quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Filme: Doushitemo Furetakunai



Olá, como vão vocês?
O post de hoje distoa um pouquinho dos padrões desse blog, já que é pra falar de um filme (BL) live-action ("Ahh! 3D! Pig disgusting! Nooo! (゜Д゜;)") mas logo mais voltaremos à programação normal, ok? ♡
A obra que eu gostaria de falar sobre hoje chama-se Doushitemo Furetakunai, e é um mangá BL que recentemente recebeu uma adaptação em filme, a qual mais recentemente ainda caiu na internet - e é claro que eu fui correndo ver, como fã da escritora do mangá, Kou Yoneda, que eu sou.


Mas pra falar do filme (que eu aliás não tenho nenhuma propriedade pra falar porque não sei fazer resenha de filme! orz) vamos falar primeiro um pouquinho do mangá. Faz já algum tempo - vários anos, na verdade - que eu o li, e só um pouco menos de tempo que reli, então não posso dizer que as memórias dele estão frescas. No entanto, permaneceu a seguinte impressão: Doushitemo Furetakunai é uma obra super sensível, super fofa, e felizmente, isso se traduziu na adaptação em filme.


Mesmo não sendo minha obra favorita da autora - a preferida seria Yorubenaki Mono, que está eternamente em hiatus! - ainda assim, eu gostei bastante na época que li, e ainda acho uma boa obra. Independentemente da minha opinião, no entanto, Doushitemo Furetakunai é no mínimo uma obra importante no que diz respeito a "mangás BL recentes".
Sua autora começou sua produção nos círculos de doujinshi - como a maioria, aliás, - escrevendo diversos doujins de Reborn! - o que é perceptível, aliás, pelo seu traço; Qualquer semelhança com o da Akira Amano não é mera coincidência! - mas foi essa obra de 2008 que fez com que ela realmente ganhasse destaque no universo do BL.

Se você tem algum contato com BL, não gosta do gênero por "N" clichês, e procura uma obra que te convença do contrário, já adianto que não, Doushitemo Furetakunai não seria exatamente a obra que eu vos recomendaria. Como obra, ela é boa, mas não foge de certos estereótipos de yaoi: tem vários homens trabalhando em um escritório onde todo mundo é gay e esse é o lado bom de ser gay, tem um draminha de "eu sou gay e você não", tem até um quase-estupro - do tipo eu-não-quero-mas-eu-quero, ainda que não tão difícil de engolir quanto em outros títulos por aí - e vários recursos narrativos baratos que já foram usados inúmeras vezes em obras do gênero antes.

Ainda assim, é uma boa obra. A arte é boa, a história tem começo, meio e fim, um clímax dramático, e sobretudo, ela é muito delicada. Os personagens são, digamos, relativamente realistas, e a propósito, a abordagem da sexualidade dos personagens é mais realista que 90% das obras BL da sua época. Não foi pra menos então que foi essa a obra que escalou a autora ao status de uma das melhores autoras atuais do gênero BL - "a nova Shungiku Nakamura", segundo as más línguas, ou, na minha opinião, apenas uma autora competente e que representa bem essa "nova onda" do BL: um pouco mais realista, um pouco menos machista, um pouco mais preocupado em ser, bem, bom.

Sendo assim, o mangá acabou por ganhar uma continuação, um Drama CD, e agora sua mais nova adaptação - um filme live action de 86 minutos estrelado pelo ex-Johnny Kosuke Yonehara, e Masashi Taniguchi, de Boys Love.
Bem, é sobre essa adaptação em filme mais recente que eu pretendo tratar mais a fundo - ou eu deveria dizer "fazer propaganda"? Ah, pode ser! - nesse post. Eu fui esperando algo bom, porque o trailer já havia me agradado, na verdade, e não fiquei decepcionada com o que vi. Então, eu acho que foi bom. Assim. Naquelas.
Naquelas de quem está acostumada com atuação pífia em live actions japoneses, e um ritmo super lento (eu comentei no Twitter que eu deveria estar vendo novela mexicana, porque nada acontece hahah) mas como combina bem com a delicadeza de história, não é necessariamente um ponto ruim. Falarei mais sobre depois.

A adaptação é fiel na medida do possível - o que eu já acho incrível, considerando que o mangá tem apenas 9 capítulos! Não chegou a me dar "dejavus", mas os ambientes são bem similares, um ou outro ângulo é igual (mas, em geral, o pessoal da fotografia deu aquele "up" nas cenas!). O que mais me marcou, na verdade, foi o quão similares as roupas são, exatamente como eu imaginei. Enfim, tudo remete à obra sem necessariamente fazer tudo igual, o que eu considero muito positivo.

Em relação aos atores, como eu já tinha visto pelo trailer, também, a aparência deles combinou bastante com os personagens. Eu achei essa parte muito legal. O lado ruim, bem, é justamente a atuação. A atuação... é fraca. O que não deve ser surpreendente pra quem assiste j-drama regularmente. Em alguns momentos que deviam ser emotivos, parece que os atores estão evitando tocar as coisas ou os outros, e tudo fica com uma sensação de "wow, embaraçoso" que tira um pouco da potência que o mangá transmite.

Fora isso, de radicalmente diferente, foram só as propagandas, mesmo. Então, a similaridade é um ponto forte. Não só nos aspectos concretos, mas os sentimentos também. O filme tem uma delicadeza que se equipara à do mangá, mas de formas diferentes - que, novamente, eu considero um ponto forte, já que não é simplesmente um "repeteco" pros leitores do mangá e busca se adequar a um novo público em potencial. O realismo psicológico dos personagens é um ponto em forte em ambos, mas enquanto o mangá pode contar com monólogos facilmente identificáveis e cenas de sexo, sendo uma mídia diferente, o filme faz isso através da sua produção - do colorido e do ritmo que o mangá não pode promover, por exemplo.

Eu queria aproveitar e abrir um parênteses pra comparar esse filme a um outro que, se não tem nada a ver, tem muito a ver. "Hã?" Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, produção nacional que retrata um romance entre homens com delicadeza, e se destacou em festivais internacionais pra surpresa geral da nação. Apesar da sensação que passa ser diferente (HEQVS é brasileiro, e DF é japonês - nossa, sério? - sério, juro) tem algumas semelhanças de proposta também. Li por aí que as vendas do DVD recém-lançado de Doushitemo Furetakunai estão boas, e com "boas" eu quero dizer "superando expectativas". Talvez isso diga algo de que tipo de romance homossexual o pessoal quer ver nos cinemas em 2014, pelo menos: Algo que seja esteticamente agradável, sensível, e sobretudo realista - assim, uma boa representação. Tem umas boas coincidências aí, não tem? Eu acho que tem!

Enfim, parei de divagar! Em resumo, (se você curte BL e) nunca leu tampouco assistiu Doushitemo Furetakunai, é uma obra que eu recomendo. Já fiz aqui meu papel da propaganda, não tem desculpa.
Recomendo até que comece pelo mangá, pra falar a verdade. O filme é bom como produção e adaptação, mas o mangá é forte. E afinal, foi o que gerou todas essas outras produções, então obviamente vale a pena conferir. Mesmo que você não goste de BL em particular, é um bom romance, então recomendo que dê uma chance, já que, no mínimo, é uma obra interessante!~

6 comentários:

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  2. Você sabe se tem esse mangá traduzido em português?

    Adorei o post, e gostaria muito de ler ele também ><

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    1. Oi Franciele, tudo bem?
      Eu não sabia, mas fui procurar agora e parece que tem scanlations em português pelo grupo Sinful Project. :) Dá uma olhadinha!: http://www.mangareader.com.br/Online/doushitemofuretakunai-capitulo-1/57984-sinful-project#/!page0
      Muito obrigada, e boa leitura!~ ^^
      - Chell

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  5. MUITOS ERROS NA MINHA ESCRITA, POR ISSO REMOÇÃO... DESCULPE-ME...
    Eu simplesmente adorei, e divago (re)vendo Doushitemo Furetakunai (2014; dirigido pela cineasta Chihiro Amano)... Achei os intérpretes muito bons, muito e o Masashi Taniguchi convence - um clima sombrio, alcoólico, viciante. A música, a iluminação, a decoração (quase minimalista). A cena final reportando ao medo da neve, me tocou muito. É muito desamparo, gente. Você é uma conhecedora dos mangás, eu só estudo, estudo e não aprendo kkk Tudo começou quando dois alunos da comunicação da minha universidade (federal) trouxeram uma ideia de bolsa de extensão e ganhamos... Foi um must, pois pude me permitir aprofundar em coisas que na minha juventude não tive acesso. Mas o filme é o melhor dos BL (assisti a alguns que tive acesso), de longe é o mais delicado, mais sutil e como você mesma diz, com rara sensibilidade, esteticamente agradável, sensível e realista... Tem clichês, isso capturei, mas a vida mesma é um clichê... kkk Abraços, adorei sua apreciação, pois reporta à origem do filme. Fico grato lendo coisas tão agradáveis de ler como é seu texto. Agradeço.

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