quinta-feira, 23 de abril de 2015

Filme: Ookami Kodomo no Ame to Yuki / Wolf Children - O amor de uma mãe por seus filhos lobos.


Alternativamente: Pablo - Sofrência.mp3.

Olá, gente! Advinha quem retornou; é, pois é. Hoje eu venho trazer, a despeito do meu hiatus indefinido, uma resenha-surpresa pra vocês! A resenha que eu trago é de um filme que se tornou um clássico da animação japonesa dessa década; seu nome é Wolf Children, ou, em japonês, Ookami Kodomo no Ame to Yuki - em tradução livre, algo como "Chuva e Neve, as crianças lobas". Dirigido pelo já aclamado diretor Mamoru Hosoda (Toki wo Kakeru Shoujo, Summer Wars), o filme conta basicamente a história de uma jovem mãe solteira que se vê com dois filhos pequenos para criar - e, como se não bastasse, os dois filhos são lobos.

Em outras palavras, pensa em um Clannad ~After Story~; similarmente dramático, só que com duas crianças. E eu já mencionei que elas se transformam em lobos?


Wolf Children é um filme que eu queria assistir já há algum tempo. Ouvi falar do filme, pela primeira vez, vendo os AMVs da TaitertotAMV, que por sinal é uma das minhas editoras de AMVs favoritas. Não apenas porque ela faz AMVs interessantes e dramáticos, mas também porque ela tende a usar clipes dos animes que eu gosto e, inevitavelmente, os clipes desse filme com crianças lobas chamaram minha atenção.

Pois bem. A história do filme é a seguinte: um belo dia, uma garota de 19 anos conhece em uma de suas aulas na universidade um misterioso rapaz. Esse rapaz a intriga e, cativada, ela o persegue e descobre que ele é um lobisomem; mais precisamente, o último da sua espécie. Acontece que ela gosta dele, e meio que não se importa com o fato de ele ser um lobisomem, e eles ficam juntos e tem filhos. Esses filhos são uma menina e um menino - a Yuki e o Ame do título, respectivamente - que também se transformam em lobos. E um belo dia, bem, o pai deles morre. *gasp!* Spoiler!
Ok, ok, isso não é realmente um spoiler. A história não é sobre a morte dele, especificamente; é, sim, sobre como essa mulher - que talvez seja a verdadeira loba da história - vai criar estas duas crianças "diferentes", a despeito de um mundo voltado contra ela e seus propósitos misteriosos - afinal, quem é essa moça vinda da cidade grande, que parece estar sempre escondendo um segredo?

Ela, Hana, é uma figura curiosa. Seu nome, "Hana" (花), significa flor - é um dos meus kanjis preferidos, por sinal - e ela recebeu esse nome pois seus pais desejavam que ela não deixasse de sorrir nunca. É com sorriso que a jovem Hana enfrenta a barra que recai em suas mãos, desejando que seus filhos cresçam com toda a alegria e livres para serem o que quiserem. E pra isso, ela chega a se mudar para uma cidade rural, onde enfrenta os mais diversos desafios - precisa trabalhar pra obter o sustento, e, ao mesmo tempo, cuidar dos filhos. O grande problema nisso é que essas crianças não são exatamente normais; elas são crianças que se transformam em lobos espontaneamente, fazendo uma bagunça imensa e deixando as pessoas ao redor obviamente confusas. Então, como se tudo não estivesse difícil o bastante, tem esse desafiozinho extra pra nossa Hana enfrentar.

Assim, resumidamente, é possível dizer que o filme conta a história de uma família com dificuldades, e dois jovens que crescem tentando se encontrar no mundo. Mas, mais do que isso, todo o filme é bem como um conto de fadas: singelo, porém extremamente metafórico. E forte. A partir de uma história sobre lobisomens, é possível refletir sobre questões muito atuais: sobre as consequências de uma gravidez precoce, sobre maturação, sobre escolhas de vida, sobre neurodivergência - afinal, por que não traçar esse paralelo com a condição de "lobos" deles? Sem descontar a história central (e consistente) de amor, perda e família - que é, como já cansei de admitir aqui, algo que me toca pessoalmente e talvez por isso eu tenha gostado mais do filme que muita gente - existem inúmeros outros pontos a serem explorados.

O fato relevante a ser dito aqui é: o que torna Wolf Children um bom filme não é necessariamente sua história central, cuja dramaticidade não se compara a, digamos, um Hotaru no Haka, se formos pensar em termos de histórias de família e superação. É, sim, os sentidos por trás dessa história. O sentido do nome Hana, "flor", por exemplo, e o seu papel na vida daquelas crianças; a frieza da Yuki quanto à sua própria condição, ou a esquiva do Ame para um local de calmaria, também são metáforas curiosas. O fato de Yuki narrar o filme, também não é de graça - afinal, ela foi a última humana. Eu descreveria o filme, então, como algo semelhante a um conto de fadas - mais interessante se interpretado de forma simbólica do que literal.

Em relação à produção, é notável, pra quem conhece, o character design de Yoshiyuki Sadamoto, o mesmo de séries como FLCL e Evangelion. Ele também fez o character design de Toki wo Kakeru Shoujo, e, apesar de não ser mega fã do estilo simplista dele, achei que funcionou bem aqui. Da mesma forma trato a animação - "funciona bem". A música, por outro lado, é incrível. Não conhecia o responsável pela produção sonora, Masakatsu Takagi, mas é um nome para o qual certamente vou atentar no futuro.

Confesso que, pra mim, Wolf Children foi extremamente inspirador; foi um filme que me fez repensar escolhas de vida, mesmo. É por isso que voltei ao blog apenas para recomendá-lo para todos, mas especialmente para quem tem interesse em histórias de superação e família. É poético, bonitinho, e, a despeito de sua simplicidade, surpreendentemente profundo. ♥

4 comentários:

  1. CHEEEEEEEEEELLLLLLLLL QUE SAUDADES! Ç.Ç, mulher ainda bem que de vez em quando você dá um sinal de vida! *^* Espero que consiga sair do hiatus logo, ou então que pelo menos dê esses sinais de vida *^*
    Enfim, eu AMO ESSE FILME >////////< já assisti ele várias vezes, acho muito lindo. Primeiro: A parte da "fantasia" sobre essa história de lobos e transformações. Segundo: A parte da auto descoberta e mudanças, pois a Yuki no começo era super extrovertida e amava ser uma lobisomem, já o Ame sempre foi muito reservado e tentava fugir do fato de ser um lobisomem, porém aos poucos isso foi mudando, a Yuki passou a querer ser "mais humana" já o Ame começou aceitar a sua verdadeira natureza! Eu achei isso tão fantástico e lindo. Outro ponto que eu amei foi ver todo o esforço da mãe em criar os filhos e aprender mais sobre eles. Foi realmente uma obra muito tocante!
    Sobre animação, no começo eu estranhei um pouco ela (achei muito simplista), porém o estilo combinou imensamente com o filme <3
    Enfim, é um dos meus filmes favoritos >//////<
    Bem, Chell espero que esteja tudo bem contigo e que tenha algum tempinho para acompanhar as temporadas, aliás, falando em temporadas você chegou a ver a segunda temporada de Kamisama Hajimemashita!? (se não me engano você estava acompanhando ela, não!?) GENTEEEEEE FOI MUITO AMOR E PERFEIÇÃO >///////////< ELA PEGOU OS MEUS DOIS ARCOS FAVORITOS DO MANGÁ *U* E AINDA POR CIMA VÃO LANÇAR COM O VOLUME 22 E 23 DO MANGÁ DOIS OAD <33333333333333333333333333. Nossa! Eu surtei muito com essa segunda temporada >//////< outro anime que eu adorei foi Death Parade, principalmente a opening super dançante com direito a pose sexy nela XD
    Enfim, vou ficando por aqui
    Kiss

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    1. Olá Hinata-chan!! Tudo bem, como vai você? ♡
      Ahaha, eu também espero sair desse hiatus logo! Pra ser bem sincera, estava com vontade de comentar os animes da nova temporada, mas fiquei enrolando e ainda não consegui terminar o post. OTL Mas devo estar postando logo mais (assim espero, haha) e então devo acompanhar pelo menos uma série, me aguarde!~
      Eu também amei o filme, demais, que legal que combinamos nisso, haha! Eu achei muito interessante essa sua perspectiva da auto-descoberta e das mudanças... É verdade, talvez o Ame estivesse mais em contato com seu lado humano no começo, e a Yuki, com seu lado humana, e isso se inverteu. :) Interessante essa observação! E sim, a Hana é simplesmente incrível, com toda a sua força e coragem. Ela foi realmente inspiradora para mim.
      Eu concordo com sua perspectiva sobre a animação simplista combinar bem com o filme, até pela toda a coisa de se parecer com um conto de fadas, ou ainda, porque a história se passa com crianças num cenário rural, super colorido e coisa e tal. Achei fascinante a apresentação, a despeito da sua simplicidade. ♡
      Espero que esteja tudo bem contigo também, Hinata-chan! É uma pena que não estamos mais podendo nos falar, e eu confesso que não tenho tido muito tempo para ler seu blog, mas espero voltar um pouco à ativa logo mais. Ainda não terminei Kamisama Hajimemashita nem Death Parade - gasp! - então não posso comentar muito, mas esse fim de semana vai ser menos corrido, então vou me dar um tempo pra isso, e aí eu confiro o que você escreveu. XD
      Enfim, muito obrigada pela visita e pelo comentário! ♡ Adoro ler seus comentários, é sempre uma ótima surpresa quando você aparece por aqui. c: Sdds! Até!

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  2. Faça mais resenhas não pare nunca, você é ótima!

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    1. Aw, puxa, muito obrigada! ♡ Agradeço o elogio e o comentário, volte sempre!~

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