quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Anime: Sukitte ii na yo. - "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", por Mei Tachibana

 

"Todos fingem que são legais com os outros, mas isso acaba quando algo se torna inconveniente."

Essa é Mei; Uma garota de 16 anos, que não tem amigos ou namorado, e é protagonista de uma história.

A história de Mei não é particularmente especial; Exceto, talvez, pelo fato de que ela conhece alguém que balança o seu coração no colegial, assim como toda boa protagonista de shoujo colegial. Esse alguém também não é alguém especial; É apenas alguém - bonito, obviamente, já que é um shoujo colegial, e popular, o que também conta pontos nos quesitos "clichê" e "sonho de adolescente" - que estava no lugar certo, na hora certa, e que por algum motivo tem o seu coração balançado por essa garota.


Esse alguém vai fazer Mei aprender o que é o amor, a amizade, a compreensão, a...


... E esse é Yamato; Um grande filho da puta, quando o conhecemos. Ok, no mínimo um pouco idiota, já que ele anda com as pessoas erradas, fala as coisas erradas, e mexe com as garotas erradas. Dá em cima da Mei, - que obviamente não tem o mínimo interesse nele - e inclusive passa o seu telefone contra a vontade dela.
Uma bela noite, Mei acaba se vendo forçada a ligar para Yamato para evitar de ser assaltada, estuprada, ou sabe-se lá o que por um estranho; E o nosso gentleman aproveita para roubar o primeiro beijo dela. 

Assim começa a história de Sukitte ii na yo. Chauvinista e babaca como 90% dos shoujos de colegial, mas muito bem produzido perto de 90% dos shoujos de colegial (Kimi ni Todoke: não mandei abraços), e por que não assistir?



Vendo a cena do final do primeiro episódio, em que ela acaba ligando para o Yamato ir ajudá-la, eu lembrei que já tinha lido um pouquinho do mangá antes do anime... E achei um tanto clichê, mas sim, a cena é muito fofa, especialmente com a produção do anime. Foi nessa vibe que eu comecei a ver Sukitte ii na yo. Ou por ser talvez o melhor shoujo que tivemos em anime nos últimos anos.

Acontece que a história dos dois é realmente muito adorável, e apesar do começo estúpido, se desenvolve de uma maneira tranqüila e coerente. Ambos vão se conhecendo, e nós vamos reconhecendo a ambos como personalidades tão adoráveis quanto confusas. Yamato tem tantos motivos pra ser um babaca quanto Mei; Nenhum dos dois sabe realmente como fazer amigos.



E a pergunta que fica é: afinal, quem sabe como fazer amigos? O garoto que pega várias garotas para se sentir superior ao garoto bonito e popular? A garota que sacrifica quem ela é para ser desejada? A garota que pensa que não é justo conquistar o amor sem esforços sobrehumanos?
Em todos os personagens existe a mesma questão, e talvez seja essa a questão que todos nós temos. Afinal, no que consiste a amizade? Ou o amor? O que faz com que um relacionamento seja de verdade?

São questões banais do cotidiano, e que talvez negligenciemos com freqüência, mas eu acho que são essenciais. Para a gente, mesmo. Essa foi uma das coisas que mais me cativaram em Sukitte ii na yo; A densidade dos relacionamentos e conflitos, ao ponto de serem identificáveis nas nossas próprias vidas e nos fazer refletir, ao mesmo tempo em que os personagens são suficientemente bem-elaborados para não despersonalizarmo-nos. É um balanço raro e precioso.

      


E não são apenas os protagonistas que possuem conflitos, passados e personalidades densos; Todos os personagens importantes - consigo contar nove de cabeça, mas provavelmente tem mais - tem histórias, passados, conflitos, que vão se resolvendo ao longo da história. O desenvolvimento se dá simultaneamente, de modo que um acaba ajudando o outro a crescer; Não dá aquela impressão de que alguns ficaram estagnados, tampouco de que a amizade não muda ninguém.

Por exemplo, a história de Sukitte ii na yo começa realmente quando Mei conhece a Asami, uma garota que sofre bullying por ter peitos grandes. Por conta disso, apesar de a primeira vista ser muito bonitinha e bem-relacionada com pessoas de ambos os sexos, descobrimos que Asami tem muita dificuldade em relacionamentos, e não se sente apreciada pelo que é. É a abertura de Mei para ouvir os conflitos de Asami - e, posteriormente, dos outros personagens que vão aparecendo - que vão dando densidade e contribuindo para o desenvolvimento da sua própria personalidade.

   


Eu me vi na Mei, a princípio, como eu creio que seja a intenção. Em episódios posteriores, no entanto, a personagem com que mais identifiquei na série não foi a Mei, mas sim a Megumi Kitagawa, que é uma modelo popular, e que tenta "roubar" o Yamato da Mei.

Certo, e o que isso tem a ver comigo?

Um ponto muito positivo de Sukitte ii na yo - ou qualquer shoujo decente, falando nisso - é que nenhum personagem é unidimensional. A Megumi é o estereótipo da bitch recalcada a primeira vista, mas em episódios posteriores, descobrimos que ela só é tão bonita e estilosa por um trauma de infância - as pessoas diziam que ela era mais feia da classe, e com o apoio de uma amiga, ela se especializa em maquiagem e moda e eventualmente torna-se uma modelo. Isso é irônico, mas realmente acontece muito (pontos pra série!).
Megumi começa a colecionar falsos amigos e viver uma vida vazia para manter o status, e isso leva à crise do personagem dela, já que quando ela se vê sozinha a despeito de todos os seus esforços pra parecer uma pessoa incrivelmente legal, ela começa a se perguntar - o que eu preciso fazer pra ser feliz?



É esse tipo de crise que move os personagens, que faz com que eles entrem em contato e se desenvolvam. Isso e, é claro, os romances, que ainda são o tema central em Sukitte ii na yo; A necessidade de fazer cada personagem terminar com um parzinho é bastante ridícula, - até a garota de dez anos, sério? - mas perdoemos. Eu acredito que o mangá seja diferente nesse aspecto, também.

De resto, - quer dizer, excluindo o episódio final - poucas críticas a fazer ao enredo em si. A série é toda bem-construída, dificilmente perdendo o foco ou o ritmo. Alguns personagens parecem aparecer do nada em diversos momentos, mas isso também impede a história de perder o dinamismo. As questões colocadas são interessantes, e os temas - como namoro, beleza e dietas - evidenciam que é tudo muito simples, mas bem-executado.


Tecnicamente, Sukitte ii na yo é mesmo muito bom. É uma história de romance que em 13 episódios tem um começo, meio e fim, - ainda que o fim tenha sido bastante apressado, e poderia ter sido muito bem concluído no episódio 12, na minha opinião - e intercessões com as histórias de tantos outros personagens - a grande maioria deles muito simpáticos e desenvolvidos, sem deixarem de ter a leveza de personagens de shoujo. O character design é bem semelhante ao original - uma versão simplificada, levando em conta que o original é realmente muito bom - e consistente, assim como a animação do estúdio ZEXCS (H2O, Da Capo, Chu Bra!!) - coisa rara nos dias de hoje.

A trilha sonora é muito boa, também. Na verdade, eu comecei a ver as duas dúzias de animes de 2012/2013 que eu ainda preciso ver por causa da abertura, Friendship - aquela música que muitos devem conhecer por causa de Love Hina, mas em uma versão ainda mais doce. Tudo meio diabético, mas muito legal.





Em conclusão, eu gostei demais de Sukitte ii na yo. Demais, mesmo, confesso. Vi tudo em espaços de tempo livre que eu tinha - o suficiente pra deixar meus dias um pouco mais doces, e o coração um pouco mais feliz. Sukitte ii na yo é extremamente fofo, e não tem vergonha disso.

Se eu recomendo? Muito, pra quem curte voltar ao shoujo diabetes de tempos em tempos, tipo eu, levando em conta que a produção é das melhores que tivemos no gênero em anos recentes; Muito, pra quem liga pra relacionamentos entre personagens, questões humanas e dramas bonitinhos. Definitivamente não pra quem espera algo inédito ou revolucionário. Sem medo de errar.


2 comentários:

  1. Nossa... Serio mesmo aqui, você bloga muito bem mesmo.
    Olha, seu blog já esta a um tempo na blogosfera, mais com poucas pessoas acessando ainda.
    Divulgue seu blog, não espere os leitores virem ate você, participe de fóruns, chats, outros blogs entre outros.
    Enquanto você divulga seu blog você pode encontrar vários novos animes.

    Abraço.
    Diego|Sendo um Otaku||

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada!! Não imagina como fico feliz (e surpresa) quando aparecem comentários assim, haha. De verdade, muito obrigada!
      Sabe que eu estava "reclamando" agora mesmo sobre isso no twitter... já tentei divulgar em blogs, acompanho e comento em alguns, mas acho tão difícil fazer uma boa divulgação. Talvez até por não acompanhar muitos dos animes "populares", é difícil até pra mim ter assunto com outros fãs, então acabo sendo mais discreta. Preciso arranjar um jeito melhor de divulgar...
      Obrigada pelas dicas! :)

      Excluir