quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 4 - Os sofrimentos dos jovens artistas da era Shouwa.


Olá! Como vão?

Mais uma vez, desculpem pelo atraso (realmente aconteceram umas coisas complicadas que eu precisei resolver nos últimos dias...), mas tardo mas não falho, ainda mais quando se trata de um anime tão amorzinho quanto Rakugo Shinjuu. ♡ A cada semana que passa, eu só me apaixono mais e mais por esse anime, e espero que vocês estejam se apaixonando também!

Neste quarto episódio, Sukeroku (vulgo Hatsutaro, vulgo Shin) e Kikuhiko (vulgo Bon, vulgo futuro Yakumo Yuurakutei), agora já adotando plenamente seus nomes artísticos Sukeroku e Kikuhiko, saem dando seus primeiros passos no mundão, lutando para conseguirem apresentar seus rakugos e, ao mesmo tempo, conseguir dinheiro para a sobrevivência...

A primeira cena que vemos no episódio é de um Kikuhiko garçom, muito bem arrumado. Sempre polido e elegante, ele é popular com as garotas que frequentam um local, mas quando um tipo estranho vem chamá-lo na janela do restaurante, sua popularidade vai por água abaixo. E com "tipo estranho" quero dizer um sujeito que mais parece um mendigo, pedindo um dinheiro para comprar álcool. Sim, o tipo estranho é Sukeroku, totalmente mudado, e aí você já se pergunta o que raios aconteceu ali. O que aconteceu foi que passou a haver um certo preconceito com artistas, aparentemente, nessa época - que creio ser por volta dos anos 50. Da janela do restaurante, Sukeroku conversa baixo com Kikuhiko convidando-o para irem a um teatro e pedindo dinheiro. Quando o outro garçom pergunta se eles se conhecem, Kikuhiko tem que responder que não, que era apenas alguém na rua pedindo informações.

Então, só por esse primeiro momento do episódio, já pudemos ser situados em algumas coisas importantes daquele período histórico e do novo momento da vida dos personagens. Naquele período, artistas não eram nada bem vistos, a ponto de Kikuhiko dizer, enquanto anda na rua com Sukeroku, "já pensou se descobrem que sou artista de rakugo?". Kikuhiko agora tem um emprego em um restaurante, se veste e se porta bem - nesse momento de crise financeira do pós-guerra, em que é importante ter um emprego para sobreviver, é interessante como a seriedade e a dureza do Kikuhiko que passou por dificuldades trabalhando durante anos fazem com que ele opte por essa vida, e deixe um pouco de lado o rakugo, que agora é uma atividade bastante incerta. Por outro lado, Sukeroku - que agora passou a adotar de vez "Sukeroku" como nome artístico, deixando de lado o nome Hatsutaro que foi dado a ele pelo mestre, e se orgulha disto - continuou perseverando como artista de rakugo, a despeito de todas as dificuldades que eles vinham enfrentando para apresentar suas artes.

Esse tipo de paralelo de personalidades - em que uma pessoa é mais séria e pé no chão, e a outra é mais idealista e quer alcançar grandes coisas - não é incomum, mas em anime realmente não é a coisa mais comum de se ver, até porque poucas séries de anime tem personagens adultos apenas existindo - e por vezes sendo tão confusos quanto crianças. Sukeroku é uma pessoa totalmente perdida para os padrões da sociedade japonesa, mas em momento nenhum ele desiste do rakugo, e é bonito ver isso no episódio. Além de bonito, traz muita felicidade ver que o Kikuhiko não largou dele em nenhum momento na vida. Em todos os momentos, Kikuhiko esteve ao seu lado, apreciando o seu trabalho. Mas eu estou aqui colocando a carroça na frente do burro, então vou continuar narrando os acontecimentos desse episódio, e depois chego nessa parte.

Então, quando Kikuhiko sai do trabalho no restaurante, ele e Sukeroku andam juntos pela rua conversando sobre a vida a dois, como de um bom casal de yaomorando no mesmo quarto, sendo que apenas Kikuhiko pode pagar as contas; o dinheiro de Sukeroku não é suficiente, e para piorar, ele gasta o pouco que recebe em álcool. Kikuhiko, então, pergunta a Sukeroku - indignado - se ele está na "sua casa" sem intenção de pagar e é isso mesmo, e relata o que chama de seu "ciclo autossuficiente de sofrimento", que faz com que ele não consiga mais apresentar seu rakugo: "preciso trabalhar pra comer, se não trabalhar não consigo ensaiar, e se não ensaiar ninguém me chama para apresentar". De fato, o que vemos nesse episódio é que Sukeroku passa o tempo todo (ao menos quando está sóbrio...) estudando, e ainda assim é uma luta para ele conseguir oportunidades de se apresentar. O momento é de tamanha crise que Kikuhiko não tem conseguido aprender nada sobre rakugo desde que saiu da casa do seu mestre, e já tem um plano de vida longe do rakugo. Como sempre responsável até demais, ele vive falando em seu discurso que precisa trabalhar para comer, que os tempos estão difíceis e que não tem outra opção.

De outro lado, temos o sempre idealista Sukeroku, honrosamente mantendo sua postura de louco do rakugo mesmo em face das dificuldades. E Sukeroku, com a mesma felicidade brutal que possuía quando criança - ao dizer, no episódio 2, "você tem que colocar um sorriso na cara", lembra? - defende: "por mais fome que você sinta, uma boa conversa distrai, né?". Ele mal sabe como vai comer, mas sabe que quer continuar fazendo rakugo, e enquanto o amigo o sustenta (e provavelmente aprecia suas conversas e seus rakugos), é isso que tem pra hoje. E além de sustentá-lo enquanto ele tenta ser um artista famoso e que consegue se sustentar, Kikuhiko tem tratado-o como uma mãe, falando para ele se vestir bem se quiser encontrar uma garota algum dia (coisa que ele certamente faz...) e coisas do tipo.

Enfim, o fato interessante é que eles continuam os mesmos de sempre, mas agora adultos e tendo que tomar conta de si próprios - e Sukeroku nem sempre consegue, pra dizer o mínimo. Sukeroku chega a ser o estereótipo do artista boêmio, fanfarrão, aquele que diz que "tudo é inspiração artística" enquanto olha para as mulheres que passam, aquele que pode morrer de fome contanto que seu rakugo faça as pessoas rirem - ainda que, na rua, as pessoas caçoem dele. Por outro lado, Kikuhiko, mais pé no chão do que nunca, tem um emprego e anda sempre bonito, mas misteriosamente continua solteiro. Lembra quando eu falei sobre a sexualidade dele no episódio 3? Eu continuo tendo minhas suspeitas, mas vou falar melhor disso mais pra frente. Voltando ao episódio, o mestre Yuurakutei vai visitá-los, Kikuhiko (como Kikuhiko é chamado, obviamente, enquanto ainda não é mestre) e Sukeroku, e o mestre como sempre tem muitos elogios a fazer ao primeiro, sendo que o segundo só estuda em meio à festa que acontece. A única pessoa que nota e acompanha seu esforço o tempo todo parece ser Kikuhiko.

Temos então uma apresentação de rakugo do Sukeroku, que é assistida por Kikuhiko por detrás dos palcos. O rakugo da vez fala "sobre gente ambiciosa" - e se qualquer pessoa poderia interpretar isso como uma alfinetada, afinal Sukeroku estava se queixando da pão-durice do Kikuhiko logo no começo do episódio, Kikuhiko só nota que é "um bom rakugo para um dia de neve". E, enquanto Sukeroku conta uma história sobre vendedores de barcos e pão-durice, Kikuhiko vai só pontuando todas as suas manias e hábitos: as descrições vívidas de Sukeroku, o momento em que ele dá a entonação... Kikuhiko já sabe decor como Sukeroku apresentaria qualquer rakugo, e isso mostra no mínimo que ele tem assistido rakugos demais dele. Quanto à apresentação em si, Sukeroku continua apresentando um rakugo muito carismático e entretendo os espectadores. Nesse sentido, nada mudou.

Pessoalmente, eu não ri tanto com essa história, mas o interessante aqui pra mim foi notar a forma de apresentar do Sukeroku, e também as reações de Kikuhiko. Apesar de terem passado muito tempo longe, parece que a vontade de Kikuhiko de ser Sukeroku em alguns momentos não mudou nada, e toda a frustração que vimos no primeiro episódio - e seu ressentimento com pessoas que preferem o rakugo de Sukeroku ao dele - continua fazendo muito sentido. Seus olhos brilham e ele logo se perde nas descrições vívidas das cenas. Sukeroku faz gestos fofos, expressões com humores totalmente opostos em um piscar de olhos, se envolve na sua própria apresentação e convida os espectadores a se envolverem também. E Kikuhiko se encanta com a habilidade do amigo como se fosse a primeira vez, elogiando-o para si mesmo (ou se cobrando?) por aquilo que os torna diferentes: "ele nunca hesita".

Não existe nenhum mistério quanto a quem é o melhor no rakugo nessa amizade. Ainda que ambos sejam diligentes, Sukeroku sai do palco perguntando para Kikuhiko, que está representado visualmente na sombra do palco, se ele gostou, e ele responde: sim, foi incrível. Muito escrachado, Sekuroku manda a real de que Kikuhiko e sua pão-durice o inspiraram, e em resposta, Kikuhiko dá um tapa nele com seu leque em alto e bom tom para toda a platéia escutar. Eles são inegavelmente bons amigos até hoje. Mas, conforme os eventos vão temporalmente se aproximando daquele fatídico dia narrado por Kikuhiko no episódio 1, o discurso da Konatsu - de que ele teria assassinado seu pai por inveja, por ele ser um artista melhor - começa a fazer mais e mais sentido pelo lado da inveja. Mas certamente não o assassinato, pelo menos por enquanto. Ainda que Kikuhiko provavelmente sentisse inveja e não tenha uma personalidade lá tão calorosa, eles eram inegavelmente amigos e ele era também um fã de Sukeroku. Mystery intensifies.

Enfim, isso só me deixa ainda mais empolgada pelo que está por vir, mas novamente vou me controlar pra não me adiantar. O que importa por enquanto é que Sukeroku tem mil defeitos como pessoa, é assumidamente sem-vergonha, mas como artista de rakugo é aquilo tudo: cativante, envolvente, divertido. Tudo que Kikuhiko não é. E Kikuhiko sempre aceita isso de cabeça baixa, como quando o mestre vai, exatamente como já fazia quando eram adolescentes, dar-lhe alguns conselhos para melhorar. "Perfeição não é sensual, defeitos ajudam a descontrair", ele diz, e não esconde que o rakugo de Sukeroku é bom, mas lembra que Kikuhiko deve buscar seu próprio e não tentar imitar o de outras pessoas. Nota: Kikuhiko leva esse conselho tão a sério que foi exatamente isso que ele disse para o Yotaro no primeiro episódio!

E preciso abrir um parênteses aqui para falar do incrivelmente político personagem do mestre: em nenhum momento da vida ele esconde o favoritismo pela personalidade submissa e complacente de Kikuhiko, mas ao mesmo tempo ele é sério e não tem pudor ao escolher Sukeroku para ir à guerra com ele. Nada nessas relações muda depois do regresso, exceto o fato de que, como Kikuhiko está levando o rakugo mais a sério, o mestre também parece investir mais e dar conselhos mais sérios. Ele é o tipo de personagem "pai" que sempre faz um esforço para não comparar os dois de uma maneira destrutiva, mas é óbvio para o mundo o favoritismo dele pelo Kikuhiko desde sempre, e é óbvio também o quanto Sukeroku não liga. Assim como ele não liga para os conselhos do mestre, aliás, que entram por um ouvido e saem pelo outro. Essa relação de verdadeira família que eles construíram é sempre muito fofa pra mim, e eu adoro como a Haruko Kumota não tem vergonha de fazer personagens que conseguem cultivar amor apesar de tudo, mesmo que seja piegas ou pouco realista. ♡

Enfim, voltando. Enquanto dá os conselhos, o mestre Yuurakutei, achando que Kikuhiko está muito rígido ("quando ele não foi?" shhhh) tem a brilhante ideia de tentar resolver sua situação levando-o num puteirnuma casa de geisha. (Imaginem uma cara de felicidade, não era o Kikuhiko nesse momento.) E o Sukeroku vai junto, porque...? Ninguém sabe. E todas as cenas que seguem essa ideia são incrivelmente vergonha alheia. A gente descobre numa tacada só que: o mestre, casadíssimo com uma esposa que quase morreu na ausência dele, tem uma geisha como amante secreta há muito tempo; o Sukeroku acha ela bonitona e pegaria, sem nenhum escrúpulo com o fato de ela pegar "seu pai"; o Kikuhiko não parecia minimamente interessado nela, entre outros babados. Ah, tem mais um detalhe importante: a geisha se chama Miyokichi. Sim, ela é a mãe da Konatsu.

Bem... muitos babados depois, entendemos que o mestre chamou sua geisha favorita, Miyokichi, para "ter um bom papo" com Kikuhiko, vulgo Kiku. No entanto, Sukeroku, que estava junto, parecia umas dez vezes mais interessado em ter um papo com ela, enquanto Kikuhiko só ficava extremamente emburrado com toda aquela situação. Miyokichi habilidosamente evita as investidas de Sukeroku, e insiste como quem recebeu um adiantamento para pegar o Kikuhiko em falar com o outro artista. E joga um charme, e diz que artistas de rakugo são engraçados. Kikuhiko só responde a tudo da maneira mais curta e fria possível, claramente nada feliz com a situação, e se recusa a gastar qualquer dinheiro com ela. Quando ela diz que não quer dinheiro e paga tudo que for preciso, ele logo entende que o mestre pediu para ela entretê-lo, mas ela nega veementemente. Ele faz cara de nojo e desinteresse o tempo todo, e se esquiva de todo contato físico, mas nem por isso ela deixa de convidá-lo para se encontrarem a noite no que eu creio ser um equivalente-japonês-histórico de quarto de motel mas não faço ideia.

Depois disso, Kikuhiko volta para sua casa, e ele e Sukeroku parecem ter uma conversa casual. Sukeroku é aquela pessoa que fala de um assunto - obviamente, rakugo - e de como ele gostaria de apresentar em determinado lugar... repetindo seus sonhos improváveis para si mesmo, enquanto Kikuhiko se cansa de seu assunto. Sukeroku sugere que aluguem um local pequeno para se apresentarem, e, muito sonhador, diz que convidaria o mestre também para atrair público... O assunto estava indo bem (ou tão bem quanto um assunto unilateral pode ir), até Sukeroku se lembrar da bela Miyokichi que viram mais cedo. E então é a vez de Kikuhiko interromper suas divagações e dizer, com a voz trêmula: "Ela pediu para se encontrar comigo hoje a noite."

Chega a ser interessante ver essa mudança de tom de voz no personagem do Kikuhiko nesse episódio. Porque o Kikuhiko de depois da guerra é uma pessoa muito diferente daquele Kikuhiko que vimos antes. Sim, ele ainda é um tipo sério e estóico, e batendo o olho é possível dizer que nada mudou. Ele até retomou um pouco do seu tom de voz - macio e sedutor - de antes da guerra agora. Mas agora ele parece ter muito mais controle de si, e saber ao menos passar uma impressão de segurança, necessária para qualquer pessoa sensível e "bonbon" como ele fora. Mesmo não sendo muito simpático, ele é charmoso aos olhos das garotas, e sabe sorrir quando preciso. Ele tem um discurso até hipócrita de como precisa trabalhar para comer, mas ele assiste os rakugos de Sukeroku. Ele não quer que as pessoas na rua pensem que ele é um artista, mas reclama de não estar aprendendo muito sobre rakugo. Ele reclama que tem que pagar as contas de Sukeroku, mas nunca cogita realmente expulsá-lo; pelo contrário, sempre cede aos seus pedidos. Ele pode amar o rakugo, mas nunca admitiria isso para ninguém. O discurso dele é seguro de si, e até o tom de voz dele é sempre o mesmo (*suspiro semanal pelo Akira Ishida*), não diferentemente do seu rakugo rigorosamente treinado e atuado com perfeição.

Mas nesse momento sua voz mostra um resquício de emoção. Aliás, toda a emoção dessa cena - que tem uma música de fundo incrível, e me deixou ansiosa pela OST do anime... - é forte. A reação de Sukeroku é um "ah, é?" bolado, procurando se distrair, e Kikuhiko volta a questionar: "nada a dizer?". Sukeroku devolve: "por que está me contando isso?". Seria pra causar inveja? Kikuhiko diz que não sabe, impassível, e Sukeroku diz: se você não sabe, como eu vou saber? Essa troca de alfinetadas, além de resumir bem a diferença essencial da personalidade deles - Sukeroku é sempre muito direto e honesto com os outros e consigo, já Kikuhiko... - me fez também voltar à questão da sexualidade do Kikuhiko, que me deu uma voadora na cara nesse episódio. Vi pessoas comentando exatamente o contrário (como o Fábio do Anime21, que escreve posts ótimos sobre Rakugo Shinjuu!), mas a minha impressão foi muito a de que o Kikuhiko teria um sentimento que nem mesmo ele, ao menos naquele momento, saberia descrever pelo Sukeroku.

O fato é que Kikuhiko é popular com as mulheres, e Sukeroku, mesmo não ficando atrás em termos de beleza, vive desleixado e não encontra uma namorada por isso. Sukeroku gosta do seu nome másculo, é chamado de cafajeste, e fica olhando para todas as mulheres que passam. Todo o episódio dá sinais nada sutis dessa diferença deles, mas essa cena em especial me fez pensar nele como um personagem canonicamente sexualmente confuso, o que faz total sentido levando em conta sua personalidade retraída, a autora, estereótipos e etc. Ele mesmo não sabe (ou não quer dizer) por que contou isso, mas parece que ele esperava uma resposta de Sukeroku do que devia ou não fazer, ainda que todos ali fossem adultos. Ao final, resignado, ele apenas vai encontrar a mulher na qual ele nem estava tão interessado. Essa impressão só se intensificou no resto do episódio, então, prossigamos.

Kikuhiko vai, então, à casa da bela Miyokichi. Miyokichi, como uma digna geisha, além de ser muito bela e sedutora - e cinco anos mais velha que Kikuhiko, apesar de não parecer... - é extremamente artística, de verdade. Ela gosta das artes tradicionais japonesas, o que faz com que ela encontre vários assuntos em comum com Kikuhiko, especialmente por já saber que Kikuhiko dançava em uma casa de geishas na sua infância. Ele toca o shamisen enquanto ela canta, e esse é o único momento em que o vemos sorrir enquanto interage com ela; ele admira seu talento, e esse é o assunto que eles possuem em comum. (Em nota: música de shamisen é brega, gente. Desculpa, eu acho. Me faz acreditar que tudo pode ser erótico se você quiser.) No mais, ele é rude, bate nela com o leque (isso virou uma mania dele, né?) e ela, submetida à sua posição social, apenas pode notar que ele é rigoroso.

Apesar de tudo isso, ela gosta de conversar com Kikuhiko. Porque aparentemente ela não tem muitas oportunidades na vida de conversar com alguém, ainda mais sobre arte. Isso é bem triste, mas uma realidade da vida no Japão na época, então esse é mais um ponto que me cativou nesse anime histórico. Enfim, falando sobre isso, ela diz: você é diferente de outros homens, não fica me despindo com os olhos. Bem... as palavras dela dizem tudo, mas o que me pegou nessa frase (além do óbvio coz u gay, son) foi que, ainda que ele não fique despindo a Miyokichi com os olhos, lembrei de um momento no episódio 2 que a princípio me passou despercebido mas depois de algumas vezes vendo o episódio (e de ler no Reddit...) fez sentido, em que rola um fanservice da perna do Sukeroku, (preferências do anime, sei lá...) e o Kikuhiko olha discretamente. É uma daquelas coisas muito sutis que podem 101% serem desde mera coincidência até zoeira de animador, mas minha cabeça foi pra lá com essa frase e não voltou mais.

Bem. Miyokichi acha o Kikuhiko maduro, mas ele se esquiva dela - na conversa, mas também fisicamente, mesmo - o tempo todo. Ela, jogada sobre seu corpo, elogia seu cheiro, e ele diz que tem que ir para casa ensaiar. Ela vai atrás, pergunta se ele não vai levá-la para cara, e ele diz que é fora do seu caminho. Sempre escorregadio, ela eventualmente o convence a voltar mais uma vez, mas não se despede antes de empurrá-lo contra uma parede e se aninhar em seus braços, e então ele - não sem muito receio - põe a mão em sua cintura. A relação deles, vou confessar agora, é tão desajeitada que chegou a me dar uma vergonha alheia. Não deseajeitada da parte de Miyokichi, que parece ser versada nesse tipo de trabalho de sedução, mas ela não sabe o que fazer para que ele não escorregue entre seus dedos, e ele não sabe o que fazer para se esquivar todas as vezes. O tempo todo ele não demonstra ter qualquer tipo de interesse sexual nela, mas em um dado momento em que ela não está olhando vemos um esboço de sorriso, algo de possível jogo de poder que ainda não parece ter ficado muito claro.

Mas o que mais me pegou nessa cena foi que eu não consigo acreditar que esse rapaz todo desajeitado faz rakugo erótico. Só não consigo! Pelos conselhos que o mestre deu - de como fazer um rakugo soar mais erótico, - é isso que ele tem feito da vida até hoje, ainda que não tenhamos visto nenhuma apresentação dele nesse estilo até agora. Tenho muita curiosidade para ver como ele dá os pulos dele, sim, porque depois dessa cena isso é algo simplesmente místico. Por outro lado, o assunto que se destacou nesse episódio foi maturidade e sexualidade - com a possibilidade de a Miyokichi separar os dois definitivamente... - e pra mim, pessoalmente, de fato foi a (possível homossexualidade) do Kikuhiko. Depois que eu passei a aceitar isso como uma possibilidade (que meu coração negou veementemente por três episódios), e passei a tentar enxergar as reações e sentimentos do Kikuhiko por uma outra luz, algumas coisas se tornaram mais cativantes. Suas risadas com os gestos fofos que o Sukeroku faz, por exemplo (pra quem não notou, ele tem uma mania de fazer expressões fofas durante o seu rakugo desde criança, que sempre fazem o Kikuhiko rir...). A verdade é que a história é tão bem montada que é igualmente possível acreditar que Kikuhiko sente ou não sente uma atração a mais pelo Sukeroku. E tudo bem assim!

Além disso, e falando em narrativa muito bem montada, um outro fato interessante é que o episódio dessa semana não foi narrado pelo Kikuhiko do presente. Isso por um lado me deixa chateada, porque eu gosto de ouvir mais a voz do Akira Ishidde ouvir como ele encara os fatos do passado agora, e mais ainda, de ver o que ele omite da narrativa... mas não ter narrativa possibilita uma maior imersão na história, sem ressentimentos do tipo "me senti enganado", penso eu. A história é o que está dado, e pronto. E eu, pessoalmente, estou adorando tentar juntar as peças desse puzzle. Estou pensando em rever todos os episódios, ler o mangá... a cada semana Rakugo Shinjuu só me cativa mais, e me faz perguntar com mais ansiedade ainda: já é sexta-feira de Rakugo Shinjuu?.

Quanto à personagem nova, eu tive receios com a Miyokichi desde o começo, porque quando uma mulher surge no meio de uma amizade muito forte e começa a dar merda, você não consegue não ter suspeitas, né? Mas, ao menos até agora, ela parece ser uma dama incrível, com diversos talentos e uma profissão nada respeitável capaz de gerar bastante polêmica, e conhecimentos de cultura japonesa pros espectadores também. Eu gosto dos conhecimentos que Rakugo Shinjuu me traz, gosto de como é uma história com personagens e universo muito bem estabelecidos e ricos que tem muito pano pra manga pra interpretações, que oportuniza idas e vindas, que traz coisas incríveis a todo momento, e no final do episódio, quando o narrador diz "isso é história para outro dia", você realmente se decepciona.

Mas isso não tem graça falar, porque eu já falo toda semana no meu Twitter: Sobre Rakugo Shinjuu, estou achando sensacional e só quero mais. E só mais uma coisinha antes de partir por hoje: Vamos parar e olhar para esse preview, com o Kikuhiko sensacional vestido de geisha? "Como assim, Chell?" bem, a julgar pelo fato de ser "uma" geisha nova com a Miyokichi, que sabe que o Kikuhiko era dançarino, recebendo tanto destaque do nada no preview, e o seu pomo de adão... é. Expectativa: Itsuwari no Utahime. Sei que já estou errada, mas não importa o que virá, quero ver sim.

Muito obrigada a quem leu o post, espero que tenham gostado! Por favor, deixem aí nos comentários o que vocês estão achando desse anime e desse episódio. Minhas interpretações foram muito exageradas ou tendenciosas? Confesso que adoro ler outras opiniões sobre esse anime fantástico, então sintam-se livres pra opinarem o que realmente acham! Até mais!~




Preview do Episódio 5:

4 comentários:

  1. Meu parágrafo preferido foi o que começa com "Chega a ser interessante ver essa mudança de tom de voz no personagem do Yakumo nesse episódio". Porque depois disso você começa a descrever o Yakumo e por todos os meios eu tenho quase certeza que a pessoa que você está descrevendo já é o Yakumo velho, do primeiro episódio. Certamente ele tem mais algumas coisas para aprender, descobrir e se decidir, mas sua personalidade já parece estar completamente formada.

    Sobre o grande tema de Rakugo Shinjuu: será que o Yakumo é? Até onde está dado acho que pode tanto ser quanto não ser. E acho que até a pista metalinguística (o histórico da autora) é inconclusiva e pode corroborar uma hipótese ou outra igualmente: "ele é porque é o que a autora gosta de fazer" ou "ele parece ser porque é o que a autora está acostumada a fazer, mas ele não é". Ele nunca foi mulherengo e isso está mais do que estabelecido, mas é por não gostar ou por ser sempre estoico? Ele está sempre preocupado com seu próprio rakugo, afinal, sempre sentindo-o insuficiente, sempre querendo ensaiar um minuto mais. Prioridades. Ele rejeitou a Miyokichi porque não gosta de mulheres (e gosta do Sukeroku) ou porque seu amigo gosta dela? Ele contou dela para o Sukeroku porque queria que o amigo o dissesse o que fazer, concordo. Mas o que ele esperava ouvir? "Não vá, eu gosto dela" ou "Não vá, eu gosto de você"? Qual ciúme ele esperava despertar no amigo? O no fim ele definitivamente cedeu. Mas cedeu porque foi seduzido e é um homem que gosta de mulheres afinal, ou porque ela insistiu tanto que ele achou que seria inadequado continuar negando-a (ou porque não saberia fazer isso sem machucá-la)?

    Não estou dizendo que é nem que não é. Acho que realmente está em aberto - e no episódio anterior eu tinha mais certeza que ele era, agora voltei à estaca zero, mas uma estaca zero de incerteza, não uma em que eu nem penso a respeito, como antes. Acredito que o mistério sobre a sexualidade do Yakumo é no fim das contas um dos grandes temas senão o maior tema de Rakugo Shinjuu. E talvez termine sem que saibamos!

    Sobre o futuro "assassinato", não se esqueça que o anime se chama "suicídio duplo".

    E obrigado pela menção ao meu blog =D

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    1. Hahah é verdade, muito bem notado. Bem, acho que o Yakumo velho já não tem mais incertezas quanto à sua profissão, e é uma pessoa bem mais madura emocionalmente, mas em termos de ser uma pessoa reservada, e que provavelmente nega e se proíbe de muitas coisas... sim, é verdade.

      Hum, como ainda estamos no quarto episódio, só dois volumes foram animados até agora... acho que é muito cedo pra dizer se essa pergunta vai ser relevante ou não em algum momento (por exemplo, pro "assassinato" no caso, poderiam ter sentimentos passionais? Toda essa ambiguidade quanto à motivação do Yakumo para ir encontrar a Miyokichi é com certeza uma questão importante, e saber de sua sexualidade poderia ajudar a respondê-la, etc.), mas, por enquanto, com certeza é no mínimo a pulga atrás da orelha de muitos. E concordo totalmente com todas as suas afirmações. Eu mesma estava apostando nessa segunda hipótese desde o primeiro episódio - de "não é, isso é um josei, sem enxergar besteira!" - mas quando deixei de lado esse preconceito percebi que é uma possibilidade real que ele seja um personagem homossexual, ou, mais possível ainda, um personagem incerto de sua sexualidade. (Ao menos por enquanto. Em nota, vimos pouco do Yakumo mais velho, e ele me parece ser mais seguro em tudo, e só não diria "maduro" porque ele ainda tem chiliques às vezes, rs...)

      Ah, e sim! Eu também venho batendo nessa tecla, mas uso "assassinato" por falta de um termo melhor pro que ocorreu naquela época, que ainda não sabemos muito bem. :)

      E imagine, eu que agradeço pela sua visita e pelo comentário super construtivo! Sempre muito bom discutir uma boa série! Até mais!~ ( ´ ▽ ` )ノ

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  2. Olá chell,venho acompanhando seu blog faz um tempinho já mas nunca parei p/ comentar..sorry
    mas esse anime me fisgou completamente,e eu fiquei muito feliz quando vi que você ia comenta-lo semanalmente.. resolvi comentar um pouco..
    Sobre o assunto da vez:ele é ou ñ é?rs
    ok na minha impressão, eu tive quase que 70% de certeza que o Bon era gay no episodio 3, não só por ele ter uma certa apatia com as namoradas dele,meio desinteresse;mas principalmente pela relação profunda que ele tinha com o Shin, como ele sempre parecia se abrir mais com ele.Mesmo q alguem pudesse entender q,sei lah, era só um amor fraternal,tambem não se pode negar q há a possibilidade de ter um amor romântico envolvido.Na cena q eles fazem a promessa de mindinho,aquilo pareceu muito íntimo e romântico pra mim,e olha q eu não so de shippar tanto nenhum ship, sendo slash ou não.
    O episodio 4 só confirmou isso pra mim:que o Bon sente algo a mais pelo Shin,mesmo que talvez ele nem coompreenda esses sentimentos direito.
    Não acredito na historia do assassinato,tem mais coisa ae,mas a ideia do''suicidio duplo'' que o nome do anime sugere não me cheira bem..
    estou muito ansiosa pelo q virá;to me controlando para não ir atrás do mangá...acabei vendo alguns painéis no tumblr e.. sou hype!!11
    obrigada pelos posts semanais,e até a proxima!!!1

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    1. Oi Dan, tudo bem? Imagine, sei como é! Volta e meia também leio blogs novos, até curto, mas acabo não conseguindo responder ... super entendo!
      Que bom que esse anime também lhe fisgou! Foi a minha escolha, e ainda bem que pelo jeito acertei no gosto de alguns leitores. Fico feliz que tenha gostado dos posts também! ! ^_^

      Sim, verdade, eu confesso que estou meio contigo nessa. Neguei, neguei, mas agora tenho que admitir que vejo sim. Também achei a cena do dedo mindinho até romântica, especialmente porque Bon depois a relembra, deitado na cama, e isso é muito lindo.

      Eu concordo que é possível que o Bon sinta algo pelo Shin que nem mesmo ele sabe explicar, também. E sim, especialmente levando todos esses fatos em conta, o nome suicídio duplo também não me cheira bem.

      Enfim, por hora, não temos como saber nada... isso tudo será cenas dos próximos capítulos! De qualquer forma, muito obrigada pela visita e pelo comentário, e até mais!! :) ♡

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