quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Buddy Complex é tão bom.


Enquanto sofro com a pressão auto-exercida para completar até Dezembro, tipo, 30% da Meta 2014, tenho visto outras coisas e percebido que, realmente, meu gosto é pouco refinado. Prova disso é o que eu tenho acompanhado dessa temporada.

Eu estava totalmente certa quando disse que iria acompanhar Strange+ e gostar. E Strange+ é horrível. Não me entenda mal se você gosta - e afinal, mais alguém gosta? - realmente não é tão ruim, mas em uma temporada com títulos como Tonari no Seki-Kun e Pupa, Strange+ não ganha pontos pelo que faz em pouco tempo. Porque não faz quase nada. Não sei se o mangá original tem uma história, mas o anime certamente não tem; É só "shoujo transadinho idiota" com muito fanservice e um elenco bizarro com lindas vozes.

Mas eu gosto por isso tudo. Serve pra desligar qualquer tipo de atenção, e curtir o eargasm. Considerando que entretenimento serve pra, bom, entreter, não dava pra pedir muito mais do que isso.


E por falar em entreter, Buddy Complex. Ah, BC, meu queridinho da temporada.
"ADORO PILOTOS ADOLESCENTES DE SEXUALIDADE DUBIA. Vou certamente ver 2 ou 3 episódios até me dar conta de que já vi muito do mesmo e cansar. [...]"
Sobre esse BC que eu falei que ia assistir três episódios:
Episódio 7 saiu anteontem, e a prévia do episódio 8 é tão, tão boa, daquele jeito "eu realmente não esperava um episódio meio-filler em um contexto não-militar num anime de 13 episódios". Estou empolgada.

E afinal, por que BC é tão bom, e por que isso faz do meu gosto "pouco refinado"?

Toilet jokes são o cúmulo da falta de refinamento, pra começar.

Hora da sinopse! Buddy Complex é um anime sobre um estudante de colegial, Aoba Watase. Ele vive sua vida tranqüila de estudante de colegial no Japão de 2014, até que um dia um robô gigante aparece procurando por ele para atacá-lo. Como se não bastasse, um segundo robô gigante aparece para salvá-lo - a piloto, por acaso, é bonitinha e obviamente fascinou o nosso protagonista adolescente - e o envia para o futuro, dando-lhe uma única instrução: "encontre Dio".

...Isso é basicamente o primeiro episódio, eu acho. Ou metade dele. Sei lá. Então, no primeiro episódio temos um estudante de colegial, robôs gigantes, interesse amoroso e viagem no tempo. Tudo muito legal, mas também extremamente clichê pra quem, hã, já viu mais de dez animes na vida.

Ao contrário de muitas séries recentes bem-avaliadas pela crítica, Buddy Complex não tenta desconstruir nada, ser alternativozinho, passar uma mensagem profunda ou Salvar a Indústria dos Animes (TM). (Exemplos meramente ilustrativos.) Buddy Complex é Buddy Complex. Pão com queijo e presunto, Coupling System, Connect with Dio-Buddy Complex. Provavelmente tenta tapar algum buraco e/ou descolar uma grana pros bons e velhos Estúdios Sunrise e/ou promover uma equipe nova.

Mas afinal, por que você assiste anime?


No meu caso, tenho pelo menos três motivos para assistir mais anime do que outras mídias.

  1. O fator nostalgia. Por vários motivos, eu comecei a assistir anime quando pequena e não parei mais. Boa parte do apelo de qualquer anime é o fato de me lembrar de bons tempos - e, bom, bons momentos - o que faz do meio uma forma de escapismo nota 10. É verdade que todo anime é essencialmente mais do mesmo - anime de robôs, anime de moe, shounen de luta, garota mágica, jornada, etc. - com um revestimento renovado e a indústria está falindo (!!) e todos sabemos disso, ...mas isso vale pra qualquer indústria, e a graça não está exatamente em ver aqueles que conseguiram superar o padrão do meio, seja por valores de produção ou de entretenimento, etc.?
  2. A fanbase. Isso pode soar engraçado, mas é verdade. Não sei como colocar, mas tem duas coisas aí.
    Uma é que anime é um meio com muito espaço para formas de expressão criativa da parte dos fãs. Porque tem um apelo estético óbvio, e a produção envolve desenho, pintura, escrita, atuação de voz, música, etc. E cultural. Nossa, não venha dizer "pfft anime cultural", por favor. É óbvio que a pessoa que vê anime - até, sei lá, porcaria com lutas de kendo, onigiri, shinigami e ambientação colegial - tem um conhecimento minimamente mais amplo da cultura japonesa. É um meio onde vários artistas surgem de doujinshi. Quer dizer, "criativo" obviamente não é a palavra, mas por algum motivo que eu desconheço, os fãs tendem a reproduzir o que apreciam. Isso é meio óbvio se você participa de qualquer outro fandom (tipo aqueles fanartists com falas como "ugh, eu odeio o fato de que aprendi a desenhar estilo anime"). Possivelmente serve de inspiração para muitos. Talvez seja uma coisa cultural. Talvez só seja inspirador. Talvez... talvez...?
    A segunda coisa é mais simples: no fundo, por mais que parte dos fãs do meio "odeiem weeaboos" e existam todas essas richas entre fãs do meio, de maneira geral, fãs de anime são pessoas legais. Por exemplo, qualquer pessoa que aceita cosplay como uma forma válida de expressão artística e entretenimento - basicamente, costura e interpretação - e não uma coisa "eww, estranha!" é uma pessoa legal no meu conceito. Take that as you will.
  3. O mais importante e possivelmente menos respeitável motivo é o que eu postei outro dia sobre como esse clipe resume por que eu ainda prefiro anime a outras mídias. Definitivamente o apelo "porra, Japão". É bizarro, fofo, divertido, e o balanço perfeito entre choque cultural e familiaridade.


Isso significa, resumidamente: que eu não vejo séries de anime pra ver algo criativo, groundbreaking e maravilhoso. Aliás, se eu quisesse exclusivamente algo criativo, groundbreaking e maravilhoso, eu provavelmente preferiria ver clipes de músicas. Ou curtas-metragens europeus. Não, não é isso. Por mais que eu aprecie clipes de música e curtas-metragens europeus, eu ainda vejo anime pelas razões acima. Basicamente, diversão. Basicamente, eu espero ver um "mais do mesmo agradável", ou se não for um "mais do mesmo agradável", que pelo menos seja bonito.

E onde entra Buddy Complex nisso tudo?


Buddy Complex é definitivamente mais do mesmo. Mais do mesmo pode ser algo ruim, se mal executado, ou bom, se bem executado. E, ao menos até agora - pasmem todos aqueles que acusaram antes da estréia por ser "mais um anime de mecha absolutamente clichê" - BC é sólido. Simples, muito simples, e é essa sua ruína, mas sólido.

O enredo se desenrola de uma maneira coerente, o pacing está aparentemente bom - nada muito corrido, só o bastante pra não ser sonolento; Coisas acontecem sempre, mas não tem twists enormes; Um ou dois personagens novos foram introduzidos, e outros foram hospitalizados. (Ninguém morreu, mas ei.) Estamos na metade da série e pessoas já cogitaram uma explicação plausível para os eventos misteriosos do primeiro episódio. Esses eventos iniciais um dia fizeram com que eu me perguntasse "o que aconteceu aqui?" e quisesse ver mais. O suspense se mantém, e não é nada que não tenha pistas, nada jogado, nada que não faça sentido. Até agora.

A ação, surpreendentemente, é interessante. Eu não gosto de ação - isso é tipo uma confissão vindo de alguém que gosta de várias séries de mecha? - e as táticas militares, na realidade, são muito clichês, honestamente (posso dizer que é a parte ruim) mas o sistema de Coupling além, você sabe, do óbvio duplo sentido tem mais graça do que simplesmente bater espadas, e se não é bom, é acima da média. Além, você sabe, do óbvio duplo sentido.


Então BC é aquela coisa: "bonitinho". Se continuar assim - digamos, se não quiserem revelar cedo demais o que aconteceu, e terminarem com um duplo twist carpado forçado - BC tem tudo pra ser uma série sólida. Um 7/10. Um "tentamos corrigir os erros do passado e vamos daqui pra cima", talvez. O tempo simplesmente passa enquanto assisto BC, e isso é muito bom pra quem está se arrastando pra ver meia dúzia de títulos que requerem muito mais atenção, e basicamente, tem mais o que fazer da vida. E é por tudo isso que eu continuo assistindo Buddy Complex e gostando.

E, é claro, porque eu ainda quero saber quando vai sair o beijo gay em anime de mecha do Sunrise. Esqueçam novela das 8, que é coisa do passado.

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