no entanto que o que foi dito sobre crianças no episódio anterior só se confirma: a magia das crianças continua sendo uma verdade imutável. Sim, a Konatsu é o grande charme e a graça desse episódio, ela é uma garotinha sensacional e até esquecemos de tudo de ruim que está por vir nesse episódio. É engraçado também pensar como a história de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu tem todo esse tom de "brotheragem até uma mulher chegar", mas a pequena Konatsu é uma mulher, ainda que jovem. Acho que isso só reforça aquela frase do episódio anterior: a magia das crianças continua sendo uma verdade imutável. ^_^

O outro ponto óbvio a ser tratado desse episódio é justamente a brotheragem, e mais. Bem, acho que o título já diz tudo que eu penso sobre esse assunto nesse episódio. Se o Kikuhiko admitindo que o rakugo do Sukeroku o fez rir, chorar, que lhe deu todo o tipo de emoções imagináveis, e que "não consegue ficar sem ele" não soar minimamente romântico... eu não sei o que soa, de verdade.

No mais, preciso dizer que o título inicial desse post, no entanto, quase foi uma citação de Nietzsche: "Os que foram vistos dançando foram chamados de loucos pelos que não puderam ouvir a música". Acho que esse episódio fala muito sobre isso também, em um nível mais sutil, através da vida que Sukeroku e Konatsu levam. Sim, é uma vida extremamente pobre e "simples" - mas convenhamos que a Konatsu é bem esperta... - e Kikuhiko é, naquele universo, um alien. Mas ele está sendo tocado por esse universo, e acho que a cena da banheira é a mais simbólica disso: ele deita nela, e começa a falar dos fatos mais profundos da sua relação com Sukeroku, que nunca havia dito antes. Eles são loucos, talvez. Mas é inegável o quanto Kikuhiko gosta de Sukeroku, e o quanto a pequena Konatsu vai conquistando-o, até mais do que ele conquistá-la. ^_^

Mas não só de brotheragem se faz Rakugo Shinjuu, né? A bem da verdade, preciso confessar que em dois momentos eu fiquei um tanto preocupada com o rumo dessa história: no momento em que Konatsu conta para Kikuhiko dos rumores que se espalham pela cidade, assim como no momento em que Kikuhiko para de andar enquanto Konatsu anda e fala sobre sua mãe, eu fiquei um tanto preocupada com as reações de Kikuhiko. Por que preocupada? Bem, porque ele sempre demonstra reações exageradas - mais que o normal apático dele ao menos... - quando falam da Miyokichi. Eu acredito que ele não está nada surpreso com o comportamento dela, a bem da verdade, mas eu também acredito que ele quer vê-la, sim. E aí é que surge o problema, e quem sabe a causa do tal "suicídio", do drama que termos no episódio 12. Sempre temi que essa história se tornasse uma de triângulo amoroso, daquelas que uma forte amizade não representa nada perto de um amor arrebatador. E vemos que Miyokichi possivelmente também tem fortes sentimentos por Kikuhiko até hoje. Vai dar bosta? Sabemos que vai, mas não sabemos o quanto ainda. É torcer. (E por "torcer" eu quero dizer "parem de se amar, por favor!!"...)

Bem, o preview do próximo episódio promete. Obviamente. "Obviamente", porque é o penúltimo episódio. Vemos Sukeroku apresentando em um palco, Konatsu chorando, três pessoas com uma cara triste em uma noite que provavelmente tem água, está na cara que vai dar ruim. O episódio acabou de sair, então eu vou lá assistir. Boa sorte para todos nós!~


Preview do episódio 12:

4 comentários:

  1. Está acabando e já estou preocupado com o que assistir na próxima temporada também, hehe. Tudo bem? Já escolheu algum anime? =)

    >> sua mãe os abandonou, e que e é por isso que ela, mesmo pequenininha, está dando duro no rakugo: para que seu pai não fique sem comer.

    Será que o Sukeroku seria irresponsável a ponto de deixar a própria filha morrer de fome? Para especular, é bom primeiro lembrar que a noção de tempo de uma criança é completamente diferente da de um adulto. Eu me lembro de quando eu era criança e as férias escolares pareciam infinitas. Como os anos pareciam intermináveis. Pelo que entendi, essa não é a primeira vez que a Miyokichi foge de casa - é até possível que o Sukeroku saiba ou tenha noção de onde encontrá-la. Tudo isso considerado, talvez ela tenha saído de casa há uma semana, ou menos talvez. Provavelmente ela deixou a casa com dinheiro ou comida que ela julgou suficiente para seu período de ausência. Crianças não entendem tudo no detalhe - e nem nós, que só escutamos essa história da boca de uma criança. E na pior das situações acredito que até o Sukeroku arranjasse um bico ou dois pra conseguir dinheiro.

    >> para o Fábio do Anime21

    Esse nome não me é estranho ... er, bem =D A essa altura o Kikuhiko ainda deve acreditar que os nomes são ligados e que é possível um desfecho positivo para isso. Depois que ele assumir o título de Yakumo nas circunstâncias que sabemos que ele assumirá, tenho certeza que ele mudará de ideia: são ligados sim, mas de forma trágica.

    >> É aí que Kikuhiko admite: é porque eu quero o seu rakugo. O rakugo que ele, Kikuhiko, teve que ouvir desde criança; que ele imitou, aspirou, invejou...

    E isso conta toda a história da vida do Kikuhiko, né? Ele queria ser o melhor de todos, invejou quem conseguia porque ele não conseguiu, e se resignou e finalmente encontrou alguma paz sendo o melhor apenas para si mesmo. Egoísta sim. E por egoísmo ele ainda quer continuar assistindo o melhor de todos.

    >> Referência ao famoso rakugo do shinigami que Kikuhiko recitou ou mera coincidência?

    Considerando que a Konatsu o considerará culpado pela morte do pai por décadas a seguir, narrativamente se encaixa melhor como premonição, seguindo a pista que já havia começado no episódio anterior e que continua nesse, quando ele assusta a Konatsu com seu rakugo.

    >> Ouvindo isso, Miyokichi pede para ver, dizendo: "meu marido idiota ainda está fazendo essa porcaria?"

    Está aí uma possibilidade para o que eu disse logo no começo, hehe: quando a esposa some de casa e a coisa fica realmente grave, ele deve fazer um rakugo ou dois por aí pra ganhar uma grana. Se isso nunca acontecesse acho que a chance dela pensar nessa hipótese seria pequena, mas não só ela pensou nisso como ela pensou imediatamente nisso.

    No mais, episódio triste, não é? Não porque ele seja triste. Pelo contrário, provavelmente é o episódio mais feliz de Rakugo Shinjuu até agora. Mas a gente sabe dolorosamente bem que é só a calmaria antes da tempestade, ou, para citar as velas do episódio anterior, o momento em que a chama brilha mais forte logo antes de se apagar.

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    1. Oi, Fábio! Tudo bem, e você? o/ Primeiramente: sua pontualidade me deixa muito surpresa, DE VERDADE. Como você consegue escrever sobre tantos animes e ao mesmo tempo ainda comentar aqui pontualmente é um mistério para mim, e um que eu um dia gostaria de aprender, com toda a minha falta de pontualidade... Por exemplo, eu escrevi minha lista de expectativas de temporada há um mês, mas me esqueci completamente de postar. orz

      Não, eu não acho que ele seria irresponsável assim, não! Ele mesmo fala depois que a Miyokichi "vai voltar", como se fosse algo que ela fizesse mesmo, e eles tinham comida lá, então não acho que a situação real era tão crítica. Mas acho sim que para a Konatsu, uma criança que está vendo seu pai deitado o dia todo e sem trabalhar, a situação parecia imperiosamente perigosa. Fora isso, é verdade, muito bem notada essa questão da noção de tempo. ^_^ Quanto aos bicos, não pensei nisso, mas como você disse, acho que pelo menos a Miyokichi realmente tinha confiança de que ele eventualmente se viraria...

      Hahah, sim, diria que claro que ele ainda pensa que isso pode ter um bom desfecho, tanto que ele sonha com os três morando com ele, como aprendizes... Então, você tem razão, ainda não era uma maldição. Mas sim, ele já acreditava que existia uma relação importante; na época, no entanto, o que ele achava era que o destino de Sukeroku era ser yakumo.

      Sim. Eu não diria nem que ele queria ser o melhor de todos, eu diria que ele queria ser melhor que o Sukeroku, mesmo. ^_^; Aliás, talvez menos até que isso: eu diria que ele queria simplesmente estar a altura, sendo o "filho mimado", que ele queria se sentir mais merecedor de tudo aquilo. E nesse sentido que traçaria o paralelo entre ele e o velho mestre. Essa, claro, é só a minha interpretação pessoal. Mas eu acho que o Kikuhiko inicialmente não se importava tanto assim com rakugo quanto ele se importava com seu mundinho, diferentemente, por exemplo, do Sukeroku. Era tudo para ele, concordo.

      Hum, você foi mais longe do que eu nessa interpretação! ^_^ O que eu interpretei foi apenas que ele de fato tinha interpretado um shinigami naquele rakugo importante, mas pensar assim também é bem plausível.

      No mais, sim, é um episódio muito bonito. Eu diria que é triste porque nós sabemos que os dois estão mais tristes do que em situações passadas semelhantes. É triste para nós, espectadores, mas não dentro do anime... faz sentido?

      Enfim, muito obrigada MESMO pela visita e pelo comentário! ❤ Acabei demorando para comentar no seu blog também por causa desse atraso, mas comentarei lá agora. Até mais!~

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  2. Olá ^^

    Não sou tão pontual não. Ontem dormi o dia inteiro (bom, estava passando mal pelo menos, descobri isso após acordar...) e fiquei sem publicar nada =( Mas bom, eu escrevo todo dia justamente para me obrigar a escrever, porque se eu começo a me demorar demais eu tendo a não fazer ... já abandonei alguns blogs assim antes. E comentar aqui é fácil: eu uso um feed reader para acompanhar uns 140 (mais...) de sites e blogs, o Not Loli incluso. Não leio tudo, seria loucura, mas passo pelas manchetes e leio tudo o que me interessa, e o que me interessa muito e eu acho que posso acrescentar algo eu comento. Como também é algo que é fácil de acumular ou de eu esquecer ou perder o ânimo se demorar demais, sempre comento o quanto antes (ou deixo a guia aberta para eu me sentir constrangido até comentar). Enfim, encerro esse primeiro parágrafo dizendo que um dos meus defeitos é falar demais quando começo =P

    Sim, foi exatamente a forma como a Konatsu falou que me deixou com essa mesma impressão que a Miyokichi vai e vem com alguma frequência. Conhecendo como conheço o Sukeroku, eu confio mais na menina de 4 para 5 anos do que nele, fazer o quê, LOL (mas confio nele o suficiente para achar que ele não deixaria a filha morrer também).

    Não tanto como destino, mas como a vontade egoísta dele. Egoísta em parte, né, porque tanto ele como o mestre sempre reconheceram que o Sukeroku era melhor, então é uma questão de mérito também.

    O melhor de todos talvez tenha sido uma hipérbole. Sempre treinamos e estudamos para sermos os melhores. Sempre sabemos que haverão pessoas melhores do que nós no mundo, mas a coisa é complicada de verdade quando há pessoas melhores do que nós em nossa própria casa. E aí sim, concordo, ele e seu mestre eram mesmo parecidos.

    Eu estou indo longe mesmo na minha interpretação sobre o Kikuhiko como "aquele que traz a morte", do que a Konatsu já o acusou. E de certa forma é isso mesmo, não é?

    Sim, foi o que eu quis dizer: eu me senti triste vendo a pequena felicidade deles, porque sei que não vai durar.

    Obrigado por mais um excelente artigo sobre esse fantástico anime, que já está em sua reta final! Até lá =)

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    1. Olá, Fábio! :)

      Ah, por favor não diga isso! Tudo bem dormir o dia inteiro quando se está mal, rs. Mas tome cuidado com seu sistema imunológico, por favor! Enfim, sei como é. Realmente, se a gente não se obriga a fazer, acaba deixando de lado - eu mesma sempre atraso os posts por isso. ^_^; A propósito, vi seu feed na comunidade, muito obrigada por compartilahr com a gente! Eu não tenho o costume de usar RSS, mas vou ver se baixo e fuço um pouco. E sem problemas! É por isso que a gente tem blog, né? Para poder comentar demais sem arrependimentos. HAHAH. <3 Mas gosto de comentários longos, então agradeço de verdade!

      Justamente. Eu também confio mais na Konatsu, facilmente, HAHAH. Aliás, já vimos que a pequena Konatsu realmente se vira! Mas também acho que ele não é TÃO descuidado... Espero... ;;

      Sim, verdade. E ah, sim, concordo que ele queria ser o melhor dentro de casa! Só isso já era um desafio grande demais para ele, porque a competição era grande e ele só não tinha aquele dom, aquela vontade toda que o Sukeroku tinha. Por outro lado, acho que o Sukeroku tinha mais essa vontade de ser o melhor de todos (o lendário sonhador).

      Bem, eu realmente tinha interpretado só como "shinigami" por conta do rakugo que ele interpretou. Vendo o episódio 12, consigo ver esse paralelo, mas é cruel. ^_^; Eu não acusaria a autora disso.

      Enfim, obrigada você por comentar tão gentilmente mais uma vez, e até a próxima!

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