sábado, 29 de março de 2014

Samurai Flamenco 21 e 22 (final) - What is love?


Esse é o último post de resenha de Samurai Flamenco.

Eu não sei como me sinto em relação a isso.

Se for pra falar em lado bom e lado ruim, o lado ruim é que eu nunca mais vou ouvir Ai Ai Ai ni Utarete Bye Bye Bye e me perguntar "o que será que vamos ter nesse episódio, um gorila de 3 cabeças?". Eu já disse isso e repito: vou sentir saudades.

O lado bom é que ... o lado bom, estranhamente, é que acabou. Não porque fosse ruim, mas porque eu não imagino se e como eles tirariam mais alguma carta da manga, depois de 22 episódios de puro "o que raios eu acabei de assistir?".

Mas terá outro post só para falar só da experiência geral de assistir Samumenco. Esse aqui é só pra falar um pouco dos últimos episódios. Do Gotoyoshi que não aconteceu, de todo o drama e questionamentos do "o que é amor??" e "vamos encontrar o amor juntos!!" - que eu achei o máximo. Quanto mais eu penso sobre esses dois episódios, mais a conclusão de Samurai Flamenco sobe no meu conceito, e é sobre isso que eu quero falar hoje.

 
Desde o episódio 18, o Mazayoshi e Goto brigaram por causa da história toda com a "namorada de Goto", e o vilãozinho apareceu - e chegou pra ficar. Vilãozinho, cujo nome é Haiji, é na realidade o rapaz que foi salvo por Samurai Flamenco no primeiro episódio da série. Conforme descobrimos no episódio final, ele foi também o personagem responsável pela popularização do herói Samurai Flamenco, além de ser seu arquiinimigo, sua contraparte, seu endgame.

"Seu endgame?" É, de verdade. Por mais que o último episódio tenha tido o tão comentado pedido de casamento do Mazayoshi pro Goto, eu interpretei a real "declaração de amor" como sendo aquela de Mazayoshi pra Haiji, que propôs que eles fossem encontrar o amor juntos. Haiji não pareceu nem um pouco interessado, já aviso. Mas ei, foi uma declaração de amor.

O porquê de eu ter achado essa declaração o máximo não teve nada a ver com minhas tendências fujoshi, pelo menos não dessa vez. Como sabemos, o amor é o poder máximo em qualquer história de fantasia com batalhas, anime de shounen ou mahou shoujo - em geral num nível amizade - qualquer coisa voltada pra um público mais infantil, e às vezes mais adulto também. Isso porque o conceito de amor romântico foi, historicamente, superestimado. Isso está caindo por terra - junto com a família e o casamento e todas essas coisas - mas tem resquícios. Então, Samumenco não é necessariamente inovador por isso, mas ainda assim foi um ponto legal.


No episódio 21, o grande drama foi a questão do amor. Kaname Jouji, que quem acompanhou o anime sabe que é a personificação do "herói clichê de tokusatsu" em Samumenco - aquele bem tradicional, bem heroico, bem japonês e cheio de falas bonitas - foi consultado por Mazayoshi, que não sabia o que fazer a respeito do vilão final. Afinal, como ele derrotaria o vilão final? E se era ele mesmo que estava causando tudo aquilo, como ele disse no episódio 20, então qual era o seu problema?

E Kaname responde: amor. "Um poder sem limites, e não há nada a temer quando ele está do seu lado". Te falta amor, Mazayoshi, é basicamente o que ele diz. E Mazayoshi fica confuso: afinal, o que é amor? Porque Mazayoshi ainda é o otaku alienado do primeiro episódio, com todas as loucuras que aconteceram, e ele nunca teve tempo ou razão pra pensar nisso num nível pessoal. Mas como herói, ele tinha consciência de que precisaria de amor. E afinal, o que é amor?

"Uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas" - minha avó.

"O que é amor" é uma daquelas questões que não tem resposta concreta, porque é um conceito que por si só não permite concretude. Eu me lembro que a primeira resposta que eu ouvi pra isso foi "ouvir Iris e pensar em como é você com alguém", o que foi uma resposta tão hilária quanto informativa pra uma pré-adolescente que, como outras pré-adolescentes, ouviam Iris e pensavam em alguém. Deixando histórias engraçadas de lado, acho que a maioria das pessoas tem um conceito meio geral bem-formulado: casal, romantismo, filmes da Disney, coração vermelho, provavelmente Iris, provavelmente casamento, provavelmente sexo. Isso é idiota, mas prossigamos.

Mazayoshi é exatamente o tipo de pessoa que não tem por que ter um conceito bem-formulado de amor. Sem uma referência de casal - Mazayoshi cresceu com o avô, já falecido, - com mais interesse em tokusatsu do que filmes da Disney, ele simplesmente nunca teve por que se preocupar. E Kaname é um estereótipo. Ele tem uma postura de herói, uma esposa adorável, e a cara de pau pra dizer algo tão brega quanto "você precisa aprender a amar, Mazayoshi".


Como o bom freak que Mazayoshi é, ele fica obcecado. Isso é uma parte que eu acho adorável - e perfeitamente compreensível - como ele fica com aquilo martelando na cabeça: "O que é amor?" - porque ele ainda é Mazayoshi que quer ser o herói e salvar o mundo. Primeiro ponto, ele não passa por nenhuma grande revolução interna por causa de amor; Ele continua sendo o mesmo maluco com complexo de herói, até porque isso não é um shoujo e ele não é a protagonista pré-adolescente.

Segundo ponto, que ele não faz a menor idéia, como se fosse um conceito totalmente alien - trocadilho não-intencional - pra ele, ao ponto de sair perguntando pras pessoas (como a Ishihara) se elas o amam porque ele precisa de amor. É adorável.


O último ponto é que eu gostei bastante da resposta da Ishihara, que concluiu que o próprio Mazayoshi não percebe o amor que há dentro dele. E é inegável que Mazayoshi é extremamente passional, com uma dedicação excessiva aos motivos que ele considera importante - heróis, feitos heroicos, etc. - e leal às pessoas - a ponto de não poder escolher apenas 5 pra salvar no episódio 16 - se não me engano, o do arco do primeiro ministro - por exemplo. Somado isto à sua loucura e onipotência, Mazayoshi é a personificação do amor. Excessivamente amoroso. E, ironicamente, ele não sabe o que é isso.

Enfim, com todas as informações, o Mazayoshi começa a pensar em uma forma de conseguir essa coisa tão importante chamada amor. E é aí que ele pensa no seu arquiinimigo.
Segundo conhecimento popular, amor e ódio andam juntos. E se ele se tornou tão obcecado, e se declaradamente ele se importa tanto com o Samurai Flamenco, quem sabe ele próprio não conheça amor? Quem sabe ele próprio não esteja precisando de amor também?


Como resultado, no episódio 22, Mazayoshi tem mais um de seus surtos numa cena que parecia mais uma confissão de amor exacerbada do que uma tentativa de salvar o mundo - quem vai dizer que a cena do baka baka baka não era exatamente a fala de uma tsundere? - e surge uma conclusão genial. Quer dizer, o problema do personagem dele, segundo Kaname, era desconhecer o amor, e existia mais alguém com uma certa obsessão por ele, e uma falta de amor. Então, que brilhante idéia descobrirem o amor juntos, certo?

É essa a conclusão lógica de Mazayoshi quando propõe isso para Haiji. É por isso que eu gostei tanto dessa conclusão: Porque é subversiva e completamente lógica. Se o que falta para as coisas ficarem bem é amor, e eu não tenho isso aí e nem você, e você é obcecado pela minha atenção, vamos encontrar isso juntos! Ao mesmo tempo que isso prova como Mazayoshi é excessivamente amoroso e tolo - como se não soubéssemos desde o primeiro episódio - subverte qualquer lógica das relações em Samumenco. Algumas pessoas esperavam Gotoyoshi (ou Ishihara, conforme o episódio 19; Ou quem você queira colocar aqui - Mari, talvez?) como a conclusão óbvia do "falta amor → se apega à pessoa mais próxima", mas Samumenco vira essa expectativa, como todas as outras, de cabeça pra baixo. Porque afinal, o que é amor?


Isso satiriza aqueles conceitos de amor que eu disse no começo do post ao mesmo tempo em que parodia o grande clichê de séries de batalha que é o "poder do amor", "I fight for my friends" e tudo mais. Simultaneamente, Samumenco manteve-se fiel até o final ao seu propósito de parodiar os clichês do gênero, o que também é admirável. E, claro, em última análise, o vilão era alguém que Mazayoshi nem se lembrava, e mesmo assim ele diz que "um constituiu o outro", como qualquer boa relação herói-vilão, o que é inteiramente verdade; Mas não que o Mazayoshi sequer lembrasse da existência do Haiji antes do episódio 18. Isso também foi muito bom - pontos pra série nesse quesito.

É por isso tudo que, quanto mais eu me distancio e penso sobre os últimos episódios, mais eu gosto deles. Minha primeira reação foi mesmo "eu queria Gotoyoshi!!", e não tenho nada a comentar do personagem do Haiji em si que, como já foi excessivamente comentado por aí, nanananananananão é nada novo. Mas acho que mais surpreendente foi deixar uma brecha clara pra Mazayoshi/Haiji. Acho que foi uma boa conclusão pra série. Eu disse que Samumenco poderia ter um final triste ou feliz, mas preferiria um final feliz e tive um.


Se eu gostei ou não da série como um todo são outros quinhentos. Eu gostei, mas não gostei. Eu me diverti, mas provavelmente não estou na turma dos que "entenderam" a grande piada. Eu não ri histericamente mais que uma ou duas vezes, mas achei alguns momentos adoráveis. Eu recomendaria para os curiosos, mas não para o público geral. Inegavelmente eu gostei de assistir Samumenco. Foi uma montanha russa - com direito a altos e baixos e loops - e no final, a viagem foi divertida.

Tendo isso em vista, meus comentários provavelmente serão mais negativos do que positivos. Eu estava na turma dos que queriam mais do mesmo, e gostaram dos episódios iniciais. O que não significa que eu "não tenha gostado" do resto - o que sinto é puro recalque de quem se sentiu deixada do lado de fora do cerco. Sobre isso, escreverei mais depois.

Até a próxima, heróis.

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