Bem vindo ao Blog Not Loli! Estamos em construção no momento! Siga-nos nas redes sociais!icones redesPesquise algum tópico: search
Parceiros parceiros

domingo, 18 de janeiro de 2015

Death Parade 1 - Um bom começo (e um bom exemplo de como ser ambíguo sem ser banal)




Death Parade: O que dizer desse anime que mal conheço e já considero tanto?
Podemos começar lembrando que o anime surgiu com um OVA chamado "Death Billiards", lá em 2013, que já resenhei/comentei aqui nesse blog. Eu gostei demais daquele OVA, como várias outras pessoas, e, a exemplo de Little Witch Academia - outro OVA produzido com financiamento do projeto Anime Mirai - Death Billiards acabou ganhando uma série de anime completa. Ok, conforme descobrimos depois, é uma série que só vai durar uma temporada (ou seja, em torno de 13 episódios). Mas, numa época em que a esmagadora maioria das séries lançadas tem menos de 26 episódios, e muitas tem 6 minutos ou menos de duração por episódio, isso é até bastante. Além disso, também torna mais improvável a possibilidade de os produtores perderem a mão na metade, como acontece muito com séries mais longas.

Então, foi com grandes expectativas que os fãs do OVA, como é o meu caso, receberam esse anime. E eu vou confessar desde já: eu fui positivamente surpreendida. Queria muito que esse anime fosse legal, mas honestamente estava achando que ia me decepcionar. Afinal, pra começar: "Madhouse (Death Note, Hunter x Hunter [2011]) já foi um bom estúdio", dizem as más línguas. Depois, se eu quisesse apenas um monte de histórias de vida em um bar, eu ia assistir Bartender. Mas Death Billiards não é Bartender, e eu não sabia o que esperar de Death Parade.

A graça de Death Billiards - e, aparentemente, também da série Death Parade - reside justamente na divagação filosófica/metafísica a que se propõe fazer. Perguntas sérias sobre angústias humanas como "o que acontece depois da morte?", um tom religioso e lições de vida compõem o clima sinistro desse primeiro episódio, e muito provavelmente (espero) dos próximos também.
Talvez nem todo mundo esteja aberto pra esse tipo de experiência, porque é um anime bem denso - não em termos de enredo, mas dos sentimentos que provoca mesmo. Mas eu, pessoalmente, estou amando e resolvi começar a fazer posts semanais da série aqui no blog. Posts descompromissados, só pra discutir coisas que eu posso ter deixado batido, ou visto a mais que outros. Espero que curtam! ♡
Nota importante: Vai ter spoilers sim, e se reclamar vai ter mais. Tá, mentira, mas recomendo sempre assistir o episódio antes de ler os comentários do blog!! Uma porque vai fazer mais sentido, e outra porque, bem, o que eu quero discutir não dá pra fazer sem spoilers.



 
Parte I: A abertura.

Logo nos primeiros minutos de episódio, eu já percebi que a série estava com muito potencial. Por um motivo muito simples: a abertura. Essa abertura é maravilhosa e me deixou confiante pro restante da experiência. Por quê? Pra começar, os personagens. Quem assistiu o OVA já imaginava que iriam colocar mais personagens além do bartender Decim e da mulher que já estavam presentes no OVA; só não sabíamos quem. Seriam apenas pessoas "normais" que morreram? Ou mais gente se juntaria a esse grupo de trabalhadores do bar-purgatório, e maior destaque seria dado a eles? Eu torcia para a segunda opção, mas sem muita esperança.

E aí de cara somos introduzidos a um bando no mínimo curioso: duas garotas beberronas - sendo que uma delas, aliás, parece gostar de dançar! - um senhor com um cabelo rosa com uma flor de lótus no meio, entre outros personagens engraçados, além do Decim e da mulher ("Onna") dançando, enfim, um monte de gente se divertindo em uma espécie de bar-nightclub chamado Quindecim.
Eba! Mais personagens interessantes trabalhando no bar!! E fazendo coisas interessantes também: de imitar deuses hindus a dançar cancan, beber, jogar, fazer malabarismos e acrobacias; tudo muito divertido, visualmente bonito e original.

A música é divertidíssima e a abertura inteira é dançante, mas pra quem viu o OVA ficava a pergunta: tá, e o que tem a ver isso com pessoas morrendo de formas desgraçadas? Quer dizer, cadê o clima depressivo que a gente esperava da série? E o que raios essa abertura tem a ver com o seu propósito?

Depois de assistir a abertura e me perguntar isso foi que eu me toquei de uma coisa: Nós não sabemos quem são aquelas pessoas no bar. Nós tendemos a supor - pelo OVA - que são "criaturas místicas" que simplesmente ficam lá atendendo pessoas. E foi aí que me passou a cabeça a ideia de que... talvez não. Talvez essas pessoas tenham ficado "presas" ali, naquele bar, atendendo pessoas. Talvez elas estejam até recebendo uma punição.
Lembrei-me das aulas de existencialismo e do inferno de Sartre: na peça Entre Quatro Paredes, três pessoas de personalidades incompatíveis e que foram para o inferno são forçadas a viver juntas, confinadas, em uma sala, sem conhecer suas circunstâncias. Pra não fugir muito do assunto, basta resumí=lo na máxima: "o inferno são os outros".
Enfim, talvez todos esses personagens divertidos e felizes não tenham escapatória. E é por isso que eles dançam, brincam e se divertem. Essa é uma possibilidade concreta, e que a gente só vai poder confirmar ou refutar mais pra frente.

O que eu achei mais legal dessa possibilidade foi imaginar a abertura como representação da série: uma série interessante, bonita e divertida, mas que fala de coisas densas pra caramba de maneira descontraída e através de simbolismos. E, como eu já cansei de falar por aqui, eu adoro quando coisas densas são contadas em histórias aparentemente simples. Death Billiards é bem assim, e assim eu espero que seja Death Parade também.

Sim, já me apaixonei logo aí.


Parte II: A história. (ou "o que de fato aconteceu no episódio")

Resumidamente, esse primeiro episódio foi... muito que nem o OVA. Sua estrutura, ao menos. Isto é, duas pessoas foram parar naquela espécie de purgatório, sem explicação, com uma espécie de amnésia, e foram forçadas a jogar um jogo bizarro envolvendo falência de órgãos pra lutarem pelas suas vidas.
Ou é isso que o bartender explica, pelo menos. Sabemos que não é exatamente isso no final, mas é assim que começa.

Mas aqui os personagens são diferentes: ao invés de um rapaz jovem e um idoso, e toda a mensagem "geracional" que o OVA trazia, temos um casal. E no começo tudo são flores - o casal se abraça, se recusa a jogar, tenta se salvar, e depois... bem, depois temos um tapa na cara atrás de outro. Com reviravoltas dignas de Ace Attorney, os sujeitos envolvidos se destroçam, a tal ponto que eu realmente cheguei a chorar no final do episódio, quando o casal lembra de seus bons momentos juntos. (Chorar no primeiro episódio é mau sinal, certo?)

Traição atrás de traição, mas afinal, o que é traição? Será que omitir uma fantasia ruim da sua cabeça, no que devia ser uma relação monogâmica sincera, é traição? Ou traição é ter relações com outra pessoa? Mentiras viram uma bola de neve, será que tem alguém certo nesse cenário? De qualquer forma, ainda que o que aconteceu com ambos em vida não tenha ficado claro, a mensagem do episódio todo ficou: é uma verdadeira lição de vida sobre como um casal deve se dar bem e ser sincero.

Quanto ao resultado "final", desde o começo eu pensei da seguinte forma: qualquer resultado é ruim. Aquele casal não queria estar ali, naquela situação, por mais que fosse um casal disfuncional. Em termos de narrativa, a proposta de fazerem a primeira competição entre um homem e uma mulher é igualmente problemático, ao meu ver - afinal, o resultado tende a ser problemático e sexista. Mas acho que, no fim das contas, ele foi ambíguo o bastante, e bem satisfatório perto do que poderia ser. 

 

Parte III: Refletindo sobre a proposta do anime. (e minhas expectativas pessoais)

Existem muitas formas de justiça no mundo. Muita gente tenta fazer o que é certo, mas o que é "certo" é muito relativo. Então, quem é o culpado? Quem é o pior? Isso é que Death Billiards (e, conforme supomos até o momento, Death Parade) busca, sobretudo, discutir: questões de moralidade, e o que é certo e errado. Afinal, não existe um só certo no mundo, e por mais que cada um tente fazer o certo, às vezes seu certo não é o certo do outro. E às vezes o errado dá certo. Nunca dá pra ter certeza. Podemos somente refletir sobre nossas ações, e procurar fazer o que julgamos ser melhor.

Similarmente, não dá pra ter certeza do que aconteceu no fim desse episódio. E esse é o ponto! Não arruinem isso! Sim,o Decim falou pra onde cada pessoa iria - uma iria "reencarnar", e a outra iria para o "vazio".
A questão é que, em 90% das interpretações do episódio que eu li, as pessoas se focaram em:
 a) qual destes era o céu e qual era o inferno (a partir de uma interpretação estritamente ocidental, muitas vezes, ou então tentando "entender" esses conceitos a partir das interpretações de religiões orientais, ao invés de sentí-los em toda sua complexidade e ambiguidade); quanto a isso, no final do episódio, o próprio Decim deixa subentendido, ao responder a pergunta da "mulher", que a resposta pode ser qualquer um dos dois.
 b) determinar quem foi o "menos pior" dos dois personagens do casal, e honestamente, eu acho que isso foi igualmente ambíguo. Pode ser que surja uma interpretação "certa" de acordo com os mitos e preceitos que o anime segue, mas o fato de cada espectador ter interpretado de um jeito faz com que o anime seja mais um Rorschach animado, como bem apontado pelo blog Moe Sucks, do que qualquer outra coisa.

E aqui vai minha crítica pra blogosfera e os fãs do anime em geral: as resenhas que eu li desse episódio foram, em grande parte, demasiadamente objetivas, e "objetivo" é uma coisa que Death Parade não se propõe a ser. Sinto que a idéia é muito mais a de fazer o espectador refletir sobre suas próprias ações através dos personagens do que julgá-los. Porque, como o episódio também deixa claro, o que importa não é o resultado final, mas sim o processo. E o processo tem reviravoltas, mudanças e grandes acontecimentos - e muito terror psicológico, que é, aliás, um dos pontos fortes da série. O fato de lidar com angústias e questões muito humanas e nos convidar a nos enxergarmos nelas é algo que poucas séries de anime conseguem fazer, e é uma das coisas que me cativou. Se deixar tocar faz parte da experiência, e é por isso, penso eu, que Death Parade poderá se revelar um anime que "não é pra todos". Talvez seja precisa uma certa sensibilidade e abertura pra digerí-lo porque, de fato, o universo de Death Parade é cruel.


       

Com tudo isso, pra concluir: a parte da moralidade é algo que eu não vou querer discutir aqui. Moralidade, eu acho, é algo pessoal e construído ao longo de uma vida; eu pessoalmente tenho um senso muito forte e não estou aberta pra discutir regras e opiniões. Então vocês não vão me ver tratando desse tipo de coisa aqui. Muito mais interessante do que discutir "quem estava certo e quem estava errado", penso eu, é discutir os simbolismos e princípios que regem aquele universo.

Por exemplo: por que a abertura faz referência à flor de lótus e a samsara? Claramente Death Parade se embasa muito em mitologia e religião, e eu sou totalmente desconhecedora do hinduísmo, então gostaria que o pessoal estivesse explorando mais essa dimensão - e estou disposta a fazer isso. Além disso, o funcionamento daquele purgatório também é interessante. Como já lancei: quem são aqueles trabalhadores do bar? E afinal, como funciona aquele jogo? Será que realmente as pessoas que vão pra lá vão porque morreram ao mesmo tempo? Será que existe uma regra de que um vai pro "céu" e outro vai pro "inferno", obrigatoriamente? São apenas algumas das coisas a serem investigadas ao longo dos próximos episódios.

     

O que posso garantir é que estou muito ansiosa para os próximos episódios. Em termos de produção, ao menos, a série está agradável. Pessoalmente, como fã de séries como Shin Megami Tensei - e convenhamos que o Quindecim é basicamente uma Velvet Room! - eu gosto bastante do estilo e da ambientação da série, e acho que dificilmente vou me decepcionar muito.

O desafio pra agora é: como Death Parade espera se manter nesse pedestal? Teve gente que veio esperando uma série episódica com dilemas de vida. Teve gente que veio esperando uma série que desse mais foco para os personagens do bar, e para a exploração do universo do "purgatório" apresentados em Death Billiards. E como equilibrar isso tudo na medida perfeita? Isso é sequer possível? Death Parade, não quero ter expectativas irrealistas, apenas confio em você!



Enfim, acho que já falei demais nesse post. Eu não pretendo fazer isso pelos próximos episódios, não! Mas eu fui muito cativada por todo esse clima de bullshit psicologia, religiosidade e coisas profundas, e fiquei matutando sobre tudo isso sem ter onde jogar minhas reflexões durante uma semana inteira. Os próximos posts vão ser mais "light", prometo.

Mas, pra concluir, qual foi minha impressão inicial? Eu acho que Death Parade chegou chegando, com chances de ser um dos grandes títulos do ano, e espero muito não estar enganada. Sendo realista, as chances de dar errado - porque elevou demais as expectativas e dificilmente vai conseguir corresponder a expectativas tão diversas ao mesmo tempo - são grandes. Mas eu estou no mínimo curiosa pra ver no que vai dar.

Espero que me acompanhem nessa aventura, e torço pra não nos decepcionarmos! Até a próxima! ( ´ ▽ ` )ノ 



4 comentários:

  1. Eu ainda nem comecei a ver o anime, mas desde o seu post de primeiras impressões, e desde que li a sua resenha de Death Billiards, já estou muito curiosa. Mas foi precisamente a opening que me venceu, e começarei a assistir em breve. Espero concordar com tudo o que você disse, mais ainda porque eu também não sinto uma necessidade grande de esclarecer todos os detalhes - se um anime me der voltas à cabeça, isso já é ótimo, pois é algo cada vez mais raro hoje em dia. E a animação parece ser lindíssima, então... espero que quando você fizer o próximo post vá a tempo de concordar ou discordar em pontos mais precisos >.<

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Anilyan! E aí?~

      Ahh, que ótimo que você gostou dos posts!! ^^ O anime é mesmo bem interessante, e concordo, é cada vez mais difícil um anime ter realmente... conteúdo, digno de ser explorado. Também gosto disso e não me decepcionei com Death Parade. Como disse, é um pouco denso e dá uma dor no coração, mas achei muito bom. E a opening é mesmo muito legal, não?
      Espero que goste do anime, e que possamos comentar juntas, também! (◠‿◠✿)

      Até mais, e muito obrigada pela visita e pelo comentário! ♡

      Excluir
  2. Ela não traiu ele. Eu concordo que a interpretação fique em aberto, mas, eu creio que foi uma farsa dela, ela no final faz parecer que o marido dela tinha razão pois ela era tão boa que não queria que ele ficasse daquele jeito, ela o amava tanto que não queria que ele fosse pro inferno. Ela ganhou o jogo, ela não tinha feito nada de errado, vc nota a hora do plot twist quando ela abruptamente se encaminha pra porta e os olhos do juiz por um momento oscilam, de surpresa, que surpresa seria essa? Ele já sabe quem era o "Bom" e quem era o "Ruim", eles oscilam pois ele vislumbra o acontecimento, ele vislumbra um ato tão pueril tão estranho, por que? ele deve ter pensado. Ela não fez nada de errado, e mais que isso, ela no lugar dele foi ao inferno, pois o amava muito e passou por cima da própria loucura de seu marido, ele já estava em um inferno, e ela quis o salvar.
    (eu estou usando da simbologia das mascaras em cada porta, sei que pode ta errado, que o vazio pode ser o descanso e que a reencarnação pode ser um martírio para se consertar as coisas, e outros complicantes mais, mas eu gosto de interpretar desse modo que propus)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, tudo bem? ^_^ Primeiramente, muito obrigada pela visita e pelo comentário!
      Então, eu acho que sua interpretação é bonita e válida. Preciso dizer que eu não terminei o anime (na verdade, nem continuei a vê-lo) porque achei bastante pesado e difícil de digerir, e como estava passando por um período difícil achei melhor não assistir. Mas eu achei o que vi realmente muito bom, e como disse na resenha o mais interessante para mim é ver a dinâmica dos personagens, e por isso acho sua interpretação muito boa e válida. :) Gostaria de poder comentar com mais profundidade, quem sabe quando eu enfim terminar de assistir Death Parade! OTL
      Enfim, super obrigada pela visita e pelo comentário, e até mais!

      Excluir