sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Mangá: Cyboy - Sobre um garoto ciborgue... só que não.

Olá!
(Depois de dez anos sem postar pelos motivos de sempre - faculdade, tempo, doença, etc... parece que alguém está tentando dar aquela compensada básica no fim do mês.)
Hoje vim trazer uma resenha de um mangá que pretendo traduzir para o português assim que tiver um tempo e um editor melhor que eu, na verdade!. É um mangá shoujo curtinho, de 2 volumes, e bem simples, com uma progressão de eventos bem "monstro da semana" (ou pra ser mais exata, "rival babaca do capítulo") - que, apesar de tudo isso, é muito fofo e recomendo a leitura.

O mangá é Cyboy, da autora Mai Nishikata, que escreveu também Venus Capriccio, Hana no Kishi, entre outros mangás shoujo razoavelmente populares. Eu li pela segunda vez este mangá no fim de semana passado, e ele continua me surpreendendo por ser incrivelmente encantador. Como recentemente me envolvi em algumas discussões a respeito de shoujo - e, pra ser mais exata, fui em defesa do gênero contra uma mentalidade comum e um tanto preconceituosa de que shounen é que é legal, shoujo é porcaria - eu vim trazer Cyboy como um exemplo de mangá shoujo bom apesar de muito simples, pra quem quiser recomendações.



Chamo de "simples" porque, além dessa premissa de "rival do capítulo", Cyboy se passa numa escola, tem um romance, amigos, gente afim dos amigos e toda aquela coisa bem clichê. O fato de o protagonista ser um garoto talvez seja o primeiro ponto original para alguns, e talvez torne o mangá digno de alguma atenção para estes. Confesso que não foi por isso que eu li. Da primeira vez que li, foi porque o nome me deixou curiosa - afinal, que raios de nome é "Cyboy"? Cyber? Ciborgue? Um shoujo cyberpunk?




Adianto que não é nada disso. Cyboy realmente é um portmanteau de "Cyborg Boy", ou garoto ciborgue. Que é um nome que na prática não tem relevância nenhuma para a história. É assim que o protagonista, Kiyosumi Kujou, se refere a si mesmo... em segredo. Ele se considera um garoto-ciborgue porque ele quer ser o garoto perfeito. Ele é uma espécie de pick-up artist japonês, bishounen e, contrariando expectativas, um ser humano decente. Nesse sentido - e não só nesse sentido, veremos - o mangá tem muitas semelhanças com um outro título de shoujo escolar, conhecido por seu humor alternativo e uma certa originalidade: Ouran Host Club, onde garotos fúteis desenvolvem arbitrariamente seu charme, e há toda uma exageração satírica da pompa dos jovens ricos e suas paixonites adolescentes. (Uma ressalva: Me baseio no anime pra tercer críticas positivas a Ouran Host Club. Acho que o mangá acabou caindo em muitos dos clichês que satirizava, mas isso é assunto pra uma outra hora...)

Pois bem, Cyboy se assemelha nisso em alguns aspectos. A sátira, aqui, não tem a ver com pobreza ou riqueza, tampouco com o meio otaku como em Ouran, mas principalmente com a questão da popularidade e da reputação nas escolas - no caso, nas escolas japonesas (jura?) - e como isso está diretamente ligado com a atração e os relacionamentos; Tudo é exagerado e ridicularizado pra efeito cômico. De pano de fundo, é claro, tem uma mensagem bem típica de shoujo idealista de que "o amor supera barreiras", "o amor verdadeiro não se importa com popularidade", etc.

E que popularidade, já que os protagonistas, como não é de não se esperar de garotos de shoujo, são apenas os dois garotos mais populares da escola. Ironicamente, o principal, Kiyosumi, é um loser. Um loser a ponto de se apelidar de "cyboy", mas isso não impede que ele seja um dos melhores - termos do mangá - e mais cobiçados garotos da escola. O motivo: Com a ajuda de seu amigo e fiel escudeiro, Maki, ele pratica esportes, aprende a se vestir, e tudo que é preciso pra ser "legal" e chegar na nova escola arrasando. É assim que as menininhas da escola se apaixonam pelos dois estudantes recém-chegados, ameaçando a popularidade do já estabelecido Clube dos Garotos Bonitos, que não vai deixar barato.


Essa é a premissa básica do mangá. A partir daí, coisas se desenrolam. Já vou dar mais um spoiler (mas que não é exatamente spoiler, porque... né? Tudo isso é do primeiro capítulo): Kiyosumi gosta de uma garota. Wow! Eu não imaginava isso, afinal, ele é um protagonista de shoujo! Pois é, pois é. E essa garota, surpresa, não liga pra ele tanto quanto as outras garotas. Essa garota lembra bastante a Haruhi de Ouran num primeiro momento, mas a gente vai vendo com o passar dos capítulos que ela é mais do que um clone de Haruhi. Isso vale pra todos os personagens, aliás: nenhum deles é unidimensional. Não é porque Kiyo é um "loser" que ele não começa a agir naturalmente como "garoto popular" em alguns momentos; Não é porque Maki é popular que ele pega todas as garotas... E assim por diante. O mangá se propõe a várias desconstruções de papéis. E pra um mangá - shoujo - de 2 volumes, desenvolver bem ao menos seus (quatro ou cinco) personagens principais é um ponto positivo, penso.

Outro ponto positivo é como eles são, como disse, pessoas decentes. É claro que um mangá não precisa ter só "gente boa" no elenco pra ser bom, mas o fato de ser uma leitura curta e descompromissada com uma mensagem positiva conta pontos no quesito "inspiracional", certo? Toda a mensagem do mangá é positiva - sobre você poder mudar, e sobre amor, e sobre várias coisas - e não tem estupros nem nada do tipo (vamos ser sinceros? Essas coisas idiotas acontecem demais em shoujo, sim) então é uma boa leitura pra deixar seu humor pra cima.

Então, tem esses pontos positivos. O lado ruim do mangá, com certeza, é que o plot device dos rivais é repetitivo, e vai ficando progressivamente ainda mais cansativo. Mas como a sua graça não está na história, mas sim nos personagens, é perdoável. As coisas se desenvolvem - lentamente. A arte é mediana. No fim das coisas, Cyboy é mesmo bem simples; Sua apresentação, em particular, não foge jamais dos padrões "shoujo escolar típico". E a parte interessante é justamente como a autora consegue fazer algo por vezes inesperado, com uma mensagem positiva, sem sequer sair dos moldes mainstream do gênero.



Em suma, recomendo a leitura desse mangá pra quem quiser conhecer um shoujo padrão, simples e repleto de clichês, porém com uma mensagem inspiradora - de auto-descoberta, reconhecimento e crescimento - e personagens apaixonantes. Uma leitura curta, agradável e adorável. Espero que gostem! ❤

Edit 27-08-2015: O mangá já foi traduzido em português pelo scanlator Kawaii Evolution! Clique aqui para ler!

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá! Como disse no post, esse mangá ainda não está disponível em português, nem por meios oficiais, nem por scanlators, mas você pode ler sua tradução em inglês no site MangaFox: http://mangafox.me/manga/cyboy/ ^^
      Obrigada pela visita, e espero que curta o mangá!~ (◠‿◠✿)
      - Chell

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  2. Esse mangá já e feito pela scan Kawaii evolution ! :)

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    1. Muito obrigada, Valentina! :) Vou editar o post!
      Abs!
      Chell

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