terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Death Parade 2 - Tapas na cara da sociedade (e da blogosfera).



Bem... ao contrário do que muitos esperavam, esse episódio não contou uma nova história; ao invés disso, ele respondeu muitas coisas, e deixou muitas outras questões - em particular, questões que dizem respeito a que rumo a série vai tomar. Muitas coisas que foram ditas nas discussões do primeiro episódio foram literalmente transformadas em discurso neste. E o que dizer desse discurso? Será que ele foi justo?

Semana passada, muitas pessoas estavam supondo muitas coisas a respeito do destino do casal - quem foi para o "céu" e quem foi para o "inferno", por assim dizer. Nesse momento, eu fiz duas críticas à postura dos debatedores na internet. A primeira: que mais importante do que teorizar qual foi o destino de cada um, era aproveitar a experiência. Na verdade, lá no fundo eu não gosto nem mesmo da ideia de que um deveria ir para o "inferno" e outro para o "céu", então talvez houvesse um fundo religioso na minha postura, mas teve também convicção ideológica. A respeito disso, me lembro do escrito do Igor no blog Missão Ficção, a respeito do episódio 2, cujo título é "Machado de Assis comenta Dom Casmurro" - porque resumidamente foi isso que aconteceu no episódio 2, e o episódio 1 foi bem um Dom Casmurro, que é uma obra maravilhosa mas que muita gente se apega à discussão maniqueísta de "Capitu traiu ou não traiu Bentinho?", coisa que eu discordo.

De fato não importa tanto se traiu ou se não traiu - até porque, se a intenção do autor era que fosse ambíguo, então essa é a realidade da obra. E isso nos leva à minha segunda colocação: de que não era nem mesmo importante entender, naquele momento, o que era o "céu" e o que era o "inferno" na dualidade ressurreição-vazio. O discurso desse episódio (até mesmo nas imagens, como o brasão do Quindecim) confirmou isso ao deixar implícita uma coisa: que não existe um melhor ou um pior, existe apenas aquele destino que é mais apropriado pra cada um - a depender do seu nível de "humanidade", nas palavras da Nona - e o papel do árbitro é justamente decidir isso. Com isso, não sabemos ainda se obrigatoriamente um vai para o "céu" e outro para o "inferno", mas é possível que não seja assim.

O episódio 2 foi muito mais direto que o primeiro ou que o OVA - literalmente, foi quase como se fosse outra série - e era esperado que isso acontecesse em algum momento caso a história não tivesse um formato com histórias fechadas a cada episódio. Ainda assim, não foi como se ele tivesse dado todas as respostas, continuou deixando várias pontas soltas e criando outras, mas agora temos uma noção melhor de como o Quindecim funciona e o que esperar dele e da série. A imagem que eu tenho (ou que eu espero pra série!) é de uma trança em processo de formação, que vai se entrelaçando e se afunilando até chegar no final, mas é cedo demais pra dizer.

A interpretação da Kurokami no Onna (literalmente "mulher de cabelo preto"; por alguma razão, diferentemente dos outros ela não tem nome, apesar de eu suspeitar que isso pode ser um trocadilho com "Nona" por causa das cenas no começo e no fim do episódio...) a respeito dos sentimentos da Machiko me causou sentimentos ambíguos. Eu não achei muito legal o clichê da "mulher que surge pra contrabalancear o julgamento do homem" e pra compreender melhor os sentimentos das mulheres, como dizendo que pessoas de sexos diferentes pensam de formas diferentes. Aliás, quando li os posts sobre o episódio 1, eu vi a interpretação da Onna em apenas um blog, e ela fez bastante sentido pra mim, mas não tinha me passado antes pela cabeça que ela poderia ter traído e ficado arrependida, por exemplo. A única impressão que eu tive é de que a Machiko estava ilogicamente fria no final - quase out-of-character, mesmo - e que isso devia ter alguma explicação, e foi isso que a Onna fez, brilhantemente aliás.

No final do episódio, no entanto, uma coisa me deixou confusa. Após a explicação da Onna, eu achei que o anime estava favorecendo-a, mas, ao mesmo tempo, que as duas explicações eram válidas. Isso porque a Nona - que ao meu ver é no mínimo uma entidade mais experiente, ou superior em algum aspecto - age de um jeito meio "pfft, bobinho!" com o Decim, mas no finalzinho do episódio ela fala para o ascensorista Clavis que "talvez não"; que a Onna ainda tem muito o que aprender. Isso me confundiu um pouco por dois motivos: primeiro, porque talvez sinalize que a própria Nona não é infalível e que ela voltou atrás no seu próprio julgamento, e depois, porque eu não sei qual foi o erro que ela enxergou na Onna. Será que o jeito estóico do Decim é mais interessante, ao seu ver? Eu não sei se não entendi isso porque realmente não era pra entender - afinal, essa é uma resposta que tende a ficar mais clara conforme entendemos melhor o funcionamento do Quindecim e as expectativas da Nona para esse funcionamento - ou se eu que não captei, mesmo. Por favor postem aí o que vocês acharam desse comentário!

E por falar na Nona e na Onna, as cenas do começo e do final do episódio, que se passam em um lugar mais "claro", também foram bastante intrigantes. No começo, a Nona dá as boas vindas à Onna, que desperta de um "sono" em meio a um monte de folhas/flores em uma sala branca, uma cena inclusive reminiscente do começo de Haibane Renmei. Toda a cena se assemelha um pouco a um velório, o que me faz voltar ao meu chute da semana passada, a saber, de que o pessoal do Quindecim também estaria morto (como em Haibane Renmei, aliás) e indo além, de que talvez eles próprios estejam numa espécie de "purgatório". Essa teoria toda só é reforçada pelo fato de que os julgamentos deles são pessoais e não-absolutos, apesar de que seria um pouco cruel demais se estes árbitros fossem só pessoas comuns sem nada em comum de especial, né?
Eu li nos comentários do blog Moe Sucks, no entanto, que talvez o propósito fosse justamente mostrar que nem os árbitros são perfeitos, e assim, que todo o sistema é injusto. Isso é algo que tem potencial pra pelo menos dar um rumo pra prosa, mas precisaria ser bem desenvolvido, e no momento eu... não acho que Death Parade tem potencial pra vender uma mensagem tão forte, podendo cair no "pretensioso demais". Por mais que a série esteja se mostrando muito boa no que diz respeito a interpretar emoções e motivações humanas (a explicação da Nona de "por que eles não sabem que estão mortos", eu achei particularmente brilhante) acho que as explicações metafísicas dela são meio... insuficientes, ou insuficientemente profundas, pelo menos.

E o que eu, pessoalmente, achei desse episódio? Eu confesso que por um bom tempo achei cansativo. Ao contrário do primeiro, que você podia fazer muitas interpretações, o segundo "deu tudo de mão beijada" - e frustrou muitas das pessoas que ficaram teorizando sobre o primeiro. Blogs como o Seventh Style e o Star Crossed Anime Blog consideraram isso uma "afronta à inteligência dos espectadores", que o anime tenta se explicar demais - mais do que eu esperava também, admito - e  coisas do tipo. Mas, pensando agora, a culpa pela frustração foi de quem achou que tudo ia ser ambíguo sempre, mesmo. Não daria pra construir uma história de 13 episódios coesa e desenvolver os personagens assim, então, me distanciando da minha própria frustração, eu gosto do rumo que as coisas estão tomando. Sim, Death Parade se explica demais. Mas quem disse que isso é algo ruim? Estou vendo um anime, não lendo um livro de filosofia.

Tecnicamente falando, porém, teve um problema mais sério com esse episódio que foi: 16 minutos de repetição do episódio anterior. Eu esperava no máximo um recap de 10 minutos, mas depois disso chegou a ficar... cansativo. Então, eu aprovei a idéia, mas acho que na prática foi falha. Pelo menos pra mim; não sei quantos mais se cansaram.

No entanto, como de costume, o episódio de Death Parade dessa semana me fez refletir sobre mais uma lição de vida: Não falar da vida alheia. Basicamente. Pra ser mais específica, não falar das vontades e do desejo alheio, porque falar disso é problema. Nunca sabemos de fato, e acho que esse episódio soube passar bem essa mensagem - dando um tapa na cara do Decim, e figurativamente dando um tapa na cara das discussões feitas na internet - por mais cansativo que tenha sido em alguns momentos. Eu gosto de histórias que conseguem me passar coisas importantes, e Death Parade tem sido muito bom pra mim por isso.

De resto, também estou ansiosa pro próximo episódio. Aparentemente vai envolver um homem e uma mulher mais jovens - talvez um casal, irmãos, amigos, ou nem mesmo conhecidos... mas torço pra não ser um casal pra não ficar tão repetitivo. O fato de eles serem mais jovens me deixa empolgada, porque isso foi algo que não aconteceu nem no OVA, nem na primeira situação. Espero também que não seja um episódio inteiro só de divagações, porque já aprendemos nossa lição nesses dois episódios; espero que deixem mais pistas pra entendermos o funcionamento do Quindecim e seus "funcionários". ... E espero também que tenha o "Death Dance Revolution" da abertura! (não vou mentir, DDR é o máximo e a Nona dançando DDR na abertura é uma das melhores coisas ever.)

Ok, ok, não vou. Aparentemente vai ser boliche. Tudo bem. Fazer o que.



...Eu sinto que acabei falando bem mais do que gostaria aqui, de novo. Da próxima vez eu não vou, prometo, hein! ... Ou vou, sei lá. Death Billiards é um anime que sempre me deixa com muitas coisas pra falar, e pensamentos fervilhando, então não é difícil escrever quando estou com tempo e paciência. É um anime que, por mais que possa estar parecendo pretensioso demais pra alguns, tem bastante conteúdo e, até o presente momento, potencial. E eu recomendo demais pra quem não está assistindo.

Aos que leram o post, muito obrigada, e até semana que vem! Sintam-se livres pra comentarem aí embaixo o que acharam do post e do episódio, e suas expectativas também! ♡ Até mais!~

2 comentários:

  1. mt bom death parade! otimo blog!! ^^

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    1. Muito obrigada pela visita e pelo comentário! ♡

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