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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 6 - Ser um homem feminino...


Olá! Como vão?

Segue aqui o post do episódio 6, que novamente atrasou porque andei ocupada com coisas como o Sorteio que vocês devem ir conferir! Yay!~ ^_^ Enfim, o episódio 6 foi incrível, e o episódio 7 promete ainda mais. É incrível como esse anime se mantém numa curva ascendente, mas deixarei pra falar disso com mais certeza e propriedade no post do episódio 7.



O episódio 6 começa com Kikuhiko tirando sua maquiagem de mulher, lembrando-nos do espetáculo do episódio anterior. Ao mesmo tempo em que isso acontece, Sukeroku se despede de Miyokichi, perguntando por que ela já está indo "tão cedo"! Não, Kikuhiko não foi sequer vê-la ir embora, e Sukeroku então se oferece para levá-la. No entanto, Matsuda-san já havia se oferecido para levá-la, não sem que ela possa antes dizer "você é surpreendentemente gentil...", com um sorriso sarcástico de quem no mínimo sabe de algo, ou está obviamente zoando de sua "gentileza" com interesses outros. Essa é a primeira conversa que vemos só entre os dois, de qualquer forma, o que é bem importante considerando o que sabemos até agora sobre a Konatsu e tudo mais.

Depois disso, a cena volta para a comemoração do sucesso do espetáculo. No interior da casa, muitas pessoas celebram o sucesso do espetáculo, gritando "kanpai!" e bebendo alucinadamente. Kikuhiko, no entanto, bebe muito discretamente num canto, e ao seu lado está Sukeroku, já bebado e jogado no chão. Ele repreende Kikuhiko por "deixar uma mulher voltar sozinha pra casa", ao que Kikuhiko responde - com muita razão - que não merece ouvir lições de um "mendigo" que nem ele. Sukeroku diz para Kikuhiko não falar assim com "seu irmão mais velho", e é engraçado que ele se veja dessa forma, pois Kikuhiko acredita que, tendo sido aprendiz primeiro, ele que é o irmão mais velho; ou seja, nenhum dos dois sabe, aparentemente, a sua idade exata. Esse fato triste que ficamos sabendo precede outros eventos tristes do episódio, que veremos em seguida...

Sukeroku tenta arranjar briga, bêbado, e logo em seguida diz que não quer brigar. Apesar de estar assim, totalmente desnorteado, ele começa a falar sobre como o espetáculo foi um sucesso, como o próprio Kikuhiko deve estar feliz com a resposta da audiência, e que uma pessoa "não pode sair depois de receber uma resposta assim da audiência"... a verdade é que mesmo bêbado o Sukeroku é essa pessoa toda dominadora. Confiante, que sabe o que quer pra si - e pros outros, e ele chega a impôr suas vontades. Ele se joga no colo do Kikuhiko, que fica totalmente confuso, e começa a contar por que decidiu que quer fazer rakugo para a sua vida. Conta que, quando estava na guerra - na Manchúria, descobrimos então; tratava-se da invasão da Manchúria pelo Japão - Sukeroku explica que quando estava na Manchúria, ele quase morreu muitas vezes, mas quando fazia rakugo pros soldados via suas expressões felizes de quem tinha um raro momento de alegria, muitas vezes não tinham acesso sequer ao rádio. Ele diz que ama ver rostos felizes, como já tinha dito no episódio anterior, e esse é o seu motivo de ter escolhido fazer rakugo.

Kikuhiko apenas ouve atentamente o bêbado falando no seu colo, até que Sukeroku pergunta: "e quanto a você?"... Kikuhiko, como bem sabemos, não tem - pelo menos por enquanto - um motivo tão claro; a vida o levou pelo rakugo, e ele foi. Antes que ele pudesse sequer pensar numa boa resposta, no entanto, Sukeroku dorme no seu colo - o que, apesar de deixá-lo chocado, aparentemente é algo recorrente. A cena corta para quando os dois já estão no quarto, dormindo, mas Kikuhiko não consegue dormir e acaba saindo para passear de madrugada. Caminhando no meio da madrugada, ele começa a refletir sobre a pergunta de Sukeroku: por que eu estou fazendo isso?... Ele afirma, então, que nunca sequer pensou sobre isso antes.

Na água da cachoeira para a qual ele está olhando, Kikuhiko vê o pequeno Bon. E ele se lembra, então, de como era sempre frenético naquela época... pois precisava de um lugar para morar, e por isso estudava rakugo incansavelmente sem mesmo gostar ou se perguntar por que. Temos, então, flashbacks do seu passado ainda mais distante (sim, ocorreram flashbacks dentro do flashback que é a sua narrativa pessoal!): de um Kikuhiko na casa de geishas, onde ele tem dificuldades pra dançar como as moças, e então em um dado momento, ouve algumas sentadas fazerem comentários maldosos - como "um garoto nunca poderá ser uma geisha..." - ele acaba parando de dançar e desistindo, e fazendo uma cara triste. Depois, vemos Kikuhiko mancando pela casa à noite, e ouvindo as mulheres fofocando sobre "o pobre garoto" enquanto costuram - uma atividade tipicamente feminina. O fato é que Kikuhiko, durante toda a sua infância, se sentiu pressionado e teve sua própria validade pessoal questionada por ser do sexo masculino. Uma das mulheres acaba dizendo, enfim, que ele será expulso, e completa: "se ele tivesse nascido mulher...".

Quando pensamos dessa forma, faz todo o sentido que ele tenha adotado trejeitos femininos desde aquela época. Ao mesmo tempo, é até compreensível que tenha ressalvas com mulheres. E penso que talvez seja interessante tentar rever no futuro Rakugo Shinjuu com a consciência do que Kikuhiko passou na infância, e tentar revisitar sua relação com o feminino. Enfim, vemos então Kikuhiko subindo a escadaria com a senhora, e o próximo flashback já se passa no universo do rakugo: Kikuhiko e Sukeroku, na época Bon e Shin, ouvindo um rakugo do mestre. Shin está muito empolgado e sorridente, e Kikuhiko apenas triste, como sempre. Depois disso tudo, o flashback termina, e voltando ao presente, Kikuhiko se pergunta: para quem é meu rakugo? Pois nunca teve sequer tempo para se perguntar sobre isso, afinal era tudo que podia fazer para sobreviver... E ao se virar, vê um belo sol brilhando entre as nuvens no fim da tarde.

Na cena seguinte, temos Kikuhiko trabalhando como garçom. Ele atende as mulheres que frequentam o restaurante cordialmente como sempre mas, para sua surpresa, elas comentam que foram vê-lo no teatro, que gostaram da sua peça e que querem ver mais, ainda que ele escondesse seu status de artista. Kikuhiko, que não consegue conter um sorriso, diz a elas que é apenas um estudante, fazendo um gesto com o dedo pedindo para guardarem este segredo. E agradece a elas, que ficam encantadas com o seu comportamento galante, como sempre. Ele então dá boas vindas à mulher que entra, que para sua surpresa é uma Miyokichi excepcionalmente bem arrumada à moda urbana. As mulheres que frequentam o local ficam cochichando ao vê-lo com uma linda mulher, enciumadas - por que eles estariam juntos? Kikuhiko certamente passa uma imagem muito misteriosa, o que provavelmente é atraente para aquelas mulheres.

Os dois vão embora juntos. no metrô, e Miyokichi vai durante todo o caminho elogiando (para não dizer bajulando, com o tanto que ela estava elogiando...) Kikuhiko, dizendo que não sabia que ele era tão bom ator. Ele diz, sempre estóico, que praticou muito para isso. Miyokichi sugere então que, já que ele não se acha apto para o rakugo, que tal se ele fosse ator? Mas Kikuhiko apenas revira seu olhar, e ela diz que foi uma brincadeira - provavelmente ao sentir que ofendeu o Kikuhiko que, ainda que sem motivo e não tão assumidamente quanto Sukeroku, certamente gosta muito do rakugo também. Mas Miyokichi persiste que estava certa sobre ele ter muito charme, e afirma que ninguém conseguia tirar os olhos dele durante a peça.

Chega a me causar um desconserto o quanto ela insiste em agradá-lo, e ele absolutamente nem aí, mas tudo bem. Kikuhiko confessa, então, que nunca teve uma reação assim da audiência, e que se ele pudesse fazer rakugo com uma reação assim, ele certamente o faria. E é interessante como essa é a primeira vez que ele expressa, de verdade, ter gostado daquela reação do público - não para Sukeroku, que o questionava incessantemente, mas sim para Miyokichi que já se tornara uma confidente. Nesse momento, o trem chacoalha, e então Miyokichi aproveita para agarrar o braço de Kikuhiko. O gesto o deixa assustado, a julgar pelo quanto ele abre seus olhos. O fato é que sempre que Miyokichi se aproxima muito fisicamente, Kikuhiko fica desconsertado ou assustado, e o anime faz questão de mostrar isso. Mais pano para manga para a questão da sua sexualidade? Bem, o fato é que Miyokichi tenta encorajá-lo, dizendo que ele consegue sim, e que gostaria de ver uma apresentação de rakugo nesse estilo - mais erótico, supomos - dele.

Já de volta em casa, vemos que ele está, de fato, ensaiando um rakugo erótico. Temos um momento de animação brilhante da sua boca, enquanto ele ensaia o rakugo do título, o do "suicídio de amantes". Nesse momento, aprendemos mais sobre Kikuhiko. No trecho que ele ensaia, a protagonista se questiona: "O que eu faço? Eu preciso de um parceiro para um suicídio de amantes, mas quem é o pobre homem que eu escolheria...", e ele vai falando suas palavras em um tom feminino. "Ah, eu sei, aquele bacharel, Kinzo-san, o vendedor de livros!"; enquanto Kikuhiko faz caras e bocas, Sukeroku entra, muito bêbado e atrapalhando totalmente o seu momento.

Sukeroku questiona o fato de ele estar praticando de novo, e diz que ele deve mesmo amar praticar - o que pode soar um tanto irônico para nós, espectadores, mas relevemos. E como uma digna tsundere, ou uma criança que brinca de faz-de-conta e se esconde assim que os pais chegam em casa, Kikuhiko se vira e diz: "e vejo que você não se cansa de ficar perambulando pela cidade bebendo e rindo que nem um idiota". Isso no entanto não afeta Sukeroku um mínimo, e Kikuhiko continua seu ensaio como se não houvesse mais ninguém ali. No entanto, Sukeroku logo o interrompe perguntando se é Shinagawa Shinjuu que ele está ensaiando, e ele diz que sim e que pensou em fazê-lo no próximo encontro de estudos do grupo de rakugo. Sukeroku, então, afirma que a audiência vai amar, como a peça de teatro deixou claro que ele é "realmente feito para temáticas sexy, como eu havia dito".

Sim, o Sukeroku disse isso no episódio 3, lá no passado, pra quem não se lembra. O Kikuhiko  certamente não se lembrava, tanto que essa fala o faz arregalar os olhos. Nesse momento, vemos a mão de Kikuhiko que segura o leque tremer: sim, é verdade, ele havia dito, e só agora ele percebeu isso. E então temos o flashback de quando Sukeroku sugere que Kikuhiko faça rakugo erótico, o que - como só descobri agora - parece que ele ainda não vinha fazendo. Enquanto Sukeroku dorme tranquilamente como se nada acontecesse, Kikuhiko tem uma realização: "Isso significa que ele descobriu tudo? O que eu precisei daquela peça pra descobrir, ele já sabia? Ele está sempre a frente de mim". Aparentemente, a reação do público realmente mexeu com Kikuhiko, que agora decidiu que faria rakugo erótico e interpretaria personagens femininas. Mas isso não surpreendeu em nada Sukeroku, que acreditava nisso o tempo todo, e afirma que Kikuhiko era feito pra isso, e o público irá adorar - com toda a confiança que ele sempre tem...

Kikuhiko sorri enquanto contém um choro em meio a uma música melancólica - e essa cena é muito, muito melancólica. Para falar mais dessa cena, a OST de Rakugo Shinjuu continua maravilhosa. Enfim, metáforas imagéticas aparecem - uma gota cai simbolizando uma lágrima, e uma estaca é cravada no seu coração. O fato é que toda a cena é muito silenciosa, mas ao mesmo tempo fica claro que representa muito. O que é esse "muito"?  Eu fico em dúvida de como deveria interpretar a cena pelas imagens, mas o fato é que ele se sente profundamente traído. Traído pelo que? Quando penso na teoria do "elefante branco no meio da sala", ou de que todo mundo vê o Kikuhiko como feminino, e ele faz um esforço para não aparentar... é como se naquele momento ele tivesse tido a sua confiança traída. Eu posso estar errada aqui, mas adoraria discutir essa cena!

Enfim, depois disso, vamos parar no encontro de estudos de rakugo. O primeiro a se apresentar é Sukeroku. Vemos Kikuhiko sentado em um fundo preto, escutando-o - o anime parece buscar representar que ele está absorto, nem mesmo ouvindo as palavras de Sukeroku, enquanto este recita um rakugo sobre o inferno estar com problemas porque um deus estava perdoando os pecados por um valor barato, mas eu não tenho certeza se ele estava realmente absorto. O interessante, porém, é que enquanto Sukeroku apresenta o rakugo exatamente da mesma maneira de sempre, a reação do Kikuhiko a ele é muito diferente - ele reclama, dizendo que não aguenta sequer ouvir, e que aquilo o deixa desconfortável porque não é um tipo de rakugo que ele consegue fazer. Enquanto todos riem, Kikuhiko se pergunta: para quem é meu rakugo? E, na hora em que o espetáculo de Sukeroku se encerra, e chega a vez de Kikuhiko apresentar, ele diz: deixa para lá, eu tenho o meu próprio rakugo.

É nessa cena que vemos os olhos dele se abrindo violentamente, como tinhamos visto na preview. As moças tocam o shamisen, e ele entra com um olhar compenetrado. Miyokichi aplaude muito entusiasmadamente, e ela não é a única com grande expectativas - por um buraco numa parede, Sukeroku também o assiste. Ele começa, então, a interpretar o início do rakugo que já vimos: Osome é uma geisha que, por estar ficando velha, já não recebe mais presentes e por isso quer um parceiro para um suicídio duplo. Ela pensa então em chamar Kinzo, que voa para vê-la. Conforme o público vai demonstrando reações de surpresa com os gestos femininos de Kikuhiko, ele se torna mais confiante.As expressões são unânimes - de surpresa pelo novo lado que Kikuhiko está mostrando, e ele, por sua vez, interpreta ainda mais entusiasmado o papel da cínica Osome e sua história de humor negro.

Fazendo isso, ele começa a perceber como, na verdade, ele nunca esteve fazendo rakugo para os outros, mas sim para si mesmo; para ter um lugar para si, em que fosse tudo bem estar. E não é exatamente isso que o rakugo fez por ele, afinal? Se a princípio ele fazia rakugo literalmente para ter um lar para dormir e comer, durante a guerra ele começa a fazer rakugo para se reencontrar, e finalmente admite para si que gosta, sim, de rakugo. É para ter um "lugar" emocional para si que ele faz rakugo - e talvez seja por isso que ele finalmente admitira que quer interpretar mulheres, e fazer rakugo erótico? Enfim, ficam as questões. Voltando ao rakugo, Osome conta para Kinzo que decidiu se matar, mas queria uma companhia - e quer pra aquele mesmo dia, a noite. Kinzo fica assustado, mas ela insiste que gostaria de estar com ele no próximo mundo, e ele então decide que precisa dar um jeito de contar isso para o seu chefe, porque aparentemente sua maior preocupação quanto ao suicídio duplo era como contar para o seu chefe...

Kikuhiko continua interpretando a história, mas agora nós o vemos em uma sala; uma sala vermelha, cuja simbologia eu confesso que não entendo plenamente, mas me parece com uma casa de geisha pelo formato decorativo da lâmpada amarela. Será? Deixem nos comentários suas interpretações, por favor! Voltando ao rakugo, Kinzo acaba indo ao encontro de Osome no meio da madrugada. Eles combinaram de cortar suas gargantas ao mesmo tempo, mas na hora H, Kinzo não teve coragem. Osome, então, se enfurece: "você estava mentindo quando disse que morreria comigo?!"; nesse momento, vemos Miyokichi, que estava assistindo a tudo, com uma expressão deveras preocupada, o que me fez questionar se ela estaria pressentindo algo... Bem, continuando, como Kinzo não teve coragem de cortar sua garganta, Osome sugere então: que tal se pularmos no mar? Osome empurra Kinzo no mar, pronta para pular também, até que alguém chega e diz que pagaria por ela. Ela, então, começa a chamar Kinzo - que estava no mar, e não sabia nadar... - dizendo que ele havia pulado cedo demais, e se despede dele, desistindo do suicídio!

Bem, Kinzo consegue se levantar, e sair daquela situação, indo até a casa do chefe e assustando a todos os presentes. Assim termina o rakugo, que possivelmente rende o título dessa obra e por isso possibilita muita análise. O ponto cômico (ainda que seja de humor negro, na minha opinião) do rakugo é provavelmente a irracionalidade de Kinzo, e ao mesmo tempo, a malícia nada sutil de Osome. A Osome é engraçada na medida em que faz exatamente aquilo que quer, e o Kinzo é tão incrivelmente bobão que sua maior preocupação quando Osome pede para que se mate com ela, é como justificar isso para o chefe.

A graça para os espectadores, no entanto, é a feminilidade dos gestos de Kikuhiko ao interpretar a Osome. Ao final do rakugo todos na plateia aplaudem muito, inclusive Miyokichi, pra não falar de Sukeroku, que durante toda a apresentação riu demais. Ao sair do local, Kikuhiko é questionado por um dos senhores por que ele estava tão bom, e ele diz que "é segredo". Um outro ponto interessante nesse episódio, para falar da feminilidade do Kikuhiko, é o fato de que ele foi misterioso e manteve segredos em diversos momentos. Eu gostaria de ter fontes mas não tenho, mas esses dias vi no Twitter uma screencap de um anime, qual não me recordo, que dizia que uma mulher "é mais feminina quanto mais segredos ela tiver". Como é um anime, assumi que era uma visão de feminilidade tipicamente japonesa. Bem... como nesse episódio o Kikuhiko foi extremamente secretivo, talvez isso seja mais uma pista da autora, mas eu não tenho como ter certeza - essa é só uma dica para ficarmos atentos!

No geral, eu acho que o tema central desse episódio foi, claro, a (re)construção do Kikuhiko como um artista de rakugo, agora erótico e que faz rakugo para si e por si somente. É esse egoísmo, acredito, que vai passar a definir seu caráter desse episódio em diante, mas outro ponto que também veio com força nesse episódio foi a questão do feminino na vida e no rakugo do Kikuhiko. Como o episódio anterior tratou muito do erótico, acredito que no fim das contas esses dois episódios tenham sido uma espécie de construção da sua trajetória - de como a vida levou o Kikuhiko até o rakugo erótico, interpretando mulheres, de saber como ele encontrou isso nele próprio e deu um rumo à sua história pessoal.

Eu gostei demais desse episódio, sinceramente. Foi um episódio em que conhecemos mais do passado do Kikuhiko, e principalmente um episódio de fortes emoções, entre ele e o Sukeroku, a Miyokichi e sobretudo de Kikuhiko com ele mesmo. A decisão "egoísta" dele, ainda que pudesse ser julgada como egoísta, foi muito bem explicada e construída. A cena em que o Sukeroku fala com toda a naturalidade do mundo que "sempre soube que ele deveria fazer rakugo 'sexy'" é uma cena extremamente forte e decisiva para o Kikuhiko, a ponto de lhe dar um sentido para fazer rakugo, mas seu sentido nunca é dado - ele está nas metáforas, e ela pode e deve ser muito discutida. E é esse tipo de sutileza, penso, que faz de Rakugo Shinjuu uma obra extremamente sensível e bela.

Uma outra questão que eu acredito que deve ter gente discutindo por aí é a questão da identidade de gênero do Kikuhiko, então eu gostaria de pedir pra deixarem suas opiniões nos comentários, e vou aproveitar para dizer aqui qual é minha opinião. O Kikuhiko, ao meu ver, é cissexual. No entanto, eu não duvido que, pelo ambiente em que ele cresceu quando criança, ele não tenha tido vontade de ser uma mulher em vários momentos. Claro, isso teria facilitado a estadia dele, mas não acredito que ele tenha remorso, pelo contrário. Acredito que ele goste de interpretar artisticamente os papeis femininos.

Enfim, não vou me estender nesse post, já que já está atrasado, mas gostaria mesmo que vocês deixassem nos comentários o que acharam! Se gostaram do episódio, e sobretudo o que acharam das cenas de metáforas, e como interpretariam a decisão do Kikuhiko. Eu agradeço cada comentário, e por favor não desistam de mim, pois vou entregar o episódio 7 a tempo, ok? (´Д`);; Enfim, muito obrigada de coração pelas visitas e comentários, e até mais!~ ♡

6 comentários:

  1. Eu ainda não consegui começar a acompanhar o anime, mas algo nas suas reviews episódicas faz-me amá-lo mesmo assim. Eu adoro metáforas e mensagens passadas subtilmente, cenas dadas à interpretação, e personagens complexas que sejam uma construção em função da sociedade, não que sejam tratadas como se a sua personalidade estivesse definida fossem quais fossem as suas experiências de vida. Então, para mim, esta é uma obra muito humana e que leva o tempo necessário a abordar todas as suas questões, a explorar as personagens, as circunstâncias que as rodeiam, as suas motivações e necessidades, os seus relacionamentos pessoais... tudo. É uma obra simultaneamente densa e agradável (no sentido de: não são apenas obras de terror psicológico que conseguem ser densas), e que, como complemento, recebeu uma arte (tanto traços como coloração) e trilha sonora adequadíssimas.

    Então, mesmo ainda não tendo visto, vou dizer o que penso das suas questões finais a partir daquilo que tenho lido. Quando vir o anime, aí farei questão de colocar a minha opinião final na resenha que fizer :)
    » Também penso que o Yakumo seja cis. Mas, dentro disso, penso que embora ele expresse o seu género claramente como masculino (em termos de vestuário e assim), quanto ao papel de género, ele permite-se fugir um pouco dos esteriótipos e de uma sociedade cisnormativa. Algo muito ténue, mas que aprecia fazer, especialmente em termos artísticos, como você disse. No máximo, talvez alguém o pudesse considerar gender fluid, mas trans não me parece mesmo.
    - Quanto à sexualidade dele, creio que o vejo um pouco como assexual homoromântico ou, então, assexual birromântico. Ele não tem demonstrado grande interesse em contacto físico e muito menos em sexo, embora o permita por parte de algumas pessoas mais próximas, e essa é uma das características gerais da assexualidade - digo geral, porque o guarda-chuva ace tem muitas subcategorias. Não significa necessariamente que ele tenha algo contra sexo, apenas é algo sem o qual passa bem.
    - A metáfora da gota/lágrima e da estaca no coração, eu não apontaria exatamente para uma sensação de traição, mas para uma frustração e desilusão profunda - consigo próprio. Afinal, uma pessoa que luta tanto e que, quando crê que finalmente encontrou a sua vocação, descobre que ainda assim foi mais lento que alguém que faz tudo sem esforço, sente-se magoada. Eu sentiria. É frustrante, é a noção da nossa própria limitação, é a noção de que esperança e esforço não são tudo e que nem sempre nos levarão tão longe quanto gostaríamos. Dói, principalmente, se essa noção for relativa a algo de que se goste, e claramente o Yakumo aprendeu a gostar de rakugo e aceitar isso como parte de si mesmo. Foi uma pontada no coração porque a partir daquele momento ele não poderia negar mais o seu próprio limite (claro, esta interpretação é divagação pura >.<)...
    - Acho que a decisão de fazer rakugo erótico fará bem ao Yakumo - parece que ele finalmente se encontrou, que finalmente se aceitou e aceitou o rakugo erótico como uma parte de si a não suprimir, e ainda, como algo que ele consegue fazer sem ter de lida com a "rivalidade" do Sukeroku. E o facto de ele praticar rakugo por uma razão tão egoísta - e não acho o termo desapropriado - torna-o uma personagem mais complexa ainda. E é essa razão que reforça a convicção/confiança em si mesmo que ele começou a dominar.

    Desistir de você? Céus, não, as suas resenhas poderiam demorar anos a sair e ainda assim aguardaria pacientemente por elas, são tão perfeitas que até me comovem <3

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    1. Olá, Anilyan! Como vai?~
      - Hahah, que ótimo que eu consigo transmitir essa paixão, que eu com certeza tenho por Rakugo Shinjuu! :) É exatamente isso. Rakugo Shinjuu é um anime com personagens de uma densidade psicológica fantástica, muito humana mesmo, e como já comentei aqui não é a toa que a autora foi premiada pelo mangá. E sim, a produção do anime também tem sido muito boa, por mais que muita gente não esperasse muito do Studio Deen inicialmente, eles tem feito coisas incríveis tanto na animação quanto na parte sonora.

      - Humm, essa é uma interpretação que eu acho interessante, Any! É verdade, eu sinto a mesma coisa - ele não é trans, mas ainda que seja cis, ele se permite e gosta de experimentar o papel feminino nas suas obras artísticas. Genderfluid é uma interpretação que eu acho válida do ponto de vista do espectador, apesar de não achar que ele se interprete como tal!
      - Quanto à sexualidade dele, a verdade é que não sabemos nada diretamente - se for julgar apenas pelo comportamento dele em relação às mulheres, assexual me parece justo, mas dá para questionar sim se ele sente algum tipo de atração pelo Sukeroku, por um evento no último episódio que eu ainda preciso resenhar, e também por outros que já descrevi, como ele possivelmente olhando para a sua perna... eu estou só chutando aqui, mas, acho que se ele tiver algum tipo de atração sexual, provavelmente tende mais a homo que a hetero.
      - E sua interpretação é excelente, Any! Eu acredito que seja divagação, mas acho que é totalmente adequada. Eu realmente tinha ficado confusa com o que o anime queria dizer com a estaca no coração, mas eu acho que a sua interpretação faz total sentido: decepção, frustração. Não necessariamente traição, mas um sentido mais amplo. De verdade, agradeço por você ter compartilhado! ♡

      É verdade, eu concordo. O fato de ele ter encontrado algo que faz com que ele "se encontre" e ao mesmo tempo consiga fazê-lo parecer melhor que o Sukeroku em um aspecto é fantástico e sim, o torna um personagem ainda mais denso, nos faz entender um pouco melhor aquele senhorzinho tão peculiar do primeiro episódio...

      Enfim, queria agradecer de coração pelos seus comentários, ainda mais por você comentar mesmo sem assistir o anime!! E queria também pedir desculpas sinceras caso esteja te dando spoilers de algo que você ainda vai ver, hahah. ♡ De coração, muito obrigada pelo elogio, e até mais!~

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  2. Saudações


    Este sexto episódio mostrou duas facetas que julgo como bem importantes para o plot da obra em si, Chell.

    Na primeira delas está o jovem Yakumo. Ele sempre observou atentamente o Sukeroku, em cada apresentação e conversas sobre a arte Rakugo em si. O rapaz era cheio de dúvidas sobre o seu próprio estilo ou, de maneira básica, sobre o que ele realmente queria com tal arte em prática.

    Notar que o Sukeroku jamais deixava o público apático era um grande ponto de interrogação para o Yakumo. A cada nova apresentação deste, quem o assistia ficava sério demais, por vezes sonolento ou até sem reação assertiva, sendo este último o que ocorria na grande maioria dos casos.

    A voz baixa e expressão mais séria poderia ser bem utilizada pelo rapaz, que resolveu "arriscar" com o Rakugo erótico e, graças a tal, conseguiu fazer uma apresentação que não apenas manteve a atenção do público (com direito a certas convidadas ilustres na platéia o vendo), como também mostrou para o Yakumo o que significava a palavra "satisfação".

    O próprio ficou incrédulo, ao ponto de alimentar muitos pensamentos enquanto se apresentava. Ele chegara, enfim, a um denominador comum sobre para quem ele se apresentava e o que ele realmente queria com a arte no palco. A satisfação não era mais "o todo", pois uma certa alegria tomou conta dele. Enfim, o Yakumo encontrou o que buscava com o Rakugo (se não na totalidade, ao menos, deu um passe magnífico para tanto com tal repertório erótico).

    E nisto entra a segunda faceta, que pertence justamente ao Sukeroku. O rapaz, anos atrás, já havia mostrado para o Yakumo uma opinião bem sincera sobre o que seu amigo buscava/precisava/afins com o Rakugo. Incrível notar que o próprio Yakumo sentiu isso após a sua grande performance, sem muito hesitar. Isto lhe trouxe um pouco de temor, pois ponderar sobre ter "escutado" o Sukeroku no passado era algo notório, mas isso não o desmotivou. Um agradecimento singelo pôde ser notado.

    Chell, acredito severamente que muitas questões são sim retratadas em Showa Rakugo, as quais tu vem citando a cada novo post seu. Entretanto, este trecho do sexto episódio mostrou, para mim, uma das mais impactantes do anime em si. Acredito que palavras como "amizade", "responsabilidade" e "sonho" se encaixam perfeitamente em tal contexto.

    Muito bom, nobre.


    Até mais!

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    1. Olá, Carlílio! Como vai?

      Sim, é verdade, eu concordo plenamente com você. O primeiro ponto é o fato de que o Yakumo realmente se encontrou no rakugo erótico, sim, e por aí já ficamos entendendo um pouco melhor aquele senhorzinho do último episódio, com trejeitos às vezes até afeminados - e é realmente fascinante como o anime consegue estabelecer esse realismo na personalidade dele, penso. Ele sempre quis empolgar a plateia daquela forma, e para a surpresa dele ele conseguiu, como você disse. Ele sentiu satisfação sim, mas eu diria também que ele sentiu muito mais do que satisfação. Porque ele ficou legitimamente surpreso com o que aconteceu naquele teatro. As expressões surpresas e empolgadas das pessoas era algo que ele nunca tinha presenciado, até então eu imagino que ele interpretasse as expressões como uma magia, como algo que só o Sukeroku podia fazer.

      E eu gosto da sua interpretação de agradecimento, que não tinha me ocorrido. Sim, eu acredito que ele seja certamente grato ao Sukeroku por ter lhe dado aquela ideia, ainda mais por ter dito: "eu sempre soube que você conseguia", de alguma forma. Mas o temor é ainda mais notável, porque ele chega a lacrimejar nessa cena. É uma cena extremamente tocante, apesar da sua simplicidade, e confesso que é por esse tipo de cena que eu adoro Rakugo Shinjuu. São cenas delicadas, cheias de sutilezas, mesmo sem ter uma riqueza técnica tão grande.

      E sim, acho que essas palavras se encaixam, aliás, não só nesse contexto, não só nesse episódio mas sim em todo o anime. Rakugo Shinjuu é definitivamente um anime sobre amizade, sonho, e responsabilidade, não é? Pense nisso!

      Enfim, Carlílio, muito obrigada mesmo pela visita e pelo comentário! Até mais!~

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  3. Quando eu vi o flashback do Yakumo criança lembrei muito da Konatsu. Um cresceu em um ambiente feminino onde tentava a todo o custo se encaixar, enquanto a outra cresceu em meio ao Rakugo que é dominado pelos homens. Fico pensando se o fato do Yakumo ñ apoiar a Konatsu no rakugo também tem haver com o passado dele. Ele sabe do preconceito que ela iria sofrer, além de todo o drama envolvendo a morte do Sukeroku e péssimo relacionamento entre eles rs. Quanto ao gênero do Yakumo, concordo ele é cis. Mais uma vez citando a Konatsu kkkk quando ela está conversando com uma amiga geisha, depois da briga que teve com o Yakumo, ela chora dizendo que ñ queria ter nascido mulher. Assim como ela Yakumo pensou aquilo devido as circunstâncias. Ñ acho que isso esteja ligado a questões de gênero... :)

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    1. Olá, Manuele!

      Muito obrigada pelo seu comentário, Manuele, que eu achei muito incrível e elucidativo! ♡ Sério, faz todo o sentido, pensando agora, esse paralelo entre o Yakumo e a Konatsu. É muito crível que esse seja esse o sentimento do Yakumo, não tinha me ocorrido isso em nenhum momento. O irônico, acho, é que apesar de tudo ele se encontrou justamente fazendo rakugo erótico, justamente aquilo que é "feminino", e a Konatsu também gosta de fazer aquilo que é masculino, né? No mais, eu concordo com você que os sentimentos deles não estão ligados a questões de identidade de gênero mas sim às suas frustrações pessoais, por assim dizer.

      Enfim, Manuele, muito obrigada pela visita e pelo comentário! Até mais!~

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