segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Samurai Flamenco 9 - Togainu no Flamenco

Em que o King Torture é o Arbitro (e o Akira é o Goto - I called it first).

Faz três dias que eu vi esse episódio, e eu ainda não formulei uma opinião certa sobre ele. Não sei se o achei incrível, ou incrivelmente mediano, e explico os porquês no post. Só sei que eu curti, e o King Torture fazendo um showzinho S&M torturando o Konno tem uma boa parcela de culpa nisso.
A outra parcela de culpa está no fato de esse episódio ter sido lotado de metarrepresentações.

Essa pode ou não ter sido uma delas...?
O episódio começa com a ambientação que já tivemos nos últimos dois episódios. O clima geral é diferente, porém, exatamente porque a situação continua a mesma. Quer dizer, monstros atacando subitamente, pessoas completamente acostumadas com monstros, pessoas completamente adaptadas ao fato de terem super-heróis para salvá-las de monstros, e uma cidadezinha do Japão continua sendo ameaçada pela Raíz de Todo o Mal.

Cool.
  

 
  Enquanto isso, o novo meme é vídeos de monstros explodindo.

É mais ou menos essa a idéia central do episódio (que é quase uma grande piada): mostrar como as coisas estão, depois de três meses desde que King Torture se manifestou publicamente, que monstros começaram a explodir pela cidade, e heróis fantasiados passaram a combatê-los.
Está tudo assim: perfeitamente normal. E é essa uma das críticas, por assim dizer, do episódio.

O gorila no meio da sala também vai bem, obrigada.

Eu não acho que Samurai Flamenco seja intencionalmente ~profundo~ (leia-se pretensioso) o bastante para eu fazer uma interpretação dos eventos a partir de vagos conhecimentos de sociologia, mas eu tenho quase certeza de que esse episódio tem um aspecto duplo de crítica - ao mesmo tempo em que satiriza os clichês de tokusatsu, como outros episódios já o fizeram, esse episódio também bate mais forte na tecla da espetacularização dos acontecimentos que a mídia promove.

Ele faz muito isso, no melhor estilo Tiger & Bunny - desde os vídeos de monstros que dão ibope; Passando pelo fato de ninguém mais ligar para o fato de monstros estarem atacando, porque três meses de exposição midiática é o bastante para todos se acostumarem com algo tão absurdo; Até os discursos da nossa diva Mari, que passa praticamente o episódio todo reclamando de como essa coisa de Monster of the Week já deu, e que algo interessante precisa acontecer e que, como a diva-Idol que é, ela quer causar a todo o custo.

"Eu considero a luta uma forma de arte e expressão(tradução: eu curto Mahou Shoujo. A gente te entende!!).

Tem duas coisas engraçadas nisso tudo. A primeira é que ela realmente deve causar algo interessante pro próximo episódio, mas não do jeito mais legal pra ela? E a segunda é que faz só três semanas desde que o gorila apareceu pra gente, e a gente também já não liga tanto.
Metarepresentações, yay. 

No mais, a fala do King Torture pro Konno, em meio às várias ameaças que faz a ele, também tem bastante disso, só que ainda mais diretamente. O King Torture literalmente fala que eles são parecidos (um é um agente de publicidade. O outro é a Raíz de Todo o Mal. Conclusões.) porque ambos curtem a espetacularização e o entretenimento sem escrúpulos.


E isso é interessante, se não extremamente crítico. E o mais legal é que Samurai Flamenco nem entra nesse mérito. A cena seguinte é de uma Damsel in Distress amarrada, e vamos falar real, todo mundo está se importando mesmo é em saber se o Konno vai virar vilão??? Mais no próximo episódio da novela das 8.

Eu amo esse desenho.


Enfim, esse tom de metarrepresentações e auto-satirização foi o que mais me cativou nesse episódio, e me fez pensar que... é realmente isso que mais me mantém presa a Samurai Flamenco. Não, não são só as paródias de clichês de tokusatsus e anime em geral, e, pasmem, não é nem pelo Goto/Mazayoshi evidente ok, também é, mas. O principal mesmo é que eu sou loucamente apaixonada por qualquer história que traz reflexões sobre aspectos da realidade de um jeito leve, metafórico, e/ou sem se levar muito a sério. Eu adoro Hatenkou Yuugi. Isso diz muito sobre mim.


Acompanhemos o seguinte: Esse é um anime de tokusatsu, que na realidade era pra ser um anime situado na realidade comum, mas eventualmente monstros, gorilas com guilhotina na barriga, e até A Raíz de Todo o Mal apareceram na frente do protagonista otaku. Protagonista otaku, que a princípio era só um maluco com uma capa, ganha aliados igualmente estranhos especiais, armas, um passado trágico, e agora, não fosse sua construção, seria um típico Idol-herói de qualquer anime de fantasia urbana.


O que é mais legal: o anime reconhece isso. Pra piorar - ou melhorar?, - o Goto ainda trouxe à tona nesse episódio o aspecto da "crítica ao não-heroísmo dos super-heróis 'reais'", que é a coisa mais batida do universo em histórias desse gênero, mas estava pedindo pra ser feita. E ele faz. 
Resumindo, eu não sei qual é o sentido disso tudo. É tantos níveis de falta de sentido misturada com coisas legais que... eu literalmente nem sei.

Tipo, aliens. Aliens são muito legais. Aparentemente, poderemos ter ter aliens no nosso Samumenco num futuro próximo. Isso é delicioso. Ansiosa!!


E pra falar dos aspectos ruins, afinal?

Foi que, novamente, eu terminei de ver o episódio com a impressão de que não tinha muito pra se falar sobre o episódio em si. O clima da série continua o mesmo - divertidinho, pouco coerente, e em última análise, eu realmente não sei aonde os diretores querem chegar, e não posso deixar de temer que eles realmente não queiram chegar em lugar algum.

A breve reflexão que eu fiz enquanto eu via o episódio foi em como Samurai Flamenco parece usar uma espécie de fórmula para fazer um anime mediano: desenvolva uma história com temáticas contemporâneas - como mídia, internet e paranóia - e do universo otaku - como idols e tokusatsus; Faça dela algo divertido, com um sentido incompleto o bastante para preencher as lacunas de acordo com a audiência e o público de espectadores, e deixe alguns plot points irrelevantes no desenvolvimento da trama - como, por exemplo, a namorada do Goto - em aberto, para prender a atenção dos espectadores. E, claro, insira um gorila com uma guilhotina na barriga no meio da série - por que não?


Considerando que desde Gundam a moda é matar um ou mais personagens importantes inesperadamente, eu diria que um Vilão Do Mal e um gorila com guilhotina na barriga são o menor dos nossos problemas.

Isso pode ou não vir a fazer sentido, se teorias como a de tudo ser fruto da imaginação de um Mazayoshi otaku e delirante, ou coisas do tipo, vierem a se tornar verdade. Mas isso se torna cada vez mais improvável. Acho que vamos ter aliens apenas porque aliens são legais, como temos o resto das coisas apenas porque são legais e/ou dão audiência. O que eu quero dizer é que Samurai Flamenco, nesse sentido, corre risco de ser um fruto daquilo mesmo que ele critica - um entretenimento espetacularmente vazio de significado. Fez sentido?

Por enquanto, é esse o julgamento que eu faço de Samumenco. É super legal! Quase um guilty pleasure. Ainda recomendo, mas não sei se vai dar conta, se sequer se dispõe a dar conta, mas tem bondage e aliens, então tá valendo. Abraços, sociedade.

2 comentários:

  1. Otimo post o/

    Samenco vem decaindo , mas ainda acho que pode sai alguma coisa de bom... o roteiro continua imprevisível .

    Não tenho muito pra falar desse ep estou esperando o próximo para tirar alguma conclusão ...

    Ate a proxima ... o/

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    Respostas
    1. Muito obrigada!! :3

      Eu tenho que concordar. Imprevisível... até demais. Começo a achar que vai ser realmente dificil amarrar todos esses nós, mas quero acreditar na equipe de produção. Vou ver o próximo logo mais. Espero não me decepcionar!

      Até mais! ^_^

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