sábado, 16 de janeiro de 2016

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 1 - Sobre rakugo, os sentimentos e vidas das pessoas.




Vão ter posts semanais sobre Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu como prometi, sim, e esse é o primeiro deles! Yay!~

Confesso que depois de prometer aquilo no outro post eu fiquei meio, ei, será que vou ter mesmo muita coisa para falar sobre esse anime? Afinal, é um josei sobre vidas de personagens... que não fazem coisas grandiosas da vida, em teoria. Mas só o primeiro episódio já me levou a fazer uma série de reflexões sobre a arte do rakugo - que eu pessoalmente não conhecia, - a natureza das artes no Japão e uma série de coisas que me deixou tão positivamente surpresa que já poderia escrever de cara vários posts temáticos. Decidi então que precisava escrever um post sobre o anime logo. E muitos outros. E fiquei pensando, e pensando, e vou compartilhar aqui o que pensei nesses dias. ♡

Em nota, se você não assistiu o episódio, recomendo muito que assista antes de ler. Apesar de fazer um breve apanhado aqui, eu não consigo transmitir um décimo das emoções demasiadamente sensíveis que o episódio transmite e foquei nas minhas impressões e expectativas iniciais, então por favor perdoem minha falta de tato. m(_ _)m No mais, espero que gostem desse post introdutório!~


A primeira coisa que eu queria compartilhar sobre esse anime é uma reflexão sobre o seu título. Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu ( 昭和元禄落語心中 ). O que raios significa isso? O que significa esse nome tão longo, difícil de escrever (olha pra esses kanjis!) e de decorar? Eu, que sei um pouquinho de japonês, meio que gosto de tentar deduzir quais vão ser as temáticas das séries e animes a partir dos nomes delas, porém nesse caso específico eu só agradeci por conhecer a autora, Haruko Kumota, porque não consegui deduzir absolutamente nada pelo título. E então fui pesquisar.

"Rakugo", como qualquer pessoa que assistiu o primeiro episódio do anime já sabe, diz respeito a um tipo de arte performática japonesa. Um sujeito senta no chão de um palco, munido apenas de um leque e um tecido, e atua uma história cômica. Em sua atuação, ele pode mexer os braços, fazer expressões e coisas do tipo, porém não pode sair da posição seiza (é aquela forma japonesa de sentar sobre os joelhos que a gente vê muito em anime histórico, com personagens bebendo um chá à mesa...) em nenhum momento. O anime é essencialmente sobre personagens que são ou querem ser artistas de rakugo, então essa parte é simples.

Apesar de essa arte ser mais antiga que isso, a expressão "rakugo" começou a ser usada somente na era Shouwa (período histórico japonês que corresponde aos anos de 1926 a 1989). O anime se passa nos anos 70*, e vem daí o "Shouwa Genroku" do título: Shouwa Genroku foi a época de maior prosperidade no período Shouwa; os anos 70, no pós-guerra, em que o chamado milagre econômico japonês já era uma realidade. É interessante notar que ambos os nomes são bem positivos: Shouwa significa algo como "paz radiante", e Genroku, algo como "felicidade original". E é interessante notar o contraste do otimismo dessas duas palavras, então, com "Shinjuu". Shinjuu é uma palavra muito específica que denota suicídio duplo com uma conotação amorosa, dois amantes que não podem ficar juntos, por exemplo; escreve-se com os kanji de "coração" (心) e "meio" (中), algo como "no meio do coração", literalmente. Histórias como a de Romeu e Julieta são "shinjuu".

Resumindo tudo isso, o que temos no título "Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu" é algo como: "Suicídio duplo de amantes" no rakugo do período Shouwa Genroku. Bem, o rakugo do período Shouwa Genroku nós já vimos explicitamente no anime - ele é sobre isso, afinal! - mas o suicídio duplo... É. Só por aí já deu pra sentir que Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu provavelmente não vai ser uma historinha feliz, sobre pôneis e carrosséis. Vai ser, muito provavelmente, uma história com uma boa dose de tristeza. E isso já ficou mais ou menos claro no final desse mesmo episódio. Talvez a parte do suicídio duplo dos amantes seja até mais ou menos literal. Mas eu vou chegar nisso só no final desse post, prometo. Sem "spoilers" do fim do post aqui!

Bem... sobre o episódio em si, eu estava com expectativas altas para essa estreia, para quem não sabe. O episódio de estreia teve 47 minutos, o que me fez questionar se eu realmente assisti o episódio certo ou se me enganei e assisti o OVA por um momento, até ver nos outros sites que, bem, ou eu assisti o episódio certo, ou todos assistimos o errado. Sim, o primeiro episódio de tem 47 minutos. Eu comecei a assistir sem saber disso, e por volta dos 20 minutos eu comecei a pensar: "Será que já vai acabar? Ainda bem que ainda não acabou. Eu estou adorando." e implorando pra que não acabasse daquele jeito (porque por volta dos 20 minutos já tem coisas bem interessantes acontecendo!) até ver que, ufa, é um episódio de 47 minutos! Foi uma grata surpresa, coisa que geralmente não acontece quando eu tenho um monte de anime atrasado para assistir, mas aconteceu.

E não de graça; é que Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu é incrivelmente envolvente. E terrivelmente lento, também. Quando começa, você não dá nada por ele. A premissa é original, sim, mas... o que esperar quando um ex-presidiário cheio de expressões faciais cômicas (um dom da Haruko são as expressões faciais cômicas e fofinhas que ela desenha - olha aqui um painel em outro mangá dela!) chega na casa de um artista famoso, implorando de joelhos para ser seu aprendiz? Nada muito sério? Ledo engano de quem não espera nada sério. Tudo acontece muito rápido, e isso chega a parecer irônico considerando o quão lento o episódio é em seu ritmo, mas a verdade é que no final do episódio já temos bastante conhecimento dos personagens, e queremos ver mais.

Resumidamente, é o seguinte. O protagonista é um jovem chamado apenas de "yotaro", uma gíria do rakugo para rapaz jovem; quem o chama assim é seu mestre do rakugo, os demais nunca o chamam pelo nome, e isso é interessante de observar: para seu ex-chefe do crime, ele é o pupilo; para o mestre, ele é o yotaro; cada um o chama com seus termos que são próprios, mas ele, ao menos por enquanto, não tem sequer nome próprio. Ele não tem nada. E, curiosamente, é assim que ele se apresenta no começo do anime: se eu não tenho nada, eu posso fazer tudo, afinal não tenho nada a perder. Ele é uma pessoa que saiu da prisão com uma mão na frente e outra atrás, sem um lar para retornar, tem um histórico de crimes mas aquele fio de esperança: ele se apaixonou pelo rakugo na prisão, e quer ser aprendiz do mestre Yuurakutei.

Yotaro chega um belo dia na sua porta, assusta o empregado (uma espécie de mordomo) da família que está lavando o carro deles, e que fica: socorro, tem um criminoso aqui, o que eu faço?. Sucede que o tal criminoso, muito honesto, se ajoelha e pede apenas para ser aprendiz do mestre Yuurakutei, e aí eles começam a conversar - assim, de pessoa para pessoa. "Desculpa, o mestre Yuurakutei não pega aprendizes", ele diz, e aí o tal criminoso se revela como o verdadeiro bebê chorão que é, e começa a gritar, perguntando-se o que vai fazer da sua vida agora.

Diante desse berreiro, chega Yuurakutei**. Yuurakutei não é uma figura menos conturbada, na real. Ele é um senhor (dublado pelo meu amado Akira Ishida, grande dublador de bishounen de morais e sexualidades ambíguas) que tem muita experiência no rakugo, mas misteriosamente não aceita aprendizes. Em sua casa, acolhe uma filha adotiva rebelde que o detesta, e eles discutem com frequência. Ele é rígido, autoritário, estóico. Apesar de rakugo ser um gênero de comédia, seu rakugo transmite precisão e exatidão. É belo, mas não faz as pessoas rirem escrachadamente. É sensível, mas não absorve as pessoas a ponto de que elas ignorem os barulhos ao redor. É rico e experiente, digno de um mestre em sua técnica, mas falta algo. Ainda por cima de tudo isso, a filha o acusa de ter assassinado seu pai.

Ainda assim, aquele 1% do Yuurakutei parece ter uma inclinação para acolher pessoas que não tem um lar para onde irem. Ele acolhe a menina, e o ex-criminoso apaixonado pelo trabalho dele, e (spoilers do episódio) é perturbado pelo fantasma do homem que ele supostamente matou, mas que ele claramente amava muito. E é isso. Ele, apesar de todos os seus defeitos aparentes e sua personalidade sensível, é uma pessoa incrivelmente boa sob uma outra ótica. Assim como o yotaro, que, apesar de ex-criminoso, é honesto, faz amigos por onde passa e leva o mestre a mudar a ponto de revelar esse lado mais sensível que nem mesmo a filha adotada há tanto tempo conhecia. E esse é um ponto incrível desse episódio, e espero que do anime: os personagens. Aos pouquinhos, a história e sobretudo seus personagens vão te conquistando, e quando você se dá conta, muitas coisas já aconteceram e você quer saber mais.

Do mestre com expressão estóica que acolhe essa criatura bizarra no seu lar sem esperar nada em troca, passando pela "filha" adotiva que treina rakugo escondida do pai, até o chefe de yakuza assustador que vai atrás do seu antigo parceiro, mas se revela nas suas risadas com a apresentação de rakugo dele... todos os personagens são muito vivos, e o episódio nunca mostra de cara tudo o que eles podem ser. O espectador é convidado a descobrir suas facetas aos poucos ao longo do episódio. Até agora, o personagem mais simples em termos de personalidade talvez seja o protagonista - que é todo bobo e entusiasmado, apesar de que seu estereótipo (de ex-yakuza) normalmente apontaria para o contrário. O episódio mostrou que ele é espontâneo, se joga nas coisas sem pensar e de coração - uma personalidade realisticamente simples. É assim que ele vai parar em lugares tão diferentes ao longo da vida. Os personagens claramente me sugaram... mas voltemos ao episódio.

Boa parte do episódio é isso: Yotaro aprendendo a ser um artista de rakugo na casa do Yuurakutei. O tempo despendido só nisso é incrível. Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu é terrivelmente lento, e não parece fazer um esforço para não ser lento. Ironicamente, eu gostei pessoalmente do seu ritmo. É lento, sim, e não tem problema passar oito minutos do episódio em uma única apresentação de rakugo - uma arte que por si só é muito inanimada, já que o intérprete fica sentado o tempo todo, e o anime é sobre ela afinal. Por esse episódio, deu para sentir que será uma daquelas séries que não se envergonha de se passar como "entediante" para quem não gosta da falta de ação, de brilhos e de imagens sedutoras. Tudo bem diálogos longos com pouca animação, tudo bem não ter cores muito vivas, é uma série assumidamente mais "madura" e isso é algo que eu aprecio em bons josei, pessoalmente. Mas depois eu falo sobre isso.

O fato é que o episódio passa boa parte do tempo se esforçando em apresentar a graça do rakugo para o espectador. Eu preciso fazer aqui uma comparação com Chihayafuru [resenha], que é outro anime muito interessante nesse sentido: ele te apresenta uma atividade tradicional japonesa aparentemente entediante e "coisa de velhos" (o esporte karuta no caso de Chihayafuru, ou a arte do rakugo aqui) e se propõe a mostrar o quão incrível ela pode ser. E, pasmem, eles conseguem. Eu fui uma que se interessou pelas duas atividades, e encontrei na Internet mais gente que se apaixonu pelo karuta depois de Chihayafuru, e já encontrei também alguns comentários sobre rakugo por conta de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu. O rakugo é ainda deveras mais parado que um karuta, mas é mágico o quanto uma pessoa sentada consegue transmitir apenas com seu corpo humano, um leque e um pano.

E isso me fez ficar refletindo um pouco sobre as artes no Japão, também. O Japão é um país com uma tradição de artes performáticas muito mais evidente que muitos países. São notáveis as geishas, o teatro kabuki, os vários teatros, as danças tradicionais... o rakugo não é diferente, e foi interessante notar nesse episódio a sensibilidade dessa forma de arte, como já disse. Eu podia ter ficado entediada naqueles oito minutos vendo um personagem na mesma posição, mas não, eu realmente acabava me envolvendo na história que ele estava contando de tanto que o personagem e seus movimentos me sugavam, como um bom rakugo deve fazer em teoria, ao mesmo tempo em que me perguntava, intrigada: por que rakugo? Como sequer surgiu pela primeira vez a ideia de uma atuação sentada?... É uma arte que deixa muito para a imaginação, que nem, digamos, um drama CD - e olha os paralelos com o Japão contemporâneo aí! Talvez o Japão seja rico nessas formas de arte que deixam muito espaço para a imaginação, e eu pessoalmente acho isso fascinante.

Foi também interessante ver como, mesmo sendo uma animação e não atores de verdade, o rakugo de ambos os personagens - Yuurakutei e Yotaro - é bem diferente, e a animação toma um cuidado essencial com isso. Yotaro tem movimentos rápidos, é empolgado, grita e fala tudo com ritmo. Ele é fofo! O próprio Yuurakutei, no anime, diz: ele tenta compensar a falta de experiência com empolgação. Já o rakugo de Yuurakutei é como a pessoa dele aparenta ser: estóico, com movimentos precisos e experientes, com o mínimo possível de esforço em um certo sentido, sem toda aquela energia e empolgação jovens que o Yotaro tem para dar. Eu vi gente comentar que gostou mais do Yotaro (abraços se você ler isso, Pedro do Portal Tanaka! :) ) mas eu pessoalmente gostei mais do Yuurakutei. Claro que o fato de ele ser dublado pelo meu dublador favorito não ajuda, mas a atuação dele é muito mais precisa, os movimentos dele são como uma dança, as expressões mudam bruscamente e te deixam claro que são dois personagens diferentes. E imagino que essa seja a graça da arte do rakugo. Eles quiseram transmitir a maestria do personagem Yuurakutei e, na minha opinião, conseguiram. O fato de terem escolhido dubladores veteranos, além do cuidado com a animação, certamente também ajudou nisso. Eles reproduziram muito bem as expressões usadas pela Haruko-sensei. No geral, sou só elogios. Claro que, sendo um anime de rakugo, eles precisavam dar uma atenção a mais a essa parte, mas eles poderiam não ter tido sucesso e não acho que foi o caso aqui.

Mas não foi só sobre rakugo que eu refleti e aprendi. Mais uma coisa que eu achei interessante desse episódio foi que, sendo um anime com um forte teor histórico, eu aprendi muito no geral. A série traz temas bem tradicionais - afinal, se passa nos anos 70, e é sobre uma arte que nos anos 70 já era "coisa de velho", então é uma oportunidade única para conhecer um pouco sobre um Japão mais antigo, onde as pessoas ouviam rádio e ainda usavam wafuku normalmente. A forma de se portar das pessoas talvez não fosse tão diferente quanto em séries do período Edo e coisas do tipo, mas é uma oportunidade de ver cenários e realidades que raramente são retratadas em anime (afinal, os anos 70 não foram há tanto tempo assim, e anime geralmente retrata a) o presente, b) o passado distante ou c) universos alternativos e/ou futuristas). Então, acho que será uma daquelas séries que é um prato cheio para quem tem interesse na cultura japonesa de uma forma mais ampla.

Voltemos ao episódio. Sim, tem muito rakugo, e no meio do rakugo conhecemos os personagens. O episódio tem duração de dois, então falando assim parece que pouca coisa acontece. Isso não é mentira, mas também não é verdade. Poucos eventos descritíveis acontecem, sim: Yotaro vai morar com Yuurakutei, conhece a filha que quer ser uma artista de rakugo também, mas não pode porque é mulher; ambos pedem para aprender com o mestre, e ele só aceita Yotaro. Enquanto Yotaro pratica rakugo, chega o ex-chefe, que quer ele de volta para a vida de crimes, mas ele não quer; e então Yuurakutei o incumbe com a missão de convencer seu chefe de que ele realmente quer ser do rakugo, através do rakugo. Esse é um dos clímax do episódio. Tem uma longa apresentação, ele é convencido e vai embora.

Isso é "literalmente" tudo o que acontece, mas se o texto só tem isso, o subtexto tem uma série de interações e relacionamentos que vão se estabelecendo entre os personagens e podem ou não culminar em eventos futuros e geram um tanto de expectativa para o anime, na medida em que o espectador se envolve com os personagens. Uma das coisas que descreve, ao menos esse primeiro episódio do anime, é: sensibilidade. Condizendo com os personagens realistas e humanos, o anime é de uma sensibilidade ímpar. É interessante observar como o lar de Yuurakutei e Miyokichi é desestabilizado totalmente (de uma situação não necessariamente boa, digamos - a situação de tensão e ódio em que eles viviam) com a chegada da personalidade espontânea, honesta, quase ingênua do Yotaro, em apenas um episódio. Ele propõe uma coisa pequena (ser aprendiz de Yuurakutei - ele mesmo já sabia que Yotaro queria isso!) e faz isso se transformar em um grande evento (Miyokichi admitindo que quer aprender rakugo também) e essa abertura da garota para o pai adotivo culmina em uma revelação de Yuurakutei, no final do episódio, de algo que ele nunca havia dito para mais ninguém - e certamente não pensava em dizer. Mais para o final do episódio, temos então um outro clímax que nos instiga para o segundo episódio... cenas dos próximos capítulos...

Ah, e falando em expectativa e envolvimento, quem não torceu, nesse primeiro episódio, para que a garota conseguisse ser aceita pelo pai adotivo, ou o yakuza deixasse seu pupilo em paz, por exemplo? - e fiquemos curiosos para conhecê-los melhor também. Por exemplo, quem não teve interesse em saber o que aconteceu no passado do mestre e de sua filha com a simples exposição da história trágica da moça, certamente teve ao ver o fantasma com ele no carro. A cena diz: Ele convive com isso, e isso dói. Voltando ao que eu disse no começo do post sobre suicídio duplo, (spoilers do episódio) a história do anime realmente envolve uma morte significativa, o que gera um mistério: a moça acusa Yuurakutei pelo assassinato de seu pai, mas ele também parece ter morrido por dentro. Será? Em suma, tudo me instigou curiosidade e pessoalmente me deixou ansiosa para ver mais.

Certamente uma das partes mais interessantes desse episódio foram os personagens, e é ótimo um anime que se propõe a apresentar seus personagens e fazer o espectador se apaixonar por eles já no primeiro episódio! Eu considero que ter personagens bons deve ser uma característica de qualquer bom josei, e admito que sentia falta de um bom josei bem convencional na minha vida. Os personagens são demasiadamente humanos, e isso faz com que nos envolvamos com eles rapidamente, e torçamos por eles. O último josei que gostei provavelmente foi o próprio Chihayafuru, que é bem pouco convencional: é um josei de esportes com personagens mais jovens, no colegial. Já aqui, temos uma história sobre artes com personagens adultos, que me lembraria mais alguns dos meus primeiros josei e alguns dos meus favoritos, como Nodame Cantabile, NANA e Honey & Clover. Considero bem convencional nesse sentido. E isso é algo que não temos há alguns anos (a última tentativa que me lembro foi Natsuyuki Rendezvous, que... teve aspectos bons, mas no geral foi meio conturbado) então esse é um título que promete muito para quem gosta do estilo. Eu gosto, não foi a toa que eu selecionei como meu favorito, e felizmente a estreia não decepcionou.

Por hora (e para não deixar esse post ainda mais extenso, também) é isso que queria compartilhar sobre o que achei de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu! Resumão da história: Achei sensacional, muito amor e muito recomendável. Quis ver mais, e mais, e mais. Então vão ter posts semanais sim, aguentem aí minhas reflexões e fangirlismos sobre essa série. Espero que esse post tenha conseguido trazer algo de informativo! Se você assistiu, por favor, deixe nos comentários o que achou desse episódio, e se está curtindo a série. Críticas, sugestões e etc. também são muito bem vindas. Muito obrigada pela leitura, e até o post do próximo episódio!~ ☆彡



Edit 1: * Shouwa Genroku é o período em que se passam os eventos transcorridos no episódio 2, até quando durarem, e não esse episódio 1, que se passa no período contemporâneo. Peço desculpas pela confusão!
Edit 2: ** O primeiro nome dele é "Yakumo"; Yuurakutei é nome de família, que foi o nome concedido a ele pela família de rakugo que o adotou como aprendiz, como vemos no episódio 2. Eu costumo usar os primeiros nomes nas resenhas, mas aqui ainda não tinha sido revelado o seu primeiro nome, então resolvi deixar essa nota. ^_-

4 comentários:

  1. Saudações


    Nobre Chell, seu post ficou realmente muito bom. Demasiadamente longo, mesmo ao se levar em consideração que tu não quis se limitar às ocorrências do anime em si, mas também explanar sobre a arte do rakugo (com teor quanto a época na qual se passa o anime).

    O anime sensibiliza demais.
    Foi muito importante o toque humano dado no episódio inicial, centralizando-se nos objetivos que vinham em paralelo ao personagem destacado.

    Outro ponto que merece atenção está na suavização e simplicidade da arte, que realmente soube cativar. Os diálogos podem realmente ter soado extensos demais para muitos, eu diria até "sonolentos" para parte do fandom, mas digo que realmente gostei muito de tudo isso (da apresentação visual aos diálogos propriamente ditos, que serão a síntese da obra em toda a sua progressão).

    Resumidamente, é um anime deveras valoroso. E Chell, novamente te parabenizo por ter escolhido justamente este anime para comentar em seu blog.

    Desde agora, no aguardo dos próximos posts.
    Continue com o seu trabalho digno, nobre.


    Até mais!

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    1. Saudações, Carlílio!

      Em primeiro lugar, muito obrigada pela visita e pelo comentário, e pelo elogio também! Eu confesso que, no final, eu falei muito menos sobre o rakugo do que eu queria. Essa arte já me cativou tanto que acho que poderia escrever um post só sobre ela eventualmente. ^_^

      Sim, é verdade, o anime sensibiliza para muitos aspectos. E concordo que ele conseguiu deixar pistas de muitas coisas que podem vir a acontecer, sem no entanto revelar tudo de vez. Fazer isso é um trabalho sutil, e um que eu aprecio.

      E concordo, a arte é incrível! Eu sou suspeita para falar porque já gostava da arte da autora, mas eu gostei demais da forma que escolheram animá-la, mantendo algumas "manias" da autora, como as expressões exageradas. As cores também são ótimas, são sóbrias e combinam bem... Eu cheguei a comentar no meu post de expectativas que a aparência me lembrava um pouco Saraiya Goyou, outro anime que foi adaptado de um mangá com traços e ritmo bem peculiares, e eles optaram por manter essas car, desculpa! Mas poderia mesmo falar muitas coisas só sobre esse episódio!

      E por fim, que bom saber que não fui só eu que teve uma impressão positiva dos diálogos, apesar do seu ritmo lento, não foi algo que me incomodou nem um pouco. ♡

      Queria agradecer muito mais uma vez, e dizer que também estarei acompanhando os posts semanais do Netoin sobre Musaigen no Phantom World (que também me agradou muito, por sinal)! Vamos nos falando!

      Até mais! ^ω^

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  2. Olá, Chell!

    Sou o Pedro, do Portal Tanaka (me identificando porque o nome do meu perfil aqui está bizarro). Antes de tudo, agradeço por lembrar de mim durante o post (sério, fiquei bem feliz, heheh) e, claro, elogiar todo o texto. Ele é grande, mas cheio de conteúdo (gostei bastante das informações quanto ao rakugo, até mesmo aqui no Brasil) e ainda muito bem escrito, dá até gosto de ler. Sério, parabéns! Com certeza vou acompanhar seus comentários semanais.

    Sobre o episódio, tive a mesma impressão: sensacional! Eu de fato curti bastante, ainda mais por ser um josei, que vi muito pouco. Acho que o único foi Sakamichi no Apollon, mesmo. Enfim, vai ser ótimo acompanhar Shouwa Rakugo (tem que diminuir um pouco o título, porque, né).

    O que mais me surpreendeu foi o fato da série ser produzida pelo estúdio Deen, que, né, não é lá muito conhecido por ser um dos melhores, principalmente quanto à animação (de coisa boa que eles fizeram, só me vem à mente o excelente Rurouni Kenshin: Tsuiokuhen). Surpreendentemente -e felizmente-, Shouwa Rakugo se saiu muito bem nesse aspecto! Claro, a animação não é um Kyoto Animation da vida, mas ainda é bem competente nos momentos necessários. Créditos ao diretor, Shinichi Omata, que soube muito bem potencializar a animação através de um ÓTIMO trabalho de enquadramento e de condução, num geral. Mesmo tendo um ritmo lento (propositalmente, porque se quisessem, eles teriam cortado muito das apresentações de rakugo), ainda é muito envolvente e cativante. Era um anime que precisava que uma boa direção, especialmente nas apresentações, e foi o que teve. Fiquei bem satisfeito. AH! O character design também ficou bem bacana: simples, original e muito versátil, principalmente pelas diversas expressões e caretas do protagonista.

    E, bom, de resto, não tem muito a adicionar ao post quanto ao roteiro. Personagens carismáticos, com conflitos interessantes e várias facetas que ainda serão mais exploradas, mas já aparecem um pouco aqui. Gostei especialmente da Konatsu, pelo fato dela ser mulher e não poder realizar as apresentações de rakugo. Revela muito do contexto daquela época, e que está aí até hoje. Outro ponto é o fato de algumas histórias das apresentações de rakugo desse episódio estarem relacionados aos personagens, como o "Shinigami", que denota muito do tempo em que Yotarou estava preso, e a divertida história de sua apresentação, a qual revela muito da interação que ele tinha com o seu antigo parceiro do crime.

    Enfim, no mais, é isso. Espero que a série se mantenha num nível consistente. Ela, de fato, se mostra muito promissora.

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    1. Haha, sem problemas! É o nome do Twitter, eu reconheço! ^_^; Imagine, gostei muito de ter conversado com você naquele dia, me abriu a cabeça para outras possibilidades sobre o anime que não tinha sequer notado até então. Fico feliz que tenha gostado do texto, também!

      Ah, sim, também tivemos Sakamichi no Apollon como um josei relativamente recente, né? O episódio 2 me lembrou bastante esse título, também, por sinal!

      E sim, verdade, o Studio Deen (que ninguém dava absolutamente nada, nem eu, apesar de ele ter produzido algumas das minhas séries favoritas...) surpreendeu geral. A produção, sobretudo do rakugo, está maravilhosa. E aí comecei a pensar em como criticar o Deen é bem um preconceito nosso, não é? Já que as séries que eles produziram em anos mais recentes foram de medianas pra cima em termos de animação, na minha opinião...

      Ah, sim, eu cheguei a comentar sobre o Shinichi Omata no post de expectativas da temporada, sobre ter medo por ele ser um ex-SHAFT, até, porque é um estúdio que eu confesso que não curto. Felizmente, acho que ele pegou o melhor do estúdio. ♡ Não fiquei com aquela impressão de que ele copiou e colou o estilo, não, como alguns diretores de estúdios muito ortodoxos podem adquirir. E sim, concordo que o character design é muito bom!

      Ah, eu gostei da Konatsu também, apesar de ela ter aparecido pouco já me ganhou um tanto! O conflito dela não é muito original, eu tinha ficado meio decepcionada quando li as descrições dos personagens - todos são descritos meio como estereótipos - porém a forma que ela se coloca no anime é incrível, e acho que a seiyuu Yuu Kobayashi é grande responsável por eu ter gostado tanto dessa personagem já num primeiro momento. ♡ Ah, e sim, pelo que vimos no segundo episódio, com certeza o rakugo vai ser um meio para apresentar melhor cada um dos personagens, o que é bem promissor!

      Eu também espero que a série se mantenha num nível consistente de qualidade, porque acredito que pode ser um dos melhores animes da temporada, quiçá do ano, se assim o fizer. ^_^

      Muito obrigada pela visita e pelo comentário (super extenso, grata mesmo!!), fico feliz de verdade que tenha curtido o post! Até a próxima!~ ☆彡

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