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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Anime: Barakamon - A Beleza da Vida segundo um grupo de caipiras e seu calígrafo mimado.


Enfim pude fazer a resenha de Barakamon. Barakamon, que eu tenho chamado por aí nas redes sociais de Anime Of The Year, e eu não estou exagerando quando digo isso. Eu realmente acho que Barakamon foi um dos melhores títulos do ano até agora, se não o melhor, e considerando que eu vi um pouco (ou um muito) de cada temporada neste ano, isso não é um mero chute infundado.

Barakamon mistura um pouquinho de cada coisa - um pouquinho de drama, um pouquinho de comédia, um pouquinho de mensagens inspiradoras, até, por que não dizer, um pouquinho de fanservice - pra criar um slice-of-life que genuinamente transmite vida, e se manteve consistentemente ótimo do começo ao fim. Eu disse no começo da temporada que dificilmente me desencantaria com Barakamon, dada a competência que a produção já havia demonstrado, e meu veredito final? Modéstia à parte, acertei em cheio. Barakamon é ótimo.
Hoje então eu vou inverter a ordem do post e começar pelas recomendações. A quem eu recomendo Barakamon? Todo mundo. A menos que você só goste, sei lá, de coisas tipo High School of the Dead, e nesse caso, Barakamon não tem violência nem peitos pulando, então talvez não seja do seu interesse. Mas mesmo assim, dê uma chance. Barakamon é o tipo de anime bom o bastante pra abrir a mente pra outros gostos.

A história de Barakamon é a seguinte: um calígrafo japonês (isso é, versado na arte do Shodo - o post do Gyabbo! fala mais sobre isso - e essa dimensão, aliás, também acrescenta uma dimensão cultural/educativa muito interessante pra nós que não somos japoneses!) de nome Seishuu Handa, estava participando num belo dia de um concurso. Nesse concurso, críticos de arte julgariam sua caligrafia, muito bem, assim é a vida de um calígrafo, tudo normal até aí. Sucede que um não tão belo crítico de arte disse que sua caligrafia era convencional demais, e que não trazia nada de original e coisa e tal, com um discurso até bem cruel; E Seishuu, um mau perdedor pouco satisfeito, estapeou o cara. Vamos contextualizar as coisas: Seishuu é um rapaz de 23 anos que já possui uma vasta produção em caligrafia - um prodígio, portanto - que está vendo seu reino da caligrafia cair por causa de um novato. Esse crítico de arte é um velhinho. E tinham várias pessoas olhando quando ele o estapeou durante uma avaliação.
Obviamente, todos chegaram à conclusão de que "Seishuu perdeu a cabeça".

Com esses eventos, o pai de Seishuu decide mandar o garoto-da-cidade, filho único e mimado, pra um vilarejo pacato, onde ele supostamente poderia espairecer, encontrar inspiração para a sua arte, e... aprender uma coisa ou outra da vida.

Só por esse começo, já percebi em Barakamon diversas coisas um tanto únicas que me cativaram pessoalmente. A primeira delas: Seishuu é um adulto. Um jovem-adulto, pra ser mais exata. Eu gosto muito de animes com jovens adultos - porque, advinha, eu sou uma - então já me interessou; Fora o fato de ele ser muito como eu, todo impulsivo e, bem, perdedor. (Admito que me identifico com isso aí.) Fora isso, ele é um legítimo garoto da cidade, que tem alergia de gatos, nunca segurou uma vara de pescar na vida, e de repente se vê num vilarejo rural onde mal tem telefone. Esse choque de realidades também é um ponto que pode remeter facilmente a situações da vida real, então acaba sendo um ponto de fácil identificação; E, claro, tem o fato de que as atitudes dos personagens são incríveis: Um estapeia o crítico de arte, o outro manda o filho pra ir viver num vilarejo remoto. Tudo é tão empolgante. Por fim, Barakamon desde o começo demonstrou um potencial pra "transmitir uma mensagem bonita", e ele de fato faz isso desde o seu primeiro episódio, como já havia comentado.

Foi nesse nível de encantamento que eu comecei a assistir Barakamon, e nesse nível de encantamento eu me mantive até o final. Barakamon correspondeu às minhas expectativas que já eram altíssimas no começo. Se nos primeiros episódios eu ainda temia que a série fosse desandar e ficar entediante, como acontece normalmente com esse tipo de "slice-of-life sobre a magia da vida", não foi isso que aconteceu. A cada semana, eu ia ver o episódio novo com a certeza de que iria rir, e aparentemente essa foi mesmo a intenção do diretor. Através de eventos coerentes e fluidos, com personagens hilários, uso de diferentes tipos de comédia e momentos pontuais de drama, o nível se manteve alto do começo ao fim. Como eu já disse, o enredo é simples, sempre foi e se manteve assim do começo ao fim, com um ou outro clímax. Por outro lado, a ambientação é ótima, e a experiência compensa quaisquer falhas que o anime pode ter em termos de desenvolvimento e "profundidade".

Mas vamos falar em termos menos gerais: Pra começar, Barakamon é classificado primeiramente como uma comédia, e não é pra menos. Como eu já falei no post anterior, tem de vários tipos de comédia, geralmente encabeçados pelos diversos personagens que são basicamente caricaturas da vida real. Temos Naru, a garotinha de 7 anos que é co-protagonista do anime, ainda não conhece as palavras mais complexas, fica enchendo o saco do Seishuu e correndo pra lá e pra cá, perguntando "hã?", falando coisas que ela não entende na pura ingenuidade, e fazendo todas aquelas coisas engraçadinhas que crianças fazem - e ela é uma criança particularmente espivetada e engraçadíssima. Temos também Seishuu como o representante daquele "humor de Twitter", que ironiza a vida desgraçada que leva e as coisas idiotas que faz - e ama gatos. Já o Hiro é engraçado por ser "o normal num grupo de loucos". A Tamako é a fujoshi do grupo, que só quer escrever seus mangás e ver o Seishuu e o Hiro juntos (e eu me senti representadíssima nela!) e tem as maiores fantasias e ilusões. Já o Kanzaki-kun é o jovem novato obcecado pelo seu senpai. A mãe do Seishuu é a mãe bonitona e superprotetora, que chega a ser assustadora...

E assim por diante, pra todo o elenco. Que não é pequeno, não. Cada personagem é divertido ao seu próprio modo, tem suas esquisitisses, e apesar disso, você nunca sabe o que esperar quando eles entram em cena. Não dá pra dizer que os personagens são "complexos", porque na verdade eles são personalidades bem simples, mas cada um tem suas neuras, digamos assim, e juntos eles tem dinâmicas hilárias ou simplesmente encantadoras de fofas (especialmente dos outros personagens com o Seishuu, já que, no fim das contas, muitos até o admiram "secretamente" ♡). E essa é a graça: A parte do "juntos" O humor é imprevisível e genuinamente engraçado, o que, convenhamos, é difícil em anime; É um humor que atravessa barreiras culturais. Eu me peguei rindo de verdade em vários momentos, coisa que não é fácil de acontecer.

Mas não só de bom humor se faz personagens. Não, eles não são conflituosos, super profundos, mas eles tem seus momentos. Algumas vezes, quase como na vida real, eles dizem - ou fazem - coisas realmente inteligentes e/ou inspiradoras, e que nos fazem pensar. Outras vezes, eles tem conflitos muito reais. Eu comecei a escrever esse post logo depois de assistir o episódio 11; Quando lia pessoas falando que chorariam com esse anime, eu pensava "não, esse anime não vai me fazer chorar", afinal Barakamon tem essa característica de ser "morno e feliz" na maior parte do tempo. Ledo engano. Não vou dar spoilers pra quem não viu, mas basta dizer o episódio 11 se passa na maior parte na cidade cinzenta, cheia de problemas e pressões, e o momento emocionante se dá no coloridíssimo vilarejo rural, cheio das gritarias e sentimentos. É genuinamente maravilhoso. O que me fez chorar, acima de tudo isso, foi a voz fofa da Naru. Vale abrir um parênteses aqui pra falar que a voz da Naru é de uma criança de verdade. Suzuko é uma dubladora novata de 9 anos de idade que me fez chorar com seu grito empolgado e inocente para o Seishuu.

A produção é genial assim - ou, no mínimo, também tem seus momentos. Eu confesso que adoro toda a dublagem de Barakamon. Incidentalmente, além da Suzuko, que virou uma das minhas dubladoras preferidas, todas as crianças são dubladas por, bem, crianças de verdade. Dubladores mirins bastante competentes, pra falar a verdade. Além deles, a voz do protagonista é dada por Daisuke Ono (Itsuki de Haruhi Suzumiya no Yuutsu, Sebastian de Kuroshitsuji, Erwin de Shingeki no Kyojin), que por acaso também é um dos meus dubladores favoritos já há muito tempo. Yuki Kaji (Shu de Guilty Crown, Shion de No.6, Eren de Shingeki no Kyojin), Junichi Suwabe (Archer de Fate/stay night, Ren de Uta no Prince-sama, Dandy de Space Dandy) e Rumi Okubo (Chinatsu de Yuru Yuri, Ako de Suite Precure) são alguns dos outros nomes que compõem o fantástico elenco de dubladores de Barakamon. Já na parte de música, nada super notável - exceto talvez a abertura, que é a favorita da temporada de muitos. Não a minha, pessoalmente, mas preciso dizer que a versão completa saiu recentemente, e me dá arrepios toda vez que eu ouço. Analisando agora, realmente, mesmo que não seja a melhor música do mundo, é boa e combina bem com o anime, então vale. (Eu pessoalmente ainda prefiro o encerramento, no entanto!)

No que diz respeito à parte visual, além do uso das cores ser lindo, também tem notáveis momentos de comédia em que efeitos visuais são bem usados pra acrescentar ao humor, os cenários do vilarejo transmitem toda essa energia, e... por falar nisso, a animação de Barakamon é boa. Não é absolutamente impecável à la KyoAni (leia-se: rica), mas virtualmente não tem momentos "QUALITY", à exceção de certos momentos de comédia com um traço mais simples. Ou seja: se não é fantástica, é competente e funciona bem pro que o anime propõe. Então, é mais um ponto forte do que o contrário.

E na real, e sem querer puxar saco, Barakamon tem algum ponto fraco? Pra quem gosta desse tipo de anime, em que poucas coisas "acontecem", provavelmente não. É claro que, não, caracterização e desenvolvimento de personagem não são o forte, tampouco drama. Se você procura algo denso e complexo: esquece, não vai encontrar aqui. Tudo em Barakamon é leve como pluma, e em última instância objetiva apenas passar uma sensação de felicidade pra quem assiste, lembrar o espectador da "magia da vida" e tudo mais. Levando em conta esse objetivo, eu diria que Barakamon é um 10/10. Sucesso total naquilo que se propõe.

Em conclusão, Barakamon é, no mínimo dos mínimos, um anime bem-feito, e - talvez mais importante - um anime que sabe cativar seu espectador. Tem momentos lindos, momentos dramáticos e momentos hilários. Tem uma mensagem a passar, que como eu já falei nesse outro post da resenha de Ao Haru Ride, é uma coisa que eu valorizo demais na minha ficção. Toda a experiência foi muito boa, não tenho grandes reclamações.
Ultimamente, tenho lido por aí que Barakamon é "superestimado". Não acho que seja o caso. Acho que ele é devidamente estimado por cada um que assistiu, e tem médias boas por aí simplesmente porque, bem, muitas pessoas curtiram. E muitas pessoas curtiram porque Barakamon sabe se fazer simpático pra um grande número de pessoas sem precisar ficar "em cima do muro" em relação à sua proposta pra isso. É simples assim.

E pra concluir, repito a recomendação: Quem deve ver Barakamon? Olha, se você ainda não viu, você. Vai ver. Agora. Já! (☞•̀ω•́ )☞



 

3 comentários:

  1. HA! Quem não quer ver o Seishuu e o Hiro juntos? Quem não sai por aí procurando nos sete cantos do mundo( e até na Deep Web) fanfics e doujins dos dois? Quem não queria ser amiga da Tamako?
    Ok, parei já. Eu simplesmente adoro esse anime, é super agradável de ver, e, sim, eu já chorei com o famigerado episódio 11, e com a abertura também, inclusive ( juro que não sou chorona, não sou). Enfim, achei sua resenha extremamente completa, praticamente tudo o que eu pensava mas não conseguia pôr em palavras,para variar. 。◕‿‿◕。

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    Respostas
    1. Olá, Flora! ♡ Obrigada pela visita e pelo comentário!
      HAHAHA, sim, bem isso! Quem não quer ver o Seishuu e o Hiro juntos... talvez eles. Mas eu sei quem quer (a Tamako, BFF da galera). (~ ̄▽ ̄)~
      Enfim, fico feliz que você também tenha gostado, e entenda meus sentimentos! Eu também não sou chorona, mas que eu chorei com Barakamon, eu chorei. HAHAHA. Muito obrigada pelo elogio, e até mais! ☆

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  2. Eles querem, cara. É só que eles ainda não sabem disso. u-u

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