segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Jogo: Ghost Suburb

Arte por Moga

E aqui vai mais um post que não tem absolutamente nada a ver com minhas primeiras impressões da nova temporada de anime, ou qualquer outra coisa que eu deveria estar escrevendo, mas tem a ver sim com meu recém-adquirido vício em jogos indie, em particular aqueles feitos em RPG Maker 2003. ;_; A resenha de hoje não é exatamente de um jogo, mas sim de uma pequena série de jogos. Criada por Moga, de fama por I'm Scared of Girls, que eu já resenhei aqui no blog, o nome da série que já tem valor afetivo pra mim!! é Ghost Suburb. Se I'm Scared of Girls me deixou completamente apaixonada, Ghost Suburb é meu mais novo vício, e minha admiração pelo talento criativo da Moga só cresce. ♡

Pra quem não sabe, a única coisa que eu adoro mais que coisas fofas são coisas fofas e surreais e/ou vagamente assustadoras. Ghost Suburb se encaixa perfeitamente nessa descrição - assim como I'm Scared of Girls - e aqui estou eu, escrevendo esse post, na esperança de convencer pelo menos uma pessoa a jogar o jogo mais recente dessa série fascinante. Fica a dica.


A série contava com apenas um jogo até uns meses atrás, quando Ghost Suburb Zero enfim foi lançado, e há uma ou duas semanas foi lançado Ghost Suburb II: From Sleep Into the Eyes of Madness, que é maravilhoso e me levou a escrever essa resenha, tentando apresentar alguns dados gerais dos jogos e juntar as informações, já que tudo é confuso. A autora disse que tem interesse em esclarecer o universo posteriormente, mas por enquanto as relações - além dos nomes e cameos - não são claras.

Instead;Ghost Suburb

O primeiro jogo completo da série - em teoria, pelo menos - foi criado lá em 2010, com o nome de Instead;Ghost Suburb. Na época, Moga estava desenvolvendo um outro jogo, May, tido como um fangame de Yume Nikki, cujo desenvolvimento estava fazendo sucesso... Até que pretty much deu no saco e ela resolveu trabalhar rapidamente nesse outro jogo. Em Instead, você controla Bael, uma garota que, uhn, mata as residentes de uma vila e sacrifica suas partes - tipo, as visceras, mesmo - para entrar em um céu.

Instead é tão bizarro quanto soa, e as maiores críticas diziam respeito ao fato de a história ser pouco clara. Mas, como de costume, a ambientação "sombria" era delicinha, e todo o aspecto macabro realmente passa uma impressão de "que raios eu estou jogando?".

Na época, Moga disse que esse jogo teria alguma relação em termos de universo com May, e inclusive a pasta do jogo conta com sprites da protagonista May. Até onde eu sei, porém, a relação não foi esclarecida, e esse primeiro jogo da série foi por muitos anos um jogo isolado, que apesar de fofíssimo - naquelas - nunca teve uma história muito desenvolvida.

May build 0.000??

E aí anos foram se passando. Moga foi fazer outros jogos, aperfeiçoar ISOG, ter uma vida, entre outras coisas que foram adiando o lançamento de May, e May foi virando o Duke Nukem Forever da cena dos fangames de Yume Nikki. Notícias escassas a parte, pelo que eu entendi, May eventualmente teve seu nome mudado - para "A Ghost Suburb" - e possivelmente virá a ser o tal tão-aguardado Ghost Suburb I ao qual a autora se refere como um "projeto especial". Por favor me corrijam se eu estiver errada aqui ;;; porque é meio difícil achar informações, e mais ainda juntá-las, mas pelo que eu entendo e pelo que tive a oportunidade de jogar, é isso.

De qualquer forma, nesse meio-tempo, enquanto Moga trabalhava em outros projetos como Safety e a continuação Safety: Life is a Maze - e o maravilhoso I'm Scared of Girls ♡ - foram surgindo notícias de novos projetos relacionados ao universo de May-agora-Ghost Suburb. Foi só no ano passado que Moga lançou Ghost Suburb Zero, para uma competição de Halloween. Nesse projeto, muito mais semelhante à segunda versão de May nas suas semelhanças com Instead, você controla a May em labirintos com tempo, armadilhas, fantasmas, e outras coisas que tornam o jogo uma das experiências mais adoravelmente frustrantes que eu já tive na vida. Porque é adorável mesmo, mas é tão adorável que não dá pra deixar de imaginar que o jogo está rindo da sua cara enquanto você tenta pela quinta vez pegar e usar todas as (mil??) chaves, naquela walking speed deplorável.



Honestamente, Ghost Suburb Zero é uma experiência tão frustrante que foi o que me fez ponderar escrever esse post ou não. Eu juro... É bonito e divertido, mas com o tanto de labirintos, portas mágicas que teletransportam pra lugares X e os limites de balas e HP pra matar os fantasmas, por mais que você curta dungeon crawling é praticamente impossível não se sentir um grande idiota em algum momento, como podemos ver, uh, pelos Let's Plays no YouTube. Eu diria que Ghost Suburb Zero é um jogo de muita qualidade, mas pouca diversão. Minha opinião, gtfo.

E aí, meses depois, nós ganhamos o Ghost Suburb II: From Sleep Into the Eyes of Madness. Nas palavras da criadora,
I think I missed a game, but that's fine. Ghost Suburb I is really special.

Em Ghost Suburb II, você é Okay, uma enfermeira - cujo nome ridículo tem uma explanação ótima - que começou a trabalhar há pouco tempo em um hospital. Okay sofre de insônia, e por conta disso tem... visões? É isso que parece a princípio, mas conforme a história se desenrola, vamos percebendo que as visões não são apenas visões. Vamos conhecendo a história de Okay, do hospital em que ela trabalha, e da cidade, corporações, e assombrações... Realmente, uma história muito grande e bem-pensada para um jogo de ~3h de duração.

Mas mais do que tudo, eu quero falar sobre como Ghost Suburb é extremamente lindo. Com fortes contrastes reminiscentes do estilo de RPGs de SNES como Chrono Trigger, os tilesets são uma graça, e a força da parte gráfica casa muito bem com a ambientação "pesada", atravessando vários temas da medicina - a aproximação peculiar realmente me levou a perguntar se Moga tem contato com alguém que é médico ou estudante... - abuso de substâncias, alucinações, até romances conturbados; Tudo em três. horas. de jogo.


Algumas críticas ao jogo dizem respeito ao fato de a história inteira se resumir, ao final, em uma única questão, deixando pontas em aberto. De fato, a explicação para tudo não tem super a ver com o restante do jogo, mas eu não acho que isso seja um problema. Não deixa de ser uma explicação plausível, e quem disse que falta de exposição "na sua cara" é algo ruim, se não JRPGs antiquados? No mais, sem dar spoilers aqui, o que posso dizer é que seria impossível amarrar um universo tão denso em três horas de jogo. Seriam necessárias muitas horas mais pra passar todos os detalhes, e acho que a coisa toda se resume no seguinte: seria desnecessário. O final - ou os finais - são extremamente "character-oriented", por assim dizer, e de fato explicar o universo tintim por tintim não é o importante aqui; O importante sempre foi descrever o personagem Okay, e na minha opinião o jogo faz isso maravilhosamente.

Eu gostaria sim que outros personagens, como meu adorado Cook ♡ e a dupla final de vilões aparecessem mais, mas eu não acho que a narrativa peque por conta disso - pelo contrário, eles simplesmente ficaram bem encaixados nos papéis que lhes cabiam - é só frustração de fangirl mesmo.



Uma coisa que me aconteceu enquanto eu jogava Ghost Suburb II pela primeira vez foi de ficar travada em um puzzle, por pura idiotice minha - dica pra quem for jogar: ouça o NPC, compre um PDA. - e eu fiquei mal por causa disso! Eu sempre fui muito "8 ou 80" com os meus jogos, no sentido de "ou eu não consigo parar de jogar por um minuto, ou eu não consigo me importar menos". Mas é bastante difícil mesmo um RPG, ainda mais tão curto - e ainda mais com batalhas randômicas... - me cativar de um jeito "não consigo parar de jogar", e Ghost Suburb II fez isso. Fosse outro, eu provavelmente teria desistido ali e continuado com a vida, mas eu queria tanto conhecer a história da Okay que me dei ao trabalho de ver meia hora de um Let's Play (de um jogo de 3h, naquela velocidade delicinha de 20kbps) só pra descobrir onde eu tinha errado e poder continuar. Cativou de verdade.

Pois bem. Se I'm Scared of Girls foi o jogo que me fez ir atrás de um fix em outros jogos da Moga, em busca de uma ambientação e uma caracterização semelhantemente atraentes, Ghost Suburb II foi o que me fez achá-la uma pessoa realmente especial. Não é todo dia que se vêem game devs com tantos projetos bons, com histórias bem contadas, além de uma arte que, se não tecnicamente perfeita, é bastante agradável e combina bem com o tom dos jogos. Aliás, me tornei grande fã dos seus coloridos e em especial dos (caham) "gifs epiléticos", e só depois fui descobrir que ela pintava profissionalmente antes de fazer jogos, o que talvez justifique sua experiência com cores e contrastes. (Não só isso, vim a descobrir que ela é uma pessoa extremamente fofa e cordial, mas isso já é fangirlism, então deixa.) Mas voltando...

Cameo da May em Ghost Suburb II~


Vale também fazer a relação entre Ghost Suburb II e I'm Scared of Girls no sentido de que ambos são jogos com histórias boas - em Ghost Suburb bem mais desenvolvida do que I'm Scared of Girls, de fato - mas extremamente character-oriented, em que a história é menos pra causar um impacto e mais para situar o jogador no universo do personagem a ser apresentado, assim como os gráficos e a música. Eu, pessoalmente, gosto demais desses jogos "ambientação", muito mais do que narrativas densas - sabe "jogo livro"? eca - então me senti muito contemplada, num nível pessoal.

Em resumo - talvez eu goste mais do que pessoas que não tem uma identificação pessoal e estética tão forte com a série, mas Ghost Suburb II é um jogo verdadeiramente de qualidade, que mais gente deveria estar jogando e que eu espero sinceramente que o pessoal não esqueça até o fim desse ano, porque eu quero muito ver esse jogo ganhando prêmios de jogos indie de 2014, assim, de coração. No mais, depois de jogar a build "One Day" de May, que é amorzinho e tem uma vibe "o Persona do Megaten que é Ghost Suburb", eu também espero sinceramente que Moga continue trabalhando em Ghost Suburb e eventualmente venha a lançar o primeiro jogo. Expectativas pra 2014 lançadas. Então vão jogar, ok! ♡

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