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domingo, 4 de maio de 2014

Anime: Samurai Flamenco - Contrariando a resenha do ANN, "não tão ruim como algo saído do rabo."


Estou tentando amarrar pontas de um emaranhado aqui, é verdade. Mas já estou escrevendo um post porque, como previ no último post de impressões semanais de Samumenco: Já estou sentindo saudades. Mas não aquela vontade de que saia uma seqüência na qual coisas relevantes acontecem. É só uma saudade da loucura semanal dos comentários, dos memes, da expectativa de Gotoyoshi, de todo o clima da série.

A parte irônica é que eu estou sentindo saudades depois de 22 episódios de puro "eu não sei o que raios está acontecendo!". Ou se não 22, pelo menos os 15 desde "aquele acontecimento". Acabando no momento em que acabou, eu ainda fiquei triste por isso, e considerando que eu passei alguns meses acompanhando sem saber responder por que eu acompanhava esse anime...

Depois daquela polêmica resenha do ANN, lembrei o quanto precisava falar de Samurai Flamenco, e a pergunta que ficou comigo depois daquele final foi: Por que Samurai Flamenco nos cativou, no meio de tantos outros flops, apesar de ninguém saber muito bem o que estava acontecendo?

Reação semanal de todo mundo que acompanhou Samumenco.

Primeiramente, preciso esclarecer uma coisa: Como é possível perceber facilmente pela tag de Samurai Flamenco deste blog, eu estava na turma das pessoas que viram Samumenco esperando mais do mesmo, mas acabaram sendo jogadas numa onda de acontecimentos sem sentido porém divertidos, e ficando por lá. Na maioria das vezes eu não entendia o que estava acontecendo ou o que estavam tentando satirizar. Isso não significa que eu não tenha gostado da experiência. Na verdade, ler blogs e comentários de pessoas ao longo da série me ajudou a entender um pouco melhor, mas no fim das contas, eu me senti em grande parte "por fora" da tal da grande piada.

Independentemente disso, o fato é que, para todo mundo, a cada semana que passava Samumenco fazia menos sentido. Mas tentamos justificar a confusão, e no final, pedimos mais. Pedimos um filme, no mínimo um 23º episódio - no mínimo. Ficamos confusos, e mesmo sabendo que o anime nos enrolou por meses com um monte de clichês, desde os que criticam incessantemente o anime até os que assumem, pedimos mais, fosse para tentar explicar os acontecimentos - e nos engabelar mais uma vez - ou simplesmente matar a saudade.

Qual é o nosso problema?


Vamos definir Samumenco. É um anime que se passa no noitaminA, um bloco na TV conhecido pelos seus dramas razoavelmente realistas, apesar de bem descaracterizado desde a inserção do segundo timeslot, em 2010, que rendeu muitos comentários tipo "a otakização do noitaminA!!" etc. É um anime 2-cour, ou seja, que durou dois trimestres, o que é mais que a média dos animes do bloco. É um anime que saiu em grande parte da cabeça de Takahiro Omori, que também dirigiu séries bem-sucedidas e relativamente maduras como Natsume Yuujinchou e Durarara!!. Por essa definição, portanto, tende a ser relativamente bom.

É um anime que começou como a milésima reedição do "falso herói" - o cara normal com um passado trágico que decide ser um super-herói, exceto que ele não tinha um passado trágico a princípio, e era só um otaku que gostava de assistir tokusatsu.
Séries como Kuragehime - do mesmo diretor - Genshiken e WataMote, pra citar apenas algumas, já provaram que otakus gostam de assistir otakus (possivelmente mais decadentes) sendo otakus. Então, por mais que o "Kick-Ass japonês" não fosse algo 100% inovador, sabíamos que tinha tudo para ser no mínimo agradável.


Tinha, e no começo nos deu exatamente aquilo que esperávamos. Uma visão madura, mas divertida, dos super-heróis; Um elenco interessante, com vários personagens bastante atraentes nesses tempos: além do bishounen otaku, o policial sensível, o senpai estrela de TV, a "garota mágica" feminazi, a gerente super-competente; Inúmeras possibilidades de desenvolvimento realistas e um potencial imenso.

Não demorou muito para todas as possibilidades irem por água abaixo e Samumenco se revelar um trainwreck de proporções épicas. "Gorila com guilhotina na barriga" era uma piada quando saiu, mas dois episódios depois, a coisa já estava tão insana que aberração nenhuma era realmente digna de nota. É nesse ponto, penso eu, que Samumenco falha e sucede: Falha, porque se torna por completo algo que não é digno de nota; Nenhuma das reviravoltas foi realmente impactante, até porque elas seriam inevitavelmente superadas no arco seguinte. Sucede, portanto, porque nos fez acompanhar pra saber o que viria depois. Eles com certeza superariam, mas como? Como fazer algo mais estranho do que tivemos até agora? Qual vai ser o clichê reinterpretado nesse arco?



O bom de todo anime que não tem medo de ignorar completamente expectativas é que nos convoca a esperar alguma originalidade em um meio saturado. É por isso que assistimos, e é isso que esperamos. Não é de surpreender, portanto, que as opiniões sobre Samurai Flamenco sejam tão polarizadas. Enquanto alguns agradecem pelo que foi, outros acreditam ter sido a série de anime mais bizarra dos últimos tempos, e há os que o consideram insuperavelmente ruim. Como uma comédia, eu o considero ruim. A graça estava justamente nas aberrações, mas se você não se divertisse com isso, bem... Li um post certa vez falando justamente sobre o quanto Samurai Flamenco peca como comédia. Concordo com essa visão, o que não significa que não fosse "divertido" em vários momentos, mas "cômico", dificilmente.

Com o gênero "comédia", no entanto, eu acho que querem dizer "sátira". Como uma sátira, Samumenco é bom do começo ao fim. Começamos com um jovem nu em um beco, jovem esse que discursa para outros jovens sobre como eles são os responsáveis pelos problemas sociais em uma espécie de surto psicótico, e que é salvo de suas próprias maluquices pelo personagem mais são, um policial que, conforme revelado no final, também tinha das suas loucuras.



Nesse sentido, Samumenco descontruiu a própria dinâmica dos personagens principais - o "jovem louco com complexo de herói e o policial realista salvador" (uma dinâmica vagamente clichê pela antítese que a constitui) se tornou, no último episódio, "o jovem egocêntrico com super-poderes e o policial louco que precisaria ser salvo por ele".
O vilão final era mais um depositário para o Amor do herói que não sabia o que era amor, do que propriamente um vilão final. O final de novela das 8 do episódio 20 não era o "final real", e assim por diante.

Então, eu diria que Samumenco é bom como paródia, ou desconstrução. Desconstrução de qualquer bom senso, no mínimo. E eu, como muitas das pessoas que acompanharam, adorei cada momento insano. No fim das contas, não levou a nada, mas a expectativa nos fez sentir que foi divertido, pelo menos.



E a parte mais irônica é que todos que nos decepcionamos em algum momento com Samumenco nos decepcionamos porque queriamos mais do mesmo. Se tivessem investido na idéia clichê do começo e se tornado um anime incrivelmente mediano, provavelmente estaríamos mais satisfeitos e falaríamos de boca cheia que gostamos. É por isso que, por mais que eu também tenha sentimentos mistos, eu estou no grupo dos que elogiam Samumenco. No mínimo, penso eu, serviu para provar que o que queremos não é algo novo, mas mais do mesmo. E sejamos sinceros: foi divertido, e é isso que importa.

E para não dizer que Samurai Flamenco foi 100% único, eu li uma pessoa comparando-o a Level E recentemente, e preciso concordar. Pra quem não conhece: Level E é um mangá de Yoshihiro Togashi, autor famoso por Yu Yu Hakusho e Hunter x Hunter, e que foi adaptado para anime em 2011, provavelmente não correspondeu às expectativas de quem esperava um bom shounen de batalha, e recebeu opiniões bem polarizadas. Porque Level E não faz sentido. É sobre aliens, um cara normal que por acaso se envolve com um alien folgado, um pessoal legal e confuso, paródia de Power Rangers e bromance.



Soou familiar? Se você assistiu qualquer um dos dois, provavelmente. Eu estava no grupo dos que adoraram Level E apesar da decepção inicial, na época, e posso afirmar o mesmo sobre Samurai Flamenco. Com o passar dos anos, Level E manteve seu status de "adorado cult" no meu coração, e de tantos outros. É isso que eu espero que aconteça com Samurai Flamenco. Espero apenas poder continuar dizendo: Tudo bem, Samumenco, você não fez sentido nenhum. Mas eu gosto de você mesmo assim. (。◕‿◕。)♡



 
 

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