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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Jogo: "Digital: A Love Story" & "Don't take it personally, babe, it just ain't your story" - Visual Novels por Christine Love


...Eu acho que o título é maior do que eu gostaria.

Enfim! Esses são dois jogos que estavam no meu Desktop, no canto do "preciso ver isso" já há algum tempo, e agora, tendo o tempo das férias, eu decidi que ei, preciso jogar, né.

Digital: A Love Story foi criado em 2010, e don't take it personally, babe, it just ain't your story - o título realmente é longo assim - foi criado em 2011, com o propósito de ser um sucessor espiritual deste; Ambos são jogos gratuitos. Há ainda o Analogic: A Hate Story, um jogo comercial também criado por Christine Love, com a intenção de ser um outro sucessor de Digital, e este tem uma expansão, Hate Plus.

Todos esses jogos são Visual Novels, criados com o uso da ferramenta Ren'Py - assim como Katawa Shoujo, por exemplo, e RE: Alistair, com o qual eu consigo ver algumas semelhanças a começar pela temática de redes sociais virtuais. Alguns são mais lineares que outros - Digital tem apenas um final, enquanto DTIPBIJAYS tem ao menos 3 variações de acontecimentos, apesar de ser também bastante linear; Já Analogic, pelo que li, tem 5 finais.


Ainda assim, o curioso é que a autora nunca se reconheceu especificamente como desenvolvedora ou algo do tipo; Ela cursava Inglês à época que desenvolveu estes jogos, e seu foco era no aspecto novel, o que talvez justifique por que ambos são tão elogiados pelas suas narrativas. Aliás, eu me incluo nisso. Se o estilo narrativo de Digital é excelente, o de DTIPBIJAYS escala isso com o uso de metarrepresentações e diálogos - por exemplo, há um diálogo, próximo ao final, que prevê o tom do final em uma encenação de teatro; Mas esse recurso não é usado exatamente como o usual, é uma coisa outra que só faz sentido no contexto desse final. É difícil explicar sem dar spoilers, mas garanto que a execução é genial.


Mas deixa eu começar falando de Digital. Na realidade, eu comecei Digital há poucos meses, mas depois de uns 10 minutos de jogo, acabei parando. Não que estivesse especialmente ruim, mas meu mouse estava travando e eu já não aguentava mais olhar pra aquela tela azul.

O jogo inteiro se passa em uma tela azul, imitando o Amiga Workbench lá dos anos 80. O protagonista silencioso acaba de ganhar um "Amie", e ainda por cima tem agora um modem dial-up que pode usar a vontade para entrar em BBS! Uau. Que tecnológico. A interface do jogo não é super intuitiva, e nem é pra ser - na verdade, você precisa ler muito texto pra saber o que fazer, já que pouquíssimas coisas são gráficas. Que nem realmente acontecia com os computadores de antigamente.


E é esse tipo de coisa que logo me fez perceber que Digital seria uma experiência ótima. O barulhinho terrível do dial-up discando, as mensagens mandadas por AIs explicando sobre o começo da ARPANET e afins, são um prato cheio pra gente como eu, que cresceu com isso e volta e meia se pega lendo sobre na Wikipedia. Rapidamente, porém, o cenário muda. De um jogo divertidinho e "vagamente cultural", coisas realmente bizarras começam a acontecer. Realmente bizarras. Ninguém mandou ficar baixando arquivos no The Matrix.

Dali por diante, o fator realismo meio que cai um pouco, mas o jogo continua adorável e a narrativa é bem dramática. Pra mim, foi uma experiência extremamente envolvente, por conta de toda a nostalgia e o quão positivamente surpresa eu fiquei ao dar uma segunda chance para o jogo. Pode afastar um pouco no começo, e parecer um pouco pretensioso, mas realmente não o é.
   

Em seguida, eu joguei DTIPBIJAYS. Cujo estilo é muito mais convencional, visualmente falando, mas estilisticamente é igualmente genial. Você é John Rook, um professor de literatura de 38 anos, que após de anos trabalhando com computadores, dois divórcios, e uma crise de meia idade, decidiu começar a exercer a profissão. (Qualquer semelhança com a vida da autora é mera coincidência... ou não.) E aí, basicamente, ele vai parar em uma escola com uma política de privacidade que incentiva stalking em redes sociais.

O nome "John Rook", aliás, pode vir de Digital, já que o nome do sysop do primeiro BBS que você entra é "J. Rook". O jogo é repleto de shout-outs para Digital, como a marca Amie e a mãe de um dos personagens, que é também uma personagem em Digital, além, é claro, da temática geral - de tecnologia, Internet, e como essas coisas influenciam as vidas das pessoas, que é uma temática que a autora declaradamente se interessa por.


Para falar dos pontos fracos, o jogo ainda é bem linear, e - ao menos na minha opinião - a arte dos personagens oscila entre "OK" e "péssima", apesar de os backgrounds serem muito bons! Ainda assim, esses pontos não são o bastante pra tirar a minha recomendação. 

Ambos os jogos são curtos, tendo cerca de duas horas de duração, e na minha opinião é tempo bem-gasto. Vale a pena jogar, se não pelas narrativas interessantes e reflexões sociológicas, pela possibilidade de hackear o Gibson, ou acompanhar o backlash do fandom de Digital Girl Eniko.

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