segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Anime: Idolmaster Cinderella Girls - Idols lutando com fofura por um lugar ao sol.





Olá! Como vão vocês? ♡

Venho aqui hoje, depois de muito tempo sem resenhas, para trazer uma breve resenha de um anime que eu gostei bastante, cuja segunda temporada terminou há coisa de um mês. Eu acompanhei suas duas temporadas com... mais afinco do que esperava a princípio, pra dizer o mínimo, e ele acabou me surpreendendo positivamente e me ganhando, a despeito de eu ser bastante fã de uma "franquia rival".

O anime de que trato aqui é The Idolmaster: Cinderella Girls, baseado no jogo de celular homônimo, que por sua vez é parte da grande franquia de videogames e afins The Idolmaster. Sua primeira temporada estreou em Janeiro deste ano, e desde então, graças a essa oportunidade positiva de ter contato com a série, venho me aproximando progressivamente da franquia Idolmaster e me perdendo de vez na vida idol.



Eu não digo "oportunidade positiva" ali em cima de graça, não; eu digo porque já tive, sim, outras oportunidades de me aproximar da série que foram meio... negativas. Vamos recordar que Idolmaster é uma série de jogos que, apesar de ser querida e rentável no Japão bem desde o seu lançamento, em 2005, tardou a ser minimamente conhecida no ocidente. Por que?

É verdade que um pouco disso é pelo fato de Idolmaster ser uma espécie de raising sim/dating sim, gêneros que nunca foram muito populares no ocidente, antes de ser um rhythm game. Mas a maior parte disso é certamente culpa de Idolmaster: Xenoglossia, primeira adaptação em anime da série, lançada em 2007, que foi o primeiro contato que muitas pessoas do ocidente - que só conheciam o jogo de "ouvir falar e querer jogar (mas não sei japonês)" - tiveram com Idolmaster na época. Na época, não tinha nenhum jogo traduzido da série, e o contato que eu tinha, assim como muitas pessoas, com a série, era apenas de conhecer as músicas mais populares, como Relations, Agent Yoru wo Yuku e Go My Way. Parecia um jogo legal, e muita gente queria conhecer mais.

O problema é que esse anime tinha muito pouco, quase nada do que tinham os jogos. O anime era uma adaptação com nada de idols (idols provavelmente não eram legais em 2007; vamos agradecer Idolmaster por serem hoje!) e mecha, coisa que o jogo certamente não tinha. Pensa num Persona Trinity Soul [comentários], mas se Persona Trinity Soul ainda foi lançado depois que o jogo de Persona 3 já havia saído em inglês - o que ao menos rendia comentários de "não se enganem!" dos menos desavisados - Idolmaster: Xenoglossia surgiu antes de qualquer tradução dos jogos da série Idolmaster, e não foi bem recebido em lugar nenhum do planeta. Ou seja: foi pra acabar com as chances de a série vingar comercialmente no ocidente.

O que não significa que ela não continuou muito popular no Japão, e com alguns fãs fieis aqui pelo ocidente. (subitamente, me lembrei desse grupo brasileiro de cosplayers de Idolmaster... nostalgia!) Surgiram algumas tentativas de tradução de jogos, mas nada oficial; a maioria dos fãs eram mesmo os que sabiam japonês. Foi só em 2011, com o lançamento do anime The iDOLM@STER, que realmente seguia a proposta de um dos jogos originais, que o cenário começou a mudar um pouco. O anime foi bem recebido, e abriu algum espaço pra série por aqui. Em 2013 foi lançado o jogo The Idolmaster Shiny Festa em inglês, pra iOS. Sucede que tudo isso ocorreu paralelamente à popularização de Love Live! [comentários] no Japão, e também no ocidente, já que o jogo de iOS e Android foi logo lançado em inglês, então...

O resumo da história é que Idolmaster é uma série enorme, popular, e bastante responsável por toda a onda idol que temos em anime hoje em dia, mas pouquíssimo conhecida no ocidente. Isso tudo foi para explicar como eu conheço Idolmaster, quais eram as minhas expectativas, e por que eu gostei tanto do anime de Idolmaster Cinderella Girls. É opinião enviesada sim, mas tenho minhas razões.

Então, Idolmaster Cinderella Girls, que é uma história diferente com outras personagens, surge como um spin-off da série em 2011, como um jogo gratuito pra celular. A premissa é a mesma: você é um produtor que precisa deixar suas idols famosas; no entanto, isso é feito de forma totalmente diferente daquela da "série original". Aqui, você precisa treinar cartinhas colecionáveis. Pra quem jogou o jogo Love Live! School Idol Festival: é a mesma coisa, e inclusive é daqui que veio o gameplay de SIF. Idolmaster CG, como uma série diferente, passa a ter suas próprias continuações, shows e afins, e com isso, ganha também uma série de anime, em 2014.

Com tudo que está escrito aqui, dá pra ter uma noção de como Idolmaster é uma série grande e influente, e Idolmaster Cinderella Girls é a prima pobre - literalmente, o jogo é gratuito e bem simplificado em relação à série original. Se no Japão Idolmaster tem vários fãs, e o lançamento do jogo de celular certamente só serviu pra popularizar ainda mais a série, no ocidente foi diferente por conta do tipo de fãs que a série angariou. É por tudo isso que os fãs em geral não recebem bem Idolmaster CG, e como é de se esperar, muito menos o anime.

E eu expliquei tudo isso pra defender que, como eu não assisti o anime de 2011 para comparar, vou falar apenas de Cinderella Girls aqui, que é uma série simples de idols fofas vivendo suas vidas - a exemplo de Love Live! [resenha], mas com uma aproximação bem diferente ao conceito de idols em relação a esta, e que eu gostei demais exatamente da forma que ela é.

O que ela é, realmente, é bem simples: um anime típico de idols fofas vivendo suas vidas. E nesse sentido, seu elenco é bem grande e com todos os tipos de estereótipos pra todos os gostos. Eu defendo, porém, que a "melhor garota" é o produtor. Explico: a história de Idolmaster Cinderella Girls começa, como todo bom Idolmaster, com um produtor que precisa reunir garotas em um grupo de idols. Pra fazer isso, ele vai atrás de garotas totalmente aleatórias na rua, perguntando se elas querem ser idols, no melhor estilo Shounen Hollywood [resenha]. No entanto, o produtor é uma pessoa assustadora. Não por mal; a cara dele, estoica e sem expressão, é assustadora, mas a verdade é que ele é só desajeitado e horrível pra lidar com pessoas. Hilarity ensues. Eu pessoalmente o adoro, mas uma amiga minha, fã de Idolmaster, parou de assistir Cinderella Girls porque o achou "esquisito demais". Opiniões!

Enfim, ele vai atrás dessas garotas, em nome da sua empresa, a 346 Pro, e acaba achando três garotas para uma nova unidade: a "genki girl" Uzuki Shimamura, a cool Rin Shibuya - que é quase uma ohimesama - e a extrovertida Mio Honda, que faz meio o estereótipo da "garota esportista" - da esquerda pra direita,a s três da imagem ao lado. Eu meio que lembrei de cara de Soul Eater Not! [comentários] quando as vi, e não é por acaso - os tipões dela são bem parecidos, mesmo, além do character design. As três são as garotas do tutorial do jogo, e também as protagonistas do anime; no entanto, a empresa 346 Pro conta com muito mais grupos e garotas, que são as outras cartas do jogo. Várias delas são relevantes no anime, e tem suas histórias exploradas em algum momento das duas temporadas, sendo que muitas ganham um episódio dedicado.

Com o elenco variado, é difícil não acabar se apaixonando por umas delas, e aqui é outro ponto que eu queria destacar: a caracterização não é o forte de Idolmaster Cinderella Girls; os personagens não tem personalidades super complexas, mas o elenco é grande e tem todo tipo de estereótipo que você possa imaginar. E os estereótipos não são batidos; pelo contrário, são tipões até bastante inventivos e atuais. Por exemplo, minhas favoritas são Ranko Kanzaki, uma gothic lolita com chuunibyou que vive proclamando frases de efeito gósticas, e Anzu Futaba, uma garota fofa de estatura pequena que só gosta de dormir e comer, ser preguiçosa, e só quer ser uma idol pra ter uma vida fácil. (De verdade.) São personagens engraçadas, e assim são muitas de Idolmaster. Pra quem prefere as fofas, tem personagens fofas, e pra quem prefere as estóicas, também tem. A variedade é grande.

Nesse sentido, é diferente, por exemplo, de um K-On! ou Love Live!, que ao menos tentam ter personagens mais "realistas", próximas de garotas comuns e fáceis de se identificar. Aqui elas são deliberadamente cheias de características peculiares, e, interessantemente, o objetivo da história não é ter um episódio pra expor cada garota, por exemplo, e nem mesmo é o projeto coletivo delas; é, sim, o crescimento e popularização da empresa 346 Pro, com cada uma das suas unidades. A história do anime, em suas duas temporadas, conta desde como essas três idols chegaram na empresa, até o sucesso do tal "projeto Cinderella" do título, com o baile que acontece no último episódio da segunda temporada, que conta com todos os grupos da 346 Pro. A primeira temporada termina com o sucesso da unidade New Generations, das três protagonistas, e a segunda, com o sucesso da empresa.

É uma diferença sutil, mas substancial: por seguir o modelo do jogo, o foco do fio narrativo é, ao menos teoricamente, em como o produtor guia estas idols ao sucesso. E o final feliz é totalmente esperado, mas subverte um pouco aquela expectativa de "projeto coletivo das garotas que deu certo". É claro que elas trabalham juntas e tudo mais, mas em Idolmaster CG também há rivalidade e competição entre elas - afinal, cada uma quer brilhar individualmente como idol, e cada uma se esforça para atingir seus objetivos pessoais ali dentro da empresa; cada uma tem sonhos, que vão desde, por exemplo, "quero ser uma idol importante pra todos" até "quero ser uma estrela de rock e não sei o que eu estou fazendo no meio idol" - e nesse sentido mistura um pouco mais da realidade dos idols do que essas outras séries "similares" que mencionei acima.

Talvez por isso não tenha me entediado em momento algum. Sempre tem algo acontecendo, a empresa sempre está procurando crescer e elas sempre estão procurando melhorar suas habilidades de alguma forma, e desafios surgem e tudo mais. Aquela vibe de competitividade e crescimento, tão típica de anime de esportes, está um pouco presente aqui; nesse sentido, como já comparei, também lembrou um pouco Shounen Hollywood ou mesmo Hibike! Euphonium [resenha]. Claro que não com a densidade destes dois, mas também não tem exatamente uma proposta de slice-of-life moe. Um meio-termo interessante e diferente do que eu costumo assistir, ao menos, e talvez seja esse um dos fatores que me atraiu. A série é inegavelmente muito fofa, mas não se prende nisso. E talvez, talvez esse seja, pra mim, um sinal de que eu devia assistir a série de 2011.

E por falar em fofa, o outro ponto que me cativou - e talvez, confesso, o ponto que mais me cativou na série - é a sua parte visual e estética. Sendo direta ao ponto: tudo é muito fofo. Os cenários, as personagens, as roupas, as apresentações, tudo é incrivelmente colorido e fofo e feliz. Preciso dizer também que, como cosplayer, eu tenho tendência a dar uma atenção especial para o character desgn, particularmente pros figurinos dos personagens quando assisto uma série, e todos os figurinos de Cinderella Girls são muito diversificados e me cativaram demais. Pra quem curte tudo isso, é realmente inspirador. (Aliás, como fã de artesanatos, confesso que os mil acessórios que as garotas usam na série me inspiraram muito pros meus DIY! ^_^;) A animação em si não é soberba, só funciona, mas nem precisava ser, mesmo.

Eu confesso que a música não me ganhou, mas isso talvez seja gosto pessoal também. A música de Idolmaster, em geral, não me ganha. Pra um anime de música, achei as músicas de Idolmaster Cinderella Girls bem fraquinhas, mas uma ou outra me cativou - por exemplo, Shine!!, a abertura da segunda temporada, tem uma animação muito fofa numa noite estrelada, então, mesmo não soando muito especial, me ganhou. Outra música que me ganhou, logo no começo, foi Tokimeki Escalate, pelo simples fato de que é super chiclete. E é por aí. Poucas músicas de destaque, mas talvez isso seja, mesmo, gosto pessoal.


Apesar de toda a minha defesa, claro que a série também tem problemas. Penso que as qualidades da primeira temporada se mantiveram na segunda, mas a qualidade - pra não dizer o sentido, mesmo - da narrativa decaiu; expandir a história para as personagens "secundárias" foi necessário, mas, como eram muitas, por vezes ficava difícil acompanhar tudo que estava acontecendo; ficava confuso, mesmo. Certo, nunca foi o foco, mas ainda assim, às vezes batia uma saudade da história com começo, meio e fim claros da primeira temporada. Mesmo assim, posso dizer que continuou me entretendo, se bobear, mais que a maioria das séries que passaram na mesma época.

Assim, minha avaliação desse meio slice-of-life, meio anime de produção de idols, meio comédia hilária de garotinhas fofas Idolmaster Cinderella Girls é: super positiva. Sim, curti demais o que eu assisti, ao contrário da maioria das pessoas - que foram como super fãs da série Idolmaster, esperando algo possivelmente diferente, mais próximos do jogo ou do anime de 2011. Como disse lá no começo, pode ou não ser porque eu fui esperando um Xenoglossia, e não um The Idolmaster. Mas mesmo sem tecer qualquer comparação, fez meu tipo. Penso que não seja o tipo de anime que envolve profundamente, mas é entretenimento puro e simples - muito que nem seu jogo, provavelmente - e me deu muita vontade de jogar o jogo, se eventualmente sair em inglês pra Android. Como fã de Love Live, aliás, virei fã incondicional de Cinderella Girls, e pela primeira vez me senti convencida a querer conhecer melhor a franquia Idolmaster.

Então, se eu voltar a postar Idolmaster aqui, já sabem de quem foi a culpa. Até mais!~

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