terça-feira, 23 de dezembro de 2014

OVA: Ookii 1 Nensei to Chiisana 2 Nensei - Nem para as crianças o mundo é só flores.




O post de hoje é pra falar brevemente sobre um OVA de meia hora fofíssimo que eu assisti esses dias, e sobre o qual não encontro muita coisa na Internet - daí a razão do post. Esse OVA foi produzido e lançado este ano com financiamento do projeto Anime Mirai; Eu já falei um pouco sobre este projeto nas minhas resenhas de Harmonie, Arve Rezzle e Death Billiards - o qual, por sinal, vai ganhar uma série de anime inspirada no OVA! Enfim, para quem ainda não sabe do que se trata: Este projeto é uma inciativa do governo japonês para complementar a formação de jovens animadores, que atuam como espécies de "trainees" nestas produções.

Entre os diversos títulos financiados pelo projeto, esteve na edição de 2014 do projeto o título Ookii 1 Nensei to Chiisana 2 Nensei, animado pelo estúdio A-1 Pictures (Sword Art Online [comentários], Uta no Prince-Sama [comentários]) sob a direção de Ayumu Watanabe (Uchuu Kyoudai, Nazo no Kanojo X, além de diversos trabalhos em Doraemon) do qual irei falar um pouco nesse post. Sobretudo, quero recomendar esse "sucessor espiritual" de Tonari no Totoro a quem gosta de histórias de crianças, extremamente inocentes e fofinhas, com apenas meia hora de duração. Dá pra assistir com qualquer criança, e eu recomendo fortemente. ♡

A mensagem essencial de Ookii 1 Nensei to Chiisana 2 Nensei é clara, e uma que particularmente me toca demais. Essa mensagem é: "crianças são pessoas também". Esse é um OVA que explora o mundo das crianças com maestria, seus sentimentos, medos e fantasias, sem ser supérfluo e nem perder a inocência. A inocência, aliás, é outra de suas características mais marcantes; desde o visual e as melodias meigas, passando pelo enredo, até a ingenuidade brilhante das crianças, tudo no OVA é extremamente leve e positivo.

Para falar um pouco dos aspectos técnicos, quanto à animação em si, a técnica do desenho lembrou um pouco aquela de Arve Rezzle [comentários] - exceto que menos refinada, aparentemente; ainda que similar, possui um colorido mais intenso e um character design mais infantil. A música é menos memorável, mas sendo sempre delicada e/ou felizinha, combina bem. O que fica, porém, é realmente a ambientação geral e como ela casa bem com o enredo, em mais um ótimo trabalho de um grupo de animadores iniciantes.

O enredo em si é bem simples, mas começa de uma maneira bastante interessante: vemos uma garotinha e um garotinho, ambos crianças com uns seis ou sete anos; o garotinho é significativamente mais alto e quieto, e a garotinha é um tanto mais... agitada? Olhando para os dois num primeiro momento, ela parece ser a irmã mais nova do garoto. Só depois vamos descobrindo, observando seus atos cotidianos, que ela é de fato uma vizinha, e um ano mais velha do que ele - surpresa, surpresa! Daí o nome do OVA: em tradução livre, algo como "o grande estudante da primeira série e a pequena estudante da segunda série", talvez ainda mais simples e direto do que isto.

Igualmente simples e direta (porém nada fraca) é a história sobre a amizade deles, com algumas outras surpresas no meio do percurso - e pistas óbvias de um "amor infantil". Um elemento comum em anime, quase que um clichê, é a história do amigo/crush de infância que torna-se um amor na adolescência. Masaya e Akiyo são duas personagens com as quais nós podemos ver isso acontecendo muito claramente: apesar de muito novinhos, fica claro que um é dependente do outro de alguma forma. Masaya depende a todo momento da forte Akiyo, que o dá forças para enfrentar as dores e perigos da recém-descoberta "realidade" - sendo o mais simbólico desses a floresta escura no caminho para a escola, o qual, agora que está na primeira série, ele é obrigado a percorrer sozinho. Ao mesmo tempo, Akiyo também encontra suporte, ainda que de uma forma mais sutil, do melhor amigo Masaya, já que seu jeito de "bebê-chorão" faz com que ela adquira um papel de irmã mais velha e aproveitar o melhor de seu temperamento forte.

A primeira metade do OVA constrói sua ambientação, e tem como foco expor algumas das memórias e experiências que estas duas crianças compartilham para proporcionar a imersão do espectador no universo infantil delas. Elementos como as campânulas que cada um recebe, e o coelhinho-polvo dado a Masaya por Akio, são importantes para compreender os significados emocionais que eles atribuem um ao outro e ao mundo, ao mesmo tempo em que sustentarão o conflito de fato, o qual ocorre na segunda metade. Nesse sentido, o OVA pode parecer um pouco lento no começo, mas tudo que se passa é construção para o seu clímax - cuja resolução pode até parecer um pouco apressada, mas como eu gosto de histórias que vão se tornando progressivamente mais rápidas, não considero um ponto fraco.

O clímax em si é ótimo. Para não dar grandes spoilers, basta dizer que um dos personagens se coloca em uma situação complicada para salvar o outro. Esse momento tem cenas "assustadoras" dignas de qualquer anime de terror psicológico, ainda que com a animação mais delicada que é de praxe do OVA, o que é extremamente interessante porque reforça, através de uma bela metáfora, a mensagem inicial: ainda que estas crianças estejam passando por conflitos e tenham medos que os adultos podem considerar extremamente simples ou bobagem, estas coisas para elas são grandes monstros que têm que enfrentar.

Os conflitos infantis nunca são minimizados, assim como suas emoções. O personagem se coloca em uma situação difícil para salvar um "objeto de apego", e quantas crianças não tiveram um objeto de apego que queriam salvar a todo custo, ou que temiam perder? Quantas crianças não deram metade do lanche para o amiguinho, enfim, quantas não se colocaram em situações complicadas para salvar algo ou alguém que prezavam?

É aí que reside o que o OVA tem de mais especial: mostrar que estas crianças são pessoas, com sentimentos e  medos, e ao mesmo tempo são crianças, com toda a leveza e graça natural que é própria das crianças felizes. Talvez seja essa capacidade incrível que torna as crianças encantadoras, e talvez seja a proeza em transmitir isto que tornou este OVA, pra mim, realmente encantador. Só posso recomendá-lo para ser assistido em uma tarde vazia e tranquila, com ou sem uma criança do lado para esquecer totalmente os problemas da vida e lembrar um pouquinho daquela sensação de doçura da infância. Espero que mais gente assista e curta esta ótima animação, que acabou obscurecida entre as outras lançadas pelo projeto Anime Mirai neste ano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário