segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 3 - Sobre partidas, encontros e reencontros.


"Chell, post atrasado de novo?" Ok, eu admito: Dessa vez a culpa foi 100% minha. Eu acabei atrasando por ter tanta coisa a dizer que nem sabia por onde começar.

Eu comecei a assistir esse episódio esperando algo mais dramático, pelo preview que estava no episódio 2; com o Kikuhiko fazendo yubikiri (promessa dos dedinhos) e o Sekuroku fazendo cara de chateado, e mais uma garota no meio, eu confesso que imaginei uma coisa totalmente diferente desse episódio: briga, drama, discussão, e aquela coisa toda que a gente costuma ver em triângulos amorosos. Imaginava que a garota ia ser a mãe da Konatsu.

Em resumo, esperava uma coisa totalmente diferente. Não, não teve triângulo amoroso nesse episódio, teve drama sim, mas de uma outra ordem - eu devia dizer, muito mais realista sobre um certo aspecto. O drama dizia respeito à briga pessoal do Kikuhiko, vulgo futuro Yakumo Yuurakutei, com ele mesmo, enquanto ele descobria se queria fazer rakugo ou não da vida; se, mais importante do que isso, poderia ou não, já que ele não se saía tão bem quanto Sukeroku-então-Hatsutaro...

Mas, eu vou falar disso aos poucos. Porque por hora, eu só quero falar de um negócio: Porra, Haruko Kumota. Depois de todo o esforço que eu fiz na semana anterior (que já faz duas...) pra não shipar esses dois, você me bota yubikiri, rostos corados, e uns momentos deveras questionáveis sobre esses dois. Já aviso então que esse post vai ter uma dosezinha de especulação fujoshi, e pra quem não gosta desse tipo de coisa, recomendo que pule o parágrafo lá no final em que eu vou falar sobre isso sim!

Então, vamos aos comentários desse episódio maravilhoso, porém totalmente confuso pra minha cabeça fujoshi? ♡

Ok, a primeira coisa que eu queria dizer sobre o episódio diz respeito à abertura: ela é maravilhosa. É o encerramento do primeiro episódio, só que agora com uma animação muito bonita. Eu gosto bastante da música, cantada pela Megumi Hayashibara - a dubladora de uma das personagens que apareceram nesse episódio - e da sua letra.

Bem. Esse episódio foi basicamente sobre a juventude de Kikuhiko e Sekuroku, como dois artistas de rakugo em formação. Depois do final do episódio passado, no qual ambos fazem suas primeiras apresentações de rakugo, chega agora a vez de mostrá-los crescendo como dois artistas em pólos totalmente opostos de reconhecimento. De um lado, está Sekuroku - um jovem artista com muito talento para demonstrar, muita paixão pelo que faz, e que tem tudo para ser uma estrela de rakugo. De outro lado, está Kikuhiko - um jovem que se esforça como um camelo, que lentamente descobre uma paixão pelo rakugo que nunca imaginou que encontraria dentro de si, e que luta meramente por um espaço no universo do rakugo.

O universo do rakugo, como vemos nesse episódio, não é nada fácil. Logo no começo do episódio, quando ainda está sendo retomado tudo que aconteceu no episódio anterior e tudo mais, Sekuroku joga uma letrinha para o Kikuhiko, falando que, com o jeito de atuar e a voz baixa dele, nada cômicos, ele provavelmente se daria melhor fazendo "rakugos eróticos" e coisas do tipo, ao invés de se aventurar no mesmo tipo de rakugo - mais tradicional e popular - que ele. Essa cena é particularmente interessante, porque apesar de, sim, se mostrar um pouco chateado com o conselho, Kikuhiko enrubesce e ao dar sua resposta (vide imagem ao lado) e depois ele acaba acatando o conselho.

Comentário: Esse foi o primeiro momento do episódio em que minhas anteninhas de fujoshi se ergueram. Tudo bem ele ficar tímido com uma sugestão dessas, claro, mas levando em conta o histórico da autora da história com yaoi, eu comecei a pensar (assim como outras pessoas que vi comentando) que talvez ela tivesse tido vontade de colocar alguma coisa a mais entre eles, mas não o fez.

Prosseguindo com os acontecimentos do episódio, o fato é que Kikuhiko acaba aceitando dedicar-se ao campo do rakugo erótico, que, segundo Sekuroku, era algo que ele poderia fazer pelo seu histórico e suas habilidades com dança e etc. A verdade é que, com sua vida dividida entre a escola de manhã, e o treino de rakugo a tarde, Kikuhiko - que já tinha uma certa dificuldade natural em interpretar comicamente, e apenas conseguir decorar e interpretar as frases já era um grande desafio para ele - acaba ficando muito para trás de Hatsutaro em termos de habilidades, e por isso começa a praticar rakugo erótico, dada a sua falta de talento e as dificuldades para suceder no universo do rakugo.




Isso também não dura muito, mas dura ao menos o bastante para Kikuhiko perceber sua própria paixão pelo universo das artes, e pelo rakugo por consequência. Talvez não fosse exatamente o rakugo, e um dos grandes eixos desse episódio foi exatamente o processo do Kikuhiko de auto-descoberta, de apaixonamento pelo rakugo, de envolvimento nesse universo das artes - e que fez com que ele se tornasse o "mestre Yuurakutei" de hoje. Ouvindo o som do shamisen, Kikuhiko se dá conta de que realmente gosta daquele universo. É, afinal, onde ele nasceu e se criou. É nesse mesmo universo que ele tem sua primeira namorada, e eles namoram às escondidas. A respeito do rakugo especificamente, ele diz que realmente não gostava tanto no começo, mas que graças a Hatsutaro  se apaixonou por essa arte. Esses vários episódios transcorridos na vida de Kikuhiko são mostrados nesse episódio.






Por conta dos conflitos políticos do período histórico, o rakugo acaba passando por tempos muito difíceis. Cinquenta e três rakugos foram banidos e, agora, vários artistas perdiam espaço. Dentre esses, claro, estavam Kikuhiko e Hatsutaro. Eles acabam trabalhando para pagarem as contas, mas chega um determinado momento em que não é mais possível sustentar aquela situação. Bem, agora eu quero abrir um parênteses aqui para fazer uma errata sobre coisas que eu escrevi nos últimos dois posts. Em momento nenhum ficou muito claro o que ao "Shouwa Genroku" do título se referia, mas com meu ínfimo conhecimento de história japonesa, eu estava admitindo que essa história - do passado do Kikuhiko e do Hatsutaro - se passava nos anos 70. Pois bem, me enganei. Essa história se passa na realidade em plena Segunda Guerra Mundial, no ano 1941, época em que o rakugo ainda está no seu auge, e então essa arte vê um declínio nos anos seguintes. O que eu tinha lido se encaixou perfeitamente com o que foi mostrado nesse episódio, e finalmente eu entendi. Bem, retomando - por conta da Segunda Guerra, o rakugo acaba caindo em declínio e não só os artistas como a população japonesa em geral começam a passar por uma série de dificuldades.
Queria aproveitar para deixar aqui uma recomendação de filme totalmente aleatório: Hotaru no Haka, filme do estúdio Ghibli de 1989, que retrata acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. É um dos meus filmes favoritos, meu favorito do estúdio, e eu cheguei a recomendá-lo para o finado blog Quadrinhos Gonzo na Corrente de Reviews 2014!
Uma das dificuldades, claro, diz respeito ao fato de que os teatros nos quais aconteciam as apresentações artísticas, já esvaziados, começam a fechar. Tóquio, onde eles moravam, passa a existir de guerra. O mestre Yuurakutei tem a intenção de proteger sua família, e assim, faz um pedido aos aprendizes: Kikuhiko deveria ir para o interior com a sua esposa, para ficarem em segurança, enquanto Hatsutaro, o mais habilidoso no rakugo, deveria continuar ao lado dele, e ambos seriam artistas que trabalhariam em entreter as tropas durante a guerra. Não sei exatamente como funcionava esse sistema naquela época, confesso, mas o que importa é reconhecer que Hatsutaroe seu mestre tiveram que ir para a guerra na condição de artistas, e essa separação não foi sem muita dor, ao menos da parte do Kikuhiko (que acompanhamos mais de perto) que propõe uma promessa para o Hatsutaro: a de que eles voltariam a se ver.

Antes de partir para a parte da guerra, esse é mais um momento do episódio que me fez questionar se canonicamente o Kikuhiko teria ou não sentimentos pelo Hatsutaro ou não. Nessa última noite no mesmo quarto, Kikuhiko pede, como de costume (com a voz sugestiva do Akira Ishida, nada menos...) que Hatsutaro conte um rakugo para ele dormir, e parece ser precisamente um rakugo que fala sobre uma pessoa se esforçar e outra não... A disparidade que ele sente entre eles em termos de técnica artística é óbvia, mas ele sempre lembra que, apesar disso, foi por conta de Hatsutaro que ele se apaixonou pelo rakugo, o que chega a ser irônico. Não pretendo fazer isso virar um ship manifesto, mas enfim, só deixar no ar o que eu senti por esse episódio. Talvez isso seja respondido nos próximos episódios, talvez não.

O restante do episódio, não devo nem ter que dizer, é extremamente melancólico. Hatsutaro e o mestre Yuurakutei partem com a promessa de voltarem em alguns meses. Durante esses meses, Kikuhiko passa a trabalhar em uma fábrica, conhece uma garota, se apaixona... tudo acontece de forma até monótona, e ele confessa que lhe ocorreu o pensamento: e se nos casássemos, e eu vivesse essa vida pacata, longe dos aprendizados do rakugo e de tudo que conhecia até então? Conforme os meses se passavam, e então anos, as cartas do mestre Yuurakutei cessaram. Ambos começam a se questionar se eles ainda estariam vivos. A senhora começava a definhar, em plena depressão, e Kikuhiko confessa que naquela época já havia desistido de reencontrá-los.


Preciso dizer que essa parte, por mais que trate de um cenário realmente específico - de uma família separada por conta da guerra, que aguarda pessoas que podem nunca mais voltar - é extremamente identificável, pela forma que Kikuhiko narra. Ele sabia que tinha a opção de viver uma vida tranquila com uma família, conseguisse ele tão somente esquecer o rakugo. Mas arrumando as coisas, ele reencontrava livros de rakugo, e no que o reencontrava todos os sentimentos voltavam. E diz que, por mais que tentasse esquecer, o rakugo já havia "criado raízes no seu coração". Ainda que Kikuhiko já estivesse passando por um processo de descobrir em si uma paixão pelo universo das artes e pelo rakugo há anos - ou desde o começo do episódio - foi necessária essa partida para esses sentimentos criarem raízes. Ele queria esquecer, mas quando se via melancólico demais, recitava histórias de rakugo para se acalmar.

Em uma história que é narrada em primeira pessoa, penso que talvez seja importante nos atentarmos para a narrativa. Não é querer ser intérprete de Dom Casmurro aqui, mas uma cena curiosa que aparece no flashback, mas ele não narra, é quando deitado no colchão - como anos antes, mas sem o Hatsutaro ao lado - ele sente insônia e recita para si mesmo, com o dedo da promessa trêmulo, o rakugo que Hatsutaro recitava para ele antes de dormir. E essa cena, pessoalmente, me destruiu. O universo mágico do rakugo contado pelo talentoso Hatsutaro, como uma mãe que canta uma cantiga de ninar para uma criança dormir, não estava mais lá. E ele, Kikuhiko, quase já não estava mais lá; a voz manhosa era agora uma voz de desespero, e o dedo trêmulo não tinha nenhuma mão maior que o acolhesse. Penso eu que essa cena foi muito impactante pra mostrar, através do paralelo das imagens (ver: 1 e 2), o quanto o mundo dele - por mais pobre e difícil que fosse - era incrível e tinha se esvaziado do dia para a noite, e fica claro então por que ele abraçou aquela vida pacata como um anestésico e fez um esforço para esquecer tudo. Eu pessoalmente achei destruidora, mas não vou me deter. ^_^;

Enfim, de uma hora para outra, naquele fatídico dia em 1945, a Guerra acabou. Kikuhiko e a senhora voltaram o mais rápido que puderam para Tóquio, deixando a tal vida pacata e a namorada. Eles retornam para a casa, que estava intacta, e o único pensamento que tinham, segundo ele, era a esperança de que os dois voltassem um dia. Foi por isso que ele começou a trabalhar incessantemente como chefe da família temporário, segurando as pontas da casa e da senhora, e foi por isso que voltou a apresentar rakugo apesar de extremamente atarefado. Mas ele diz que, apesar de tudo, estava feliz por simplesmente voltar a apresentar rakugo. Por mais insano que fosse seu ritmo, e por mais que ainda fosse difícil apresentar rakugo naquela época, simplesmente voltar a sentir um gostinho da vida que ele conhecia foi o bastante para torná-lo uma outra pessoa mais uma vez.

Preciso falar aqui que o desenvolvimento de personagem nesse episódio é incrível, e ainda que tudo muito sutil - afinal, Kikuhiko é um personagem sutil e de poucas palavras - ficam muito claros os diferentes estágios de sua vida e as forças que o motivavam em cada momento. Ora a vontade de superar Hatsutaro, ora a vontade de levar uma vida pacata, até o momento em que assimila e abraça sua própria paixão pelo rakugo... tudo no crescimento de Kikuhiko é fascinante.

E um dia, já lá pro fim do episódio, eles chegaram. Final feliz! Kikuhiko, incrédulo, derruba a vassoura e a primeira coisa que ele faz é correr para chamar a senhora. A segunda é correr para abraçar Hatsutaro, que tinha o mesmo sorriso de sempre, como se não tivessem se passado anos. E ele também o trata exatamente com o mesmo carinho, como se tudo aquilo não representasse nada. É muito bonitinho e tocante ver esse final feliz, porque Rakugo Shinjuu, apesar de extremamente pesado em seus temas - Guerra? Abandono, destruição, perdas...? - não se envergonha de ter finais felizes piegas, e histórias de superação com finais felizes. E isso me deixa feliz: densidade psicológica numa série não é equivalente a dramalhão, e eu acho que muitas séries podiam aprender com isso.

Enfim, Kikuhiko conclui dizendo que então eles voltaram para o rakugo - Hatsutaro com a mesma paixão de sempre, e ele provavelmente com mais - e passaram a perseguir uma vida como artistas de rakugo, agora dividindo um quarto longe da casa do mestre. E quanto a Hatsutaro, ele conclui a narrativa desse episódio dizendo que: "não importa onde ele olhasse, ele via um futuro brilhante, e se eu olhasse naquele momento também o veria". Sim, foi exatamente o que vimos até aqui: Kikuhiko não possuía nenhum interesse no rakugo a princípio, e chegava a ter sentimentos bem negativos - pois dependia do rakugo para ter um lar, mas nunca o escolheu e ainda era o pior dos dois! - mas foi a trajetória de anos com a personalidade excessivamente empolgada de Hatsutaro que o fez passar a apreciar essa arte, até o ponto de enfim se identificar como um artista de rakugo por conta própria, e decidir por si mesmo perseguir essa arte. E não tem nada mais doído do que se identificar como uma sombra, mas é isso que ele faz aqui em termos literais.

Bem... esse episódio, eu assisti umas cinco vezes, mas demorei eras para fazer o post. Porque, como disse, eu não consegui digerir exatamente sobre o que é. É sobre o crescimento do Kikuhiko? Sim, com certeza, mas é também sobre saudades e como isso mexe com uma pessoa. É sobre a Guerra, mas Rakugo Shinjuu não é uma história sobre a Guerra. Eu precisei pensar um pouquinho para concluir que o eixo é como o Kikuhiko se apaixona pelo rakugo, e passa a ter para si o desejo de crescer nessa arte. Por que eu demorei um pouquinho pra sacar o que devia ser tão óbvio? Porque ele se coloca o tempo todo no papel de sombra na sua própria narrativa. A narrativa poderia ser resumida em "eu não escolhi a vida do rakugo, a vida do rakugo me escolheu". As coisas aconteciam, e quando ele ia se dar conta lá estava ele no rakugo de novo, cada vez mais convicto de sua... não-escolha. E nesse sentido chega a ser assustador o quanto isso tudo, digamos, foi causado pelo Hatsutaro. Ainda que não diretamente, mas o encantamento e a saudade que o moveram para o rakugo, e então a necessidade... fica a pergunta no ar: se aquele garotinho sem lar não tivesse implorado para ser aprendiz do mestre Yuurakutei, prometendo que "o futuro da linhagem seria brilhante", qual teria sido o rumo do Kikuhiko, e mais, da linhagem dos mestres Yuurakutei?

O episódio termina com um fato em suspenso: Miyokichi! A bela de vestido vermelho que aparece no final procurando por Kikuhiko é provavelmente a namorada de Hatsutaro (finalmente! Eu me confundi na minha interpretação do preview anterior, tá...?) mas isso são cenas dos próximos episódios.

Enfim, Rakugo Shinjuu continua sendo uma história incrivelmente densa e instigante, com muito pano pra manga. Me pegou realmente a coisa do "será que o Kikuhiko tem sentimentos além de amizade pelo Hatsutaro?" nesse episódio, e eu tentei mais uma vez me convencer de que talvez seja só mania da autora e eu esteja vendo coisas demais, mas talvez não. Esse episódio teve comparativamente pouco rakugo, então quem queria mais rakugo e menos flashback com certeza se decepcionou, mas tenho pessoalmente a impressão de que essas pessoas são minoria.

Com certeza foi um bom episódio de josei, com momentos sentimentais aos montes, muito desenvolvimento de personagem e um final que deixou curiosidade pelas cenas dos próximos capítulos. Eu pessoalmente adorei o Rakugo Shinjuu dessa semana (foi bonito, foi intenso, foi doído!) e espero apenas que mantenha esse nível de qualidade técnica e narrativa até o final porque com certeza tem tudo para se tornar um clássico dentro do seu gênero. ♡

Por fim, peço desculpas por ter atrasado muito o post dessa semana, pelos motivos que já expliquei. Mas espero que tenham gostado mesmo assim, e logo mais sai o do episódio 4! Por favor, deixem nos comentários dicas, sugestões, reclamações pelo atraso e afins. Até mais!~


Preview do episódio 4:

 

9 comentários:

  1. Fiquei com muita impressão que o Yakumo é gay ou bissexual com esse episódio, e você pode me acusar de muita coisa, menos de fã de yaoi/BL, hehe. Mas aposto que a relação entre os dois, e a admiração do Yakumo pelo Sukeroku é mais a de um irmão, um amigo muito próximo mesmo. Temperado, naturalmente, pela narrativa e construção de personagem de uma autora que já escreveu yaoi também.

    Ele não pareceu apaixonado por sua primeira namorada, e eu nem sei se diria que ele chegou a namorar a garota que conheceu no interior ... o anime não mostra nada então não dá para saber muito. Ela gostava dele - essa é a única certeza.

    O quarto episódio (já assistiu? prometo não dar spoiler =P) revelou mais sobre o íntimo do Yakumo e afastou um pouco a possibilidade dele ser homossexual, acredito.

    E deixe eu te corrigir: você não SE enganou. Foi o anime que TE enganou. Ele me enganou também. Com aquele primeiro episódio, depois daquela sinopse e daqueles trailers, era simplesmente óbvio que a história seria sobre Konatsu e Yotarou, com o Yakumo pairando sobre os dois. O segundo (principalmente) e o terceiro episódios em clima de flashback pareciam apenas corroborar isso. No quarto começa a se formar a história de verdade. Parece que ela vai ser boa também, mas não consigo deixar de me sentir frustrado e enganado. Veremos.

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    1. Olá, Fábio! Primeiramente, muito obrigada pelo comentário super interessante, fico muito feliz!! ♡

      Sim, eu concordo que a relação deles deve ser mesmo 'apenas' uma de grande admiração da parte do Yakumo, e de companheirismo, mas claro que isso não significa automaticamente que nenhum dos personagens poderia querer que fosse diferente. Eu realmente não sei dizer até agora se isso é uma possibilidade ou não, mas os personagens de Rakugo Shinjuu são densos, então eu não me surpreenderia se algo assim emergisse! E sobre sua impressão de possível homossexualidade do Yakumo ter mudado com o episódio 4... engraçado que eu pensei exatamente o contrário, mas vou postar sobre e explicar logo mais.

      Ah, e sim, é verdade! Eu acabei escrevendo "namorada" pois li por aí pessoas escrevendo assim, mas pensando melhor, é verdade que eles nunca aparecem muito juntos e o Yakumo claramente estava com a cabeça em outras coisas. Eu não tinha nem mesmo notado essa possibilidade, então grata por você ter compartilhado essa observação!~

      E sim, você tem razão. Eu me confundi, na verdade, porque achei que aquele era o período atual, mas o primeiro episódio deu todas as pistas, olhando agora - o carro, o rádio... - de que aquele era o período Shouwa Genroku. Eu só não me liguei. No mais, sim, o anime 'enganou' todo mundo que pensou que ele se passaria nesse período, por uma certa perspectiva, mas ao mesmo tempo eu acho injusto dizer isso. Eu não me sinto enganada. Traçando um paralelo beeem distante, me lembro de Haruhi Suzumiya no Yuuutsu, cujo primeiro episódio era uma paródia nada a ver com TODO o resto e na época várias pessoas se sentiram enganadas. Eu acho que naquele momento muita gente aprendeu a não julgar um anime pelo primeiro episódio, e eu pessoalmente gosto de um primeiro episódio que só dá o tom para o espectador ver se faz seu tipo ou não. Eu me sentiria mais injustiçada, digamos, se o anime desse um tom no primeiro episódio que não se propõe a ter, ainda que a história fosse a mesma. Mas isso sou só eu, minhas preferências e prioridades. ^^;;

      Enfim, muito obrigada mais uma vez pela visita e pelo comentário, e espero vê-lo mais vezes por aqui!~ ( ´ ▽ ` )ノ

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  2. Haruhi foi um caso diferente porque a propaganda pré-lançamento não vendia a história como ... como aquela maluquice da história do filme deles que foi o primeiro episódio, LOL. E a animação de baixa qualidade em proporção 3:4 (quando todos os animes na época já eram wide) também dava a entender que aquilo não era a história de verdade. Mas é verdade que, mesmo assim, enganou muita gente. Enganou de propósito para zoar com a cara dos fãs mesmo; Haruhi se tornou um anime famoso por zoar seus expectadores. Rakugo Shinjuu não quis enganar até onde pude entender, foi só uma forma meio incompreensível de introduzir a história.

    E bom, eu não percebi nada no primeiro episódio que desse a entender que a história de verdade seria outra. Eu sequer saberia que o episódio dois seria um "flashback" se não fosse a prévia! Acho que pelo menos para esse tipo de história você deve ser mais perceptiva do que eu =)

    Sobre o quarto episódio não vou adiantar muito porque vou escrever exatamente sobre ele ainda hoje para o meu blog, hehe.

    Comecei a acompanhar seu blog nessa temporada e você escreve bem, o que já é mais do que posso dizer sobre a maioria dos blogs de anime. Pretendo continuar por aqui sim, enquanto você continuar =)

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    1. Sim, exatamente! E penso que o humor irônico e cheio de referências do filme do primeiro episódio já deu o tom do humor que o resto da série teria, apesar de obviamente não ser uma série *só* de comédia. Mas você tem razão, já teve uma zoeira com a cara dos espectadores (ao menos os que caíram) ali, no que Haruhi é mister, haha. Pensando aqui, não acho que Rakugo Shinjuu foi o primeiro anime que assisti a fazer isso (de contar uma história no passado mas começar no "presente"), mas de cabeça no momento realmente não me lembro de qual outro fez...

      Ah, não, isso eu também não vi. Pela sinopse, mesmo, eu tinha entendido que a história seria sobre o Yotaro também! A confusão que eu fiz foi sobre a que momento da história o "Shouwa Genroku" (anos 70, pela história japonesa) do título se referia. ^_^; Era ao primeiro episódio, aparentemente...

      Ah, então você é o Fábio do Anime21!! (Bem lerda eu... li seu post, mas não tinha muita certeza, haha.) Eu também estou terminando meu post do quarto episódio, depois passo lá para dar uma conferida no seu! ^_-

      Bem... posso dizer o mesmo do seu, haha. Gostei bastante dos seus posts de Rakugo Shinjuu, e espero poder continuar lendo-os também! Então, até mais! :)

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  3. Ohayou, Chell! Há quanto tempo eu não dou as caras ^^

    Confesso que não tenho andado a acompanhar muitos animes, mas leio sempre as suas sugestões e aponto os animes que me parecerem mais interessantes - assim, com um significado real e não apenas dos que se vê por entretenimento"- para lhes dar oportunidade mais tarde. Rakugo foi um dos que me chamou a atenção no seu post de primeiras impressões, mas limitei-me a andar à cuca que mais recomendações antes de o adicionar realmente, já que esta é uma daquelas histórias (josei, não é assim?) que se pode tornar brilhante ou, apenas, indigestível - dependendo do desenvolvimento. Além disso, mesmo não vendo shounens peito e bunda há um bom tempo (e garanto que não tenho saudades), mesmo assim estava à procura de uma obra bem sóbria e profunda, mas sem grandes dramas. Talvez Rakugo seja a escolha certa - mesmo a animação em si é cativante pela sua simplicidade e tons pouco saturados, e pelos traços, e é refrescante em comparação com aqueles animes cheios de cores.

    Eu adorei todo o parágrafo em que você disse que assistiu o ep 5 vezes e teve de pensar bastante para decidir sobre quê que o episódio tinha sido. Conseguir envolver tantas temáticas e emoções densas na trama de uma personagem complexa com uma das evoluções mais belas que já vi não dá para qualquer um, e se dá assim que pensar, torna-se algo mais majestoso ainda. E aquilo de que mais gosto em animes centrados em alguma profissão ou whatever bem específico - animes de desporto, aquele anime do caligrafista (barakamon), animes de música... - é o como o tema escolhido serve apenas de pretexto para um crescimento alucinante das personagens. Não sou a maior fã de flashbacks, mas se forem bem trabalhados, sou capaz de gostar deles.

    A narrativa em primeira pessoa é, também, um elemento que me prende, e já simpatizo tanto com Yakumo como com Sukerou. Seja pela energia vibrante e contagiosa do Sukerou, seja do Yakumo e os seus sentimentos - aliás, em particular esse de acabar por gostar de algo do qual só se foi aproximando pela necessidade. É um sentimento com o qual já me deparei muitas vezes, e assim valorizo mais o ato de "aprender a gostar" e o "esforço" do que a atitude daquelas pessoas que já gostam e têm talento automaticamente. Quanto ao ship, embora seja de facto duvidável de que este receba grande atenção em futuros episódios, eu também não o negaria - e acho que uma das coisas de que mais me orgulho em ser fujoshi é de ver potenciais relacionamentos onde antes só veria uma amizade. Agora, mesmo sem negar a amizade, sou capaz de saber que - se os produtores quisessem e as personagens agarrassem a oportunidade - esse laço se tornaria algo mais.

    É isso. Não tenho tempo para comentar mais, gómen.

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    1. Olá, Anilyan! É verdade, saudades de ti! ^ヮ^
      Poxa, fico agradecida de poder te ajudar nisso! Sim, sua análise está bem certa, Rakugo é definitivamente uma obra sóbria e profunda, e sua estética condiz com a impressão que a narrativa deseja passar, mas acredito que ainda há grandes dramas por vir. De qualquer forma, é um prato cheio para quem gosta de histórias mais maduras e realistas com toda a certeza!

      Eu tive mesmo, e sim, é bem o que você disse! Porque a história é tão realista que todos os fatos se entrelaçam, e você não consegue distinguir exatamente propósitos e objetivos, ou se sequer há propósitos e objetivos, além de mostrar os personagens se desenvolvendo o mais realista e incrivelmente possível. A história não é exatamente um flashback, ela só é narrada por um personagem no futuro. Que nem, digamos, Titanic, ou boa parte de Shinsekai Yori. Não é um recurso narrativo tão incomum, mas as pessoas se confundiram pelo primeiro episódio, com toda a razão, afinal não dava para advinhar que a história seria com um certo personagem no passado...

      A narrativa em primeira pessoa também me prende bastante, pois me faz imaginar várias possibilidades. Apesar de as personalidades do Yakumo e do Sukeroku serem um pouquinho estereotipadas - pessoa estóica e pessoa super energética são amigas... - eu não vou mentir, o jeito que eles são retratados é incrível. Ambos são personagens muito densos e realistas. E sim, o Yakumo realmente é admirável em muitos sentidos, eu concordo. Quanto ao ship... bem, é ver para saber! Eu não falo tudo nesses posts, mas tenho algumas conclusões para tirar no post do episódio 4. ^_^;

      Imagine! Peço desculpas por não ter comentado no seu blog nesse mês de Janeiro (como pode perceber, tenho mudado algumas coisas no meu e ando meio vidrada em resolver tudo isso logo...), mas agradeço de coração sua visita e seu comentário, e fico feliz que meus posts tenham te incentivado de alguma forma a ver esse anime que considero maravilhoso. ♡ Muito obrigada, um abraço, e até mais!!~

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  4. Sou eu mesmo =) Obrigado por ler e gostar dos meus artigos, depois diga o que achou, estou curioso com o seu artigo e sua opinião sobra o episódio, até o//

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  5. oin!! sou eu @gabrielli200 la do twitter!como disse adro o seu bloggg!

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    1. Oi, Gabrielli! Tudo bem? :) Muito obrigada! Beijinhos e espero continuar trazendo bons posts!

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