domingo, 29 de junho de 2014

Anime: Ping Pong the Animation - Sangue tem sabor de ferro.



Olá, gente!~ Hoje eu vim trazer uma resenha de mais um anime que terminou recentemente - Ping Pong the Animation. Esse foi um anime que me deu muita vontade de escrever sobre assim que terminei de assistir, mas não o fiz porque, honestamente, eu ainda não tenho 100% de certeza do que dizer sobre ele. O motivo é que Ping Pong the Animation é uma daquelas séries tão especiais que chegam a dar um aperto no peito, e aperto no peito é impossível de ser descrito objetivamente.

E isso não é por causa de dramalhão barato, não. Na verdade, é exatamente o contrário: A história de Ping Pong the Animation é uma história bastante feliz, mas ainda assim demasiadamente emocionante. Tsukimoto ("Smile") e Hoshino ("Peco") são dois estudantes de colegial japoneses que jogam ping pong, e o anime é a história - com começo, meio e fim, apesar de 11 episódios parecer pouco pra tanto - de como esse esporte mudou suas vidas.

A proposta já é familiar pra maioria das pessoas. Afinal, ainda que você não goste nem um pouco de ping pong, você provavelmente tem um "ping pong" na sua vida; Alguma coisa que te definiu na juventude, algo que te marcou e te influenciou para sempre, positiva ou negativamente, com mais ou menos dificuldades envolvidas... É exatamente sobre isso que se debruça a história de Ping Pong, que traz personagens de diversas gerações, países e históricos de vida, com diferentes experiências e posicionamentos em relação ao ping pong, mas que tem em comum o fato de o esporte ter influenciado significativamente suas vidas.

Some isso com sentimentos e conflitos pessoais bastante realistas, e só assim pra explicar o aperto no peito.

Produzido pelo estúdio Tatsunoko Production ([C]: The Money of Soul and Possibility Control, Sket Dance, Gatchaman Crowds), Ping Pong the Animation foi aquele anime que desde o primeiro trailer gerou opiniões bastante polarizadas: enquanto alguns detestaram o estilo artístico do anime, rejeitando-o de imeadiato por causa da "arte feia", outros vêem o aspecto inovador como algo positivo e desde o começo prestaram atenção no título - e eu posso dizer que me incluo nesse segundo grupo. Além disso, tem uma equipe que esteve previamente envolvida em "clássicos cult" como Kaiba e Tatami Galaxy - este segundo que, assim como Ping Pong the Animation, também foi exibido no timeslot principal do NoitaminA, do qual eu já falei bem várias vezes no blog - e esse aspecto mais alternativo também pode ser positivo ou negativo, dependendo de quem vê.

Pessoalmente, e me forçando a uma comparação, faz tempo que assisti um pouco de Tatami Galaxy e não gostei. Minha sensação foi de "esperava mais", apesar de hoje achar que eu só não tinha maturidade suficiente pra apreciar Tatami Galaxy, já que não se tratava uma história felizinha com cores alegres, mas sim uma história de derrotas, desigualdades, e basicamente a realidade - por vezes brutal - da vida. Sob uma certa ótica, é possível dizer que Ping Pong the Animation é igualmente realista no seu retrato de histórias pessoais; No entanto, sendo um anime de esportes e com personagens principais mais jovens, no ensino médio, este possui uma outra vitalidade que é muito bem vinda pra contrabalancear esse lado mais sentimental.

E quanto a esse "lado mais sentimental"? Basicamente, conforme a história central gira em torno do progresso de Tsukimoto e Hoshino no ping pong, as histórias pessoais de vários outros personagens desse meio esportivo - treinadores, estudantes e afins - vão sendo introduzidas durante as partidas e contextualizando aquele círculo de jogadores japoneses de ping pong escolar, ao qual a gente inevitavelmente se apega de tão identificáveis que são seus conflitos. Cada um tem uma história e um fardo; Ninguém leva uma vida perfeita. Apesar disso, e de ter algumas histórias bem dramáticas no meio, nenhuma pende pro dramalhão forçado. Os personagens simplesmente passam por coisas da vida, e melhor ou pior as superam. Assim, Ping Pong the Animation se destaca por sua sensibilidade, tanto em abordar diversas histórias pessoais mais ou menos dramáticas sem um exagero de sentimentalismo, quanto em saber como equilibrar estas com partidas super empolgantes.

Sim, porque Ping Pong the Animation ainda é um anime de esporte, e tem partidas que te fazem vibrar e, ao mesmo tempo, temer pelo destino dos personagens. Um dos motivos para isto, se não o principal, é que é claramente exposto para o espectador o quanto o destino de muitos ali está entrelaçado com o ping pong e como o resultado de uma partida pode afetar todas as suas vidas. Por conta disso, é inevitável não rolar uma torcida forte em vários momentos, e acho que esse é um aspecto pouco explorado em animes de esporte que funcionou muito bem aqui. Dessa forma, arrisco dizer que o gênero principal de Ping Pong tende mais pro drama que pro esporte, já que a empolgação nas partidas se dá mais pelas suas conseqüências do que propriamente pelas jogadas, já que são apresentadas de uma maneira um tanto diferente de outras séries de esporte.

A exposição de situações pessoais e personagens realistas o bastante para que o espectador se relacione facilmente é somente uma das formas através das quais Ping Pong the Animation captura as emoções do espectador. Uma outra forma, talvez mais imediatamente percebida, é que o anime se utiliza de toda uma poesia na forma de falas e frases impactantes, metáforas e imagens significativas para sugerir determinadas ideias. Como exemplo, me vem à cabeça o simbolismo do sangue no episódio final: A frase "sangue tem sabor de ferro", que sutilmente estabelecia um paralelo com o bullying que o Tsukimoto sofria na infância - quando colegas de classe diziam que ele era feito "de ferro", como um robô, já que ele nunca sorria - foi ilustrada com a imagem do sangue correndo pelas veias em um vermelho forte, destoante do restante da paleta de cores. É desse tipo de artifício que o anime eventualmente se utiliza para causar as impressões desejadas, e é o tipo que realmente faz você sentar e falar, wow, isso é artístico, isso é sensível você não vê isso em todo anime.


O mesmo vale para a apresentação do esporte em si. Como dizia, esta não se dá ênfase à velocidade da bola, como muitos animes de esportes o fariam, mas sim ao ritmo do movimento - bolas mais fáceis de acompanhar em quadros separados, como numa "história em quadrinhos"; Bolas mais rápidas com muitos traços de velocidade e efeitos. Na realidade, todo o traço do anime, tidos por algum como feio, acrescenta uma fluidez de movimento que também é rara, me lembrando de títulos (provavelmente tão "hipsters" quanto) como Fuujin Monogatari. Passa uma sensação bem diferente da maioria dos títulos, já que acaba tendo mais frames e mais coisa para apreender em cada cena, em detrimento de traços refinadinhos, o que casa bem com a proposta do anime - de ser mais "realista", sem ter tanto fanservice.

Além de todos esses fatores, que eu penso que já justificam por que Ping Pong é tão especial, tenho mais elogios a tecer a praticamente todos os aspectos. Os personagens tem características totalmente diferentes, apesar de serem todos "simples estudantes colegiais", e muitos amadurecem de um modo que subverte todas as nossas expectativas e impressões iniciais. Tanto a abertura quanto o encerramento do anime são bem interessantes, justamente por causa dessas peculiaridades da sua animação, e as músicas ficam facilmente na cabeça. Ping Pong se arrisca a ser diferente de muitas formas - e freqüentemente acerta.


E qual é o lado ruim? Pra mim, o lado ruim de Ping Pong é que, claramente, não é pra todo mundo. É relativamente realista, e portanto sem grandes dramas ou momentos espetaculares. Mesmo os momentos mais críticos são apresentados de uma forma um tanto morna, e pra quem gosta de anime apenas para ter seus nervos à flor da pele, Ping Pong não é uma pedida tão boa quanto outras séries de esportes. O mesmo pra quem quer character designs atraentes e animações mais convencionais, e o mesmo pra quem quer... nada além de "mais do mesmo". De maneira geral, Ping Pong se sai bem na sua apresentação, mesclando um aspecto artístico alternativo ao mesmo tempo em que entrete; Mas isso de nada interessa a quem não tiver um mínimo de interesse pelo não-usual.

Com tudo isso, eu considero Ping Pong the Animation um anime de drama/esporte excelente, com uma maturidade artística e de conteúdo que pessoalmente sinto que é cada vez mais rara na indústria de anime, apesar de talvez ser relativamente curto - e portanto insuficientemente desenvolvido em alguns aspectos - e tender ao morno demais pra se consolidar como um "clássico". Mas, independentemente isso, é muito bom. Recomendaria a qualquer um que gostar de drama e tiver uma abertura para séries visualmente diferentes, ou que simplesmente enjoou de ver sempre as mesmas técnicas e quer uma experiência um tanto diferente, mas legal. ♡

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