sexta-feira, 14 de março de 2014

Anime: Chihayafuru - Águas velozes separadas por pedras pontiagudas.

como assim eu sou biased? (ノ≖‿≖)ノ

Esse é um post para falar de Chihayafuru. Se você já viu Chihayafuru, provavelmente vai entender meu disclaimer de que sou Team Arata e não abro, e que por favor perdoem qualquer comentário tendencioso no meio desse post mas procurei mesmo ser o mais neutra possível, mas não vou esconder que tenho sentimentos demais por esses bebês. ;_;

Chihayafuru é um josei sobre partidas e reencontros, e amores não-correspondidos, e amadurecimento e um jogo extremamente japonês chamado karuta (é, tipo em "carta", só que "karuta"). Ah, Chihayafuru é uma espécie de josei de esporte. O que significa que esse anime é muito especial.




Eu comentei brevemente sobre minha experiência com a segunda temporada nesse post. Vi a primeira temporada na época que passou, e logo me apaixonei. Eu gosto de anime shoujo/josei - digamos, quando não são terrivelmente clichês - mas são gêneros bem... escassos, e Chihayafuru é ainda mais raro por ser um josei que realmente tem uma profundidade emocional (e não só drama nível "novela das 8") e se passa em um setting colegial bem típico de shoujo, mas é mais do que o seu "típico shoujo colegial". É tudo muito legal.




Então, recentemente eu fui ver - finalmente - a segunda temporada para me lembrar por que eu tinha gostado tanto da primeira, já que com o quão irritante a fanbase consegue ser às vezes (e com isso eu quero dizer muitas meninas pré-adolescentes que simplesmente gostam do casal que eu não gosto, do personagem que eu não gosto) eu me esqueci. Porque à primeira vista, Chihayafuru é a coisa mais uncool. É um anime sobre esse jogo chamado karuta, que é um jogo de cartas - originalmente um jogo didático - para crianças decorarem poemas de poetas japoneses clássicos. (Muito clássicos, do período feudal.) Duas crianças jogam; Cada carta tem um trecho escrito, e um orador fala cada trecho de uma vez, em ordem aleatória. A criança que bater na carta com o poema primeiro ganha a carta, e ganha quem pegar mais cartas. Algo assim.

Um jogo simples de bater cartas! Cartas com poemas! Um jogo didático! Que bonitinho! Japoneses transformaram isso em uma competição séria, em que jovens e adultos (e idosos) competem a nível nacional para verem quem pega mais cartas e, bom, pessoas de todo o Japão se reúnem anualmente para competir, e usam kimonos nas competições, e ganham troféus, e meio que se matam por cartas com propósito didático.


O resultado são pessoas fazendo uso de técnicas de movimentos rápidos, treinando seus corpos para se moverem rapidamente e baterem com força, e seus ouvidos para escutarem a brisa que precede uma sílaba, e suas atenções para memorizarem as posições exatas de cada carta presente a cada momento no tatame - basicamente uma coisa hardcore!! Gente, talvez num nível menos "anime de esporte", mas isso existe. E ganhou até um anime. E uma Sociedade Brasileira de Karuta.

Bem vindo ao mundo do karuta competitivo.

É nesse mundo que a protagonista - e a história toda, na verdade - se encontra. A protagonista é Chihaya Ayase, uma estudante de colegial cujo sonho é se tornar a Queen do karuta, isto é, ganhar o campeonato nacional anual e ser reconhecida como a melhor jogadora de karuta competitivo do Japão. E nesse sentido, Chihayafuru é um anime de esportes bem típico: A protagonista cria um clube na escola, tem amigos, seu objetivo é se tornar a melhor do Japão, coisa e tal.

Mas, sendo um josei, o foco é um tanto diferente do que nos acostumamos a ver nos típicos shounen de esportes. Aqui, o foco é muito mais nos relacionamentos da equipe, no amadurecimento do elenco ao longo do colegial, e sobretudo na motivação dos personagens para fazerem sejá lá o que eles precisem fazer. Seja perseguir romanticamente alguém, ou um objetivo, se dedicar ou não se dedicar a algo, as razões de cada personagem serem da maneira que são são exploradas. E acho que esse é o forte do gênero: pessoas normais lidando com problemas normais de formas normais, mas fazendo coisas definitivamente não normais pro nosso universo, no caso, jogando karuta competitivo.



Aliás, já adianto que os personagens não são "as pessoas mais legais do mundo"; Todos são pessoas normais, e tem defeitos óbvios. Mas eles realmente crescem em você. Aliás, vale notar que os bons jogadores de karuta em geral são personalidades excêntricas - compreensível, levando em conta que é um esporte muito pouco popular que requer dedicação e inteligência especiais; Isso chega a ser motivo de piada na segunda temporada do anime - então, é comum se apaixonar por um personagem secundário que aparece uma vez a cada dez ou vinte episódios, e comemorar cada aparição dele. Escrevo isso pensando em vários: não só Arata, mas também Shinobu, Sudou, Suoh, Harada... todos tem personalidades bem especiais por bem e por mal, o que torna as partidas mais interessantes.

Então, acho que eu já dei a entender isso muito bem, mas um dos pontos centrais de Chihayafuru - além, é claro, das competições e coisas do tipo - é o amor, com destaque para o triângulo amoroso entre a protagonista e dois rapazes, de certa forma dois amigos de infância. E talvez o anime seja mais conhecido pela sua abordagem madura das questões do amor (e é com essa discussão que começa a segunda temporada, aliás). É simples de entender: Os poemas em torno dos quais gira o jogo karuta são, de fato, cem poemas clássicos de amor. Então, faz sentido que os conflitos amorosos também tenham um papel central nessa história, e é aí que é possível termos um josei de esportes. Não é só do amor romântico que falo aqui; O amor de família, por exemplo, também é bastante relevante em Chihayafuru - como no caso do relacionamento de Chihaya com sua irmã, ou de Arata com seu avô.

A delicadeza e a beleza ímpares com que a série trata essas questões - fazendo muito bom uso, aliás, dos poemas e as imagens que eles evocam - são um dos pontos de destaque da série. E não é só de amor que se constituem os personagens de Chihayafuru; Todos também tem seus conflitos, frustrações, questões a serem superadas, e todos de fato buscam crescer. Então, os sentimentos que a série passa são bons.



Uma coisa que eu tenho achado cada vez mais maravilhosa em Chihayafuru são os poemas em si. Todos os poemas são belíssimos, com imagens fortes, e é triste que quem não entende japonês - tipo, eu - não consegue entender à primeira vista como essa dimensão do jogo também tem todo um significado na história. É claro, isso é óbvio no caso de alguns mais clássicos - como o do título do post, que é meu favorito (por motivos de ship ) e também  naquelas cenas mais óbvias em que as próprias imagens são evocadas e coisa e tal, mas desde que assisti a segunda temporada, reparei que devo estar perdendo muito em situações mais sutis.



Ocorre que tem cenas nas competições em que os poemas tem a ver com a situação, mas como só o começo deles é dito e tudo meio que se perde nas batidas das cartas, isso acaba sendo bem difícil de perceber sem prestar muita atenção. Vendo tudo com legendas do mesmo grupo, foi possível identificar e decorar alguns poemas, e perceber, por exemplo, que no fim do segundo campeonato - no arco em que a protagonista percebe seus sentimentos por um certo personagem - ela faz um comentário mental de que queria muito pegar a carta "dele" (spoiler) ("Wataya", ou Wata no hara Yasoshima kakete), "especialmente" depois de pegar uma de amor, ou algo do tipo. Infelizmente eu não me lembro qual é a segunda carta (talvez Fujiwara no Yoshitaka?) e tampouco o episódio exato, mas também não achei muitos comentários do tipo na Internet, então acho que de fato muito ainda se perde para todos nós que não conhecemos tão bem os poemas e seus significados em japonês.


Ainda assim, são poemas muito bonitos e que se encaixam muito bem com a temática geral. Esse blog tem um post com os 100 poemas em romanji e (mais-ou-menos) português; E a Wiki de Chihayafuru também tem alguns dos poemas principais da série com suas várias traduções, recomendo para quem tiver curiosidade.

Assim como o kitsuke e a cerimônia do chá, acho que estou passando por uma fase de apreciação das coisas japonesas mais tradicionais, que eu nunca tive (e nem venham dizer que é "o cúmulo do weeaboo") e entre elas os poetas e kimonos e todas aquelas coisas presentes em Chihayafuru, então pra quem gosta daqueles Saiunkoku Monogatari da vida, acho que também posso recomendar o anime.

Mas na realidade, gostaria de recomendar o anime pra todo mundo que tiver um mínimo de estômago pra coisas mais "shoujo" - ok, eu entendo que tem gente que simplesmente não tem, mas deveria tentar. Porque Chihayafuru é lindo, maravilhoso, fácil de digerir, empolgante, profundamente emocional!! E, na real, porque eu gosto e é sempre bom ter com quem compartilhar sentimentos sobre esses bebês adoráveis. (◡‿◡)



2 comentários:

  1. TAICHI ROCKS!!!!!!!1111111111111111111111

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    1. OBRIGADA PELO COMENTÁRIO ALTAMENTE INTELECTUAL, ANÔNIMO. Claramente mostra o nível de fãs do Taichi. (é uma brincadeira, desculpem-me os demais fãs do Taichi)

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