segunda-feira, 23 de junho de 2014

Filme: Persona 3 The Movie #1: Spring of Birth - Pra fazer qualquer fã de Persona 3 superar o Trinity Soul.

Ou: o filme em uma cena.

Olá, pessoal. O post de hoje fala mais um pouco daquela, daquela série de animes e jogos da qual eu sou escrava e quero emancipação. Ou, pra quem não sacou, Shin Megami Tensei: Persona.

Preciso começar esse post assumindo uma coisa: eu sou uma jeca. Por muitos motivos, mas o principal deles é que eu sou aquela pessoa que faz um fuzuê com cada anúncio de lançamento de séries que gosta, e sempre acaba se atrasando quando o lançamento efetivo acontece. É só quando todo mundo já parou de comentar que eu vou finalmente conferir tal coisa - e, pra piorar, em geral eu acabo adorando. Em outras palavras: Persona 3 The Movie #1: Spring of Birth foi lançado em Novembro do ano passado, chegou na Internet com legendas há quase um mês, e eu só fui ver na semana passada.

Quem não conhece Persona pode dar uma olhada na Wikipedia ou talvez nesse outro post pra entender que é um jogo de RPG, ambientado no Japão atual, com uma história pautada em fantasia urbana e misticismos e tal. Mas, se você gosta de anime e videogames, provavelmente já ouviu falar, já que a galera do Siliconera e do Kotaku pira nessa porra. porque é uma série relativamente famosa e tal. Aparentemente esse filme será parte de uma trilogia, porque trilogia é tendência, mas talvez tenha um quarto?, então, yeah, deixo no ar.

Voltando à informação técnica: Persona 3 The Movie #1: Spring of Birth, que eu vou estar chamando nessa resenha somente de P3: SoB, é a mais recente dentre as produções animadas baseadas na série de jogos Persona enquanto não sai o Persona 4: The Golden Animation que foi anunciado pra Julho. P3: SoB é um filme - com duração de 1h38min - baseado no 3º jogo da série principal, Persona 3também conhecido como P3. 
Ele está sendo produzido pelo estúdio AIC Pictures, que foi responsável por Persona 4: The Animation (P4A) que, por sinal, é possivelmente a adaptação mais bem aceita de um jogo da franquia SMT até os dias de hoje - OK, a concorrência é Persona trinity soul e Devil Survivor 2, mas... - então isso deve ser um dado positivo pra muitos. Dados à parte, ele é, resumidamente, lindo.

Quando eu comecei a ver o filme, minha primeira reação foi: "C**** QUE SAUDADE *GRITA*".
Minha segunda reação foi provavelmente "socorro, eu vou chorar".

Desde o primeiro momento, com o sonho da borboleta de Zhuangzi e Burn My Dread tocando, eu senti que nessa adaptação a coisa ia ficar séria.
Meu histórico: Pra ser sincera, da primeira vez que eu vi gifs desse filme, no Tumblr, eu achei que fossem tirados de mais algum spin-off ou remake de Persona 3, juro. Demorou pra me tocar que o tal do filme já tinha sido lançado, e que aquilo era do filme, justamente porque essa adaptação, desde o primeiro segundo, está muito fiel. Como nunca antes. E igualmente nostálgico.

É evidente que eles se importaram muito mais com os fãs do jogo dessa vez. É claro que não foi uma cópia do jogo, já que muita coisa de umas 20h de jogo foi cortada pra caber em 1h38 (sério?, etc!) e eles ainda conseguiram colocar uns pequenos fillers - ceninhas do Junpei no arcade, "espaço pessoal" e afins: tô olhando pra vocês! - mas eu acho que o que tem havido com as adaptações de Persona é um movimento de aproximação aos jogos, e consequentemente aos jogadores/fãs de longa data, que eu considero positivo.

"Positivo" porque o público que se aproximou de Persona por causa de P3 e P4 é, ao menos no Ocidente, exatamente o público que gosta de elementos de VN/dating sims, de JRPGs mais tradicionais e, potencialmente, de anime. Ou seja, é um público que vai assistir esse anime, e que espera sentir a nostalgia e os bons sentimentos do material original (e portanto o público que vai xingar muito na internet se não se sentir contemplado, vide o caso Trinity Soul).

E até o presente momento, P3: SoB foi o ápice desse movimento de aproximação aos fãs.

Depois de Trinity Soul, que era uma boa obra com seus próprios méritos, ter sido muito criticado por ser promovido como "anime de Persona 3" e ter muito pouco a ver com Persona 3, não tivemos nenhuma adaptação em anime de P3, que foi justamente o jogo responsável por criar toda uma nova tendência e repopularizar a série. Da série Persona, tivemos apenas a adaptação de Persona 4, Persona 4 Animation, que teve a obrigação de superar as águas passadas e que foi bem sucedido nisso, sendo bem mais fiel e ganhando uma boa aceitação da parte do público.

E agora, temos P3: SoB. Que é basicamente uma releitura dos eventos dos primeiros três meses do jogo, provavelmente ainda mais dramática, intensa e bonita. Tem cara de um pedido de desculpas pros haters de Trinity Soul, e eu acho justo. Apesar de alguns cortes ali e aqui, e enchidas de linguiça (tipo o drama com a amiga da Fuuka, a Moriyama, no finalzinho, que já era um saco no jogo!) eu juro que não tenho a intenção de criticar negativamente esse filme nesse post, porque, como velha fã do jogo, achei tudo o máximo. ♡

Muitas das cenas vão passar um sentimento de dejavu pra quem jogou o jogo e viu todos os FMVs; Apesar de os FMVs do jogo terem sido animados pelo estúdio Sunrise (Buddy Complex, Gundam, Code Geass), o AIC não fica devendo nada em termos de apelo estético, por mais incrível que isto possa soar. Desde as paletas de cores - com as cores frias na Dark Hour, e as cores fortes e degradês nos personagens e afins - até os cenários, tudo passa uma sensação brutalmente familiar.

Pra ser chata e criticar uma coisa a respeito da parte visual, é que a animação em si pareceu, ao menos a mim, um pouco lenta em algumas partes, levando em conta que é um filme e portanto espera-se uma alta taxa de frames por segundo. Mas não, a animação não tem um aspecto feio ou "barato", fazendo uso de vários bons artifícios, então não é sequer uma coisa que incomoda.

E se tem uma coisa que me incomodou na parte visual, foi provavelmente o fato de que o Pharos parece anão (mas ele realmente é bem baixinho, né?).

Em outras palavras: O filme é, ao menos visualmente, maravilhoso. Em particular, achei a animação nas batalhas muito boa, por ser o mais fiel possível às batalhas do jogo, com direito a tensão e os olhos arregalados de quando os personagens usam o famoso evoker de pistola. A título de curiosidade, me lembro de ler uma fala de um dos produtores sobre terem buscado propocionar uma experiência "mais próxima possível à do jogo", e que desse vontade de jogar nos espectadores, e vendo essas batalhas posso dizer que, sim, realmente me deu vontade de jogar (e insira aqui o comentário obrigatório de que eu já joguei essa parte 3 vezes, mas ainda assim me deu vontade de jogar.) 


De qualquer forma, a sensação de nostalgia não fica só na parte visual. O mesmo é válido pros sons, já que as músicas utilizadas são versões bem parecidas com as do jogo, quando não retiradas da própria trilha sonora do jogo, utilizadas exatamente nos mesmos momentos; O timing é tão preciso, aliás, que quem jogou o jogo consegue em vários momentos prever que música vai ser tocada.

Mais ainda para os japoneses, que tem as vozes originais - e a voz maravilhosa do Akira Ishida no Pharos e no MC, aqui chamado de "Yuki Makoto", também permaneceu, o que me torna uma fangirl feliz ♡ - mas mesmo pra quem não assistiu, as vozes não são tão discrepantes assim, e não chegam a causar desconforto. Pessoalmente, achei a voz da Yukari deveras mais irritante - sim, é possível - como toda a personalidade dela me pareceu ser nesse filme; Em contrapartida, só eu achei o Junpei mais sensato? Achei, aliás, que a produção do filme curte ele pra caramba. Mas, de qualquer forma, é só isso.

E a nostalgia vai além - por exemplo, o esquema do calendário também é ridiculamente nostálgico. Pra ser bem sincera, tudo parece ter sido feito justamente pra evocar a sensação de repetição (e nostalgia) em quem jogou o jogo, e teve uma experiência positiva, e por isso foi ver o filme agora. Ao mesmo tempo em que isso é um movimento interessante pra prender os antigos fãs, já que já é um jogo relativamente "antigo", com 8 anos de existência, e para os novos fãs, chega a servir como uma explicação mais detalhada de alguns eventos, tamanha a fidelidade - pessoalmente, achei que algumas coisas que passaram batidas no jogo se encaixaram bem no canon. Isso vale, por exemplo, para as interações do Yuki com a Fuuka, que tomaram proporções maiores no filme, provavelmente pra dar aquela forçada de barra básica pra criar um final impactante - afinal, pouco acontece de realmente impactante nos primeiros meses do jogo - e até eu, que gostava dela no jogo, achei um pouco excessivo. Mas, ei. Falemos sobre o final depois.


E o enredo? O enredo é isso aí: Os primeiros meses da história de Persona 3, até o fim de Maio. O que significa que o enredo é bom, e não fui (só) eu quem disse isso, mas não faz sentido nenhum até o presente momento pra quem não jogou Persona 3, assim como Persona 3 já fazia pouco sentido pra quem não conhecia a série de jogos. Eu sinto, inclusive, que eles omitiram informações deliberadamente, supondo que a pessoa já conheça a história - por exemplo, o propósito da Velvet Room ficou bem mal explicado, assim como as cartas de tarô, que mal aparecem, e idem elementos importantes como o grupo Kirijo e a SEES, que provavelmente deixaram para explicar num próximo filme, deixando as pistas completamente de lado.

O foco parece estar mais em puxar as pontas do enredo do jogo do que propriamente em explicar o universo para os novos - algo como, "se você gostou da ambientação, vá jogar". Talvez por isso Trinity Soul tenha sido uma adaptação tão diferente do canon, já que muitas coisas foram inventadas pra suprir aquilo que quem joga capta nas descrições de itens, falas de NPCs, glossários e afins - e talvez também porque foi a primeira adaptação animada da série Persona, e portanto os produtores se viram na obrigação de explicar o universo mais amplo para um novo público. Só especulando.


No entanto, ainda assim, o ritmo do filme me pareceu meio problemático. Talvez a coisa de mostrar a paassagem dos dias na forma do calendário tenha causado uma impressão de má distribuição dos eventos, já que no jogo isso faz mais sentido, uma vez que você está jogando, explorando o universo do jogo e interagindo com personagens nos dias em que "nada acontece". A bem da verdade, o ritmo do jogo já é problemático - muito tempo sem nada acontecer, muita coisa acontecendo em pouco tempo - e acho que isso só agravou a sensação.

Agora, quanto à conclusão - e portanto esse parágrafo contém spoilers: Minha opinião é que teve mais dramatização em cima de um drama que já era um tanto forçado no jogo. Não conhecíamos a Fuuka até então - simplesmente esperavam que simpatizássemos com a história da menina que sofria bullying, e ficássemos felizes pela súbita amizade super significativa delas, e a mesma coisa aconteceu aqui, com um drama extra pra criar um final mais ou menos empolgante. Não colou pra mim no jogo, e foi a única parte do filme que, sinceramente, não me empolgou.


O legal do final foi, provavelmente, a boss battle tensa com os demons lindos e fiéis (Parvati!!! Orpheus com voz badass! etc.), apesar de também ter achado meio destoante do resto do filme por ter sido uns 10 minutos de luta em um filme que absolutamente não focou na ação. Mas sendo baseado em um RPG, dava pra ser de outro jeito a conclusão? Dificilmente.


E afinal... Não posso reclamar, já que o grande momento do final provavelmente não foi o arco da Fuuka ou a batalha, mas sim o sorriso do Makoto.



Moral da história: Se você é uma das pessoas que queriam conhecer melhor a série Persona, em particular Persona 3, eu recomendo este filme. É claro que não é a mesma coisa que o jogo, pelos motivos já citados, mas é uma apresentação que faz justiça ao material original, em termos de intensidade, beleza, significados - e até alguns tropeços se mantém. Reforço que muito da explicação se perde na falta de jogabilidade. Mas como uma introdução, com certeza não é ruim.



E se você foi fã de Persona 3, e não tem certeza se quer assistir, eu recomendo fortemente pelo apelo nostalgia. Não, P3: SoB não é o tipo de coisa que arruina suas memórias boas do jogo! E também não é uma perda de tempo. É ótimo pra rememorar os eventos e proporcionar a mesma empolgação em um curto período de tempo.
Fato pra conhecimento geral, eu era a maior "personafag" até uns anos atrás, e um dado pessoal é que eu, que joguei a versão de PS2 no começo de 2008, não sou tão empolgada com a ideia de P3 hoje em dia - pessoalmente, fui preferir o 2 e o 4 - mas o filme me ganhou meramente pela nostalgia e pelo respeito com os antigos fãs, e me deixou ansiosa pela sequência, que inclusive já saiu no Japão.

Assim, fica aqui minha avaliação positiva de Persona 3 The Movie #1: Spring of Birth - que apesar do nome esdrúxulo e pouco promissor, surpreende positivamente na apresentação - e recomendação pra quem quer vender seu rim! (mais) Persona na sua vida. ♡

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