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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 8 - As histórias dos personagens e seus amores.


Olá, gente! Enfim, mais um post sobre esse episódio maravilhoso de Rakugo Shinjuu, o episódio 8 - um episódio que tratou de muitas questões profundas da vida dos personagens, sobretudo de suas emoções, e suas histórias pessoais. Não se limitando aos três protagonistas, até mesmo a história do mestre foi contada nesse episódio. Foi um episódio realmente muito bom, no qual vimos o tal do paralelo do título, com o rakugo do suicídio de amantes, e o qual parece já ter iniciado o arco final do anime. Vamos então falar desse episódio? ~ ♡

O episódio 8 começa com cenas de um ambiente urbano. Logo vemos que se trata do local aonde Kikuhiko e o mestre foram viajar para apresentar seus rakugos. Kikuhiko vai recitando um rakugo sobre uma moça de uma beleza tradicional ímpar, e um homem apaixonado por ela, que "se revirava no chão como uma minhoca" - beleza tradicional que, como veremos depois, tem tudo a ver com o enredo do episódio. Enfim, conforme Kikuhiko recita esse rakugo, a platéia fica com as bochechas coradas, impressionada com a interpretação de Kikuhiko.

Enquanto isso, do lado de fora, o mestre e o dono do teatro conversam. O dono do teatro diz que Kikuhiko tem recebido muita atenção por conta das suas aparições no rádio, e que "assim como o mestre", ele é um homem excepcionalmente bonito "a ponto de esquecerem de vez em quando que ele é um homem" - o que é bem verdade, a julgar pelas bochechas coradas suas e da plateia. O mestre diz que outro dia ele recebeu um prêmio destaque também, e se orgulha muito dele por conta disso. Nesse momento, o dono do teatro pergunta se pode se gabar do seu filho "também", entendendo que o mestre trata a Kikuhiko como a um filho. Ele mostra então uma foto do seu filho, um menininho que, segundo ele, é excepcional orador e ele gostaria que ele fosse contador de histórias no futuro, como os artistas de rakugo.

Depois de revelar isso, o dono do teatro pergunta se há qualquer intenção de torná-lo um shin'uchi no futuro, e então o mestre suspira lamentando-se. Ele diz que é complicado, e que há muitas questões em torno disso. Então, o dono do teatro pergunta sobre a possibilidade de seu outro aprendiz se tornar shin'uchi, e ele diz: ah... é ainda mais complicado. Sukeroku aparentemente já é totalmente desacreditado pelo mestre pela sua irresponsabilidade, pois ele sabe que terá dificuldades para convencer os demais de seu mérito para que o promovam a shin'uchi...

Na cena seguinte, vemos o mestre e Kikuhiko no trem voltando para casa. O mestre está dormindo, cansado, e Kikuhiko então pede desculpas subitamente. "Desculpas pelo que?", o mestre pergunta, e então ele diz que no seu rakugo ele acabou trocando o nome de um personagem. O fato é que o mestre não havia sequer notado isso, e ele diz que o importante é o humor da platéia, que ela esteja se divertindo, e nisso Kikuhiko havia obtido sucesso. Ele diz que esse é o sinal de um grande ator de rakugo, chamando Kikuhiko disto, e diz ainda que ele melhorou tanto em tão pouco tempo que ele mal o reconhece. Nesse diálogo, ele usa várias vezes a palavra futatsume, sinalizando que ele é bom...para um futatsume.





Kikuhiko, então, sem mais meias palavras, pergunta a ele: "quando eu vou poder virar shin'uchi?". O mestre diz que eles ainda discutirão isso, e Kikuhiko admite que gostaria que fosse logo pois tem muitas coisas que ele quer fazer, com a intenção de devolver à associação e aos seus mestres tudo que eles lhe deram. Mas, além disso, ele admite que está se divertindo interpretando rakugo agora, e que quer subir no palco mais e mais. O mestre diz que é ótimo ouvir isso, mas torna a suspirar olhando para a janela, lamentando-se e dizendo que ele não terá problemas, mas já Sukeroku... ele explica que não conseguiu sequer comprar favores para que ele se tornasse shin'uchi. Os motivos? Segundo os demais mestres, ele é sujo, se comporta mal com as mulheres, critica o rakugo dos grande mestres, não para de performar trabalhos avançados, anda por aí como se fosse dono do lugar e, enfim, resumidamente, muitos dos mestres o detestam. Ele diz que tem sido muito difícil, e Kikuhiko, que sabe muito bem do comportamento do amigo, apenas suspira com um sorriso, mas insiste que ele ainda é o melhor apresentando rakugo. O mestre, então, diz: "é claro que você se sente diferente em relação a ele", mas fica claro que não vai ser fácil para Kikuhiko, mais uma vez, por causa do comportamento de Sukeroku.

Na próxima cena, vemos Sukeroku interpretando um rakugo sobre ladrões que roubam coisas pequenas no verão, tudo aquilo que as pessoas não perceberiam. Em uma das casas, o morador insiste para o ladrão que ele o empreste um pouco de dinheiro. "Como assim, eu sou um ladrão!", o ladrão diz, mas o morador continua pedindo... Sukeroku, então, faz a sua velha cara adorável - de quem aliás realmente pede muito dinheiro pro Kikuhiko na vida real, né? ^_^; e a platéia simplesmente cai na gargalhada. Uma das pessoas que estão na plateia é Miyokichi, de quem ele vai atrás ao sair da plateia. Ela fica surpresa que ele tenha percebido-a, e ele explica então que é porque ela era a única na plateia que não era velha. Sim, ele aparentemente repara nas moças bonitas na plateia, e a honestidade brutal dele chega a ser assustadora. Miyokichi recua um pouco, e pergunta se o Kikuhiko não ia mesmo apresentar, e Sukeroku anda até ela sem restrições e diz: "ele não mencionou? Ele foi viajar". Ele realmente não tinha avisado Miyokichi, que fica chocada com a notícia vindo da boca de outrem.

Eles então começam a andar juntos, enquanto Sukeroku explica a Miyokichi que ele foi viajar sem avisá-lo - aparentemente, eles estão na mesma. Sukeroku diz que é tão popular que não poderia ir viajar, se gabando, e Miyokichi nem parece lhe dar ouvidos. Ela o ignora cada vez mais, e ele diz então que ela pode levá-lo para beber em um lugar. "Uma bebida por 30 minutos de desabafo", ele pede a ela, tentando convencê-la de que os dois precisam disso. Sukeroku começa a recitar um rakugo, mas Miyokichi não parece interessada, e então ele lhe pergunta: você não gosta de rakugo, né?, e Miyokichi diz que realmente prefere muito mais ler um livro e que rakugo é coisa de gente velha, ao contrário de tudo que ela havia dito a Kikuhiko até então - e certamente mais condizente com a realidade da época. Sukeroku diz que, "é claro que uma mulher não iria entender" - nada machista esse rapaz, não é mesmo, gente... - e Miyokichi diz que só vai ao rakugo pois gosta de ver Kikuhiko falando, e Sukeroku, então, diz que um homem não entende isso. Nesse momento, então, eles começam a conversar sobre amor. Miyokichi diz que isso é amor: que ela faria tudo por Kikuhiko, e Sukeroku diz que não entende, afinal ele andou sumido por tanto tempo, sem dar uma palavra... ele está bravo com Kikuhiko, e diz que ele mente sobre coisas importantes, é orgulhoso e temperamental... Miyokichi apenas concorda, dizendo que está acostumada pois que essa é a natureza dos homens: "eles nunca contam nada importante". Ela, no entanto, diz que "é estúpida" e gosta dos homens frios, e o que não suporta são os homens bonzinhos, como Sukeroku.

Ele diz, bebendo toda a sua bebida e com um riso, que isso é algo horrível de se dizer. Miyokichi é esse tipo de mulher: ela encanta pela sua franqueza até mesmo brutal, e pensando por esse lado ela é muito como Sukeroku, o que acredito que foi o que Kikuhiko disse no primeiro episódio: os dois eram pessoas que faziam exatamente aquilo que queriam, ou algo nesse sentido. Ela diz que foi à Manchúria pois um homem a enganou e a traiu, e então ela teve que vender seu corpo para sobreviver, pois perdeu sua família na guerra da Manchúria e não tinha o que fazer. Sua vida só mudou com a chegada do mestre, e então sua nova vida começou... e ela diz, então, qual é seu novo propósito de vida: ela não quer dinheiro, nem um trabalho significativo. Ela quer um homem, do qual possa estar ao seu lado e apoiá-lo, pois isso é algo que "só uma mulher pode fazer". Nesse momento, Sukeroku fica espantado, talvez por sua honestidade brutal, ou talvez por ele ser exatamente esse tipo de homem - dependente, que vive correndo atrás de mulheres, mas provavelmente nunca considerou um relacionamento sério. E ela diz então, se lamentando, que não deverá conseguir isso nem com o Kikuhiko, nem com o mestre, seus dois amores... O quão sedutora ela é nessa cena chega a ser um pouco assustador, porque essa cena tem um paralelo óbvio com o rakugo do suicídio duplo de amantes, já que eles falam isso perto de uma ponte, e bem como no rakugo, o cenário e as cores escolhidas pela produção são muito parecidas. Esse paralelo irá adiante mais para frente.






Bem, Sukeroku com um sorriso enorme e uma voz pesarosa diz que isso não é verdade, e ela então conclui que estava certa, afinal: você está tentando me consolar porque você é gentil. Ele encolhe a cabeça nos ombros, e ela diz: "bobinho, eu sei quando alguém quer romper comigo, quantas vezes você acha que eu passei por isso?". Sem esperar uma resposta, ela se levanta e vai embora, dizendo que já passaram os seus trinta minutos, e Sukeroku então a puxa pelo braço e a agarra. Ela fica assustada, e pergunta o que ele está fazendo, e nessa cena Sukeroku é literalmente um abusador assustador. Ele responde que "não sabe", e ela ordena que ele o deixe ir, e para piorar ainda mais esse momento, Kikuhiko chega e pega os dois abraçados. Isso é tudo que ele vê; ele não faz ideia do contexto.

Kikuhiko fala apenas, com todo o ódio contido do mundo: "voltei e o que eu vejo?". Ele diz que não queria interromper, então esperou eles "terminarem", e ela diz que nada realmente aconteceu e pede para Kikuhiko acreditar nela, agarrando sua camisa. Ele apenas pede desculpas por ter "interrompido o momento dos dois", que nunca foi realmente dos dois, enquanto Sukeroku coça a cabeça e praticamente ignora a situação ridícula que causou. Miyokichi, no entanto, se queixa por Kikuhiko não estar com raiva, e ele então pergunta: por que estaria com raiva? Ele acredita que não há motivos. Ela tenta bater em Kikuhiko, e ele a segura pelo braço com uma zombaria. Ela, então, o chama de idiota e sai correndo, empurrando o Sukeroku que estava no meio do caminho.

Sukeroku pergunta por que Kikuhiko não corre atrás dela, totalmente ignorando a conversa que acabou de acontecer ali: Kikuhiko disse que não havia motivos para estar com raiva, e vai manter sua palavra. Sukeroku manda ele "ser homem ao menos uma vez", e ele então grita dizendo que é, e essa é a maior mentira da sua vida. Kikuhiko diz que a ama, mas está pretendendo romper com ela, e portanto seria cruel ir inconsequentemente atrás dela, por isso pretende ter uma conversa franca mais tarde. Bem, toda essa cena é incrivelmente emocional em muitos sentidos, e ao mesmo tempo achei bastante... confusa? A personalidade certinha do Kikuhiko parece se estender até mesmo para os seus relacionamentos interpessoais, e se por um lado há algo de admirável nesse seu discurso, por outro, ele é definitivamente suspeito. Afinal, Kikuhiko ama a Miyokichi, mas como amiga? Se ama, por que mesmo sabendo de tudo isso a rejeita tão veementemente, sempre dando a mesma desculpa de que é por causa do rakugo e dos ensaios que precisa fazer? O que quero dizer é, será que afinal ele ama mais ao rakugo que encontrou do que a ela, assim como Sukeroku? Várias questões aqui, mas isso foi algo que realmente me pegou de surpresa. Enfim, depois falo mais do dramalhão mexicano que surgiu inesperadamente nesse episódio. Prossigamos...

Sukeroku então solta o pulso de Kikuhiko, que estava o segurando enquanto mandava ele ser um homem, e diz que não está em lugar de dar uma bronca nele. Eu diria "finalmente ele se tocou!", mas não direi. Enfim, Sukeroku pede desculpas e sugere que saiam para beber. No bar, Kikuhiko vai contando que o mestre lhe disse para encontrar uma mulher para casar, e que ele deveria romper com Miyokichi. Mais uma vez, esse diálogo me parte o coração, porque o mestre sugere que Miyokichi não é para casar ainda que o seu sonho fosse exatamente viver ao lado dele ou de Kikuhiko. Sukeroku questiona se Kikuhiko estaria rompendo com ela apenas porque o mestre mandou, e ele diz que não, pois sabe que isso é errado, no entanto diz que teme ser expulso caso desobedeça, com uma cara de pouco lamento. Ele diz que não quer estar com ela tanto assim. Sukeroku escuta tudo, e conclui que o que importa afinal é como Kikuhiko se sente. Ele diz, enfim, que não quer casar e realmente só quer ficar sozinho, pois acredita que combina mais com esse tipo de vida. Com isso, Sukeroku diz: "não me quer por perto, afinal, né?", e ele diz que é verdade, pois quando está com ele se diverte muito, vê coisas novas e quer compartilhar tudo com ele... e diz que gostaria de ficar com ele para sempre, ouvindo o seu rakugo, o que chega a soar romântico. Enquanto ele diz isso, Sukeroku olha com uma cara de estranhamento. Kikuhiko diz que para ele essa realidade seria fácil, no entanto ele não consegue competir com o seu rakugo, e por isso não seria bom...

Sukeroku, um tanto indiferente à sua dor pela inveja que sente, manda Kikuhiko não culpá-lo pelo que não pode fazer. Kikuhiko acaba se revoltando, e grita que não é como ele. Sukeroku não entende, e ele diz que, como Sukeroku está sempre andando na sua frente, ele não pode ver o quanto Kikuhiko sofre quando está com Sukeroku... Esse é o único momento, durante toda a conversa no bar, que ele demonstra, expondo, qualquer tipo de emoção real, e sabemos bem por que: toda a inveja e desconcerto que ele sente em relação ao Sukeroku são os sentimentos mais verdadeiros de toda a sua vida.

Sukeroku fica surpreso por ser assim que Kikuhiko vem se sentindo. Ele passa então a mão na sua cabeça, e Kikuhiko, com toda a raiva que sente por tamanha indiferença, dá um tapão no seu braço. Sukeroku então diz: "vamos chamar isso de nosso divórcio". E Kikuhiko diz, então, que está preocupado com ele. Sukeroku pergunta por que, e Kikuhiko repete as palavras do mestre, que por sua vez eram as palavras de outro mestre, não as palavras exatas mas sim a sua própria interpretação delas: "Seu comportamento é sujo, ele se comporta mal com as mulheres, não para de performar trabalhos avançados, seu comportamento é sujo, ele anda por aí como se fosse dono do lugar"... a verdade é que ele disse que seu comportamento é sujo duas vezes, ao invés de dizer que ele não respeita os mestres, e então Sukeroku questiona por que duas vezes essa parte. ^_^; Enfim, Kikuhiko diz que ele realmente deveria ouvir os mestres e a ele com uma frequência maior. Sukeroku entende, mas diz que a verdade é que ele ama rakugo - é por isso que ele faz rakugo, e isso é tudo que há. Seu sentimento é muito puro e honesto, e isso arranca uma expressão de surpresa do Kikuhiko. E nesse momento, Sukeroku diz que escolheu fazer rakugo porque é isso que ama, e que "no fundo, somos iguais". Aparentemente, Sukeroku pensa aquilo que eu havia teorizado (e o pessoal que comentou no post do episódio 7 também, grata!): apesar de ter trilhado um caminho muito mais longo até lá, o fato é que ambos amam aquilo que fazem e não tem a intenção de desistirem, nem que seja por amor.

Mudando o tom da conversa para rakugo, Sukeroku então diz que o Japão está mudado, e as artes estão mais complacentes, mas que se querem fazer rakugo para as massas, as coisas devem mudar. Ele diz: olha como todos estão felizes, por conta da música, e que rakugo não é a única forma de entretenimento que há. Por isso, em um mundo cheio de entretenimento, ele quer criar um caminho para o rakugo sobreviver. Kikuhiko, então, diz que o rakugo irá sobreviver independentemente, e Sukeroku apenas ri como quem crê saber de algo a mais. Ele diz que, por hora, se contenta em fazer histórias que as pessoas gostem, e que precisa de um rakugo que nunca mude também. Ele conclui, então, que esse é o trabalho de Kikuhiko: ele deve fazer as histórias que não mudem, enquanto Sukeroku fará as histórias que mudem para se adequar às pessoas, e manda Kikuhiko não esquecer dessa promessa. Kikuhiko concorda, e assim eles ficam no bar...

À noite, ao saírem do bar, Sukeroku diz a Kikuhiko que quer lhe pedir uma coisa. "Dinheiro?" ele pergunta. "Bingo!", Kikuhiko diz. Sim, ele quer dinheiro, para variar, e Kikuhiko nota que foi fácil pois essa é a única coisa que ele sempre lhe pede. Kikuhiko então se queixa que essa é a única coisa que ele pede, e ele tenta se justificar dessa vez, dizendo que não fez muita coisa além de beber e ir em ofurôs enquanto Kikuhiko não estava, e agora ele o pediu para sair de casa tão subitamente... bem, Kikuhiko diz então que essa é a última vez, e lhe dá o dinheiro. Com a mesma animação aparente de sempre, Sukeroku se questiona se ele tem um presente de despedida para lhe dar, e então pega um leque que tem consigo para lhe dar.

Kikuhiko dá um tapão no braço do Sukeroku, jogando o leque no chão, e eu confesso que nessa cena, meu lado coração mole ficou muito triste. ^_^; Sukeroku fica realmente bravo, chamando Kikuhiko  de algo como babaca e acusando-o de não saber o que é aquele leque, e Kikuhiko pergunta então se ele não levou aquilo consigo quando era uma criança aprendiz, mostrando-se mais perceptivo do que Sukeroku imaginava. Ele muito sincero diz que sim, e Kikuhiko pergunta o que é aquela coisa que ele protege com a sua vida... e ele diz que é seu amuleto da sorte. "Esse leque?", Kikuhiko pergunta, e Sukeroku explica que é o nome do homem que cuidava dele no teatro. Ele conta, então, a história da sua infância antes de conhecer Kikuhiko...




Quem deu o leque a ele, Sukeroku (vulgo Shin), foi um senhor de nome Sukeroku, que o apresentou o rakugo no teatro onde ele morava quando era pequeno. Ele, que havia sido ensinado pelo yakumo anterior ao mestre deles dois - o qual talvez nem mesmo se lembre dele - acabou nas ruas, mas assim chegou ao teatro e ensinou tudo o que sabia para Sukeroku. Ele então passa o leque a Shin, pedindo que ele seja o Sukeroku da segunda geração, brincando, já que ele não poderia lhe passar o título de yakumo... essa parte aqui eu não entendi muito bem, mas o que Sukeroku diz é que ele era um ótimo mestre, e morreu sem dinheiro em um teatro, e por isso ele teve um medo de que um dia aquele fosse ele. Foi por isso que ele chegou no mestre, jurando herdar o seu título, pela fina ironia de ter um yakumo de nome Sukeroku... e depois de contar sua bela história, Kikuhiko já está sensibilizado, e Sukeroku insiste e pede para ele cuidar do leque como se fosse cuidar dele. Kikuhiko diz então que talvez ele devesse ser a terceira geração do nome Sukeroku, e diz que, indo por habilidade e mérito, ele deve se tornar yakumo em pouco tempo. Kikuhiko diz que também acha isso, e então Sukeroku estende a mão a ele para que ele levante, dizendo para fazerem seu melhor. Kikuhiko aceita a mão e levanta, porém Sukeroku o puxa e o abraça, chorando pois ainda assim é difícil dizer adeus... Kikuhiko reclama porque ele fede e diz que deve tomar um banho, e as pessoas que passam na rua olham assustadas.

Enfim, depois dessa cena vemos o atual mestre em sua casa, orando em frente ao altar da família Yurakutei. Esse é o primeiro momento em que vemos algo a mais da história ou da personalidade do mestre yakumo - com uma personalidade que parece muito semelhante à do Kikuhiko, nosso yakumo futuro, eu confesso que simpatizo com ele. Ele diz, aliviado, que esse foi o último dos encontros shin'uchi, que foi difícil fazer com que os aprendizes que eles criaram fossem aceitos, e que esse deve ter sido o mais duro que ele deu por alguém em sua vida. Conversando com Matsuda, este pergunta se os dois serão aceitos como shin'uchi, e ele diz que sim, mas foi difícil. No entanto, como eles tem progredido e são populares, foi possível. E então eles bebem juntos.

Então, o mestre pega o recorde familiar da família Yuurakutei, no qual residem os nomes de todos os mestres. Ele normalmente fica no altar, mas nessa noite o mestre os pegou para comemorar. Diz que foi com seu pai, da sexta geração, que o nome ganhou mais prestígio, e que ele precisou passar por muito para carregar esse legado, mas no entanto ele não conseguiu. Matsuda diz que não é verdade, que ele carregou esse legado brilhantemente, e ele apenas suspira e diz que é grato se assim parece, mas ele diz que sempre tem a sensação de que vive à sombra do seu próprio nome. Nós, que já sabemos da história de Sukeroku, podemos supor que ele tem alguma parcela de culpa na sua situação, mas nada fica muito claro.

Depois disso, nas últimas cenas do episódio, vemos Sukeroku andando sozinho pela rua à noite, e Kikuhiko ensaiando um rakugo um tanto macabro com uma expressão assustadora - o que me lembrou o rakugo do episódio 1, que era também um rakugo de terror e que foi muito bem apresentado. Acredito que em algum momento o seu estilo tenha mudado, e assim, que tenha se aproximado mais do rakugo de terror. Enfim, ele apresenta sozinho o rakugo sobre "algo que, se não tentar muito, vai sair", provavelmente traçando um paralelo com Sukeroku indo embora. E então se cansa e suspira, cabisbaixo... ele pega então o leque, e vê o nome: Sukeroku. Ele bate, e assim o fecha, terminando mais um episódio incrível - se não excessivamente dramático.

Sim, a cena da discussão entre Kikuhiko, Sukeroku e Miyokichi foi excessivamente dramática, uma coisa meio de dramalhão mexicano inesperado. E o que dizer então da história do Sukeroku, que chegou a me fazer lacrimejar um pouquinho? Esse episódio pegou pesado em todos os tipos de drama possível, mas não significa que não tenha sido mesmo assim um episódio excelente. Eu fiquei muito feliz por saber mais sobre a história do Sukeroku, que é uma história muito bonita, e o que o levava a ter aquela atitude super confiante, de alguma forma. Outra coisa interessante foi em relação ao mestre, que parece se sentir culpado por não carregar o nome da família Yuurakutei adequadamente, mas por que? Ele não parecia necessariamente um mestre ruim, mas isso certamente tem a ver com Sukeroku, alguma responsabilidade que ele sente que não cumpriu talvez. Por favor, comentem aí o que acharam dessa cena e da história deles!

É interessante ainda como nesse episódio vemos um lado totalmente diferente da Miyokichi. Aquela Miyokichi sedutora, que gosta de artes e tem uma personalidade incrível de antes, agora revelou um lado totalmente diferente - uma Miyokichi que no passado se quebrou, e desde então vem se reconstruindo para realizar seu sonho humilde de se casar com um homem... ela, firme no seu papel feminino na sociedade obviamente machista em que eles vivem, acredita que essa é uma coisa que só ela pode fazer como mulher, e é o que ela deseja portanto: ser especial para alguém. É interessante também como Sukeroku é exatamente esse tipo de pessoa, e ao mesmo tempo ele passou por situações muito parecidas - de ter sido abandonado, de repente se ver sozinho, e de ter sido "salvo", digamos assim, por um artista de rakugo. E aí já vemos um cenário sombrio se montando...

Por falar em cenário sombrio e no sofrimento da Miyokichi, e, claro, no machismo que há naquela sociedade, a realidade daquela cena foi a seguinte: Sukeroku a abraçou num ímpeto irracional, provavelmente pela identificação que sentia com ela e uma obrigação que sentia de consolá-la, ainda que ela não quisesse seu abraço e não quisesse ser consolada, aparentemente. Então, por que ele fez isso exatamente é um mistério, mas o fato é que ele chegou a ser agressivo e a consequência disso foi Kikuhiko pegando os dois... e culpando apenas Miyokichi por isso. É óbvio o quão frustrada ela deve se sentir, não? Com uma história de vida tão ferrada, uma reconstrução baseada no amor que sentia pelo mestre, que basicamente a entrega para Kikuhiko e depois fala que ela não é para casar, e Kikuhiko culpando-a por algo que ela absolutamente não fez... é, não está fácil ser Miyokichi, e acho que, se ela realmente jogou tudo pro alto como imaginamos, o motivo já está evidente. Por isso penso que esse episódio já é, digamos, desenvolvimento para o tal do suicídio duplo de amantes. Isso se já não tiver sido o tal suicídio, dependendo da interpretação à qual vamos chegar. Mas isso são cenas dos próximos capítulos!~

Para falar então da parte técnica, em diversos momentos do episódio aparecem animações em CG - folhas e bocas se movendo, por exemplo - que me fizeram pensar no quanto o Studio DEEN deve estar investindo na animação desse anime. Novamente, a trilha sonora está muito boa, e eu queria compartilhar aqui o link postado em uma comunidade do Facebook, que o Fábio Mexicano do Anime 21 compartilhou no post do episódio anterior. Sim, a OST já saiu, aqui estão os links, para quem mais estava querendo!

Enfim, novamente, mais um episódio incrível e agora parece que estamos nos encaminhando para o clímax do anime: o suicídio duplo de amantes do título, que, pelas imagens do preview, não parece ser algo literal - parece ser um tanto metafórico, mas ainda assim incrível. Espero que vocês tenham gostado do post, e deixem aí nos comentários o que acharam do episódio e o que tem achado desse anime incrível, por favor! Agradeço de coração as visitas e os comentários, como sempre, e até a próxima!~ ♡



Preview do episódio 9:



4 comentários:

  1. Bom dia!

    Nunca perguntei, mas você escreve seu artigo enquanto vai assistindo o episódio? Tem gente que faz isso, e assim facilitaria fazer o resumo conforme você gosta de fazer. Eu particularmente não uso esse método, estou apenas curioso =)

    Sobre a parte que o Yakumo fala pro Sukeroku o que o mestre disse sobre ele, na minha legenda estava idêntico. Pode ser erro do fansub, eu precisaria escutar para ter certeza.

    Da forma como você descreveu o diálogo da promessa no bar dos dois, eu acabei entendendo-o de uma forma totalmente diferente do que havia entendido antes. Até então apenas via Yakumo e Sukeroku como os dois lados da mesma moeda, em pé de igualdade, mas da forma como você colocou - Sukeroku abre o caminho e Yakumo traz o rakugo que não muda - as coisas assumem uma ordem e, sem surpresa, o Sukeroku está na frente. Qual foi a intenção dele quando disse aquelas palavras? Não sei. Mas imagino que seja mais provável o Yakumo ter entendido da segunda forma.

    Como nada vem de graça, em meu artigo especulei sobre o Sukeroku ser expulso ou algo assim, um rompimento com o próprio mestre. Agora vou desenvolver isso aqui um pouco mais (suas descrições sempre ajudam): Ele contou a história do verdadeiro Sukeroku, dizendo que ele treinou rakugo junto com o atual Yakumo "mas ele nem deve se lembrar", e que era um excelente contador de histórias. Ao mesmo tempo, o atual Yakumo sente que não fez jus ao título - ele é filho do mestre anterior, a probabilidade de ter sido escolhido apenas por isso é grande. Coincidências existem na vida real, mas na ficção nem tanto, não é mesmo? Talvez ele se lembre sim, e muito bem, do Sukeroku. Talvez também se sentisse inferior ao então Sukeroku. Talvez a relação Sukeroku-Yakumo seja mais antiga do que parece. E talvez hajam aí segredos que, quando o Sukeroku descobrir, levarão à tragédia (ou a um rompimento pelo menos).

    Agora, deixe o desbravador de "dramalhões mexicanos inesperados" assumir o// Embora eu seja mexicano apenas por maioria de votos e a única novela mexicana que eu assisti tenha sido Pérola Negra. Enfim. Como eu vejo, agora: Yakumo sempre evitou se envolver demais com a Miyokichi (independente da discussão sobre sua sexualidade) porque ele, sempre uma pessoa que segue as regras que é, sabia que não poderia ter nada sério com uma gueixa - e por ser certinho não conseguiria apenas usá-la, como Sukeroku fez com várias mulheres. Acho perfeitamente possível (veja bem: possível; não tenho certeza) que ele estivesse apaixonado de verdade. Romanticamente apaixonado (lembrando aqui o que eu disse no meu artigo: os símbolos japoneses e ocidentais são diferentes - inclusive os que indicam romance). Sua última esperança talvez fosse que seu mestre não tocasse no assunto para sua promoção para shin'uchi, nível no qual, suponho, ele teria mais liberdade para fazer o que quisesse. Não deu. E em parte talvez não tenha dado por causa do Sukeroku: seria injusto ele passar na frente, mesmo sendo bom o outro ainda era melhor, mas os mestres o detestavam.

    Por isso que, consciente ou inconscientemente, ele escolheu se afastar do Sukeroku também: tentou a vida inteira mas absolutamente não conseguiu ultrapassá-lo, e isso custou-lhe caro. Por fim, de coração partido, decidiu que viveria sozinho. É a cara dele. Ele é super-estrito e chato pra caramba, como as duas pessoas que mais o conhecem e mais o amam reconhecem, então imagine o tipo de vida que a Konatsu levou. Mesmo assim, ter ela consigo talvez seja uma das maiores alegrias (porém com culpa, se ele tiver mesmo alguma na morte dos pais da garota) de sua própria vida.

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    1. Olá! :)

      Sim, eu faço isso mesmo. Na verdade, eu costumo assistir pelo menos uma vez, e depois assisto de novo e vou escrevendo o que eu noto. É bom, porque às vezes eu acabo notando coisas novas. Mas eu confesso que faço isso por puro vício, não se intimide, rs.

      Eu tenho certeza que ele falou duas vezes que ele é sujo, pois o Sukeroku pergunta "por que duas vezes", provavelmente zoando esse fato, não? Se o mestre também fala, eu confesso que não me lembro, mas quando assisti fiquei com a impressão de que os fansubbers tinham escrito de um jeito diferente sim. Não cheguei a checar depois.

      Olha, não diria que Sukeroku está na frente, mas ele estava sendo ele mesmo - se admitindo como inovador, e eu acredito que ele só tem noção dessa sua tendência por ter se comparado com Yakumo, mesmo, ainda mais depois que Yakumo desabafou com ele sobre as suas dificuldades e por ele estar sempre na frente - enquanto Yakumo tinha acabado de fazer uma confissão. Como ele tem uma tendência a ser mais protetor e cauteloso, pra não dizer conservador, o Sukeroku mandou ele fazer o rakugo mais conservador. Eu não acho que rolou nenhuma maldade da parte de Sukeroku, acho que ele só "mandou a real" e o Yakumo, que é normalmente mais perspicaz para essas coisas de percepção social, acatou. Enfim, achei que foi uma cena não de igualdade, mas de complementaridade e, por consequência, parceria. Foi um "divórcio", mas digamos que não foi litigioso, rs.

      Muito obrigada por expôr sua opinião aqui! ^_^ Sim, eu estava pensando algo assim - que houvesse a intenção de fazer um paralelo aí, mas não tinha conseguido chegar exatamente em qual foi esse paralelo. Sim, ele era o favorito, provavelmente, e acabou se perdendo. Sim, chega a ser uma coisa de tradição Sukeroku-Yakumo mesmo, bem interessante. Pensando agora por esse lado, o desfecho de Rakugo Shinjuu vai ser ainda mais sofrido... Mas, ao menos pelo que vemos até agora, eu não acho que o rompimento deles vai ter a ver com isso. Se vai ser um assassinato ou não, ainda é um mistério, mas parece ser algo de ordem passional... ao menos até agora.

      HAHAH fui falar em mexicanos! Olha, apesar de você saber da minha opinião (de que eles dão um bom ship, rs), eu não acho que você está errado, eu concordo plenamente que ele podia estar apaixonado. Eu não acho possível, porém, que ele estivesse contando com algo do mestre ou de alguém. Ele sabia da realidade da situação de ser promovido a shin'uchi, e ele sabia o que ele queria fazer se tivesse que escolher entre a Miyokichi e o rakugo: rakugo. Como, aliás, você disse no seu post e eu concordo. E provavelmente é o que ele esperava que Sukeroku fizesse também, mas então, quando ele fica com a Miyokichi... será que é isso? Bem, isso são cenas dos próximos episódios. ^_^

      Eu acredito que sim... o Yakumo tem esse problema sim, de afastar as pessoas por medo, né? HAHAH "chato pra caramba" é uma boa justificativa para isso, e sim, ele provavelmente fez isso com a Konatsu também - muito bem pensado, aliás! Eu também gosto de acreditar que no fundo, no fundo, ele gosta muito dela. Dela, e da sua família, apesar dos possíveis traumas... Acredito, ou pelo menos espero muito, que nos últimos episódios vamos ter o fim do flashback e um episódio no presente, nem que seja um outro OVA. Eu gostaria muito de saber o que ele pensa depois de revisitar essa história toda... E aliás, também quero muito ver o outro OVA, que pelo jeito ainda não foi traduzido. Não consigo cansar desse anime. :)

      Enfim, muito grata pela visita e pelo comentário, Fábio! Até!~

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  2. Já assistiu o 9? Não quero adiantar comentário nem nada, mas acabei de assistir e é um dos melhores episódios. E pela prévia, a Konatsu criança aparece no 10! Quero logo o ep 10!!!

    Desculpe, precisava desabafar, acho, LOL

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    1. Oi, Fábio! Assisti sim! Eu não consegui ter tempo pra sentar e escrever ainda, justamente porque tenho MUITA coisa pra falar... foi realmente sensacional, não?! Eu fiquei até sem ar quando terminei de assistir, HAHAH. Logo mais faço o post! :D Abraços!

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