sexta-feira, 18 de março de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 10 - "Cinco anos depois" e a solidão de Kikuhiko


Olá! Finalmente, aqui está o post do décimo episódio do anime maravilhoso que tem sido Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu. Eu sei: não teve um post até agora em que eu não tenha dito que esse anime é maravilhoso. Porque ele foi simplesmente maravilhoso, para mim, em todos os episódios até agora.

Esse episódio, no entanto, foi definitivamente o mais deprimente de todos até o presente momento. Se o anterior foi o que teve mais eventos e mais coisa acontecendo, esse simplesmente foi mais pesado. Pelo ponto em que a história se encontra (e como a gente tem dito desde o começo "vai daqui para baixo", até que demorou para ficar deprimente, não é mesmo...?), e também pelos temas abordados nele. Então, bem, força e vamos lá para os comentários do episódio 10 de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu.

Ah! Mais uma coisa: Para quem vem acompanhando os posts, eu resolvi trocar em todos o nome "Yakumo" para Kikuhiko. Já que daqui para frente ele finalmente se torna yakumo, eu fiz isso pra evitar mais confusões na nomenclatura. ^_^; Então, não se surpreendam com a mudança repentina, ok? E vamos ao post!

O episódio 10 volta a ter abertura. Abertura que, por sinal, eu fui ler a letra da versão completa esses dias, e achei o máximo porque é muito, muito algo que a Miyokichi cantaria. Para quem não percebeu ou não se lembra, a dubladora da Miyokichi é quem canta a abertura, e isso me fez perceber o quanto a abertura deve ter sido produzida cautelosamente para o anime. Simplesmente sensacional, essa produção. Ai, ai, DEEN! Enfim, episódio, né?

O episódio 10 se inicia com uma voz gritando o nome do mestre Kikuhiko. Quem grita é um homem com uma boina - não tenho muita certeza se ele tem algum cargo, mas o uniforme dele me lembrou o de um carteiro da época, ou talvez fosse só uma roupa comum, já que também me lembra o soldado de O Túmulo dos Vagalumes... se alguém souber, por favor deixa lá nos comentários! ^_^ O que importa é que esse rapaz, prostrando-se, implora a Kikuhiko para ser seu aprendiz. Kikuhiko suspira amargurado, e pede então para que o mestre e Matsuda sigam em sua frente enquanto ele fala com o cidadão; então, o mestre fala baixo - mas não baixo o bastante para que Kikuhiko não ouça - um irônico "deve ser duro ser popular, né?". É, mesmo sendo um criador e um pai o mestre consegue ser bem invejoso nesses aspectos, e ousaria dizer que aí vemos a quem o Kikuhiko puxou...

Assim que o mestre e Matsuda vão embora, o Kikuhiko com todo o seu "jeito público" pouco gentil pede ao sujeito para que pare de se rastejar, erga a cabeça e... volte aos seus pais. Rejeitado, o jovem faz uma expressão assustada e triste, e ergue a cabeça para encarar Kikuhiko, que continua na mesma postura: ele diz que não aceita aprendizes, e que "sua resposta não mudará nem no dia do juízo final". Eu confesso que adoro esse tipo de piadinha que diz "mundo gira e vacilão roda" jogada no meio do anime, mas enfim. O fato é que Kikuhiko não tem a mínima intenção de ter aprendizes já desde aquela época, e ordena que o rapaz se levante, enquanto sai andando. Mas o rapaz não desiste tão fácil, e - lacrimejando, corado - corre até Kikuhiko e segura o seu braço, pedindo para que ouça sua história. Ele conta a Kikuhiko que abandonou seus pais para ir até ele com a esperança de se tornar seu aprendiz, e por isso não tem mais um lar para ir.

E Kikuhiko, sempre muito franco, aproveita o momento para lhe dar uma sequência de lições de moral. Na primeira delas, ele diz: "se não consegue convencer nem seus pais, como acha que irá convencer um público?". Sem se conter, continua mandando a real, dizendo que o comprotamento impulsivo do jovem acabou por ofender seu mestre, e que só isso já era motivo para não aceitá-lo como aprendiz; e, enquanto o homem continua prostrado e chorando, em estado de choque, Kikuhiko impiedosamente diz ainda que um bom rapaz como ele "não tem lugar no universo vulgar das artes", uma indústria "frágil como uma bolha de sabão". Nesse momento, me perguntei se ele se referia aos seus colegas talentosíssimos que foram dispensados por motivos banais, e provavelmente sim, já que o tema é retomado mais tarde no episódio.

Temos então imagens das folhas do outono caindo da árvore, provavelmente representando as esperanças despedaçadas do jovem. E é assim, com essa cena já não muito leve, que se inicia esse episódio.

Nas próximas cenas, vemos apenas os pés de Kikuhiko andando com sua bengala, e ouvimos os comentários que os outros fazem dele: tão jovem e, mesmo sendo shin'uchi há apenas cinco anos, já tem muita gente querendo ser seu aprendiz... aparentemente, o rakugo de Kikuhiko tem feito sucesso a ponto de causar inveja mesmo em seus mestres. Quando estão a sós, Kikuhiko pede desculpas ao mestre Yuurakutei pelo que aconteceu antes, e este - enquanto está lendo, provavelmente estudando o rakugo que iria apresentar - o dispensa com um gesto de mão, para a sua surpresa.



Depois dessa sequência, vemos o mestre subindo ao palco para apresentar seu rakugo. O rakugo se inicia com a seguinte frase: "em um mundo repleto de falsidades, o encanto das crianças continua sendo uma verdade imutável"; o que me remeteu a duas coisas: à filha do Shin e da Miyokichi, Konatsu, que conhecemos no preview desse episódio, e também à falsidade dos mestres no universo do rakugo, que estamos vendo agora em primeira mão. Parece que entre os poucos que se salvavam estavam os jovens Sukeroku - que queria revolucionar esse universo, mas acabou perdendo para os mais conservadores - e Kikuhiko, e agora, só o último. Ouvimos os comentários de Kikuhiko nos bastidores, dizendo que esse é o rakugo que o mestre treinou à perfeição, no qual "nem ele nem Sukeroku" podiam superá-lo... sim, ele ainda lembra e leva em consideração o rakugo de Sukeroku, mesmo depois de se passar cinco anos desde aquela fatídica briga que fez com que Sukeroku fosse embora e abandonasse o sonho de ser yakumo.

No rakugo do mestre, uma mãe que cria seu filho sozinha o encontra com um dinheiro que ele ganhou do pai, e insiste para que o filho fale onde conseguiu, mas ele se recusa. O pai eventualmente surge e agradece a mulher por ter criado sozinha a criança. O rakugo é bonito, e até faz uma senhora da platéia chorar. O que não estava tão bom é que, enquanto conta esse rakugo, o mestre começa a suar. Sua voz começa a ficar cada vez mais fraca e trêmula, e ele começa a ter dificuldade para manter sua postura. Aparentmente, a plateia não percebe isso, mas Kikuhiko nota que tem algo estranho na sua forma imperfeita. O mestre consegue terminar o rakugo e andar até os bastidores, e então Kikuhiko corre atrás dele para perguntar o que houve, mas não tem tempo: o mestre desmaia ali mesmo, conforme a cena que vimos no preview, e não se levanta apesar dos gritos de Kikuhiko.

Na próxima cena já vemos o mestre deitado em uma cama, sob os cuidados de Kikuhiko, e também de Matsuda, que explica que sua saúde já vinha frágil desde que sua esposa falecera - ou seja, há cinco anos. Matsuda pergunta se Kikuhiko pode ficar cuidando dele, uma vez que a saúde de sua esposa também está frágil, e Kikuhiko diz que sim. Matsuda agradece e se despede, e ficam então apenas o mestre e Kikuhiko no quarto. Kikuhiko fica olhando para o velho, que permanece de olhos fechados. Quando Matsuda sai, ele abre os olhos, e começa então a falar para Kikuhiko: "Parece que este é o fim". O mestre, então, faz um discurso com a certeza de que não sobreviverá. Ele diz que tudo bem, e que viveu uma vida com poucos arrependimentos, mas... será? Ele diz então que quer confessar uma coisa a Kikuhiko.

E ele conta uma história de sua juventude: Quando era mais jovem, era mimado por seu pai, e não tinha nenhuma intenção de se tornar um contador de histórias. Até que, um certo dia, um jovem abusado chegou em sua casa pedindo para ser seu aprendiz; esse jovem lhe dizia que ele poderia até ser filho do mestre, mas ele acabaria conquistando-o com seu rakugo. Isso realmente aconteceu pois, não importando o quanto ele estudasse agora que tinha esse rival, não conseguia superá-lo, e ele acrescenta: "rakugo não corre nas veias, é uma arte em que a semelhança excessiva pode até atrapalhar". E como atrapalhou, eu acrescentaria. ^_^; Enfim, como o rakugo do jovem rapaz era excelente, o pai passou a favorecê-lo. Por ciúmes e indignação, o mestre acabou então pedindo ao pai que lhe passasse o título de yakumo. Ninguém na associação poderia se opôr ao pai de passar o título para seu filho, mas, em suas palavras, todos sabiam que ele era menos merecedor do nome. O fato é que o título acabou ficando com ele, e o homem foi embora de sua casa, tendo um destino incerto...

E ele diz, então, que seu nome artístico era Sukeroku. Gasp, que surpresa! Só que não, para qualquer um de nós que vimos o episódio 8. A surpresa, no entanto, é que o mestre não só se lembrava muito bem dessa história, como também se lembrava muito bem desse homem, ao contrário do que o nosso Sukeroku-Shin acreditava. Kikuhiko se mostra chocado, e pergunta se o mestre sabia. E ele diz que sim, ele sabia desde o começo por conta do seu estilo de rakugo. Ele sempre soube, e sempre tentou evitar que a comparação o atormentasse, mas diz que "desde que ele falou que queria usar o nome Sukeroku, não tive um momento de paz". Afinal, imaginemos: o filho que ele criou com tanto carinho como Hatsutaro, de repente querer usar o nome Sukeroku, que ele tanto temia...

O mestre diz que isso foi sua punição do carma, e que por mais que ele tentasse ignorar e se convencer de que o primeiro e o segundo Sukeroku eram pessoas diferentes, acabou ficando mais teimoso e mais determinado a não lhe dar o título de yakumo. Então sim, ao contrário do que eu pensava, ele provavelmente já tinha conversado sobre dar o título de yakumo a Kikuhiko, e ele também via esses paralelos. O fato é que, ao fim desse discurso, o mestre diz, chorando, que "acabou perdendo um de seus filhos queridos" por conta de sua teimosia, e que "é um homem fraco, repleto de pecados e incapaz de ser perdoar" - mostrando que de fato ele sabia da injustiça que estava cometendo, mas a identificação grande provavelmente não lhe ajudou a superar esses sentimentos ruins que tinha.

Esse momento me fez pensar em várias outras coisas, também. Me surpreendeu a ternura com que o mestre fala de Sukeroku, mesmo cinco anos depois de ele ter saído de casa por uma resolução que ele tomara. Sim, os dois estavam falando besteira naquele dia. Sim, o mestre provavelmente se arrependeu tanto quanto ele. E o pior de tudo: Sukeroku acabou indo embora depois da briga que teve com Kikuhiko, na qual confessou ter ciúmes do bom relacionamento dele com o pai, mas o fato é que o mestre também gostava muito do Sukeroku, ainda que não soubesse lidar emocionalmente com suas semelhanças com o primeiro; e, veja que ironia, os sentimentos dele - de ciúmes do pai-mestre, necessidade de carinho e um ressentimento excessivo - também tinham muito a ver com os de Sukeroku. O mais óbvio, claro, é traçar um paralelo entre os mestres yakumo e os Sukerokus como o mestre não pôde evitar de fazer, mas a verdade é que tanto Kikuhiko quanto o primeiro Sukeroku pareciam muito mais competitivos e mais focados em se fazerem como artistas, enquanto o mestre e Sukeroku sempre foram pessoas mais passionais - e que acabaram cometendo grandes "erros", sob uma certa ótica, por causa disso. Outro ponto notável dessa cena, claro, são as diferenças culturais aqui e no Japão. Não que se trate exatamente de uma diferença cultural, mas lá as solenidades fúnebres são muito diferentes e me parece que essa "retrospectiva da vida", cheia de culpa e sentimentos, é mais comum. Eu não sei dizer exatamente no que refere, mas acho muito interessante ver essas diferenças em Rakugo Shinjuu, como anime histórico que é.

Prosseguindo, o mestre diz que também não quer dar o nome yakumo a Kikuhiko - e não sei se devia interpretar que foi por egoísmo ou por temer essa "maldição" que recaiu sobre ele ao ganhar o nome. O fato é que ele se vê como um covarde, e nesse momento, Kikuhiko, igualmente sincero, diz que isso é algo que ele nunca gostou no mestre. O mestre arregala os olhos, enquanto Kikuhiko - com a mesma austeridade - continua a falar sobre como essa covardia é algo que ele nunca apreciou, ainda que tivesse muitas coisas que apreciasse no mestre. E foi isso que o levou a criar seu próprio rakugo, e buscar ser melhor que seu pai, o que portanto foi bom para ele. Kikuhiko, também em tom de confissão, diz que é quem ele é porque "não conseguiu ser outra pessoa" - e sabemos bem quem ele queria ser, e o quanto ele tentou mas não conseguiu, até desistir e desenvolver seu estilo próprio. E diz então ao mestre, curvando-se e segurando sua mão com um sorriso, que como aprendiz ou filho fica feliz de ter encontrado-o. O mestre fica feliz ao ouvir isto, e lacrimeja com essa cena bonita de Kikuhiko (assim como até eu quase lacrimejei, confesso - ele já se tornou um legítimo contador de histórias, não? ^_^).

A próxima cena que vemos já é o velório do mestre. No velório, Kikuhiko se senta separado de todos, e fuma sem chorar; sua face é impassível. Matsuda se aproxima e, com uma reverência, agradece a Kikuhiko por ter conduzido a cerimônia. Ele nota que Kikuhiko não derramou um lágrima sequer, ao contrário dele, e diz que isso significa que é forte e que se despedir com serenidade do pai é um sinal de que um homem já se tornou um verdadeiro adulto - aí, mais uma diferença cultural. O fato é que todos disseram que a performance de Kikuhiko ali foi ótima, e Matsuda diz que nunca viu uma cerimônia tão bela, digna de "um verdadeiro contador de histórias". Sempre humilde, e não reconhecendo muito seus feitos, Kikuhiko diz que achava que deveria se preparar para alguma coisa, e fuma mais um trago, cabisbaixo. E nesse momento eu pensei em algo muito particular sobre o quanto ele deve se considerar indigno de toda a bajulação que recebe num nível pessoal - a ponto de acreditar que a melhor coisa que ele podia fazer é ser sereno em uma cerimônia fúnebre. Eu não sei, no entanto, o quanto essa minha interpretação é exagerada ou o quanto era para interpretar assim mesmo, mas se alguém tiver sentido algo parecido, por favor, deixe aí nos comentários!~

Com uma certa vergonha, Matsuda diz então que precisa falar sobre seu emprego. Conta que parece que sua esposa não vai se recuperar, e por isso precisa de um tempo de folga; e com isso começa a chorar ainda mais - fica claro então que Matsuda está chorando tanto porque também está com problemas em sua vida. Nesse momento, Kikuhiko se levanta e põe a mão em seu ombro, procurando consolá-lo, e o agradece por ter feito tanto por seu pai. Diz que levará Matsuda até sua casa, que ele deveria beber, e que depois - possivelmente quando estiverem sozinhos - farão sua própria festa de despedida, lembrando as histórias de seu pai. Parece-me que foi nesse momento que Matsuda passou a ser parte da "família" de Kikuhiko, e como sabemos, estão juntos até hoje. ^_^

Bem, depois disso a cena corta para um outro dia chuvoso, no qual vemos mulheres tocando o shamisen nos bastidores de um palco do que parece um festival. Uma das mulheres pergunta a Kikuhiko: "que tal uma nova música para a sua entrada?", e sugere uma música chamada Itako.

perguntam: que tal uma nova música para sua entrada, e a mulher sugere uma música chamada "Itako". Kikuhiko apenas concorda cabisbaixo, desinteressado, e enquanto segue para entrar no palco fala para si mesmo: "enfim... estou realmente só", em uma cena com nada mais que um fundo azul e preto em degradê. Ele está, enfim, não só emocionalmente como também fisicamente só; e não era o que ele mais queria? E toda a sequência que segue esse pensamento é extremamente densa psicologicamente, e o tipo de coisa que faz Rakugo Shinjuu ser uma obra sensacional.

Kikuhiko, nessa situação, se pergunta: "o que devo dizer? Como devo agir? Todos estão me observando como águias". Todos observam atentamente aquele que, agora sozinho, está fadado a se tornar o mestre da 8ª geração - por uma verdadeira falta de concorrentes, depois de uma vida conturbada. E ele diz que seria fácil fazer uma história sentimental - afinal, é o esperado, todos se comoveriam juntos com ele e o entenderiam - mas isso não seria "seu estilo"; afinal, a única coisa que fez seu rakugo se destacar desde o princípio foi fazer exatamente naquilo que não era esperado dele. Agora sozinho, ele precisa continuar mostrando um estilo cada vez mais próprio - e portanto distante - de modo a construir uma carreira sólida e se tornar aquele mestre que nós vemos no primeiro episódio. E aí já temos todas as pistas de como aquele senhor se tornou tão austero, tão rígido consigo e com os outros, tão endurecido.

Ele começa, então, a contar a história que ouvimos no episódio 1: "Com o passar do tempo, certas coisas mudam, mas o mundo dos deuses nunca muda"... nessa história, um shinigami - o equivalente japonês da "morte" - chega para um médico dizendo que chegou sua hora, mas que ele consegue se safar se fizer tudo direitinho. Há uma tensão extrema no ar, e a plateia fica séria enquanto Kikuhiko se apresenta. Com essa reação, ele vai ficando corado, e sua voz vai se perdendo. Toda essa sequência é cheia de simbolismos, sendo o primeiro deles o da própria morte. Vamos falar sobre como esse é um anime que lida com suicídio, que tem no título o tal "suicídio" que desde o começo nos perguntamos o que é. "Será que não poderia ser um suicídio moral, ao invés de um literal?" é a pergunta que fazemos desde o começo. No mais, quem são esses amantes? Ainda não podemos responder a tudo isso, mas refletir sobre esse rakugo me fez pensar, pessoalmente, nas vidas dos nossos "candidatos" ao suicídio: Kikuhiko, Sukeroku e Miyokichi. Três pessoas que nunca esbanjaram recursos na vida, mas que podiam sobreviver, terem um lar e comida se "fizessem tudo certinho", como bem sabemos. Depois retomo isso.

Em um determinado momento do seu rakugo, Kikuhiko passa a ver tudo escuro, e enquanto diz em sua narração que cada uma das velas representa a vida de uma pessoa, o fundo de sua apresentação troca para um fundo preto com várias velas - como se fosse isso que ele visse naquelas pessoas, totalmente imerso no mundo imaginário, distante e solitário do seu rakugo. E ele continua narrando o shinigami do rakugo: "cegado pelo dinheiro, você desperdiçou sua vida". O shinigami ri maliciosamente, e diz ao médico que falhou em suas tribulações: "sinto muito, mas você morrerá em breve... enquanto estiver queimando, transfira a chama para outra vela. Se não conseguir, você morre,. entendeu?". Kikuhiko, tremendo de nervosismo, interpreta o personagem transferindo essa chama. E o bom é que o personagem também treme, então isso não atrapalha seu desempenho.

O shinigami do rakugo ri maliciosamente e repete: "se apagar, você morre. Viu só? Está se apagando, está se apagando, melhor se apressar!". Apressando o sujeito prestes a se apagar, o shinigami continua a repetir: "está se apagando... apagou." E então o homem morre, e na cena final do rakugo, Kikuhiko se joga no palco. E enquanto seus olhos abertos se fecham vagarosamente, ele pensa: "é a solidão pela qual eu tanto ansiava", fechando seus olhos. Sim, o personagem morre ali, mas a imagem é de que Kikuhiko morre ali. É forte, é pesado, é uma sequência horrível.

É horrível porque, para começar, Kikuhiko não está confortável fazendo nada daquilo. O que a personalidade de Kikuhiko provavelmente queria fazer era exatamente aquilo que era esperado, mas, moralmente, ele não pode. Porque ele sabe que agora está sozinho de verdade, e sendo julgado por aquela platéia "com olhos de águia", faminta por entretenimento e coisas intrigantes daquele artista que respeitam, não está mais em uma posição de se dar esse tipo de luxo. Além disso, sendo o único candidato a dar continuidade à tradição do rakugo, dar menos do que eles esperam também não seria inteligente. O fato é que agora ele tem um peso incrível nas costas, e um peso que não pode compartilhar com ninguém. Por isso, tudo que ele pode fazer é continuar apresentando aquele estilo de rakugo que desenvolveu para si.

Então, como disse que iria retomar isso; sobre uma outra ótica - a ótica que eu pessoalmente acredito mais para essa sequência - Kikuhiko é essa pessoa que está prestes a morrer, mas num sentido muito menos literale. Ele está sozinho como queria, mas não parece estar tão feliz... de fato, é exatamente o contrário. Ele está sozinho, se tornará yakumo e irá apresentar o rakugo no seu próprio estilo. Tudo parece ir muito bem, se não levarmos em conta a vida cada vez mais distante que ele leva; uma na qual quanto menos se expressar no seu rakugo, e mais perfeitamente técnico ele for, melhor. Uma vida extremamente austera e solitária.

Enfim, toda essa sequência é muito reflexiva, e eu não quero me estender aqui justamente porque me deixou com um nó na garganta, mas vou falar mais um pouco no final do post, e adoraria ler nos comentários o que vocês acharam dela! ^_^

Bem, ao terminar seu rakugo - já belissimamente apresentado, e fica claro o quanto Kikuhiko aperfeiçoou sua técnica nesses cinco anos, - o presidente diz que Kikuhiko fez um ótimo trabalho substituindo o mestre, e que, como ele o prezava muito, Kikuhiko é o único que pode ser a 8ª geração de yakumo. Kikuhiko, com um olhar incerto, vira o rosto e diz que realmente não quer isso, titubeando. O presidente fica insatisfeito, e continua insistindo e tentando convencê-lo a se tornar yakumo; pede para que ele "não faça a velha guarda pensar muito", e tenta encorajá-lo, dizendo que quem pensa assim pode se tornar um mestre interessante. Sem se estender na conversa, e deixando Kikuhiko com esse compromisso, o mestre se despede e vai apresentar seu rakugo. Vemos então o rosto de Kikuhiko suspirando por detrás da janela e da chuva que cai.

A próxima cena já mostra Kikuhiko vestido com roupas de sair, em uma rua à noite, conversando com a ex-chefe da casa das geishas que vimos no episódio anterior - aquela que Miyokichi fugiu com seu dinheiro, lembram-se?... Eles estão conversando, e ela está dizendo a Kikuhiko que ele "não pode recuperar o que já perdeu", claramente se referindo aos dois que foram embora cinco anos atrás. Ele, no entanto, insiste que não é bem isso e diz "até parece que vou aceitar alguém de volta", desdesenhoso, como se só ele pudesse aceitá-los de volta; como se só eles tivessem feito algo errado. Ela pergunta se ele se sente culpado pelo que aconteceu, mas Kikuhiko continua insistindo que não é nada disso, e diz: "Pense bem, acha que os dois podem ter uma vida decente juntos?". Esse argumento parece ser o bastante para a senhora, que concorda que não consegue imaginar isso. Kikuhiko diz que eles estão com uma criança, e com o rosto triste, diz que quer contar a Sukeroku sobre a morte do mestre - quem sabe se para tentar convencê-lo a se tornar o yakumo? - e a senhora quer seu dinheiro de volta, então...

E aí ficamos sabendo de seus planos reais. A associação deu-lhe uma folga, e por isso ele quer "apenas ver se eles estão bem, e então voltar", e diz isso com os olhos mareados. A ex-chefe, inconformada porém , diz: "os homens são mesmo tolos não é mesmo?", e lhe entrega um envelope que guardava em seu kimono. O envelope não continha um endereço, mas apenas uma carta escrito: "Eu estou bem. Não se preocupe comigo. Juro que pago o que peguei emprestado". A ex-chefe acredita que, com esse carta, Miyokichi está "praticamente implorando para que o procure", e Yakumo parte a noite mesmo. Para onde, não sabemos, mas ele embarca em um trem e vai parar em uma outra cidade numa certa manhã. Como ele sabe onde eles estão eu sei muito menos, de verdade, não entendi essa sequência. Ele foi em vários lugares? Nâo sei.

O fato é que em algum momento ele chega em uma outra cidade, e pergunta a um senhor - que lê um jornal na rua, distraidamente - se tem algum lugar por ali onde ele pode ouvir rakugo. O senhor acha engraçada essa pergunta vinda de um jovem (mal sabe ele...) e diz que havia variaos lugares, mas muitos fecharam com o advento da televisão. No entanto, ele diz que ainda conhece um lugar, e que se seguir a rua, Kikuhiko irá encontrar um restaurante de soba com "uma apresentação e tanto". E então, enquanto Kikuhiko trilha o caminho até o restaurante, os créditos do episódio - que não teve encerramento - começam a aparecer.

Ao entrar no restaurante, Kikuhiko imediatamente reconhece o rakugo que uma criança ruiva está apresentando: "é Nozarashi...", diz. Nozarashi? Eu não reconheci de nome, pessoalmente, mas logo reconheci que era o rakugo que Sukeroku apresentou quando conheceu o mestre e Kikuhiko, lá no episódio 2, sim. Enquanto as pessoas no restaurante riem da apresentação da pequena menininha, Yakumo olha para tudo muito sério. Ao terminar, ela vai pedindo a taxa para as pessoas, e ao chegar em Kikuhiko, diz que "se ele ouviu, tem que pagar".

Como uma criança, é a vez de Kikuhiko encará-la. Ele diz para ela não o chamar de velho, e diz que ela aprendeu esse rakugo com o Sukeroku. A menininha ruiva confiante então se intimida, enquanto Yakumo pergunta muito sério: "quem é você?". E ela diz: "Eu? Eu sou a Konatsu". Nesse momento, o olho de Yakumo treme, com um tique, e o episódio se encerra.




Sinceramente, é a segunda vez que eu vejo esse episódio e ainda sinto vontade de chorar com essa cena. Eu vi só duas vezes, admito, porque não aguentei ver mais. Porque essa menininha é linda, uma fofa, e eu lembro do quanto ela ainda vai sofrer e quero chorar. Mas claro que tudo isso é subtexto, porque Rakugo Shinjuu tem dessas. A nota extremamente agridoce dessa última cena serviu também para comprovar as palavras do rakugo que é especialidade do mestre de 7ª geração: o encanto das crianças continua sendo uma verdade imutável. Nós sabemos de todas as histórias tristes que estão por trás da Konatsu, do Kikuhiko e de toda a realidade disso, mas o encanto da meiga Konatsu é para fazer qualquer um superar.

O outro ponto que eu queria notar desse episódio é sobre o rakugo extremamente fúnebre e socialmente inadequado que o Kikuhiko apresenta. O rakugo fala nas vidas das pessoas como chamas, o que só me leva a acreditar mais ainda na minha teoria de que a pessoa que está "morrendo" metaforicamente, conforme a imagem que vemos no rakugo, é o Kikuhiko. Entendendo a chama como a força motriz, definitivamente a força motriz de Kikuhiko vai se apagando na medida em que ele tem menos liberdade para se expressar emocionalmente no rakugo. Uma coisa que me pegou no rakugo, no entanto, foi que o desafio do shinigami é que o médico transfira sua chama para alguém antes de se apagar; se ele conseguir fazer isso, então ele "não morre"... pensando que o Kikuhiko é o equivalente do médico do rakugo, o que seria essa sua chama no seu contexto? Seria o seu título de yakumo? Talvez essa interpretação seja importante nos episódios seguintes, então tentarei verificar isso nos próximos episódios.

No mais, de verdade, tudo que eu consigo dizer sobre esse episódio é estou muito triste, porque tudo foi muito triste. Como eu já confessei aqui antes nos posts de Death Parade, preciso dizer também que episódios com temas fúnebres me deixam triste e sem saber o que comentar, e por essa razão esse post acabou atrasando apesar de ter ficado curto. Espero que me desculpem, mas acho que vai ser fácil superar do jeito que o episódio 11 parece que vai ser super legal pelo preview (que por sinal foi narrado pela Miyokichi, diferentemente da maioria dos previews...)

Por hoje, é isso; como o episódio 11 sai logo mais, vamos aguardar!~ (E vou tentar não me atrasar tanto dessa vez... OTL)

Preview do episódio 11:



8 comentários:

  1. Acredito que essas coisas estejam conectadas:

    >> o mestre fala baixo - mas não baixo o bastante para que Kikuhiko não ouça - um irônico "deve ser duro ser popular, né?".

    >> O fato é que Kikuhiko não tem a mínima intenção de ter aprendizes já desde aquela época

    Enquanto seu mestre estava vivo, Kikuhiko não poderia aceitar aprendizes por causa da atitude dele. Como ele diz usando outros termos, é um tipo de desrespeito. Depois da morte do mestre ele estava mais preocupado em fazer a notícia chegar ao Sukeroku, para, suponho, fazê-lo voltar ao rakugo e assumir o título de Yakumo, e após a morte do Sukeroku deve ter restado um sentimento de inadequação e inferioridade (semelhante ao que seu mestre sentia em relação ao primeiro Sukeroku) mais, talvez, a tentativa de encerrar a "maldição" do título Yakumo - já são dois Sukerokus e dois Yakumos consecutivos com destinos trágicos!

    >> vemos o mestre deitado em uma cama, sob os cuidados de Kikuhiko, e também de Matsuda, que explica que sua saúde já vinha frágil desde que sua esposa falecera

    Curiosidade aleatória: além de viverem menos no geral, homens também tendem a viver menos após a morte da parceira de uma vida do que mulheres na mesma situação.

    >> Afinal, imaginemos: o filho que ele criou com tanto carinho como Hatsutaro, de repente querer usar o nome Sukeroku, que ele tanto temia.

    Cada um tem seus motivos e suas interpretações, não é? Shin não aceitou Hatsutaro porque o nome praticamente significava "o garoto da abertura". Se essa era a intenção do mestre não dá pra saber agora que ele já morreu, mas se fosse outro nome talvez ele tivesse aceito e não tivesse adotado Sukeroku - afinal o objetivo dele era mesmo se tornar Yakumo, tanto faz de onde viesse.

    >> o mestre diz que também não quer dar o nome yakumo a Kikuhiko - e não sei se devia interpretar que foi por egoísmo ou por temer essa "maldição" que recaiu sobre ele ao ganhar o nome.

    No contexto, entendi que fosse porque ele também reconhecia a superioridade do Sukeroku e preferia dar o título a ele. Quem se preocupa com a "maldição", no meu chute (e a essa altura é só chute mesmo) é o Kikuhiko depois que todos morrem e ele se torna Yakumo.

    >> assim como até eu quase lacrimejei

    Quase? Ah vá! Bom, talvez eu que esteja assistindo animes demais e imergindo demais neles...

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    1. Oi Fábio, tudo bem? :D Primeiramente, desculpa pela demora em responder, mas muito obrigada pela visita e pelo comentário!

      Então... eu acho que não era tanto por isso *pessoalmente*, mas mais pelo fato de que ele realmente crê naquilo que ele diz: "eu não tenho nada a ensinar". Ele não tem, porque o rasgo dele, como ele diz, é apenas o que ele conseguiu ser e é feito para agradar a ele. Então eu acho sim, no fundo, que ele nunca teve aprendizes por conta disso também.

      Sei disso! Lembrei disso também por conta dessa cena.

      É... realmente, pensando por esse lado, você tem razão. Hatsutaro era mesmo um nome ruim de muitas formas. Mas ele mesmo disse que queria ser um Yakumo chamado Sukeroku pela ironia, e eu acho isso demais, rs.

      Bom, verdade, como narrador eu também tive a impressão de que o velho Kikuhiko acreditava mais na maldição que qualquer um. E também pensei a mesma coisa que você dá primeira vez que assisti o episódio. Da segunda, no entanto, pensei nessa possibilidade alternativa. Mas acho que você está certo, ele estava em dúvida porque não queria fazer uma escolha errada e por isso se chama de covarde. Acho que faz mais sentido.

      HAHAH ou é o contrário! Acho que eu já assisti anime de drama demais na vida pra me comover facilmente... :P mas a cena é muito bonita, visualmente também é incrível, um belo trabalho, mesmo!

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  2. >> E nesse momento eu pensei em algo muito particular sobre o quanto ele deve se considerar indigno de toda a bajulação que recebe num nível pessoal - a ponto de acreditar que a melhor coisa que ele podia fazer é ser sereno em uma cerimônia fúnebre.

    Acredito que ele sinta-se sim inadequado, mas que não é isso que explica seu comportamento nessa cena. Me parece que ele é, sempre foi e sempre será frio, pragmático, com tendências cínicas. O único em sua vida toda que o tirava dessa zona de conforto foi o Sukeroku.

    >> Kikuhiko, tremendo de nervosismo, interpreta o personagem

    Oh, eu não achei que ele estivesse nervoso! Para mim fez parte da atuação dele mesmo, afinal essa apresentação toda serve para mostrar como o próprio Kikuhiko está vendo sua habilidade agora e até a reconhecendo. Mas você sempre assiste duas vezes, talvez tenha visto melhor do que eu, hehe.

    >> Como ele sabe onde eles estão eu sei muito menos, de verdade, não entendi essa sequência. Ele foi em vários lugares? Nâo sei.

    Mesmo sem remetente a carta é selada e dá para identificar de qual agência de correio ou correspondente postal (ou equivalentes) foi enviada. Como a Miyokichi queria morar em uma cidade pequena não deve ter sido tão difícil assim. Identificou a cidade pela agência, e daí sim chegando lá saiu perguntando o que ele perguntou pro velho: "onde se faz rakugo aqui?".

    >> a força motriz de Kikuhiko vai se apagando na medida em que ele tem menos liberdade para se expressar emocionalmente no rakugo.

    Ele sempre foi um perfeccionista de todo modo, mais técnico do que emotivo, não acredito que se expresse emocionalmente de forma tão ostensiva em seu rakugo. Ele é muito mais sutil que o expansivo Sukeroku. Como no exemplo dessa peça: achei sua interpretação brilhante para a "passagem da chama" ser a herança do título. A escolha dessa peça expressaria sua determinação de não aceitar o título, segundo essa interpretação. Como sabemos, contudo, ele acabará o aceitando - mas sem intenção de passá-lo adiante. Já a "morte moral" do Sukeroku eu acho que ainda não chegou não, esperemos o destino de seu irmão e sua ex-amada. Contudo, mesmo se tiver o significado de "morte", é mais provável que seja uma morte à oriental: como parte de um ciclo de morte e reencarnação contínuo e infinito. Naquele momento ele estaria se reinventando. Também faz sentido então, não tendo ele escolhido nem uma peça emotiva (supostamente o esperado dele) nem uma erótica (sua especialidade), mas uma peça de horror (que pode ser comédia dependendo de como o artista a interpretar, contudo, escrevi isso no meu artigo e citei você porque quero seu comentário especificamente sobre isso lá, hahaha, além do que mais achar importante comentar, claro).

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    1. E bom, você tem razão. Talvez essa cena tenha sido mesmo só pra mostrar seu cinismo e eu tenha ido longe demais na interpretação. É que é uma frase tão forte e dolorida que eu fiquei com aquilo na cabeça. Yakumo é mesmo um personagem incrível...

      Ah, eu interpretei que ele estava nervoso por causa do que ele fala. Ele começa a apresentação falando dos olhos de águia, e na parte em que ele treme ele faz mais alguns comentários sobre como seus movimentos devem ser precisos. Acho que foi uma coisa de querer mostrar na animação essa ansiedade, sabe? Assim como a morte do personagem tem a ver com ele, fiquei com a impressão de que a ansiedade também.

      Ahh, entendi! Imaginei que fosse algo com a carta, mas como não vi nada, ficou essa dúvida em mim!

      E bem... Acho que esse rakugo e as interpretações dele são mesmo a parte mais interessante desse episódio, mais ri a é também mais... fúnebre, em um certo sentido. É uma cena super doída, apesar de não tão emotiva. Eu acho pessoalmente que o Yakumo vê na sua arte um tipo de catarse. Sim, ele sempre foi extremamente técnico, até porque, pra ele, ele não chegaria aos pés do Sukeroku de outra forma. Mas ele nunca escondeu que fazia rakugo pra si, que começou a se envolver com rakugo porque ele precisava daquele conforto emocional, etc. A relação que eu vejo dele com rakugo, pra mim, é a de um casamento duradouro: ele tinha muita emoção no começo, mas as circunstâncias fazem as coisas ficarem muito engessadas e até cansativas. Hoje a técnica dele é perfeita, mas pelo que vemos nesse episódio, ele já deixou de se encantar com a platéia, e tem como objetivo cumprir com as expectativas. Isso tudo, novamente, é chute meu. (E confesso que cansei de escrever no celular, mas depois falo mais disso... T_T)

      Enfim, mais uma vez, muito obrigada pela visita e pelo comentário, Fábio! Até mais!♡

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  3. Olá Chell! Tudo bem??

    Consegui escrever tudo em dois comentários dessa vez, hehe ;) Muito bom artigo, como sempre!

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  4. Dez de que comentou no meu Blog tenho observado suas postagens e acho super interessantes. Queria saber se seu site está aberto a parcerias.Sou do Blog AnimaXForece.

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    1. Olá! Primeiramente, obrigada pela visita e o comentário, fico lisonjeada, e desculpa o atraso! Muito, muito obrigada pelo elogio!! Também acho suas postagens muito interessantes, o blog esta aberto a parcerias sim. Espero que possamos ter uma boa parceria! ^^
      Aguardo resposta com seu button, por favor!! Até mais!~

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  5. Olá! Nossa, você responde tudo isso por celular, fiquei me sentindo culpado agora, lol, estou incomodando? E os trechos de texto seu que eu copio para citar, incomodam? Enfim, aos comentários (vou tentar sem citações pra ver se consigo me organizar):

    O que você diz sobre a forma como o Yakumo/Kikuhiko se vê faz sentido, pode muito bem ser uma das razões para ele nunca ter aceitado discípulos. Acho que depois do episódio 12 a gente vai entender melhor.

    Eu tinha entendido que a ironia a qual o Sukeroku se referia não era ele usar o nome Sukeroku e herdar o título de Yakumo, mas sim ele "ser um Sukeroku", no sentido de ter sido inicialmente treinado pelo primeiro Sukeroku. Mas acho que o que você diz faz mais sentido, não me parece que rakugo seja uma arte que permita múltiplos mestres. Hatsutaro era um nome ruim sim, mas talvez ele rejeitasse qualquer um porque pretendia ser Sukeroku de qualquer jeito, apenas encontrou nesse nome uma boa desculpa para rejeitá-lo.

    Sim, ainda acho que quem acredita em "maldição" seja o Kikuhiko, não o mestre, até porque não havia maldição na época dele ainda, havia só um caso de carma ruim, retribuição divina talvez. Mesmo assim eu estava em dúvida sobre o que "covardia" tinha a ver com todo o resto da cena e agora você matou a charada pra mim, hahaha!

    É possível, né? Parecido com o caso de profissionais que lidam diariamente com a tragédia humana na vida real e acabam desenvolvendo frieza e distanciamento, diminuição de empatia, senão acabariam mentalmente perturbados. É uma forma de defesa. Acho que você entende disso melhor do que eu, hehe. No meu caso, vai muito da situação. Quase sempre assisto animes completamente solitário (às vezes fico tanto tempo ao computador que me desligo dos arredores, é esquisito). Eu tendo a demonstrar e abraçar todos os meus sentimentos nessas situações, porque todo o resto do tempo sou tímido, introspectivo, introvertido, e não conseguiria expressar muito nem se eu quisesse. No máximo me rola uma lágrima solitária no escuro do cinema (de tristeza ou de emoção, qualquer cena muito incrível pode me arrancar uma ou duas lágrimas de catarse, sei lá que termo melhor usar) que eu trato logo de enxugar discretamente. Enfim, já me estendi demais sobre isso =P Resumindo: pelo menos de emoções fictícias eu não me permito dessensibilizar.

    E a cena é forte sim, mas como você bem notou em seu texto, é mais forte ainda para nós porque vivemos em uma cultura diferente, com valores diferentes. Para eles é o "normal", ainda que seja só um ideal nem sempre atingido.

    E ... é, há muito a falar ainda sobre o rakugo do Yakumo e sua relação com a plateia, e como já vimos (porque eu também já vi dessa vez, hehe) no episódio 11 ele aprende mais uma coisa sobre rakugo com o Sukeroku que tem justamente a ver isso.

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