quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Anime: Love Live! School Idol Project - O poder da Dança Japonesa Fofinha.



Olá! Eu sei, eu sei, esse blog entrou em um longo hiato nesse mês. Coisas que acontecem no fim de semestre, somado a uma mão machucada. Peço desculpas, mas trago posts legais!
O post de hoje é pra fazer alguns comentários sobre um anime que, até dois meses atrás, eu podia jurar que nunca iria comentar na vida. Ou, pra ser mais precisa, uma franquia, mas falarei principalmente do anime nesse post, e deixarei o jogo pra outra hora.

O anime em questão é Love Live! School Idol Project, série criada para a franquia de idols fictícias Love Live!. A franquia, que fora criada - com CDs de músicas e "clipes" em animação - em 2010, estourou em popularidade com o lançamento desse anime, cujas duas temporadas dispararam, em termos de vendas de DVDs/BluRays, na frente de todos os outros animes das respectivas temporadas em que saíram - superando títulos clássicos como o Rebuild of Evangelion, e hits mundiais como Shingeki no Kyojin.


No Ocidente, porém, certamente não se ouve falar tanto de Love Live quanto dos outros dois. A menos que você seja um grande entusiasta da cultura moe, provavelmente não ouviu falar muito de Love Live.
Então, do que se trata afinal esse fenômeno de vendas? De uma maneira geral, eu responderia: Marketing pesado, estratégias de venda eficazes, mas também um elenco enorme de meninas colegiais adoráveis, capazes de cativar desde jovens garotas fãs de anime, até os estereotipados "otakus barbudos dispostos a investirem fortunas nas suas idols bidimensionais", com seus jeitinhos "slice of life fofinho" de serem; Love Live sabe agradar a públicos bem diversos, e talvez esteja aí um dos seus pontos fortes.

A série de anime - bem como os clipes em CG que a precederam - foi produzida pelo estúdio Sunrise (Buddy Complex (comentários), Aikatsu!, franquia Gundam) e tem duas temporadas (até o presente momento, apesar de eu achar que não dá pra ter mais...). A primeira temporada do anime estreou na Temporada de Inverno 2012-2013, e a segunda, na temporada de Primavera 2014. Nesse post, eu falarei mais da primeira, já que ainda não terminei de assistir a segunda. Mas ambas tem 13 episódios, e contam a história de um grupo de 9 garotas estudantes de colegial que se unem para formar um grupo de "idols escolares".

Esses grupos - de "school idols" (スクールアイドル, no original) - são uma moda que vem pegando e atraindo a atenção das pessoas para determinadas escolas no universo de Love Live: Garotas das diferentes escolas do Japão tem formado grupos de idols amadoras, atraindo a atenção do público para as suas escolas com seus videos e apresentações. As garotas do colégio Otonokizaka, protagonistas da história (as únicas que acompanhamos, na verdade) entram nessa onda com o nobre propósito de salvar a escola delas, a qual está prestes a fechar por falta de popularidade, já que poucos alunos tem entrado nela.


Honoka Kousaka, a protagonista e líder do grupo, apesar de tonta e sem grandes talentos além da sua energia positiva inabalável (digamos, ela é a Yui Hirasawa dessa série) é quem tem essa ideia para salvar a escola, junto com suas amigas Umi e Kotori, também alunas do segundo ano.
Enquanto as três tentam fazer isso acontecer, elas conhecem outras garotas da escola - grandes fãs de idols, além de dançarinas, bailarinas, garotas atléticas, cantoras ótimas, enfim, várias outras estudantes competentes, obviamente fofíssimas e lindas e dispostas a fazerem isso acontecer.

Tudo pode parecer muito simples e bobinho, e é mesmo. Mas eu diria que Love Live faz uma boa mistura do "simples e bobinho", algo leve e gostoso de assistir sem muita concentração, sem porém cair no "banal e superficial". Isso porque as garotas, mais do que simplesmente "garotas moe e sem-graça", são realmente divertidas e cativantes, com suas caras super expressivas - Disney, aprende aí! - e suas manias bizarras, como a fascinação da Hanayo por idols, o jeitinho ohimesama da Nico, a Kotori e seu amor por alpacas, e assim por diante.

Ou seja: Por trás de cada rostinho bonito e jeitinho meigo pra cativar o público que baba num moe, tem também garotas realmente divertidas - afinal, essa é uma série de comédia, além de ser um slice-of-life escolar - e que, ainda que não tenham personalidades lá tão complexas, são mais interessantes do que a "co-protagonista de shounen mediana", ou tantos outros casos que temos de personagens femininas com personalidades fracas em séries de anime voltadas para o público masculino. E isso, é claro, cativa homens e mulheres, e talvez seja um dos fatores que fazem de Love Live esse sucesso estrondoso - afinal, sua waifu não seria sua waifu se não tivesse as características que só ela tem, certo? (E você, otaku rico, provavelmente não investiria uma singela fortuna nela.)

Ainda assim, pouquíssima coisa acontece efetivamente em Love Live em termos de enredo. Tudo gira em torno do que já é apresentado no primeiro episódio: uma escola em declínio e competições de idols escolares, com alguns momentos de imersão nas histórias pessoais de cada uma das personagens, e muito pouco além disso.
Abrindo aqui um parênteses para traçar um paralelo, quem me conhece sabe que eu adoro K-On!, e eu vi muitas semelhanças em Love Live. O que não significa que Love Live é igual a K-On! e nem que todo mundo compartilha dessa minha opinião (afinal, sei de bastante gente que gosta de um e não gosta do outro). Mas, em ambos os casos - ainda que as garotas de K-On! sejam mais... mornas, e que K-On! não se pretenda tão inocente quanto Love Live - são duas séries no melhor estilo "cute girls doing cute things (com música e escola pra ninguém botar defeito)".

Personagens cativantes e pretensão de inocência em suas imagens e produtos são apenas algumas das várias estratégias de marketing de Love Live, aliás, cuja franquia conta também com um jogo mega-popular que é a razão do meu vício e saiu logo depois do final da primeira temporada no Japão, para Android e iOS (no Japão, terra dos celulares, nada menos!) e claro que se espalhou rapidamente através do boca-a-boca. O jogo em si, do qual pretendo falar mais em outro post, é extremamente divertido e viciante - e portanto capaz de manter preso qualquer fã que ficou com uma lacuna na agenda depois do final da primeira temporada. Então, quando você leva em consideração estratégias bem-planejadas assim, a participação dos fãs no design dos personagens, e, claro, brindes, sempre brindes pra quem compra produtos de Love Live, não é tão surpreendente que essa franquia tenha recentemente obtido esse sucesso estrondoso, atingindo um milhão de vendas de CDs já na época da estréia da segunda temporada.

Quanto à série de anime em si, eu, pessoalmente, chamaria de "legalzinha". Como disse, pouca coisa acontece efetivamente, e poucas dimensões são exploradas. O objetivo de ser um sucesso comercial, mais do que uma produção pra abalar a indústria, é claro. A produção em si é mediana para boa: A trilha sonora, claro, é j-pop chiclete, o que eu não considero algo ruim, e tem algumas músicas que eu até curti bastante; A animação é "eficaz" mas não chega a fazer os olhos brilharem, com escolhas de cores por vezes estranhas (não usar cores impactantes parece ser deliberado, mas é uma escolha estranha, não?), perspectivas bizarras e coisa e tal - mas melhora consideravelmente, assim como o uso de CGs vai caindo. Enfim, ouso dizer que tem seus pontos fortes e fracos, típico Sunrise, e talvez mais acertos do que erros nesse sentido.

Love Live está longe de ser soberbo - assim como, sejamos sinceros, a maioria dos fenômenos de venda da animação japonesa nos últimos anos. Mas se esse fenômeno de vendas me parecia inexplicável até ter um contato mais próximo da série, hoje penso que Love Live sabe vender bem seu peixe, e afinal, está longe de ser ruim. Àqueles que curtem o estilo, é um bom anime. Aos que não curtem, é só mais um, mas é bom, então por que não dar uma chance?




2 comentários:

  1. Eu mesma tenho andado bastante ausente do meu blog, mas enfim >.<

    Eu gosto muito do facto de você dar sempre oportunidade a animes que à partida não serão os mais marcantes para você, e como faz críticas tão justas. Eu não pretendo ver Love Live tão cedo - já tinha ouvido falar imenso dele, mas sabia que se tratava de uma série de idols moe e, embora não as rejeite completamente, não fazem o meu género favorito. Aparentemente, o seu também não. Mas gostei da forma como conseguiu explicar bem o fenómeno de vendas, falando do marketing, da personalidade verdadeiramente engraçada das personagens e da produção mediana. Mas realmente, pelos screenshots já dá para ver que ainda assim há animações mais bem feitas, embora, claro, também hajam algumas imensamente piores. Principalmente em alguns shonens.

    Ah, você é fã de Psycho pass, não é? Que está a achar da segunda temporada? :)

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    1. Olá, Anilyan!~ E aí, como vai? ( ´ ▽ ` )ノ

      Sei bem como é. Eu não tenho tido sequer tempo de atualizar meu blog, quanto mais ler os outros blogs que eu acompanho... ;O; Acho que essa época não é fácil pra ninguém! Mas, bem, fico muito feliz pelos elogios! Pra ser sincera, eu acho que gosto de gêneros de anime muito variados; É claro que tenho alguns favoritos, e outros que não suporto, mas em geral eu acredito que uma história de qualquer gênero pode ser boa se for bem-feita. Então eu tenho tendência a dar chance pra coisas bem diversas, e procuro aproveitar isso pra colocar resenhas variadas no meu blog. Que bom que você considera isso algo positivo!~
      Eu também procuro ser o mais imparcial possível nas minhas resenhas, afinal cada um tem sua preferência, então, se eu consegui transmitir isso, fico feliz! ❤
      Me pergunto se você está pensando em algum shounen em particular agora, hahah. Mas é verdade, em geral anime pra públicos mais infantis ou animes que duram muito tempo também tendem a ter uma produção mais pobre. Talvez por isso não me atraiam tanto.

      Ah, eu adoro Psycho-Pass!! Queria estar podendo comentar semanalmente, mas realmente não tive tempo... (╥_╥) Ainda assim, pretendo ao menos fazer um post de "Impressões de meio de temporada", logo, logo. Eu confesso que ainda não consegui ver o último episódio, mas tenho achado muito legal. Apesar do tom um pouco diferente da primeira temporada (menos filosófico e tal) pessoalmente não me agradar, acho que não podia ser diferente sem ficar batido, então fico feliz com a direção, apesar de, bem, não me apetecerem estes rumos. E você, o que tem achado?~

      Ah, claro, muito agradecida pela visita e pelo comentário!! ♡ Até mais!~

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